quarta-feira, 23 de março de 2011
Justiça proíbe Google de criar maior biblioteca de livros virtuais do mundo
O acordo em questão começou a ser negociado em 2005 pelas associações que representam autores e editoras de livros dos Estados Unidos e o Google. Ele previa que o gigante de buscas divulgasse as obras literárias na internet, em troca do pagamento de US$ 125 milhões pelos direitos autorais.
O juiz responsável por analisar o caso e que emitiu o parecer contrário ao acordo, Denny Chin, afirma que, apesar de a criação de uma biblioteca de livros virtuais favorecer muitas pessoas, ela poderia “ir longe demais”, dando uma vantagem muito grande para o Google em relação a outros competidores.
De acordo com a agência de notícias Reuters, o Departamento de Justiça norte-americano ainda destacou que o acordo pode violar as leis de direito autoral e de livre competição.
O Google já tinha transformado cerca de 12 milhões de livros para o formato digital.
Fonte: Olhar Digital
Tsunami e jornais escritos à mão
Ninguém se comunica pelo Twitter, blogs ou e-mail. As pessoas também não usam telefone. Sem eletricidade, gasolina e gás a cidade traumatizada pelo tsunami está fazendo as coisas realmente amaneira antiga: usando papel e caneta.
Incapaz de operar sua impressora do século 20–os computadores, então, nem pensar–, website ou celulares 3G, os jornalistas do único jornal de Ishinomaki, o Hibi Shimbun, escrevem seus artigos à mão com canetas hidrográficas em grandes folhas de papel branco.
Ao contrário do que ocorre com a mídia moderna, o método tem funcionado.
“As pessoas que sofrem uma tragédia como essa precisam de alimentos, água, mas também de informação”, disse Hiroyuki Takeuchi, chefe de reportagem do Hibi Shimbun. “ Elas estavam habituadas a se informar pela TV e pela internet, mas, quando não há eletricidade, a única coisa que têm é o nosso jornal.”
Embora a recente agitação política que toma conta do mundo árabe tenha realçado o poder das novas mídias, a miséria no Japão, um dos países mais conectados do mundo, fez a comunicação retroceder no tempo.
Durante alguns dias, pelo menos, a palavra escrita à mão e impressa atingiu o auge. Depois de escrever e editar os artigos. Takeuchi e outros da equipe copiam suas matérias à mão em folhas de papel para distribuí-las em centros de ajuda de emergência que acolhem os sobreviventes do pior terremoto sofrido pelo país e do tsunami que se seguiu.
“Eles estavam desesperados por informações”, disse Takeuchi, que durante dez dias após o tsunami dormiu na redação do jornal, uma vez que as águas inundaram o andar térreo de sua casa. Com a eletricidade de volta para um terço dos 160 mil moradores da cidade, o jornal deixou de lado a caneta e voltou a ser impresso.
O acesso à internet, porém, ainda não está disponível. Na segunda-feira, a capa do jornal elogiava um “resgate milagroso”, a história de uma senhora de 80 anos e de seu neto de 16, retirados de sua casa destroçada.
Na costa,em Sendai, uma cidade antes próspera de mais de 1 milhão de habitantes, a irresistível força digital também ficou interrompida.“Em condições como essas, nada tem o poder do papel”, disse MasahikoIchiriki, presidente e dono do Kahoku Shimpo, principal jornal da cidade.
Edição especial. Com muitas lojas fechadas, as pessoas não conseguem comprar baterias para seus rádios. O colapso do sistema elétrico provocou o desligamento de computadores e aparelhos de TV , mas o jornal continua sendo publicado o tempo todo. Chegou até a trazer uma edição especial , de uma página, na noite do tsunami. “Os moradores, famintos por informação dependem do nosso jornal como um salva-vidas”, disse. O Kahoku Shimpo fornece não apenas notícias sobre a catástrofe, mas também informações vitais sobre que lojas têm alimentos, quais estradas já estão transitáveis, que bancos têm dinheiro em caixa e quais filiais de uma conhecida loja de bebidas foram reabertas.
Em Ishinomaki, cidade menor do que Sendai, porém mais destruída, o Hibi Shimbun não foi publicado por dois dias após o tsunami. Um dos seis jornalistas foi arrastado dentro do carro pelas águas quando voltava de um compromisso. Ele sobreviveu e, depois de alguns dias no hospital, voltou ao trabalho.
Hiroyuki Takeuchiestava em seu escritório na hora do terremoto, às 14h46n do dia 11 de março. Ele tinha acabado de concluir a edição do dia, que trazia um artigo de capa sobre os “encantos ocultos” de Ishinomaki e as promessas das autoridades para a reformadohospital e outras instalações. O terremoto sacudiu de maneira tão forte os dois andares do prédio do jornal que as lâmpadas fluorescentes caíram do teto e os armários tombaram no chão.
