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quarta-feira, 31 de julho de 2013

8 motivos pelos quais o Facebook não é boa ideia para crianças


Brasil tem a maior taxa de crescimento no Facebook, com uma média de 10% a mais de novos usuários ao mês. Isso seria algo em torno de 20 milhões de pessoas que entram na rede social mais popular do planeta a cada 30 dias. Além do sucesso no Brasil, o Facebook já é um fenômeno mundial e, como quase qualquer tipo de moda, tem os seus problemas...
Por exemplo, o que dizer em caso de uma criança querer abrir sua própria conta no Facebook? Qual é a idade mínima recomendada? Adolescentes e crianças devem ser tratados igualmente? Enfim, são muitas perguntas e o OnSoftware selecionou oito razões para mostrar a você que o Facebook não é adequado para crianças. Confira:

1. Termos de Uso

Pouca gente sabe, mas os Termos de Uso do Facebook recomendam uma idade mínima para se usar a rede social: 13 anos. Parece muito, pouco, adequado? Não existe um consenso na internet sobre tal questão. Entretanto, é sempre bom levar em consideração o tipo de conteúdo que pode ser acessado por uma criança.
É impossível tentar criar uma conta no Facebook e usar uma idade que seja inferior aos 13 anos: uma mensagem é exibida dizendo que a ação não pode ser processada. Se uma criança mentir a idade e cometer algum tipo de delito digital, as consequências podem ser gravíssimas, inclusive para os pais.

2. Encontros indesejáveis

Pode parecer um chavão, mas é fato: o Facebook confirma a Teoria dos Seis Graus de Separação. Em resumo, tal teoria declara que, ao redor do mundo, são necessários um máximo de seis laços de amizade para que duas pessoas estejam ligadas.
No Facebook, é possível ver a ação de amigos, de amigos de amigos, de amigos de amigos de amigos e, finalmente, de desconhecidos. Agora, lembra do velho conselho que a sua mãe repetia sem parar? "Nunca fale com estranhos!".
- Por que deixar que seus filhos falem com estranhos na internet?
- Será que as crianças sabem dizer "não" em redes sociais?
- Você gostaria que estranhos soubessem tudo o que os seus filhos fazem no Facebook e fora dele?
Reflita sobre isso.

3. Conteúdo Inapropriado

Diferentemente de buscadores e outras páginas de conteúdo, o Facebook não dispõe de ferramentas de controle parental. Portanto, é um território propício para que as crianças encontrem praticamente o que quiserem, seja porque realmente estão buscando ou por acaso.
Além das atividades de pessoas estranhas, pode-se encontrar facilmente páginas de fãs ou grupos semitas, violentos, sexuais, torcidas organizadas e etc. Os resultados podem ser perigosos para a formação da criança.

4. Gramática e ortografia: para quê?

Triste mas verdadeiro: a geração do SMS, das redes sociais e demais tribos cibernéticas têm uma linguagem praticamente própria. Só que tal linguagem é inimiga mortal da boa escrita e leitura. E, acredite, dá desespero ver como a molecada escreve hoje em dia... Sem dizer, claro, que os mestres da literatura cometeriam suicídio em massa se vivessem em nosso tempo.
Tanto a gramática como a ortografia são absolutamente massacradas no Facebook. Tais faltas irão parar nas provas do colégio, no vestibular, na universidade, no trabalho...Enfim: incentive a leitura em detrimento ao Facebook e suas crianças serão muito mais felizes - e criativas!

5. Os RHs do mundo inteiro estão no Facebook

Tá na moda escancarar a privacidade. Tanto faz se tem gente que você nunca viu na vida sabendo de assuntos estritamente pessoais: o negócio é ser popular, alegre e jamais ter problemas no Facebook. Ou, você conhece alguém que não seja 100% feliz em redes sociais?
Pois é... O problema é que isso anda tão exagerado que já existem pessoas e empresas de Recursos Humanos especializadas em vasculhar perfis de candidatos em redes sociais. E, acredite: se uma delas encontra um perfil que foi criado para uma criança, o resultado não será nada agradável...
Tais empresas já olham o histórico do Facebook de alguns candidatos em até 5 anos retroativos. E não só por conta das fotos em baladas e raves enlouquecidas ou bebedeiras monstro. Existem também as atualizações de status, as piadinhas sexistas, as fotos picantes... E não é exagero! Agora, imagine a pergunta de um entrevistador a um candidatonuma entrevista de emprego: "Então, meu bom rapaz, quer dizer que você só abandonou as fraldas aos cinco anos de idade?". Que deselegante!

6. Tratamento de dados

Embora seja possível excluir completamente uma conta do Facebook e torná-la invisível, é praticamente impossível saber se estes dados estão seguros nos servidores da rede social. Recentemente, inclusive, uma notícia dava conta de que as fotos apagadas no Facebook podem ser acessadas por até três anos...
Melhor deixar isso para um adulto: uma criança não entende tais riscos e consequências - para elas, tudo isso é uma confusão enorme.

7. A vida de verdade é muito melhor

Uma criança tem coisas muito mais divertidas que fazer do que ficar no Facebook. Mesmo que seja nas grandes cidades, fechadas em seus condomínios semiabertos, brincar sempre foi muito mais divertido do que qualquer computador.
Procure centros cívicos, clubes de leitura, escoteiros mirins ou associações de bairro: lá, as crianças são muito mais felizes que no Facebook. Além disso, ficar muito tempo diante do monitor não faz bem para a vista.

8. Será que, quando adulto, seu filho vai querer ter um perfil no Facebook?

Pense na frente, no futuro e responda: qual é o principal motivo para você criar uma conta no Facebook para um bebê? Tem muita gente que já fez isso... Também tem muita gente que é "anti-facebook" - eu mesmo sou e minha filha também já começa a ser...
Um erro dos pais é decidir pelos filhos, acreditar que eles sabem o que é melhor para eles. Papo-furado: cada pessoa é diferente, inclusive os filhos. É muita pretensão da sua parte, pai ou mãe, acreditar que você vai decidir o que é bom para o rebentos. Então, cabe a eles escolher se querem ou não ter uma conta no Facebook.
Você concorda com estes pontos? Conhece outras razões? Compartilhe a sua opinião com a gente!
Fonte: http://artigos.softonic.com.br/facebook-criancas-proibido/ Felipe Pessoa 26/03/2012 [Inspirado no OnSoftware FR]

Korczak e seu papel na educação de crianças


Credito:
O respeito pelos direitos das crianças e a busca por uma educação promotora da autonomia dos estudantes foram constantes na atuação profissional de Janusz Korczak (1878-1942), considerado um dos pioneiros na prática de Jornal Escolar, ao lado de Célestin Freinet.

