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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Ciberbullying



Pantallas Amigas ofrece en este vídeo una descripción sencilla y muy visual de lo que es el ciberacoso escolar, también llamado cyberbullying, cibermatoneo o cibermatonaje. También da unas pautas básicas generales para prevenirlo. Más información y recursos didácticos sobre el tema enhttp://www.PrevencionCiberbullying.com

Aprendizado e angústia


Com o incentivo de um adulto, a criança consegue encarar melhor o difícil processo de aprendizado - Rosely Sayão
Ficar concentrado em algo que exige muito de nossa atenção tem sido cada vez mais difícil e doloroso. Vivemos num mundo que nos diz, incessantemente, que precisamos ter satisfação logo, que a dor precisa ser evitada e/ou suprimida, que a felicidade é a melhor escolha.
Quando tentamos nos concentrar em uma tarefa árdua, logo percebemos que as distrações presentes em nosso entorno são, quase sempre, bem mais sedutoras, não é verdade? Dá vontade de beliscar algo gostoso, de atender a um telefonema nada importante, de ler as mensagens que chegaram, de buscar algo na internet etc.
Pronto: está armada a cilada que tem como objetivo nos retirar da situação incômoda em que estávamos. Ter de realizar algo que não é nossa escolha no momento e que exige esforço e tempo de dedicação perturba, angustia, provoca insatisfação. E é disso que queremos fugir.
Claro que, ao agirmos assim, a situação irá se complicar porque, afinal, aquela tarefa precisará ser realizada mais cedo ou mais tarde. Aí é que entra o exercício da maturidade. Realizamos um esforço ainda maior para dar conta de nossa responsabilidade porque sabemos que ela é intransferível.
A criança sofre esse contexto muito mais do que o adulto. Imagine, caro leitor, uma criança ao fazer uma lição ou ao aprender algo que dizemos que ela precisa saber.
Certamente você já testemunhou uma cena desse tipo. Ela decide apontar o lápis, organizar seu material à mesa, pegar (dezenas de vezes) algo necessário na mochila... Além disso, sente fome e vontade de ir ao banheiro, olha para sua borracha e se lembra de uma outra que tanto queria mas não tem.... E assim ela segue, sem saber que o seu comportamento visa unicamente escapar da angústia que ela enfrenta.
Nós, que aqui estamos há muito mais tempo do que ela, fomos tão tomados por esse mesmo contexto, que nem sempre nos damos conta de que a criança precisa de nossa ajuda nesse momento. Ela precisaria saber, por nossa condução, que ela pode comer mais tarde, que não precisa de tanto material por perto, que a vontade de ir ao banheiro pode ser postergada etc.
Ao contrário, tratamos de atender a todas as suas solicitações na tentativa de "limpar" a situação para que a criança consiga, finalmente, se dedicar ao que precisa. Tudo o que conseguimos ao agir assim é estimular a criança a escapar de outros modos de sua missão.
Há um grupo de crianças que confunde a angústia que a toma nesse momento com dor. Dor física: dor de cabeça, dor de barriga, dor na mão, por exemplo, são reclamações frequentes de crianças que enfrentam a angústia de ter de aprender algo.
Como a lógica médica passou a reger nossas vidas, damos toda atenção a tais dores, que não são inventadas pela criança, é bom ressaltar: são confundidas por ela.
Quase todas as escolas hoje têm enfermaria; a qualquer hora do dia, se você passar por lá, caro leitor, encontrará alguma criança com tal reclamação, tanto quanto muitas outras no banheiro, no bebedouro, vagando pelos corredores.
Elas deveriam ser encorajadas a ficar em classe e a enfrentar a angústia que o aprendizado provoca. Com nossa ajuda, com nosso apoio, com nossa firmeza e carinho, elas podem enfrentar tal desconforto por conta própria e seguir em frente.
O resultado seria o crescimento da autoestima, que se desenvolve à medida que a criança adquire confiança em sua capacidade de colocar em ato seu potencial.
Fonte: Folha de S. Paulo 13/08/2013

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

‘Currículo do ensino médio é grande demais’


Três tempos de matemática. Intervalo. Um de história, dois de geografia. Almoço. Química orgânica, história da arte e educação artística. Intervalo da tarde. Língua portuguesa e redação. Toca o último sinal do dia: todo mundo para casa porque amanhã tem duas provas. A rotina de um estudante do ensino médio, no Brasil, pode chegar a incluir, em uma semana, aulas de 20 disciplinas diferentes. Mas, para o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, essa realidade tem que mudar. “Precisamos de um currículo que não seja uma enciclopédia. Como é que um jovem nessa idade tem 19, 20 disciplinas?”, perguntou ele nesta terça-feira durante o SalaMundo 2013, evento promovido pelo Instituto Positivo, em Curitiba.

A solução que o próprio ministro sugere é reorientar a grade curricular usando a lógica das quatro grandes áreas do Enem: linguagens e códigos, matemática, ciências da natureza e ciências humanas. “É importante articular melhor as disciplinas”, afirma Mercadante. A expectativa do governo é aproveitar o esforço que já vem sendo feito de preparação para o exame nacional, inclusive com o material didático que vem sendo usado, para nortear a mudança.

Crédito Adistock / Fotolia.com

Hoje, o país não tem um currículo básico mínimo, apesar de a Lei de Diretrizes e Bases, de 1996, ter determinado que fosse preciso construir uma base nacional comum – deixando espaços para que escolas e redes pudessem estampar sua marca em suas grades, resguardando as características locais das escolas. O que acaba acontecendo, especialmente no ensino médio, é que a grade curricular é definida pelas exigências nos diferentes vestibulares do país.

“Esse é um caminho [o de orientação do currículo pelas quatro áreas do Enem] sério a ser discutido”, concordou Tufi Machado, coordenador de pesquisa do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), também em Curitiba. Mas o professor faz uma ressalva: “Isso deve ser um mínimo a ser exigido. É preciso haver uma flexibilidade até para aqueles que queiram se aprofundar em outras áreas”, afirmou ele.

“O excesso de disciplinas e de componentes curriculares tornam o ensino médio penoso e desagradável. É um desmotivador importante para esses jovens”
Machado foi um dos responsáveis por uma pesquisa feita com alunos do ensino médio mineiro que apontou que os jovens estão insatisfeitos com as aulas que lhes são oferecidas. “O excesso de disciplinas e de componentes curriculares tornam o ensino médio penoso e desagradável. É um desmotivador importante para esses jovens”, diz o professor, apontando o que chama de “congestionamento curricular” como um dos fatores que levam à evasão.

