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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Gente inteligente

Compartilhamos com o Programa O Diário na Escola, desenvolvido pelo jornal O Diário do Norte do Paraná/PR, uma tirinha muito legal para discutir Educação. O que você acha?!
Se você gostou do personagem Gaturro, pode encontrar mais tirinhas no site http://www.gaturro.com/ Divirta-se!!!

Educomunicação é prioridade para a Conferência Nacional de Juventude


No encerramento da 2ª Conferência Nacional de Juventude, no início da noite de domingo, 12 de dezembro, os representantes da juventude brasileira aprovaram como uma de suas prioridades, a proposta que contempla a criação de um “Plano Nacional de Comunicação e Juventude” que garanta a produção de mídias alternativas por meio de princípios e metodologias de educomunicação.
A proposta ganhou a seguinte redação: Criar e implementar o Plano Nacional de Comunicação e Juventude que contemple a criação e ampliação de centros de comunicação popular, telecentros, pontos de acesso público e o fomento a produção de mídias alternativas como: programas de rádio, TV, mídias impressas, rádios escolares e comunitárias e etc, com prioridade para as/os jovens como proponentes e produtores, incentivando preferencialmente mídias produzidas a partir de metodologias de educomunicação, garantindo a expansão do acesso e a inclusão digital no campo e na cidade, ampliando o sinal de internet (banda larga) e telefonia, valorizando a cultura regional e garantindo a formação de educadores da rede pública para tratar dessas questões nas escolas e universidades.
O site da Agência Jovoem de Notícia, da Viração, ao noticiar o fato, traz entrevista com o professor Ismar de Oliveira Soares, coordenador do Núcleo de Comunicação e Educação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (NCE/ECA/USP) comentando o valor desta conquista. “Uma parte importante da sociedade, constituída pelas novas gerações, se deu conta de que as Tecnologias de Informação e Comunicação precisam estar a serviço da cidadania, e não apenas da competição.”
De acordo com o site, o professor considera que a educomunicação contribui para garantir uma maneira solidária e democrática de gestão, especialmente dessas tecnologias. E completa que “a prioridade dada a esta proposta mostra que a educomunicação foi eleita como uma maneira de dar sentido ao uso desses recursos que podem contribuir para as soluções que a juventude busca para suas questões cotidianas”.

Os pilares

A escola real não concretizou os direitos de aprender, conhecer e fazer, entre outros ideais

José Pacheco*

"O que resta para a escola ensinar?", perguntou a minha amiga Ely. E logo me vieram à mente os quatro pilares do relatório da Unesco. Terá a escola ensinado aquilo que  Jacques Dellors,  há muitos anos, recomendava? Os jovens terão aprendido a conhecer, a fazer, a ser e a conviver? Vejamos. 

Aprender a conhecer é algo arredio do universo escolar. Quanto muito, os jovens são depositários de informação jamais transformada em conhecimento, quase inutilidades, que apenas servem para debitar em provas e alcançar um diploma. Talvez seja essa a razão por que somente 15% dos titulares de diploma de direito conseguem aprovação no exame da Ordem dos Advogados.

E estamos conversados quanto ao aprender a fazer, a ser e a conviver: atentemos na manutenção de um ensino livresco, ao desprezo pelo desenvolvimento pessoal e social, consideremos o bullying e os assassinatos de professores.

No último reduto da transmissão de informação, os professores arriscam-se a ser uma espécie em vias de extinção. A carreira dos professores "conteudistas" está por um fio. A Ely contou-me que "professor Google" lhe ensina quase tudo. Nos seus 60 anos, como qualquer professor que se preze, a aposentada Ely continua a aprender. Achou um site em inglês com uma animação interativa do efeito do sal nas moléculas de água. E pôde experimentar como era a reação da água ao sal nas temperaturas que colocava no site. Entendeu uma das complexas propriedades coligativas da química. E o "professor Google" traduziu o texto, com perfeição, do inglês para o português.

Bernie Dodge, professor da universidade estadual da Califórnia, criou uma proposta metodológica para usar a internet de maneira investigativa e criativa: a webquest. E eu vi na TV um comercial, no qual uma jovem dizia que tinha tudo aquilo que precisava para estudar. Em casa. Na internet. Sem precisar cumprir horário de aula.

A escola que, infelizmente, ainda temos não logrou concretizar os quatro pilares da Unesco. E nem supeita de que há mais três: o aprender a desaprender, o aprender a desobedecer e o aprender a desaparecer.  Aprender a desaprender, porque, como diria o Manoel, aprender é desaprender, para vencer o que nos encerra e aliena, porque desaprender vinte e quatro horas por dia ensina princípios, e porque precisamos emancipar-nos da tralha cognitiva que nos foi imposta.

Aprender a desobedecer, porque a maior parte dos normativos que regem o funcionamento das escolas são desvarios teóricos. Como diriam os mestres da não violência, leis injustas não merecem respeito e não deverão ser acatadas. 

Os projetos humanos são produtos de coletivos. Já lá vai o tempo dos seres providenciais e insubstituíveis. Deveremos evitar gerar dependência em outrem, para que não nos tornemos (supostamente) "imprescindíveis".  É preciso aprender a desaparecer, a fomentar autonomia nos grupos humanos em que participarmos. Uma autonomia que não pressupõe independência, mas interdependência. Como diria um amigo: interdependência, ou morte!

