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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Você sabe o que é REA?


Talita Moretto (foto) - Jornalista atuante em Educação. Pós-Graduada em Tecnologias na Aprendizagem, coordenadora de Programa Jornal e Educação (Projeto Vamos Ler / Jornal da Manhã), professora de Mídias Digitais, colunista para o Portal Adital Jovem – Notícias da América Latina e Caribe, pesquisadora e especialista na aplicação de mídia e novas tecnologias na educação. É autora do blog Sala Aberta (salaaberta.com).
Entrevista concedida a Débora Sebriam em 08/2012 para o site REA - Recursos Educacionais Abertos (http://rea.net.br/site/talita-moretto/)

Projeto REA: Quando e como descobriu REA?
Talita Moretto: Descobri o site do REA em 2010, se não me engano, e achei muito interessante a iniciativa. No momento, até escrevi sobre e publiquei no jornal em que trabalho (escrevo uma página sobre educação) e em meu blog. Mais tarde, em fevereiro deste ano, participei de uma oficina de REA na EducaParty, durante o Campus Party 2012, o que me esclareceu mais sobre o assunto.
Projeto REA: Que experiências/projetos/ideias desenvolve?
Talita Moretto: Estou lecionando em um curso de MBA em Marketing Digital (pelo Instituto Doll – Tecnologia e Educação, em Ponta Grossa-PR), responsável pela disciplina de Mídias Digitais. Na disciplina eu abordo conceitos de mídias digitais, mídias sociais e redes sociais (o que acontece e impulsiona os usuários, hoje, nessas mídias), os canais de uso, legalidade, planejamento e mensuração (monitoramento, métricas). Diante disso, saber o que está fazendo na rede é essencial para o sucesso, independente do foco. Saber como utilizar os conteúdos é imprescindível antes de começar a publicar.
Projeto REA: Por que acha importante falar de REA e licenças abertas nas aulas de Mídias Digitais?
Talita Moretto: É importante abordar a legalidade quanto ao que fazemos dentro dessas mídias. Ainda é pouco falado e considerado o direito digital e as pessoas se confundem sobre o que é “compartilhar”e o que é “se apropriar” de conteúdo de terceiros. Então, ao explicar sobre as leis que fiscalizam o mundo virtual falei sobre o Creative Commons e, consequentemente, sobre o REA. Nenhum aluno conhecia. Mostrei como funcionava o CC e, inclusive, levei materiais licenciados para eles perceberem que realmente existe. Afinal, já que vamos usar outros conteúdos que não os nossos, por que não utilizar dentro da lei? Vamos fazer isso corretamente. O REA é o caminho para melhorar a educação de todos quanto à ética de uso e o bom senso, além de saber que é um material de qualidade diante de tantas coisas que encontramos sem curadoria na rede.
Projeto REA: Qual a receptividade dos alunos em relação ao tema?
Talita Moretto: Percebi que se interessaram bastante porque falei sobre isso na primeira aula e, ao remeter ao assunto na segunda, a maioria já tinha gravado e percebia quando eu usava imagens licenciadas. Eu semeei um pouquinho do CC entre eles, com certeza.
Projeto REA: O que diria para educadores que desejam começar a trabalhar por e com REA?
Talita Moretto: Acredito que é o primeiro para lidar com a insegurança que a web traz. Os jovens de hoje, que já nascem e são educados com as mídias digitais, devem aprender a usá-las de forma consciente porque eles serão os responsáveis pela criação de tantas mídias que estão por vir. O mundo da informação será cada vez mais digital, sobre isso não temos dúvida, então as pessoas precisam ser educadas à boa convivência no mundo virtual, e começa-se respeitando o próximo e suas produções.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Especialistas defendem uso de recursos educacionais abertos


