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terça-feira, 2 de abril de 2013

Lanche coletivo

As crianças participam intensamente de todas as etapas do lanche coletivo




















FALA PROFESSOR - Com Marly Fiorentin

"O lanche coletivo favorece a educação alimentar das crianças que participam. Dessa forma, as crianças têm a oportunidade de experimentar novos sabores, exercitar a escolha diante de um cardápio disponível e ganhar autonomia ao se servir"

O lanche coletivo é uma atividade que realizo periodicamente no Colégio Estadual Padre Colbachini, que fica em Nova Bassano, estado do Rio Grande do Sul. Preparado junto com as crianças, este tipo de exercício possibilita que os pequenos alunos aprendam as seguintes informações durante a aula: reeducação alimentar, educação dos sentidos (cheiros, sabores, texturas), coordenação dos movimentos (utilização de utensílios domésticos, atividades de versar, cortar, mexer), atividades de etiqueta à mesa e higiene, conhecimentos multidisciplinares de matemática (quantidades , numerais, medidas de copo, xícara, colher, todos utilizados no trabalhados da receita), vocabulário (nome dos alimentos e ingredientes), ciências( classificação dos alimentos, origem e nutrição saudável), entre outras possibilidades que as crianças trazem, pois são extremamente curiosas.


DESENVOLVIMENTO

1º PASSO
Antes de preparar as receitas, sempre trabalho tudo o que for possível para enriquecer o aprendizado dos alunos. Geralmente contextualizo a atividade com algum tema que está sendo trabalhado. Por exemplo, a aula relacionada ao bolo, pode ser preparada partindo de histórias conhecidas pela turminha, ou o professor pode aproveitar para apresentar outros contos para a turma. Certa vez, aproveitei um dia de chuva e, a partir das histórias do Sítio do Pica Pau Amarelo, mostrei o preparo de verdadeiros bolinhos de chuva. 
2º PASSO
A atividade em que preparamos o bolo, eu pedi que cada criança trouxesse um ingrediente. Trabalhamos na rodinha sobre os nomes, as quantidades, as origens. Por exemplo, quando eu os questionei de onde surgiu o chocolate, me surpreendi quando um menino me disse que era do cacau, pois não há em nossa região. Então, expliquei onde se produz esta fruta e as questões climáticas necessárias para a sua produção.

3° PASSO
Surgiram questões interessantes sobre a produção do açúcar e da farinha. Aproveitei para trabalhar os números, as quantidades e as letras iniciais. Depois, preparamos o bolo. É importante que todos participem usando os aventais e toucas.
Conclusão

O lanche coletivo é uma atividade de preparação para a vida, que dá autonomia às crianças, traz conhecimentos importantes como o valor nutritivo dos alimentos, proporciona a experiência da partilha e do trabalho colaborativo. Acesse o blog da turma e veja outras atividades realizadas no Colégio Padre Colbachini:http://diariogalerinha. blogspot.com.br

Marli Fiorentin
http://blogosferamarli.blogspot.com.br Educadora da Educação Infantil, graduada em Letras, especialista em Tecnologias na Educação

Fonte: Página do Programa O POVO na Educação/ Jornal O POVO http://www.opovo.com.br/app/colunas/opovonaeducacao/2013/04/02/noticiasopovonaeducacao,3030538/lanche-coletivo.shtml

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Crianças analfabetas da Etiópia aprendem sozinhas a hackear tablets

Crianças analfabetas da Etiópia aprendem sozinhas a utilizar e até hackear tablets. Caixa com aparelhos foi deixada em aldeia remota e o que os registros revelaram é bastante animador

Certa vez alguém perguntou ao astrônomo e divulgador de ciências Neil deGrasse Tyson o que fazer para despertar a curiosidade científica nas crianças, e o conselho dele foi: “sair do caminho delas”, ou seja, deixá-las explorarem à vontade.
As crianças, segundo ele, já nascem cientistas, com curiosidade e vontade de explorar e conhecer.
O pessoal do “One Laptop Per Child” (“Um Laptop Por Criança” – OLPC) comprovou essa ideia na prática. A empresa de Nicholas Negroponte já distribuiu 3 milhões de laptops para crianças em 40 países, uma atividade que geralmente integra professores a alunos. Mas e onde não tem professor? E onde todo mundo é analfabeto?
criança etiópia tablet
As crianças, segundo o astrônomo Neil deGrasse Tyson, já nascem cientistas, com curiosidade e vontade de explorar e conhecer. 