*José Pacheco é educador e escritor, ex-diretor da Escola da Ponte, em Vila das Aves (Portugal)

Fonte: Revista Educação - Edição 176 ( http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/176/os-pilaresa-escola-real-nao-concretizou-os-direitos-de-aprender-242586-1.asp)

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Se essa casa fosse minha...

Irinete Ponath Henke e Brunelle Gaiba Jastrow, professoras, criaram projeto para conscientizar alunos de Santa Maria de Jetibá/ES sobre a importância de preservar casas centenárias. Elas foram eleitas "Capixabas do Ano" na categoria Educação. O prêmio é concedido pelo Jornal A GAZETA através da Revista.AG, que circula domingo. Os jornalistas do grupo é que sugerem nomes que vão para votação popular. 


Duas professoras resolveram mudar a postura de uma cidade inteira, e deu certo. Irinete Ponath Henke e Brunelle Gaiba Jastrow uniram forças e, hoje,comemoram a iniciativa municipal de salvar as centenárias casinhas pomeranas da destruição.


A atitude delas veio depois de A GAZETA denunciar que os imóveis eram vendidos para se transformarem em móveis, feitos com madeira de demolição.


O primeiro passo foi mobilizar os alunos e, sem seguida, a comunidade.“Hoje acompanho, de perto, a recuperação de uma dessas casas, que fica bem em frente da minha residência”, conta Irinete Henke.


Esse trabalho começou a ser desenvolvido na escolinha Fazenda Franz Schneider, no interior de Santa Maria de Jetibá, cidade onde as duas moram, com o projeto “Lar doce lar: quanto vale a sua história”. “Receber esse prêmio é fechar o ano com chave de ouro”, comemora a professora.


As duas ficaram em primeiro lugar, com 71,75% dos votos, na categoria Educação, do prêmio Capixabas do Ano, disputado com a professora Altair Loss Sartori, de São Gabriel da Palha; e por Alberto Ferreira de Souza, professor da Ufes. Além disso, o projeto recebeu, neste ano, a Comenda na categoria “Jornal e Educação”, do Prêmio Mundial de Jovens Leitores, da Associação Mundial de Jornais.


“Temos muito a agradecer: aos alunos, à comunidade, à prefeitura... Sem esquecer de A GAZETA, que nos mostrou esse problema e ainda nos ajudou a desenvolver o projeto em sala de aula” 


Fonte: Revista AG/ A Gazeta 11/12/2011

Abertas as inscrições para o VI Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo INVESTIGATIVO

Estão abertas as inscrições para o VI Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo. Até a meia noite do dia 15 de fevereiro de 2012, o site www.andi.org.br/timlopes receberá os registros dos projetos que concorrerão ao prêmio. Podem se inscrever repórteres, editores e chefes de reportagem de diferentes tipos de veículos (impresso, rádio, televisão, web e veículos comunitários ou alternativos), além de estudantes e professores de cursos de comunicação. O concurso tem como tema fixo “Imprensa e sociedade aliadas no enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes”, além de estimular reportagens na categoria especial "Exploração sexual de crianças e adolescentes no setor turístico brasileiro”, aberta a candidatos de todas as mídias.


O Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo é uma iniciativa que tem como objetivo fortalecer a mobilização social para dois problemas que afetam milhares de crianças e adolescentes do país: o abuso e a exploração sexual. A premiação chega à sexta edição estimulando a imprensa a contribuir para ampliar e qualificar a cobertura sobre esse tipo de violência, com ênfase na discussão das políticas públicas para a prevenção e o atendimento dos meninos e meninas vítimas desta grave violação de direitos.


Diferentemente da maioria dos prêmios jornalísticos – voltados, geralmente, para o reconhecimento de matérias já veiculadas –, o Concurso Tim Lopes seleciona as melhores propostas de reportagem, oferecendo aos vencedores apoio técnico e financeiro para a execução do trabalho, além de um prêmio em dinheiro para o jornalista responsável.


O valor da bolsa de incentivo à investigação dos projetos é de R$ 10.500 (R$ 16.000 para a categoria “Televisão”). Após a publicação das matérias, os autores receberão prêmio em dinheiro no valor de R$ 3.000.


Novidades
A proximidade dos grandes eventos esportivos internacionais no Brasil fez com que o tema “Exploração sexual de crianças e adolescentes no setor turístico brasileiro” fosse escolhido para a categoria especial.


Outra novidade desta edição é a restrição a entrevistas, sejam em on ou off, de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. Caso seja absolutamente necessário ao processo de apuração, o projeto deve detalhar todos os cuidados previstos para evitar a revitimização ou exposição inadequada.


O concurso é resultado de uma parceria entre ANDI e Childhood Brasil e conta com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj).


Fonte: ANDI - Comunicação e Direitos/ http://www.andi.org.br/pagina-minisite-tim-lopes/apresentacao

YouTube lança serviço exclusivo para escolas

YOUTUBE FOR SCHOOLS VAI REUNIR VÍDEOS EDUCATIVOS DE TEMAS COMO HISTÓRIA E MATEMÁTICA, FILTRANDO CONTEÚDOS QUE SÃO CONSIDERADOS MOTIVOS DE DISTRAÇÃO DOS ALUNOS.




