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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Profissionais reconhecem os benefícios do jornal nas aulas

Considerado uma ferramenta eficiente, o Diário do Alto Tietê complementa a disseminação do conteúdo escolar
Reconhecido pelas autoridades de Poá/SP, o jornal na sala de aula se transformou numa ferramenta de grande utilidade para os educadores desse município. Beneficiados pelo programa “Diário do Alto Tietê – Formando o Cidadão do Futuro”, há aproximadamente três anos, os estudantes conheceram diversos gêneros textuais, se aprimoraram em várias disciplinas e tornaram-se cidadãos mais críticos, opinativos e conscientes de suas responsabilidades.


Incentivados pela Secretaria de Educação de Poá, os profissionais do ensino utilizaram a sua criatividade e trabalharam com a nova ferramenta de maneira inovadora. Para colocar o aprendizado em prática, os estudantes de algumas unidades municipais realizaram jornal-mural, criaram um boletim para a escola e passaram se interessar mais pelo mundo da informação. 


Direcionado para crianças dos 6 aos 10 anos, o programa atende as turmas do 1º ao 5º ano. No entanto, a proposta se estende também aos alunos dos ensinos Fundamental II e Médio. Para que a iniciativa seja um sucesso, os professores, coordenadores e diretores são capacitados e orientados mensalmente por uma equipe do veículo de comunicação.


Nos encontros, promovidos todos os meses, os profissionais do ensino dividem as suas experiências, adquirem conhecimentos tanto na área jornalística quanto pedagógica
e aumentam o seu acervo de atividades. Somente no ano passado, o “Diário do Alto Tietê – Formando o Cidadão do Futuro” atendeu cerca de 300 professores e 9 mil alunos. Diariamente, cerca de 25 escolas recebem os exemplares do DAT. No ano passado, 16 mil jornais foram entregues, ampliando o seu público leitor, que não se restringe apenas aos professores e alunos, mas também às famílias desses estudantes, que passam a socializar
a informação entre toda a comunidade.


De acordo com Neicí Simões Custódio Parolin, do Departamento de Ensino Fundamental I da Secretaria de Educação de Poá, o jornal é considerado uma ferramenta inovadora e enriquecedora. “Trazer o jornal para a escola é levar a realidade para as aulas e permitir que os alunos tomem ciência dos fatos, conversem sobre o que foi lido e até desejem criar uma nova realidade para o mundo em que vivem”, destaca.


A iniciativa do Diário do Alto Tietê trouxe uma nova realidade à sala de aula, proporcionando a troca de opiniões entre educadores e alunos, além de expandir o conhecimento de ambos. Para a chefe do Departamento de Núcleo Pedagógico do município, Francisca Bolina Amabis de Moraes, a presença diária do DAT nas escolas incentiva os alunos a se manter informados sobre os fatos dessa cidade. “Os estudantes ficam cientes sobre os acontecimentos do município naquele dia. Além disso, eles passam a comentar com os pais os assuntos lidos na sala de aula”, declarou a educadora poaense.


Capacitações voltam ao cronograma de atividades das escolas da região
Após o término do recesso escolar, a página destinada ao programa “Diário do Alto Tietê – Formando o Cidadão do Futuro” volta ser publicada todas as quartas-feiras. Com isso, as atividades desenvolvidas pelos professores da região serão novamente destacadas nesta editoria, que tem como objetivo destacar os trabalhos desenvolvidos pelo projeto do Diário do Alto Tietê.


Desde a sua primeira edição, no dia 9 de novembro de 2011, foram apresentadas diversas propostas aplicadas pelos educadores ao longo do ano passado. Profissionais engajados com o sistema de ensino e que acreditam que o jornal pode, sim, ajudar na dinamização do processo de aprendizagem.


A partir deste mês, as capacitações, que são realizadas mensalmente, retornam ao cronograma de atividades das escolas da região. Para apoiar o trabalho dos educadores, eles receberão, no primeiro encontro, uma apostila explicativa sobre o programa e com sugestões de atividades, que servirá de material de apoio nesta nova jornada.


