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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Prêmio Professor Cidadão

Educadores, inscrevam seus projetos e concorram ao Prêmio Professor Cidadão Mogi News 2012. O prazo é até às 12h de 30/08/12. O jornal quer conhecer seu trabalho e a diferença que promovem em sala de aula!!!!!!

Diário Catarinense publica 3ª edição do DC na Sala de Aula nesta quinta-feira


O caderno será distribuído para 1178 escolas da rede pública Estadual de ensino, onde acontecerá a ação - O dia do Jornal na Escola, promovida pelo Programa Jornal e Educação do Diário Catarinense em Santa Catarina
Diário Catarinense encartará na edição desta quinta-feira (23), o 3º caderno DC na Sala de Aula de 2012. Com tiragem total de aproximadamente 53 mil exemplares, o suplemento trará matérias sobre alunos e professores catarinenses premiados em concursos nacionais voltados para a educação. Além disso, a reportagem principal destaca iniciativas de escolas do Estado na área de alfabetização. Na sexta-feira (24), o DC promoverá mais uma edição de O Dia do Jornal na Escola e entregará o caderno especial, juntamente com o Diário Catarinense, para 1178 escolas espalhadas por SC.
Entre as pautas do 3º DC na Sala de Aula, está o projeto Parlamento Jovem, promovido pela Assembléia Legislativa, que aproxima estudantes do cotidiano dos deputados. Além disso, o caderno homenageará a aluna do município de Major Vieira, que ganhou um prêmio estudantil nacional e os alunos de Tijucas, que venceram um concurso de literatura no Rio Grande do Sul. O suplemento também dedicará espaço ao professor da cidade de Dionísio Cerqueira, ganhador do prêmio Victor Civita Educador nota 10.
A fim de incentivar a leitura dos alunos e o uso do jornal como material didático, o Diário Catarinense promoverá O Dia do Jornal na Escola. Nos dias das publicações do caderno DC na Sala de Aula, são enviados também, às escolas do Estado, o jornal do dia, para serem trabalhados nos colégios conveniados ao Programa Jornal e Educação (rede Estadual).
A ideia desta ação é que professores possam apresentar aos alunos uma alternativa de material para pesquisa. O projeto é um incentivo extra à leitura e mais uma oportunidade para que as crianças conheçam outra linguagem, diferente da literária e daquela encontrada nos livros didáticos. Nesta edição, excepcionalmente, os exemplares serão entregues na sexta-feira (24), um dia depois da publicação do caderno.
Fonte: Diário Catarinense 23/08/2012

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Entrevista com Adilson Citelli analisa imagem do professor na mídia




Organizado pelo professor Adilson Citelli, do Departamento de Comunicações e Artes (CCA), o livro Educomunicação: imagens do professor na mídia, traz contribuições de oito pesquisadores, entre mestrandos e doutorandos do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM): Ana Luisa Zaniboni Gomes, Helena Corazza, Maria do Carmo Souza de Almeida, Michel Carvalho da Silva, Elisangela Rodrigues da Costa, Sandra Pereira Falcão, Rogério Pelizzari de Andrade e Eliana Nagamini. O livro será lançado na 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no dia 11 de agosto, às 16h. Mais informações aqui.
 
Citelli concedeu entrevista exclusiva para o LAC. Leia abaixo:
 
LAC: O tema discutido no livro é pioneiro na área?
 
Diria que no Brasil é um tema bastante pioneiro. Eu, pelo menos, nunca vi nada do gênero mesmo tendo efetuado bastantes pesquisas. Não conheço livros que tenham tratado de forma tão sistemática a construção da imagem pública do professor. O livro é uma pequena colaboração para a área, há muita coisa a ser desenvolvida. Ao terminar o livro notamos que ainda temos algumas coisas a serem tratadas  de uma maneira mais sistemática, digamos assim. Mas, enfim, creio que o material tem um caráter pioneiro sim.
 
LAC: Esse livro faz parte de uma coleção?
 