São Paulo - O YouTube lança uma ferramenta, o YouTube for Schools, que ajuda professores e estudantes no aprendizado. O portal reúne vídeos educativos de temas como história e matemática e filtra conteúdos que são considerados motivos de distração dos alunos.

Ele foi criado por causa da demanda de professores e escolas dos Estado Unidos. "O YouTube para as escolas é uma solução técnica para permitir que as escolas que possuem acesso restrito ao YouTube acessem", diz Angela Lin, chefe do YouTube EDU. 

Para ajudar a equilibrar o conteúdo, o YouTube trabalhou com professores e 600 organizações, como o Smithsonian e TED para selecionar o conteúdo disponível. Há também mais de 400 playlists classificadas por disciplinas.

Os professores podem sugerir novas listas e comentários para ajudar a integrar ainda mais o YouTube em sala de aula.


Agradeça a um professor

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Livros de Educomunicação podem ser baixados gratuitamente em site da rede CEP

Você sabe o que é Educomunicação? Para que você conheça o conceito e veja se pode realmente chamar o que faz de Educomunicação ou considerar-se um Educomunicador, que tal baixar gratuitamente livros de Educomunicação no site da Rede CEP (Rede de Comunicação Educação e Participação)?!


Você pode ter acesso às seguintes obras:


1 - EDUCOMUNICAR - Comunicação, Educação e Participação no desenvolvimento de uma educação pública de qualidade


A Rede CEP, com apoio do Instituto C&A e do Unicef, acaba de lançar a publicação “EducomunicarComunicação, Educação e Participação no desenvolvimento de uma educação pública de qualidade”. Trata-se de uma coletânea de relatos de experiências das organizações da rede, e dos desafios que elas encontram para sensibilizar o poder público da importância da comunicação, educação e participação na construção de políticas.



2 - MÍDIA E ESCOLA - Perspectivas para Políticas Públicas



Livro lançado pelo Unicef e Rede CEP (por Fernando Rossetti, com a colaboração de Alexandre Le Voci Sayad e Patrícia Vasconcellos) que analisa as principais experiências que envolvem Comunicação, Educação e Participação do Brasil, além de jogar a semente inicial para a articulação da Rede CEP.


À época, foi distribuído nominalmente a mais de 3 mil Secretários Municipais de Educação. Não há mais exemplares impressos disponíveis para distribuição.

Basta acessar:http://www.redecep.org.br/midia_educacao.php

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Mostra cultural O Povo na Educação



No próximo dia 12/12 acontece a Mostra Cultural do programa O Povo Na Educação na Escola José Eduardo de Sousa, em Horizonte/CE, com vários stands de escolas, mostra de trabalhos de educadores e estudantes, entrega de certificados a educadores e apresentações culturais.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Diário do Noroeste escolhe temas para serem trabalhados por programa Ler para Crescer em 2012


Em 2012 os temas a serem trabalhados pelo Programa Ler para Crescer, do jornal Diário do Noroeste, de Paranavaí/PR serão: "Solidariedade" e "Lugar de Criança é na Família"! Em 2011 o programa discutiu com educadores e educandos "Informação na educação é Responsabilidade Social", "Lixo Eletrônico é dever de quem a Coleta?", "Acessibilidade", "Faixa de Pedestre e sua importância", "Ação cidadã" e "Amigos dos Animais", entre outros temas. A coordenação do programa é de Fatima Lopes.


Foram levados mais de 36.000 jornais em sala de aula, mais de 3.500 em projetos com diferentes entidades; neste programa são também atendidas as famílias. “Houve momentos de muitas emoções (...) mas com certeza mais uma vez superamos nossos desafios. Despertar o interesse pelos verdadeiros valores humanos, elevar a autoestima, incentivando as realizações de sonhos, aproximando as pessoas para viver com melhor qualidade de vida é sem dúvida o grande desafio de vida", salienta Fátima Lopes, que acredita que ler seja uma grande fonte de informação e sabedoria.


Fonte: Diário do Noroeste/PR 
Obs: O jornal Folha da Região, de Araçatuba/SP, também desenvolve um Programa de Jornal e Educação chamado Ler para Crescer, mas os dois não pertencem à mesma empresa jornalística. É apenas uma coincidência no nome.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Coluna Sala Aberta: Mídia e Educação

Por Ayne Salviano (*)

Enquanto escrevo, centenas de pessoas interessadas na inter-relação entre comunicação e educação estão reunidas para celebrar a Década da Educomunicação. Nesse período, houve um crescente interesse de governos (federal, estaduais e municipais), educadores, profissionais da comunicação, mas especialmente dos jovens, pelas atividades que dão vez e voz ao público.

POLÍTICAS PÚBLICAS
O exemplo de valorização mais importante vem do governo federal com o Programa Mais Educação, que se baseia no conceito e pressupostos educomunicativos como uma forma de agregar à busca constante por uma educação integral. O programa, criado como parte do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), tem como proposta articular diferentes ações, projetos e programas nos Estados, e municípios, em consonância com o projeto pedagógico da escola, ampliando tempo, espaços e oportunidades educativas nas escolas de período integral.

