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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Ciberbullying



Pantallas Amigas ofrece en este vídeo una descripción sencilla y muy visual de lo que es el ciberacoso escolar, también llamado cyberbullying, cibermatoneo o cibermatonaje. También da unas pautas básicas generales para prevenirlo. Más información y recursos didácticos sobre el tema enhttp://www.PrevencionCiberbullying.com

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Ensino híbrido ou Blended learning


É a combinação do aprendizado on-line com o offline, em modelos que mesclam (por isso o termo blended, do inglês “misturar”) momentos em que o aluno estuda sozinho, de maneira virtual, com outros em que a aprendizagem ocorre de forma presencial, valorizando a interação entre pares e entre aluno e professor.

Normalmente, a parte presencial prescinde de tecnologia. Nessa etapa, o professor ou tutor se torna responsável por propor atividades que valorizem a interações interpessoais. Aqui, o professor pode propor trabalhos que envolvam toda a turma ou pode dividi-la em grupos menores para a realização de projetos.

Já a parte do ensino realizada com o auxílio de recursos digitais permite que o aluno tenha controle sobre onde, como, o que e com quem vai estudar. Nesse sentido, os dispositivos móveis, como tablets e celulares, e a facilidade de utilizá-los em diferentes ambientes abriu o leque de possibilidades sobre onde esse componente pode ser desenvolvido: dentro da própria sala de aula, na biblioteca, no laboratório de informática e até em casa.

Apesar de serem momentos diferentes, o on-line e o presencial, o objetivo do aprendizado híbrido é que esses dois momentos sejam complementares e promovam uma educação mais eficiente, interessante e personalizada. Já há um esforço da academia e das instituições que estudam o ensino híbrido de categorizar as formas como ele vem se manifestando nas diferentes instituições de ensino que optam por adotá-lo.

Confira, a seguir, uma lista com alguns dos arranjos possíveis de combinação de ensino on-line e offline.

Rotação
Ocorre, normalmente, em uma disciplina específica, na qual os alunos rotacionam por modalidades diferentes de aprendizagem. Um dos formatos possíveis é que o professor monte “estações” com propostas diferentes. Em uma, parte dos alunos podem se dedicar ao ensino via plataformas digitais. Em outra, os estudantes podem estar desenvolvendo projetos em pequenos grupos. Em uma terceira, outro grupo de alunos pode estar com o professor, tirando dúvidas.

Flex
A plataforma on-line é a espinha dorsal desse tipo de ensino. Professores estão por ali, em maior ou menor proporção, tirando dúvidas que apareçam pessoalmente, para cada um ou para grupos pequenos.

Laboratório on-line
Uma plataforma on-line entrega o curso inteiro, mas num lugar físico. Frequentemente os alunos que participam do laboratório também têm aulas tradicionais.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

8 motivos pelos quais o Facebook não é boa ideia para crianças


Brasil tem a maior taxa de crescimento no Facebook, com uma média de 10% a mais de novos usuários ao mês. Isso seria algo em torno de 20 milhões de pessoas que entram na rede social mais popular do planeta a cada 30 dias. Além do sucesso no Brasil, o Facebook já é um fenômeno mundial e, como quase qualquer tipo de moda, tem os seus problemas...
Por exemplo, o que dizer em caso de uma criança querer abrir sua própria conta no Facebook? Qual é a idade mínima recomendada? Adolescentes e crianças devem ser tratados igualmente? Enfim, são muitas perguntas e o OnSoftware selecionou oito razões para mostrar a você que o Facebook não é adequado para crianças. Confira:

1. Termos de Uso

Pouca gente sabe, mas os Termos de Uso do Facebook recomendam uma idade mínima para se usar a rede social: 13 anos. Parece muito, pouco, adequado? Não existe um consenso na internet sobre tal questão. Entretanto, é sempre bom levar em consideração o tipo de conteúdo que pode ser acessado por uma criança.
É impossível tentar criar uma conta no Facebook e usar uma idade que seja inferior aos 13 anos: uma mensagem é exibida dizendo que a ação não pode ser processada. Se uma criança mentir a idade e cometer algum tipo de delito digital, as consequências podem ser gravíssimas, inclusive para os pais.

2. Encontros indesejáveis

Pode parecer um chavão, mas é fato: o Facebook confirma a Teoria dos Seis Graus de Separação. Em resumo, tal teoria declara que, ao redor do mundo, são necessários um máximo de seis laços de amizade para que duas pessoas estejam ligadas.
No Facebook, é possível ver a ação de amigos, de amigos de amigos, de amigos de amigos de amigos e, finalmente, de desconhecidos. Agora, lembra do velho conselho que a sua mãe repetia sem parar? "Nunca fale com estranhos!".
- Por que deixar que seus filhos falem com estranhos na internet?
- Será que as crianças sabem dizer "não" em redes sociais?
- Você gostaria que estranhos soubessem tudo o que os seus filhos fazem no Facebook e fora dele?
Reflita sobre isso.

3. Conteúdo Inapropriado

Diferentemente de buscadores e outras páginas de conteúdo, o Facebook não dispõe de ferramentas de controle parental. Portanto, é um território propício para que as crianças encontrem praticamente o que quiserem, seja porque realmente estão buscando ou por acaso.
Além das atividades de pessoas estranhas, pode-se encontrar facilmente páginas de fãs ou grupos semitas, violentos, sexuais, torcidas organizadas e etc. Os resultados podem ser perigosos para a formação da criança.

4. Gramática e ortografia: para quê?

Triste mas verdadeiro: a geração do SMS, das redes sociais e demais tribos cibernéticas têm uma linguagem praticamente própria. Só que tal linguagem é inimiga mortal da boa escrita e leitura. E, acredite, dá desespero ver como a molecada escreve hoje em dia... Sem dizer, claro, que os mestres da literatura cometeriam suicídio em massa se vivessem em nosso tempo.
Tanto a gramática como a ortografia são absolutamente massacradas no Facebook. Tais faltas irão parar nas provas do colégio, no vestibular, na universidade, no trabalho...Enfim: incentive a leitura em detrimento ao Facebook e suas crianças serão muito mais felizes - e criativas!

