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quarta-feira, 31 de julho de 2013

Korczak e seu papel na educação de crianças


Credito:
O respeito pelos direitos das crianças e a busca por uma educação promotora da autonomia dos estudantes foram constantes na atuação profissional de Janusz Korczak (1878-1942), considerado um dos pioneiros na prática de Jornal Escolar, ao lado de Célestin Freinet.

Os exemplos de Korczak mostram a educação como uma opção ética radical e a gestão democrática e a comunicação como partes essenciais do processo de aprendizagem. 
Aliás, tanto Freinet quanto Korczak apostaram no jornal impresso como aliado no processo educacional porque percebiam que os jovens tinham necessidade de expressar suas ideias.

Korczak também fundou o orfanato ‘Dom Sierot’ (A Casa dos Órfãos), na Varsóvia, em 1910, espaço que, após a Primeira Guerra Mundial, transformou em uma República onde as crianças tomavam todas as decisões coletivamente. Ferramentas como Código Moral, Conselho Jurídico, Cooperativa, Poupança, Empréstimo, Tribunal e o Jornal Impresso eram utilizadas na organização das atividades. A repercussão foi tão positiva que uma revista local da época (Nasz Przegrad, ou Nossa Revista) produziu uma edição infantil, organizada por Korczak, com contribuições de crianças de toda a Polônia, e com ‘remuneração’.

Em sua obra “Como amar uma criança” (1915) ele escreveu: “os cursos de jornalismo pedagógico poderão, talvez num futuro próximo, ser inseridos no programa de ensino nas escolas para professores”. O que ele chama de jornalismo pedagógico é, essencialmente, uma das áreas de intervenção da Educomunicação.

Janusz e as crianças do orfanato, precocemente, morreram durante a Segunda Guerra Mundial. Esta história é contada no filme “As 200 crianças do Dr. Korczak” (1990), de Andrzej Wajda, disponível no Youtube (migre.me/fCXGA).
Fonte: Jornal da Manhã 31/07/2013 (Texto publicado no blog Educom USP (educomusp.wordpress.com) com edição de Talita Moretto) 

Venda de livros cai 7,4% com governos comprando menos


A venda de livros caiu 7,36% no Brasil em 2012 na comparação com 2011, consideradas as vendas para o governo e para o mercado. Foram 470 milhões de exemplares em 2011, ante 435 milhões no ano passado.

Com isso, o setor editorial teve seu pior desempenho na década, encolhendo 2,64% --o faturamento passou de R$ 4,8 bilhões para quase R$ 5 bilhões, mas cresceu abaixo da inflação, de 5,84% (no índice IPCA).

Nos últimos anos, as editoras, que resistiram bem à crise internacional no setor em 2009, já vinham registrando crescimento cada vez menor. O mais recente levantamento anual do setor foi divulgado ontem pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e pelas entidades Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros) e CBL (Câmara Brasileira do Livro).

A maior queda foi nas compras por governos, que adquiriram 10% menos títulos no ano passado.

Se em anos anteriores as compras governamentais evitaram o encolhimento do setor, desta vez puxaram os números para baixo. Desconsiderada a aquisição pública, o faturamento das editoras foi 0,49% maior, em vez de 2,64% menor.

Leonardo Muller, coordenador da pesquisa da Fipe, explica que as compras do governo variam ano a ano conforme as séries escolares contempladas pelo maior programa do país, o PNLD (Plano Nacional do Livro Didático).

TÍTULOS
No setor como um todo, houve uma pequena redução no número de títulos impressos produzidos, de 58.193, incluindo novos e reeditados, para 57.473.

A pesquisa mostrou também que o livro no Brasil ficou 12,46% mais caro em 2012, após oito anos de queda no preço ou crescimento abaixo da inflação.

Descontada a inflação, o aumento foi de 6,25%. O preço médio na venda das editoras para as livrarias passou de R$ 12,15 para R$ 13,66. Segundo a Fipe, o preço deflacionado ainda é 41% menor que em 2004.