Em todos os encontros, uma equipe do Diário do Alto Tietê, formada pela coordenadora-
geral e a coordenadora pedagógica, será responsável por manter os professores atualizados sobre os principais assuntos do mundo educacional. Além disso, os participantes trocarão
experiências sobre o cotidiano vivido nas salas de aula.


Fonte: Diário do Alto Tietê/ Gabriela Pasquale  22/02/2012

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Aos 80 anos de um mestre

Alberto Dines no cenário do programa
Observatório da Imprensa (TV Brasil)
O Estado de S.Paulo – Opinião – 23/02/2012 – Pág A 02
Por  EUGÊNIO BUCCI

"Dizer que jornal é trabalho de equipe é dizer muito pouco. Jornal bem-sucedido é trabalho de uma orquestra de personalidades e ideias diferentes ou mesmo antagônicas, porém complementares, harmonizadas e equilibradas por normas ou metas comuns"
Alberto Dines, em 'O Papel do Jornal'
Na profissão de jornalista, em que os princípios pessoais parecem não resistir aos dez primeiros anos de carreira, o nome de Alberto Dines reluz como um patrimônio inspirador. No dia 19 de fevereiro, domingo passado, ele completou 80 anos de idade. Também neste ano de 2012 ele comemora seis décadas de profissão: uma trajetória brilhante, acidentada, por certo, e modelar. Olhando para ele, hoje, a gente compreende o que significa ser jornalista - e gosta do que compreende.
Como todos nós, Dines cometeu erros. Ele mesmo reconhece. Durante o almoço, volta os olhos para cima, a cabeça indo de um lado para outro, num balanço leve, e conta dos tropeços, das vezes em que deu vazão à aresta mais cruel das palavras com o propósito de ferir, mais do que de informar. Acontece. Deixemos isso de lado. No legado que de fato importa, sua biografia é fonte de ensinamento: uma lição de trabalho intenso e extenso, com produção incessante, diária, e uma obra que vai da crítica cinematográfica a livros de pesquisa histórica, passando pela reportagem cotidiana, pela crítica de imprensa e pelos artigos de opinião. Dines é a prova de que a experiência não concorre necessariamente para diluir os princípios e de que o caráter não esmorece. No caso do jornalista, o caráter alimenta-se da independência intelectual e material, assim como se alicerça no cultivo da liberdade e do espírito crítico - portanto, ganha vigor com o passar do tempo.
Assim como os escritores realmente grandes são aqueles que ensinam a seus pares a arte da narrativa, o jornalista maior tem a capacidade de despertar vocações nos mais jovens. Dines também desperta vocações. Embora seja difícil afirmar que esta ou aquela vocação tenha nascido por influência deste ou daquele profissional, há pelo menos uma, nem que seja uma só, que deve ser creditada a ele. A coluna Jornal dos jornais, que Dines assinou na Folha de S.Paulo entre 1975 e 1977, motivou um adolescente, então estudante numa cidade da região da Alta Mogiana, no interior paulista, a firmar a decisão de trabalhar na imprensa e, pelo menos até o instante em que assinou este artigo - este aqui, que você lê agora -, aquele adolescente dos anos 70 não se tinha arrependido da escolha que fez.
Na velha coluna de Alberto Dines, que ajudou a firmar a crítica de mídia no Brasil, o adolescente da Alta Mogiana começou a se dar conta de que escrever na imprensa também era uma forma de pensar sobre a imprensa, e ele começou a achar aquele negócio interessante.
As mais belas reportagens renovam o lugar do discurso jornalístico dentro da cultura. É verdade que podemos dizer algo parecido sobre quase tudo, sobre a poesia, a arquitetura, o cinema e também sobre a medicina e até mesmo a engenharia: o engenho humano, onde quer que ele se manifeste, na arte ou na ciência, na técnica, na política ou na religião, tende a redefinir a si mesmo - o que, no fim das contas, é uma constatação um tanto óbvia, quase banal. Não teria por que ser diferente com o jornalismo - e, no entanto, é diferente. Sutilmente, mas é.
Na nossa profissão, que navega nas franjas do que é notícia, daquilo que é verdade hoje, mas não era verdade até ontem, os imperativos da velocidade, da aceleração e da mudança pesam muito mais. Mais que outras atividades, o jornalismo depende de saber se redefinir a cada dia. Ao registrar a História no calor da hora, a sangue-frio, o jornalista é agente da História, um catalisador do fato histórico em alta velocidade, o que faz dele um profissional das ideologias, mesmo quando guarda em si a convicção ideológica de que nada tem de ideológico. Se ele não desenvolve consciência sobre o que faz, corre o risco nada desprezível de estar a serviço de ideologias que não vê enquanto empina o nariz imaginando desconstruir as que vê. Se não acumula reflexão, dificilmente fará algo de útil ou de valioso.
Comparemos o jornalista com o cirurgião. Este, o cirurgião, pode muito bem se revelar um gênio do bisturi sem nunca ter dedicado um segundo sequer ao exame intelectual das relações entre seus atos e o sentido geral da civilização, ou sobre o emaranhado de sentidos que tece a fronteira instável entre saúde e doença. Para o jornalista, o mesmo grau de alienação constituiria falta grave. Se obstinadamente técnico, perde de vista o que há de controverso na cena humana, da qual lhe cabe fazer a crônica.
A imprensa ocupa-se mais das incertezas que das certezas. Sem método, sem critérios e sem pensamento (epistemológico) ela se perderia. A sua dupla condição - ter de fazer e ter de refletir - não é dúplice nem ambígua, mas íntegra. Aí se inscreve o significado mais fecundo da longa trajetória de Alberto Dines. Como professor universitário - que não tem diploma de nenhuma faculdade -, ele ajudou a lançar no Brasil, quando começou a dar aulas na PUC-Rio, ainda nos anos 60, as bases da disciplina Jornalismo Comparado. Como jornalista, no comando do Jornal do Brasil, ou na direção de revistas da Editora Abril em Portugal, ou ainda como fundador do Observatório da Imprensa, um marco pioneiro do jornalismo online no Brasil, criado há 15 anos, ensinou a credibilidade da imprensa laica, apartidária e plural.
Onde o mundo é uma gritaria, uma babel caótica, o grande editor identifica a orquestra passível de afinação. Também por isso a imprensa encarna com tanta intensidade o sonho democrático. Movido por esse sonho, o jornalista faz, pensa e depura o caráter. Não pode haver profissão melhor.
*JORNALISTA, É PROFESSOR, DA ECA-USP E DA ESPM