CRESCIMENTO
O Mais Educação só cresce. De acordo com a jornalista Daniele Próspero, especialista em jornalismo social e em educação comunitária, e pesquisadora do NCE - Núcleo de Comunicação e Educação da USP - Universidade de São Paulo, em 2008, 1.378 escolas de ensino fundamental no país foram contempladas com o programa; em 2009, 5.040; e, em 2010, mais de 10 mil. Em 2011, 15.018 escolas públicas passaram a oferecer educação integral. A previsão é atingir 3 milhões de alunos, com estimativa de recursos de R$ 574 milhões.

MAIS EDUCAÇÃO
As escolas que participam do programa têm uma jornada mínima de sete horas e no horário diverso às aulas tradicionais praticam atividades em pelo menos três dos dez macrocampos: acompanhamento pedagógico (obrigatório); meio ambiente; esporte; direitos humanos; cultura e arte; inclusão digital; prevenção e promoção da saúde; comunicação e uso de mídias; educação científica; e educação econômica e cidadania.

USO DAS MÍDIAS
A educomunicação insere-se em “Comunicação e Uso de Mídias”. As escolas podem optar por atividades de rádio, jornal, fotografia, vídeo e histórias em quadrinhos. Elas recebem recursos para a compra de equipamentos e contratação de monitores.

SÃO PAULO
Na capital, a educomunicação faz parte das políticas públicas da Secretaria de Educação desde 2005 quando o então prefeito José Serra assinou o Decreto nº 46.211 que instituiu o Programa EDUCOM cujo objetivo é “promover a inter-relação entre processos e tecnologias da informação e da comunicação e as demais áreas do conhecimento e da vida social, ampliando as habilidades e competências e envolvendo diversas linguagens e formas de expressão para a construção da cidadania”.

CIDADE E REGIÃO
Em Araçatuba, embora não haja decreto semelhante ao de São Paulo, na prática a Secretaria Municipal de Educação ‘adotou’ as práticas educomunicativas ao apoiar o Programa Jornal e Educação Ler para Crescer, pois permitiu que grande parcela de seus educadores participasse dos cursos de formação continuada promovidos pela Folha da Região ao longo de 2010 e 2011. Esses professores têm desenvolvido práticas educomunicativas maravilhosas (sempre noticiadas nesta página)

FATO
A verdade é que não é possível mais retroceder. Agora é avançar, aperfeiçoar, conquistar. Bom trabalho a todos nós!

(*) Ayne Regina Gonçalves Salviano é jornalista e professora. Mestre em Comunicação e Semiótica. Especialista em Metodologia Didática. Professora no ensino médio, graduação e pós na rede particular de Araçatuba. Coordenadora do Programa Jornal e Educação Ler para Crescer da Folha da Região. ayne.salviano@folhadaregiao.com.br

Com cartas, os estudantes aprendem sobre cidadania



Ninguém deve duvidar da importância do exercício da leitura para o desenvolvimento crítico das pessoas. Nem da necessidade de se ter um ensino que desenvolva capacidades leitoras críticas nos alunos, que promova a inclusão na sociedade e seja um exercício de cidadania. Para que tudo isso ocorra, é preciso se apropriar dos gêneros textuais, instrumentos para se criar um ambiente de letramento na escola.

Acreditando nessas ideias, a Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Professora Leonor Chaim Cury, de Birigui, desenvolveu, durante todo este ano, o projeto Para Escrever Bem é Preciso Ler Também, de produção de cartas. Os objetivos foram aperfeiçoar a gramática, estimular a leitura e contribuir para a formação do senso crítico que seja capaz de promover mudanças sociais.


PLANEJAMENTO

O Para Escrever Bem é Preciso Ler Também existe desde 2004. Até o ano passado, consistia em treinar o gênero carta junto as alunos do pré I ao 5º ano. Mas foi em 2011 que aconteceu a mudança.

A princípio, a professora Silvana Mendes trabalhou, nas aulas de língua portuguesa, a importância social da carta. Explicou a estrutura desse gênero, que contempla a identificação (local e data), a saudação e uma linguagem clara para transmitir ideias. Com isso, os estudantes identificaram também as diferenças entre a modalidade oral, usada por meio do registro informal, e a escrita, com o registro formal.

No começo do ano, durante a leitura do Nossa Vez!, suplemento infantojuvenil da Folha da Região, a coordenadora pedagógica Iracedes Aparecida Ratão Pereira enxergou uma oportunidade de motivar os alunos e propôs às crianças dos 5º anos que as cartas produzidas em sala de aula fossem direcionadas ao jornal como participação efetiva nas colunas escritas pelos leitores, como Meu Espaço, Enquete, Cantinho dos Desenhos, Cantinho da Poesia, entre outros.

DEPOIMENTOS
"Antes, eles produziam as cartas, porém não davam tanta importância, pois elas ficavam guardadas no caderno. Percebemos que o espaço no jornal seria uma ótima oportunidade para que eles se empenhassem, além da possibilidade de publicação, que os deixaria mais animados ainda", comentou a diretora Maria Silvia Sentoamore, para complementar: "Quando você escreve alguma coisa espera, no mínimo, que alguém possa ler e que aquilo promova uma reação".

Alunos dos 5º anos escrevem ao Nossa Vez!
No início, os alunos não sabiam muito bem como passar as ideias para o papel e focar o texto em um único assunto. "Tudo é processual. Os aspectos da esfera jornalística e da esfera cotidiana, no caso da carta, precisam ser trabalhados passo a passo até o aluno adquirir o gosto pela atividade”, explica a diretora.