A ideia foi comprovada na prática e com o mais extremo dos contextos.

A equipe do OLPC deixou uma caixa fechada com tablets Motorola Xoom em duas aldeias etíopes, Wonchi e Wolonchete, onde nunca havia caído ou passado nada escrito.
Eles ensinaram alguns adultos como usar os painéis solares que recarregam os tablets, e pronto. Largaram lá os aparelhos recheados de programas educativos, livros, filmes e jogos.
Uma vez por semana, eles apareciam nas aldeias para trocar o chip de memória dos tablets, onde estavam registradas as atividades das crianças, todas entre 4 e 8 anos. E o que os registros mostraram é bastante animador.
*  4 minutos depois que a equipe saiu da aldeia, as crianças já haviam aberto as caixas e descoberto como ligar os tablets – eles nunca tinham visto um botão de liga/desliga antes;
*  uma semana depois, cada criança usava em média 47 aplicativos por dia;
*  duas semanas depois, eles estavam disputando quem soletrava o alfabeto mais rápido, e cantavam músicas como o abecê;
*  cinco meses depois, eles conseguiram ultrapassar a proteção do tablet, que não deixava personalizar o mesmo, e além de cada um ter um tablet completamente diferente, eles também conseguiram habilitar a câmera, que alguém tinha deixado desabilitada por engano – traduzindo, eles hackearam o tablet;
*  uma das crianças, que brincava com programas de alfabetização que usam imagens de animais, abriu um programa de desenho e escreveu a palavra “Lion” (leão);
*  o que uma criança descobria sobre os tablets era compartilhado rapidamente com todas as crianças. Elas formaram uma rede solidária de aprendizado espontaneamente.
criança etiópia tablet
Experimento de crianças da Etiópia com tablets foi esplendoroso
(Foto: Divulgação)


Em cinco meses, a vila saiu da “idade da pedra” e se lançou no caminho da alfabetização e da informática. Imagine se cair um disco voador na Etiópia…

Maria Alice Setubal: Novas formas de aprender e ensinar


s tablets substituirão o professor? Como as tecnologias afetam a educação? Por que a educação tradicional não responde aos anseios da sociedade contemporânea? A relação entre as tecnologias e a educação instiga muitas questões.

Os vídeos de matemática de Salman Khan são apenas um exemplo. O sucesso das inúmeras plataformas, vídeos, games e aplicativos educacionais que inovam as formas de aprendizagem nos leva a refletir sobre os fundamentos que apoiam essas ferramentas.
A revolução tecnológica possibilitou o surgimento de uma inteligência coletiva, com aprendizagens em rede e descentralização das esferas do conhecimento.

A aprendizagem é um processo social fruto de um contexto histórico. Portanto, a revolução tecnológica impacta diretamente esse processo não apenas pelas inúmeras possibilidades de acesso às informações, como também pela forma sistêmica de construção do conhecimento. A maioria das escolas ainda trabalha de maneira linear e simplista, onde o ensino se baseia em aulas expositivas e livro didático. Já a inteligência coletiva é colaborativa e se irradia a partir de diversas fontes e formatos.

O hipertexto é um exemplo desse processo. Cada clique abre infinitas portas de informações. O conhecimento não está mais estanque em caixas. Ele é transversal e produzido nas conexões entre várias informações. Essa transversalidade se expressa nas demandas das empresas e nas expectativas dos jovens.

De um lado, as organizações buscam um perfil de colaborador que responda aos desafios do mundo globalizado e complexo. Pessoas que saibam resolver problemas, comunicar-se claramente, trabalhar em equipe e de forma colaborativa. Que usem as tecnologias com desenvoltura para selecionar, sistematizar e criticar as informações. E que sejam inovadoras e criativas.