A primeira edição escrita à mão, preparada no dia 13 de março, trouxe como manchete a promessa de “tentar e obter informações mais precisas possíveis sobre a tragédia”.
E informou sobre a chegada de equipes de socorro de todo o Japão e sobre a extensão da devastação. Casas e empresas situadas à beira-mar foram destruídas. Mais de 30 mil pessoas procuraram refúgio em abrigos. “Agora, conhecemos a extensão total dos danos”, era um dos títulos da edição. No dia seguinte,o jornal trouxe o nome e a idade de 34 moradores da área cujos corpos haviam sido identificados. Informou também sobre um roubo em um supermercado, um sinal do desespero da cidade. “Os jornalistas, porém, procuraram levantar o ânimo da população”, disse Takeuchi.“ Procuramos coisas que dessem esperança. Essa é a nossa filosofia.”.
Segundo ele, o jornal deixou de publicar nomes de pessoas mortas porque o número de vítimas continuou crescendo. Mais de 1,3 mil corpos foram encontrados. Todo o esforço ajudou a preencher o vazio deixado pela ausência da mídia eletrônica.
“Viver sem eletricidade ou água e pouca comida é muito duro”, disse Yutaka Iwasava, de 25 anos,morador de Ishinomaki. “Mas o pior é não ter nenhuma informação.”
Iwasava disse que, desde o tsunami não conseguiu mais acessar seu e-mail e nem navegar na internet.
Fonte: O Estado de S.Paulo – Visão Global – 23/03/2011 – Pág. A16/ Por Andrew Higgins
Instituto Ethos promove Seminário sobre Sustentabilidade no Jornalismo
A questão da Sustentabilidade está presente em vários lugares; nos jornais impressos, nos comerciais institucionais de TV, nos supermercados (Ecobags, por exemplo). O termo é frequentemente utilizado de forma errônea, embora os especialistas vejam um lado positivo nesse uso, pois traz curiosidade e gera dúvidas, tornando os consumidores interessados pela consciência limpa.
Essas são questões que serão debatidas no Seminário A Sustentabilidade no Jornalismo Brasileiro, que ocorrerá nos dias 29 e 30 de março de 2011, em São Paulo ao longo dos quais convidados conversarão com jornalistas e blogueiros sobre o tema.
Existem diversas formas de praticar a sustentabilidade, como o “marketing verde” - com muita divulgação e pouca ação - e há aquelas empresas que estão mudando suas estratégias de negócios para entender todos os dilemas e benefícios envolvidos numa gestão socialmente responsável.
Como é possível ampliar o espaço da sustentabilidade? É possível, além do lado econômico, adicionar a dimensão ambiental e social às reportagens que são produzidas hoje? Esses e outros problemas estarão em pauta no seminário cuja programação completa está disponível no site: www.ethos.org.br/rsenamidia
As inscrições e a confirmação da presença podem ser feitas através do link:
http://www.ethos.org.br/sistemas/eventos/conf_evento.asp?id=323
Mais Informações: Patricia Saito (psaito@ethos.org.br), telefone (11) 3897-2415
Brasil tem a maior população on-line da América Latina
O país ficou na oitava posição na pesquisa global. Segundo o estudo, a China é a nação com a maior comunidade on-line: soma 291,5 milhões de internautas. De acordo com Banks, provavelmente, este ano, Índia e Brasil, 41,6 milhões e 40 milhões, respectivamente, ultrapassarão a França em número de usuários (41,9 milhões). "Isso deve acontecer nos primeiros meses de 2011, já que a taxa de crescimento prevista para esses países é maior", explica o executivo em um ‘webinar’ disponível no site da comScore.
De acordo com o estudo, na América Latina, o Brasil é a nação com o maior número de usuários, seguido do México, com 17,8 milhões. Em terceiro lugar aparece a Argentina com 12,8. Em dezembro de 2010, o continente já possuía 111,4 milhões de internautas. "Esse crescimento vai continuar em 2011, com mais pessoas acessando a rede, tanto no trabalho quanto em casa", acredita. "Os brasileiros também gastam, em média, mais horas na rede virtual de computadores", esclarece Banks, em relação aos vizinhos latino-americanos. Números que se aproximam do mercado francês e sul-coreano.
Outro dado que vale destacar é o fato de a maioria dos internautas brasileiros estarem com, no máximo 35 anos. Sessenta e três por cento da audiência da internet no país possui idade entre 15 e 35 anos. Globalmente falando, essa faixa etária representa apenas 53% do mercado mundial. "A faixa etária brasileira é jovem, predominando usuários entre 25 e 34 anos", analisa. "Mesmo assim, ela é menos jovem em relação à pesquisa anterior."