Esse é o terceiro volume da coleção Educomunicação. Tem um quarto volume em processo de produção e estamos também trabalhando em um quinto. Eu fiz o primeiro volume com a professora Cristina Costa. O segundo é do professor Ismar de Oliveira e o quarto é uma coletânea de autores internacionais que o professor Ismar está organizando.
 
LAC: Qual é principal objetivo do livro?
 
O objetivo do livro é divulgar os estudos que inter-relacionam comunicação e educação. Há 20 anos temos  no CCA a  revista Comunicação e Educação. A revista tem cumprido um papel significativo. A professora Cristina e eu somos os editores da revista, que a editora Paulinas vem publicando já há alguns anos. Mas queríamos com esse livro densificar esse debate, dar um peso maior aos trabalhos que são feitos aqui na ECA, dentro ou fora do Departamento. O Departamento tem representado um papel muito importante na área de Educomunicação, há vários pesquisadores  que estão se dedicando a isso há muitos anos. O livro tem o sentido de colocar em movimento esse material dessa área bastante forte e emergente, que tem como canal a revista e, agora, essa série de livros.
 
LAC: Quanto tempo levou para finalizar o projeto?
 
Para fazer a pesquisa especificamente desse livro, que é de um grupo de pesquisa do Departamento, nos dedicamos a esse tema nesse último ano, um ano e meio, para verificar, fazer um levantamento, uma pesquisa de como o professor, sobretudo do ensino médio, é mostrado nos meios de comunicação. Qual o processo de representação do professor na televisão, no rádio, etc., que imagem pública tem sido construída, porque a mídia vai também formalizando e sedimentando uma certa imagem pública desse professor.  No Brasil estamos mais ou menos na ordem de 1,3 milhão professores e, no estado de  São Paulo, em torno de 270 mil. É um mar de gente, que aparece aqui e acolá na TV, no rádio. Como aparece? Que tipo de construção social nós vemos ou lemos? Como tenho um grupo de mestrandos e doutorandos que tem trabalhado nessas áreas conexas, apresentamos no congresso da Intercom, realizado no ano passado, em Recife, o resultado dessa inverstigação. Aí, maturamos esses textos que foram apresentados e, durante esse ano, trabalhamos e buscamos mais dados e informações, e o resultado final é o que o leitor lerá nesse conjunto de textos que aí estão.
 
LAC: O senhor acha que esse livro e a coleção como um todo é destinado à área acadêmica apenas ou para professores?
 
Há essa dupla preocupação. Entendemos que uma coisa depende diretamente da outra. Ou você dialoga com o sistema educacional vivo que existe, dialogamos a partir da ótica dos comunicadores, olhamos esse sistema na sua integralidade, nas suas complexidades, dificuldades, ou vamos ficar num discurso teórico, um pouco vazio. A coleção apresenta livros que têm ora uma tendência um pouco mais de organização de pesquisas conceituais, mas, também, textos ou livros que se voltam mais para o sistema educacional. Esse livro, seus textos podem perfeitamente ser lidos e discutidos pelos colegas do ensino fundamental e médio, porque diz respeito à realidade deles. Se a mídia vitimiza o professor, se a mídia cria expedientes estereotipados e preconceituosos, é ele que está sofrendo isso no seu cotidiano. Então temos que conversar com eles.
 
LAC: O livro traz esse panorama de como os meios de comunicação representam a imagem do professor. Esse panorama foi positivo ou negativo?
 