Por outro lado, pesquisas mostram que os alunos querem ter maior liberdade e autonomia, um ensino personalizado, colaborativo e em rede, com conteúdos relacionados ao mundo real. O jovem quer sentir-se motivado e conectado com as tecnologias. Quer ser produtor de conhecimento e cultura, não um passivo ouvinte de aulas expositivas.

Assim, tanto a demanda do mercado de trabalho quanto o novo perfil dos jovens exige uma mudança nas formas de ensinar e aprender. A autonomia, a construção colaborativa do conhecimento, o diálogo, a participação e a criatividade, potencializada pelas possibilidades de navegar na internet com diferentes ferramentas, são os eixos de sustentação desse novo modelo.

O processo amplificado pelas novas tecnologias faz com que o professor não seja mais o único detentor do saber. Ele deve tornar-se um mediador das diferentes fontes e formas de aprendizagem, função muito mais complexa do que a de um expositor de conteúdos. Trata-se de uma pedagogia descentrada, participativa e colaborativa, em que informações e conhecimentos se conectam, se multiplicam e voltam a se conectar gerando novos conteúdos e formatos.

Para fazer da tecnologia uma aliada da educação, é preciso vencer o medo do novo e superar a cultura imobilizadora da queixa. É preciso caminhar em direção a uma cultura da potência. Esse movimento cria um novo paradigma para a profissionalização dos professores.

Ao se atualizar o perfil do professor, dando-lhe condições de responder às demandas educativas que a sociedade espera da escola, resgataremos a valorização docente e a função imprescindível que esses profissionais exercem para a construção do país que queremos.
MARIA ALICE SETUBAL, doutora em psicologia da educação pela Pontifícia Universidade Católica-SP, é presidente dos conselhos do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) e da Fundação Tide Setubal

Sites de videoaulas mudam estratégia para elevar ganhos


Os sites de aulas pela internet estão se reinventando para manter audiência, obter faturamento e não depender tanto de investidores. Apesar de representarem um fenômeno recente no Brasil, essas start-ups (empresas iniciantes de base tecnológica) já vão transformar seus modelos de negócios neste ano.

É o caso do Veduca, criado ano passado pelo engenheiro Carlos Souza, 32. Em 2012 a empresa chegou a 1,4 milhão de usuários cadastrados, principalmente estudantes universitários de administração, ciências exatas, TI e engenharia. A empresa oferece 5.330 vídeos gratuitos, obtidos em parcerias com 15 universidades -12 estrangeiras.

O portal conseguia dinheiro apenas com investidores -no ano passado, a companhia recebeu R$ 1,5 milhão do grupo de investimentos do Vale do Silício 500 Startups e da Mountain do Brasil. A partir de abril, o site vai começar a vender certificações dos cursos oferecidos. Os valores estão sendo definidos.

"Esse mercado já está maduro o suficiente para oferecermos certificações. Elas serão validadas pelo MEC e terão provas presenciais e on-line", conta.

MEIOS DE PAGAMENTO
Já o site Descomplica tem foco em estudantes que ainda estão no ensino médio.
O diretor-executivo da empresa, Marco Fisbhen, 33, conta que, no ano passado, na véspera do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), o site chegou a ter uma audiência de 100 mil pessoas em uma aula transmitida ao vivo. A empresa registrou, em 2012, 1,5 milhão de usuários, sendo 70 mil assinantes, que pagam entre R$ 9,60 e R$ 19,40 por mês.
O Coursera, um dos maiores sites de videoaulas do mundo, registrou 2,7 milhões de usuários desde o lançamento, em abril de 2012.

Segundo Fisbhen, muitos usuários se queixam da dificuldade de acesso aos meios de pagamento, por não possuírem cartão de crédito ou morarem longe de agências bancárias. Para resolver isso e alcançar mais alunos, o site vai integrar sua plataforma a celulares a partir de abril.

"O usuário vai poder pagar com os créditos do celular pré-pago ou os valores irão constar da conta do pós-pago. Será uma comodidade para aproveitar a disseminação dos milhões de celulares pelo país", diz o empresário.