Recente pesquisa feita pela Fundação Victor Civita com adolescentes de baixa renda apontou para a mesma direção. A instituição perguntou a jovens de 15 a 19 anos de São Paulo e Recife, com renda familiar de até R$ 2.500, o que eles pensam da escola. Uma das queixas mais recorrentes foi exatamente a fragmentação do currículo. Para se ter uma ideia, quase 80% dos alunos viam “utilidade” em no que aprendiam em língua portuguesa e matemática, mas nenhuma das outras disciplinas teve importância registrada por mais de 42% dos estudantes.

De acordo com o MEC, cerca de 970 mil jovens com idade para estar no ensino médio estão fora da escola. “Precisamos ir atrás desses jovens. Não podemos perdê-los para o tráfico, para a droga, para o crime. A escola é o lugar deles. É ali que ele vai ter uma perspectiva de vida. Quem estuda, escolhe o que vai ser. Quem não estuda é escolhido ou não”, afirmou o ministro.

Antes do ensino médio
Também como uma estratégia do governo federal de engajar os jovens no estudos, Mercadante destacou nesta quarta-feira também o programa Quero ser Cientista, Quero ser Professor. A intenção é dar a 100 mil alunos do ensino fundamental que queiram se dedicar às disciplinas de matemática, química e física uma bolsa de R$ 150 mensais. “Na Olimpíada de Matemática, encontramos gênios em cidades que você nem imagina”, disse. Os alunos vencedores de olimpíadas de conhecimento não precisarão passar pelo processo seletivo para terem direito ao programa.


quarta-feira, 31 de julho de 2013

Korczak e seu papel na educação de crianças


Credito:
O respeito pelos direitos das crianças e a busca por uma educação promotora da autonomia dos estudantes foram constantes na atuação profissional de Janusz Korczak (1878-1942), considerado um dos pioneiros na prática de Jornal Escolar, ao lado de Célestin Freinet.

Os exemplos de Korczak mostram a educação como uma opção ética radical e a gestão democrática e a comunicação como partes essenciais do processo de aprendizagem. 
Aliás, tanto Freinet quanto Korczak apostaram no jornal impresso como aliado no processo educacional porque percebiam que os jovens tinham necessidade de expressar suas ideias.

Korczak também fundou o orfanato ‘Dom Sierot’ (A Casa dos Órfãos), na Varsóvia, em 1910, espaço que, após a Primeira Guerra Mundial, transformou em uma República onde as crianças tomavam todas as decisões coletivamente. Ferramentas como Código Moral, Conselho Jurídico, Cooperativa, Poupança, Empréstimo, Tribunal e o Jornal Impresso eram utilizadas na organização das atividades. A repercussão foi tão positiva que uma revista local da época (Nasz Przegrad, ou Nossa Revista) produziu uma edição infantil, organizada por Korczak, com contribuições de crianças de toda a Polônia, e com ‘remuneração’.

Em sua obra “Como amar uma criança” (1915) ele escreveu: “os cursos de jornalismo pedagógico poderão, talvez num futuro próximo, ser inseridos no programa de ensino nas escolas para professores”. O que ele chama de jornalismo pedagógico é, essencialmente, uma das áreas de intervenção da Educomunicação.

Janusz e as crianças do orfanato, precocemente, morreram durante a Segunda Guerra Mundial. Esta história é contada no filme “As 200 crianças do Dr. Korczak” (1990), de Andrzej Wajda, disponível no Youtube (migre.me/fCXGA).
Fonte: Jornal da Manhã 31/07/2013 (Texto publicado no blog Educom USP (educomusp.wordpress.com) com edição de Talita Moretto) 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Educação é prioridade para 80% dos jovens brasileiros, diz estudo