Não trabalharia com essas categorias muito polares, mas diria que, no geral, essa composição de imagens é muito problemática. Primeiro problema: você raramente encontra voz de professores em matérias nos jornais, na televisão e no rádio. O jornalista vai fazer uma matéria sobre educação, seria de se esperar que ouvisse os professores e isso raramente acontece. Existem três ou quatro grandes modelos de apresentação da imagem do professor nos grandes meios de comunicação. Primeiro: há uma imagem muito negativa, na qual estamos falando de um sujeito absolutamente desinteressado, de alguém que não tem mais vontade de mexer com o mundo da educação. É algo que foi traduzido durante um certo tempo e vem sendo traduzido numa máxima, segundo o qual o professor finge que ensina e o aluno finge que aprende. E aparece muito isso, essa ideia que o professor é malformado, a ideia que o professor está pouco envolvido com o trabalho cotidiano, a ideia de que ele não se preocupa em mudar seus procedimentos, que ele não se preocupa em ir atrás das tecnologias para tornar a sala de aula um pouco mais dinâmica. Há um segundo movimento que é já de uma espécie de estereótipo, de um modelo de professor. Isso parece muito em  campanhas publicitárias. Temos no livro um texto que trata desse assunto. A personagem do professor na publicidade carrega uma imagem com ela, em geral é um tipo de professora, por exemplo alguém de meia idade, que pode usar avental branco, geralmente tem óculos, uma espécie de desenho cenográfico de construção de personagem que já está bastante amadurecido no imaginário popular. Outra imagem comum do professor nas campanhas publicitárias é a de um tipo fisicamente mais acabado, que está numa posição de quem tem um domínio absoluto sobre as coisas. Há uma presença constante de uma espécie de vitimização do professor, um cara que está com um problema danado, ganha mal, viaja longos percursos para dar uma aula, é objeto de toda sorte de violência social, é uma espécie de vítima permanente de um sistema que parece que não quer mudar. Há composições de tipos muito variados. Por exemplo, é muito comum ver o professor como uma personagem que já não faz parte de uma editoria de educação, mas de uma editoria de polícia. Há um mundo de violência e parece que o professor habita esse mundo. Isto é muito interessante, porque se formos olhar como esse processo se deu no Brasil, o jornal, como ele se posicionava diante do tema de educação? No passado, os jornais brasileiros tinham sessões de educação inteiras, como tem economia hoje. A Folha de S. Paulo, por exemplo, tinha uma cobertura muito forte feita pelo Perseu Abramo e outras pessoas que tinham um vínculo muito forte com a questão da educação. Se pegar o caso da Folha, observa-se que o jornal foi, progressivamente, ao passar dos anos, abandonando essa área e, hoje, onde é que se lê sobre educação? Se lê em um editorial, eventualmente, ou quase sempre em cadernos que tratam de polícia, violência.  Falamos tanto de educação, diz-se que o que vai salvar o país será a educação, que o curso do Brasil se deve ao problema da educação, que o país não supera suas dificuldades por causa da educação. Então a palavra educação, se você for jogar dentro de um buscador, talvez seja uma das que mais apareça. Mas, quando você olha a tradução objetiva disso nos meios de comunicação é muito ruim no geral. Não estou dizendo que não haja uma ou outra, mas, no geral,  é muito ruim o que se vê, é um paradoxo. Desse ponto de vista houve uma regressão.
 
LAC: Entre os meios de comunicação que vocês analisaram, qual se mostrou mais abrangente, que possui mais conteúdos para ser estudado? Ou eles se igualam?
 
Os jornais são os que mostram mais esse assunto, como é o problema. Uma ou outra revista traz esse assunto, mas de uma maneira complicada. Essas revistas semanais praticamente entregaram o tema da educação aos economistas. Até brinco dizendo que a educação virou um tema de “econometria”. Você lê matérias que são sempre cálculos, estatísticas, com propostas mirabolantes como a da aula cronometrada. É possível ainda que os jornais são os que mais tratem esse assunto, da maneira como estamos colocando aqui. Por exemplo, ao longo de um ano inteiro aparecem quatro ou cinco editoriais ligados a alguma coisa da educação, sendo uma notícia ligada a casos policiais ou não.  Creio que, quantitativamente, ainda os jornais são aqueles que mais tratam do tema.
 
LAC: E porque pesquisar a maneira como os meios de comunicação representam os professores? Quando começou a surgir esse questionamento?
 