Os exemplos de Korczak mostram a educação como uma opção ética radical e a gestão democrática e a comunicação como partes essenciais do processo de aprendizagem. 
Aliás, tanto Freinet quanto Korczak apostaram no jornal impresso como aliado no processo educacional porque percebiam que os jovens tinham necessidade de expressar suas ideias.

Korczak também fundou o orfanato ‘Dom Sierot’ (A Casa dos Órfãos), na Varsóvia, em 1910, espaço que, após a Primeira Guerra Mundial, transformou em uma República onde as crianças tomavam todas as decisões coletivamente. Ferramentas como Código Moral, Conselho Jurídico, Cooperativa, Poupança, Empréstimo, Tribunal e o Jornal Impresso eram utilizadas na organização das atividades. A repercussão foi tão positiva que uma revista local da época (Nasz Przegrad, ou Nossa Revista) produziu uma edição infantil, organizada por Korczak, com contribuições de crianças de toda a Polônia, e com ‘remuneração’.

Em sua obra “Como amar uma criança” (1915) ele escreveu: “os cursos de jornalismo pedagógico poderão, talvez num futuro próximo, ser inseridos no programa de ensino nas escolas para professores”. O que ele chama de jornalismo pedagógico é, essencialmente, uma das áreas de intervenção da Educomunicação.

Janusz e as crianças do orfanato, precocemente, morreram durante a Segunda Guerra Mundial. Esta história é contada no filme “As 200 crianças do Dr. Korczak” (1990), de Andrzej Wajda, disponível no Youtube (migre.me/fCXGA).
Fonte: Jornal da Manhã 31/07/2013 (Texto publicado no blog Educom USP (educomusp.wordpress.com) com edição de Talita Moretto) 

Venda de livros cai 7,4% com governos comprando menos


A venda de livros caiu 7,36% no Brasil em 2012 na comparação com 2011, consideradas as vendas para o governo e para o mercado. Foram 470 milhões de exemplares em 2011, ante 435 milhões no ano passado.

Com isso, o setor editorial teve seu pior desempenho na década, encolhendo 2,64% --o faturamento passou de R$ 4,8 bilhões para quase R$ 5 bilhões, mas cresceu abaixo da inflação, de 5,84% (no índice IPCA).

Nos últimos anos, as editoras, que resistiram bem à crise internacional no setor em 2009, já vinham registrando crescimento cada vez menor. O mais recente levantamento anual do setor foi divulgado ontem pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e pelas entidades Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros) e CBL (Câmara Brasileira do Livro).

A maior queda foi nas compras por governos, que adquiriram 10% menos títulos no ano passado.

Se em anos anteriores as compras governamentais evitaram o encolhimento do setor, desta vez puxaram os números para baixo. Desconsiderada a aquisição pública, o faturamento das editoras foi 0,49% maior, em vez de 2,64% menor.

Leonardo Muller, coordenador da pesquisa da Fipe, explica que as compras do governo variam ano a ano conforme as séries escolares contempladas pelo maior programa do país, o PNLD (Plano Nacional do Livro Didático).

TÍTULOS
No setor como um todo, houve uma pequena redução no número de títulos impressos produzidos, de 58.193, incluindo novos e reeditados, para 57.473.

A pesquisa mostrou também que o livro no Brasil ficou 12,46% mais caro em 2012, após oito anos de queda no preço ou crescimento abaixo da inflação.

Descontada a inflação, o aumento foi de 6,25%. O preço médio na venda das editoras para as livrarias passou de R$ 12,15 para R$ 13,66. Segundo a Fipe, o preço deflacionado ainda é 41% menor que em 2004.

"Há uma queda acumulada há bastante tempo. Podemos levantar hipóteses para o aumento, como o preço do papel. É provável que a perda de margem das editoras tenha começado a ser reposta", diz Muller.

A pesquisa também abordou a produção de livros digitais. Em 2012, foram produzidos 7.664 e-books e aplicativos de livros, cujas vendas alcançaram 235 mil exemplares, com faturamento de R$ 3,9 milhões --menos de 0,01% do faturamento total do mercado.

METODOLOGIA
O levantamento da Fipe é realizado partir de dados informados por editoras, o que sempre torna os dados passíveis de questionamentos.

Com a chegada de multinacionais como Nielsen e GFK, que medem as vendas na boca do caixa das próprias livrarias, o Brasil deve ter números mais confiáveis nos próximos anos.
Nesta edição, 197 editoras participaram da pesquisa, dentro de um universo de 734 empresas do gênero no país.

Considerando que as principais editoras participaram, a amostra utilizada corresponde a 46% do faturamento do setor.

Fonte: Folha de S. Paulo 31/07/2013 Raquel Cozer

terça-feira, 30 de julho de 2013

A educomunicação como ferramenta de combate ao abuso e à exploração sexual

jornal feito pelos jovens
Falar sobre abuso e exploração sexual em sala de aula não é tarefa fácil, muitas vezes os professores têm dificuldades de trabalhar essa temática por se tratar de um assunto pesado e complexo.
Para contribuir nessa abordagem e ajudar a prevenir a violência sexual contra crianças e adolescentes um grupo de jovens paranaenses utiliza, desde 2006, a educomunicação como ferramenta. Eles fazem parte do projeto Navegando nos Direitos, desenvolvido pela Ciranda – Central de Notícias dos Direitos da Infância e da Adolescência, em Paranaguá (PR).
No projeto os jovens aprendem a produzir material informativo, como jornais, e vídeos sobre enfrentamento às violências sexuais contra crianças e adolescentes. Nos materiais eles dão dicas sobre como identificar sinais de abuso, como fazer denúncias, explicam um pouco sobre a rede de proteção e convidam a comunidade para ajudar e combater essa violência, e o melhor é que tudo é construído numa linguagem simples e dinâmica. “O projeto Navegando nos Direitos tem uma linguagem jovem para tratar do tema da violência sexual. Quando o adolescente entende o assunto é mais fácil alcançar outras pessoas, porque o jovem é um bom multiplicador. Além disso o uso de equipamentos como câmera de vídeo nas atividades é muito legal”, comenta Rhuani Vellozo, jovem participante do projeto.
Além de incentivar os alunos a entenderem essa problemática e envolvê-los no enfrentamento, o projeto também auxilia o trabalho de prevenção das escolas. A diretora do colégio Faria Sobrinho, Mirian Pereira, reconhece que falar sobre violência sexual usando as tecnologias faz muita diferença. “Quando o professor dá uma aula com o quadro e o giz, talvez ele não atinja todos os alunos, porque os jovens de hoje estão na era da tecnologia. Uma aula mais dinâmica e diferenciada traz mil motivos para que eles participem da discussão. Quando o aluno arregaça as mangas e vai para a prática tudo funciona melhor, o aprendizado e o resultado são sempre melhores quando o aluno aplica o que está aprendendo, que no caso é possível com as ações incentivadas pelo projeto.”
O projeto Navegando nos Direitos é patrocinado pela Petrobras e atua com um grupo de 20 jovens, representantes de cinco escolas da rede estadual de ensino de Paranaguá. Os jovens recebem formação em educomunicação e enfrentamento às violências sexuais e multiplicam as experiências na escola e na comunidade, construindo jornais, vídeos e diversos materiais de comunicação.
Os professores dos colégios envolvidos também recebem formação sobre educomunicação e enfrentamento às violências sexuais. A proposta é que a educomunicação seja uma constante aliada na abordagem dessa temática em sala de aula.
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>> Artigo escrito pela Central de Notícias do Direitos da Infância e Adolescência – Ciranda
>> Quer saber mais sobre educação, mídia, cidadania e leitura? Acesse o site
Educação & Mídia (Instituto GRPCom)