Livro "Cuido, logo existo" está sendo distribuído pelo Brasil espalhando poesia e esperança!



O livro "Cuido, logo existo", a mais nova publicação do Instituto Ecofuturo, parceiro do Programa Jornal e Educação - ANJ está sendo distribuído por todo o Brasil entre bibliotecas públicas. Ele reúne as 60 redações vencedoras da 7ª edição do Concurso Cultural Ler e Escrever é Preciso, que teve quase cinco mil participantes de todo o Brasil.


"O resultado compila experiências e visões de cuidado que mostram que nossa gente hoje não fica só na esperança: está chegando à "esperança crítica" de que nos falava Paulo Freire, aquela esperança capaz de transformar a realidade. E o que encanta o leitor é a espontaneidade com que estão escrevendo sobre isso, deixando de lado as lamentações e reconhecendo o valor de pequenas ações cuidadosas de gente de todos os ambientes e idades", afirma Christine Cartilho Fonteles, Diretora de Educação e Cultura do Instituto Ecofuturo.

No livro o leitor vai poder encontrar de Branca de Neve a rio de suco de fruta, histórias de amizade, rezas e vídeo-games divididas em 12 capítulos que cuidam de um aspecto do viver de forma cuidadosa, prestando atenção à utopia, à educação, à economia do cuidado, à educação; à agroecologia e ao modo feminino do cuidado; aos valores da terra e do humanismo, entre outros pontos.