A juventude ibero-americana de hoje é, em termos gerais, otimista sobre seu futuro, valoriza a educação, mas confia pouco nas instituições. Já o jovem brasileiro coloca a qualidade da educação como prioridade, é mais aberto quando o assunto é controverso e confia mais nas instituições que os outros jovens ibero-americanos.
Os dados foram apresentados em pesquisas divulgadas nesta semana. Uma delas foi feita pela Organização Ibero-Americana de Juventude (OIJ), que ouviu mais de 20 mil jovens. O objetivo do estudo, intitulado "O Futuro já Chegou", é ampliar o conhecimento sobre os jovens através das opiniões das mais de 150 milhões de pessoas de entre 15 e 29 anos que vivem em mais de 20 países ibero-americanos, o que representa 26% da população total.
Para Luis Alberto Moreno, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento – instituição que também participou da pesquisa –, investir na juventude é escutá-la e decifrar suas mensagens.
“Estamos diante de uma juventude que não se conforma, que pede melhores oportunidades, melhor qualidade de educação, de saúde, de instituições e oportunidades de emprego e de empreendimento”, afirmou Moreno durante o lançamento da pesquisa. Para ele, os recentes protestos que tomaram as ruas do país com grande participação de jovens revelam que os jovens reconhece a importância da sua participação para a construção do futuro.
Outro aspecto apontado pela pesquisa é a presença da violência na vida do jovem. Segundo os dados, os brasileiros são os que mais reconheceram esse problema no seu ambiente. Apesar disso, o jovem brasileiro se mostrou mais aberto em relação a questões mais controversas, como aborto, legalização da maconha e a acolhida de imigrantes. Segundo o estudo da OIJ, cerca de 40% dos jovens brasileiros têm uma visão oposta à dos pais em relação a esses temas.
Educação melhor
Cerca de 80% dos jovens brasileiros consideram a educação uma prioridade, resultado 4,75 pontos superior ao registrado entre os mais velhos, segundo pesquisa da Secretaria de Assuntos Estratégicos da presidência da República divulgada também nesta semana. O estudo ouviu mais de 11 mil jovens antes da eclosão dos protestos que ocuparam as ruas de várias cidades do país.
Em relação aos jovens de outros países ibero-americanos, o brasileiro respondeu de forma mais negativa que todas as outras regiões. Cerca de 40% deles, por exemplo, disseram que o ambiente escolar é violento. Ao mesmo tempo, pouco menos de 10% afirmaram que o ambiente escolar é exigente academicamente.
Para o secretário-geral da OIJ, Alejo Ramírez, a educação é uma demanda clara da juventude. “O melhoramento dos processos educativos, tanto no ensino médio quanto na universidade, é uma demanda clara e precisa dos jovens ibero-americanos”, disse Ramírez à Deutsche Welle Brasil. “Eles sabem que a educação é o único jeito de garantir algum sucesso na vida profissional”.
Essa também é a visão de Bruno Vanhoni, assessor internacional da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) da Presidência da República. Ele disse à DW Brasil que o modelo do ensino médio brasileiro é pouco atraente para os jovens. “É um debate que vem se arrastando há alguns anos e tem ganhado força”, disse, ao se referir às propostas de reformulação do currículo e das metodologias adotadas hoje no ensino médio.
Apesar das críticas ao sistema educacional, a universidade aparece na pesquisa da OIJ como a instituição mais confiável na opinião dos jovens. “É um espaço de aspirações porque nem todos vão chegar à universidade, mas se eles estão falando que a instituição com a melhor imagem é a universidade, então há uma vinculação entre a educação e o futuro dos jovens”, explicou Ramírez.
Expectativas
Com a pesquisa da OIJ, foi possível estabelecer um índice de expectativas, que funciona como uma espécie de ranking que mede o grau de perspectiva positiva ou negativa dos jovens de cada país a respeito dos próximos cinco anos. O índice – baseado em variáveis subjetivas – serve para complementar dados objetivos, como o PIB (Produto Interno Bruto), para fornecer mais subsídios na construção de políticas públicas para a juventude.
Para construir o índice, os jovens atribuíram uma nota de 1 a 10 para itens como corrupção, emprego estável, desigualdade, etc. Segundo o estudo a OIJ, os jovens de Equador, Costa Rica e Nicarágua são os mais otimistas. Brasil, Guatemala e Portugal têm a visão mais negativa sobre o futuro.
Apesar das respostas negativas sobre o futuro, o jovem brasileiro é mais engajado, segundo a pesquisa. “O brasileiro tem um perspectiva não necessariamente otimista sobre o futuro, mas tem melhor vinculação com as instituições que outros jovens da América Latina e esses são pontos [que podem servir] para aprofundar a análise da situação dos jovens brasileiros”, aponta Ramírez.
O índice de confiança que o jovem brasileiro tem em relação às instituições – incluindo os meios de comunicação, a justiça e a polícia – é maior do que a média ibero-americana, mas ainda é um índice baixo (entre 20% e 30%), na visão de Bruno Vanhoni. “Essas reivindicações apontam para reconhecimento do papel das instituições, eles e estão cobrando dessas instituições que elas cumpram seu papel.” 
Fonte: Deutsche Welle 28/07/2013

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Nova resolução federal estabelece mudanças no cardápio escolar


A quantidade máxima de sódio em uma refeição é de 400 mg. No caso de duas refeições, não pode ultrapassar 600 mg. Para período integral e oferta de três ou mais refeições, o sódio total é de, no máximo, 1.400 mg. Os doces ou preparações doces, por sua vez, ficam limitados a duas porções por semana, sendo que cada uma não pode ter mais do que 110 kcal.

Saiba mais: http://bit.ly/12gGzp9
Fonte: Infância Livre de Cosumismo

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Uma doce melodia de inclusão



Foto: Uma doce melodia de inclusão
Projeto Guri trabalha pela música o desenvolvimento de crianças e adolescentes. Na região, são 650 deles. No Estado, mais de 40 mil

As batidas das canções são constantes. Os acordes se multiplicam sinuosos pelo público. E como progressões aritméticas, as vozes se somam à harmonia estabelecida. Mesmo assim, a música não é matemática pura, é também o resultado do empenho e da dedicação dos artistas. E é com tais sentimentos que 650 crianças têm sua iniciação musical no Projeto Guri.

Ao todo, são mais de 40 mil guris em sintonia pelo Estado de São Paulo. Criado em 1995, a iniciativa do Governo Estadual oferece cursos gratuitos de teoria musical e instrumentos de corda, sopro e percussão para alunos de seis até 17 anos no período de contraturno escolar. O intuito é aproximar os jovens da arte e, até mesmo, de despertar novos talentos.

Tanto de manhã, quanto à tarde, as classes do Centro de Atividades Integradas de Santos (Cais) Santista lotam de crianças e adolescentes afinados com a música. “A gente percebe uma grande melhora dos estudantes no desempenho escolar. E muitos perdem a timidez, tornam-se mais sociáveis”, diz a coordenadora do polo de Santos, Ana Luiza Cordeiro da Luz.

TATUÍ E OUTRAS BANDAS

A aluna Naomi Honorato, de 12 anos, confirma. “Hoje presto mais atenção nas aulas de Português, Matemática e ciências por causa do projeto”. Naomi ainda estudava a tabuada aos 8 anos quando, pela primeira vez, seus lábios encostaram em uma boquilha de saxofone. Fazer do sopro música é um desafio, ao segurar um aparelho de 60 centímetros, com 26 aberturas e 23 traves, para produzir os sons.

“Quando você toca violão, ele está apoiado no seu joelho. Um violino, apoiado no ombro. A grande diferença do saxofone para esses e outros instrumentos é que ele é o único em que você não consegue ver as notas enquanto toca”, diz o professor Jarbas Albuquerque, que há 13 anos ministra aulas no projeto. “Já vi muitos irem para a Faculdade de Música de Tatuí, outros para bandas profissionais”. Hoje, ensina Naomi a lidar com o instrumento.

A intimidade com o sax vem aos poucos, fruto de um único encontro semanal, pois a adolescente não tem o instrumento em casa: é raro encontrar um exemplar abaixo de mil reais. O jeito de afinar a aprendizagem é emprestando o instrumento aos alunos há mais tempo na companhia. Naomi se alegra do bom relacionamento com o saxofone. “Em um mês, já tiro uma nova canção. Amo Asa Branca e Noite de Moscou”. Um gosto requintado eincomum, se comparado ao de outras meninas de sua geração. Mesmo assim, descarta viver de música. “Quero ser modelo”, ela ri.