De volta para a escola


Umas das funções da escola é inserir a criança no mundo público --e essa é uma lição difícil para a criança - Rosely Sayão
Nos próximos dias, as crianças voltarão às aulas depois de um período de descanso. O melhor desse retorno é reencontrar os colegas, conviver e brincar com eles e até mesmo provocá-los. Isso também faz parte do relacionamento entre elas.
Durante as férias, em geral, as crianças ficam sem a rotina rigorosa que a escola impõe até mesmo fora de seu espaço. É que o horário escolar determina também os horários em casa. Horários para dormir, para acordar, para alimentar-se e para brincar, entre outros, são organizados pela família de acordo com o horário em que os filhos vão para a escola, não é verdade?
Além da retomada de uma rotina nem sempre agradável para a criança, retornam também as responsabilidades com a vida escolar: lição de casa, estudo para um bom aproveitamento, aulas particulares e outras atividades complementares. E voltam também a cobrança dos pais e as próprias da criança, é claro.
Por isso é que, depois das férias, independentemente da idade, a criança passa novamente por um período de adaptação. E, nesse recomeço, muitos pais enfrentam birras, recusas, mal humor, resistências e choros que atrapalham a retomada da rotina e o cotidiano familiar, sempre marcado por horários.
É preciso ter paciência porque é difícil mesmo para a criança passar de uma situação para outra quando a escolha não foi feita por ela. Quando ela está dormindo não quer acordar, quando está brincando não quer ir tomar banho e, quando está no banho, não quer sair. Haja paciência! Mas esse é mesmo o ingrediente mais importante quando se tem filhos.
Há também um ponto importante que nem sempre é considerado nessas horas difíceis para os pais, que podem achar que tudo não passa de manha dos filhos.
Como integrante da família, o filho é único, mesmo quando há irmãos. Todos os filhos são únicos na dinâmica familiar atual. E, acima de tudo, as crianças são o centro da família.
Agora, imagine, caro leitor, sair desse lugar privilegiado e passar a ser mais uma entre tantas outras crianças. Não, não é nada fácil para ela essa passagem do aconchego e da segurança do ambiente familiar para a impessoalidade do mundo público. Essa é uma das funções fundamentais da escola. Aliás, essa é uma das lições mais difíceis para a criança: a entrada no mundo público. Difícil, mas absolutamente necessária.
Na experiência de ser mais uma, a criança tem vantagens e desvantagens. Ela vivencia, por exemplo, relacionamentos em que o afeto não é o eixo central. Por mais que isso possa parecer ruim, saiba, leitor, que é muito bom! Os afetos familiares são fundamentais, mas também pressionam, exigem, cobram. Livrar-se deles por um período do dia é estruturante também para a criança.
Por outro lado, participar de um grupo de adultos e de pares que a criança não escolheu pode ser incômodo. Mas assim será a vida dela num futuro próximo e, por isso, é tão importante que ela aprenda a viver por conta própria no ambiente social.
É por isso que muitas crianças expressam, de maneiras diversas, algum desgosto no retorno às aulas. E é por isso também que os pais precisam ser pacientes, compreensivos e amorosos na situação, porém firmes e confiantes de que o filho conseguirá superar sua dor. E a escola deve realizar essa transição docemente.
Aprender e crescer doem, mas ninguém deve permanecer na infância além do tempo próprio dela, não é?
Fonte: Folha de S. Paulo 30/07/2013

Inscrições para 14ª turma dos Novos Talentos O POVO prosseguem até 12 de agosto


Prossegue até 12 de agosto o prazo para que estudantes de jornalismo da cidade de Fortaleza, e que estejam cursando a partir do 4º semestre, inscrevam-se no processo seletivo da 1ª turma do curso Novos Talentos O POVO, com início em setembro.  

Criado em 2007,  a iniciativa é realizada pelo jornal O POVO (CE) em parceria com a Fundação Demócrito Rocha (FDR), organizada pela Universidade Corporativa O POVO (UniOPOVO). 

A seleção é realizada duas vezes por ano, no primeiro e segundo semestres e consta de p
rovas de Língua Portuguesa, Redação e Conhecimentos Gerais (memória, atualidades locais, nacionais e internacionais) na primeira etapa da seleção. Na página www.opovo.com.br/novostalentos é possível fazer o download das provas anteriores.

No decorrer do treinamento, os estudantes têm a oportunidade de conhecer a rotina das redações dos diversos meios de comunicação (jornal, rádio, TV e Portal), participando também de oficinas e cursos com jornalistas do Grupo e professores contratados.

Hoje, vários jornalistas e estagiários do jornal são egressos do Novos Talentos. Durante o curso, os participantes recebem assinatura do O POVO; certificação do curso (caso cumpra frequência mínima de 75% e tenha nota mínima de 5 em todas as atividades e disciplinas de que participar durante o curso); seguro de vida; vale-transporte e alimentação.

O aluno que atender todas as exigências e obtiver certificação do curso poderá aproveitar como atividade curricular de Estágio Supervisionado, a critério da instituição na qual faz o curso de graduação. 