RAZÕES PARA APOSTAR
Executivos do setor de videoaulas apostam no aumento rápido do alcance da internet e também na expectativa de melhora da qualidade da banda larga como ingredientes para atrair mais usuários.

No terceiro trimestre do ano passado, o total de pessoas com acesso à internet no Brasil era de 94,2 milhões, segundo pesquisa do Ibope Nielsen Online. Isso representa quase metade (48,5%) da população brasileira, que é de cerca de 194 milhões, segundo dados do IBGE.
A Mozit, por exemplo, aposta na geração de TVs conectadas à internet e está desenvolvendo conteúdo próprio para elas. Ramon Durães, 37, diretor-executivo da empresa, conta ter 6.500 usuários e que recebe videoaulas de qualquer pessoa: especialistas enviam palestras para avaliação e também definem quanto querem cobrar dos internautas que assistem aos vídeos. A empresa fica com metade do valor.

"Existe outro fator além da era da internet, pouco explorado no Brasil, que é a entrega de conteúdo para toda a nova geração de TVs conectadas. Elas abrem uma porta gigantesca para o Mozit, que já nasceu pensando em consumidores de vídeos de alta definição e dispositivos móveis, como os smartphones e tablets", diz Durães.

Também existem companhias que consideram que o mercado de videoaulas pode estar perto da saturação no Brasil. Diego Alvarez, 28, diretor-executivo da Easyaula, por exemplo, criou sua empresa em julho pensando em um modelo intermediário.

O site oferece cursos pela internet, mas o negócio principal é criar uma rede de aulas presenciais.

A plataforma permite que qualquer pessoa se cadastre e ofereça um curso profissional. A start-up, então, faz uma avaliação da proposta e os cursos selecionados passam a constar em um banco de dados on-line.

Quando há um mínimo de alunos interessados em uma cidade, a Easyaula também se encarrega de arrumar o espaço e a estrutura para o evento.

No ano passado, 700 pessoas assistiram às palestras organizadas pelo site, que custaram entre R$ 50 e R$ 1.000 por aluno.
"Nosso foco são aulas com conteúdos práticos para o trabalho, como cursos de 'design mobile' e para aprender a falar com segurança", afirma Alvarez.

"Muitos profissionais ainda valorizam as aulas presenciais. Mas, sem o alcance de uma rede na internet, eles têm dificuldades de achar um bom professor. O site une o melhor dos dois mundos."

Muitos desses negócios no Brasil são impulsionados por fundos de investimento e investidores-anjo. Nicolas Gautier, 34, sócio-fundador do fundo Mountain do Brasil, afirma que existe uma "fome de educação no Brasil" para justificar a aposta financeira nesse tipo de site.

Ele conta que, neste momento, prospecta novos portais para investir, mas existe uma dificuldade de encontrar empreendedores qualificados. "Procuramos sempre uma oportunidade de mercado grande o suficiente e, o mais importante, uma equipe bem equilibrada. Nós investimos em pessoas."

A Macmillan Digital Education, divisão de educação digital do grupo editorial britânico Macmillan Science & Education, é outra companhia que colocou dinheiro nas videoaulas brasileiras (Veduca e Easyaula). Matthias Ick, 37, diretor da empresa para educação digital, não revela os valores, mas diz apostar que "sites com um modelo de negócios misto -usando conteúdos pagos e gratuitos- irão atrair muito público no Brasil".

Já o fundo norte-americano 500 Startups aportou dinheiro no Descomplica e no Veduca. A brasileira Bedy Yang, 33, que é sócia do fundo, afirma que investe entre US$ 50 mil (R$ 99 mil) e US$ 500 mil (R$ 995 mil) nas empresas.

Para a investidora, o setor é muito promissor, porque "o uso dos vídeos não explodiu e seu alcance ainda é muito restrito a plataformas como o YouTube".

"Um dos critérios que avaliamos para investir em empresas é o diferencial competitivo e encontramos isso no Brasil. O Descomplica possui uma produtora própria de vídeos e o Veduca já realiza busca semântica de conteúdo."