Ao todos foram publicados 35 mil exemplares que, além das bibliotecas públicas estraõ nas casas dos participantes do concurso e parceiros. Se você não tem o livro em mãos, não se preocupe, ele estará disponível para download no endereço  http://www.ecofuturo.org.br/uploads/conteudos/textos_de_apoio/CuidoPDF.pdf  Além disso, o Programa Jornal e Educação vai divulgar periodicamente os textos, para encantar os seus leitores e lembrar que a vida merece cuidados, todos os dias, nos pequenos gestos, nas mais simples atitudes!



Os conflitos na Síria continuam...e a liberdade de imprensa?

Compartilhamos acima a visão do excelente artista gráfico, Silvano Mello, sobre os conflitos na Síria. Entre tantas vítimas, jornalistas e a liberdade de imprensa!

Jornal na sala de aula: Circo encanta alunos do projeto



O nome oficial é ‘Estoril’, mas bem que poderia se chamar Circo‘ Giovana’,por exemplo, tamanha era a empolgação da menina que, pela primeira vez, pisava em um picadeiro. Ela era uma das 1.500 pessoas, convidas do projeto ‘Jornal na Sala de Aula’, do Diário do Nordeste, para entrar nesse mundo da imaginação, assistir à sessão exclusiva do Circo Estoril,belíssimo espetáculo em cartaz no estacionamento do Shopping Iguatemi.


O público era composto, exclusivamente, por alunos, professores e parceiros. A plateia ficou lotada de estudantes de escolas de diversos municípios, entre eles, Fortaleza, Itaitinga, Itapiúna, Limoeiro do Norte, Maracanaú, Ocara, Pacajus, Pacoti, Redenção e Uruburetama. Também estiveram presentes representantes das empresas Esmaltec, Vicunha e Saga, parceiras do programa que, em 2012, celebrará 15 anos de muito sucesso.


A estudante Giovana Muniz, 10, alunado 5º ano da Escolinha Abraço Fraterno, em Cascavel, ficou encantada com tudo. Com os olhos atentos a cada atração circense, deu gargalha das ao ver as peripécias dos animados palhaços, ficou curiosa tentando achar o mistério das ilusões dos mágicos, tremeu de medo como globo da morte e se emocionou coma dançado ‘balé das águas’.


“Foi o dia mais feliz da minha vida. Estou louca para chegar em casa e poder contar para todo mundo o que eu vi no Circo Estoril. Eu amei tudo. Quero vir de novo”, conta a menina.


Os professores também puderam ter um dia diferente, sair da rotina escolar. A diretora da Escola Irmã Dulce, em Maracanaú, Edirene Sousa, mal se continha de tanta satisfação. “Nossos alunos são muito pobres, nunca poderiam vir para um evento se não fosse o projeto”, conta.


A estudante da Escola Irmã Dulce, Maria Jeovana Alves, 8, lamentou o fim do espetáculo. Disse que ia passar uma semana inteira só pensando no que viveu no circo. “Vou escrever uma redação bonita e contar para todo mundo as coisas engraçadas que assisti”, diz a menina.


O auge do espetáculo foi o Globo da Morte. Ele fez a plateia toda se levantar, ficar com medo, tamanha era a aventura, a adrenalina correndo nas veias. No fim,entre emoções variadas - o riso,o medo e a contemplação o que ficou mesmo foi o desejo de quero mais.



Projeto
Como objetivo maior de capacitar professores para o uso do jornal como uma importante ferramenta educacional na escola, o projeto também tem proporcionado experiência inesquecíveis de sociabilidade, lazer e cultura. “O aprendizado pode se dar em todo lugar, até aqui no Circo. Estamos garantindo a esses meninos e meninas um dia diferente que, com certeza, vai ficar na lembrança para sempre”, afirma a coordenadora do‘Jornal na Sala de Aula’, Adriana Freitas.


A coordenadora de planejamento do Diário do Nordeste, Camila Coutinho, se anima com a satisfação dos participantes do projeto. Segundo ela, mais de 6.500 professores já foram capacitados até agora. Estão multiplicando saberes e uma visão mais crítica sobre o mundo com a leitura do jornal nas escolas.