SEM BOBEIRA NA RUA

A sintonia da filha com a arte orgulha Márcia Regina Honorato. “É uma pena que nem todo mundo conheça o Projeto Guri. Em vez de o jovem ficar de bobeira na rua, ele tem a chance desses cursos gratuitos, onde se transformam em grandes artistas. Esse é um verdadeiro celeiro de talentos”.

O entusiasmo de Márcia ressoa em Eliane de Santos Lima, outra mãe orgulhosa. “Com a música, meu filho Wellington melhorou bastante na escola”. Após um semestre de aulas, ela se deixa embalar pela alegria de ver o filho no palco do colégio. “Fiquei emocionada ao vê-lo tirar as notas do violão na apresentação”.

Ao lado dos companheiros da turma, Wellington dedilhou Ode à Alegria, de Ludwig Von Beethoven, Boston, de Francisco Pupo,e Nesta Rua, de Heitor Villa-Lobos. Cada uma das trilhas foi aprendida por todos em torno de 15 dias. Entusiasmada com o progresso, Isabelle Marques Ruiz, de 11 anos, comenta o quão é significante seu curso de violão.“Toda terça-feira já acordo ansiosa para ir à aula”. O bom desempenho escolar e musical orgulha o pai Daniel Gomes Ruiz. “O Projeto Guri pode mudar a vida de crianças”, sentencia.

Perfil
Projeto Guri

O que é?

Um projeto de educação musical inclusiva do Governo do Estado de São Paulo, que oferece cursos de teoria musical e instrumentos de sopro, cordas e percussão. Voltado a alunos de 6 a 17 anos, no contraturno escolar.

Desde quando?
1995

Onde?
Em 366 núcleos espalhados pelo Estado – inclusive na Fundação Casa. Em Santos, fica no Centro de Atividades Integradas de Santos (Cais) Santista(Rua 7 de setembro, 34) Informações: 0800-7025056 ou www.projetoguri.org.br

De aluna a professora

Kaith Cristina de Andrade tinha 5 anos quando nasceu o Projeto Guri. Quando contava 17, após já ter dedilhado sozinha o violão, foi incentivada por uma amiga para entrar no curso. Apaixonou-se tanto pelo ambiente que, desde o ano passado, aos 22 anos, retornou ao projeto. Dessa vez, como professora-aprendizem sete turmas.“Eu me vejo no lugar dos alunos durante as aulas. Gosto muito do ambiente escolar. É bem diferente poder voltar para cá”. Da sua primeira passagem pela entidade, ela enfatiza a necessidade de uma formação musical: hoje, faz graduação em Educação Musical e curso técnico em violão. E, no restante da semana, continua vivendo a arte ao cantar no Coral Zanzalá.

Projeto abre processo seletivo

O Projeto Guri reúne 366 polos distribuídos pelo Estado em uma gestão compartilhada entre governo e sociedade civil. Na Capital, os centros com 11 mil alunos são administrados pela Santa Marcelina Organização Social de Cultura. No restante de São Paulo, como no Polo Regional de Santos, a iniciativa é dirigida pela Associação Amigos do Projeto Guri.

Há polos municipais, regionais, além de 50 unidades de atendimento musical dentro da Fundação Casa. Entre os cursos oferecidos pelo Estado, há o coral, piano, acordeom, bateria, instrumentos de cordas dedilhadas (bandolim, cavaco, violão e viola caipira), cordas friccionadas (violino, viola, violoncelo, contrabaixo), cordas elétrica (guitarra e baixo-elétrico) e de sopro (trompa, trompete, trombone, tuba, clarinete, flauta transversal e saxofone).

O projeto abre novo processo seletivo a partir de 29 de julho. Para consultar a relação de vagas disponíveis no polo santista, ligue 0800-7025056 ou www.projetoguri.org.br. Para matrícula, são necessários originais e cópias dos seguintes documentos: certidão de nascimento ou RG do aluno; comprovante de matrícula escolar ou declaração de frequência escolar do primeiro semestre; boletim escolar de 2012; RG do responsável; e comprovante de residência.