5. Os RHs do mundo inteiro estão no Facebook

Tá na moda escancarar a privacidade. Tanto faz se tem gente que você nunca viu na vida sabendo de assuntos estritamente pessoais: o negócio é ser popular, alegre e jamais ter problemas no Facebook. Ou, você conhece alguém que não seja 100% feliz em redes sociais?
Pois é... O problema é que isso anda tão exagerado que já existem pessoas e empresas de Recursos Humanos especializadas em vasculhar perfis de candidatos em redes sociais. E, acredite: se uma delas encontra um perfil que foi criado para uma criança, o resultado não será nada agradável...
Tais empresas já olham o histórico do Facebook de alguns candidatos em até 5 anos retroativos. E não só por conta das fotos em baladas e raves enlouquecidas ou bebedeiras monstro. Existem também as atualizações de status, as piadinhas sexistas, as fotos picantes... E não é exagero! Agora, imagine a pergunta de um entrevistador a um candidatonuma entrevista de emprego: "Então, meu bom rapaz, quer dizer que você só abandonou as fraldas aos cinco anos de idade?". Que deselegante!

6. Tratamento de dados

Embora seja possível excluir completamente uma conta do Facebook e torná-la invisível, é praticamente impossível saber se estes dados estão seguros nos servidores da rede social. Recentemente, inclusive, uma notícia dava conta de que as fotos apagadas no Facebook podem ser acessadas por até três anos...
Melhor deixar isso para um adulto: uma criança não entende tais riscos e consequências - para elas, tudo isso é uma confusão enorme.

7. A vida de verdade é muito melhor

Uma criança tem coisas muito mais divertidas que fazer do que ficar no Facebook. Mesmo que seja nas grandes cidades, fechadas em seus condomínios semiabertos, brincar sempre foi muito mais divertido do que qualquer computador.
Procure centros cívicos, clubes de leitura, escoteiros mirins ou associações de bairro: lá, as crianças são muito mais felizes que no Facebook. Além disso, ficar muito tempo diante do monitor não faz bem para a vista.

8. Será que, quando adulto, seu filho vai querer ter um perfil no Facebook?

Pense na frente, no futuro e responda: qual é o principal motivo para você criar uma conta no Facebook para um bebê? Tem muita gente que já fez isso... Também tem muita gente que é "anti-facebook" - eu mesmo sou e minha filha também já começa a ser...
Um erro dos pais é decidir pelos filhos, acreditar que eles sabem o que é melhor para eles. Papo-furado: cada pessoa é diferente, inclusive os filhos. É muita pretensão da sua parte, pai ou mãe, acreditar que você vai decidir o que é bom para o rebentos. Então, cabe a eles escolher se querem ou não ter uma conta no Facebook.
Você concorda com estes pontos? Conhece outras razões? Compartilhe a sua opinião com a gente!
Fonte: http://artigos.softonic.com.br/facebook-criancas-proibido/ Felipe Pessoa 26/03/2012 [Inspirado no OnSoftware FR]

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Estudo sugere uso de SMS no ensino


Segundo pesquisa elaborada pela Unisinos, ferramenta pode ser melhor aproveitada na academia
O uso de SMS como apoio ao ensino presencial tem excelente aceitação entre estudantes, de acordo com estudo realizado pela Unisinos. Desenvolvida durante o último mês do semestre letivo, em cinco disciplinas, de quatro cursos, na área de Administração, a pesquisa envolveu 113 estudantes que se inscreveram de forma voluntária, fornecendo seu número de celular. O grupo recebeu de três a quatro SMS por semana, em horário comercial e em dias úteis, com conteúdos como avisos das provas, reforço de conteúdo e até estímulo motivacional. Ao final, foi aplicado um questionário impresso para julgamento da experiência.
Apesar de unidirecional – uma vez que somente professores enviavam mensagens, os alunos não podiam respondê-las ou enviar perguntas –, o estudo obteve grau de satisfação elevado, conforme os organizadores. A iniciativa foi classificada como diferente (30%), boa (18%) e importante (16%). A maior parte dos participantes (55%) tinha até 25 anos, ou seja, era um grupo predominantemente jovem e, também, feminino (73%).  Apesar de usar SMS diariamente ou a cada dois dias (83%), apenas quatro alunos já haviam utilizado essa forma de comunicação em alguma atividade ligada ao ensino ou à aprendizagem.
Os participantes destacaram características como fácil uso e utilidade da ferramenta para a disciplina cursada, e concordaram que pode ser empregada em outras matérias. Ainda na opinião dos entrevistados, ajudou a transformar tempos de espera em momentos produtivos. A principal vantagem apontada foi que o uso do SMS ajudou a lembrar, fixar ou memorizar conteúdos. Também ajudou a lembrar de compromissos, como provas e trabalhos; e incentivou a participação na disciplina e a informação prévia para as aulas. Dessa forma, a pesquisa sugere o uso do SMS como um apoio de informação ou motivação ao ensino. 
A pesquisa foi realizada pelos professores Amarolinda Zanela Klein (organizadora), José Carlos da Silva Freitas Jr. e Jorge Barbosa, com apoio da Zenvia, que forneceu a solução de SMS utilizada para a experiência de aplicação ao ensino. Os resultados do estudo, publicados no artigo ‘M-learning na prática: o uso de SMS para ensino e aprendizagem na graduação em Administração’, serão apresentados no 37º Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (Anpad), em setembro, no Rio de Janeiro. 
Fonte: Coletiva.Net 25/07/2013

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Guia online ajuda famílias a proteger os jovens no mundo digital


As férias são muitas vezes sinónimo de mais tempo passados online, em jogos na Internet ou na consolas e usando o telemóvel. Mas os perigos espreitam e é preciso saber evitá-los.

Clássicos da moda

A ideia de conhecer melhor o mundo digital para ajudar a proteger os jovens dos seus perigos está na base do Guia para os pais preparado pela Vodafone. Aqui explicam-se as potencialidades de cada tipo de tecnologia, desde a Internet aos telemóveis e redes sociais, oferecendo ao mesmo tempo informação útil sobre os problemas que podem surgir e as formas de ajudar os mais novos a protegerem-se. 

O site tem conteúdos em português embora os vídeos de testemunhos de jovens e de alguns conselhos sejam em inglês, o que pode trazer algumas dificuldades aos país que não dominam a língua. 

O Guia está preparado para ajudar os progenitores das crianças de várias faixas etárias e é útil para os pais que se sentem menos preparados para enfrentar o mundo digital, mas tem também conselhos úteis para quem já domina estas ferramentas.

