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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Folha ampliará trabalho com educomunicação

Depois de participar das discussões entre sociedade civil e universidade para implantação do primeiro curso de graduação em educomunicação na USP (Universidade de São Paulo), a Folha da Região vai ampliar seus trabalhos dentro do projeto Folha da Região na Sala de Aula desenvolvido em parceria com a ANJ (Associação Nacional dos Jornais), há 16 anos, dentro do Programa Jornal e Educação, daquela entidade.

A educomunicação é uma novidade. Deve ser compreendida por uma série de ações sistematizadas que permitem profissionalizar a produção de conteúdo midiático - textos e imagens - com o objetivo de equilibrar a sociedade no que diz respeito ao direito à informação e à comunicação.
"O público precisa saber acessar, avaliar e produzir conteúdo que melhore as condições de vida de uma sociedade", defende Guilherme Canela, coordenador da área de Comunicação da Unesco no Brasil, um dos principais palestrantes do primeiro dia do 2º Encontro Brasileiro de Educomunicação.

EVENTO

Nos dias 23 e 24 de agosto, a Folha da Região esteve na USP para acompanhar o evento. Esta foi a segunda reunião. A primeira ocorreu em 2007 quando a universidade, em parceria com o Grupo Estado, desenvolveu um trabalho de 80 edições no Jornal da Tarde onde privilegiou a participação de pais e professores na construção de algumas páginas, desde a escolha dos assuntos tratados até a abordagem das matérias.

"A educação e a comunicação já se cruzaram. As universidades que não se abrirem estarão afastadas da realidade", provocou a professora doutora da USP, Dora Mourão, para acrescentar: "A educomunicação é uma demanda da contemporaneidade que procura aproximar os direitos humanos e sociais, porque todos eles passam pela mídia".

EM ARAÇATUBA

O projeto Folha da Região na Sala de Aula nasceu há 16 anos como um projeto de responsabilidade social cujo objetivo principal era incentivar a leitura de jornais. Juntamente com empresas cidadãs, que financiam parte do trabalho, o jornal oferece assinaturas gratuitas para as bibliotecas das escolas inscritas - públicas e particulares - mais uma coletânea de 20 exemplares semanais para trabalhos de pesquisa em classe, e desenvolve, ao longo do ano, algumas atividades como concursos (de poesias, contos, crônicas etc).

Atualmente, oferece uma série de atividades conjuntas como visitas monitoradas à redação e capacitação de professores, ambas iniciativas com o intuito de promover uma leitura crítica da realidade a partir do entendimento do processo de produção da notícia. Para os próximos meses, estão em fase de planejamento as oficinas livres de fotografia e vídeo, e para produção de conteúdo escrito: fanzines, jornais e blogs.

Fonte: Folha da Região/ Texto: Ayne Salviano

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Plano Nacional precisa levar direitos humanos para a sala de aula, diz Vanucchi

O novo Plano Nacional de Educação — em formulação para substituir o atual, valido até o final de 2010 — precisa incorporar a temática dos direitos humanos para que questões raciais, de gênero e ligadas à infância e à adolescência sejam trabalhadas em sala de aula. A sugestão é do ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, que participou da abertura do I Seminário Internacional de Educação em Direitos Humanos, realizado na segunda-feira (16/8), em São Bernardo do Campo (SP).
“Nós estamos em contato direto com Fernando Haddad para que o Plano incorpore a temática dos direitos humanos no processo educacional, para os temas irem para o currículo escolar e para a sala de aula”, afirmou Vannuchi. “Acreditamos que o caminho para combater o racismo, por exemplo, é a criança ou o jovem que acaba corrigindo o pai ou a mãe mesa quando fazem piadas racistas”.

Vanucchi lembrou que programas de direitos humanos devem estar atentos aos mais pobres, aos afrodescendentes, às pessoas com deficiência, aos gays e às mulheres. “No Irã a mulher foi condenada ao apedrejamento. Aqui no Brasil o preconceito é cotidiano, nas músicas ou no fato de as mulheres serem apenas 10% do Senado, da Câmara, das prefeituras ou dos governos estaduais”. Os idosos, as crianças e os adolescentes também merecem atenção especial, segundo o ministro. “O projeto de lei que proíbe castigos físicos para as crianças é um exemplo. E é um absurdo que a lei proíba apenas adultos. Antes dos 18 anos pode?”.

Durante o I Seminário Internacional de Educação em Direitos Humanos, que vai até quinta-feira (19/8), na Universidade Metodista, o ministro Paulo Vanucchi concedeu uma entrevista ao Portal Aprendiz.

Portal Aprendiz - A atual política de educação contempla os direitos humanos?
Paulo Vanucchi – É sempre meio copo cheio ou meio copo vazio, dependendo do otimismo da pessoa. Mas o momento da educação é bom, sobretudo porque 2010 é o ano que é preciso aprovar o novo Plano Nacional de Educação. Nós estamos contato direto com Fernando Haddad para que esse plano decenal incorpore mais do que nunca a temática dos direitos humanos, como leis da mulher — que já foram conquistadas —, as leis raciais e leis da criança e do adolescente. Elas devem ser incorporadas no processo educacional e aí irem para o currículo escolar e para a formação mais em sala de aula.

Aprendiz – Que reflexo um Plano Nacional de Educação atento aos direitos humanos pode ter na sociedade?
Vanucchi - Em educação você tem que sempre pensar em um processo de 10 anos. Acreditamos que o caminho para combater o racismo, por exemplo, é a criança ou o jovem que acaba corrigindo o pai ou a mãe na mesa quando eles começam a fazer piadas machistas ou racistas. Contando com isso nós vamos começar a preparar um Brasil em que as curvas de violência e assalto começarão a diminuir. Isso não existe em um país em que não combate a violência, que não gera emprego e em que a polícia atuava muito como bandida também.

Aprendiz - Na sua opinião como tem sido a abordagem da temática de direitos humanos nas eleições?
Vanucchi - A temática dos direitos humanos é absurdamente ampla. Quando houve o PNH3 [Plano Nacional de Direitos Humanos] teve gente que reclamou dizendo que nem tudo que estava no documento contemplava direitos humanos. Mas todos os especialistas disseram que tudo o que estava lá fazia parte da temática, isso porque meio ambiente é um direito humano e o modelo econômico também. Temos percepções novas que vão se formando o tempo todo. Então os direitos humanos são abordados nas campanhas o tempo todo quando se fala em criança e adolescente, saúde, educação, moradia e combate a pobreza.

Aprendiz – Como você vê a continuidade do trabalho da Secretaria de Direitos Humanos?Vanucchi – De uma forma muito positiva. Acho que a tendência em um caso ou outro [dependendo dos candidatos que vencerem as eleições para presidente em 2010] é de fortalecimento dos direitos humanos. É uma caminhada histórica e essa prova de fogo [processo de aprovação do Plano Nacional de Direitos Humanos] contribuiu para o debate dos direitos humanos. Eu meço isso pela mídia: dois anos atrás eu ia a um evento e a imprensa nunca falava comigo ou falava muito pouco. No meio da pancadaria, da discussão, nasceu um interesse da imprensa pelo tema. As matérias são publicadas, na televisão, no rádio e as pessoas vão cada vez mais avançando.
Fonte: Portal Aprendiz/ Texto: Sarah Fernandes 17/08/2010

Grupo de Estudo Educar na Cultura Digital

A Fundação Santillana e Fundação telefônica lançam o Grupo de Estudos (online) Educar na Cultura Digital, com apoio da OEI e execução da Editora Moderna e Educarede.

O Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital foi criado para apoiar educadores interessados em trocar experiências e debater com colegas de todo o Brasil sobre os desafios que as inovações tecnológicas da atualidade trazem para o cotidiano de ensino e aprendizagem na escola.

O uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) na educação é um tema emergente no mundo todo. Professores, acadêmicos e gestores dos mais variados países cada vez mais se dedicam a estudar formas de aproximar a escola das constantes inovações da sociedade provocadas pela era digital. Se hoje a Internet não é mais uma rede de computadores, mas sim uma rede de pessoas, formar o cidadão do século XXI para as competências e habilidades que emergem de novas práticas sociais mediadas por dispositivos eletrônicos tornou-se o grande desafio para a educação.

▪ Como formar pessoas com capacidade crítica e criativa para o mundo atual?
▪ Como ensinar a capacidade de viver uma vida digna, responsável, produtiva, sustentável e saudável em um mundo globalizado?
▪ Como tornar os alunos conscientes de seus direitos e deveres preparados para aprender durante toda a vida?
▪ Como garantir o respeito à diversidade, compartilhando e produzindo conhecimento e cultura em um mundo impregnado por múltiplos idiomas e tecnologias?

Para debater essas questões é que o grupo foi criado. Ele será um espaço virtual, aberto e gratuito onde se poderá debater idéias, trocar experiências e compartilhar conhecimento!


O Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital tem como suporte um ambiente de formação online interativo (plataforma moodle), especialmente elaborado para valorizar a troca e a colaboração entre os participantes e, ao mesmo tempo, disponibilizar referências bibliográficas, fontes de pesquisa e materiais didáticos de diversas naturezas aos educadores.

Para reproduzir a mesma atmosfera criativa dos tradicionais grupos de estudos presenciais, o Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital tem a colaboração de uma equipe de especialistas-moderadores para promover a orientação de estudos dos conteúdos selecionados e incentivar o debate e o intercâmbio de experiências.

Organizado em módulos temáticos não seqüenciais, é possível participar de um ou mais temas de discussão. O participante pode freqüentar o ambiente livremente sempre que desejar para encontrar colegas e /ou realizar atividades programadas, e ainda avaliar sua própria aprendizagem por meio de questionários oferecidos.

Os objetivos do Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital são os seguintes:
- Incentivar a discussão e a troca de experiências entre educadores ;
- Proporcionar o aprofundamento teórico em relação aos temas de educação e cultura digital;
- Estimular o desenvolvimento de atividades práticas e desafiadoras .