A El Area, fundo de venture capital (capital de risco) brasileiro, também fez aportes nesses sites. O sócio-fundador da companhia, Franco Pontillo, 41, comenta que muitas empresas no Brasil já estão aprimorando suas formas de obter faturamento, apesar de esse mercado ser novo. Mas ele diz que o governo precisa participar desse processo e criar regulações.
"O governo precisa ficar de olho para não virar bagunça. Note que surgiram novas instituições de ensino que estão apenas surfando nessa onda."

Paula Chimenti, professora da Coppead/UFRJ, avalia que as videoaulas têm um potencial enorme, mas opina que usuários, professores e empresas ainda não aprenderam a utilizar adequadamente essas ferramentas.

Ela cita a teoria da gestão de tecnologias emergentes que divide as invenções em "incrementais" e "disruptivas". A primeira tem como exemplo a TV em cores, que não mudou o mercado -apenas atraiu mais audiência. A segunda tem como marco recente o formato de áudio MP3, que revolucionou a indústria fonográfica.

"As videoaulas são disruptivas, mas isso está em pleno desenvolvimento ainda. Nesse aspecto, as pequenas empresas como as start-ups têm mais chance de encontrar melhores formatos de uso, porque não têm todas aquelas amarrações das empresas grandes."

Tecnologia em sala de aula não é suficiente no Brasil, diz pesquisador


“A mera presença dos objetos técnicos em sala de aula não significa necessariamente inovação. Pode até ser um grande retrocesso. O computador sozinho não faz nada”, afirma Edvaldo Couto, professor da Universidade Federal da Bahia. Doutor em Educação pela Unicamp e palestrante das duas edições do InovaEduca 3.0, SP e Recife, ele trabalha em suas pesquisas temas como cibercultura, tecnologias educacionais e criação de narrativas em ambientes digitais. Defensor assíduo do “uso de toda e qualquer tecnologia em sala de aula”, Edvaldo acredita que a Educação 3.0 será aplicada com sucesso quando alguns problemas estiveram solucionados, como a falta de infraestrutura nas escolas e a má formação tecnológica dos professores.
Em entrevista ao Porvir, o professor abordou as questões que permeiam o uso da tecnologia na sala de aula, como isso tem sido feito no Brasil e, ainda, falou sobre as perspectivas educacionais para um futuro próximo. Confira:
Como usar a tecnologia de forma inovadora?
Edvaldo Couto - A mera presença dos objetos técnicos em sala de aula não significa necessariamente inovação. Pode até ser um grande retrocesso. O computador sozinho não faz nada. A Educação 3.0 é a tecnologia de pessoas, que integra pessoas. Para usar as tecnologias digitais de forma inovadora nas práticas docentes precisamos solucionar simultaneamente três problemas:
1 – Melhorar a infraestrutura tecnológica. Existem escolas que receberam computadores e não têm luz elétrica ou acesso à internet. Muitas escolas não têm água potável, não têm biblioteca, não tem sequer professores. Para complicar, os computadores são em número limitado, não tem para todos. É preciso ampliar e criar novas políticas públicas capazes de construir uma boa infraestrutura tecnológica nas escolas.
2 – Melhorar o acesso à rede. A banda larga no Brasil é uma piada. É preciso investir e melhorar a banda larga, entender que conexão é uma necessidade básica da população. Os custos no Brasil, por um serviço sempre ruim, são altíssimos. Precisa reduzir drasticamente o custo e ampliar a velocidade da rede. A internet veloz precisa estar disponível nas escolas. Não pode ser um projeto de algumas escolas particulares e muito caras. Deve ser presença em todas as escolas. Em cada escola pública.
3 – Formar adequadamente os professores para a cultura digital. Muitos professores não sabem o quê nem como fazer uso das tecnologias digitais em suas práticas docentes. Não pode ser apenas um cursinho de poucos horas para ensinar a ligar e desligar aparelhos. Os professores devem ser letrados digitalmente, ter autonomia e liberdade, precisam ser sujeitos integrados na cultura digital.
Esses três pontos na verdade ressaltam que, quando se fala em tecnologias digitais não mais falamos em máquinas, mas em pessoas conectadas, fazendo coisas incríveis porque estão juntas, trabalham em parcerias, de modo coletivo. Se as pessoas não estiverem conectadas e não tiverem liberdade para discutir e criar, nada mudará na educação.
Uma de suas pesquisas é voltada para a Narrativas de Professores nas Redes Sociais Digitais. Como elas podem auxiliar no processo de aprendizado?