No pré I, os alunos formam um círculo e a professora Silvana faz a leitura de notícias sobre leitura, arte, desenhos e enquete. Então começa o bate-papo e cada aluno expõe a sua opinião. A professora, ao final, escreve uma carta coletiva. Conforme as séries, ela aprofunda mais a análise das reportagens até eles começarem a escrever suas próprias cartas. “Aconteceu uma reação em cadeira. Todos os alunos escrevem e participam com textos e desenhos", afirma Silvana Mendes.

PARA MELHOR
"As crianças ficaram mais motivadas quando começaram a ler as cartas publicadas. A maneira como eles se expressavam mudou muito, para melhor. Quando o primeiro aluno ganhou o livro, fizemos uma festa na escola", relembra a diretora Sílvia.

Hoje, o trabalho vai desde a leitura do jornal até o empréstimo do exemplar para que o aluno possa levar para casa para a família. Os pais participam das atividades a podem utilizar a biblioteca da escola para
pesquisa e leitura de livros e jornais. Isso faz parte do processo de estímulo.

“O trabalho em sala de aula levou os alunos a conhecerem o jornal com mais profundidade, melhorando, com isso, o entendimento de imagens e de textos, bem como a escrita e produção de imagens. Também levou os alunos a refletirem sobre a conexão da vida cotidiana com tudo aquilo que é noticiado”,comentou a diretora.

Para melhorar o trabalho com jornal em sala de aula, a professora Silvana participou do curso de formação continuada para professores promovido pelo Ler para Crescer. Os encontros buscam apresentar os veículos de comunicação, especialmente o jornal impresso, como ferramenta didática e pedagógica.

NA GRADE
Agora, os professores da escola contam com o apoio da direção e da coordenação pedagógica para trabalhar com jornal em sala de aula. As propostas de atividades a serem realizadas com o jornal foram inseridas na grade curricular.

No plano de ensino estão previstas atividades com manchetes, notícias e artigos de opinião, de acordo com a idade do aluno. Desde o pré as crianças conhecem os cadernos do jornal e como ele é composto. Com as demais séries, cada professor pode trabalhar, aos poucos, outros gêneros jornalísticos, sempre de acordo com a faixa etária da criança.

Os professores participam de reuniões durante todo o ano onde são discutidos os tópicos e como cada um pode trabalhar o conteúdo do impresso com suas turmas. A coordenação pedagógica vai orientando as ações.

Maria Silvia Sentoamore atesta: "O jornal é uma ferramenta a mais, é uma nova possibilidade do professor trabalhar em sala de aula. Aqui podemos ver os avanços que cada aluno obteve por meio do trabalho com jornal".



Fonte: Blog do programa Ler para Crescer (http://lerparacrescer.folhadaregiao.com.br/2011/12/com-cartas-os-estudantes-aprendem-sobre.html?spref=tw)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Estudantes pedem melhorias para Itahum

Projeto “Repórter por um dia” é aliado da comunidade estudantil para pedir reinvidicação ao poder público



DOURADOS – Os problemas encontrados na área urbana de Dourados, também são visíveis em Itahum., que fica cerca de 65 km de Dourados. As questões referentes a saúde, terrenos baldios, ruas esburacadas e lâmpadas queimadas, são descritas em reportagens feitas pelos estudantes. Os textos produzidos pelos participantes do Projeto “Repórter por um Dia”, relatam as necessidades da comunidade de Itahum.
A turma do 8º ano da Escola Estadual Antonio Vicente Azambuja tem “lido” toda a problemática do distrito. Transformar em texto para ser lido dando a visibilidade e voz a população são alguns dos objetivos do projeto que faz parte do Programa Jornal e Educação “O PROGRESSO" - Ensinando a Ler o Mundo”, do Instituto Weimar Torres.
Com máquina fotográfica e blocos para anotações eles pautaram as matérias. O excesso de lâmpadas queimadas, inclusive em quarteirões inteiros, chamou a atenção do grupo. “A esperança é de a prefeitura trocar essas lâmpadas. È perigoso para quem precisa andar durante a noite”, destaca o grupo de estudantes.
Um outro problema que existe há muito tempo é as ruas esburacadas. Na matéria, o grupo destaca que o terreno do distrito é muito declinado. “Apesar de a administração municipal já ter, em outros momentos, arrumado as ruas, a enxurrada das chuvas provocam novos buracos”, pontuam os estudantes.
O matagal nos terrenos baldios também foi pautado pelos estudantes. Afirmam os “repórteres” que “alguns donos compram por comprar os terrenos e não constroem nada. Isso é para valorizar o lote. Só que, assim, podem aumentar o número de mosquitos da dengue e de outros insetos”, concluem.
E os “repórteres por um dia” também destacaram a questão da saúde pública em Itahum. “Quando alguém passa mal à noite, não é atendida porque não tem médico”. No distrito tem uma ambulância que transporta pacientes para o PAM quando é necessário fazer exames ou internar doentes. “Mas é um veículo pequeno e vai superlotado.
Para socorro rápido, tem que arranjar carro particular ou “bipar a ambulância”. Eles apontam que “se tivesse uma ambulância equipada de plantão, a história talvez pudesse ser outra, porque pessoas já morreram a caminho de Dourados”, finalizam os estudantes que pretendem marcar reunião com os secretários responsáveis pelos setores destacados nas matérias realizadas por eles. “ A nossa intenção, é marcar uma reunião com os secretários e se for necessário, diretamente com o prefeito”, finalizam os repórteres.
Repórter por um dia
As reportagens feitas pelos estudantes serão publicadas no jornal escolar da escola estadual, Antonio Vicente Azambuja. Realizaram as reportagens sobre Itahum, os estudantes do 8º A: Nathanel Ramires, Lucas Nazareth, Lucas Almeida, Adriano Alves, Gabrielly Espinosa, Jaqueline Guedes, Bruna Gabrielly, Alexandra Vieira, Tais Ariose, Letícia Vieira, Lauani Barichelo, Edneia Machado, Fernanda Regert, Bruna Machado, Evelin Paz, Andrieli Garcia, Thayane Pinheiro, Sâmara Rocha, Daniela Lopes e Juliano Lunkes. A realização do projeto é de responsabilidade do professor de língua portuguesa, Domingo Vega.
Fonte: O Progresso / Dourados-MS 05/12/2011

