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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Publicidade danosa para as crianças


Para reflexão!!!
Por Dalmo Dalari (*)
Um dos graves efeitos da busca desenfreada de proveito econômico, sem respeitar as limitações éticas e jurídicas, efeito já amplamente comprovado no Brasil e em muitos outros países, é o envolvimento das crianças nas mensagens publicitárias e promocionais, para estimular a venda de produtos e serviços, acarretando muitas consequências negativas, entre as quais o sério prejuízo à saúde de crianças e adolescentes. Com efeito, já foi registrado o aumento muito significativo da obesidade, gravemente prejudicial ao desenvolvimento físico e à integração social da criança, em decorrência do grande consumo de produtos sabidamente danosos por sua natureza e composição. Visando, antes de tudo, a ampliação dos negócios, esses produtos são apresentados de modo a seduzir as crianças, sem qualquer advertência quanto aos possíveis efeitos negativos do consumo e, muitas vezes, ocultando ou disfarçando esses efeitos.
publicidade e as promoções desempenham um papel de grande importância nesse processo de envolvimento e sedução das crianças, razão pela qual devem ser objeto de expressa e rigorosa regulamentação legal. Com efeito, muitas vezes as mensagens publicitárias e as promoções, revestidas de imagens bonitas e atraentes, estimulando a busca desenfreada de delícias para o paladar ou de atividades recreativas mas danosas, ou ainda provocando a competição entre crianças e adolescentes na obtenção dessas armadilhas, são o ponto de partida para a degradação física e a deterioração do processo educativo. E quando se denuncia o malefício dessas mensagens e se fala na necessidade da implantação de regras legais limitadoras vem logo uma reação vigorosa do mundo dos negócios, aí incluídas as empresas vendedoras de bens e serviços e as que cuidam da publicidade e divulgação, alegando que tais limitações iriam ofender a liberdade de expressão, que é direito fundamental garantido pela Constituição. Haveria realmente essa ofensa? Essas mensagens estão efetivamente enquadradas no direito à liberdade de expressão?
Precisamente a esse respeito, tem excepcional importância uma decisão recente da Corte Constitucional da Colômbia, que já está sendo objeto de atenta consideração em outros países e que vem sendo referida como importante marco da jurisprudência internacional. Tendo em conta os gravíssimos danos decorrentes do uso de produtos que têm por base o tabaco, o Legislativo colombiano aprovou legislação regulamentadora, estabelecendo severas limitações à publicidade e às promoções, diretas ou indiretas, ostensivas ou disfarçadas, de tais produtos. Em magistral e muito bem fundamentada decisão, considerando os aspectos teóricos, os tratados de Direitos Humanos assim como as disposições jurídicas relativas ao comércio internacional e também os princípios e as normas constitucionais, a Corte Constitucional da Colômbia concluiu pela legalidade das restrições regulamentadoras. Na fundamentação dessa importante decisão, a Corte Constitucional ressaltou que a publicidade e a promoção de produtos como o tabaco e outros que possam ser prejudiciais à pessoa humana e à sociedade está vinculada à liberdade de comércio e não à liberdade de expressão. Com efeito, essas mensagens não transmitem ou defendem ideias e convicções, mas apenas propõem o uso ou o consumo de produtos, bens ou serviços. Nada a ver com o direito à liberdade de expressão.
Por tudo isso, e em defesa das crianças e dos adolescentes, é juridicamente possível e socialmente recomendável uma legislação regulamentadora da publicidade e das promoções, o que, entre outros efeitos, contribuiria para evitar o aumento da obesidade infantil e de outros males que já estão evidentes na sociedade brasileira.
 Dalmo de Abreu Dallari é jurista. - dallari@noos.fr

Autonomia e controle; online e offline


 / Colleges gastaram milhões em serviços como o Brand Youself,  que queimam arquivos virtuaisColleges gastaram milhões em serviços como o Brand Youself, que queimam arquivos virtuais
Por Alexandre Le Voci Sayad

Uma dualidade clássica acompanha pensamentos e práticas educativas: se a escola indubitavelmente almeja a construção de autonomia no estudante, porque costuma exercer controle no seu dia a dia. Ora, a escola é um espaço de muito mais restrições que liberdades – seja na vida acadêmica ou pessoal do estudante.