Novas tecnologias invadem as salas de aula

Crédito: Zenite Machado
Superfície Educacional Interativa permite ao professor usar jogos e
recursos de vídeo  e áudio para incrementar suas aulas
Por Gabriel Coelho - gabriel.coelho@folhadirigida.com.br


Smartphones, tablets, notebooks e outras tecnologias são, há algum tempo, aparelhos que os jovens usam para a própria diversão. Sabendo disso, muitos educadores já perceberam que os eletrônicos podem deixar de ser inimigos do processo educacional e passarem a ser grandes aliados do ensino.

O uso da tecnologia no mundo da educação vai, aos poucos, deixando de ser promessa para se tornar uma realidade nas instituições de ensino do país. Muitos professores já percebem que os eletrônicos são um eficiente meio de gerar interesse dos alunos com conteúdos interativos, imagens e vídeos.

O tema está presente, inclusive, em seminários e em debates. O 45º Seminário Brasileiro de Tecnologia Educacional, que aconteceu no fim de junho, no Forte do Leme, Rio de Janeiro, discutiu algumas questões fundamentais relativas à prática e à formação do professor para a utilização de tecnologias digitais na educação.

O tablet, um dos dispositivos móveis de comunicação a que a população passou a ter mais acesso nos últimos anos, pode ser um instrumento importante para o professor no processo educacional, como destaca Luiz Manoel Figueiredo, da Universidade Federal Fluminense (UFF). Para ele, as tecnologias deixaram de ser agentes complicadores da educação para serem boas opções de ensino.

"Especificamente sobre os tablets, eles podem fazer com que os professores produzam suas próprias videoaulas, com um equipamento barato, que eles podem usar no dia a dia, sem nenhum grande recurso  tecnológico. É simplesmente saber utilizar a tecnologia. O educador pode se tornar produtor do seu próprio material didático, fazendo suas próprias videoaulas, e ser o distribuidor desse conteúdo para os seus alunos", aponta o professor, que foi um dos palestrantes do 45º Seminário Brasileiro de Tecnologia Educacional, no qual abordou o tema "Uso de dispositivos móveis para produção de objetos de aprendizagem."

O fato das tecnologias estarem inseridas no cotidiano de professores e estudantes faz com que a mudança na forma de dar aula seja cada vez mais natural. Isso não quer dizer que os profissionais de educação não precisem de especialização. Para Luiz Manoel Figueiredo, cursos de capacitação e palestras são boas maneiras de aprendizado desse novo momento da educação.
 
"A principal dificuldade é a questão dos materiais. Os alunos sabem utilizar os aparelhos porque faz parte do dia a dia deles, mas a tecnologia, sozinha, não trará alteração alguma na educação do indivíduo. O tablet, por si só, não vai adiantar muito. A maior questão é entender quais os softwares que podem ser utilizados, quais os aplicativos que trarão facilidades no processo educativo", explica.
Games e tablets para dinamizar o ensino

Segundo o professor da UFF, os educadores terão que analisar como o tablet poderá ser utilizado em sala de aula. Será o momento que eles verão que se tornarão autores. "A questão toda é: qual é o projeto? Quais os aplicativos que eu irei utilizar? Quais são os recursos que serão associados ao tablet? Quais os objetos didáticos que serão utilizados com o tablet e que serão usados na aula? Se não fizerem essa indagação, o uso do tablet e de tecnologia em sala de aula não terá impacto", destaca Luiz Manoel Figueiredo.

Outra estratégia que faz parte do dia a dia de adolescentes e jovens e que, segundo especialistas, pode tornar o ensino mais interessante para esse público é uso de games para trabalhar os conteúdos de diferentes disciplinas. A tenente Marcia Maximiano, professora de Informática da Fundação Osório e responsável pela palestra "Games: a importância na educação à distância", no 45º Seminário Brasileiro de Tecnologia Educacional, concorda que a inserção de objetos tecnológicos em sala de aula é um processo que não terá tantos empecilhos para se realizar. Para que isso ocorra, será necessária uma interação maior com os alunos.

"As crianças de hoje já vivem essa realidade em sala de aula. Os professores podem aprender com essas ferramentas que eles já estão usando, como celulares smartphones, tablets, para que eles possam  aprimorar o seu planejamento. Para isso, os professores terão que sentar, estudar e compreender esses equipamentos para poder inserir essas mídias no planejamento de aula deles".

As vantagens na utilização desses objetos em sala são inúmeras. Com eles, o professor pode substituir o conteúdo escrito no quadro negro por arquivos digitais, economizando um tempo precioso de aula, além de ser um atrativo para os estudantes. Jogos e exercícios também começam a serem utilizados, o que faz com que alunos se sintam mais motivados. Além disso, a economia de papel é um importante benefício trazido pela tecnologia.

Aos poucos, livros, que antes só eram disponibilizados na versão impressa, estão passando por um processo de digitalização. O uso dos chamados e-books (livros virtuais) faz com que o peso do material
escolar diminua consideravelmente, facilitando a vida dos alunos e professores. O Ministério da Educação (MEC), inclusive, anunciou recentemente o edital para livros didáticos das escolas públicas em 2015 no qual consta a inserção de obras multimídias.

O MEC também planeja que, até o fim de 2013, 600 mil tablets sejam distribuídos entre alunos e professores da rede pública. O crescimento da oferta de cursos de educação a distância e o fato dessa tecnologia estar se tornando mais acessível no país são outros indícios do novo momento que a educação está passando.
Novo mercado começa a aparecer

O crescimento da utilização das novas tecnologias no espaço escolar é visível não apenas pelo fato dos alunos usarem seus tablets e smartphones durante as aulas. Aos poucos, a configuração das salas também vai mudando para que os novos equipamentos sejam utilizados de maneira mais efetiva.

Lousas digitais, projetores de imagens em 3D, carteiras com tomadas para recarregar tablets e notebook, antenas Wi-Fi para possibilitar a conectividade com a rede mundial de computadores, entre outros equipamentos, são cada vez mais comuns dentro de escolas. Novas empresas já começam a produzir tecnologias para educação.

Um exemplo disso é a Habto. Trata-se de uma empresa de Engenharia que, desde 2009, produz equipamentos para educação interativa. A união dos conceitos ligados ao ensino e à tecnologia de ponta é vista pelos designers Eduardo Cronemberger, Gil Guigon e Diogo Lage, criadores da Habto, como o futuro da educação.