Calendário – 14ª Turma Novos Talentos
  

  • Período de inscrição da 14ª turma: a 12/08/2013 - Até 14h.
  • Divulgação dos selecionados para a prova escrita: 13/08/2013.
  • Prova escrita: 14/08/2013.
  • Divulgação dos selecionados para a entrevista com área de Recursos Humanos (RH): 23/08/2013.
  • Entrevista com Recursos Humanos: 27/08/2013 e 28/08/2013.
  • Divulgação dos selecionados para o Ciclo de Palestras: 09/09/2013
  • Ciclo de Palestras: 11/09/2013 a 19/09/2013
  • Entrevista com o coordenador do curso e com a UniOPOVO: 20/09/2013.
  • Divulgação do nome dos selecionados para participar do curso: 20/09/2013.
  • Início do curso: 25/09/2013.
  • Conclusão do curso: 20/12/2013. (Fonte: Ass.Imprensa/O POVO)

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Educação é prioridade para 80% dos jovens brasileiros, diz estudo


A juventude ibero-americana de hoje é, em termos gerais, otimista sobre seu futuro, valoriza a educação, mas confia pouco nas instituições. Já o jovem brasileiro coloca a qualidade da educação como prioridade, é mais aberto quando o assunto é controverso e confia mais nas instituições que os outros jovens ibero-americanos.
Os dados foram apresentados em pesquisas divulgadas nesta semana. Uma delas foi feita pela Organização Ibero-Americana de Juventude (OIJ), que ouviu mais de 20 mil jovens. O objetivo do estudo, intitulado "O Futuro já Chegou", é ampliar o conhecimento sobre os jovens através das opiniões das mais de 150 milhões de pessoas de entre 15 e 29 anos que vivem em mais de 20 países ibero-americanos, o que representa 26% da população total.
Para Luis Alberto Moreno, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento – instituição que também participou da pesquisa –, investir na juventude é escutá-la e decifrar suas mensagens.
“Estamos diante de uma juventude que não se conforma, que pede melhores oportunidades, melhor qualidade de educação, de saúde, de instituições e oportunidades de emprego e de empreendimento”, afirmou Moreno durante o lançamento da pesquisa. Para ele, os recentes protestos que tomaram as ruas do país com grande participação de jovens revelam que os jovens reconhece a importância da sua participação para a construção do futuro.
Outro aspecto apontado pela pesquisa é a presença da violência na vida do jovem. Segundo os dados, os brasileiros são os que mais reconheceram esse problema no seu ambiente. Apesar disso, o jovem brasileiro se mostrou mais aberto em relação a questões mais controversas, como aborto, legalização da maconha e a acolhida de imigrantes. Segundo o estudo da OIJ, cerca de 40% dos jovens brasileiros têm uma visão oposta à dos pais em relação a esses temas.
Educação melhor
Cerca de 80% dos jovens brasileiros consideram a educação uma prioridade, resultado 4,75 pontos superior ao registrado entre os mais velhos, segundo pesquisa da Secretaria de Assuntos Estratégicos da presidência da República divulgada também nesta semana. O estudo ouviu mais de 11 mil jovens antes da eclosão dos protestos que ocuparam as ruas de várias cidades do país.
Em relação aos jovens de outros países ibero-americanos, o brasileiro respondeu de forma mais negativa que todas as outras regiões. Cerca de 40% deles, por exemplo, disseram que o ambiente escolar é violento. Ao mesmo tempo, pouco menos de 10% afirmaram que o ambiente escolar é exigente academicamente.
Para o secretário-geral da OIJ, Alejo Ramírez, a educação é uma demanda clara da juventude. “O melhoramento dos processos educativos, tanto no ensino médio quanto na universidade, é uma demanda clara e precisa dos jovens ibero-americanos”, disse Ramírez à Deutsche Welle Brasil. “Eles sabem que a educação é o único jeito de garantir algum sucesso na vida profissional”.
Essa também é a visão de Bruno Vanhoni, assessor internacional da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) da Presidência da República. Ele disse à DW Brasil que o modelo do ensino médio brasileiro é pouco atraente para os jovens. “É um debate que vem se arrastando há alguns anos e tem ganhado força”, disse, ao se referir às propostas de reformulação do currículo e das metodologias adotadas hoje no ensino médio.
Apesar das críticas ao sistema educacional, a universidade aparece na pesquisa da OIJ como a instituição mais confiável na opinião dos jovens. “É um espaço de aspirações porque nem todos vão chegar à universidade, mas se eles estão falando que a instituição com a melhor imagem é a universidade, então há uma vinculação entre a educação e o futuro dos jovens”, explicou Ramírez.
Expectativas
Com a pesquisa da OIJ, foi possível estabelecer um índice de expectativas, que funciona como uma espécie de ranking que mede o grau de perspectiva positiva ou negativa dos jovens de cada país a respeito dos próximos cinco anos. O índice – baseado em variáveis subjetivas – serve para complementar dados objetivos, como o PIB (Produto Interno Bruto), para fornecer mais subsídios na construção de políticas públicas para a juventude.
Para construir o índice, os jovens atribuíram uma nota de 1 a 10 para itens como corrupção, emprego estável, desigualdade, etc. Segundo o estudo a OIJ, os jovens de Equador, Costa Rica e Nicarágua são os mais otimistas. Brasil, Guatemala e Portugal têm a visão mais negativa sobre o futuro.
Apesar das respostas negativas sobre o futuro, o jovem brasileiro é mais engajado, segundo a pesquisa. “O brasileiro tem um perspectiva não necessariamente otimista sobre o futuro, mas tem melhor vinculação com as instituições que outros jovens da América Latina e esses são pontos [que podem servir] para aprofundar a análise da situação dos jovens brasileiros”, aponta Ramírez.
O índice de confiança que o jovem brasileiro tem em relação às instituições – incluindo os meios de comunicação, a justiça e a polícia – é maior do que a média ibero-americana, mas ainda é um índice baixo (entre 20% e 30%), na visão de Bruno Vanhoni. “Essas reivindicações apontam para reconhecimento do papel das instituições, eles e estão cobrando dessas instituições que elas cumpram seu papel.” 
Fonte: Deutsche Welle 28/07/2013

“Espelho, espelho meu...”

Foto: “Espelho, espelho meu...”
    A Psicologia tem buscado
    enfatizar o crescimento 
    saudável e a criação de 
    espaço para a expressão 
    do ser. Por outro lado, a 
    escola ocupa praticamente 
    metade do tempo (ou mais) 
    de uma criança ou 
    adolescente. 
    Por isso, é importante que 
    os educadores estejam 
    atentos  para que a escola 
    não seja apenas um lugar 
    com finalidade de cumprir
    programas, mas também para trocas que contribuam à 
    formação da identidade e à construção de uma autoestima
    saudável. O Programa Jornal, Escola, Comunidade, 
    desenvolvido pelo jornal A Tribuna, de Santos/SP, 
    entrevista a especialista Beatriz Acampora (*), autora do livro 
    Autoestima – práticas para transformar pessoas.

    Por que a Psicologia tem enfatizado a importância da 

    autoestima no processo educativo?

    A educação é a base de tudo e ela começa em casa, nas 

    relações íntimas familiares, nas construções das regras, 
    dos papéis sociais,  do valor que as pessoas têm na vida 
    umas das outras, no cuidado diário em oferecer atenção 
    às necessidades daqueles seres que  estão em formação: 
    crianças e adolescentes. A escola é o palco onde a 
    socialização se dá efetivamente na vida da criança, onde 
    ela começa a lidar com grupos grandes, a dividir espaço, a 
    compartilhar deveres, tarefas e objetivos. É importante que 
    este espaço tenha uma atenção voltada para a formação 
    da  autoestima  das crianças e adolescentes que 
    compartilham  seus ambientes,  pois os acontecimentos 
    da escola têm um impacto direto na  vida deles.