Couto - É possível que o mais extraordinário da nossa época seja o fato de qualquer pessoa conectada a internet poder narrar a sua história, contar sobre o seu modo de ver os acontecimentos, opinar sobre um produto, discutir e difundir ideias. A Web 3.0 potencializou essa condição e permitiu a cada um narrar e publicar suas experiências. Então, as narrativas, sobretudo as pessoais, se multiplicam a cada dia nessa esfera pública que é a rede. Muitos professores vivem conetados, são incríveis narradores de si, mas sobretudo de suas práticas docentes. Essas narrativas de professores, especialmente nas redes sociais digitais, orientam, estimulam e se misturam a milhares de outras narrativas de alunos. Qualquer processo de ensino e aprendizagem se mostra mais rico e interessante em meio a essas trocas contínuas.
Como deve ser o processo de integração desse professor na cultura das redes sociais?
Couto - Essa é uma boa questão, porque de fato vivemos uma estimulante e sedutora cultura das redes sociais digitais. Muitos são os professores integrados a algumas dessas redes, mas poucos usam as potencialidades desses ambientes nas suas práticas pedagógicas. Esse parece ser o nosso maior desafio: incentivar professores a inovarem práticas docentes usando as redes sociais digitais. E aqui o importante não é apenas distribuir tarefas, mas, principalmente, criar e manter espaços contínuos e ativos de discussões, produções e difusões de conhecimentos.
E como definir a Educação 3.0?
Couto - A educação 3.0 traz as tecnologias digitais para a sala de aula para estimular a produção e a troca de conhecimentos. A ênfase não deve estar nos objetos técnicos, seus ambientes e aplicativos, mas nas interações, nas trocas, no fazer coletivo. Então a sala de aula passa a ser qualquer ambiente onde as pessoas se conectam umas as outras e criam, encontram soluções para seus problemas, enfrentam coletivamente seus dilemas. Onde tem pessoas conectadas, tem ensino e aprendizagem mediados por tecnologias digitais. O professor não é mais aquele que transmite um determinado saber pronto. Ser professor na cultura digital implica coordenar, orientar, incentivar a aprendizagem colaborativa e cada vez mais personalizada. Não se trata mais de uma mesma tarefa para todos num determinado espaço e tempo. O professor agora é aquele que coordena as atividades em torno de algum problema, ou de determinados problemas. Assim, muitos grupos, em diferentes espaços e tempos, podem trabalhar em conjunto. Cada professor, cada aluno, pode abrir uma frente de investigação e todos podem compartilhar dúvidas e descobertas. A troca contínua de experiências passa a ser um valor fundamental da Educação 3.0. Ela depende menos dos objetos técnicos utilizados e mais das articulações que são feitas. Estar conectado passa a ser a condição desse “estar junto e produzir coletivamente”.
Como ela tem sido usada no Brasil?
Couto - Essas experiências estão presentes em muitas escolas no Brasil. Mas ainda não é o suficiente porque em muitos ambientes escolares o modelo transmissivo impera. Os usos frequentes das tecnologias digitais nos processos de ensino e aprendizagem vão mudar radicalmente o modo como concebemos a educação. Essas mudanças já podem ser percebida onde encontramos professores e alunos engajados, motivados e prontos para enfrentar os desafios de hoje e do futuro. O importante aqui é perceber que o aprendizado se dá por meio de ações continuadas, que não se restringem às oportunidades apresentadas pelo professor, dentro de uma sala de aula tradicional. As pessoas estão cada vez mais conectadas e isso permite explorar muitas possibilidades, criar de muitas maneiras, cada um pode desenvolver o seu ritmo de aprendizagem, abrir-se para experiências sempre renovadas.
Como seria a educação ideal para os próximos 5 (talvez 10) anos?
Couto - Não me agrada muito pensar em certas visões tão difundidas de alunos enfileirados na frente do computador. Com as tecnologias móveis e cada vez menores as pessoas estão conectadas umas às outras por meio de muitos aparelhos. A tendência é que esses aparelhos se tornem progressivamente quase imperceptíveis. Hoje já falamos numa internet corporal. Cada corpo se conectará a outros corpos. As máquinas, como intermediárias da conexão, poderão desaparecer. Restarão as pessoas conectadas e inventivas. Essa seria a realização mais plena do ciborgue. As escolas tradicionais funcionarão ainda por muito tempo e provavelmente algumas gerações ainda lutarão por inovações pedagógicas sempre aprisionadas por burocracias na gestão escolar. Os avanços serão tímidos, mas já importantes, como alguns já citados. Viveremos ainda um bom tempo entre paredes e redes. Mas também é possível desejar e imaginar que brevemente as paredes poderão ser derrubadas e que a escola será não um lugar, mas a extraordinária rede de conexões das pessoas cada vez mais empenhadas em processos de ensino e aprendizagem colaborativos. Aí a sociedade do conhecimento será de fato construída e vivenciada democraticamente.
Fonte: Portal Porvir 27/03/2013