Lincoln Spada

terça-feira, 16 de julho de 2013

Ensino no sistema prisional


Por Marcus Tavares
Por preconceito e desconhecimento, a educação prisional brasileira, dever do Estado e direito dos cidadãos, vai sendo promovida à margem do dia a dia da sociedade. Ao que parece, a educação transformadora, que poderia contribuir para a ressocialização dos detentos, é negligenciada. Considerado por muitos como privilégio e não como direito, o ensino no sistema prisional apresenta deficiências e uma série de problemas. O principal deles: o acesso. Segundo dados do relatório Educação nas prisões brasileiras, de 2009, apenas 18% da população carcerária do país estudam. No Rio, dos 35 mil detentos, somente 5,6 mil internos frequentam as aulas das escolas prisionais, localizadas nas próprias instituições. De acordo com Maria do Socorro Martins Calhau, coordenadora do projeto Do Cárcere à Universidade, uma das linhas de ação do projeto de extensão da Faculdade de Educação da Uerj, faltam escolas, incentivo, apoio, comunicação, respeito e cumprimento do direito à Educação.
“Infelizmente, esse tema não é caro à sociedade, pois não se discutem as questões de Justiça e Direitos, mas, em vez disso, se cultiva a vingança. Nós que trabalhamos no sentido de defender o direito dos detentos à educação queremos que eles cumpram a pena, que se aplique a lei. Eles têm, sim, que pagar pelo crime, mas têm, por outro lado, o direito de mudar de vida, de estudar. Depois de eles pagarem pelo que fizeram, de acordo com o que prevê a legislação, o que farão? Essa ideia de que os presidiários ficam pouco tempo na prisão é errônea. Estão lá jovens, negros e pobres, em sua maioria, esquecidos pela família, pelo Estado, privados de liberdade e de educação durante décadas. Neste sentido, sabemos que a educação é libertadora, é transformadora dentro e fora das grades. Não defendemos o crime, mas o direito à educação, a oportunidade de redesenharem suas vidas”, avisa Socorro.
O projeto Do Cárcere à Universidade tem o objetivo de promover ações que auxiliem os estudos dos detentos no ensino superior. Hoje, qualquer interno pode se inscrever no vestibular oferecido, por exemplo, pela Uerj. Num levantamento realizado em 2011, a instituição contabilizava 17 estudantes do sistema prisional. “Número pequeno por conta do preconceito, da falta de comunicação e de um apoio jurídico, que poderia auxiliar os interessados nos estudos. Os que são aprovados têm direito aos estudos, mas, por estarem no regime fechado, não podem frequentar. Apenas os que cumprem regime semiaberto vão às aulas, não sem muita dificuldade e burocracia do Estado. O ideal seria termos um corpo jurídico que fizesse uma revisão no processo para ver se aquela pessoa já pode progredir para o regime semiaberto, uma vez que se encontra aprovado. Eis a nossa meta”, destaca Socorro.
O estudo Educação nas prisões brasileiras comprova o que Socorro afirma. O levantamento revela que 95% dos detentos brasileiros são pobres ou muito pobres. 65% são negros. Aproximadamente, dois terços cometeram crimes que não envolveram violência. Somente 8,9% cometeu homicídio. 60% são jovens, com idade entre 18 e 29 anos. Cerca de 8% são analfabetos e 70% não completou sequer o Ensino Fundamental. A taxa de reincidência é alta: gira em torno de 50 a 80%.
“Daí a necessidade de apoiar aqueles que decidem investir o tempo nos estudos. Primeiro, por uma questão de direito. E segundo por uma questão de sabedoria. É talvez a única chance que têm de transformar suas vidas”, frisa Socorro.
Nos bastidores
Vanusa Melo, professora de Língua Portuguesa, faz coro às palavras de Socorro. Militante na área, Vanusa conhece como ninguém a realidade diária de uma escola de ensino prisional. Há cinco anos, ela leciona no Colégio Estadual Anacleto de Medeiros, que fica no presídio Evaristo de Moraes, o conhecido Galpão da Quinta, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Neste ano, ela atende 35 alunos, matriculados no 6º, 7º e 8º anos do Ensino Fundamental.
“O presídio em que trabalho é o chamado seguro de vida, pois encarcera homens que, por algum motivo, solicitaram ou lhes foi determinado pela Secretaria de Administração Penitenciária que recebessem proteção de vida. Isso significa que muitos casos têm relação com crimes de natureza sexual, mas isso não é uma exclusividade, há várias outras situações, incluindo, por exemplo, sujeitos que têm problemas com criminosos ligados a facções do chamado crime organizado. Não sabemos o tipo de crime cometido, a menos que perguntemos ou que falem espontaneamente. Mas eu prefiro não lidar com essa informação no meu trabalho de professora. Até porque seria um pouco complexo pensar na ideia de gravidade de alguns delitos”, explica.
No dia a dia da sala de aula, Vanusa vem tentando trabalhar com diferentes linguagens. Em 2010, promoveu uma oficina de literatura. No ano seguinte, começou um projeto embrionário de cineclube. E no ano passado deu início ao projeto Cartas para Romeu, com os alunos do 8º ano e da 1ª série do Ensino Médio.
“O projeto surgiu quando resolvi exibir o filme Cartas para Julieta. A ideia era conversar sobre a importância do gênero ‘carta’, que estava trabalhando nas aulas de português. Além disso, alguns alunos solicitavam assistir a filmes que não tivessem temática social. Conjuguei as duas coisas, um pouco a contragosto, não porque não costume trabalhar temas diversos, mas porque achava o filme apenas razoável. Acho que é um filme que pretende falar de amor e destino, mas limitado nessa proposta. Em compensação, tem uma bela fotografia. Quando terminei a exibição, que foi bem silenciosa – o que me chamou atenção, porque é muito comum que os alunos passem o tempo da exibição fazendo pequenos comentários, geralmente descritivos –, todos os estudantes, homens com idade entre 24 e 60 anos, estavam bastante emocionados, alguns com os olhos marejados”.
Vanusa viu que aquela experiência não poderia passar em branco. Lembrando-se do enredo do filme e das atividades de leitura que já tinham realizado com a seção cartas de leitores ao “Doutor Alberto Godim”, psicanalista que responde às cartas na Revista de Domingo, do Jornal O Globo, a professora propôs ao grupo um projeto no qual cada estudante assumisse o papel de conselheiro, a exemplo de Godim.
“Propus que ensaiássemos uma vez com uma carta fictícia e que depois usássemos cartas reais, feitas por meus alunos da escola privada onde trabalhava. Toparam. Fiz então a proposta aos alunos da escola particular, uma turma de 2ª série do Ensino Médio, que, nas aulas de Redação, estava também estudando o gênero carta. Não se tratou exatamente de uma coincidência. Os programas de Português em séries diferentes muitas vezes coincidem. De um lado, tinha adultos encarcerados, com experiências de vida complexas e nem sempre exposta. De outro, jovens estudantes de uma escola privada da classe média do Méier”.
O resultado foi bem interessante. Os estudantes da escola privada escreveram cartas para os detentos, expondo suas angústias e questões. Em resposta, os internos trouxeram suas próprias experiências, ressaltando a importância de os jovens revisitarem, de uma forma transformadora, suas vidas e os problemas com seus familiares e com sua própria escola.
Mas a atividade não parou por aí. Num segundo momento, Vanusa estabeleceu nova ponte. Desta vez, com seus amigos, de diversas formações. Propôs, via Facebook, que cada um colaborasse mandando uma carta para cada ‘Romeu’, para cada interno.
“Expliquei o processo e recebi 14 cartas de homens e mulheres, todos dispostos a colaborar com a ideia e curiosos por receber a resposta. Essa novidade deixou os alunos ainda mais empolgados. Para alguns, tratava-se de um contato real com o mundo externo, especialmente para aqueles que não recebiam visitas. Um deles trocou correspondência com uma interlocutora que se queixava da idade avançada que a impedia de ser mãe. Ela se sentia triste, pois já tinha engravidado e tivera um aborto espontâneo. Não tinha um companheiro com quem dividir o sonho e isso dificultava tudo. Meu aluno tratou de pesquisar a possibilidade de tratamentos alternativos, pediu a esposa, que o visita com frequência, que levasse material sobre tratamento por acupuntura. Muito bacana”.
O trabalho com as cartas começou em julho de 2012 e ainda está em andamento, mas agora como atividade extraclasse, pois Vanusa não leciona mais para a antiga turma de 8º nem para a turma de 1ª série. A professora pretende repetir o trabalho com as atuais turmas.
Segundo ela, todos os envolvidos experimentaram conhecer ideias de universos ignorados ou conhecidos superficialmente. “Quanto a mim, fica fortalecida a ideia de que é nas práticas voltadas para o real e para a interação com o mundo, sobretudo na escola dos privados de liberdade, que está o maior sentido da escola. De outra forma, fica impossível pensar em práticas educacionais relacionadas à liberdade. Para os sujeitos do mundo tido por livre, espero que fique o encontro com ideias de internos do sistema penal, ideias não vinculadas ao crime, para, quem sabe, evidenciar a certeza de que ninguém é uma coisa só o tempo todo”, finaliza.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Consultoria desenha escolas para estimular cérebro