Conheça os 5 módulos temáticos inter-relacionados:
1) O Mundo Digital: linha do tempo da evolução tecnológica (foco na passagem da Revolução Industrial à Era Digital)

2) A Geração Interativa: quem são, o que anseiam, como se comportam, hábitos, habilidades, competências.
3) Aprendizagem na Cultura Digital: pesquisar (análise crítica), comunicar (colaboração e compartilhamento) e publicar (autoria)
4) Inovação Pedagógica: diferença entre tecnologia e metodologia, a construção de um novo currículo
5) Avaliação em TICs: quais os avanços efetivos para o ensino e a aprendizagem

Informações importantes sobre o Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital:
- Mantém uma equipe de especialistas para mediação permanente;

- Disponibiliza conteúdo e materiais de referência em módulos temáticos não seqüenciais e de livre escolha;
- Promove a comunicação por meio de ferramentas síncronas e assíncronas (chat, fórum, e-mail e TV Web);
- Propõe atividades práticas desafiadoras optativas: resolução de problemas, aplicação dos conceitos, pesquisas, produção de materiais;
- Oferece questionários para auto-avaliação da aprendizagem e atestado de participação.

Para mais informações: http://www.educarnaculturadigital.org.br/

EducaRede disponibiliza publicações

O Portal EducaRede disponibiliza uma série de publicações para educadores. Colocamos algumas aqui para nossos leitores.

Inclusão Digital na Escola








Ensinar com internet - Como enfrentar o desafio








Sala de informática: Uma experiência pedagógica








Letras e teclado - Oficina de textos na Web








Comunidades virtuais: aprendizagem em rede

Entenda por que o Piauí entrou para a elite do ensino brasileiro

A capital do Piauí, Teresina, está no topo da educação brasileira. Os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2009 mostram que quatro escolas da cidade – todas da rede privada – estão entre as 26 melhores do País. Até a semana passada, quando um colégio paulista ganhou na Justiça o direito de revisão de notas, a primeira piauiense aparecia em segundo lugar no ranking. Agora, caiu para a terceira posição. A quarta melhor escola do estado estava em 25º e passou para 26º.

As quatro escolas da capital piauiense mais bem posicionadas no ranking do Enem são, em ordem, Instituto Dom Barreto (3º lugar), Instituto Antoine Lavoisier de Ensino (13º), Educandário Santa Maria Goretti (19º) e Colégio Lerote (26º). Apesar das 23 posições entre eles, apenas 27,54 pontos os separam nas notas dos alunos no Enem 2009.

O feito das escolas de Teresina só foi repetido pela capital paulista e superado pelo município do Rio de Janeiro, que possui oito escolas entre as 25 primeiras. Proporcionalmente, a conquista de Teresina chama mais a atenção. No Rio, 684 colégios públicos e privados oferecem o ensino médio. Em São Paulo, 1.239. Em Teresina, apenas 168.

O Inep só calcula as notas no Enem das escolas em que mais de dez alunos concluintes do 3º ano do ensino médio participam da prova. Do total da capital piauiense, 128 tiveram resultados divulgados. Dos 64 colégios privados do município que oferecem ensino médio, 52 tiveram notas. Os quatro primeiros representam 8% da amostra da rede privada de Teresina.

A diferença é enorme quando comparada ao Rio ou a São Paulo. Na lista dos que ganharam notas no exame, no Rio de Janeiro, aparecem 444 nomes. Entre os melhores da cidade, a maioria é escola privada, mas há uma federal e uma estadual. Os oito melhores do Rio simbolizam 2% do total das escolas particulares com conceito. Em São Paulo, os quatro melhores do Enem (todos privados) representam 1,4% dos 279 colégios dessa rede com nota.

Cidades com o mesmo porte de Teresina – que possui cerca de 802 mil habitantes e 62 mil alunos no ensino médio – não alcançaram nível educacional parecido com o da capital piauiense ainda. Natal, capital com 806 mil habitantes não possui nenhuma escola entre as 100 melhores. São Bernardo do Campo, que possui 810 mil moradores, por exemplo, tampouco. As duas cidades ainda possuem menos estudantes na etapa: 43 mil e 37 mil.

Receitas nada secretasO segredo das escolas de Teresina para obter tanto destaque é simples. Primeiro, elas investem em uma carga horária de estudos que impressiona. Das quatro escolas com mais destaque no Enem, em três a jornada diária de aulas supera sete horas. Na outra, é de seis horas e meia. A rotina semanal só termina aos sábados, com aulas regulares e simulados. E tanto esforço não se restringe aos alunos do 3º ano: já começam no ensino fundamental.

A metodologia semelhante não é mera coincidência entre as escolas de Teresina. Nem é uma orientação ensinada nas faculdades aos futuros professores da região. A resposta – dada pelos próprios estudantes ao iG, que visitou as quatro escolas na última semana – é a concorrência entre elas. “Há uma competição muito grande entre elas. Uma escola boa vai seguindo a outra”, admite André Acioli Lins, 17 anos, aluno do Educandário Santa Maria Goretti.

Para os alunos, a disputa por melhores notas é saudável. Segundo os estudantes, os colegas de outras escolas serão os concorrentes diretos na busca pelas vagas na universidade. E a disputa, até onde se tem notícia, se restringe ao universo intelectual. Grande parte dos professores dá aulas em mais de uma dessas mesmas escolas, inclusive.

Por fim, o sucesso das escolas de Teresina também pode ser explicado, segundo alunos, professores e diretores, pelo desejo de mudança dos estudantes. Primeiro, vontade de transformar a imagem que o Estado tem no País. “Acho que a gente se esforça também para dar mais visibilidade ao Piauí e mudar a visão que as pessoas têm daqui”, diz Felipe Adriano Bezerra, 17 anos, estudante do Instituto Lavoisier.

A segunda é a mudança física mesmo. Eles buscam as melhores instituições do País. Com a concorrência acirrada, estudam ainda mais. A vontade de sair do Piauí tem explicação. “Queremos buscar a melhor formação para depois podemos voltar e evoluir a condição do Estado”, pondera Marcus Vinícius Gonçalves, 17 anos, aluno do Lavoisier.

Fonte: Priscilla Borges, iG Brasília 17/08/2010 08:00

Encontro Nacional Mídia e Formação do Leitor

Acontece no Rio, no dia 16 de setembro, o Encontro Nacional Mídia e Formação do Leitor, promovido pelo programa O Dia na Sala de Aula, do jornal O Dia (RJ).
O evento acontece no Auditório da Universidade Estácio de Sá (campus Tom Jobim - Barra da Tijuca) e tem o apoio da WAK Editora e da Universidade Estácio de Sá.

As inscrições podem ser feitas a partir do dia 23/08/10 pelo e-mail: iac@odianet.com.br
A participação é gratuita e as vagas são limitadas.

Programação
09:00 - Credenciamento
09:30 - Abertura
09:45 - Mesa POLÍTICAS PÚBLICAS E MÍDIA-EDUCAÇÃO


  • Marcos Tadeu Tavares (Doutorando em Educação pela PUC-Rio. Jornalista e professor. Professor da PUC-Rio, da Escola Técnica Estadual Adolpho Bloch e da UniverCidade. Colunista do Jornal O DIA. Membro do comitê científico do SBGames 2009/2010. Editor da revista eletrônica revistapontocom, da OSCIP Planetapontocom. Integrante da Rede de Trabalho do Instituto Alana. Editor do site do Centro Internacional de Referência em Mídias para Crianças e Adolescentes – Rio Mídia)
  • Marcos Ozório (Mestre em Educação pela PUC/Rio. Professor de Geografia das redes municipal, estadual e privada do Rio de Janeiro. Ex-Diretor de Mídia e Educação da MULTIRIO. Conselheiro Municipal de Educação (2005-2009). Integrou a equipe que elaborou o Plano Municipal de Educação do Rio de Janeiro)
  • Mediação de Maria Luisa Barros (Editora de Educação do Jornal O Dia)

12:00 - Almoço
14:00 - Palestras simultâneas
PENSAMENTO COMPLEXO, TRABALHO MULTIDISCIPLINAR

  • Carlos Henrique Carrilho (Formado em Letras e Pedagogia. Conferencista, Assessor na área de Educação, professor de Planejamento Educacional e Currículo: teoria e prática, coordenador do curso de Pedagogia da Universidade Estácio de Sá – Campus Madureira. Autor dos livros “Conselho de classe como espaço diagnóstico da prática educativa” e “Competências e habilidades: da proposta à prática”. Co-autor com Danilo Gandin de “Planejamento na sala de aula”.)

IMAGENS E PRÁTICAS ESCOLARES

  • Paulo Sgarbi (Mestre e Doutor em Educação pela UERJ, professor adjunto da Faculdade de Educação da UERJ, pesquisando conhecimento, cotidiano escolar e linguagens, com ênfase nas linguagens desenhadas no estudo de avaliação da aprendizagem, currículo na formação de professores.)

LEITURA DO JORNAL MEIA HORA EM SALA DE AULA

  • Phellipe Marcel (Graduado em Jornalismo pela UFRJ, mestre em Língua Portuguesa UERJ e doutorando em Estudos de Linguagem pela UFF. Tem experiência em edição de livros literários, assessoria de imprensa e comunicação comunitária. Atualmente pesquisa acerca da produção de sentidos sobre o brasileiro na mídia e em outras discursividades.)

16:00 - PRODUÇÃO TEXTUAL E HIPERTEXTO

  • Geraldo Peçanha de Almeida (Doutor em Educação pela UFSC. Professor da UFPR. Foi professor e coordenador de ensino superior do Grupo Positivo e da Fundação Getúlio Vargas. Atua como consultor para o Grupo Pitágoras e já prestou consultoria para o MEB. Autor de mais de 30 livros na área de educação)

18:00 - Lançamento de livros

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Site LivroClip transforma clássicos da literatura em animações multimídia

Com uma linguagem simples e interativa, o site LivroClip mistura televisão e internet a partir de conhecidas obras impressas. Lá, por exemplo, os estudantes encontrarão trailers animados das obras de Machado de Assis, José de Alencar, Mário de Andrade, Luís de Camões, Fernando Pessoa, Gil Vicente e muitos outros. Ao todo, são mais de 30 títulos voltados aos vestibulandos. Além das animações, no site, encontram-se resumos sobre a obra e curiosidades sobre o autor.