Esta é uma questão que ultrapassa os limites e percepções entre progressistas e conservadores, esquerdistas ou liberais; se arraiga na estrutura mínima do “educar” e paira como uma grande esfinge sobre diretores de escola e gestores de políticas.
As recentes experiências que levaram a comunicação e a arte para dentro do ambiente escolar esbarram na dicotomia diariamente. O diretor deve ou não ler jornal criado pelos alunos antes de ser publicado? E a peça de teatro do grupo artístico, passa por algum crivo? Até onde o professor deve acompanhar um estudante de Ensino Fundamental, por exemplo, na elaboração de um trabalho fora dos muros da instituição, ou mesmo estimular que os pais o façam? Criatividade tem limites?
Hoje, essa delicada e imbricada situação esbarra também na ampliação do espaço e tempo escolares: a internet. Autonomia e controle devem ser consideradas hoje num mundo físico (offline) e também virtual (online). Quem imagina o segundo como um espaço mais livre, pode estar enganado.
Segundo o jornal The New York Times, os professores particulares ganharam recentemente uma nova tarefa pela qual têm sido muito bem remunerados: acompanhar o cotidiano de seus estudantes, e auxiliá-los, quando estes mudam de cidade para estudar. Os “tutores”, na tradução livre desse tipo de profissional, assumem agora o sentido pleno de seu ofício. Por trás disso, há pais preocupados e escolas ávidas por organização na vida dos estudantes em novas cidades: um exemplo vivo de controle no mundo real.
No mundo virtual não tem sido muito diferente. Colleges gastaram milhões de dólares em 2012 em serviços como o Brand Youself (brandyourself.com) que funcionam como uma espécie de queima de arquivo virtual: o site apaga imagens comprometedoras de estudantes (festas, brincadeiras, bebidas ou cigarro), bem como prioriza as melhores informações no topo da busca do Google. Um gasto que garante melhores empregos aos egressos, prova de forma cabal como a vida dos jovens é controlada no ciberespaço pelas próprias instituições de ensino.
Por outro lado, usando como exemplo o Brasil, sites como o Descomplica (de aulas em vídeo) são cada vez mais reconhecidos como ferramentas online válidas e eficientes pelas instituições de ensino – cena inimaginável há alguns anos. Os games seguem pelo caminho de passarem de bandidos a mocinhos em uma educação que parece valorizar cada mais a autonomia do aluno em aprender na internet paralelamente à sala de aula. O livro didático vai lentamente deixando de ser fonte única sob a ótica da escola.
Longe de um consenso ou mesmo de uma solução, o quanto de autonomia o estudante irá adquirir “oficialmente” pela escola que frequenta irá direcionar investidores para o campo da educação online e fazer essa fatia crescer como grande parceira do aprendizado nos próximos anos.
O próprio Descomplica acabou de receber um investimento significativo para subir de 2 mil para 10 mil aulas para que estudantes – encorajados na sua independência -, aprendam na internet.
Alexandre Le Voci Sayad é jornalista e educador. Desenvolve projetos interdisciplinares com foco em educação para escolas, governos e empresas. É autor do livro Idade Mídia: A Comunicação Reinventada na Escola, publicado pela Editora Aleph.
Artigo publicado no Blog Educação & Mídia (Gazeta do Povo) - 08/01/2013 (http://www.gazetadopovo.com.br/blog/educacao-midia/?id=1333890&tit=autonomia-e-controle;-online-e-offline)

'Com tecnologia, é possível ter ensino personalizado'

Famoso por suas videoaulas na internet, educador diz que papel do professor mudou e atual modelo de escola está ultrapassado