Imagino que tenhamos uma espécie de triângulo das bermudas na educação brasileira. Esse triângulo das bermudas está representado em um dos seus vértices por problemas de infraestrutura, que são questões de ordem econômica, algumas até de natureza sindical. O segundo vértice desse triangulo é relacionado à formação propriamente desse professor, seja essa a sua formação inicial, seja na sua formação continuada. E o terceiro desses elementos é uma questão de autoestima do próprio professor, que vai sofrendo com todos esses processos sociais, vai tendo sua profissão desvalorizada. É só um problema profissional? Mas o problema profissional está contaminado pelos dois outros vértices desse triângulo, é um problema de infraestrutura, de situação econômica. E quando você vai ver, um dos elementos dessa autoestima é a imagem que se projeta socialmente de alguém. Se a imprensa, se a comunicação tem uma responsabilidade social, no sentido de dar uma resposta social, tem que ter um tipo de diálogo com a sociedade, tem que ter esse pacto de referências informacionais com seus ouvintes, leitores ou espectadores. Se um dos elementos que forma a base desse processo, os profissionais que tocam essa máquina gigantesca chamada sistema de educação brasileiro, recebem um tratamento que não é o melhor para sua autoestima, preciso verificar o que está acontecendo.
 
LAC: Qual o papel da mídia na criação do estereótipo de professor?
 
A imprensa brasileira involuiu. A cobertura que era dada à educação pelos jornais era enorme. Mas, à medida que a palavra educação foi ganhando dimensão,  a cobertura foi se apequenando, se tornando superficial.
 
LAC: Seria um círculo vicioso: má formação de professores, de alunos ou da sociedade?
 
Exatamente. A minha preocupação é que se você vai baixando o nível de autoestima, de autovalorização, esses grupos param de pressionar quem é o primeiro produtor desse desarranjo inteiro. Observe que nos anos 80 e 90 havia muitos movimentos de professores da rede pública fazendo greve, exigindo coisas, indo ao palácio do governo. Mas, o tempo e a falta de respostas e incentivos têm tornado isso tão penoso que tenho a impressão que isso culminou na luta impeditiva da construção propriamente da luta de classes. Eu não tenho visto mais professores em movimento como havia antes.
 
LAC: Que papel a comunidade USP, como um todo, tem na formação desses estereótipos?
 
Estamos fazendo uma coisa que é contradiscursiva, estamos trabalhando contra o discurso, levantando os dados e mostrando que não é bem assim. Há um levantamento de dados e uma interpretação desses dados, no caso meios de comunicação, que não correspondem necessariamente ao cotidiano e a vida real desses professores. Imagino que o problema não esteja aqui. Acho que as pessoas que estão na USP têm consciência desses fatos, desses eventos. O pessoal da Faculdade de Educação, por exemplo, está o tempo inteiro trabalhando com isso. Eu mesmo acabo de vir de um congresso de educação na Unicamp em que esse assunto foi largamente discutido. Penso que a USP tem feito um trabalho muito positivo no sentido de valorizar esse professor, seja através dos cursos que são ministrados aqui para a formação desses docentes, como as licenciaturas que existem na História, na Geografia, na Física, em todos os lugares. Até mesmo nós, da ECA, temos nossos cursos onde há a licenciatura, como o da Educomunicação, o  das Artes Cênicas e das Artes Plásticas, ou seja, é um esforço que se faz para formar quem trabalha com educação. Quanto ao problema de formação é garantir uma qualidade formativa para que a Universidade mantenha padrões de qualidade para poder formar os futuros formadores de uma maneira séria. Nesse quesito há um problema sério. Imagine um colega do curso de Física, que se formou aqui, na USP,  e foi aprovado em um concurso para dar aulas na rede pública. Esse moço ou essa moça que ainda estão bem dispostos são colocados para dar aula em uma escola muito distante de sua residência . Aí ele começa a fazer as contas e descobre que o salário mal vai dar para pagar o transporte. Então, é muito comum que este moço, com uma excelente formação, que poderia ser um indutor de transformações importantes, no sexto, sétimo ou oitavo mês da jornada peça demissão. Muitos já fizerem isso. De alguma maneira a USP cumpre a sua função neste caso, pois ela forma com qualidade as pessoas. O problema que existe é pós-formação, ele existe lá na frente, essa é uma questão problemática. A outra, que é a constituição da imagem desse profissional, problema que discuto com os meios de comunicação.
 