Programa Jornal na Sala de Aula leva crianças ao cinema


Experiência foi inédita para muitos dos alunos, que assistiram ao filme "O Reino Gelado" em tecnologia 3D
A escuridão da grande sala em momento algum deu medo. Pelo contrário, todos estavam dispostos a se aventurar e mergulhar na história de "O Reino Gelado". Os meninos e meninas chegaram ao cinema UCI Ribeiro do Shopping Iguatemi, na manhã de ontem, dispostos a descobrir o fascínio proporcionado pela tecnologia 3D. Eles fazem parte do Projeto Jornal na Sala de Aula, do Diário do Nordeste. Pode até ser algo natural para muitos, mas para os 136 estudantes da Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Cláudio Martins, localizada no bairro Parangaba, na Capital, foi uma experiência inédita.
A visita foi completa, com direito a pipoca e refrigerante. Muitas das crianças, entre 7 e 12 anos, estavam no cinema pela primeira vez. "Nunca tinha vindo. Estamos curiosos e muito felizes", disse o estudante Flávio Lucas Martins Gomes, 12 anos. Ele, junto com os amigos, contou que receberam a notícia da visita ao shopping como um presente. Maria Clara, 9 anos, também ficou contente.
Seis Professores acompanharam os Alunos. A Escola participa do Jornal na Sala de Aula há três anos e é apadrinhada pela empresa Saga. Entre as ações do projeto, está levar as crianças para participarem de ações culturais. A exibição de filmes é um deles, em parceria com o Shopping Iguatemi e UCI Ribeiro, há dois anos.
"É uma oportunidade única. Além dos estudantes, os pais também ficam muito felizes. Se eles pudessem, também viriam, confiam na parceria da Escola com o Diário do Nordeste", afirmou a Professora de Biblioteca Mônica Pinto.
Ela disse que, para ir ao cinema, é necessário que os jovens preencham alguns requisitos. "Eles sabem que só podem vir aqueles que frequentam a biblioteca, pegam livro emprestado, que mostram interesse pelos estudos. Espero que a parceria continue por muito mais tempo".
De acordo com a coordenadora do Jornal na Sala de Aula, Adriana Freitas, o projeto sempre busca ações inovadoras. "Por isso, procuramos tirar os Alunos de dentro da sala de aula e apresentá-los a locais que proporcionem conhecimento. Para eles, assistir ao filme na tela do cinema é um momento único, mágico", avalia.
"Tínhamos um projeto próprio, em que também trazíamos crianças para assistir a filmes. Mas, resolvemos fazer a parceria com o Jornal na Sala de Aula e potencializar esse trabalho", comentou a gerente de Marketing do Iguatemi, Ana Raquel Mendonça. A empresa ficou responsável pelo transporte, com três ônibus, dos estudantes até o local. "Para as crianças, é a realização de um sonho. Ao unirmos forças, proporcionamos Educação e cultura. A ideia é manter a parceria, também com UCI Ribeiro. Foi um ganho para ambas as partes", ressalta.
No ano passado, foram realizadas nove sessões, em nove meses. Participaram cerca de 30 Escolas, levando alegria para, aproximadamente, 1.800 Alunos. Ontem, foi a primeira sessão deste ano, sendo aberta com filme em 3D, ação também inédita.
Incentivo
Iniciado em 1997, o Projeto Jornal na Sala de Aula já beneficiou aproximadamente 110 mil Alunos e 5.500 Professores, divididos em cerca de 1.000 Escolas no Ceará. O objetivo, segundo Adriana, é incentivar e criar o hábito da leitura. "Os pontos positivos já são reconhecidos. Facilidade na escrita e mais desenvoltura na parte oral já são vistos".
A Professora Mônica Pinto confirmou. "Estamos agradecidos com a parceria. Utilizamos o jornal para incentivar a leitura, difundir a informação. Eles levam para casa. Além disso, os Professores usam os textos do jornal como temas de provas e incluem, ainda, nas aulas de gramática, matemática, por exemplo". A Escola tem 600 Alunos.
ENQUETE
Como você se sente fazendo parte do projeto?
"Esta é a primeira vez que venho ao cinema. Estou muito alegre e emocionado, além de curioso para saber como será o filme. É uma ótima oportunidade para todos"
José Arilo de Souza Neto
Estudante
"Eu já tinha vindo ao cinema antes. Acho muito legal. Mas, filme em 3D, é a primeira vez que vou assistir. Estou muito feliz e contente com tudo isso"
Suerda Soares Marques
Estudante
Fonte: Diário do Nordeste (CE) 28/03/2013