‘Purcina’ faz jornal com alunos e melhora a leitura

Fornecer um leque de possibilidades e diferentes ferramentas para que crianças e jovens desenvolvam o gosto pela leitura. Este é o objetivo das professoras da sala de leitura da escola estadual Purcina Elisa de Oliveira, no bairro Juçara, em Araçatuba.

Com um grupo de 20 alunos que estudam da 7ª série do ensino fundamental até a 3ª série do ensino médio, elas estão lançando, neste final de novembro, 550 exemplares do “Purcina Informa”, veículo de comunicação que pretende manter o público da escola bem informado sobre assuntos da sala de aula, da escola e até da cidade, da região e do país.

A princípio, os alunos trabalharam em sala de aula com a professora de língua portuguesa Cristina Maria Especalquis. Ela abordou a importância social dos veículos de comunicação e ensinou as diferenças entre notícias, reportagens, artigos, crônicas e a importância da fotografia para o jornalismo.

Após essas aulas, os alunos participaram de reuniões na biblioteca. Nessas ocasiões, foram divididos em grupos de repórteres, fotógrafos, revisores, paginadores e até a equipe comercial, que ficou responsável pelos anúncios. O trabalho durou um mês. A proposta, que nasceu no ano passado, é que os alunos façam três edições por ano.


PRA MELHOR
O aluno Cayque Trevisan Flamarini, 16 anos, da 2ª série do ensino médio, é um dos responsáveis pelo “Purcina Informa”. Ele fez a diagramação da última edição e tem mostrado uma evolução de desempenho após o início do trabalho com o jornal. "Eu era um pouco tímido antes de trabalhar no jornal, não participava das atividades da escola. A escrita ajudou a diminuir a minha timidez e comecei a colocar tudo no papel. Pesquisei sobre a estrutura do jornal, sobre ortografia, procurei saber mais as regras de crase e pontuação", conta.

A melhoria do desempenho dos alunos participantes do “Purcina Informa” é atestada pela professora Ana Paula Simões Gervásio. “É mesmo possível notar a melhora dos alunos a partir do trabalho com jornal. Na biblioteca, por exemplo, o aumento no registro de empréstimos por parte desses alunos é considerável. Nós temos que parabenizá-los e dizer que acreditamos que a leitura pode mudar a vida deles", defende.

JORNAL E BLOG
Na capa do “Purcina Informa” há uma manchete e cinco chamadas. Nas páginas internas, os leitores encontram notícias sobre eventos da escola. Há uma entrevista do tipo perfil com um dos professores, mais poemas, piadas, horóscopo e frases para reflexão.

Notícias sobre esporte, sustentabilidade e oficinas culturais também têm destaque no informativo.
Como o jornal tem poucas edições anuais para o volume de trabalho e a vontade dos estudantes, eles sentiram a necessidade de criar o blog "Jornal Purcina Informa" (jornalpurcinainforma.blogspot.com). Trata-se de uma página na internet para divulgar mais opiniões, poemas e todos os eventos escolares.

A página é administrada pelos estudantes com frequência. "Eles entenderam a importância de estar em várias plataformas, não só no impresso. Há necessidade de integração no mundo virtual, que é onde eles mais ficam", relata a professora.

HISTÓRIA
O “Purcina Informa” existe desde novembro de 2010. Foi criado para estimular a leitura dos alunos. A escola conta com verba do governo estadual para fazer a publicação.
Ontem pela manhã, enquanto esta página estava sendo finalizada, os estudantes do Purcina faziam uma visita técnica à Folha da Região. O objetivo é estimulá-los ainda mais a prosseguir no projeto daquele jornal escolar.

Durante sua fala aos estudantes, a coordenadora do Ler para Crescer, a jornalista Ayne Regina Gonçalves Salviano, fez questão de ressaltar a abertura de espaços nos veículos da empresa de comunicação para participação do público.




‘Purcininha’ atenderá público infantil


Outro projeto de leitura da escola estadual Purcina Elisa de Oliveira é o gibi Purcininha. O trabalho é novo e também foi desenvolvido pelos alunos de 7ª série do ensino fundamental à 3ª série do ensino médio.

"Era preciso criar uma estratégia para estimular a leitura pelos mais novos e também para aqueles que acham a leitura do jornal um pouco mais difícil. Pensamos, então, no gibi, que tem uma linguagem fácil e o atrativo de várias imagens", conta a professora responsável pelo projeto Elaine Cristina de Almeida, da Sala de Leitura.