Dividindo por sexo, os homens com mais de 35 anos passam menos tempo na web em comparação com as mulheres da mesma idade. Por outro lado, na faixa entre 15 e 24 anos, a média de horas é igual. "Será que esses dados vão apresentar similaridades daqui a um ano?", questiona o diretor, para, em seguida, apontar que a liderança de acesso está nas mãos de usuários entre 15 e 24 anos.
Na Região Sudeste estão presentes 68% da população on-line brasileira. "Duas em cada três páginas são consumidas pela audiência da Região Sudeste", aponta o diretor. Em segundo lugar, aparece a Região Sul, com 13%. Ao final da lista, estão os estados da Região Norte, com apenas 2%. Vale lembrar que são os visitantes do Nordeste que lideram a frequência de acesso, com 26.3 horas de visitação por mês. "Comparando com os números das outras nações, essa duração está acima da média", destaca.
Os brasileiros são os usuários que utilizam com maior frequência e-mails, redes sociais, blogs e serviços de instant messengers. O mesmo não acontece com conteúdos temáticos como viagem e turismo, negócios e finanças, notícias e informação e sites sobre o universo automobilístico.
Vendas, bancos e compras coletivas
"Em relação ao mercado brasileiro, percebemos que quase todas as categorias analisadas como bancos, vendas em varejo e compras coletivas, tiveram um aumento em relação ao ano anterior. Isso é muito positivo para o mercado de internet brasileira", analisa Banks.
Para o diretor, a categoria de internet banking se beneficiou com os bons ventos da economia no país, registrando um aumento de 25% no número total de acessos. "Instituições financeiras como Santander, Bradesco, Itaú e Banco do Brasil possuem uma audiência superior a dois milhões de visitantes. A Caixa Econômica lidera a lista com cinco milhões".
O segmento de compras coletivas, representado por sites como Peixe Urbano, OfertaX e SaveMe, registrou impressionante crescimento durante o segundo semestre de 2010. "Se levarmos em conta, o crescimento da versão americana do GroupOn, podemos esperar, no Brasil, um movimento constante, nesse sentido, em 2011", acredita.
Sobre as estatísticas de e-commerce, o estudo destaca que sete em cada dez brasileiros acessam endereços como Lojas Americanas, Submarino etc. "Em relação à América Latina, essa é uma média bem maior. No ano, a categoria cresceu 9%, ou seja, três vezes mais que o resto do mundo".
Redes sociais
Oitenta e cinco por cento dos brasileiros, com mais de 15 anos, que acessam a web, de casa ou do trabalho, visitam pelo menos uma rede social periodicamente. "Esse dado é muito maior comparado à Europa ou à média global, porém baixo, em comparação com outros países da América Latina. O Chile possui 92%”. Entre internautas brasileiros, o Orkut continua dominando os sites desse tipo. A rede social do Google registrou um aumento de 28%, 31,2 milhões de usuários brasileiros. Entretanto, o estudo aponta que o Facebook teve um aumento de 250% no mesmo período, atingindo, ao final de 2010, 12 milhões. "Não tem como fazer um ‘webinar’ sobre Brasil sem falar do Orkut", comenta Banks.
Fonte: Nós da Comunicação - André Bürger 22/03/2011
Na sua opinião, o que é um bom professor?
Campanha Nacional pelo Direito à Educação
Daniel Cara, coordenador-geral
Um bom professor é um bom profissional. Educação não é (nem pode ser!) diferente de qualquer outra área. Um bom profissional precisa ser dedicado, deve se fazer presente, tem que ser compromissado, tem que ter interesse contínuo por aprimoramento e deve demonstrar força de vontade, interesse e iniciativa em buscar soluções aos problemas que surgem no seu cotidiano de trabalho.
O problema é que o professor é um profissional que recebe muito pouco, enfrenta péssimas condições de trabalho, não possui plano de carreira e é excessivamente cobrado. Defendemos, essencialmente, um tratamento justo, objetivo e isonômico.
Confederação Nacional de Pais de Alunos (Confenapa)
Iedyr Gelape Bambirra, presidente
Um bom professor tem de gostar de criança, tem de gostar do estudante. Essa é a primeira coisa. Em segundo lugar, tem de ter uma boa formação: não apenas a profissional completa, mas também uma boa formação de conhecimento de leis e de princípios éticos e morais.