    De que forma isso é um facilitador na aprendizagem?

    Uma criança com boa autoestima tende a se interessar por

    si mesma, a fazer escolhas que não a prejudiquem, respeita 
    seus limites e os limites dos colegas, consegue superar os
    desafios, ser mais resiliente diante das dificuldades, é mais 
    persistente e luta pelos seus objetivos. Na aprendizagem, 
    isso é um grande facilitador para que a criança ou 
    adolescente crie estratégias para os estudos, mesmo 
    nas disciplinas em que têm mais dificuldades. O professor 
    precisa estar preparado para lidar com os alunos nesse 
    sentido, tanto de baixa autoestima  quanto de 
    supervalorização.

    De que forma proceder?

    Em primeiro lugar, o próprio professor deve ter uma boa 

    autoestima, pois o modo como nos relacionamos com as
    pessoas apenas retrata como lidamos conosco. 
    Um professor com baixa autoestima dificilmente conseguirá
    incentivar seus alunos a desenvolver uma boa autoestima. 
    Não porque ele não queira, mas porque seus 
    comportamentos, suas palavras sempre o trairão. 
    A postura do professor deve ser de observar, 
    compreender, acolher e  oferecer recursos e estratégias 
    para mudanças em conjunto com a criança e com a família. 
    É importante buscar compreender qual a intenção positiva 
    por trás do comportamento da criança, ou seja, o que ela 
    está tentando sinalizar com seu comportamento, mesmo 
    que em um primeiro momento ele pareça inadequado.

    Por que a escola é essencial na construção da 

    identidade e do autoconceito?

    A escola não é a única responsável pela autoestima das 

    crianças e jovens, mas ela tem um papel essencial. É na 
    escola que surgem a competitividade, a inserção em grupos 
    distintos da família, a busca pela adequação e adaptação 
    social às regras que valem para todos, como uso de 
    uniforme, convívio social, cumprimento de horários de 
    entrada, saída, lanche. É preciso ter um olhar atento 
    ao modo que as crianças e jovens expressam seus 
    sentimentos, às padronizações de  estereótipos, para
    que a construção da identidade e do autoconceito 
    sejam saudáveis. É preciso ter espaço para olhar o ser.

    (*) BEATRIZ ACAMPORA É MESTRE EM COGNIÇÃO E 

    LINGUAGEM, ESPECIALISTA EM PSICOLOGIA, 
    COMUNICAÇÃO E SAÚDE, PSICÓLOGA, JORNALISTA E 
    PROFESSORA DA UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ. 
    É AUTORA DE DIVERSOS LIVROS PELA WAK EDITORA. 
    Fonte: Jornal, Escola, Comunidade/ Autora: Carolina Morgado Viana (
    http://hotsites.atribuna.com.br/atribuna/jornalescola/noticias.asp?idConteudo=1421&categoria=3)

Concurso de Contos - Brincar de Ler



O Concurso de Contos Brincar de Ler, realizado entre os meses de abril e maio, na página do Facebook do Instituto Ecofuturo, recebeu mais de 30 textos com o tema: “Ler com e para crianças”.
Conheça sete contos premiados nessa edição, que já receberam dois livros de literatura publicados pela Editora FTD, e 01 Passaporte Pra Qualquer Lugar do Mundo, do Instituto Ecofuturo:
MENINO ENCANTADO
Bruna de Faria

O menino se observa no espelho. Não vê um menino, vê o príncipe, vê o dragão, aviador ou o porquinho. O menino tem sorte, pertence a diversos mundos. O menino é livre de paredes e muros, o menino pensa. Há quem diga que não é nada disso. Um sujeitinho franzino, de joelhos ralados e olhar carente. Mas pode escolher onde viver, ainda que não more em um lugar tão bonito, o menino o cria. Cria com a mente, depois das nove da noite. Sua mãe que trabalha o dia todo se torna nesse instante feiticeira aos seus olhos. Sai do trabalho em busca de seus artifícios mágicos: os livros. Lê e relê, ensaia. E imagina o sorriso ou disfarce quando mudar aquele finalzinho triste. O encontra curioso, seu corpinho já cansado, enrola-se no cobertor. A fantasia se instaura. E o menino dorme, imaginando o que poderá ser e será, porque o menino lê e ouve, a magia já existe.

LENDO PARA A FILHA 
Isaque Cipriano

Quando ele, exercendo a sagrada função de pai, e ela, a filha tão amada e desejada, abriram um livro de contos, começaram uma imensa viagem pelo conhecer. Cada página virada era um novo mundo tornava-se tão real para os dois que esqueceram por completo o ambiente onde encontravam-se. No final, eles, heróis de seus próprios contos, venceram os inimigos e de mãos dadas retornaram do imaginário ao real, felizes com o final feliz. No conforto do lar, o pai diminuiu a luz do abajur, cobriu a filha e beijou sua testa, desejando bons sonhos. Um sorriso acompanhou a menina durante o sono e descansaram, certos que aquela noite fortaleceu a relação dos dois. O conhecimento daquela noite acompanharia ambos e as lições aprendidas acrescentariam importantes valores à vida daquela pequena menina.

IMAGINAÇÃO AGUÇADATatyanne Valdez

Ana tinha cinco anos e uma imaginação que era aguçada sempre na hora que eu lia uma história. Ela ficava fascinada e dizia: Tem tudo isso dentro do livro! Adorava quando eu fazia as vozes dos personagens ou imitava os sons dos bichos. Um dia fiz uns fantoches de galinha com potes de iogurte e papéis coloridos para eu contar uma história. Quando eu mostrei o livro para Ana, ela veio com uma resposta rápida: A tia já leu essa história, eu já conheço! Retruquei imediatamente: Ah, mas hoje vai ser diferente os personagens estão aqui! Ana com aquela alegria de pequena amante de livros disse: Que legal, nunca vi uma galinha sair de dentro do livro! Hoje, Ana está com oito anos e compartilhamos o momento da leitura e do ouvir as histórias juntas. Várias vezes nos perdemos no tempo e no espaço, passando horas viajando nas páginas dos livros infantis.