Crédito venimo / Fotolia.com

Qual a diferença entre um corredor reto e comprido e um cheio de curvas e desvios? Além da estética, se for em uma escola, o caminho sinuoso vai proporcionar que os alunos aprendam mesmo quando estão se deslocando de uma aula para a outra e, por isso, é o preferido da professora e arquiteta Amy Yurko, fundadora da BrainSpaces, consultoria norte-americana especializada em projetos para escolas que estimulam a criatividade e o aprendizado de seus estudantes.

A empresa com sede em Chicago já desenvolveu centenas de projetos inovadores desde 2004 para instituições e redes de ensino nos Estados Unidos. Esses ambientes educacionais para o ensino fundamental, médio e superior não são apenas modernos na aparência, mas se baseiam em pesquisas sobre como o cérebro funciona e como as pessoas aprendem.

“Pesquisadores sabem que aprendemos melhor quando as sinapses neurais são estimuladas e esses cientistas estão constantemente descobrindo quais atividades estimulam a atividade cerebral mais efetivamente. Nós traduzimos isso para a arquitetura das escolas. No caso do corredor, por exemplo, sabe-se que as atividades cerebrais são aceleradas quando as pessoas andam em ziguezague, muito mais do que quando andam em linha reta”, sintetiza Amy, que trabalha há 20 anos criando espaços educacionais.
O trabalho de Amy e sua equipe trouxe resultados a uma rede inteira de escolas. Nela, diz a consultora, apenas 50% dos alunos terminavam o ensino médio e, naquele ano, professores realizaram a maior greve da história do estado. Amy colaborou com todo o planejamento da transformação da rede escolar, que passou por mudanças no currículo, nas práticas de ensino e nos contratos de professores até as novas facilidades dos colégios.

Levando em conta pesquisas baseadas no funcionamento do cérebro, a principal pergunta feita pelo time da BrainSpaces aos gestores na época era: “Como seria se a escola realmente importasse?” O novo design que surgiu desse trabalho incluía ambientes sem paredes e espaços colaborativos, onde os professores puderam incentivar habilidades como autonomia e iniciativa, por exemplo. A nova estratégia aumentou a taxa de alunos formados para 87%.

Veja o vídeo, em inglês, de um dos projetos:
Atuação
Os projetos da BrainSpaces nunca são iguais, tanto nas soluções como no processo. Embora o ponto de partida seja o conhecimento acumulado pela equipe sobre atividades cerebrais, o trabalho é desenvolvido de acordo com as necessidades, expectativas e orçamento de cada rede de ensino ou escola atendida pela consultoria. Antes do desenho e execução das obras, a equipe, que normalmente tem de dois a três profissionais, conversa com professores, alunos, gestores, pais e membros da comunidade. Essa primeira fase é chamada de iniciação, que é seguida pela descoberta, quando também são levantados dados sobre matrículas, taxas de evasão e graduação, grau de satisfação dos pais, engajamento dos alunos, currículo e atividades extraclasse. Só depois da análise dessas informações é que a fase do design em si começa.

Na maioria dos casos, a BrainSpaces não é responsável pela execução da reforma ou da construção da escola, mas presta subsídios e consultoria a arquitetos para que eles agreguem elementos inovadores em seus projetos. Mesmo nesses casos, a empresa faz questão de acompanhar as próximas duas etapas que completam o ciclo, de implantação e avaliação.

“Para cada projeto, essas etapas podem ter ênfase e duração diferentes. O modelo de trabalho permanece o mesmo, mas há uma flexibilidade no processo para acomodar condições e características específicas de cada cliente. Além disso, sempre aplicamos lições aprendidas no passado em cada novo trabalho”, diz Amy.

Quando o prédio está pronto, a BrainSpaces ajuda as pessoas que vão ocupá-lo a usarem da melhor maneira possível. Algumas vezes, os professores recebem um treinamento. No período de avaliação, todos os dados que influenciaram o projeto – como a taxa de abandono escolar, por exemplo – são revisitados, para verificar se as mudanças esperadas ocorreram. Isso pode durar alguns anos, até que se tenha certeza sobre quais estratégias trouxeram melhores resultados e se consiga identificar o impacto do design no processo.

“O ensino é um empreendimento multifacetado, influenciado por vários componentes, que às vezes são conflitantes. Nós acreditamos que a arquitetura de ambientes educacionais pode proporcionar aos professores um ambiente propício para eles se conectarem de verdade às crianças, mas o espaço não faz isso sozinho”, diz Amy, que usa como exemplo de sucesso da integração de várias práticas em prol de um melhor aprendizado um projeto realizado em Seattle.

Pequenas mudanças
Apesar da complexibilidade do processo de desenvolvimento de projetos da BrainSpaces, alguns ensinamentos básicos sobre o impacto da arquitetura em como as pessoas aprendem podem ser replicados facilmente. Por exemplo, ambientes coloridos são mais estimulantes do que os de cores neutras, segundo Amy. A iluminação natural é outra recomendação para facilitar o aprendizado, mas mesmo quando não existem janelas, uma luz indireta, em vez de fluorescente, também deixa o ambiente mais agradável para estudar. 

A arquiteta e professora diz que já viu várias dessas pequenas mudanças serem implantadas pelos próprios professores, que reinventam o ambiente escolar com o que tinham, seja reformando móveis e mudando a sua disposição seja decorando paredes.

“Para a sorte de muitas escolas, alguns professores são bastante criativos em achar maneiras de usar espaços inadequados e mesmo assim criar boas oportunidades educacionais para seus estudantes. Mas imagina se eles não precisassem usar suas energias para compensar más condições de trabalho? Nós acreditamos que os professores devem receber suporte para fazer o que fazem melhor: ensinar”, defende Amy.