Crédito:REA BrasilCredito:REA Brasil
A materialização dos REAs nas escolas brasileiras ainda depende de investimentos, mas será um caminho sem volta, na opinião de Débora Sebriam, da comunidade REA Brasil
A segunda reportagem da série Gerações Digitais, publicada pelo Instituto Claro (www.institutoclaro.org.br), aborda o conceito de Educação Aberta e os Recursos Educacionais Abertos (REAs), novas práticas educacionais, surgidas na última década junto com as tecnologias digitais, que vêm promovendo grandes mudanças na forma como as pessoas se informam e aprendem. Dentro desse cenário há menos de dez anos, a educadora especializada em tecnologias digitais, Débora Sebriam, ressalta que as pessoas passaram a produzir mais conteúdos e conhecimentos de forma colaborativa, e uma das formas de trabalhar o espírito colaborativo da cultura digital em sala de aula, tanto no que diz respeito aos recursos quanto à metodologia de utilização, é através do REA, ou seja, fazendo uso de ferramentas que estão em domínio público, ou licenciadas de maneira aberta, e que podem ser utilizadas e/ou remixadas por terceiros.

Débora lembra que este movimento chegou ao Brasil em 2008. Hoje, já existe uma comunidade que apóia projetos de disponibilização e produção de recursos abertos. No entanto, é preciso destacar que os REAs, sozinhos, não fazem a diferença. Para o pesquisador do Núcleo de Informática Aplicada à Educação (Nied/Unicamp) e coordenador do grupo de trabalho Educação Aberta, Tel Amiel, o que importa são as práticas que podem ser modificadas em sala de aula e para além dela. “Os REAs são uma maneira de professor e aluno pensarem questões que a cultura digital impõe”, afirma.

Para o doutor em educação e tecnologia e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Nelson Pretto, “se pensarmos no formato tradicional das escolas, que só transmitem educação, as tecnologias digitais são mais efetivas. Educação, porém, não é isso, não é transmissão de informação”, alerta. Para Pretto, que possui um histórico de atuação com tecnologias no ensino anterior à web 2.0, as novas gerações se manifestam e produzem conhecimentos de maneira diferente. “A escola precisa se modificar. O esforço que tem que ser feito agora é o de transformá-la em um ecossistema pedagógico de produção de cultura e conhecimento. Para isso, é preciso uma mudança de currículo”, afirma Pretto.

Débora ainda lembra que o ‘copiar e colar’ é uma prática anterior ao mundo online. “As pessoas copiavam coisas da Enciclopédia Barça, por exemplo. A questão é: com vários trabalhos copiados e colados, sem citações de fonte, o professor precisa propor releituras e reflexões. O que se impõe é uma questão metodológica”, afirma.
A série Gerações Digitais vai ao ar a cada duas semanas e pretende registrar a trajetória das tecnologias digitais na educação nas últimas décadas. 

Evento
UniBrasil e Projeto REA Brasil promovem seminário em Curitiba 
Começou nesta segunda-feira (24) e termina hoje a ‘Semana de Estudos Interdisciplinares sobre Recursos Educacionais Abertos’ que está acontecendo no campus da UniBrasil, em Curitiba. O evento é uma parceria entre a universidade e o Instituto Educadigital, organizado pelo Projeto REA Brasil. Na noite de hoje, a partir das 19 horas, Awdrey Miquelin, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), irá falar sobre ‘O papel do conhecimento tecnológico e a prática educacional em sala de aula’. Na sequência, o professor Antônio Marques, da Secretaria do Estado do Paraná, encerra a Semana com a palestra ‘Educação, tecnologia e software livre’. O Seminário é aberto à população e a entrada é franca.

REA
Recursos Educacionais Abertos são materiais de ensino, aprendizado e pesquisa em qualquer suporte ou mídia, que estão sob domínio público, ou licenciados de maneira aberta, permitindo que sejam utilizados ou adaptados por terceiros. Não se trata somente de conteúdo digital; livros e outros materiais impressos também podem ser recursos educacionais abertos.

Fonte: Jornal da Manhã 26/09/2012

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Recursos Educacionais Abertos

Uma dica da Débora Sebriam, do blog Internetando (http://deborasebriam.wordpress.com/para quem quer saber mais sobre Recursos Educacionais Abertos - REA, é ir até o endereço http://educacaoaberta.org/wiki/index.php/Caderno_REA e acessar o caderno Recursos Educacionais Abertos voltado para professores. A publicação explica os princípios básicos do REA, como trabalhar com REA, questões legais, etc




Débora deu a oficina Recursos Educacionais Abertos na #EducaParty #CampusParty, no dia 9 de fevereiro, no Parque Anhembi, em São Paulo, e também disponibilizou sua apresentação para os interessados.  É só acessar o link http://www.slideshare.net/deborasebriam/oficina-rea-educaparty