"Há uma queda acumulada há bastante tempo. Podemos levantar hipóteses para o aumento, como o preço do papel. É provável que a perda de margem das editoras tenha começado a ser reposta", diz Muller.

A pesquisa também abordou a produção de livros digitais. Em 2012, foram produzidos 7.664 e-books e aplicativos de livros, cujas vendas alcançaram 235 mil exemplares, com faturamento de R$ 3,9 milhões --menos de 0,01% do faturamento total do mercado.

METODOLOGIA
O levantamento da Fipe é realizado partir de dados informados por editoras, o que sempre torna os dados passíveis de questionamentos.

Com a chegada de multinacionais como Nielsen e GFK, que medem as vendas na boca do caixa das próprias livrarias, o Brasil deve ter números mais confiáveis nos próximos anos.
Nesta edição, 197 editoras participaram da pesquisa, dentro de um universo de 734 empresas do gênero no país.

Considerando que as principais editoras participaram, a amostra utilizada corresponde a 46% do faturamento do setor.

Fonte: Folha de S. Paulo 31/07/2013 Raquel Cozer

terça-feira, 30 de julho de 2013

A educomunicação como ferramenta de combate ao abuso e à exploração sexual

jornal feito pelos jovens
Falar sobre abuso e exploração sexual em sala de aula não é tarefa fácil, muitas vezes os professores têm dificuldades de trabalhar essa temática por se tratar de um assunto pesado e complexo.
Para contribuir nessa abordagem e ajudar a prevenir a violência sexual contra crianças e adolescentes um grupo de jovens paranaenses utiliza, desde 2006, a educomunicação como ferramenta. Eles fazem parte do projeto Navegando nos Direitos, desenvolvido pela Ciranda – Central de Notícias dos Direitos da Infância e da Adolescência, em Paranaguá (PR).
No projeto os jovens aprendem a produzir material informativo, como jornais, e vídeos sobre enfrentamento às violências sexuais contra crianças e adolescentes. Nos materiais eles dão dicas sobre como identificar sinais de abuso, como fazer denúncias, explicam um pouco sobre a rede de proteção e convidam a comunidade para ajudar e combater essa violência, e o melhor é que tudo é construído numa linguagem simples e dinâmica. “O projeto Navegando nos Direitos tem uma linguagem jovem para tratar do tema da violência sexual. Quando o adolescente entende o assunto é mais fácil alcançar outras pessoas, porque o jovem é um bom multiplicador. Além disso o uso de equipamentos como câmera de vídeo nas atividades é muito legal”, comenta Rhuani Vellozo, jovem participante do projeto.
Além de incentivar os alunos a entenderem essa problemática e envolvê-los no enfrentamento, o projeto também auxilia o trabalho de prevenção das escolas. A diretora do colégio Faria Sobrinho, Mirian Pereira, reconhece que falar sobre violência sexual usando as tecnologias faz muita diferença. “Quando o professor dá uma aula com o quadro e o giz, talvez ele não atinja todos os alunos, porque os jovens de hoje estão na era da tecnologia. Uma aula mais dinâmica e diferenciada traz mil motivos para que eles participem da discussão. Quando o aluno arregaça as mangas e vai para a prática tudo funciona melhor, o aprendizado e o resultado são sempre melhores quando o aluno aplica o que está aprendendo, que no caso é possível com as ações incentivadas pelo projeto.”
O projeto Navegando nos Direitos é patrocinado pela Petrobras e atua com um grupo de 20 jovens, representantes de cinco escolas da rede estadual de ensino de Paranaguá. Os jovens recebem formação em educomunicação e enfrentamento às violências sexuais e multiplicam as experiências na escola e na comunidade, construindo jornais, vídeos e diversos materiais de comunicação.
Os professores dos colégios envolvidos também recebem formação sobre educomunicação e enfrentamento às violências sexuais. A proposta é que a educomunicação seja uma constante aliada na abordagem dessa temática em sala de aula.
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>> Artigo escrito pela Central de Notícias do Direitos da Infância e Adolescência – Ciranda
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Educação & Mídia (Instituto GRPCom)