“Un libro y una pluma pueden cambiar el mundo”


Malala Yousafzai, la adolescente paquistaní tiroteada por los talibanes en su país, pidió hoy en la ONU que la comunidad internacional redoble los esfuerzos para lograr "educación para todos los niños". Según ella misma ha relatado durante el acto organizado por Naciones Unidas para celebrar su decimosexto cumpleaños: "El 9 de octubre de 2012 los talibanes me dispararon. Pensaron que con sus balas me callarían para siempre pero fracasaron".
Acompañada por el secretario general de la ONU, Ban Ki-moon, y el ex primer ministro británico Gordon Brown, la joven aseguró que sigue siendo la misma Malala, con las mismas ambiciones, esperanzas y sueños, y por ello volvió a pedir "educación para todos".
"Tomemos los libros y las plumas porque son nuestras armas más poderosas. Un libro y una pluma pueden cambiar el mundo", subrayó Malala, quien aseguró que "los extremistas siguen teniendo miedo a los libros". Malala, interrumpida en varias ocasiones por los aplausos de los asistentes, afirmó que no está en contra de nadie, ni siquiera de los talibanes en su país, y aseguró que incluso si tuviera una pistola y estuviera frente a la persona que le atacó "no dispararía".
"Es algo que aprendí de Mahoma, el patrimonio que recibí de Martin Luther King y de Nelson Mandela, la filosofía de la no violencia que aprendí de Gandhi y la madre Teresa, el perdón que aprendí de mi padre y de mi madre", aseguró.

La adolescente paquistaní, que agradeció poder llevar hoy puesto un chador de Benazir Bhutto, reiteró que viajó a la sede de las Naciones Unidas en Nueva York para elevar su voz y pedir "educación para todos los niños".
"El Día de Malala no es mi día, hoy es el día de todos y cada una de las mujeres, niñas y niños que se han atrevido a defender sus derechos", dijo la joven, quien agradeció "la cantidad de amor" que ha recibido en estos meses de recuperación.

terça-feira, 9 de julho de 2013

“O segredo é ter organização e controle”


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Uma prática adotada por pelo menos 1 milhão de famílias nos Estados Unidos chama a atenção de pais brasileiros e causa polêmica por aqui. No homeschooling, crianças e adolescentes deixam de ir à escola para ter aulas em casa. O papel do professor geralmente é desempenhado pelos pais. A pedagoga mexicana Yvette Pais tem experiência na área e é incentivadora do método. Ela o adotou quando dava aulas em escolas do Texas e o filho tinha entre 3 e 4 anos. Atualmente, Yvette mora em Curitiba e, sendo a prática ilegal no Brasil, se dedica a dar dicas a pais que desejam aprimorar em casa a educação que os filhos recebem na escola tradicional. Na semana passada, a pedagoga ministrou uma oficina sobre o assunto e recebeu a Gazeta do Povo para uma entrevista. Confira os principais trechos.
Como funciona a prática do homeschooling? E como garantir sua eficiência?
Primeiramente, os pais devem possuir educação superior, conhecimento e devem saber como dar uma aula. Ter paciência também, algo que é chave tanto para pais quanto para professores. Além de entender sobre psicologia infantil para compreender sobre como funciona esse processo de aprendizado.
A criança não corre o risco de ficar muito sozinha, sem interação com outras?
A criança não precisa ficar sozinha. Em muitos países, há grupos de mães que organizam saídas em grupo, aulas em grupo. Uma mãe pode ser boa em Matemática, outra em Ciências, uma terceira pode entender um segundo idioma. Elas podem formar grupos de até 15 crianças e esses grupos se convertem em pequenas escolas na casa de cada uma, ou em um museu, teatro ou galeria. Isso facilita o aprendizado, pois é mais fácil despertar o interesse da criança em pequenos grupos.
Como seria a avaliação dos pais para saber se a criança aprendeu de fato?
Pode ser um sistema por pontos, levando em conta se a criança conseguiu realizar atividades de acordo com a idade dela. Também há softwares que oferecem atividades para a criança e ela passa de nível quando acerta uma pergunta ou exercício. Não há notas.
Não há o risco de a criança confundir o papel de pai ou mãe com o de professor? Não pode haver problemas de autoridade?
Pela minha experiência, já que eu fiz homeschooling por dois anos com meu filho, eu vejo que não há essa confusão. As crianças são muito inteligentes. O segredo é ser organizado, ter controle, estabelecer bem as regras e convidar a criança a participar. Muitas crianças adoram a oportunidade de ter um dos pais como professor. Eles entendem a diferença, desde que você deixe claro quando é hora de ler um livro e estudar e quando é hora de ver tevê ou jogar videogame.
No Brasil, muitas famílias que vão contra a lei e adotam o homeschooling alegam a péssima qualidade da escola. Pais que pensam assim não acabam ficando mais distantes das políticas educacionais e da comunidade?
Sim, imagino que a pessoa que não tem contato com a escola pública ou privada obviamente não vai ter um interesse, pois está encontrando outras soluções que estão nas mãos dele. Mas não acho que é uma questão de má qualidade, é que o modo de ensinar é o mesmo há 50 anos. O problema é a falta de inovação, que não desperta interesse. É preciso ter uma nova didática, uma nova tecnologia. A criança não é a mesma daquela de 20, 30 anos atrás. Ela aprende de forma diferente. É preciso ter uma nova proposta educacional para o hoje, o agora.
Tal inovação pode levar anos em países como o Brasil. O que pode ser feito para minimizar o problema hoje?
Há alguns elementos que podem ajudar, seja no homeschooling, na escola pública ou privada: apoio. Os pais precisam apoiar os filhos e apoiar os professores de seus filhos, e a escola e os coordenadores precisam apoiar seus professores. É preciso participar e trazer novas ferramentas para a sala de aula, despertar o interesse do aluno, pois não existem maus alunos. O que existe são maus coordenadores e bons coordenadores, maus professores e bons professores. Os alunos são todos bons.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Curso da Secretaria de Fazenda pretende capacitar 30 mil alunos da rede pública até dezembro


Tema corriqueiro entre adultos, os impostos também passaram a fazer parte do cotidiano de estudantes da rede pública do DF, com um curso de educação fiscal oferecido pela Secretaria de Fazenda que pretende despertar a atenção dos pequenos em relação ao recolhimento e aplicação de tributos.