Veja como foi a oficina REA: Recursos Educacionais Abertos



A oficina REA, promovida pelo Instituto Educadigital (IED), liderada por Bianca Santana – Diretora de Educação do IED e por Débora Sebriam do Projeto REA-Brasil e do IED, começou com uma dinâmica e com uma rodada de apresentações dos participantes e constatou-se que a maioria dos estados brasileiros estavam ali representados. A oficina também contou com a presença de membros dacomunidade REA-Brasil, como Carolina Rossini, Tel Amiel e Andreia Inamorato.
Na dinâmica inicial os participantes deveriam se posicionar em uma linha de concordância ou discordância sobre a afirmativa: “autoria é sinônimo de propriedade”. A grande maioria dos presentes se posicionou contrário a afirmativa e um deles trouxe conceitos diferenciando propriedade de autoria, pois para este “a propriedade está associada a bens materias e não para bens imateriais”.
EducaParty 2012
Após a dinâmica inicial, o conceito REA da Unesco foi apresentado e alguns dos presentes tomaram a palavra para ressaltar a necessidade de formatos abertos para a elaboração e compartilhamento de Recursos Educacionais Abertos.
"Recursos Educacionais Abertos são materiais de ensino, aprendizado e pesquisa em qualquer suporte ou mídia, que estão sob domínio público, ou estão licenciados de maneira aberta, permitindo que sejam utilizados ou adaptados por terceiros. O uso de formatos técnicos abertos facilita o acesso e o reuso potencial dos recursos publicados digitalmente. Recursos Educacionais Abertos podem incluir cursos completos, partes de cursos, módulos, livros didáticos, artigos de pesquisa, vídeos, testes, software, e qualquer outra ferramenta, material ou técnica que possa apoiar o acesso ao conhecimento." UNESCO/COL, com colaboração da Comunidade REA-Brasil (2011)
As 6 licenças Creative Commons disponíveis foram apresentadas e exemplificadas. Duas questões práticas foram colocadas ao grupo:
  • como escolher uma licença do Creative Commons
  • como utilizar ferramentas de busca avançada, como a do Google, para encontrar materiais licenciados abertamente
EducaParty 2012
Após a discussão inicial sobre o conceito e licenciamento aberto de materiais educativos, o grupo realizou um exercício prático no site do Creative Commons e decidiu-se licenciar um plano de aula hipotético. Após responder à duas perguntas básicas, a licença escolhida pelo grupo no exercício foi a CC-BY-NC-SA (Atribuição – Uso não comercial - Compartilhamento pela mesma licença) uma das licenças mais restritivas. Uma discussão foi iniciada sobre os impactos da licença, as dificuldades de interoperabilidade legal com outros projetos REA, fato que resultou um repensar a licença, motivando as pessoas a escolherem licenças mais abertas.
O trabalho de Raffaela Traniello é um exemplo de criação REA e foi exemplo na oficina. Rafaella é uma professora de ensino fundamental na Itália, que é um exemplo de professor autor. Ela estimula a criatividade, colaboração e o compartilhamento criando séries de animação com seus alunos sempre promovendo e fazendo uso de software livre e licenças Creative Commons.
Licenças e compartilhamento continuaram em pauta com uma reflexão sobre o conteúdo do Portal do ProfessorBanco Internacional de Objetos Educacionais, Portal Domínio Público e Plataforma Connexions.
Ao final, os participantes tiveram oportunidade de dar seu depoimento respondendo a pergunta: "o que eu faço na minha prática cotidiana é REA?" Muitos educadores já compartilhavam suas obras criativas na web, entretanto muitos deles, não conheciam REA e as possibilidades de licenciamentos abertos e saíram da oficina empolgados com a possibilidade de colher os frutos de publicar REA.
A oficina foi marcada pela participação constante dos presentes, num debate aberto extremamente rico e foram presenteados pelo Instituto Educadigital com exemplares impressos do Caderno REA para professores e do folder REA.
Saiba mais sobre em Recursos Educacionais Abertos no Blog REA e no Educação Aberta.
Fonte: EducaRede/ Foto: Ricardo Lisboa