A iniciativa pioneira, que visa incentivar a leitura, principalmente em sala de aula, também é uma ferramenta educativa para auxiliar os professores. O portal reúne mais de 300 animações baseadas na literatura nacional e internacional. Todo o conteúdo está disponível para download gratuito.

Assista aos LivroClips:

Dom Casmurro
http://www.livroclip.com.br/index.php?acao=hotsite&cod=4

Senhora
http://www.livroclip.com.br/index.php?acao=hotsite&cod=84

Amar, verbo intransitivo
http://www.livroclip.com.br/index.php?acao=hotsite&cod=108

Os Lusíadas
http://www.livroclip.com.br/index.php?acao=hotsite&cod=13

O livro do desassossego
http://www.livroclip.com.br/index.php?acao=hotsite&cod=37

O Auto da Barca do Inferno
http://www.livroclip.com.br/index.php?acao=hotsite&cod=56

Você já viu uma situação assim?


Monsanto apoia programa de estímulo à leitura na Bahia

A Monsanto apoiou na quinta-feira, 12 de agosto, a renovação da parceria do programa A TARDE Educação, principal ação de Responsabilidade Social do grupo de comunicação A TARDE (BA), com a prefeitura municipal de Camaçari (BA). Voltada ao estimulo à leitura crítica dos alunos de escolas públicas, o programa propõe uma abordagem do uso do jornal, estimulando novas práticas pedagógicas nas escolas municipais da Bahia.

Com a inclusão das 87 escolas de Camaçari, o programa atenderá cerca de 3.000 instituições de ensino na Bahia. A parceria será celebrada no auditório da Cidade do Saber com as presenças do prefeito de Camaçari, Luís Caetano, do diretor geral do Grupo A TARDE, Edivaldo Boaventura, além de Christiane Cralcev Bracco, coordenadora de Comunicação e Responsabilidade Social da Monsanto.

A plateia será composta por cerca de 100 educadores, representantes das 87 instituições de ensino beneficiadas, que assistirão à palestra Jornal e Educação: da leitura à cidadania, com Cristiane Parente, coordenadora nacional do Programa de Jornal e Educação.

A principal linha de atuação do projeto consiste na formação de mediadores de leitura do jornal por meio de oficinas. As escolas receberão, por um ano e gratuitamente, o jornal A Tarde, enquanto os professores serão capacitados para utilização do veículo como ferramenta didática e de formação crítica de jovens leitores.“Temos um imenso orgulho de colaborar com a formação de novos leitores dotados de espírito crítico e analítico construído com a ajuda das reportagens e artigos disponibilizados gratuitamente pelo jornal A Tarde”, avalia Bracco.

A Monsanto contribui para o desenvolvimento da sociedade brasileira, apoiando projetos que favoreçam as comunidades onde está inserida e preservando seus recursos naturais. A unidade de Camaçari (BA) é um exemplo, com forte atuação não só no município, mas também na vizinha Dias D´Ávila, tendo investido R$ 5,2 milhões na comunidade e na área social desde 2000, beneficiando mais de 20 mil pessoas.

Dentre os programas desenvolvidos estão o Crianças Saudáveis, Futuro Saudável, que tem o objetivo de levar educação sanitária, alimentar e combate a verminoses para estudantes da rede pública, e o Coral Pequenos Cantores Monsanto, que promove a inclusão social de crianças carentes por meio da arte. Há, ainda, o Viagem à Literatura infanto-juvenil, de estímulo à leitura e esforço escolar a estudantes com dificuldade de aprendizagem; o Projeto Florescer, de criação de uma reserva florestal no entorno da unidade de Camaçari; o Projeto Cozinha Brasil, de aproveitamento integral de alimentos; o Horta Brasil, que ensina a cultivar hortaliças nas escolas promovendo conceitos de preservação ambiental e consumo consciente; e o de Reciclagem da água da chuva.

Fonte:www.agrolink.com.br

Todos Pela Educação lança site mais interativo

O site do Todos Pela Educação acaba de passar por uma reformulação buscando tornar-se ainda mais informativo e permitir mais interação com o público. Além de oferecer novas opções de acessibilidade, agora é possível deixar comentários em cada uma das páginas e participar de enquetes - com contato direto com o movimento e com os demais internautas.

Estão disponíveis as informações institucionais, dados da Educação em todo o Brasil, notícias da área que foram destaque na mídia nacional, nossas matérias e sugestões de pauta, a biblioteca virtual com pesquisas e estudos produzidos pelo Todos Pela Educação e por diversos especialistas da área, e três novas seções: Mobilização, Boletins e Links.

Na seção Mobilização é possível encontrar todo o histórico das campanhas do movimento, peças de comunicação, e dicas de como cada pessoa pode contribuir para a melhoria da Educação no país. Já na de Boletins, fica a seleção diária de notícias e é possível solicitar o cadastramento para receber os informativos por e-mail. Na seção Links há sugestões de sites com mais informações referentes à Educação.


O site do Todos pela Educação é o www.todospelaeducacao.org.br/

A TARDE amplia número de leitores nas escolas

Com o objetivo de continuar a formar leitores, o Programa A TARDE Educação renova a parceria com a Secretaria Municipal de Educação do município de Camaçari, que faz parte da Região Metropolitana de Salvador. A renovação da parceria ocorreu ontem pela manhã em um dos auditórios do Complexo Municipal Cidade do Saber, localizado no bairro do Natal.

“Antes o programa só atingia 30 das 87 escolas municipais de ensino fundamental daqui. Agora todas as instituições serão contempladas”, afirmou o secretário de Educação do município, Luís Valter de Lima. Para o prefeito da cidade, Luís Caetano,o texto didático nem sempre é contextualizado com a realidade do aluno. “Por meio de ilustração ou texto, o aluno se informa e consegue ligar o que acontece na vida dele com as notícias”, disse.

O programa A TARDE Educação capacita professores,os quais levam para a sala de aula conhecimentos aprendidos nas oficinas do programa que atua em 3 mil escolas do Estado. A iniciativa das prefeituras que levam o programa para as escolas foi descrita pela coordenadora-executiva do programa Jornal e Educação da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Cristiane Parente, como “uma atitude de ousadia”. Para ela, a formação de leitores torna as pessoas mais críticas e as leva a reivindicar seus direitos.

Sobre a renovação da parceria, o diretor-geral do Grupo A TARDE, Edivaldo Boaventura, afirmou: “A TARDE, que é um jornal altamente modernizador, permanecerá num município dinâmico”, dando continuidade ao trabalho que começou na cidade em maio de 2009. Os alunos da professora Deomalice Teles têm entre 17 a 50 anos. A educadora conta que na sala de aula, eles escolhem a matéria que mais interessa e tecem comentários, conta a educadora. “Um gosta de ler sobreumcrime e outro sobre saúde, é isso que torna aula interessante”.

Fonte: Jornal A Tarde, 13 de Agosto de 2010. Primeiro Caderno, Salvador/Ba.

Entre tapas e beijos

Artigo de José Eduardo Romão

Advogado e pesquisador do grupo o “Direito Achado na Rua” da UnB – Catanduva, SP / Publicado em RevistaPontoCom

Desde que o governo encaminhou à Câmara, em meados de julho, o PL 7.672/2010, visando a garantir que crianças sejam educadas e cuidadas sem o uso de “castigos corporais ou de tratamento cruel ou degradante”, tenho pensado em manifestar-me sobre a questão.Na segunda-feira, dia 26 de julho, fiquei me sentindo bastante obrigado a dizer alguma coisa depois que a Folha de S.Paulo divulgou, de um jeito enviesado, os resultados de uma pesquisa feita pelo Datafolha. A matéria mostrava claramente que apenas “54% dos brasileiros são contrários ao projeto de lei que veda castigos físicos em crianças”, isto é, uma apertada maioria. Mesmo assim, a manchete não hesitou em berrar que: “Maioria já deu, levou e é contra proibir palmadas”, fazendo parecer que a proposta não tem a menor legitimidade.
Mas fiquei incomodado não só com o destaque, dado a uma percentagem tão modesta – não estou nem descontando a margem de erro de três pontos. O que me incomodou mesmo foi a redução do debate à palmada, que é sinônimo de tapinha inofensivo que quase não dói. Como se no Brasil toda “violência educativa” (?) contra a criança estivesse restrita a batidinhas e a beliscões suaves. Antes fosse, ou melhor, antes não houvesse registros frequentes de surras e agressões com socos, pontapés, pauladas, chibatadas, cintadas, ferro em brasa etc.

A pior consequência da surra
Não sei exatamente por que acabei desistindo de me pronunciar. Acho que para não ter que admitir já ter batido nos meus filhos. Um pouco por vergonha, certamente. Contudo, ontem (03/08) mudei de ideia depois que minha esposa e mãe dos meninos me contou toda satisfeita – sem saber o que me preocupava – como o João Pedro, nosso filho de seis anos, havia reagido à ameaça de um amiguinho maior do que ele. Da janela e sem ser vista, a mãe ouviu o seguinte diálogo, enquanto observava quatro crianças brincarem no barro com panelas velhas e hominhos de plástico divididos igualmente entre seus dois filhos e dois amiguinhos.

“João Pedro, me dá seus hominhos senão eu te bato.” Sem hesitar, o João respondeu: “Se você me bater eu vou falar pra minha mãe, aí ela vai ligar pra sua que vai vir te buscar na hora.”
Mal piscou os olhos e os dois já estavam brincando juntos novamente.
Essa reação do João Pedro foi suficiente para que, finalmente, me sentisse desimpedido para falar. É que, no fundo, amargava há tempos uma dúvida em relação às consequências de ter batido nele (como confessei na postagem abaixo): será que ele teria aprendido que é certo apanhar quando alguém aparentemente mais forte afirma que ele errou?

Porque, para mim, a consequência mais perversa de se bater numa criança não é ensinar a ela que os problemas podem ser “resolvidos” (entre aspas, é claro) com violência. Embora a campanha “Não bata, eduque” tenha elegido essa consequência como argumento central (“uma consequência direta do uso do castigo físico é o aprendizado, por parte da criança, de que a violência é uma maneira plausível e aceitável de se solucionar conflitos e diferenças, principalmente quando você está em uma posição de vantagem frente ao outro, principalmente física” – trecho extraído do site), estou convencido de que o menor mal que podemos infligir a uma criança é transformá-la imediatamente em agressora (por ter supostamente assimilado a violência como um padrão para resolver problemas). Digo mais: tem muito pai-machão que não consegue conter a satisfação em saber que seu filho bate nos coleguinhas. Ainda assim, insisto que é preferível que a criança agredida reaja à agressão tentando imitar seu agressor do que permanecer inerte e submissa.