De volta para a escola


Umas das funções da escola é inserir a criança no mundo público --e essa é uma lição difícil para a criança - Rosely Sayão
Nos próximos dias, as crianças voltarão às aulas depois de um período de descanso. O melhor desse retorno é reencontrar os colegas, conviver e brincar com eles e até mesmo provocá-los. Isso também faz parte do relacionamento entre elas.
Durante as férias, em geral, as crianças ficam sem a rotina rigorosa que a escola impõe até mesmo fora de seu espaço. É que o horário escolar determina também os horários em casa. Horários para dormir, para acordar, para alimentar-se e para brincar, entre outros, são organizados pela família de acordo com o horário em que os filhos vão para a escola, não é verdade?
Além da retomada de uma rotina nem sempre agradável para a criança, retornam também as responsabilidades com a vida escolar: lição de casa, estudo para um bom aproveitamento, aulas particulares e outras atividades complementares. E voltam também a cobrança dos pais e as próprias da criança, é claro.
Por isso é que, depois das férias, independentemente da idade, a criança passa novamente por um período de adaptação. E, nesse recomeço, muitos pais enfrentam birras, recusas, mal humor, resistências e choros que atrapalham a retomada da rotina e o cotidiano familiar, sempre marcado por horários.
É preciso ter paciência porque é difícil mesmo para a criança passar de uma situação para outra quando a escolha não foi feita por ela. Quando ela está dormindo não quer acordar, quando está brincando não quer ir tomar banho e, quando está no banho, não quer sair. Haja paciência! Mas esse é mesmo o ingrediente mais importante quando se tem filhos.
Há também um ponto importante que nem sempre é considerado nessas horas difíceis para os pais, que podem achar que tudo não passa de manha dos filhos.
Como integrante da família, o filho é único, mesmo quando há irmãos. Todos os filhos são únicos na dinâmica familiar atual. E, acima de tudo, as crianças são o centro da família.
Agora, imagine, caro leitor, sair desse lugar privilegiado e passar a ser mais uma entre tantas outras crianças. Não, não é nada fácil para ela essa passagem do aconchego e da segurança do ambiente familiar para a impessoalidade do mundo público. Essa é uma das funções fundamentais da escola. Aliás, essa é uma das lições mais difíceis para a criança: a entrada no mundo público. Difícil, mas absolutamente necessária.
Na experiência de ser mais uma, a criança tem vantagens e desvantagens. Ela vivencia, por exemplo, relacionamentos em que o afeto não é o eixo central. Por mais que isso possa parecer ruim, saiba, leitor, que é muito bom! Os afetos familiares são fundamentais, mas também pressionam, exigem, cobram. Livrar-se deles por um período do dia é estruturante também para a criança.
Por outro lado, participar de um grupo de adultos e de pares que a criança não escolheu pode ser incômodo. Mas assim será a vida dela num futuro próximo e, por isso, é tão importante que ela aprenda a viver por conta própria no ambiente social.
É por isso que muitas crianças expressam, de maneiras diversas, algum desgosto no retorno às aulas. E é por isso também que os pais precisam ser pacientes, compreensivos e amorosos na situação, porém firmes e confiantes de que o filho conseguirá superar sua dor. E a escola deve realizar essa transição docemente.
Aprender e crescer doem, mas ninguém deve permanecer na infância além do tempo próprio dela, não é?
Fonte: Folha de S. Paulo 30/07/2013

Inscrições para 14ª turma dos Novos Talentos O POVO prosseguem até 12 de agosto


Prossegue até 12 de agosto o prazo para que estudantes de jornalismo da cidade de Fortaleza, e que estejam cursando a partir do 4º semestre, inscrevam-se no processo seletivo da 1ª turma do curso Novos Talentos O POVO, com início em setembro.  

Criado em 2007,  a iniciativa é realizada pelo jornal O POVO (CE) em parceria com a Fundação Demócrito Rocha (FDR), organizada pela Universidade Corporativa O POVO (UniOPOVO). 