LAC: O senhor acredita que seja por isso que os docentes acabam optando por dar aulas nas escolas particulares?
 
Uma parte vai para as escolas particulares porque  há a possibilidade de ganhar duas, três, até mesmo quatro vezes o que ele ganhava na rede pública, além de ter uma infraestrutura melhor. Ou vai para outras áreas de trabalho. Hoje, na rede pública de ensino do Estado de São Paulo deve haver aproximadamente 65% ou 70% de falta de professores para disciplinas como química, física e matemática. O que se percebe é um sujeito que fez uma área conexa, às vezes nem conexa a essa área, que está dando a matéria. É um professor de história, mas eventualmente sabe um pouco mais de matemática e está tentando cobrir essa deficiência de docentes.  O que, aliás, vai contra a Constituição Federal, que diz que nenhum funcionário pode ter desvio de função. A educação é um setor importante, contudo é um setor onde se pode ter desvio de função e ninguém reclama. Gostaria de saber realmente porque essa prática não é considerada desvio de função. Por quê? É a pergunta que, infelizmente, permanece sem resposta.
 
por Bruna de Alencar e Flávia Luz

Epidemia de amor pelas crianças


Por Contardo Calligaris
Psicanalista
1) É habitual que, na infância e na adolescência, um jovem sonhe com vitórias e aplausos, sem pensar nos esforços necessários para merecê-los.Nestes dias, deparo-me com crianças ninadas por devaneios de glória olímpica. Sem querer, corto seu barato, explicando o que é indispensável fazer para que esses sonhos se transformem numa chance real de chegar lá. As crianças respondem que elas não têm a intenção de realizar o tal sonho: apenas querem o prazer de devanear em paz. Até aqui, tudo bem, mas os pais me acusam de estragar, além dos sonhos, o futuro dos filhos, os quais, segundo eles, para triunfar na vida, precisariam confiar cegamente em seus dotes. O problema é que os elogios incondicionais dos pais e dos adultos não produzem “autoconfiança”, mas dependência: os filhos se tornam cronicamente dependentes da aprovação dos pais e, mais tarde, dos outros. “Treinados” dessa forma, eles passam a vida se esforçando, não para alcançar o que desejam, mas para ganhar um aplauso. Claro, muitos pais gostam que assim seja, pois adoram se sentir indispensáveis (no cinema, uma mãe enfia a cara embaixo de seu próprio assento para atender o telefone que vibrou no meio do filme e sussurrar um importantíssimo: sim, pode tomar refrigerante).
2) Meu irmão, aos dez anos, quis que todos escutássemos uma música que ele acabava de “compor”. Movimentando ao acaso os dedos sobre o teclado (não tínhamos a menor educação musical), ele cantou uma letra que começava assim: sou bonito e eu o sei. Minha mãe escutou, constrangida, e, no fim, declarou que a letra era uma besteira, e a música, inexistente. Mas, se meu irmão quisesse, ele poderia estudar piano –à condição que se engajasse a se exercitar uma hora por dia. Meu irmão (desafinado como eu) desistiu disso e se tornou um médico excelente.
3) Os pais dos meus pais davam, no máximo, um beijo na testa de seus filhos. Já meus pais nos beijavam e abraçavam. Mesmo assim, não éramos o centro da vida deles, enquanto nossos filhos são facilmente o centro da nossa. Para a geração de meus avós e de meus pais, a vida dos adultos não devia ser decidida em função do interesse das crianças, até porque o principal interesse das crianças era sua transformação em adulto (criança tem um defeito, foi-me dito uma vez por um tio: o de ser ainda só uma criança). Lá pelos meus oito anos, eu tinha passado o domingo com meus pais, visitando parentes. A noite chegou, e eu não tinha nem começado meu dever de casa. Pedi uma nota assinada que me desculpasse. Meu pai disse: esta criança está com sono e deve trabalhar, façam um café para ele. Detestei, mas também gostei de aprender que, mesmo na infância, há coisas mais importantes do que sono e bem-estar.
4) Na pré-estreia do último “Batman”, em Aurora, Colorado, um atirador feriu 58 pessoas e matou 12. Um comentador da TV norte-americana (não sei mais qual canal) disse, de uma menina assassinada, que ela era “uma vítima inocente”. Se só a menina era inocente, quer dizer que os outros 11, por serem adultos, eram culpados e mereciam os tiros? Tudo bem, estou sendo de má-fé: o comentador queria nos enternecer e supunha, com razão, que, para a gente, perder um adulto fosse menos grave do que perder uma criança, que tem sua vida pela frente e, como se diz, ainda é “um anjo”. No entanto, eu não acredito em anjos e ainda menos acredito que crianças sejam anjos. Também não sei o que é mais grave perder: a esperança de um futuro ou o patrimônio das experiências acumuladas de uma vida? Você trocaria seus bens atuais por um bilhete da Mega-Sena de sábado que vem?
5) Cuidado, não sonho com uma impossível volta ao passado. Essas notas servem para propor uma mudança preliminar na maneira de contabilizar as falhas que podem atrapalhar a vida de nossos rebentos. Explico. A partir do fim do século 18, no Ocidente, as crianças adquiriram um valor novo e especial. Únicas continuadoras de nossas vidas, elas foram encarregadas de compensar nossos fracassos por seu sucesso e sua felicidade. Desde essa época, em que as crianças começaram a ser amadas e cuidadas extraordinariamente, nós nos preocupamos com os efeitos nelas de uma eventual falta de amor. Agora, começo a pensar que nossa preocupação com os estragos produzidos pela falta de amor sirva, sobretudo, para evitar de encarar os estragos produzidos pelos excessos de nosso amor pelas crianças.
Fonte – Folha de S. Paulo - Caderno Ilustrada, 9 de agosto de 2012