É preciso ser covarde para ser violento
Ou seja, acho muito mais grave e de difícil abordagem aqueles casos em que a criança não apenas sofre a violência como a naturaliza. Isto é, a criança subjugada se reconhece como uma “pessoa inferior”, se acovardando e se resignando diante das injustiças. A meu ver, é a mais violenta consequência da violência porque retiramos da criança a coragem, que é pré-requisito para o exercício da liberdade e da autonomia na vida adulta.

A coragem era considerada por Platão uma das três virtudes da alma. Não à toa, os três companheiros de Dorothy no filme O Mágico de Oz buscam inteligência, bondade e coragem. Como eu continuo achando que o filósofo grego está coberto de razão, vivo criando situações para que meus filhos se sintam inteligentes, corajosos e bondosos, ou melhor, se sintam bem sendo assim. Por isso, se alguém perguntar para o João Pedro e para o Antônio “quais são as três coisas que uma criança tem que ter?” (embora eu costume dizer, “um grande guerreiro”, ao invés de “criança”), verão os dois apontando para a cuca e dizendo “inteligência”, depois apontando para o muque e dizendo “força” e, então, apontando para o peito, responderão “bondade”.

Enfim, tem pai (e também mãe) que ainda não se deu conta de que ao bater em seu filho está no fundo fazendo com que ele aprenda a apanhar. Talvez acabemos por transmitir não um padrão de comportamento, mas dois: pois é preciso ser covarde para ser violento.

Pais que se habituam a bater e se acomodam
E não aceito o velho argumento de que existem crianças que só aprendem apanhando. Na melhor das hipóteses, a única coisa boa que as crianças aprendem quando apanham é que os adultos também perdem o controle e que não se pode confiar absolutamente nem em seus próprios pais.
É óbvio que diferentes crianças exigem, às vezes, formas diferentes de se educar. Mas de modo algum, porrada. Meu cunhado me contou que uma conhecida senhora catanduvense costumava se lamentar aos mais próximos dizendo que “embora tivesse criado seus dois filhos da mesma maneira, um lhe saiu vigário e outro, vigarista” (em tempos de pedofilia no clero, infelizmente, é preciso esclarecer que este último é que não prestava, pelo menos aos olhos da mãe). Não desejo aos meus filhos nenhum dos dois fins, tampouco um destino comum. Quero, sim, que ambos se identifiquem como gente por possuírem os mesmos valores fundamentais, como o respeito ao próximo e o amor à sabedoria, por exemplo. E se cada um aprende de um jeito, simplesmente porque são pessoas distintas. Meu desafio como pai é aplicar métodos e cuidados diferenciados de modo que eles se sintam igualmente amados.

Se pancada desse jeito em alguém, os meninos sairiam da Febem e da Funabem direto para a canonização (em caixões, naturalmente). Desafio quem conheça um só exemplo de uma criança reconhecidamente má que tenha endireitado à custa de castigos físicos, psicológicos e maus tratos. Por outro lado, sei de um monte de histórias de gente que apanhou horrores e que se tornou um agressor ainda pior ou covarde explosivo e imprevisível.

Conheço também inúmeras estórias. Mas vou mencionar apenas duas.

Primeiro, a estória do menino chamado Valtei que faz parte do livro-que-eu-mais-gosto, Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa. Vale a pena ouvir o que Riobaldo diz sobre ele:
“Eu gosto de matar…” – uma ocasião ele pequenino me disse. Abriu em mim um susto; porque: passarinho que se debruça – o voo já está pronto! Pois, o senhor vigie: o pai, Pedro Pindó, modo de corrigir isso, e a mãe, dão nele, de miséria e mastro – botam o menino sem comer, amarram em árvores no terreiro, ele nu nuelo, mesmo em junho frio, lavram o corpinho dele na peia e na taca, depois limpam a pele de sangue, com cuia de salmoura. A gente sabe, espia, fica gasturado. O menino já rebaixou de magreza, os olhos entrando, carinha de ossos, encaveirada, e entisicou, o tempo todo tosse, tossura da que puxa secos peitos. Arre, que agora, visível o Pindó e a mulher se habituaram de nele bater, de pouquinho em pouquim foram criando nisso um prazer feito diversão [...]

Taí um risco e uma consequência que nem a campanha “Não bata, eduque” havia suscitado: dos pais que se habituam a bater e se acomodam.

A maldade de Romãozinho
A segunda estória, é Câmara Cascudo quem conta em seu livro Lendas brasileiras (com ilustrações de Poty, que também ilustrou livros de Guimarães Rosa). É a lenda de “Romãozinho”, que não tem nada a ver comigo e muito menos com meus filhos. Juro.Filho de negro trabalhador, Romãozinho nasceu vadio e malcriado. Tinha todos os dentes, fisionomia fechada, hábitos errantes, nenhuma bondade no coração. Divertimento era maltratar os animais e destruir plantas. Menino absolutamente perverso.

Um meio-dia, a mãe mandou-o levar o almoço ao pai que trabalhava num roçado distante da casa. Romãozinho foi, de má vontade. No meio do caminho, parou, abriu a cesta, comeu a galinha inteira, juntou os ossos, recolocou-os na toalhinha e foi entregar ao pai.Quando o velho deparou com ossos em vez de comida, perguntou que brincadeira sem graça era aquela. Romãozinho, entendeu vingar-se da mãe, que ficara fiando algodão no alpendre da casinha:
“É o que me deram… Minha mãe comeu a galinha com um homem que aparece lá quando o senhor não está por perto. Pegaram os ossos e disseram que trouxesse. Eu trouxe. É isso aí…
O negro meteu a enxada na terra, largou o serviço e veio correndo. Encontrou o mulher fiando, curvada, absorvida na tarefa. Dando crédito ao que lhe dissera o filho, puxou a faca e matou-a. Morrendo, a velha amaldiçoou o filho que estava rindo:
“Não morrerás nunca. Não conhecerás céu, nem o inferno, nem o descanso enquanto o mundo for mundo… O marido morreu de arrependimento. Romãozinho desapareceu, rindo ainda. Será que Romãozinho poderia ser corrigido com uma boa sova?
Meninos podem ser treinados
Tenho certeza que não. Mas tampouco creio que teria efeito uma bela conversa. E esse me parece, digamos, o defeito do lado oposto. Os que não batem e rechaçam qualquer forma de castigo físico e tratamento degradante parecem nutrir uma crença ingênua e ao mesmo tempo adultizada no poder do diálogo com as crianças. Mais uma vez recorro à campanha a que, apesar de criticar seus argumentos, aderi com empolgação. Especificamente, estou me referindo às dicas disponíveis no site como estratégias de educação positiva.

Em regra, a campanha recomenda aos pais que eduquem seus filhos com diálogo. Seja para repreender e impor limites, ou para estimular e acentuar comportamentos desejados. Até aí, tudo bem, pois “em tese” não há como discordar de uma educação baseada no discurso, nas palavras. O único senão é que nos momentos difíceis e delicados – como uma birra no supermercado, um palavrão dirigido à vovó, um soco no coleguinha, um vaso quebrado depois da décima advertência e por aí vai –, isto é, na “vida real”, dificilmente há clima e espaço para uma conversa de joelhos com os olhos-nos-olhos de seu filho. Eu já tentei e continuo tentando, mas para conter um moleque de três e outro de seis anos em situações limites (são aquelas em que você pensa em bater) é preciso lançar mão de técnicas mais eficazes.

Por exemplo, para interromper uma carreira desabalada em direção à rua movimentada (e evitar o atropelamento do seu filho), é necessário usar em alto e bom som uma única palavra de comando que o faça parar como um cachorro obediente. A comparação não é involuntária porque para atingir esse grau de aderência à voz de comando pode-se treinar os meninos (até os sete anos, mais ou menos) com o auxílio de um adestrador de animais. Só depois que seus filhos estiverem respondendo a comandos vitais do tipo “desce daí”, “pare”, “volte”, “corra” e “durma” – este último eu não consegui incutir no mais velho, embora eu tenha usado aquele famoso manual de adestramento: “Nana nenê” – depois disso é que entra a psicologia (não o psicólogo).

Não é com vara e marmelo que se corrige
É sério; tirando só um pouquinho do excesso. Não dá para corrigir a criança ou educá-la tentando sempre lhe explicar cada ato ou cada pretensão que nos move. Às vezes, quando quero que o João Pedro pare de fazer algo que incomoda (como ficar pedindo sem cessar “papai, deixa eu faltar da aula hoje” a caminho da escola), eu desvio a atenção dele contando uma hestória (meio mentira e meio verdade) instigante sobre algum ponto do percurso que ele possa ver e focar: “João, você sabia que eu conheci um menino (que estudou comigo lá na sua escola) que pulou do alto daquele viaduto gigantesco ali? Foi assim: quando eu tinha a sua idade, teve uma grande enchente aqui na cidade…” Nunca deu errado e olha que eu não sou nenhum Pedro Bandeira.
Também acho que muitas vezes o silêncio é a melhor forma de comunicação, principalmente entre pais e filhos, isto é, entre homens. De vez em quando, estamos os três brincando de playmobil na sala e aí os dois começam a brigar pela espadinha flamejante ou pelo cavalo preto ou por qualquer outra coisinha. Dou um minuto, no máximo, e se eles não se entendem, me levanto dizendo que não quero brincar mais. Saio. Em instantes, estão os dois me pedindo pra voltar porque eles “são parceiros e não vão mais brigar” (agora que o João sabe ver as horas, eles têm resolvido a disputa da seguinte maneira: cada um fica dez minutos com a coisinha disputada).