Em parceria com o professor Henrique Sobreira, do programa de pós- graduação em educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a empresa criou uma série de produtos que dinamizam e descentralizam a educação. O sistema Revoluti, por exemplo, é um dos principais produtos da Habto, já presente na Uerj, UFF, UFRJ, PUC-Rio e outras instituições de ensino.

O sistema é composto por cadeiras e mesas giratórias que podem ser organizadas em diferentes grupos e vêm equipadas com computadores. Segundo Eduardo Cronemberger, "as mesas têm uma estrutura interna de cabeamento, que permite que aparelhos sejam recarregados. Apesar da estrutura ser fixa no chão, a parte onde ficam os aparelhos é móvel, assim como a parte em que o aluno se senta, o que possibilita várias configurações diferentes dentro de sala de aula. O local de ensino pode ser arrumado de diversas formas."

Outro recurso criado para modernizar salas de aula, a Superfície Educacional Interativa (SEI) consiste em uma tela 3D, sensível ao toque, de 55 polegadas. Ela possui um sistema de ajuste de altura e inclinação, que possibilita utilizar o aparelho para exibição de filmes e projeções ou para trabalhos em grupo em cima de uma mesa interativa. Feita em parceria com o Centro de Automação e Simulação do  Senai-RJ, ela também pode ser utilizada para realizar videoconferências, uma vez que vem equipada com uma câmera e possui acesso à internet.

Alguns problemas acontecem na hora de iniciar um projeto de reestruturação de sala de aula. O primeiro, segundo Eduardo, é a infraestrutura. As instalações precisam ser refeitas em vários casos. Outro problema é a resistência por parte de alguns professores, fato que vem acontecendo cada vez menos.

"A geração atual de professores é bastante ligada às tecnologias. Os professores mais tradicionais também já começam a acreditar mais nesse novo momento. Eles já percebem que as tecnologias não vieram para substituir as aulas deles, ou para tirar o emprego desses profissionais. Elas vieram para agregar, facilitar a vida dos alunos e dos educadores."

O custo para montar uma sala de aula que comporte os novos equipamentos também assusta muitos administradores de instituições de ensino. O resultado final, no entanto, vale o investimento. É o garante o designer carioca, que acredita que o uso das novas tecnologias nas escolas já é uma realidade.

"Está bastante aceita e difundida a utilização de tecnologia dentro de sala de aula. A maneira como isso deve acontecer é que ainda gera discussão. Existem tecnologias que são sub-utilizadas. Se começarem a somar os diferenciais de infraestrutura, o valor agregado, as possibilidades de ensino que serão abertas, o preço se torna viável", destacou Eduardo Cronemberger.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

‘Não podemos ver o celular como inimigo’

Crédito Victor Tongdee
O uso dos dispositivos móveis é apontado por especialistas como uma modalidade de ensino-aprendizagem que aproveita, de forma mais intensa e integrada, o ensino tanto dentro quanto fora da sala de aula. Conhecido também como mobile learning, o uso dessas ferramentas ainda é visto com certa desconfiança por muitos educadores e gestores. No entanto, alguns estudiosos, à contramão dessa perspectiva, estão se mobilizando para comprovar a eficácia dos dispositivos móveis na educação. “Existem inúmeras escolas em que o aluno não pode entrar com o celular. Precisamos romper essa barreira, a de que o aparelho é um inimigo”, afirma Antônio Carlos Xavier, pesquisador-chefe de Nehte (Núcleo de Estudos de Hipertexto e Tecnologia Educacional), da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).

Para ampliar a discussão sobre o tema, Xavier, que também é titular em linguística na UFPE, está coordenando o 5o Simpósio Hipertexto e Tecnologias na Educação, que acontece em novembro em Recife. O congresso, que é pago e está com inscrições abertas, pretende discutir a integração de celular e tablets às práticas pedagógicas, com a proposta de sensibilizar os educadores para o uso cada vez mais frequente dos aparelhos móveis. “Vamos reunir experiências de projetos executados com sucesso por meio da modalidade dessa ensino. Não é fácil convencer os professores e gestores, mas lentamente vamos fazendo esse processo”, assegura.

No Brasil, iniciativas, ainda embrionárias, estão mostrando que o uso concreto e produtivo desses dispositivos está contribuindo para engajar os alunos no aprendizado. “A partir dos dispositivos móveis, os estudantes podem gravar, escutar e reescutar o que produziram. Podem receber conteúdos enviados diretamente pelos professores, até receber as tarefas e treinar idiomas por meio do envio de torpedos aos amigos. A mobilidade é o principal trunfo desses aparelhos, que podem ser acessados a todo momento e em qualquer parte”, afirma.
Há dois principais desafios quanto à adoção das mídias móveis em sala de aula: a capacitação tecnológica dos professores e a descentralização do protagonismo docente
Segundo Xavier, o uso dos dispositivos surgiu para dar conta da educação em situações extraordinárias que impediam os estudantes de frequentarem a escola – como em guerras, catástrofes e conflitos armados. Hoje, no entanto, eles vêm ajudando, muito mais além de uma modalidade de ensino alternativa e complementar ao ensino presencial. Para ajudar educadores interessados em adotar os dispositivos, a Unesco apresentou, em fevereiro passado, durante a Mobile Learning Week, um guia com 10 dicas e 13 motivos para usar celular na aula.

Xavier, porém, aponta dois dos principais desafios à adoção das mídias móveis em sala de aula: a capacitação tecnológica dos professores e a descentralização do protagonismo docente. A formação, afirma, é necessária para que o educador consiga desenvolver conteúdos específicos para a utilização efetiva desses aparelhos – e não deve ficar apenas à mercê das secretarias de Educação e governo. “Quando a gente quer mudar, a gente vai atrás. Se o professor ficar esperando iniciativas do governo, nada vai acontecer”, afirma. “Fazer aulas tecnológicas é algo muito mais trabalhoso do que por um pincel no bolso, esboçar um esquema no quadro branco e falar, falar, falar… O professor precisa entender a tecnologia lhe dará vantagens”, completa.
Para Xavier, outro desafio ao professor é encarar um novo modelo de educação que se apresenta, o de tornar-se mais facilitador de conteúdos do que protagonismo hegemônico em sala de aula. “O educador precisa compartilhar com seus alunos.  Seu papel agora é muito mais de um facilitador de conexões do que um fornecedor de informações. Ele não pode competir com o Google”, diz ele, que completa: “Vamos nos capacitando, os alunos também. É uma questão de convencer que ferramentas conspiraram a favor da educação”, afirma.
Atualmente, estão nas mãos dos brasileiros 264,5 milhões de celulares, segundo dados divulgados em abril pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). De acordo com Xavier, esses aparelhos, que são manuseados facilmente pelos jovens, sobretudo para entretenimento, devem ser mais bem aproveitados pelos professores para fins pedagógicos – especialmente para o complemento e ampliação do aprendizado. 