A personagem principal é Purcininha, referência direta ao nome da escola. Ela busca assuntos relacionamos à melhoria da qualidade de vida.

PROXIMIDADE
Outros personagens como coordenadores e professores também fazem parte do gibi. "Procuramos fazer as personagens o mais próximo da realidade para facilitar a compreensão. Fizemos os desenhos no papel e depois passamos para o computador, preocupados sempre em manter o mais verdadeiro possível", afirma o aluno responsável pelo projeto gráfico, Cayque Trevisan Flamarini.

As histórias baseiam-se em situações que acontecem constantemente na escola. Os assuntos são discutidos em reuniões durante os encontros na Sala de Leitura. "Queremos encontrar uma maneira de passar algum tipo de aprendizado a partir daquilo que acontece na escola e também no mundo", comenta Elaine.

A primeira edição, com quatro páginas e 550 impressões, mostra a história de um garoto que não tinha atitudes muito sustentáveis e jogava lixo no pátio da escola. A inspetora, Keka, encaminhou o garoto para uma conversa com um dos professores. O menino aprendeu a lição.

A professora Eliane quer trabalhar a interdisciplinaridade e motivar o processo de criação dos estudantes.


Fonte: Blog do Programa Ler para Crescer

Itabuna se destaca no A Tarde Educação

Itabuna, uma das 41 cidades parceiras do  A Tarde Educação, vem ganhando destaque através do trabalho desenvolvido pela articuladora do programa no município Lisângela Silva. Nas salas de aula, os professores utilizam o jornal A Tarde como recurso pedagógico quase em todas as disciplinas e, junto com os alunos, multiplicam seus conhecimentos sobre a realidade. O objetivo dos professores é desenvolver a capacidade argumentativa e crítica dos alunos, solicitando-lhes, após análise de  algumas matérias, atividades complementares.
Nas escolas de Itabuna, a leitura e a escrita  são capacidades linguística que tem por objetivo inserir o aluno-letrado na sociedade e o jornal é um ótimo  auxiliador  nesse processo de ensino. Em algumas escolas do município, como a Escola  Municipal Flávio José Simões Costa, um dos  métodos utilizado para trabalhar com o jornal em sala de aula foi debater  sobre notícias presentes no jornal que os alunos comentavam em sala. Para não descartar o interesse na notícia, a professora trabalhou  com alguns jornais trazidos pelos próprios alunos, depois ela começou a utilizar o jornal  A Tarde. 
Na Escola Bastista Teosópolis, o PROEJA( Programa de Educação de Jovens e Adultos ) também vem realizando atividades com o jornal. A professora Ionae Santana da Silva realizou um  trabalho de Jornal Mural com seus alunos.  “Aproveitando o dia 7 de Setembro, lancei aos meus alunos o desafio de se fazer um Jornal Mural com base nos estudos anteriores a respeito de como se escreve uma matéria de jornal. Solicitei previamente que levassem textos que falassem sobre a Independência do Brasil, em seguida, todos fizeram a leitura e comentaram sua produção, identificando os elementos do texto”, disse Ionae.
Não é de agora que a cidade de Itabuna vem ganhando visibilidade no A Tarde Educação. Em novembro, o programa realizou um seminário que concluiu o fim das atividades com jornal em 2011 e entregou, durante o evento, o Menção Honrosa para Lisângela Silva. A professora se destacou como a articuladora que mais contribuiu  para a realização do programa em seu município. Em entrevista ao A Tarde Educação, Lisângela falou que não espera  ganhar o  prêmio e argumentou: “Quando o jornal demora para chegar, os alunos logo reclamam”, disse. A pedagoga Georgia Oliveira, que entregou o Menção Honrosa à professora disse que assim como Itabuna, outras cidades parceiras do programa também estão se destacando.
Fonte: A Tarde Educação

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Site oficial do Museu do Holocausto de Curitiba está no ar



O site oficial do Museu do Holocausto de Curitiba já está disponível, no endereço www.museudoholocausto.org.br. Primeiro do gênero no Brasil, o Museu é uma iniciativa da Associação Casa de Cultura Beit Yaacov, presidida por Miguel Krigsner, e da comunidade judaica na capital paranaense. O Museu está instalado junto ao complexo da nova Sinagoga Beit Yaacov, ao lado do Centro Israelita do Paraná e da Escola Israelita Salomão Guelmann.

O site disponibiliza aos internautas todas as informações referentes ao Museu: horários de funcionamento, atividades educacionais, notícias, artigos, visita virtual, testemunhos da comunidade judaica, links para as redes sociais, memória e agendamento de visitas a partir do dia 12 de fevereiro de 2012, além de um espaço para doações de materiais que tenham relação com a identidade do espaço. Alguns links ainda estão em fase final de construção e entrarão no ar nos próximos dias.

Familiares de vítimas do Holocausto e pessoas que tenham objetos, fotos e documentos desse fato histórico e desejarem doar ao Museu podem ter acesso aos procedimentos pelo site. Na página o doador poderá fazer o download dos termos nos quais ficam estabelecidos os critérios de cessão, uso, reprodução e prazos de guarda, e encaminhá-los para o e-mail museudoholocausto@accbeityaacov.org.