Melhor do que o silêncio e as hitórias, são os carinhos. Esses, sim, sejam abraços ou afagos, dispensam qualquer palavra.Bom, acho que era isso que eu tinha pra dizer.
No mais, não sei se é relevante registrar ainda que apanhei quando criança e que não fiquei traumatizado (acho), como quase toda minha geração. No entanto, me parece burrice concluir a partir de exemplos como o meu – com mais de trinta anos – que uma palmadinha não faz mal ou que pode até fazer bem. De 1970 para cá, o mundo mudou bastante. E hoje, sobretudo graças à luta pelos direitos humanos, repudiamos um bocado de coisas que antes nos pareciam “normais”, tais como homem que bate em mulher; político que rouba, mas faz; cristão que sonega em paz; e gente que joga lixo no chão.

Os tempos são outros. Hoje em dia as crianças já nascem sujeitos de direitos, ainda que seus pais não queiram. Antigamente, as crianças eram apenas um objeto relativamente protegido pelo Direito. Os pais colocavam seus filhos no “Jardim da Infância” na expectativa de que essas sementes de gente, regadas com educação escolar, viriam a florescer como adultos capazes. Hoje há casos em que a sementinha já escolhe o jardim. Antes as crianças comiam apenas depois dos adultos; hoje, são servidas antes mesmo da refeição ir à mesa.

Quando a Constituição do Brasil diz que as crianças têm prioridade absoluta, ela tão somente expressa o entendimento que predomina em nossa sociedade. Ou não somos nós mesmos que vivemos afirmando que em primeiro lugar estão os nossos filhos?

Pode até ser que tenhamos exagerado na medida ao atribuir às nossas crianças a condição de super-sujeitos de direitos, sob a guarda da Constituição e do Estatuto da Criança e
do Adolescente. Tenho minhas dúvidas, mas pode ser.

Agora, aqui entre nós: não é com vara e marmelo que vamos corrigir isso, né?

Adozinda Kuhlmann: “Educar é amar e não desistir”

O vídeo abaixo é uma palestra apresentada no evento TEDx São Paulo pela professora Adozinda Kuhlmann, de 92 anos de idade, que cheia de vitalidade e energia, trata do tema educação como um ato de amor pelo próximo. Ao final ela declama um poema que serve de inspiração e motivação para as pessoas que trabalham com educação.

TEDxSP 2009 - Adozinda Kuhlmann from TEDxSP on Vimeo.

Seminários, palestras e eventos

Veja abaixo as dicas de evento do Portal Leitura Crítica. Programe-se e participe!

III Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias” e “III Fórum Nacional do Livro e Leitura”
A construção de um Brasil leitor é um trabalho conjunto que envolve governo e sociedade civil. O Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) mostra em seu Mapa de Ações a pluralidade de atividades e intervenções em prol da disseminação do livro e da leitura no país. Neste contexto, destaca-se o papel preponderante das bibliotecas públicas e comunitárias no incentivo e no acesso gratuito à leitura. Alinhados com o propósito de elevar cada vez mais o número de leitores no Brasil, o Governo do Estado de São Paulo - Secretaria de Estado da Cultura e Governo Federal - Ministério da Educação - Ministério da Cultura - Plano Nacional do Livro e Leitura, se unem, novamente, para a realização do “III Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias” e “III Fórum Nacional do Livro e Leitura” que acontecerá no período de 19 a 21 de agosto de 2010, em paralelo à 21ª. Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no Anfiteatro Elis Regina, no Palácio das Convenções do Anhembi, na cidade de São Paulo, SP. Como ocorrido nas edições anteriores o evento reunirá profissionais e pessoas interessadas em compartilhar experiências, interagir com novos projetos, integrar-se com novas ações, conhecer novas alternativas de atuação e enfrentar novos desafios.
Inscrições Gratuitas/Vagas Limitadas
Informações: http://www.bibviva.com.br

Palestra do Prof. Dermeval Saviani
"A RECEPÇÃO DE GRAMSCI NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA E A IMPORTÂNCIA DA ORTODOXIA METODOLÓGICA", a ser proferida no dia 19 de agosto, às 19 horas, no Salão Nobre da Faculdade de Educação - Unicamp.

O evento marca o lançamento do Grupo de Estudos "Gramsci, Sociedade e Educação", recentemente formado e composto por docentes e estudantes da FE e de outras instituições.

Seminário Internacional de Texto, Enunciação e Discurso (SITED).
Ocorrerá na PUCRS nos dias 1, 2 e 3 de setembro. Esse seminário está sendo organizado pelas professoras Leci Barbisan e Maria da Glória Di Fanti.
Informações: http://www.pucrs.br/eventos/sited

4ª Jornada de Análise do Discurso da USP
16 e 17 de setembro de 2010
Informações: http://dfm.ffclrp.usp.br/jornadaad/

III Congresso Latino-Americano de Compreensão Leitora - Ler para produzir mais cultura A Universidade de Brasilia (UnB) irá sediar evento, que ocorrerá de 12 a 15 de outubro de 2010.
Informações: http://leituras.literaturas.pro.br

III SIMELP - SIMPÓSIO MUNDIAL DE ESTUDOS DE LÍNGUA PORTUGUESA: A FORMAÇÃO DE NOVAS GERAÇÕES DE FALANTES DE PORTUGUÊS NO MUNDO
UNIVERSIDADE DE MACAU
30 de Agosto a 02 de Setembro de 2011
Informações: simelp2011@umac.mo

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Para refletir

"Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas"
Rubem Alves

Caderno: memórias de uma formação

Os registros dos alunos ajudam no processo de aprendizagem e podem ser úteis para os professores planejarem as aulas

Por Fernando José de Almeida (*)
Para a revista Gestão Escolar
Foto: Marcos Rosa

O caderno é um objeto de reconhecida importância nas ações do cotidiano de muitas pessoas - e também na formação delas durante toda a vida. Sua origem é remota. Vale lembrar que a palavra caderno vem de codex, termo latino que significa "registro, tábua de escrever". Eram chamados de códice tanto os livros nos quais se listavam as receitas e as despesas de uma família, por exemplo, como os volumes nos quais ficavam documentadas as leis elaboradas pelos imperadores romanos.

Em tempos mais recentes, lembro-me que, nos anos 1950, os cadernos serviam para que os donos de armazém apontassem as despesas fiadas dos clientes (meu pai, por exemplo, pagava as dívidas que a família fazia religiosamente todo fim de mês). Era também em pequenos cadernos - as cadernetas - que o bancário relacionava as economias que cuidadosamente guardávamos no nosso cofrinho e depois depositávamos na poupança. Toda mulher ou homem que tem irmã, esposa ou filha sabe que cadernos também eram muito usados por elas para escrever confidências - os famosos diários.

Em qualquer um dos exemplos citados, o caderno é útil para guardar memórias (das dívidas, das leis, das experiências vividas). E, nas escolas, para que servem? Igualmente, são usados - ou deveriam ser - para arquivar as memórias da formação do aluno, o processo vivido por ele em busca do conhecimento, as dúvidas e as descobertas feitas durante as aulas, em livros, nas discussões com o professor e nos trabalhos em grupo. Quando eu era estudante, os cadernos eram sóbrios, com folhas pautadas com linhas e nada mais. Com o tempo, eles se tornaram objetos de consumo, com capas fantasiosas que vendem paisagens, personagens, times de futebol, cursinhos pré-universitários e refrigerantes. Prateado, dourado ou com cores berrantes, esse objeto - imprescindível no material escolar - deve ser visto como um arquivo: o lugar onde está o repertório do estudante, as informações, os dados, os conteúdos, as impressões e as opiniões sobre os temas trabalhados em classe.

Crianças e jovens que usam os cadernos para anotar as aulas já têm, a princípio, duas grandes vantagens em relação aos demais: certamente ficam mais atentos ao que acontece na classe para fazer as anotações necessárias (não se trata de copiar o que está no quadro) e têm uma base para estudar em casa em época de trabalhos e provas. Aprender supõe ter a capacidade de documentar as aulas, as leituras realizadas, as dúvidas, os debates feitos em classe e as tarefas.

Vale lembrar que a aprendizagem é o desenvolvimento de um processo de criação de ganchos, nos quais se amarram as informações novas com as já conhecidas - e lembradas! E o caderno nada mais é do que um dos lugares mais eficientes para armazenar os dados necessários para que o conhecimento seja permanentemente construído.

Os benefícios desse material não são somente dos alunos: o professor deve usá-los para analisar a maneira como ensina e ter mais repertório de informações sobre como a turma aprende. O coordenador pedagógico, por sua vez, também pode se valer da leitura atenta desses para ajudar o professor a fazer o planejamento das aulas futuras e elaborar um plano de formação para a equipe.(*)

Acompanhar, orientar e avaliar os escritos dos estudantes é uma forma de ajudá-los a se organizar, de saber se evoluíram e no que é preciso focar as aulas. Utilizar os resultados da apreciação atenta das anotações para melhorar a maneira de ensinar é um passo significativo para fortalecer e aprimorar a formação continuada na escola.

(*) É filósofo, docente da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e diretor de Educação da Fundação Padre Anchieta.
(*) Revista NOVA ESCOLA GESTÃO ESCOLAR de agosto/setembro traz matéria sobre o tema.

2ª edição do Prêmio Ecofuturo de Educação para a Sustentabilidade tem inscrições prorrogadas

O Instituto Ecofuturo prorrogou o prazo de inscrição de projetos para a 2ª edição do Prêmio Ecofuturo de Educação para a Sustentabilidade. As inscrições podem ser feitas até 15 de setembro.

Professores de todo o Brasil ainda têm tempo para elaborarem projetos e planos de aula que envolvam maneiras de como incluir a sustentabilidade, de forma multidisciplinar e transversal, em sala de aula, sob o tema Saber Cuidar.

Confira mais informações em: www.ecofuturo.org.br/premio

A telenovela na aula

Por Luís Fernando Ferreira de Araújo (*)
Revista Ensino Superior 142

Ao considerar a telenovela como um instrumento de educação, deve-se levar em conta a especificidade desse fenômeno, voltando-se à forma de tratamento da mensagem e não à mensagem propriamente dita. Sendo um produto da sociedade na qual se apresenta, por ser produzida por esta sociedade, a telenovela revela como tal sociedade se organiza, quais seus valores e costumes.

Tradicionalmente, os brasileiros têm maior identidade com a comunicação oral e visual, consequência dos longos processos de alfabetização e da falta de estímulo à leitura.