O educador visita o País pela primeira vez nesta semana para conhecer como anda a educação por aqui  - JIM WILSON/THE NEW YORK TIMES–7/9/2011
Crédito: JIM WILSON/THE NEW YORK TIMES–7/9/2011
O educador visita o País pela primeira vez nesta semana para conhecer como anda a educação por aqui
De adição às equações diferenciais, inflação à Teoria dos Jogos, história da arte à Guerra da Coreia, é difícil encontrar um assunto sobre o qual o educador norte-americano Salman Khan, de 36 anos, não tenha falado em suas videoaulas de, em média, 12 minutos de duração e que viraram febre mundial.  
Tudo começou despretensiosamente em 2004, quando ele passou a ajudar, de Boston, uma prima com dificuldades em matemática que morava em New Orleans. A solução era utilizar a internet para enviar pequenos tutoriais de aritmética gravados com um software simples de captura de som e imagem. Enquanto escrevia com o mouse na tela do computador, Khan explicava os conceitos.  
Dois anos depois Khan teve a ideia de publicar os vídeos em um canal do YouTube batizado de Khan Academy. O sucesso veio em pouco tempo: as aulas atraíram milhares de visitantes - e também de elogios. Em 2009, o norte-americano pediu demissão do emprego de analista de fundos de investimento para se dedicar exclusivamente à sua academia virtual.  
Os assuntos se diversificaram e hoje, além de matemática, há aulas de ciências, economia e humanidades. A coleção de Khan tem mais de 3,8 mil vídeos, que já foram assistidos pelo menos 224 milhões de vezes só no canal oficial do YouTube.   Apesar do potencial econômico, a Khan Academy é uma organização sem fins lucrativos que vive basicamente de doações de gente como Bill Gates. "Khan é pioneiro de um movimento global de uso da tecnologia para que mais e mais pessoas aprendam, não importa onde estejam. É o início de uma revolução", costuma dizer Gates, ele próprio um fã das videoaulas.
  A segunda maior audiência da Khan Academy vem do Brasil. O educador visita o País pela primeira vez nesta semana para conhecer como anda a educação por aqui e divulgar seu livro Um Mundo, Uma Escola. Ele deve se reunir na quarta-feira com a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, em Brasília. Na última quinta-feira, Khan conversou com o Estado por telefone de seu escritório na Califórnia.  
O que o sr. pretende conversar com a presidente Dilma Rousseff?  
Geralmente falo com os governos sobre como ter um sistema de educação mais acessível e equânime. Isso passa pela forma de se certificar conhecimentos. Podemos criar um jeito de as pessoas provarem que sabem algo independentemente do modo pelo qual aprenderam, seja na universidade, na internet, no livro-texto ou no trabalho? Para mim, bastaria ir a um lugar, mostrar a carteira de identidade, fazer uma prova e sair com as credenciais.  
O sr. acha que os diplomas atuais vão perder valor se agora é possível aprender a partir de diferentes fontes e não apenas na escola e na universidade?  
Os diplomas já perderam valor, e não por causa da educação a distância. Se você for a diferentes países, verá que nem todos vão para as melhores universidades. A maioria estuda na sua cidade ou Estado. Mesmo que você frequente uma excelente faculdade, dê duro e aprenda bastante, ainda será difícil para que em outros lugares entendam o que você sabe ou não. O diploma diz muito pouco, é apenas um indicativo de suas competências. Como dar às pessoas algo que deixe evidente o que elas sabem? Precisamos de uma solução para isso.  
Como a Khan Academy deve ser utilizada nas escolas?  
O melhor é caminhar para o modelo de sala de aula invertida em que os alunos aprendam a seu próprio ritmo com a Khan Academy e o professor veja na base de dados quem está com dificuldade e retrabalhar os conceitos em pequenos grupos, pedindo àqueles que já entenderam que ajudem os colegas. Nesse processo, o aluno aprende de forma personalizada e interage com outras pessoas. E assim que compreende o assunto pode fazer um teste. É uma questão de mudar a estrutura e o tempo da sala de aula. As classes devem deixar de se basear nas aulas expositivas, já que agora elas estão disponíveis na internet. Na escola, o tempo deve ser gasto com seres humanos se reunindo e se ajudando.  
Quais são os impactos dessa revolução tecnológica nos professores e qual o papel deles em um mundo no qual os estudantes são mais ativos e autônomos?  
A maior parte do tempo do professor é gasto dando aulas expositivas. E quando ele não está fazendo isso, está criando e corrigindo provas e planejando aulas. Esses aspectos da carreira docente, nos próximos 5 ou 10 anos, poderão ser feitos por meio de ferramentas virtuais sob medida. A resposta à sua pergunta, então, é: interagir com os estudantes. Em vez de isso ocupar 10% do tempo do professor, como vemos hoje, pode se tornar 90% da ocupação dele, ou até 100%.  
Então teremos um professor exercendo mais um papel de tutor? Algo que vemos em universidades como Oxford?  
Exatamente. Várias das vezes em que descrevo esse cenário as pessoas acham que estou tirando a importância do professor no processo educacional, desvalorizando-o. Às vezes um tutor parece menos importante que um professor ou mestre. Mas é como você salientou: este é o modelo de Oxford. Você tem o mestre, pessoa muito talentosa no que faz, que senta com o aluno e o desafia intelectualmente. Para mim, isso exige uma habilidade muito maior do professor do que planejar uma aula e dá-la de modo previsível.  
Só o Estado de São Paulo tem mais de 5 mil escolas e 4 milhões de alunos. Dá para inverter todas as salas de aula da rede?  
Não tenho a ilusão de que isso vai ocorrer da noite para o dia (risos). Mas está acontecendo mais rápido do que eu esperava aqui nos EUA, pelo menos. Temos 20 mil salas de aulas usando a Khan Academy. Não foi por ordem do governo, mas uma decisão dos professores ao perceberem que podem ajudar seus alunos e tornar as aulas mais produtivas. Não se trata de dizer aos docentes o que devem fazer, mas fazê-los entender que isso deixará a vida deles melhor e fará com que gostem mais do trabalho.  
No Brasil, só conseguimos colocar quase todas as crianças na escola há cerca de 20 anos, mas falta qualidade ao ensino público. Como a tecnologia pode ajudar a transformar este cenário?  
Do lado dos professores, ela permite saber com mais precisão se as crianças estão aprendendo. Mas o ideal seria padronizar os critérios de avaliação, para que seja possível comparar o desempenho dos estudantes não só ao dos colegas, mas em uma escala nacional. Isso depende de que o resultado do dever de casa que o aluno faz à noite vá para um sistema integrado da escola, do Estado, do País. Assim, a qualquer momento se pode ter um diagnóstico da educação. O que um professor espetacular pode fazer com esses recursos é inacreditável.  
E pensando no estudante?  
Um aluno brasileiro pode ter acesso à mesma aula de cálculo que o filho de Bill Gates. Não depende mais de sua escola ser boa ou não porque fica numa região pobre da cidade.  
Nosso modelo de salas de aula existe desde o século 18. Estamos desenhando o futuro da educação nos dias atuais?  
Espero que sim. Se as melhores escolas estão fazendo essas mudanças, eu vou copiar. No nível universitário você vê grandes instituições como Stanford, Harvard e MIT dizendo que não há mais sentido em dar apenas aulas expositivas, que o ensino tem de ser mais interativo e personalizado, e que precisamos repensar o significado dos certificados de conhecimento e competências. Quando instituições desse tipo mudam, o efeito se espalha por outras universidades e até no ensino médio. Em cinco anos, as melhores escolas vão estar invertendo a sala de aula, então para o resto dos colégios não será uma questão de 'Devo fazer?', mas de 'Como posso fazer isso também?'.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Com tablets, mas sem professores