Prêmio Artes Digitais e Aplicativos Educacionais 
Os educadores interessados podem participar, até 30 agosto, da segunda edição do Prêmio Artes Digitais e Aplicativos Educacionais (Prêmio Hipertexto2013). O concurso pretende incentivar a produção de apps educacionais, além de estimular a exposição de obras educativas produzidas digitalmente. O prêmio é dividido em duas categorias: arte digital e aplicativos educacionais. Os participantes podem concorrer em diferentes áreas: literária, plástica, musical, fotográfica e cinematográfica até aplicativos digitais.

Serão selecionados 10 trabalhos que farão parte de uma exposição no Centro de Convenções da UFPE, além de ingressos para o congresso. Os dois primeiros colocados receberão prêmios em dinheiro e também hospedagem para participar do simpósio. As inscrições custam R$ 50.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Tecnologia na sala de aula desafia ´professores analógicos´

A ideia de “professores analógicos” em escolas com “alunos digitais” sempre volta à tona quando o debate é a chegada da tecnologia na sala de aula. A diferença de gerações é essencial nessa relação, mas há uma crise que cabe principalmente ao poder público resolver: a formação dos docentes ainda não contempla essa nova realidade e desafios.

As lacunas de formação que faz com que professores cheguem às escolas já defasados em relação ao uso da tecnologia são sentidas pelas secretarias de Educação. “Graduações e licenciaturas atualmente em seu currículo tratam a tecnologia e seus recursos de maneira superficial, pois a formação desses profissionais dá-se a partir de embasamentos teóricos, não relacionando a prática com a real função das tecnologias na educação”, diz a presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação, Maria Nilene da Costa.

A educadora ressalta que a presença de recursos digitais vem avançando nas escolas do País, com projetos do Ministério da Educação (MEC) e também das esferas estaduais - o que pressiona o professor. “O docente que está iniciando a carreira ainda se depara com dificuldades de inserir o uso das tecnologias e recursos midiáticos de maneira interdisciplinar, reproduzindo ainda as aulas tradicionais.”

O maior desafio para a presidente da União Nacionais dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleusa Repulho, é incorporar a tecnologia desde a formação inicial. “A tecnologia não está integradas nas faculdades e na sala de aula, é notória a angústia dos professores”, diz ela. “O segredo é fazer com que todos os professores entendam que isso é importante.” Cleusa lembra que cabe ao MEC induzir políticas públicas. A pasta informou que pretende oferecer capacitação a todos os cerca de 500 mil professores do ensino médio nos tablets que está distribuindo. Os cursos, voluntários, têm duração de quatro a seis meses e são semipresenciais.

Apesar de receber críticas sobre a distribuição de tablets sem que houvesse uma plataforma específica para seu uso, o ministro Aloizio Mercadante tem mostrado preocupação com a formação. Em entrevista ao Estado publicada ontem - quando se revelou que o ministério trabalha na criação dessa plataforma -, Mercadante reafirmou que a capacitação dos professores é a prioridade. O ministro já repetiu algumas vezes que os estudantes estão no século XXI, enquanto professores, no século XX.

Diferenças

Além de achar a comparação infeliz, o professor Nelson Pretto, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), ressalta que a diferença de gerações entre professor e aluno sempre existiu e não é tão problemática. “O aluno é jovem e por natureza traz a novidade, o desafio. Se um dia for muito diferente é que teremos de nos preocupar.”

Especialista em educação e comunicação, Pretto concorda EM que a formação inicial precisa ser transformada, para que não se dependa tanto da capacitação em serviço. “Necessitamos de uma revolução na formação, mas ela tem de ser acompanhada por uma revolução nas condições de trabalho e salário. Não é possível termos tantas expectativas com a educação sabendo as condições dos professores.”

Professor da escola municipal Guiomar Cabral, de Pirituba, zona oeste de São Paulo, André Bastos, de 41 anos, lembra que aprendeu mexer no Power Point, programa de apresentações, porque um aluno o ensinou. Mas para ele, isso só pode ser positivo. “A educação é uma via de mão dupla, eu tenho de tirar vantagem disso. O bom é que o aluno fica ainda mais protagonista”, diz ele, professor de português há 20 anos. “E esse é um desafio permanente do professor. Ele sempre entra na sala sem saber onde uma pergunta vai levar a aula.”


Fonte: Estadão

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Crianças analfabetas da Etiópia aprendem sozinhas a hackear tablets

Crianças analfabetas da Etiópia aprendem sozinhas a utilizar e até hackear tablets. Caixa com aparelhos foi deixada em aldeia remota e o que os registros revelaram é bastante animador

Certa vez alguém perguntou ao astrônomo e divulgador de ciências Neil deGrasse Tyson o que fazer para despertar a curiosidade científica nas crianças, e o conselho dele foi: “sair do caminho delas”, ou seja, deixá-las explorarem à vontade.
As crianças, segundo ele, já nascem cientistas, com curiosidade e vontade de explorar e conhecer.
O pessoal do “One Laptop Per Child” (“Um Laptop Por Criança” – OLPC) comprovou essa ideia na prática. A empresa de Nicholas Negroponte já distribuiu 3 milhões de laptops para crianças em 40 países, uma atividade que geralmente integra professores a alunos. Mas e onde não tem professor? E onde todo mundo é analfabeto?
criança etiópia tablet
As crianças, segundo o astrônomo Neil deGrasse Tyson, já nascem cientistas, com curiosidade e vontade de explorar e conhecer. 

A ideia foi comprovada na prática e com o mais extremo dos contextos.