Por meio dos apelos das telenovelas - referimo-nos aos recursos visuais e tecnológicos - o educador poderá observar um maior interesse por parte dos estudantes. O uso da telenovela permite que os conteúdos cheguem de uma maneira muito mais familiar aos alunos, de modo a sentirem mais conforto em olhar para os novos conhecimentos por meio desses filtros, que lhes são tão seguros.

Os tempos mudaram e as linguagens também. Assim, a comunicação em sala de aula precisa ser aperfeiçoada. Os jovens, atualmente, estão muito mais familiarizados com os recursos tecnológicos, isso já está incorporado em sua linguagem.

O discurso pedagógico deve considerar a telenovela um diálogo crítico, e ao mesmo tempo reconhecer as possibilidades operacionais que se abrem para a escola com o aprendizado sobre esse gênero televisivo.

A telenovela é um meio de comunicação, um elemento de influência para a avaliação da história e dos personagens. Também projeta no telespectador a fantasia e o imaginário. A linguagem da telenovela é simples, despojada, concreta, possibilitando ao telespectador acompanhá-la sem maior esforço de entendimento. O ritmo é acelerado, baseia-se na ação, por isso a telenovela é uma narrativa de ação. Constitui-se, assim, uma ferramenta da educação, ou melhor, pode contribuir nas construções de valores e de autoconhecimento e na aprendizagem por meio de uma investigação e crítica no sentido de como são desenvolvidas.

O professor não é o vilão dessa história, é tão vítima quanto os alunos. Não tendo o devido preparo em seus cursos de graduação e licenciatura, o professor não se aventura a trabalhar com a teledramaturgia em sala de aula, especialmente porque não domina essa linguagem. Assim como a sociedade, pais, direção e professores, a escola também exclui a telenovela, considerando-a um produto aquém e desprezando-a. A realidade é que o educador não sabe o quê e como explorar este gênero, não percebe que a telenovela é um rico instrumento de apoio aos conteúdos interdisciplinares.

O estudante brasileiro, em grande maioria, vem da cultura da oralidade, e nós sabemos da dificuldade de acesso a livros, jornais etc. Dessa forma, podemos aproveitar mais a telenovela dentro do contexto da escola.

Precisamos interagir com os meios de comunicação, principalmente a telenovela em relação ao gênero literário. Se a telenovela é aceita e amplamente difundida no convívio social, logo ela pode permear todo o trabalho educacional. A escola já não pode ignorar a importância e o impacto dessa produção cultural como meio transformador da vida dos jovens e de nossa sociedade.


(*) Luís Fernando Ferreira de Araújo é professor universitário, doutorando em Educação, Arte e História da Cultura.

Ni todo vampiros ni solo Quijote

Los clásicos siguen en su peana, pero en versión corta - La escuela elige otras lecturas obligatorias para no alejar al joven de la literatura

Veja abaixo trecho de matéria do jornal espanhol El País do dia 10/08/2010 sobre leitura entre jovens. O texto é de Inmaculada De La Fuente e a foto de Alfredo Jiménez.

A los 12 o los 14 años un libro puede paladearse como un helado. Los ojos ávidos de sensaciones fuertes, palabras que se deshacen en sabores, intriga hasta la última cucharada. Algo de chocolate oscuro, el cuerpo denso del pistacho, la ligera acidez de la mora. Los libros que prenden en la adolescencia son un señuelo para lecturas futuras. Expuestos a la fatal atracción de la literatura unida al cine y a las lecturas obligatorias de la ESO y el Bachillerato, los escolares acaban leyendo. Pero, ¿qué ficciones les acompañarán de por vida, qué personajes de los que pueblan ahora su cabeza permanecerán en ellas? Quizás vampiros que recitan a Bécquer o algún que otro Harry Potter disfrazado del Mío Cid. A pesar de todo, ningún Crepúsculo ensombrecerá a Romeo y Julieta ni borrará el eco del Lazarillo una vez leído.

Cada generación tiene unos mitos, sea Emilio Salgari ayer o Harry Potter y la serie Crepúsculo hoy. Junto a ellos el legado de Cervantes, Shakespeare, Baroja, García Lorca, García Márquez, Matute. Unos nutren su imaginario de héroes, sueños e imágenes. Otros ayudan a entender el mundo. ¿O no siempre?

Leer por placer o por obligación: el dilema está ahí. Algunos profesores piensan que leer La Celestina a los 15 años puede inducir a adentrarse en los clásicos. Otros arguyen que la lectura obligatoria de El Quijote o La Regenta a esa edad ahuyentará al joven lector. "Tengo dudas sobre si lo que se recomienda en clase es capaz de empatizar con los alumnos a los que va dirigido", afirma Pedro César Cerrillo, catedrático de la universidad de Castilla-La Mancha y director del Centro de Estudios de Promoción de la lectura y literatura infantil (CEPLI). No solo se refiere a los clásicos. "Cuando se habla de literatura juvenil observo disparidad de criterios y dispersión de títulos", añade. "No basta con que el libro desarrolle una temática juvenil. Tiene que tener calidad. Un elenco en el que entran Jack London y Julio Verne, pero no cualquier novedad coyuntural", precisa.

No es cierto que adolescentes y jóvenes lean poco. Según el Barómetro de hábitos de lectura y compra de libros que publica trimestralmente la Federación de Gremios de Editores de España, el 97,3% de los jóvenes de entre 14 y 24 años encuestados se declara lector. Eso sí, el 81,2% especifica que practica lecturas digitales. "Los jóvenes de entre 12 y 18 años pueden incluirse en el grupo de lectores habituales, siempre que se entienda la lectura como una actividad que puede llevarse a cabo en diferentes soportes", explica Loles González López-Casero, directora del Centro Internacional del Libro infantil y juvenil (CILIJ). La fuerza de Internet es más grande que nunca. Aunque prefieren el soporte clásico a la hora de leer cómics, novelas o cuentos, se decantan por la pantalla para acceder a periódicos o blogs, además de determinadas redes sociales.

Las ficciones cambian al compás que lo hace el mundo. Y el modo de contarlas lleva el mismo camino. ¿Está cambiando el imaginario de los adolescentes actuales? ¿Varían tanto sus lecturas respeto a las de los adolescentes de otras épocas? Si los clásicos son el eje que une a las diversas generaciones, ¿los profesores de hoy piden los mismos autores que los docentes de ayer?

Para ler a matéria completa, clique aqui!

A Turma da Mônica em Uma História que Precisa ter Fim

Turma da Mônica entra na luta contra as drogas. Publicação de Maurício de Sousa mostra historinha em que um amigo da turminha se envolve com um traficante. A produção foi feita para a Secretaria Nacional Antidrogas e pode ser trabalhada em escolas e ambientes educativos diversos. Para fazer o download, é só acessar: www.obscriancaeadolescente.gov.br/?id=pub

Amamentação salva!

Veja abaixo matéria sobre a importância da amamentação e dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Que tal juntar sua turma e fazer uma campanha em prol da amamentação na escola? Você pode estimular a criação de cartazes publicitários e o conteúdo pode ser trabalhado por professores de ciências, português e artes!

A amamentação exclusiva até os 6 meses de idade e complementar até os 2 anos poderia salvar a vida de 1,5 milhão de crianças anualmente em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A estimativa é que apenas 35% das crianças com até 6 meses de vida recebam exclusivamente o leite materno.

Na Semana Mundial da Amamentação, o órgão divulgou que mais de dois terços das 8,8 milhões de mortes anuais de crianças menores de 5 anos são provocadas pela subnutrição. A doença está associada, inclusive, a práticas de alimentação inadequadas, como a mamadeira, nos primeiros cinco meses de vida.

De acordo com a OMS, aumentar os índices de aleitamento materno é a chave para melhorar a nutrição de crianças em todo o mundo. Os hospitais que receberam o título de Amigos da Criança, segundo o órgão, têm o potencial de oferecer a milhões de bebês um início de vida mais saudável.

No Brasil, uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde revela que os bebês nascidos nessas instituições mamam por um período maior do que as crianças nascidas em outras maternidades. Atualmente, 335 hospitais brasileiros têm o título, conferido pela OMS em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O leite materno é considerado pela OMS como o alimento ideal para recém-nascidos e crianças pequenas. Ele é seguro e oferece ao bebê todos os nutrientes que precisa para um desenvolvimento saudável, além de conter anticorpos que protegem as crianças de doenças comuns na infância.

De acordo com o órgão, a falta de orientação e de apoio por parte de profissionais de saúde é uma das razões que levam mães a interromperem a amamentação poucas semanas após darem à luz.

Fonte: Agência Brasil/ Texto: Paula Laboissière/ Edição: Lílian Beraldo - 03/08/2010

ECA na escola

Para atender a Lei 11.525/07 – que inclui no currículo do ensino fundamental conteúdos sobre direitos das crianças e dos adolescentes – e disseminar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA - Lei 8069/90) entre estudantes e professores, o Portal Pró-Menino (gerenciado pelo CEATS, da FIA), a Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH/PR) e o Ministério da Educação (MEC) estão oferecendo o curso online de formação sobre Direitos e Deveres do público infanto-juvenil para professores do ensino fundamental.

O curso inclui seis módulos de formação, sendo o último módulo reservado para o desenvolvimento de um plano de ação que incorpore, nas atividades escolares, questões ligadas à discussão, reflexão e disseminação dos Direitos e Deveres do público infanto-juvenil e do Estatuto.
Módulo 1 - Introdução ao ECA e ao Sistema de Garantia de Direitos
Módulo 2 - Atores do Sistema de Garantia de Direitos
Módulo 3 - Crianças e adolescentes com direitos ameaçados e violados e a escola
Módulo 4 - O adolescente em conflito com a lei e a escola
Módulo 5 - Participação e protagonismo
Módulo 6 - Projeto de Aplicação Prática

Fique de olho nas próximas turmas. Basta acessar: http://www.promenino.org.br

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Escolas lançam revistas especializadas para pais e alunos

O cotidiano da escola transformado em páginas ilustradas e cheias de informação. Cada vez mais os estabelecimentos de ensino particulares investem na criação de revistas especializadas em educação, que têm como público-alvo os alunos e pais.