UM PIQUENIQUE DE HISTÓRIASLéla Mayer

João simplesmente não gostava de ler. Certo dia sua mãe teve uma ideia. Combinou com suas amigas um piquenique diferente, onde o lanche servido seriam livros. Num dia ensolarado as mães se encontraram e com mantas coloridas e cestas recheadinhas de livros, convidaram seus filhos para participar do piquenique. As crianças começaram timidamente a se encontrar com aqueles outros amigos que moravam em lugares tão distantes, dentro das páginas dos livros. Entre os livros espalhados sobre a grama verdinha, João encontrou um livro de mitologia. O menino amava personagens mitológicos e naquele dia descobriu onde muitos deles moravam. João ficou tão encantado que convidou seu melhor amigo para ler junto com ele. Os meninos, lá deitados na grama, nem perceberam o tempo passar. Quando o sol baixou, João e seus amigos combinaram um novo piquenique de histórias.

PORTAL DOS SONHOS
Aryane Silva

Eduardo sai pela casa, procurando o avô. O encontra na cozinha, tomando café. - Vô, preciso te pedir uma coisa! - diz o menino, enquanto puxa uma cadeira para sentar ao seu lado. - Claro meu neto, sou todo ouvidos! - Será que hoje podemos ajudar meu amigo príncipe a tirar a Belinha lá da torre? - pergunta o menino, aflito. - Vamos resolver isso agora, Dudu! Vá lá e pegue o nosso “portal dos sonhos”. Eduardo corre até o quarto, pega um livro que estava na cabeceira. Volta para a cozinha e escuta o avô chamá-lo na sala. Ele senta no sofá, entrega o livro ao avô, que começa a ler a história, de onde parou na noite anterior. Minutos depois, Eduardo adormeceu. O avô fecha o livro e sorri. - Essa crianças e seus livros... Nem me viu salvar a Belinha!
O TONEL
André Foltran
Fui eu que dei o seu primeiro livro, uma edição bem surrada de O TONEL ENCANTADO, de Beatrice Tanaka. Eu não era tão maior do que ela quando o li, encantado, pela primeira vez. Bia adorou, me pediu que o lesse de novo, e de novo... Tantas vezes li que já era eu parte da história, o próprio toneleiro a buscar sempre mais e mais. Quando fui visitá-la no hospital, tempos depois, ela estava bem forte. Conversamos muito, logo o tempo de visita acabou. Já ia embora quando ela me chamou; o livrinho nas mãos - amarelado, já sem capa... – Leve; mas é nosso. Dias depois se foi, ser anjo no céu. Hoje, passado anos, retorno novamente à nossa história. O final, como sempre, é como um soco seguido de um beijo: "Bang! O tonel estoura em mil pedacinhos."
 
GRAÇA ALCANÇADA
Bianca Leão
Certa vez enquanto brincavam, dois irmãos se desentenderam e começaram a agredir um ao outro. Sua mãe, que teve um longo e exaustivo dia de trabalho, só teve forças para separá-los, naquele momento. Foi então que ela fechou os olhos e começou a rezar, pedindo a Deus que lhe desse sabedoria para lidar com aquela situação novamente. Quando abriu seus olhos, a primeira coisa que viu foi um livrinho infantil. Ela o pegou, pediu aos filhos que se sentassem ao seu lado e começou a ler em voz alta. Os garotos ficaram em silencio, prestando atenção na história que falava sobre amigos de verdade. Aquela situação desagradável de conflito, havia se transformado em um maravilhoso momento de prazer e união familiar. Desde então, os irmãos passaram a ser amantes dos livros e da leitura. E a mãe, toda orgulhosa, estava imensamente agradecida a Deus, por conceder-lhe mais esta Graça.

Ex-empregada doméstica já ajudou a formar mais de 12 bibliotecas comunitárias

Vanilda de Jesus Pereira

Há 37 anos, quando Vanilda de Jesus Pereira ainda não tinha 14, vir de Confins a BH era uma verdadeira viagem. Não havia essa de Linha Verde. Era quando ela deixava a casa dos pais, na cidade da região metropolitana, para trabalhar como doméstica na capital, onde nasceu. Tinha o primeiro grau (ensino fundamental) completo e, além do trabalho da casa, lia o jornal para a patroa e orientava a filha da mulher com os trabalhos de escola. Uma noite, depois de ajudar a criança a fazer o resumo de uma obra literária, levou o livro para ler no quartinho quente e apertado.

“Por incrível que possa parecer o livro era Escrava Isaura. A obra, escrita pelo romancista mineiro Bernardo Guimarães (1825-1884), pertencia à biblioteca da casa. Mal Vanilda começou a leitura, a patroa apareceu, enfurecida. “Com ordem de quem você pegou o meu livro?” Na mesma noite a demitiu e, se ainda estiver viva, não sabe o bem que fez a milhares de pessoas, além de mudar a vida daquela menina. Vanilda foi para a rodoviária. Não havia mais ônibus naquele dia para Confins e ela dormiu nos jardins do terminal.

No dia seguinte, foi à Livraria Amadeu, o mais famoso sebo de BH, então na Galeria Ouvidor. “Comprei dois livros, Escrava Isaura e Éramos Seis – este da escritora paulista Maria José Dupré (1898-1984).” O pai, lavrador, era evangélico e praticamente obrigava a filha a segui-lo na opção religiosa. “Ora, se eu pagava 10% do ganhava à Igreja, por que não gastar mais 10% com livros? Arrumei outro emprego e passei, então, a comprar dois livros por mês. Eu me tornei uma devoradora de literatura.”

Valnilda lia e emprestava a quem pedisse, sem esperar pela devolução. Deixou Confins e foi morar na pequena favela que havia no entorno do viaduto do Anel Rodoviário no Bairro São Francisco. Já com quatro filhos e solteira, sofreu um AVC. “Não pude mais trabalhar como empregada. Então, pedi a um vizinho que adaptasse um pedaço de ferro afinado na ponta de um cabo de vassoura e fui para as ruas catar papelão para sustentar os filhos.”

Não era raro achar um ou outro bom livro no lixo. Um dia, no entanto, em uma calçada da Pampulha esbarrou em um monte de livros, entre os quais enciclopédias. “Perguntei ao morador mais próximo se era dele. Respondeu que era lixo mesmo. Lixo cultural, claro. O que dei conta, botei na cabeça. Mas apareceu um taxista solidário. E ele me ajudou a levar todos aqueles volumes para a favela.” Os livros encheram o barraco. “Em cima da cama, debaixo do fogão, em todos os lugares. E cuidei de etiquetar todos.”

Nasceu a primeira biblioteca formada por Valnilda. E, ao contrário da daquela primeira patroa, ela abriu o acervo a toda a comunidade. Mas não era apenas livro o que Vanilda recolhia. Crianças sem pai, sem mãe e sem rumo também. “Com os meus quatro, posso dizer que tenho 48 filhos”. Em todos os fins de ano, os meninos escreviam cartas pedindo brinquedos e roupas, que ela entregava a empresas. Por isso, sofreu a maior carga de preconceito, e da polícia.