A seleção é realizada duas vezes por ano, no primeiro e segundo semestres e consta de p
rovas de Língua Portuguesa, Redação e Conhecimentos Gerais (memória, atualidades locais, nacionais e internacionais) na primeira etapa da seleção. Na página www.opovo.com.br/novostalentos é possível fazer o download das provas anteriores.

No decorrer do treinamento, os estudantes têm a oportunidade de conhecer a rotina das redações dos diversos meios de comunicação (jornal, rádio, TV e Portal), participando também de oficinas e cursos com jornalistas do Grupo e professores contratados.

Hoje, vários jornalistas e estagiários do jornal são egressos do Novos Talentos. Durante o curso, os participantes recebem assinatura do O POVO; certificação do curso (caso cumpra frequência mínima de 75% e tenha nota mínima de 5 em todas as atividades e disciplinas de que participar durante o curso); seguro de vida; vale-transporte e alimentação.

O aluno que atender todas as exigências e obtiver certificação do curso poderá aproveitar como atividade curricular de Estágio Supervisionado, a critério da instituição na qual faz o curso de graduação. 

Calendário – 14ª Turma Novos Talentos
  

  • Período de inscrição da 14ª turma: a 12/08/2013 - Até 14h.
  • Divulgação dos selecionados para a prova escrita: 13/08/2013.
  • Prova escrita: 14/08/2013.
  • Divulgação dos selecionados para a entrevista com área de Recursos Humanos (RH): 23/08/2013.
  • Entrevista com Recursos Humanos: 27/08/2013 e 28/08/2013.
  • Divulgação dos selecionados para o Ciclo de Palestras: 09/09/2013
  • Ciclo de Palestras: 11/09/2013 a 19/09/2013
  • Entrevista com o coordenador do curso e com a UniOPOVO: 20/09/2013.
  • Divulgação do nome dos selecionados para participar do curso: 20/09/2013.
  • Início do curso: 25/09/2013.
  • Conclusão do curso: 20/12/2013. (Fonte: Ass.Imprensa/O POVO)

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Educação é prioridade para 80% dos jovens brasileiros, diz estudo