“Para saber o que está acontecendo na rotina do colégio do meu filho, basta abrir a revista. A escola se preocupa em mostrar o que está realizando e eu me sinto mais segura em confiar meu filho a ela”, conta a desenhista industrial Silvia Massaia Francisco, de 49 anos, mãe do menino Nicholas, de 10 anos, aluno do Colégio Franciscano Pio XII, que envia aos pais a revista EspalhaFato, com assuntos relativos à convivência na escola.

As pautas das revistas escolares normalmente são definidas em reuniões com a diretoria da instituição - em alguns colégios, também há a participação dos pais e dos alunos na definição dos conteúdos.

O Colégio Humboldt, que é bilíngue, conta com pais de alunos no conselho editorial da revistas trimestral Planet Humboldt - a publicação é feita em alemão e em língua portuguesa. Para o professor universitário Gildo dos Santos Filho, de 60 anos, membro do conselho, existem assuntos que só as revistas escolares conseguem levar aos pais. “Tem coisa que acontece dentro da escola que a gente só descobre nas páginas dessas publicações.”

Os assuntos mais comuns das publicações, além do cotidiano da escola, são os eventos culturais, entrevistas com ex-alunos e reportagens que tratam de educação e carreira - inclusive abordando profissionais bem-sucedidos e ex-alunos. A revista Labora, do Colégio Santo Américo, tem seções dedicadas a esses assuntos e a temas como responsabilidade social, vestibulares e formação continuada.

As escolas também abrem espaço para relatos dos alunos, em textos autorais. “Os pais gostam de ler artigos dos filhos”, conta Fátima Trindade, diretora adjunta do Pio XII.
As escolas admitem que as revistas também servem como estratégia de marketing, já que, como a circulação é livre, é fácil um exemplar cair nas mãos de algum pai interessado em matricular o filho.

“A revista é uma extensão do colégio. Ela estreita os laços da instituição com a comunidade. E funciona como um material palpável que mostra a seriedade do nosso trabalho”, afirma Flávia Gouvêa, do departamento de comunicação do Colégio Vértice. A revista Vértices é semestral e surgiu em 2008.

Segundo a escola, os professores costumam colaborar com a produção dos exemplares. O periódico já publicou entrevistas exclusivas com personalidades como Amyr Klink, Cesar Cielo e José Mindlin.

Fonte: Estadao.Com.Br/Edu -09/08/2010

Fim do jornal: uma profecia que não se cumpriu

A morte anunciada dos jornais não deu em nada. Não que tudo tenha voltado a ser como antes. Há mudanças no negócio de se fazer jornal. Mas a catástrofe prevista entrou para o rol das profecias que não se cumprem, na opinião de Ricardo Pedreira, diretor executivo da Associação Nacional dos Jornais (ANJ).

Os sinais estão por toda a parte. No Brasil, assim como nos países emergentes, a leitura e os títulos disponíveis no mercado crescem. Nos Estados Unidos, um dos maiores mercados do mundo, parou de cair. Na Alemanha e no Japão, seguem sendo um bom investimento. Mas a melhor notícia é que há jovens lendo jornais. E no papel.

Da França vem uma das sinalizações mais otimistas. A Editora La Play Bac, dedicada a um público de 6 e 18 anos, mantém três títulos diários para esse faixa etária com 150 mil assinaturas. O Japão, um dos países mais conectados à internet, detém cinco dos dez maiores jornais em circulação no mundo. Vende cerca de 28 milhões de exemplares impressos todos os dias, que não são lidos apenas por senhores.

No Brasil, menos afetado pela crise econômica, o meio jornal ocupa o segundo lugar na preferência de anunciantes, após a televisão aberta, com participação de 21,4% no bolo publicitário.

A circulação de jornais segue em curva ascendente. Houve aumento de 2% no primeiro semestre de 2010, de acordo com o Instituto Verificador de Circulação (IVC). O crescimento foi puxado pelo Estado. Entre as dez maiores publicações, o jornal obteve o melhor resultado no primeiro semestre deste ano, com alta de 7,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Na agência de propaganda Talent, uma pesquisa encomendada para entender o que desperta o interesse de homens de 28 a 35 anos, solteiros, sem filhos e que haviam decidido por comprar um modelo de carro sedan (tido como desejo de tiozinho), revelou que eles cultivam símbolos de maturidade. Entre os hábitos que passam a desenvolver está a leitura de jornais. "Eles apontam que o impresso oferece uma curadoria que lhes dá a segurança de ter as informações que as pessoas com mais experiência têm", explica a responsável pelo estudo, Mari Zampol, diretora de planejamento da agência. "A rede social desse jovem, a dinâmica da busca da informação na web, não necessariamente cumpre esse papel de curadoria das informações."

Intangível. O reconhecimento do valor do jornal impresso e a sua resistência acima dos prognósticos iniciais, na opinião de Pedreira, da ANJ, tornam evidentes que o seu poder é muito maior do que se imaginava. "Trata-se de algo intangível, que fica claro na necessidade dos leitores por contextualização, edição e pela linha editorial. Ouço pessoas falarem dos seus jornais como se fossem um amigo e companheiro diário, com quem gostam de compartilhar o dia", diz Pedreira.

Júlio Ribeiro, presidente do Grupo Talent, insiste que a experiência física proporcionada pelo jornal não é substituível, nem mesmo por um iPad. "Nós vivemos de sensações e folhear o jornal é uma delas", diz Ribeiro. Reconhecido frasista, o publicitário Nizan Guanaes, sócio do Grupo ABC, resume a atual fase de ressurreição do veículo: "Jornal é como uma instituição bancária. O que está em jogo é crédito. O anúncio publicado no jornal ganha credibilidade. E isso não vai acabar."

Os apocalípticos estipularam datas para o fim dos impressos. Há duas semanas, a revista The Economist se redimiu em relação a uma matéria veiculada em 2006, reconhecendo que se precipitou. O negócio tem mais saúde do que tinha avaliado. A revista diz, entretanto, que a sobrevivência de longo prazo não está garantida, já que fortes ajustes foram feitos nos últimos três anos, como, por exemplo, a extinção de 13,5 mil empregos na área só nos EUA.

O professor Rosental Calmon Alves, diretor do Knight Center de Jornalismo e professor da Universidade do Texas, acha mesmo que o jornal impresso vai resistir por muito tempo. "Trata-se de uma ótima interface, portátil, flexível. Algum dia, no entanto, ela poderá se tornar obsoleta. Mas não é pra já", diz.

Fonte: Estado de São Paulo/ Texto: Marili Ribeiro 09/08/2010

Brasília sedia III Congresso de Compreensão Leitora

Brasília sediará de 12 a 15 de outubro, na UnB, o III Congresso de Compreensão Leitora - Ler para produzir mais cultura.

O Congresso de Compreensão Leitora é uma iniciativa original do Centro de Altos Estudios y Promoción Cultural Jaime Cerrón Palomino (Peru), que abrigou o primeiro evento. A segunda edição ocorreu em Neuquén, na Patagônia, sob os auspícios da Fundación Lecturas del Sur del Mundo e da “Organización Latinoamericana de asistencia en las problemáticas lectoras” (Argentina). E teve a participação do Grupo de Pesquisa LER: leitura, ensino e recepção, credenciado pela Universidade de Brasília (Distrito Federal, Brasil).

É justamente o Grupo de Pesquisa Ler que traz para o Brasil o III Congresso de Compreensão Leitora Ler. A ideia da terceira edição decorre da consciência de que a população latino-americana, em grande maioria, tem dificuldade durante os processos da compreensão leitora e da produção de textos. Acredita-se que uma das causas seja porque se propõem métodos, técnicas e estratégias tradicionais que não correspondem a este tempo de mudanças vertiginosas.

Comitê Organizador
(Brasil)
Drª. Hilda Orquídea Hartmann Lontra (coordenadora geral)

Drª. Clara Etiene de Souza(Vice-líder do Grupo de Pesquisa LER)
Mestra Cleide de Oliveira Lemos(assessora da coordenação)
Mestra Rosa Amélia Pereira da Silva(secretária geral)

(Peru)
Drª. Bertha López Rojas

Dr. Waldemar José Cerrón Rojas
Drª. Miriam Velázques

(Argentina)
Etherline Mikëska

Drª. Lili Muñóz

(Venezuela)
Drª. Zandra Santiago

Comitê científico e editorial

(Cuba): Drª. Emilia Gallego Alfonso
(Peru): Drª. Bertha López Rojas
(Brasil): Drª. Elga Pérez-Laborde, Dr. Wilson Taveira e Dda. Adriana Levino da Silva

Informações e inscrições: http://leituras.literaturas.pro.br/

Opinião de alguns dos convidados que estarão no COMLER:

'Tenho a mais completa convicção de que é um dever de todo brasileiro letrado, mais ainda daqueles que tiveram a oportunidade de concluir uma pós-graduação, empenhar-se com todo o vigor para que os índices vergonhosos de analfabetismo funcional venham a diminuir, num futuro próximo'. (Stella Maris Bortoni)


"Parece-me que os professores precisam desenvolver uma intimidade com os textos utilizados junto a seus alunos e possuir justificativas claras para a sua adoção. E mais: precisam conhecer a sua origem histórica e situá-los dentro de uma tipologia. Essa intimidade e esse conhecimento exigem que os professores se situem na condição de leitores, pois sem o testemunho vivo de convivência com os textos ao nível da docência não existe como alimentar a leitura junto aos alunos". (Ezequiel Theodoro da Silva)

"A idéia de que crianças e adolescentes têm direitos – inclusive à felicidade, ao prazer e a uma vida digna – alterou a forma como elas se viam e o modo como eram encaradas pelos adultos. Isso gerou profundos debates e intensa mobilização social: governos, organizações da sociedade civil, empresas, indivíduos e meios de comunicação de massa passaram a discutir a implementação da lei. Assim, o tema ingressou de vez na agenda política do País". (Cleide de Oliveira Ramos)




ANDI lança pesquisa “Mídia e promoção da leitura literária para crianças e adolescentes”

A Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), o Movimento por um Brasil literário e o Instituto C&A lançam o documento “Mídia e Promoção da Leitura Literária para Crianças e Adolescentes – Uma Análise da Cobertura Realizada por 40 Jornais Brasileiros”. O lançamento foi realizado no último dia 6, como parte da programação da Casa Brasil Literário, durante a Festa Literária Internacional de Paraty, no Rio de Janeiro.