“Havia várias pessoas com carros modernos estacionados na beira da favela. Eram empresários que foram fazer doações. Um carro da PM parou e os militares foram logo perguntando se era um sequestro.” De tanto acumular livros, doados, achados ou comprados, etiquetados e arrumados, Vanilda virou referência. A ajudou a criar bibliotecas nas cidades de Confins, São Joaquim de Bicas, São Francisco, Berilo, Nanuque, Salinas, Posto da Mata (BA), Monte Azul, Sabará, Mato Verde, entre outros, e nos bairros Cachoeirinha e Céu Azul, em BH. No São Francisco não há mais: a favela foi erradicada para obras da Avenida Antônio Carlos.

A mais nova biblioteca de Vanilda é no Bairro Paquetá, na Pampulha, onde mora. É uma casa humilde, com todos os cômodos tomados por prateleiras repletas de livros, a maioria doada. Romancistas, poetas, pensadores, personagens de quadrinhos e tantos outros do universo da literatura convivem à espera de quem se interessa pelo conhecimento. A casa está sempre de portas abertas e Vanilda está a postos, solidária com quem precisa de ajuda, como marcar uma consulta no SUS, conseguir uma ambulância e até para um curativo de emergência.

Ela ganha a vida como cuidadora de idosos. É para os que não podem pagar pelo serviço ela faz um sopão, todos os fins de semanas, e distribui marmitas. Doações de alimentos e obras literárias chegam a toda hora. E nem é preciso chamá-la. Basta deixar na porta. “Quantas mulheres já tirei da prostituição, das drogas. Basta você sorrir para alguém e terá a certeza de que Deus existe. E naquele mundo de livros, aparece Maria Eduarda, de 6 anos, filha de coração de Vanilda. É uma pequena devoradora de literatura infantil. “Ler é muito bom”, diz com pose de quem sabe do que está falando.

Fonte: Estado de Minas 20/07/2013

Presidiários recebem programa de incentivo à Leitura

Esta semana, a Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso instituiu no âmbito das unidades prisionais do Estado o programa “Remição pela Leitura na Prisão”. A iniciativa, validada pelo corregedor-geral da Justiça, desembargador Sebastião de Moraes Filho, atende ao disposto na Lei de Execuções Penais no que se refere à assistência educacional aos reeducandos custodiados nas nessas unidades. 

Conforme o magistrado, a assistência educacional é um dos alicerces para a reinserção dos reeducandos na sociedade, sendo dever do Estado propiciar condições de desenvolvimento intelectual no sistema carcerário. O programa “Leitura na Prisão” possibilita a remição da pena do reeducando em regime fechado e semiaberto. O reeducando interessado participará da iniciativa de maneira voluntária. 

Ele terá o prazo de 21 a 30 dias para a leitura de uma obra literária, apresentando ao final do período uma resenha de próprio punho a respeito do assunto, possibilitando a remição de quatro dias de sua pena por obra lida e resenhada. Uma comissão formada para esse fim avaliará a resenha feita pelo reeducando.Ao final de até 12 obras lidas e avaliadas, o reeducando terá a possibilidade de remir até 48 dias, no prazo de 12 meses.

Fonte: MT Agora - 18/07/2013

Projeto pretende estimular leitura de poesia nos ônibus em Salvador

Leitura ônibus SalvadorDurante um mês, a poesia vai acompanhar os passageiros de algumas linhas de ônibus na capital baiana. Através do projeto 'Palavras Passageiras', os usuários vão poder ler poemas de 15 poetas baianos mais Fernando Pessoa e seus heterônimos.

A iniciativa, da produtora cultural Domínio Público, será realizada experimentalmente até o dia 21 de agosto em 30 ônibus da viação Rio Vermelho, que fazem seis linhas: Aeroporto/Praça da Sé, Pero Vaz/Lapa, Vila Rui Barbosa/Engenho Velho de Brotas, São Joaquim/Marback, Mata Escura/Pituba e Mussurunga/Lapa. A proposta é estimular a leitura de poesia entre os conterrâneos de Gregório de Mattos. O projeto é apoiado pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Transporte (Semut).

Os poemas devem permitir uma leitura rápida, com tamanho máximo de 20 linhas e um lirismo leve, informa o curador do projeto, o poeta João Filho. "O projeto Palavras Passageiras diversifica a forma de contato com a poesia, que tradicionalmente se dá pelo livro, possibilitando uma maior popularização desse gênero literário", diz.

Por se tratar de uma iniciativa voltada ao transporte público municipal, a prioridade é expor a obra poética de artistas locais, além de clássicos universais, explica o diretor da Domínio Público, Reinorf Duarte. "É uma iniciativa simples, sem custos para a prefeitura, que facilita o acesso das pessoas à poesia, podendo ainda ter o efeito de proporcionar um momento de reflexão e prazer", afirma o secretário municipal de Urbanismo e Transporte, José Carlos Aleluia.

De acordo com Duarte, a ideia é que o projeto seja autossustentável e ultrapasse o período experimental. “Estamos lançando uma mídia com viés cultural, a Artdoor, que tem o objetivo de ser um canal de divulgação da poesia, mas também poderá ser associado a marcas. Durante esse período experimental, estaremos realizando uma pesquisa para identificar o interesse dos passageiros pela nova mídia para torná-la viável também comercialmente”, explica.


Fonte: Correio (BA) 20/07/2013

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Seminário sobre Lei de Responsabilidade Educacional acontece dia 12 de agosto em São Paulo


Arquivo Público de SP oferece curso online para profissionais que atuam na Educação Básica


O Núcleo de Ação Educativa do Arquivo Público de São Paulo oferece o curso online "Os usos de documentos de arquivo em sala de aula" para para profissionais que atuam na Educação Básica.

O curso acontecerá de 01/09 a 10/11 com três encontros presenciais, totalizando 50 horas (40 horas presenciais e 10 à distância). Inscrições de 22 de julho a 11 de agosto. Mais informações: www.arquivoestado.sp.gov.br/difusao/oficina_pedagogica.php