"As crianças precisam entender que tudo o que temos hoje nas cidades é construído com dinheiro de impostos. Assim, elas aprendem a responsabilidade da cobrança dos tributos e passam até mesmo a fiscalizar onde o dinheiro é investido", explicou o secretário de Fazenda, Adonias Santiago.

No primeiro semestre deste ano, 3,2 mil alunos, de oito escolas diferentes, participaram da instrução integrante do projeto "Portas Abertas à Cidadania", que tem duração de quatro horas e, até o fim do ano, pretende capacitar 30 mil alunos.

As aulas são ministradas gratuitamente, e os participantes assistem a vídeos educativos, apresentações teatrais com duração de 40 minutos, além de debates sobre impostos, responsabilidade social, controle de recursos públicos e outros temas.

"O curso tem atividades lúdicas que enfocam a importância da participação de todos na sociedade. É uma ação que leva a criança a compreender para que servem os impostos, item fundamental para exercer seus direitos", completou a subsecretária de Administração Geral da Fazenda, Eunice Santos.

Ao término da aula, os alunos recebem um kit didático com cartilha e outros brindes, como canetas e garrafinhas e, em seguida, participam de um passeio aos pontos turísticos da cidade -com transporte e lanche- durante o qual aprendem, na prática, como são investidos os tributos.

"Falar sobre imposto é chato, mas da forma que eles ensinam tudo fica mais divertido e interessante. Aprendi muito com esse curso", disse Sara Mayara Fonseca, 11 anos, estudante da 5ª série do Centro de Ensino Fundamental 427 (CEF 427) de Samambaia.

Estudante da mesma escola, Marcus Vinicius Teixeira, 11 anos, afirmou que o principal aprendizado foi sobre a necessidade de sempre pedir a nota fiscal ao comprar produtos ou contratar serviços, e guardá-la.

"Não jogo mais a nota fiscal fora e vejo que os adultos não sabem da importância dela. Depois do curso, vi que meus pais não guardavam as notas e os convenci a mudar. Eles me ensinam o tempo todo, mas dessa vez eu os ensinei", orgulhou-se.

Alunos da 4ª série da Escola Classe 01 de Ceilândia (EC 01), Marcelly Gonçalves, Isaac Moura e Nathachila Alves, todos com 10 anos, foram alguns dos 180 estudantes do colégio a participar do curso e garantiram usar os ensinamentos na prática.

"Aprendemos que os impostos melhoram o trânsito, a saúde, educação, creches, segurança, e por isso todos devemos pagá-los para termos uma cidade melhor", lembrou Nathachila.

Para essa turma de alunos, a nota fiscal também foi tema de destaque: "Antes eu achava que a nota era um papelzinho chato que saia das maquininhas. Agora, sei que é importante para provar que comprou e para arrecadar os impostos", disse Marcelly.

Na opinião do estudante Isaac, os tributos eram assunto exclusivo de gente grande, mas agora também fazem parte das rodas de conversa no intervalo da escola: "Até em uma balinha nós pagamos impostos, e por isso as crianças também precisam ter interesse", defendeu.

INSERÇÃO - Antes mesmo de participar do curso, as crianças tiveram, na escola mesmo, atividades de adaptação ao tema que totalizaram 20h de instrução.

"É uma iniciativa importantíssima porque muda a mentalidade das crianças e dos pais. Eles aprendem, colocam em pratica e se tornam multiplicadores, o que é um ganho para a cidadania", destacou a diretora da EC 01,Jocilene Alves.

Na volta do curso, entusiasmados com o que aprenderam, os alunos, assim como esperavam os educadores, multiplicaram o conhecimento adquirido ao transmiti-los aos pais.

Na visão da cabelereira Delva Almeida, 46 anos, mãe de Sara, do CEF 427, a capacitação ajudou a modificar o entendimento da filha sobre as atribuições do Estado, o que, de acordo com ela, a prepara para o futuro.

"Esse curso representa uma segurança a mais para ela, porque ensina como lidar com essas obrigações. Quanto mais cedo ela aprender isso, mais responsabilidade terá", opinou.

O mesmo posicionamento é compartilhado pela técnica em enfermagem Kátia de Sousa, 34 anos, mãe do estudante Marcus.

Ela defende que as crianças devem ser iniciadas no tema "o quanto antes", ação que, "na verdade, é uma oportunidade a mais de desenvolvimento dos estudantes".

INICIATIVA POSITIVA – Defensor da educação fiscal, o professor da Universidade de Brasília e membro do Conselho Federal de Economia, Roberto Piscitelli, avaliou como positiva a iniciativa do GDF de promover esse tipo conhecimento aos estudantes da rede pública.

Segundo ele, o curso proporciona mais engajamento das crianças na fiscalização dos tributos, além de dar mais noções de civilidade.

"Esse tipo de formação tende a transmitir valores diversos e mostra a importância dos impostos para a construção do dia a dia, mas também para o futuro. Sou entusiasta com este tema", revelou.

Para o especialista, a educação tributária e financeira são assuntos complementares e que devem ser incluídos na grade curricular dos alunos, não em forma de disciplina, mas distribuídos juntamente com outros conteúdos, como prevê o projeto da Secretaria de Fazenda.

"À medida que conscientizamos sobre a importância do pagamento do tributo, mostrando que nada cai de graça, fazemos as crianças entender os mecanismos das finanças públicas e a responsabilidade de cada cidadão", concluiu.

De acordo com o especialista em economia do setor público Vander Mendes Lucas, a oferta desse tipo de conteúdo "é importante para gerar uma cultura fiscal no brasileiro".

"Se formos analisar, boa parte dos problemas de evasão fiscal vem em função da má formação do consumidor. Esse formato de curso é bom porque conscientiza, desde pequeno, a responsabilidade de cada cidadão", acrescentou.

O curso foi iniciado este ano e conta com o financiamento do Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização (Fundaf), do Ministério da Fazenda.

Participam da organização dessa ação servidores das secretarias de Fazenda, Educação e Turismo, e da Escola de Administração Fazendária (Esaf).

Novas turmas deverão ser iniciadas no mês de agosto, assim que terminar o recesso escolar.

As instituições de ensino são selecionadas pela Secretaria de Fazenda, e o principal critério é estar sediada em locais de baixa renda.

Fonte: Secretaria da Fazenda/DF 08/07/2013