A pesquisa tem como foco traçar o perfil quantitativo e as principais tendências qualitativas da cobertura de temas relativos à leitura literária voltada ao público infanto-juvenil. Com o objetivo de contribuir para a qualificação da abordagem jornalística, foram analisados 1.489 textos dos principais jornais brasileiros entre os anos de 2008 e 2009. Além da análise inédita sobre a temática, serão realizadas ações de diálogo com as redações buscando ampliar a diversidade de informações e fontes à disposição dos jornalistas.

Para ter acesso à pesquisa basta clicar aqui!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Google não entende os livros, diz historiador Robert Darnton

O historiador norte-americano Robert Darnton não apenas é um apaixonado por livros, mas também um dos maiores defensores de bibliotecas do mundo. Diretor do gigantesco acervo da Universidade de Harvard (EUA), o pesquisador fez carreira estudando o universo literário do Iluminismo e do Antigo Regime. Atualmente, ele está à frente de um ambicioso projeto de digitalização de acervos. “O ideal é colocar os livros gratuitamente na internet. E pensar nos pesquisadores, não apenas os do presente, mas os que virão”, explica Darnton.

“Vai falar de novo sobre livros, querido? Prefiro esperar no saguão”, afirma a esposa do historiador, no saguão do hotel em São Paulo. E sobre livros Darnton falou por mais de uma hora: tratou do futuro das publicações, da ameaça do monopólio do Google e os problemas decorrentes das leis de direito autoral. Também comentou a nova pesquisa, as baladas revolucionárias cantadas na França iluminista. “Será meu próximo livro, sairá em formato convencional, mas as músicas estarão disponíveis no site da editora”.

O pesquisador terá jornada dupla na Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, que começou ontem (4/8): ele participará de duas mesas que tratam do futuro do livro. Antes de viajar a cidade fluminense, ele conversou com Opera Mundi.

Na introdução de A questão do livro, o senhor fala que se trata de um livro sobre livros e uma apologia à palavra impressa. Então, qual seria o lugar do livro no ambiente digital?
Os livros sempre existirão, seja ao lado de versões impressas, seja em versões digitais. O que provavelmente acontecerá é que conviveremos com os e-books e com os livros tradicionais por um bom tempo ainda, talvez para sempre. Os livros digitais podem nos trazer novas formas de ler e fazer livros, mas a verdadeira revolução acontecerá não apenas com os leitores digitais, mas está acontecendo agora, no momento em que falamos, com bibliotecas inteiras sendo digitalizadas, transformadas em arqivo pdf e tornando-se disponíveis para leitores e pesquisadores. A internet é a verdadeira mudança e nós, em Harvard, estamos trabalhando para que isso aconteça. No entanto, é um processo caro e trabalhoso, que depende bastante de investimentos.

O senhor diz que esta é uma época de transição de tecnologia. Estariam os leitores de livros eletrônicos fadados a desaparecer diante da internet?
Já tivemos este problema antes. Ou seja, já tivemos problemas ligados à tecnologia de preservação do livro antes – e continuamos tendo agora. Nos anos 1960, o microfilme parecia ser capaz de resolver todos os problemas das bibliotecárias. E sabemos que elas em geral estão sempre preocupadas com a falta de verba e a falta de espaço para armazenar os livros. Logo, o microfilme parecia uma solução genial, poderíamos armazenar quantidades imensas de livros ou jornais velhos em poucas prateleiras.

Hoje, pouco mais de 50 anos depois, vemos que os microfilmes mofam, estragam com facilidade. Frequentemente são mal filmados e estão fora de foco. Também são péssimos de trabalhar. Tenho um amigo que pesquisava com um saco antienjôo de aviões ao lado. Além disso, eles são caros. Estima-se que nas últimas décadas as bibliotecas norte-americanas “livraram-se” de 975 mil livros a um preço de 39 milhões de dólares. Os livros descartados foram comprados por livreiros-antiquários por migalhas e revendidos a colecionadores por preços exorbitantes. Os microfilmes estão se estragando.

Muito já foi perdido com programas de computador que mudam com uma velocidade impressionante. Quem hoje tem um disquete? Os CDs já se tornaram quase obsoletos. Os livros, que diziam que iriam se esfarelar ou pegar fogo com o tempo ainda estão aí, mesmo os impressos em papéis ruins, como os da Biblioteca Azul da França. Por isso, às vezes é melhor deixar os livros em paz. Ainda assim, acho que a tecnologia pode resolver o problema da volatilidade de programas em breve. O pdf é uma prova disso.

Livros impressos são pouco pirateados. O que pode acontecer em um ambiente digital?
Por toda a vida toda estudei o problema dos livros piratas, uma das questões que mais me diverte como pesquisador. Em Edição e Sedição (Companhia das Letras, 1992), analiso as edições pirateadas dos iluministas que circulavam na França pré-revolucionária. Rousseau teve livros piratas, Voltaire também, bem como Retif de la Bretonne, Marat ou até mesmo o Marquês de Sade. Era uma prática comum, mas ligada às tentativas de burlar o Antigo Regime. Edições pirateadas, como eram clandestinas, sofriam menos com as perseguições, apreensões e multas dos censores do que os livros impressos oficiais. E o sistema de copyright ainda não estava totalmente organizado, como o conhecemos nos dias de hoje. Então, algumas vezes, essas edições piratas eram as únicas de um determinado livro. Hoje a questão é outra, e as leis de direito autoral também. Então, se por um lado o copyright protege o autor e sua obra e isso é muito positivo, por outro, essas mesmas leis podem tornar sua obra inacessível, principalmente quando temos herdeiros envolvidos em disputas judiciais.

O senhor acredita que as leis que regulam o copyright podem atrapalhar o acesso ao conhecimento e educação? Não teriam essas leis se desviado da função de preservar a obra e o autor, para servirem a grandes corporações?
Sem dúvida. Nos Estados Unidos estão em jogo os lucros de Hollywood e Disney – indústrias poderosas. O copyright foi criando em 1710, na Grã-Bretanha, por meio do Estatuto de Anne. O objetivo era refrear as práticas monopolistas da London Stationer's Company, que reunia livreiros e editores. Na época, foi estabelecido pelo Parlamento que o copyright deveria durar 14 anos – um ano mais tarde, esse prazo pôde ser estendido. Eram 28 anos no total, com apenas uma prorrogação. As coisas foram mudando com o tempo e os prazos aumentando até que, em 1998, tivemos a Sonny Bono Copyright Term Extention Act, também conhecida como a Lei de Proteção a Mickey Mouse, porque o Mickey estava prestes a cair em domínio público e significaria um prejuízo de milhões de dólares à Disney. Então foi prorrogado o prazo dos direitos de copyright por mais 20 anos somando 70 anos após a morte do autor.Na prática isso significa cerca de um século para uma obra entrar em domínio público. Se direcionarmos a sociologia do conhecimento para o presente, como fez Pierre Bourdieu, veríamos que vivemos num mundo criado por Mickey Mouse; selvagem e inóspito. Eu prefiro viver numa sociedade regida pelos princípios iluministas, em que o bem público estaria acima do lucro privado. Tentamos mudar as coisas, mas há um longo caminho. Por isso, acho saudável a discussão que o Brasil está tendo sobre os direitos autorais. Os brasileiros, em temas importantes, como é o caso da discussão do copyright, estão mais avançados que nós, norte-americanos.

Não gosto de pensar em sociedades sem livros … lembra-me, estranhamente, de uma cena do filme Fahrenheit 451, dirigido por François Trauffaut e baseado na obra de Ray Bradbury, em que o bombeiro Montag lia quadrinhos sem palavras na cama. A edição e publicação de livros impressos reúnem elementos proibitivos, têm a força de derrubar governos e fazer revoluções. Teriam os livros digitais o mesmo poder?
A internet tem um força incrível. Consegue espalhar informações para os quatro cantos do mundo, sem que a força de fronteiras detenha o poder avassalador da palavra escrita. Mas não estou tão certo quanto a projetos como o Google Book Search. Quantos livros o Google conseguirá digitilizar? Cinquenta porcento do que é publicado, ou mais? Ainda assim, o que ficará de fora? Obras importantes e raras, que serão inevitavelmente esquecidas por não terem sido digitalizadas? Sei que o Google emprega muitos engenheiros em suas unidades empresariais, mas entre seus quadros de funcionários não existe nenhum bibliófilo ou historiador de livros. Nada sugere que os algoritmos criados pelos engenheiros para organizar as edições digitalizadas funcionem, pois apenas os padrões ditados pelos pesquisadores, como qual é a melhor edição de determinado livro, ou qual foi a última edição que Voltaire, um autor conhecido por mexer sempre em suas edições (um pesadelo para os editores, sem dúvida) é a que ele considerava a melhor etc.

Pesquisadores sérios precisam estudar e cotejar muitas edições em suas versões originais e não em reproduções digitalizadas que o Google organizará de acordo com critérios que provavelmente não terão relação alguma com o saber bibliográfico. Mas, ainda que isso consiga ser feito, a materialidade dos livros ainda é fundamental. De acordo com uma pesquisa recente entre os estudantes franceses, 43% consideravam o cheiro como uma das características mais importantes de um livro impresso. Assim como o tato, tamanho. Faz diferença um livro impresso em tamanho grande, ou num pequeno duodécimo, projetado para ser segurado com facilidade. Os leitores digitais e pdfs colocam tudo num mesmo tamanho padronizado.

Na verdade, o argumento mais forte afavor do livro impresso é a eficácia com os leitores comuns. Graças ao Google, pesquisadores podem fazer buscas, navegar, garimpar, colher, minerar, acessar deep links e realizar crawls (os termos variam conforme a tecnologia) em milhões de websites. Ao mesmo tempo, qualquer pessoa em busca de uma boa leitura pode pegar um volume impresso e folheá-lo sem dificuldade, saboreando a magia das palavras na forma de tinta sobre papel. Talvez, algum dia, um texto numa tela portátil será tão agradável aos olhos quanto uma página de um códice produzido há dois mil anos. Enquanto isso não acontece, digo: protejam as bibliotecas.

Fonte: OperaMundi