Por Vinicius Bropé, do Porvir
Crianças que nunca tiveram contato com nenhuma palavra tentam aprender a ler sem a instrução de um professor.
Com mais de 100 milhões de crianças sem acesso à escola, a One Laptop per Child, organização voltada à educação que leva laptops e tablets para países em desenvolvimento, executou um experimento polêmico na Etiópia. A iniciativa, que contou com o uso de tablets movidos a energia solar, foi implantada com o objetivo de observar se crianças analfabetas, sem exposição prévia a palavras, são capazes de aprender a ler sozinhas experimentando os aplicativos, jogos, e-books e desenhos animados. Mas como sozinhas? Exatamente isso. O material foi entregue sem nenhuma instrução ou auxílio de professores.
A experiência foi realizada com cerca de 40 crianças em duas vilas rurais isoladas, a 250 km da capital Adis Abeba. Uma das aldeias, chamada de Wonchi, fica na borda de uma cratera vulcânica, numa altitude de mais de 3.000 metros. De acordo com Nicholas Negroponte, fundador da One Laptop per Child, as crianças que receberam o tablet – que nunca haviam visto nem sequer um material impresso, como sinais de trânsito ou embalagens –, levaram cerca de quatro minutos para descobrir como abrir as caixas e ligar os dispositivos. “Eu pensei que eles fossem brincar com as caixas. Dentro de duas semanas, eles estavam cantando canções do alfabeto pela aldeia e em cinco meses já haviam invadido o sistema operacional”, disse Negroponte em entrevista ao Technology Review.
Em apenas duas semanas, eles descobriram como burlar o sistema para ativar a função de câmera e personalizar a área de trabalho. Já na terceira semana, cada criança usava 47 aplicativos todos os dias. “As crianças tinham personalizado totalmente a área de trabalho. Nós havíamos instalado um software para impedi-los de fazer isso”, disse Ed McNierney, diretor de tecnologia da organização.
Um técnico visitou as aldeias uma vez por semana para trocar os cartões de memória para que os pesquisadores pudessem estudar como foram utilizados. Depois de sete meses, além de dominar completamente a utilização e a recarga dos aparelhos, algumas das crianças conseguiam até mesmo recitar palavras. Um dos garotos, exposto a um jogo de alfabetização com imagens de animais, abriu um programa de pintura e escreveu a palavra “leão”, por exemplo. “Se eles podem aprender a ler, então eles podem ler para aprender”, diz Negroponte. Veja vídeo gravado durante o experimento.
A pesquisa lembra um outro estudo que ficou bem famoso e ajudou em pesquisas educacionais, o do indiano Sugatra Mitra, que deixou computadores em 1999 em uma aldeia indiana sem nenhum tipo de instrução. Ao voltar, tempos depois, encontrou crianças e jovens manipulando o equipamento sem dificuldades. Apesar da semelhança e dos achados positivos, a pesquisa vem sendo questionada. “Independentemente do sucesso do projeto, o conceito vai contra alguns dos lemas dos defensores da ed-tech, como o fato de que tecnologia é apenas uma ferramenta que deve ser incorporada de maneira racional e com a instrução de um profissional”, afirma Katie Ash, articulista especializada em educação na EdWeek. McNierney, no entanto, rebate. “O que podemos fazer por estes 100 milhões de crianças em todo o mundo que não vão para a escola?”, questiona. ”Podemos dar-lhes ferramentas para ler e aprender, sem ter que fornecer escolas, professores, livros didáticos e tudo isso?” E você, o que acha?
Com informações da Edweek e Technology Review.
*Fazem parte do Redação na Rua os sites Catraca LivreGuia de EmpregosPortal AprendizPorvirVilaMundo.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Grupo lança projeto para mais de 40 jovens virarem “correspondentes”