A juventude ibero-americana de hoje é, em termos gerais, otimista sobre seu futuro, valoriza a educação, mas confia pouco nas instituições. Já o jovem brasileiro coloca a qualidade da educação como prioridade, é mais aberto quando o assunto é controverso e confia mais nas instituições que os outros jovens ibero-americanos.
Os dados foram apresentados em pesquisas divulgadas nesta semana. Uma delas foi feita pela Organização Ibero-Americana de Juventude (OIJ), que ouviu mais de 20 mil jovens. O objetivo do estudo, intitulado "O Futuro já Chegou", é ampliar o conhecimento sobre os jovens através das opiniões das mais de 150 milhões de pessoas de entre 15 e 29 anos que vivem em mais de 20 países ibero-americanos, o que representa 26% da população total.
Para Luis Alberto Moreno, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento – instituição que também participou da pesquisa –, investir na juventude é escutá-la e decifrar suas mensagens.
“Estamos diante de uma juventude que não se conforma, que pede melhores oportunidades, melhor qualidade de educação, de saúde, de instituições e oportunidades de emprego e de empreendimento”, afirmou Moreno durante o lançamento da pesquisa. Para ele, os recentes protestos que tomaram as ruas do país com grande participação de jovens revelam que os jovens reconhece a importância da sua participação para a construção do futuro.
Outro aspecto apontado pela pesquisa é a presença da violência na vida do jovem. Segundo os dados, os brasileiros são os que mais reconheceram esse problema no seu ambiente. Apesar disso, o jovem brasileiro se mostrou mais aberto em relação a questões mais controversas, como aborto, legalização da maconha e a acolhida de imigrantes. Segundo o estudo da OIJ, cerca de 40% dos jovens brasileiros têm uma visão oposta à dos pais em relação a esses temas.
Educação melhor
Cerca de 80% dos jovens brasileiros consideram a educação uma prioridade, resultado 4,75 pontos superior ao registrado entre os mais velhos, segundo pesquisa da Secretaria de Assuntos Estratégicos da presidência da República divulgada também nesta semana. O estudo ouviu mais de 11 mil jovens antes da eclosão dos protestos que ocuparam as ruas de várias cidades do país.
Em relação aos jovens de outros países ibero-americanos, o brasileiro respondeu de forma mais negativa que todas as outras regiões. Cerca de 40% deles, por exemplo, disseram que o ambiente escolar é violento. Ao mesmo tempo, pouco menos de 10% afirmaram que o ambiente escolar é exigente academicamente.
Para o secretário-geral da OIJ, Alejo Ramírez, a educação é uma demanda clara da juventude. “O melhoramento dos processos educativos, tanto no ensino médio quanto na universidade, é uma demanda clara e precisa dos jovens ibero-americanos”, disse Ramírez à Deutsche Welle Brasil. “Eles sabem que a educação é o único jeito de garantir algum sucesso na vida profissional”.
Essa também é a visão de Bruno Vanhoni, assessor internacional da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) da Presidência da República. Ele disse à DW Brasil que o modelo do ensino médio brasileiro é pouco atraente para os jovens. “É um debate que vem se arrastando há alguns anos e tem ganhado força”, disse, ao se referir às propostas de reformulação do currículo e das metodologias adotadas hoje no ensino médio.
Apesar das críticas ao sistema educacional, a universidade aparece na pesquisa da OIJ como a instituição mais confiável na opinião dos jovens. “É um espaço de aspirações porque nem todos vão chegar à universidade, mas se eles estão falando que a instituição com a melhor imagem é a universidade, então há uma vinculação entre a educação e o futuro dos jovens”, explicou Ramírez.
Expectativas
Com a pesquisa da OIJ, foi possível estabelecer um índice de expectativas, que funciona como uma espécie de ranking que mede o grau de perspectiva positiva ou negativa dos jovens de cada país a respeito dos próximos cinco anos. O índice – baseado em variáveis subjetivas – serve para complementar dados objetivos, como o PIB (Produto Interno Bruto), para fornecer mais subsídios na construção de políticas públicas para a juventude.
Para construir o índice, os jovens atribuíram uma nota de 1 a 10 para itens como corrupção, emprego estável, desigualdade, etc. Segundo o estudo a OIJ, os jovens de Equador, Costa Rica e Nicarágua são os mais otimistas. Brasil, Guatemala e Portugal têm a visão mais negativa sobre o futuro.
Apesar das respostas negativas sobre o futuro, o jovem brasileiro é mais engajado, segundo a pesquisa. “O brasileiro tem um perspectiva não necessariamente otimista sobre o futuro, mas tem melhor vinculação com as instituições que outros jovens da América Latina e esses são pontos [que podem servir] para aprofundar a análise da situação dos jovens brasileiros”, aponta Ramírez.
O índice de confiança que o jovem brasileiro tem em relação às instituições – incluindo os meios de comunicação, a justiça e a polícia – é maior do que a média ibero-americana, mas ainda é um índice baixo (entre 20% e 30%), na visão de Bruno Vanhoni. “Essas reivindicações apontam para reconhecimento do papel das instituições, eles e estão cobrando dessas instituições que elas cumpram seu papel.” 
Fonte: Deutsche Welle 28/07/2013

“Espelho, espelho meu...”

Foto: “Espelho, espelho meu...”
    A Psicologia tem buscado
    enfatizar o crescimento 
    saudável e a criação de 
    espaço para a expressão 
    do ser. Por outro lado, a 
    escola ocupa praticamente 
    metade do tempo (ou mais) 
    de uma criança ou 
    adolescente. 
    Por isso, é importante que 
    os educadores estejam 
    atentos  para que a escola 
    não seja apenas um lugar 
    com finalidade de cumprir
    programas, mas também para trocas que contribuam à 
    formação da identidade e à construção de uma autoestima
    saudável. O Programa Jornal, Escola, Comunidade, 
    desenvolvido pelo jornal A Tribuna, de Santos/SP, 
    entrevista a especialista Beatriz Acampora (*), autora do livro 
    Autoestima – práticas para transformar pessoas.