Ela comenta que as mudanças nas famílias atendidas é algo notório e surpreendente.O estudante que começa a ler mais por conta do projeto, repassa esse bom hábito da leitura para os demais membros, gerando, assim, uma onda de conhecimento e autoestima. “Essa vinda para o Circo Estoril é um presente, momento a mais de compartilhar experiências, saberes”, conta.


E tinha muito adulto voltando ao mundo da infância, encantado com o universo circense. A analista de comunicação da Vicunha Têxtil, Mara Fernandes, era um desses. Ela aplaude as iniciativas culturais como essa e parabeniza a qualidade das mil ações do ‘Jornal na Sala de Aula’.


“Estamos apoiando há cinco anos e sabemos que o projeto tem feito diferença nos municípios, virou referência de boa ferramenta pedagógica. As crianças e adolescentes saem de uma sessão de circo, como essa, com uma visão de mundo diferente, mais felizes e empolgados”, diz.
Fonte: Diário do Nordeste 11/02/2012

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Jornal e mural

Compartilhamos abaixo atividade da professora Neliane Cristina Ribeiro Preisnhe, de Ponta Grossa/PR, com mural. Ela faz parte do Projeto Vamos Ler, do Jornal da manhã/PR.


Nome: Colégio Estadual Padre Arnaldo Jansen  (Ponta Grossa/PR)
Escolaridade dos alunos: 6º Ano A, B, C e D
Responsável pela atividade e pelo relato a seguir: Neliane Cristina Ribeiro Preisnhe
Local: Ponta Grossa/PR


Objetivos
*Incentivar a leitura através do contato com o mural;
*Estimular a criação de textos;
*Contribuir para a melhoria do processo ensinoaprendizagem  e  para  a  formação  de  leitores  críticos  e 
criativos;
*Trabalhar a oralidade em sala. 


Metodologia
Como  somente  alguns  alunos  puderam  participar  da  IV Mostra Cultural Vamos Ler, pedi para que eles prestassem  bastante  atenção  na  Mostra  e  nas  apresentações  e  os incentivei a relatarem em forma de texto o que puderam  apreciar. Cada um escolheu o que mais gostou na Mostra para escrever sobre. Tirei fotos para que os alunos que não puderam ir pudessem visualizar as apresentações e então, na  escola,  foram  feitas  as reestruturações  dos  textos  e montagem de um painel para ficar exposto no mural da escola, assim todos puderam apreciar a IV Mostra Cultural Vamos Ler.


Resultados Alcançados
Queria que os alunos que não foram à Mostra tivessem a noção do evento, aguçando a curiosidade para que lessem as produções dos colegas que estavam expostas no mural. Depois em sala, pedi aos alunos que foram 
para repassarem mais informações aos colegas e, assim, a experiência que podia ter sido somente de alguns pôde ser compartilhada com todos os alunos do sexto ano do nosso colégio.


Fonte: Projeto Vamos Ler/Jorna, da Manhã - Ponta Grossa/PR

Participação Social na Era Digital

Compartilhamos abaixo algumas reflexões da jornalista Talita Moretto, coordenadora do Projeto Vamos Ler, de Ponta Grossa/PR,sobre a Mesa "Participação Social na Era Digital", que aconteceu na Campus Party/ EducaParty, em São Paulo, entre os dias 6 e 12 de fevereiro. Apesar do evento já ter acabado há um tempinho, achamos que vale a pena refletir sobre o tema da mesa.
"Participação Social na Era Digital” 
Participantes: 
  • Ricardo Poppi - Assessor da Secretaria Geral da Presidência da República e responsável pelo projeto do Portal de Participação Pública Queremos Saber;  
  • Daniela Silva - Fundadora da Casa da Cultura Digital e da comunidade Transparência Hacker, coordenadora do projeto Ônibus Hacker; 
  • Everton Rodrigues - Gestor de mobilização e redes sociais do Gabinete Digital do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, Portal de Comunicação Direta dos Gestores Públicos com os Cidadãos;
  • Mediação de Patrícia Santin - Gerente da Área de Infância e Adolescência da Fundação Telefônica | Vivo.