Encontro do Globo discute impacto da tecnologia na educação


O primeiro evento da série "Encontros O GLOBO nas universidades" promoveu um debate entre Isadora Faber, criadora do "Diário de classe" no Facebook para denunciar problemas em sua Escola, e Klaus Denecke-Rabello, Professor e especialista em comunicação digital há 12 anos. Com mediação do jornalista William Helal Filho, editor de Educação do jornal e da revista "Formou!", o evento realizado ontem na ESPM discutiu as influências da era digital na vida dos estudantes.
Uma entrevista com Isadora abriu o debate. Ela falou sobre a trajetória da sua página, que, com menos de um ano, contabiliza mais de 600 mil curtidas no Facebook. A estudante da Escola Básica Municipal Maria Tomazia Coelho, em Florianópolis, contou que a instituição passou por reformas e melhorias após suas denúncias. Mas nem tudo foi fácil. A direção e Professores ficaram contra a aluna, que passou a sofrer ameaças de outros estudantes.
- Acho que nem todo mundo gosta de ouvir a verdade. Os Professores registraram queixas contra mim na delegacia. Fico meio insegura, mas meus pais estão sempre junto, me apoiando - disse a estudante, que já foi acusada de cometer calúnia e difamação.
O Professor Klaus afirmou que Isadora é um ótimo exemplo do uso que pode ser feito nas redes sociais em prol da Educação. Em uma apresentação em que abordou o impacto da era digital nas Escolas e universidades, o especialista destacou a importância dos valores éticos nos tempos atuais.
- Podemos levar aulas ministradas por Professores de ponta para os quatro cantos do mundo. Tempo e espaço ficam suspensos. Tecnologia é meio, nunca fim - destacou o Professor. - A melhora da Educação parte de pontos como a Isadora, que estimulam a rede a falar e pensar.
O "Encontros O GLOBO nas universidades" integra uma série de medidas do jornal voltadas para discutir a Educação brasileira. Além da revista "Formou!", publicada sempre na primeira segunda-feira de cada mês, a página de Educação do site do GLOBO ganhou diversas ferramentas, como a seção de jornalismo participativo "Eu-Estudante", um espaço com vídeos exclusivos e uma janela com ofertas de estágio do LinkedIn.  
Fonte: O Globo (RJ) 28/03/2013