O Museu do Holocausto de Curitiba será aberto ao público no dia 12 de fevereiro de 2012, e a partir dessa data, as visitas poderão ser feitas individualmente ou em grupos, em dias e horários previamente agendados pelo site www.museudoholocausto.org.br ou pelos telefones (41) 3093-7462/ 3093-7461.

Serviço
Museu do Holocausto de Curitiba
Rua Cel. Agostinho de Macedo, 248, Bom Retiro. Curitiba – PR.
Telefones do Museu: (41) 3093-7462 e (41) 3093-7461
Horários de funcionamento (a partir de 12/02/2012):
Terças – 14h30 às 17h30
Quartas – 08h30 às 11h30 e 14h30 às 17h30
Sextas - 08h30 às 11h30
Domingos - 09 às 12h
Visitação a partir de 12/02/2012, com agendamento prévio.
Fonte: Assessoria de Imprensa

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Um novo realismo

Por Ferreira Gullar
Quem, como eu, admite que a vida é inventada e que a arte é um dos instrumentos dessa invenção terá do fenômeno artístico, obrigatoriamente, uma visão especial.


Não é só através da arte que o homem se inventa e inventa o mundo em que vive: a ciência, a filosofia, a religião também participam dessa invenção, sendo que cada uma delas o faz de maneira diferente, razão por que, creio, foram inventadas.


Se a filosofia inventasse a vida do mesmo modo que a ciência ou a religião o faz, não haveria por que a filosofia existir.


A conclusão inevitável é que todas elas são necessárias, ainda que cada uma a seu modo e sem a mesma importância para as diferentes pessoas. E o curioso - para não dizer maravilhoso - é que, de alguma maneira ou de outra, a maioria das pessoas, senão todas, usufrui, ainda que desigualmente, de cada uma delas.


A arte é exemplo disso. Não importa se esta ou aquela pessoa nunca viu a Capela Sistina, porque, no dia em que vir, se renderá à sua beleza. Isso vale igualmente para a ciência, a religião ou a filosofia, que atuam sobre nossa vida, quer o percebamos ou não.

É que somos seres culturais, e não apenas porque nos apoiamos em valores éticos, estéticos, religiosos, filosóficos, científicos - mas porque eles são constitutivos dessa galáxia inventada que é o mundo humano.

Como numa galáxia cósmica, a diversidade da matéria e as relações de espaço e tempo, de presente, passado e futuro, fazem com que, de algum modo, tudo ali seja atual, já que qualquer um de nós pode encontrar numa frase de Sócrates, num verso de Fernando Pessoa, numa imagem pintada por Rembrandt, a verdade ou a inspiração que nos reconciliará com a vida.

Isso não significa que devamos pensar como Sócrates ou pintar como Rembrandt e, sim, que a invenção do novo não implica a negação do que já foi feito, mas a sua superação dialética.

Todo artista sabe que a arte não nasceu com ele e que um dos sentidos essenciais de sua obra é incoporar-se a essa galáxia cultural que constitui a nossa própria existência.


Não entenda isso como uma proposta de conformismo, que seria contrária à minha própria tese de que o mundo se inventa e inventa o seu mundo, já que seria impossível inventá-lo se apenas repetissem o que já existe.

Por isso mesmo, é perfeitamente natural que alguns artistas de hoje busquem expressar-se sem se valer das linguagens artísticas e, sim, antes, repelindo-as, para inventar um modo jamais utilizado por artistas do passado.


Como já obervei, entre esses há os que simplesmente negam a arte e outros que pretendem criar arte valendo-se de elementos antiartísticos ou não artísticos.


Em princípio, suas experiências não têm que ser negadas uma vez que essa atitude radical pode suscitar surpreendentes. E isto à vezes ocorre, embora não seja frequente.


Não resta dúvida de que quem opta por uma atitude tão radical merece atenção e crédito, por seu inconformismo e por sua coragem, mas isso, por si só, não basta.

É preciso que dessa opção radical e corajosa resulte alguma coisa que nos comova e se some a esse mundo imaginário de que já falamos. Honestamente, deve-se admitir que a audácia por si só não é valor artístico.

Nada me alegra mais do que me deparar com uma criação artística inovadora, mas, para isso, não basta fugir das normas, das soluções conhecidas e situar-se no polo oposto: é imprescindível que a obra inusitada efetivamente transcenda a banalidade e a sacação apenas cerebral ou extravagante.

O que todos nós queremos é a maravilha, venha de onde vier, surja de onde surgir.


E aqui cabe aquela afirmação minha - que tem sido repetida por mim e até por outras pessoas - de que a arte existe porque a vida não basta.

Nela está implícito que não é fundamental da arte retratar a realidade, mas reinventá-la. É, portanto, o oposto do falecido realismo socialista que só faltou, em vez de pintar o operário, colocá-lo em carne e osso no lugar da obra.

E nisso não estaria muito distante de certos artistas de agora, ditos conceituais, como a que pôs casais nus em pelo nas salas do MoMA, de Nova York. Como essa arte visa gente de muita grana, bem que poderia chamar-se "realismo high society".
 
Fonte: Folha de São Paulo, 27/nov/2011, p. E8/ Reproduzido no Blog Leitura Crítica (http://leituraensino.blogspot.com/2011/11/leitura-obrigatoria-aos-mediadores-de.html)