Alunos apontam as necessidades do colégio



Credito: Escola Municipal Fulton Vitel Borges de Macedo (Ponta Grossa)Credito:  Escola Municipal Fulton Vitel Borges de Macedo (Ponta Grossa)
Alunos aprendem a interpretar editais de licitação publicados no JM
Os editais de licitação publicados no Jornal da Manhã foram utilizados nas aulas da professora Vivian Prado, do Colégio Estadual Polivalente, em Ponta Grossa. O material contribuiu para a formação cidadã dos alunos do oitavo ano da escola, já que ao fazer a leitura atenciosa das licitações eles compreenderam sua importância para uma gestão pública correta e mais clara.
“Comecei explicando o que era uma licitação e qual a sua função. Em seguida, os estudantes leram algumas e fizeram um levantamento do que faltava em nosso colégio que poderiam estar nos editais”, explica a professora. Os jovens interpretaram os dados do documento oficial fazendo um paralelo com as carências da escola para então listar as necessidades encontradas.
A aluna Adriele Gomes (turma: 8º ano A) elabora a seguinte licitação: “Objetivo: Precisamos de sentimentos e mais respeito para a escola. Critério de Julgamento: maior quantidade. Valor inestimável”. A jovem Isabele Machado (turma: 8º ano B) solicita “educação, respeito e amizade. Critério de julgamento: honestidade. Valor estimado R$ 100 de amor, R$ 100 de carinho e R$ 100 de amizade”.
Segundo Vivian, os alunos compreenderam a importância da licitação em órgãos públicos, além disso, trabalharam leitura, escrita e produção textual.
Aviso de Licitação 
Edital 001/2012
Objetivo: Pedimos a licitação de produtos materiais e sentimentais. Precisamos de tabelas de basquete, traves e redes para as quadras esportivas, materiais novos para as aulas de Educação Física e vários outros. Precisamos também de muita amizade e amor para que o ano escolar corra tudo bem.
O edital pode ser obtido na secretaria do Colégio Estadual Polivalente, na Rua Padre João Antônio s/n.
Ponta Grossa, 12 de abril de 2012.
Bruna Francielly Costa (Pregoeira) 
Item Produto Quantidade
1 Tabela de basquete: 2 tabelas para a quadra coberta e 2 tabelas para a quadra aberta. 04 unidades
2 Traves: 2 traves para a quadra coberta, 2 para a quadra central e 2 para a quadra aberta. 06 unidades
3 Redes: para as quadras de futsal e de vôlei. 08 unidades
4 Pintura para todas as quadras. 05 pinturas
5 Amizade para todos os alunos da escola. Muita amizade.
6 Amor para todos os casais de namorados. Milhares de caixas de amor.