    Por que a Psicologia tem enfatizado a importância da 

    autoestima no processo educativo?

    A educação é a base de tudo e ela começa em casa, nas 

    relações íntimas familiares, nas construções das regras, 
    dos papéis sociais,  do valor que as pessoas têm na vida 
    umas das outras, no cuidado diário em oferecer atenção 
    às necessidades daqueles seres que  estão em formação: 
    crianças e adolescentes. A escola é o palco onde a 
    socialização se dá efetivamente na vida da criança, onde 
    ela começa a lidar com grupos grandes, a dividir espaço, a 
    compartilhar deveres, tarefas e objetivos. É importante que 
    este espaço tenha uma atenção voltada para a formação 
    da  autoestima  das crianças e adolescentes que 
    compartilham  seus ambientes,  pois os acontecimentos 
    da escola têm um impacto direto na  vida deles.

    De que forma isso é um facilitador na aprendizagem?

    Uma criança com boa autoestima tende a se interessar por

    si mesma, a fazer escolhas que não a prejudiquem, respeita 
    seus limites e os limites dos colegas, consegue superar os
    desafios, ser mais resiliente diante das dificuldades, é mais 
    persistente e luta pelos seus objetivos. Na aprendizagem, 
    isso é um grande facilitador para que a criança ou 
    adolescente crie estratégias para os estudos, mesmo 
    nas disciplinas em que têm mais dificuldades. O professor 
    precisa estar preparado para lidar com os alunos nesse 
    sentido, tanto de baixa autoestima  quanto de 
    supervalorização.

    De que forma proceder?

    Em primeiro lugar, o próprio professor deve ter uma boa 

    autoestima, pois o modo como nos relacionamos com as
    pessoas apenas retrata como lidamos conosco. 
    Um professor com baixa autoestima dificilmente conseguirá
    incentivar seus alunos a desenvolver uma boa autoestima. 
    Não porque ele não queira, mas porque seus 
    comportamentos, suas palavras sempre o trairão. 
    A postura do professor deve ser de observar, 
    compreender, acolher e  oferecer recursos e estratégias 
    para mudanças em conjunto com a criança e com a família. 
    É importante buscar compreender qual a intenção positiva 
    por trás do comportamento da criança, ou seja, o que ela 
    está tentando sinalizar com seu comportamento, mesmo 
    que em um primeiro momento ele pareça inadequado.

    Por que a escola é essencial na construção da 

    identidade e do autoconceito?

    A escola não é a única responsável pela autoestima das 

    crianças e jovens, mas ela tem um papel essencial. É na 
    escola que surgem a competitividade, a inserção em grupos 
    distintos da família, a busca pela adequação e adaptação 
    social às regras que valem para todos, como uso de 
    uniforme, convívio social, cumprimento de horários de 
    entrada, saída, lanche. É preciso ter um olhar atento 
    ao modo que as crianças e jovens expressam seus 
    sentimentos, às padronizações de  estereótipos, para
    que a construção da identidade e do autoconceito 
    sejam saudáveis. É preciso ter espaço para olhar o ser.

    (*) BEATRIZ ACAMPORA É MESTRE EM COGNIÇÃO E 

    LINGUAGEM, ESPECIALISTA EM PSICOLOGIA, 
    COMUNICAÇÃO E SAÚDE, PSICÓLOGA, JORNALISTA E 
    PROFESSORA DA UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ. 
    É AUTORA DE DIVERSOS LIVROS PELA WAK EDITORA. 
    Fonte: Jornal, Escola, Comunidade/ Autora: Carolina Morgado Viana (
    http://hotsites.atribuna.com.br/atribuna/jornalescola/noticias.asp?idConteudo=1421&categoria=3)