O Grupo O Povo terá  44 estudantes do 9º ano do ensino fundamental no novo time de correspondentes escolares, que vai publicar textos semanalmente no suplemento 'Jornal do Leitor'. No total, são alunos de 11 instituições particulares e 11 públicas do Ceará, estado em que a empresa de comunicação atua.


correspondentesopovo
Em 2012, a turma de correspondentes foi composta por 11 alunos 
(Imagem: Kléber A. Gonçalves)
Os correspondentes mirins irão produzir textos ao longo de 2013. Segundo o coordenador pedagógico do programa ‘O Povo na Educação’, Carlos Eduardo da Silva, o objetivo é aproximar o grupo de comunicação do universo dos adolescentes. “Queremos saber o que eles pensam a respeito do mundo que os cerca”, comenta, segundo informa a versão online do jornal.
A Escola Sebastian Abreu terá dois representantes no projeto: Antonio Alisson Silva e Luiz Valdo. Para o professor de língua portuguesa Carlos Eduardo Cruz,  ver os textos escritos nas páginas de O Povo é um grande incentivo para escrever.

Professores falam sobre plágio e outras fraudes acadêmicas

Nos últimos dias de agosto de 2012, a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, deu início a uma investigação sobre uma fraude envolvendo 125 alunos. As semelhanças entre os exames finais levantaram a suspeita de uma "cola em massa" por parte dos estudantes. Segundo o reitor da instituição, um caso sem precedentes.