Fonte: Jornal da Manhã/PR Talita Moretto 23/08/2012

Especialista alerta sobre uso responsável da internet

Por Ayne Salviano
ayne.salviano@folhadaregiao.com.br

A internet criou um mundo sem fronteiras físicas. As informações estão na rede, e principalmente nas redes sociais. Não estar nelas é o mesmo que não existir hoje. Mas informação não é conhecimento. E conhecimento sem ética nas relações também não serve para nada. Por isso é preciso um mediador que transforme este conteúdo que se multiplica infinitamente em ações que beneficiem a sociedade. Este papel, segundo a advogada Patrícia Peck Pinheiro, especialista em Direito Digital, ainda é do educador, seja ele professor ou pai.
Ela fez palestra recentemente em Campinas para profissionais que participaram do 6º Seminário “O Professor e a Leitura de Jornal - Redes Sociais e Interatividade”, promovido pela ABL (Associação Brasileira de Leitura), Grupo RAC (Rede Anhanguera de Comunicação), Unicamp (Universidade de Campinas) e ANJ (Associação Nacional de Jornais). A Folha da Região, por meio do Programa Jornal e Educação Ler para Crescer, participou do evento.

SEM EDUCAÇÃO
De acordo com a advogada, atualmente as pessoas estão com as ferramentas, mas não têm educação, nem ética, para utilizá-las de forma consciente, correta e de forma legal. “Não dá mais para proibir o acesso à internet. Ao contrário, é melhor estimular, mas com orientação”, afirma. Ela defende que pais, professores e escolas adotem códigos de conduta que demonstrem bons comportamentos também na rede.
“Temos que criar uma cultura de proteção, de conhecimento. As pessoas precisam saber que podem criticar e opinar na internet, mas isso não significa que podem ofender”, ensina.

NA SALA DE AULA
Para a especialista, a mudança tecnológica propiciou uma geração mais autodidata, porque tem mais acesso à informação. Nessa mudança de cultura, as pessoas veem mais, entretanto não leem. Em sala de aula, isso significa que o tempo acelerou.
Com dispositivos que permitem o uso do e-mail, Facebook, Twitter, torpedos e MSN, ao mesmo tempo em que o professor explica o conteúdo, a síndrome da desatenção e dispersão ronda o educador que, obrigatoriamente, precisa ser mais rápido, tecnológico e gerar interatividade porque simplesmente a paciência acabou. “Por isso é preciso estabelecer regras éticas para esta sociedade digital”, retoma Patrícia.

SUGESTÕES
Ela afirma que todo educador deve estar nas redes sociais, para preservar o nome (para que outros não usem) e para saber o que dizem sobre ele.
Para os pais, a dica é acompanhar a navegação dos filhos sempre. 