A equipe do OLPC deixou uma caixa fechada com tablets Motorola Xoom em duas aldeias etíopes, Wonchi e Wolonchete, onde nunca havia caído ou passado nada escrito.
Eles ensinaram alguns adultos como usar os painéis solares que recarregam os tablets, e pronto. Largaram lá os aparelhos recheados de programas educativos, livros, filmes e jogos.
Uma vez por semana, eles apareciam nas aldeias para trocar o chip de memória dos tablets, onde estavam registradas as atividades das crianças, todas entre 4 e 8 anos. E o que os registros mostraram é bastante animador.
 4 minutos depois que a equipe saiu da aldeia, as crianças já haviam aberto as caixas e descoberto como ligar os tablets – eles nunca tinham visto um botão de liga/desliga antes;
*  uma semana depois, cada criança usava em média 47 aplicativos por dia;
*  duas semanas depois, eles estavam disputando quem soletrava o alfabeto mais rápido, e cantavam músicas como o abecê;
*  cinco meses depois, eles conseguiram ultrapassar a proteção do tablet, que não deixava personalizar o mesmo, e além de cada um ter um tablet completamente diferente, eles também conseguiram habilitar a câmera, que alguém tinha deixado desabilitada por engano – traduzindo, eles hackearam o tablet;
*  uma das crianças, que brincava com programas de alfabetização que usam imagens de animais, abriu um programa de desenho e escreveu a palavra “Lion” (leão);
*  o que uma criança descobria sobre os tablets era compartilhado rapidamente com todas as crianças. Elas formaram uma rede solidária de aprendizado espontaneamente.
criança etiópia tablet
Experimento de crianças da Etiópia com tablets foi esplendoroso
(Foto: Divulgação)


Em cinco meses, a vila saiu da “idade da pedra” e se lançou no caminho da alfabetização e da informática. Imagine se cair um disco voador na Etiópia…

Tecnologia em sala de aula não é suficiente no Brasil, diz pesquisador


“A mera presença dos objetos técnicos em sala de aula não significa necessariamente inovação. Pode até ser um grande retrocesso. O computador sozinho não faz nada”, afirma Edvaldo Couto, professor da Universidade Federal da Bahia. Doutor em Educação pela Unicamp e palestrante das duas edições do InovaEduca 3.0, SP e Recife, ele trabalha em suas pesquisas temas como cibercultura, tecnologias educacionais e criação de narrativas em ambientes digitais. Defensor assíduo do “uso de toda e qualquer tecnologia em sala de aula”, Edvaldo acredita que a Educação 3.0 será aplicada com sucesso quando alguns problemas estiveram solucionados, como a falta de infraestrutura nas escolas e a má formação tecnológica dos professores.
Em entrevista ao Porvir, o professor abordou as questões que permeiam o uso da tecnologia na sala de aula, como isso tem sido feito no Brasil e, ainda, falou sobre as perspectivas educacionais para um futuro próximo. Confira:
Como usar a tecnologia de forma inovadora?
Edvaldo Couto - A mera presença dos objetos técnicos em sala de aula não significa necessariamente inovação. Pode até ser um grande retrocesso. O computador sozinho não faz nada. A Educação 3.0 é a tecnologia de pessoas, que integra pessoas. Para usar as tecnologias digitais de forma inovadora nas práticas docentes precisamos solucionar simultaneamente três problemas:
1 – Melhorar a infraestrutura tecnológica. Existem escolas que receberam computadores e não têm luz elétrica ou acesso à internet. Muitas escolas não têm água potável, não têm biblioteca, não tem sequer professores. Para complicar, os computadores são em número limitado, não tem para todos. É preciso ampliar e criar novas políticas públicas capazes de construir uma boa infraestrutura tecnológica nas escolas.
2 – Melhorar o acesso à rede. A banda larga no Brasil é uma piada. É preciso investir e melhorar a banda larga, entender que conexão é uma necessidade básica da população. Os custos no Brasil, por um serviço sempre ruim, são altíssimos. Precisa reduzir drasticamente o custo e ampliar a velocidade da rede. A internet veloz precisa estar disponível nas escolas. Não pode ser um projeto de algumas escolas particulares e muito caras. Deve ser presença em todas as escolas. Em cada escola pública.
3 – Formar adequadamente os professores para a cultura digital. Muitos professores não sabem o quê nem como fazer uso das tecnologias digitais em suas práticas docentes. Não pode ser apenas um cursinho de poucos horas para ensinar a ligar e desligar aparelhos. Os professores devem ser letrados digitalmente, ter autonomia e liberdade, precisam ser sujeitos integrados na cultura digital.
Esses três pontos na verdade ressaltam que, quando se fala em tecnologias digitais não mais falamos em máquinas, mas em pessoas conectadas, fazendo coisas incríveis porque estão juntas, trabalham em parcerias, de modo coletivo. Se as pessoas não estiverem conectadas e não tiverem liberdade para discutir e criar, nada mudará na educação.
Uma de suas pesquisas é voltada para a Narrativas de Professores nas Redes Sociais Digitais. Como elas podem auxiliar no processo de aprendizado?
Couto - É possível que o mais extraordinário da nossa época seja o fato de qualquer pessoa conectada a internet poder narrar a sua história, contar sobre o seu modo de ver os acontecimentos, opinar sobre um produto, discutir e difundir ideias. A Web 3.0 potencializou essa condição e permitiu a cada um narrar e publicar suas experiências. Então, as narrativas, sobretudo as pessoais, se multiplicam a cada dia nessa esfera pública que é a rede. Muitos professores vivem conetados, são incríveis narradores de si, mas sobretudo de suas práticas docentes. Essas narrativas de professores, especialmente nas redes sociais digitais, orientam, estimulam e se misturam a milhares de outras narrativas de alunos. Qualquer processo de ensino e aprendizagem se mostra mais rico e interessante em meio a essas trocas contínuas.
Como deve ser o processo de integração desse professor na cultura das redes sociais?
Couto - Essa é uma boa questão, porque de fato vivemos uma estimulante e sedutora cultura das redes sociais digitais. Muitos são os professores integrados a algumas dessas redes, mas poucos usam as potencialidades desses ambientes nas suas práticas pedagógicas. Esse parece ser o nosso maior desafio: incentivar professores a inovarem práticas docentes usando as redes sociais digitais. E aqui o importante não é apenas distribuir tarefas, mas, principalmente, criar e manter espaços contínuos e ativos de discussões, produções e difusões de conhecimentos.
E como definir a Educação 3.0?
Couto - A educação 3.0 traz as tecnologias digitais para a sala de aula para estimular a produção e a troca de conhecimentos. A ênfase não deve estar nos objetos técnicos, seus ambientes e aplicativos, mas nas interações, nas trocas, no fazer coletivo. Então a sala de aula passa a ser qualquer ambiente onde as pessoas se conectam umas as outras e criam, encontram soluções para seus problemas, enfrentam coletivamente seus dilemas. Onde tem pessoas conectadas, tem ensino e aprendizagem mediados por tecnologias digitais. O professor não é mais aquele que transmite um determinado saber pronto. Ser professor na cultura digital implica coordenar, orientar, incentivar a aprendizagem colaborativa e cada vez mais personalizada. Não se trata mais de uma mesma tarefa para todos num determinado espaço e tempo. O professor agora é aquele que coordena as atividades em torno de algum problema, ou de determinados problemas. Assim, muitos grupos, em diferentes espaços e tempos, podem trabalhar em conjunto. Cada professor, cada aluno, pode abrir uma frente de investigação e todos podem compartilhar dúvidas e descobertas. A troca contínua de experiências passa a ser um valor fundamental da Educação 3.0. Ela depende menos dos objetos técnicos utilizados e mais das articulações que são feitas. Estar conectado passa a ser a condição desse “estar junto e produzir coletivamente”.
Como ela tem sido usada no Brasil?
Couto - Essas experiências estão presentes em muitas escolas no Brasil. Mas ainda não é o suficiente porque em muitos ambientes escolares o modelo transmissivo impera. Os usos frequentes das tecnologias digitais nos processos de ensino e aprendizagem vão mudar radicalmente o modo como concebemos a educação. Essas mudanças já podem ser percebida onde encontramos professores e alunos engajados, motivados e prontos para enfrentar os desafios de hoje e do futuro. O importante aqui é perceber que o aprendizado se dá por meio de ações continuadas, que não se restringem às oportunidades apresentadas pelo professor, dentro de uma sala de aula tradicional. As pessoas estão cada vez mais conectadas e isso permite explorar muitas possibilidades, criar de muitas maneiras, cada um pode desenvolver o seu ritmo de aprendizagem, abrir-se para experiências sempre renovadas.
Como seria a educação ideal para os próximos 5 (talvez 10) anos?
Couto - Não me agrada muito pensar em certas visões tão difundidas de alunos enfileirados na frente do computador. Com as tecnologias móveis e cada vez menores as pessoas estão conectadas umas às outras por meio de muitos aparelhos. A tendência é que esses aparelhos se tornem progressivamente quase imperceptíveis. Hoje já falamos numa internet corporal. Cada corpo se conectará a outros corpos. As máquinas, como intermediárias da conexão, poderão desaparecer. Restarão as pessoas conectadas e inventivas. Essa seria a realização mais plena do ciborgue. As escolas tradicionais funcionarão ainda por muito tempo e provavelmente algumas gerações ainda lutarão por inovações pedagógicas sempre aprisionadas por burocracias na gestão escolar. Os avanços serão tímidos, mas já importantes, como alguns já citados. Viveremos ainda um bom tempo entre paredes e redes. Mas também é possível desejar e imaginar que brevemente as paredes poderão ser derrubadas e que a escola será não um lugar, mas a extraordinária rede de conexões das pessoas cada vez mais empenhadas em processos de ensino e aprendizagem colaborativos. Aí a sociedade do conhecimento será de fato construída e vivenciada democraticamente.
Fonte: Portal Porvir 27/03/2013