Reflexões:
A conversa transcorreu sobre democracia na rede. O que seria? Podemos publicar, escrever, manifestar nossas ideias e navegar por todos os ambientes sendo suportados pelo glorioso direito democrático de ir e vir? Ou apoiados na liberdade de expressão? 

A internet é democrática?
De-mo-cra-ci-a: sistema comprometido com a igualdade ou distribuição igualitária de poder (Definição 2, em Dic. Houaiss – 2009).

Ao pesquisar a palavra, refletir e entender o significado, muitos diriam que sim, a internet é democrática. Nela podemos divulgar nossas palavras da forma que desejarmos, e vai ler quem quiser. Bem democrático!

Alguns diriam não, porque nem todos os assuntos são bem vistos mesmo aos olhos daqueles que não leem, que só passam por ali. Não é nada democrático limitar as formas de expressão!
Outros poucos diriam que ela tenta, mas impõem termos de utilização para qualquer passo dado dentro da grande ‘teia’, termos que acredito eu, a minoria lê, ou lembra que existe. Ela é mais ou menos democrática!

Vocês sabiam que o princípio de qualquer rede social não é haver líder? A ideia de hierarquia passa longe, já que, ao entrar em uma rede social o princípio é que você se torne um elemento que, como os demais, deve compartilhar suas ideias, criticar quando desejar, discutir, participar ativamente das decisões, interagir, e deve ser respeitado em todas as ações. 

>>Você sabe o que é uma rede social? Facebook não é uma rede social.
>> A internet é democrática?
Uma das questões levantadas durante o debate foi se os professores ainda têm medo de trabalhar a interdisciplinaridade, principalmente, quando essa vem de mundos virtuais, onde uma quantidade imensurável de recursos e conteúdos são expostos, onde a leitura, em muitos casos, é feita de forma diagonal, em pedaços, fragmentada.

>>O que é interdisciplinaridade? 
Se eu pegar um texto de outra disciplina e levar para minhas aulas estarei atuando na prática pedagógica de forma interdisciplinar?

 >> O ensino é concebido de forma centralizada ou descentralizada? >>O ensino é democrático?
Pegando como gancho a leitura fragmentada… isso acontece porque as pessoas, na rede e fora dela, nos dias atuais, fazem muitas coisas ao mesmo tempo e acabam perdendo o foco, a direção, em meio a tantas informações impostas. Um sintoma [ou um comportamento] típico de quem utiliza muito as tecnologias digitais: quer estar ao mesmo tempo, em todos os espaços, usufruindo de todas as ferramentas, e consumindo informação em fragmentos.

Mas, seria a informação um produto a ser consumido? Nós consumimos informação de forma democrática?
No mesmo momento em que juntamos esses fragmentos em nossa leitura rápida e fragmentada, compartilhamos ideias a esmo, incontrolavelmente, nos sentindo heróis por estarmos presente na rede 24 horas no dia [sim, porque mesmo enquanto não estamos logados, nossos trilhões de links compartilhados ainda permanecem nas discussões dos que ainda não dormiram].

Mas essas ideias continuam ali, junto a manifestos, conjunturas, descrenças, gritos de revolta. E enquanto não colocarmos nossas ideias em ações, enquanto não descruzarmos os braços para fazer acontecer, enquanto não pararmos de esperar que a ideia compartilhada será lida por uma terceira pessoa que seria a responsável por tirá-la da tela do PC, a responsável por transformar a ideia em prática, talvez nunca entendamos o que é a democracia e a complementaridade do saber.

Talvez a democracia esteja na humildade de aceitar que o conhecimento não é construído por um único indivíduo, com uma única palavra, isoladamente, mas que ele é colaborativo. Não aprendemos sozinhos e não podemos ser egocêntricos a ponto de não compartilhar nossos aprendizados. Nosso saber é fruto da simplicidade daquele que foi capaz de ceder o que aprendeu, para que desse conhecimento nos alimentássemos e transformássemos novos saberes… para serem compartilhamos.