Estudo sugere uso de SMS no ensino


Segundo pesquisa elaborada pela Unisinos, ferramenta pode ser melhor aproveitada na academia
O uso de SMS como apoio ao ensino presencial tem excelente aceitação entre estudantes, de acordo com estudo realizado pela Unisinos. Desenvolvida durante o último mês do semestre letivo, em cinco disciplinas, de quatro cursos, na área de Administração, a pesquisa envolveu 113 estudantes que se inscreveram de forma voluntária, fornecendo seu número de celular. O grupo recebeu de três a quatro SMS por semana, em horário comercial e em dias úteis, com conteúdos como avisos das provas, reforço de conteúdo e até estímulo motivacional. Ao final, foi aplicado um questionário impresso para julgamento da experiência.
Apesar de unidirecional – uma vez que somente professores enviavam mensagens, os alunos não podiam respondê-las ou enviar perguntas –, o estudo obteve grau de satisfação elevado, conforme os organizadores. A iniciativa foi classificada como diferente (30%), boa (18%) e importante (16%). A maior parte dos participantes (55%) tinha até 25 anos, ou seja, era um grupo predominantemente jovem e, também, feminino (73%).  Apesar de usar SMS diariamente ou a cada dois dias (83%), apenas quatro alunos já haviam utilizado essa forma de comunicação em alguma atividade ligada ao ensino ou à aprendizagem.
Os participantes destacaram características como fácil uso e utilidade da ferramenta para a disciplina cursada, e concordaram que pode ser empregada em outras matérias. Ainda na opinião dos entrevistados, ajudou a transformar tempos de espera em momentos produtivos. A principal vantagem apontada foi que o uso do SMS ajudou a lembrar, fixar ou memorizar conteúdos. Também ajudou a lembrar de compromissos, como provas e trabalhos; e incentivou a participação na disciplina e a informação prévia para as aulas. Dessa forma, a pesquisa sugere o uso do SMS como um apoio de informação ou motivação ao ensino. 
A pesquisa foi realizada pelos professores Amarolinda Zanela Klein (organizadora), José Carlos da Silva Freitas Jr. e Jorge Barbosa, com apoio da Zenvia, que forneceu a solução de SMS utilizada para a experiência de aplicação ao ensino. Os resultados do estudo, publicados no artigo ‘M-learning na prática: o uso de SMS para ensino e aprendizagem na graduação em Administração’, serão apresentados no 37º Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (Anpad), em setembro, no Rio de Janeiro. 
Fonte: Coletiva.Net 25/07/2013

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Muito além da leitura de jornal


Flávia Aidar
Flávia Aidar
O jornal não deve ser entendido como uma “matéria” ou “disciplina” na escola, mas como uma fonte de informação para qualquer disciplina. A opinião é de Flávia Aidar, gerente de Projetos Educativos do Itaú Cultural, que desde 1982 utiliza o jornal como recurso pedagógico.

Bacharel em História pela USP (Universidade de São Paulo), Aidar foi responsável, em 1993, pela implantação e coordenação do Programa Folha Educação, do jornal Folha de S.Paulo. Atualmente, colabora na edição do Jornal Folha Educação com 4 edições anuais, que auxilia o professor a utilizar o jornal na sala de aula. Nesta entrevista, ela fala dos benefícios de se trabalhar com o jornal e fornece alguns exemplos aos educadores.

Como surgiu seu interesse pelo jornal como recurso pedagógico?

Flávia Aidar — Desde 1982, quando era professora de história da 8ª série do Ensino Fundamental na Escola Vera Cruz (SP), consideramos a possibilidade de trabalhar com jornal pedagogicamente. Conversamos então com um jornalista (Pacheco Jordão, pai de aluna da escola) e começamos a desenvolver uma metodologia própria de como trabalhar com jornal na sala de aula. Mais tarde, já em 1992, fui convidada pela Folha de S.Paulo a conceber um projeto de incentivo de leitura de jornal, que foi lançado em 1993 como o Programa Folha Educação, que implantei e coordenei até 1997.

Professores de qualquer disciplina podem utilizar o jornal? De que maneira?

Flávia Aidar — No meu entender, o jornal não deve ser entendido como uma atividade, “matéria” ou “disciplina” dentro da escola. Por ser uma fonte de informações sobre vários e diferentes assuntos, pode e deve ser trabalhado em qualquer disciplina e com qualquer faixa etária, ao lado de outras fontes de informação e leitura. Em língua portuguesa, por exemplo, trabalhar com as imagens (fotojornalismo) escondendo a legenda e solicitar que os alunos legendem a imagem ou dêem um título ao texto, ou ainda a partir de uma notícia, criar uma manchete, vai exigir do aluno um exercício de síntese na comunicação da idéia, bastante valioso pedagogicamente.

Após seus estudos e desenvolvimento de projetos com o uso de jornal, que descoberta poderia compartilhar com os professores sobre essa prática?

Flávia Aidar — Há inúmeros exemplos das vantagens do trabalho com jornal em sala de aula. Conhecemos, inclusive, algumas pesquisas que atestam como o repertório de informações dos estudantes pode aumentar de maneira significativa, num curto espaço de tempo.O raciocínio divergente também é bastante ativado por meio do trabalho com o jornal. Isto significa dizer que o fato do aluno trabalhar com matérias jornalísticas como fonte de informação, ele terá que ativar habilidades mentais que exigem múltiplas operações até chegar a uma resposta. Ao contrário, os antigos questionários que têm como referência um dado texto, só exige do aluno que ele localize no tal texto onde está a resposta esperada pelo professor.

Que orientação poderia dar aos professores interessados em utilizar o jornal na sala de aula? Quais são as abordagens possíveis de serem praticadas pelos professores?

Flávia Aidar — Antes de mais nada o professor deve ser um leitor de jornal. Isto não significa que ele tem que ler o jornal de “cabo a rabo” todos os dias. Mas que ele terá que estar familiarizado com este meio e proporcionar que seus alunos também se familiarizem com o jornal. Em seguida, ele deve saber como é que se estrutura a chamada “arquitetura informacional” do jornal, ou seja, ele deve dominar o que é a linguagem jornalística. Começar a explorar o jornal com seus diferentes tipos de texto já é um bom começo.

Considerando sua experiência e estudo, podemos considerar o jornal como um veículo parcial, carregado de preconceitos, juízos de valor e equívocos? Como o professor pode fazer frente a isso quando utilizar o jornal na sala de aula?

Flávia Aidar — Não me parece privilégio do jornal a parcialidade na veiculação da informação, ou o comprometimento com uma determinada visão de mundo, ideologia ou, em outras palavras, responder por uma determinada concepção editorial. O que se deve ter como compromisso e desafio dentro da escola é exatamente o da formação de um leitor crítico, independentemente do tipo de texto ou de suporte em que ele (texto) seja veiculado. Daí a importância da resposta à pergunta anterior, isto é, o professor deve saber como se constrói a linguagem jornalística para que ele possa “ensinar” como se lê jornal.

Leitura, no sentido mais amplo, significa necessariamente ser capaz de analisar os diferentes discursos, identificar os diferentes elementos que compõem a linguagem jornalística, os significados e os contextos de produção da notícia. Neste processo de análise do texto jornalístico, deve-se chegar, necessariamente, a quem produz a notícia, para quem? como circula a informação (as agências de notícias), a que interesses ela responde ou representa? quem é o dono daquele meio de informação? quem é este “dono” dentro do contexto social e político do seu país? E daí por diante….

Fonte: Agência Educa Brasil