quinta-feira, 21 de março de 2013

Universitários desenvolvem portal que mapeia verbas destinadas à educação


Universitários desenvolvem portal que mapeia verbas destinadas à educação

terça-feira, 19 de março de 2013

Os mistérios dos nativos digitais


O escritor norte-americano Marc Prensky, autor de livros como Teaching Digital Natives (Ensinando Nativos Digitais, sem tradução para o português), esteve em São Paulo no início deste ano para participar da Campus Party. A NOVA ESCOLA participou de um encontro com ele promovido pela Fundação Telefônica e pôde conhecer um pouco do seu pensamento sobre como as crianças e adolescentes de hoje agem.
Prensky adverte que nós, que nascemos quando os computadores ainda eram raridade e vivemos tanto o mundo analógico como o digital, usamos a tecnologia como suporte, como apoio. E para os que nasceram na era atual, a tecnologia é a base de tudo, é parte integrante da vida e até do seu corpo. Vai dizer que o telefone celular não é uma extensão dos dedos e dos ouvidos desses meninos?
Ele também lembra que o contexto atual é marcado por uma mudança constante e acelerada, motivada pelo avanço da tecnologia. Diante disso, considera que a Educação precisa se adaptar a essa nova realidade. Mas, na opinião do escritor, o mais comum é encontrar usos triviais das novas ferramentas em que apenas se faz algo que já era feito antes, mas de outras maneiras. Isso pode ser útil, claro, mas o mais poderoso, diz Prensky, é realizar aquilo que não era possível fazer antes pela inexistência dessas ferramentas. Ele cita como exemplos o uso de aplicativos como o Skype, o Twitter, as impressões em 3D, as simulações e a interação em mundos virtuais.
A grande questão é: como dar esse salto e incluir essas novidades de uma maneira que elas contribuam para o aprendizado dos seus alunos?

Confira os termos mais atuais no mundo da educação

De volta da cobertura do SXSWedu, no Texas, o Porvir trouxe na mala novos termos que são tendência no mundo da educação. Para que você não fique por fora desses assuntos, nós atualizamos nosso glossário antigo, acrescentando novos conceitos, como a sala de aula na nuvem, desescolarização e Steam. Já sabe o que querem dizer? Ainda não? Então confira essas e outras informações no infográfico abaixo.

Regiany Silva / Porvir


Se você quiser saber mais sobre tendências educacionais, fique atento. Debates sobre esses e outros termos do universo educacional ocorrerão no dia 4 de abril no Transformar 2013, evento promovido em parceria entre o Instituto Inspirare e a Fundação Lemann. Organize seu grupo e assista ao vivo!