Fonte: Jornal Folha da Região 22/08/2012

Evento reúne os coordenadores de Programas de Jornal e Educação

Dominique Torquato / Agência Anhanguera de Notícias

O seminário foi realizado em julho na Faculdade de Educação da Unicamp, o evento reuniu os coordenadores dos programas realizados no Brasil com o apoio da ANJ
Mensalmente, os professores atendidos pelos Programas de Jornal e Educação (PJE) do Grupo Mogi News de Comunicação participam de capacitações que procuram auxiliá-los no melhor aproveitamento do jornal nas suas aulas. Em julho, foi a vez dos coordenadores das propostas desenvolvidas em todo o Brasil se reunirem para discutir a importância desse veículo de comunicação no segmento pedagógico e a sua contribuição para a melhoria do sistema de ensino; debater a evolução da Educação e das práticas pedagógicas; da influência das novas ferramentas tecnológicas no cotidiano escolar; das mudanças no campo educacional; além de outros assuntos pertinentes à área da Educação. Na reunião, eles ainda compartilharam as atividades que vêm sendo feitas por meio de suas iniciativas, além de sugestões que visem ao aperfeiçoamento do trabalho que cada um deles vem fazendo por meio do jornal em sua respectiva região. Essa variedade de assuntos foi discutida no 6º Seminário O Professor e a Leitura de Jornal - Redes Sociais e Interatividade, realizado na Faculdade de Educação de Campinas entre os dias 11 e 13 de julho. A coordenadora-geral dos projetos Diário do Alto Tietê - Formando o Cidadão do Futuro e do Mogi News Cidadania -Ler para Saber Mais, Suéller Costa, esteve presente.

Promovido pela Rede Anhanguera de Comunicação (Grupo RAC), o Correio Escola Multimídia (Programa de Jornal e Educação do Correio Popular), com o apoio da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Associação de Leitura do Brasil e da Faculdade de Educação da Unicamp, o evento reuniu cerca de 30 coordenadores de programas desenvolvidos no Brasil, além de professores de diferentes áreas e de diversos níveis de ensino de todo o País. No primeiro dia, o encontro foi destinado apenas aos coordenadores de PJE. Comandado pela ANJ, a reunião debateu os benefícios e resultados que o jornal tem proporcionado nas redes de ensino onde passou a ser utilizado. Os participantes apresentaram os seus projetos e as ações realizadas. Promovido anualmente, o encontro possibilita a troca de ideias, sugestões de trabalho, dicas para aprimorar as ações e ainda permite o conhecimento do que vem sendo feito em todo o País por cada representante desse projeto educacional.
Os demais dias foram dedicados para o seminário. Mesas-redondas, sessões de comunicação e oficinas abrangendo o tema deste ano, "Redes Sociais e Interatividade", fizeram parte da programação. Aberto para todos os educadores brasileiros, o evento contou com convidados representativos, dentre eles, o ex-secretário de Educação de Campinas, Ezequiel Theodoro da Silva; a coordenadora do projeto Correio Escola Multidimídia e precursora de Programas de Jornal e Educação no Brasil, Cecília Pavani; a coordenadora-geral dos Programas de Jornal e Educação (PJE) da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Cristiane Parente; da jornalista Thaïs Mendonça Jorge, da Universidade de Brasília; Débora Sebriam, do Instituto EducaDigital; dentre tantos outros.

Segundo os organizadores, o tema deste ano procurou despertar nos educadores uma maior atenção nas distintas interferências e possibilidades educativas que se abrem e são condicionadas com o papel das redes sociais na contemporaneidade. Além disso, discutiu e problematizou as diferentes formas de interatividade que têm sido convocadas neste novo cenário. Em paralelo à discussão das novas tecnologias na Educação, foi abordado a colaboração do jornal nesse campo. Embora não seja tão moderno quanto as inovações que surgem a cada dia, não deixa de mostrar a sua eficácia na área pedagógica. Utilizado em todas as disciplinas, além de incrementar o conteúdo de cada uma delas, contribui para o incentivo à leitura, melhora a escrita e interpretação de textos e ajuda no desenvolvimento do senso crítico.

Fonte: Jornais Mogi News e Diário do Alto Tietê/SP 15/08/2012