O episódio ganha relevância por se tratar de uma das universidades mais conceituadas do mundo. Harvard formou, entre outros, Barack Obama e Mitt Romney. Se a fraude for comprovada, o escândalo poderá abalar a credibilidade de seus cursos.
Reprodução
Livro contém segredos inconfessáveis, vexames, fraudes e dicas
Este livro contém vexames, fraudes e outros segredos inconfessáveis
Para Hélio Schwartsman, colunista da Folha, o caso --em qualquer parte do mundo-- não é tão surpreendente assim. De acordo com pesquisa Datafolha de 2009, 31% dos brasileiros reconhecem ter colado alguma vez.
Para debater a condição das faculdades, o plágio e as fraudes acadêmicas no Brasil, a Livraria da Folha entrou em contato com três autores que também são professores universitários.
Efraim Rodrigues, doutor pela Universidade de Harvard e autor de"Histórias Impublicáveis sobre Trabalhos Acadêmicos e Seus Autores", contou que deixar o aluno levar trabalho para fazer em casa é comum nos EUA.
"Isso, em certa medida, marca um pouco a noção que as pessoas podem ter de Harvard como uma universidade perfeita, mas, enfim, a perfeição não existe", disse sobre o caso. "É claro que isso pode chegar a um nível de uma cara de pau extremada".
Obra investiga casos de trapaças, fraudes e enganos no Brasil
Livro investiga casos de trapaças, golpes, fraudes e enganos no Brasil
Dedicado à filosofia da educação e autor de dezenas de títulos sobre o assunto, incluindo "As Lições de Paulo Freire"Paulo Ghiraldelli Jr. afirmou existe uma "indústria de teses" nas universidades brasileiras.
Essa prática atingiu faculdades renomadas --as fraudes já enganaram até bancas de mestrado e doutorado. "[Nos EUA] não é como aqui, que você joga 150 trabalhos para um professor corrigir".
Pelo título de seu livro, "Os Contos e os Vigários: Uma História da Trapaça no Brasil", José Augusto Dias Júnior não deveria ser considerado o professor mais fácil de enganar.
Para Dias Júnior, além de um problema do ponto de vista moral, o plágio pode trazer consequências jurídicas e é pedagogicamente inócuo. "O que é particularmente triste no caso do 'copiar e colar' é que o aluno está enganando a si mesmo", disse em entrevista.
Foto:Rolf Haid/Brainnpix
Fachada do edifício da Universidade de Harvard, em Massachusetts (EUA)
Fachada do edifício da biblioteca da Universidade de Harvard, em Massachusetts (EUA)

Como o leitor se torna leitor?

Como o leitor se torna leitor? é o título da dissertação de Mestrado em Linguística Aplicada, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), de autoria de Ilda Souza (2000), sob orientação do professor Dr. Renilson José Menegassi, que traz  excelentes reflexões teóricas, juntamente com uma pesquisa de campo realizada com alunos de escolas privadas e públicas, na faixa etária de quinze a vinte anos, a fim de verificar como sujeitos-leitores assíduos e autônomos criam o hábito de ler e o gosto pela leitura.
Os resultados demonstraram que 1) “o nível de escolaridade dos pais, em si, não é fator decisivo na formação do leitor,  nem a quantidade de livros e revistas que possuem. Mas, o hábito de ler e de discutir sobre as leituras em casa antecipam, nos sujeitos, a formação do gosto pela leitura e do hábito de ler”; 2) “professores leitores exercem grande influência na formação de leitores” e 3) “o meio social, ou seja, a relação com amigos, determinante, quando a família e a escola não cumpre o seu papel”. “Estes resultados levaram a concluir que só os leitores são capazes de formar leitores”.

A formação do gosto pela leitura e do hábito da leitura, entre outros fatores, acontece a partir das leituras e discussões feitas em casa com os familiares
A pesquisadora aponta às seguintes sugestões para que as escolas aumentem o número de leitores assíduos e autônomos:
1)      Em primeiro lugar, para formar leitores é preciso dar condições para que os professores sejam leitores. Embora isto não dê para ser resolvido completa e uniformemente no âmbito da escola pública, é preciso ser lembrado;
2)      A escola deve promover sessões de estudo e facilitar a participação de todos os professores, a fim de que leiam os Parâmetros Curriculares Nacionais, bem como a bibliografia utilizada na sua elaboração;
3)      Elaborar projetos de leitura que envolvam todas as disciplinas do currículo;
4)      Valorizar a biblioteca como espaço pedagógico imprescindível para a construção do conhecimento científico e estético;
5)      Instrumentalizar o aluno para leitura dos textos que são veiculados na sala de aula, dos mais simples aos mais complexos;
6)      Variar a tipologia textual, para que o aluno possa ter a oportunidade de descobrir qual tipo de leitura que lhe é mais agradável e para ampliar seu quadro de referência textual e seu imaginário.