Fonte: Porvir http://porvir.org/porpensar/confira-os-termos-mais-atuais-mundo-da-educacao/20130313 13/03/2013

Escola estadual do Rio é reconhecida pela Microsoft como uma das mais inovadoras do mundo


O Núcleo Avançado em Educação (Nave), um programa integrado do Colégio Estadual José Leite Lopes, na Tijuca, na zona norte da cidade, que usa tecnologia da informação e comunicação no ensino dos alunos, foi reconhecido oficialmente pela empresa Microsoft como umas das 33 instituições de ensino mais inovadoras do mundo. A iniciativa ocorreu na manhã de hoje (14) no auditório da unidade pública de ensino. O programa é uma parceria entre a Secretaria Estadual de Educação e o Instituto Oi Futuro.
Fundado em maio de 2008, o colégio tem como objetivo preparar os jovens para atuar nos segmentos de internet, celular, jogos eletrônicos e TV digital. Após três anos de estudo, os estudantes se formam com um diploma de ensino médio integrado ao profissionalizante. De acordo com a diretora do Nave, Ana Paula Bessa, o colégio funciona de modo integral e integrado.
“Integral porque os alunos estudam das 7h às 17h, e integrado a três cursos técnicos, que são roteiro para mídias digitais, multimídia e programação de jogos. Esses cursos formam uma cadeia produtiva, pensando nesses jovens em um mercado de trabalho que busca por pessoas capacitadas nessas áreas. Eu não posso ter uma escola que não seja atrativa para mantê-los 10 horas por dia na instituição, cursando 22 disciplinas. Isso faz com nós pensemos em novas metodologias, maneiras de abordagem e conceito”, disse a professora.
Segundo Ana Paula, os estudantes são de diversos municípios do Rio, além de outras partes do país. São 160 vagas oferecidas por ano, sendo 90% para alunos oriundos de escolas públicas, 5% de escolas particulares e 5% para deficientes.
“Dentro das nossas metodologias, o diferencial referente as outras escolas para que chamasse a atenção da Microsoft é exatamente a questão da tecnologia como atrativo das aulas. Nós tivemos um ingresso em universidades de 55% dos alunos aprovados conosco nos anos de 2012 para 2013. Oe percentual é bem grande e pode ser comparado a escolas de países desenvolvidos da Europa”, declarou Ana Paula.
A diretora disse ainda que o programa Nave está em permanente construção. “Todos nós colocamos um tijolo. Aqui o aluno tem voz, ele vai falar pra mim o que é legal, aquilo que não é, o que eu posso investir. O envolvimento de todos no projeto faz com que tenhamos confiança de que este é um processo de sucesso”, acrescentou.
O Nave atua em três vertentes: como colégio estadual integrado ao profissionalizante; núcleo de pesquisa e inovação; e centro de disseminação. Cerca de 900 alunos e 80 professores participam da iniciativa, nas cidades do Rio e Recife, onde o programa é desenvolvido pela Secretaria de Estado de Educação de Pernambuco.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Pé na estrada: ônibus é usado para espalhar a educação digital


Por Jefferson Guimarães*
Uma boa ideia - desenvolvida a partir de fóruns de discussão on line, está fazendo a diferença por onde passa. Trata-se do Ônibus Hacker, um Mercedes-Benz O-371, de 1989, que leva educação digital a várias comunidades brasileiras. O projeto social, que pretende transformar vidas por meio da tecnologia, foi desenvolvido por 30 jovens, tendo à frente a jornalista Lívia Ascava e o cientista social Pedro Belasco (foto).


A iniciativa surgiu a partir de debates no Transparência Hacker, um fórum on line que questiona a omissão de dados públicos na internet. O segundo passo foi levar o projeto ao Catarse (site de financiamento colaborativo). Não demorou muito e os resultados começaram a aparecer -  464 apoiadores doaram um total de R$ 58.593,00, montante que superou a meta inicial de R$ 40 mil.
Os recursos possibilitaram a compra do Ônibus Hacker, que ganhou a estrada há poucos meses. O ponto inicial da primeira viagem foi Jaguaré (SP), de onde seguiu para o Fórum Internacional de Software Livre (FISL), em Porto Alegre. Desde então, já foram feitas cerca de 10 “invasões” (como foram batizadas as intervenções do projeto), nas cidades por onde passa.
E é literalmente uma invasão. Ao chegarem na cidade-alvo, os integrantes do projeto chamam a atenção de quem está perto com um método antigo: um megafone! Ao reunir as pessoas, eles levantam os maiores problemas da comunidade e propõem soluções, com oficinas de rádio, blog e mapeamento cartográfico, entre outras. Os “invasores” tornam-se professores.
O ônibus é o que mais chama a atenção das crianças, mas elas logo percebem que o projeto, apesar de divertido, não é uma brincadeira. Numa invasão à cidade de Ribeirão Preto (SP), foram os pequenos que apontaram um dos maiores problemas da comunidade: a polícia local. A partir daí, teve início uma oficina sobre como elaborar um blog, no qual elas faziam papel de jornalistas e denunciavam o que estava errado.
O espaço interior do Mercedes O-371  foi reformado para acomodar melhor os professores e alunos durante as oficinas, já que o projeto não foi concebido nesse formato. “Na verdade, tivemos a ideia inicial de fazer um mutirão de oficinas sobre projetos de lei criados popularmente”, conta Pedro Belasco. Ele se refere aos projetos de lei de iniciativa popular, que permitem que cidadãos brasileiros deem suas sugestões de leis para a Constituição Federal. “Poucas pessoas sabem que isso é possível. Apesar da burocracia que o processo envolve, queremos explicar seu funcionamento”, completa.
O projeto ainda passa por algumas incertezas, como o tempo de estadia nas cidades escolhidas. “Se ficamos muito tempo, as pessoas acabam se acostumando com nossa presença”, afirma Lívia Ascava, que não duvida que o ônibus “é um ambiente de educação informal”. A administração financeira também é outra dúvida do projeto. Os Hackers levam a vida no melhor estilo hippie, mas também têm os seus custos. Só o estacionamento custa R$ 300 mensais. Na primeira troca de peças, eles dizem que foram gastos R$ 10 mil.
Com ou sem verba, eles continuam planejando as próximas viagens. Lívia e Pedro contam que há planos de workshops no Paraguai. Serão alguns quilômetros de aventura, cultura e educação que se somarão aos mais de 18 mil  já rodados desde a compra do ônibus.
Para mais informações sobre o projeto, as invasões realizadas e as que ainda vão acontecer acesse o site Ônibus Hacker