Se o professor tem esses princípios, vai aplicá-los durante sua vida profissional. O que ocorre, é que, muitas vezes, não há aplicação dos princípios éticos nas escolas públicas e privadas. E há professores que não se expressam de maneira adequada com os estudantes, colocam apelidos e até ofendem os alunos.
O professor tem de ser um agente de democratização da escola. Ainda falta acesso dos pais à escola e as famílias são impedidas de criar associações.
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE)
Heleno Araújo, secretário de Assuntos Educacionais
O bom professor é aquele que contribui coletivamente para que a escola cumpra seu papel. Para isso, tem de ter infraestrutura e ambiente adequados para a atividade docente e para que o estudante possa buscar autonomia. A escola tem de ser equipada, ter biblioteca, quadra de esporte coberta, laboratórios, espaço para o encontro com os colegas na hora do intervalo.
Além disso, o profissional tem de ter tempo para se dedicar à comunidade escolar e, portanto, ter exclusividade com uma escola. Dentro de sua carga horária de trabalho, o professor deve ter o tempo da sala de aula, de pesquisa, de estudo, de atendimento individualizado, e deve contribuir para o fortalecimento do conselho escolar, em projetos que envolvam a comunidade.
Para que trabalhe em uma única escola, é preciso salário decente. Também é necessária uma política de formação continuada, para que esteja preparado para enfrentar os desafios.
Um professor, em um ambiente desse tipo, está preparado para trabalhar com o coletivo e alcançar o objetivo da escola, que é preparar o estudante para a vida. Já um estudante preparado para a vida é aquele que se relaciona com outros cidadãos, cuida do ambiente, se preocupa com a escola e com o bem comum. Esse estudante também sabe que a solidariedade é mais importante que a competição e que pode contribuir para que a vida seja melhor.
Conselho Nacional de Educação (CNE)
Francisco Aparecido Cordão, presidente da Câmara de Educação Básica
O bom professor é um profissional da Educação que, nos termos da atual LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), “zela pela aprendizagem dos alunos”. Ele sabe que sua missão profissional não se resume a dar aulas. Seu maior desafio está na promoção da autonomia intelectual dos alunos, que garante a prontidão para a aprendizagem permanente.
O bom professor, como já me confidenciou um garotinho de seis anos de idade, é aquele que “presta atenção na criança”. O grande educador Paulo Freire diria que ele aprendeu que a relação entre professor e aluno é sempre a relação de duas consciências que se respeitam. Ele tem certeza de que seus alunos estão aprendendo com seu trabalho, porque ele também está aprendendo nessa relação. Professores e alunos, em comunhão, estão aprendendo a ver o mundo com perspicácia e a nele atuar.
O bom professor tem paixão por ensinar, porque aprendeu que só poderá ser eterno naquilo que comunica e partilha solidariamente. Tem orgulho de sua profissão, defende-a com garra e a valoriza pelo seu trabalho bem feito e pela beleza dos seus resultados. Fica feliz quando os seus alunos conseguem ver, sentir, julgar e agir como cidadãos livres, solidários e eticamente responsáveis, justos e verdadeiros. O bom professor é um otimista, um sonhador, um poeta e um artista apaixonado pela sua profissão.
Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed)
Gostaríamos de sugerir mudar a pergunta para: Como é um bom professor? E com ela, respondemos: 'Um bom professor é orientador do seu aluno, promove a compreensão do "porquê" e "para quê" do seu esforço em aprender, conduz responsavelmente o processo de permanente autoformação, valoriza a reflexão e a capacidade de análise crítica de cada um'.
Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef)
Maria de Salete Silva, coordenadora do Programa de Educação do Unicef no Brasil
Uma boa professora ou um bom professor tem como diretriz de sua prática a compreensão de cada menino e menina como sujeito de direitos. Entende sua prática como essencial para garantir o direito de aprender e sabe que cada criança e adolescente tem tempos e formas diversas de aprendizagem.
Por isso, a boa professora e o bom professor têm um olhar diferenciado para cada uma das crianças. Preocupam-se com o desenvolvimento pleno de seus alunos e alunas: sua presença e ausência, sua saúde, exposição a situações de preconceito, discriminação e violência.
A atitude é de busca contínua de crescimento: os bons professores preocupam-se com a própria formação, buscando novas oportunidades de aprendizagem e contribuindo para o estabelecimento de uma rede de troca de experiências com os demais professores e professoras da escola e da rede de ensino. Tem disposição, calma e paciência para conversar e ouvir as crianças e suas famílias, estabelecendo com elas uma relação de atenção, proximidade e confiança."
Ministério da Educação (MEC)
Maria do Pilar Lacerda Almeida e Silva, secretária de Educação Básica
Um bom professor deve gostar de fato da profissão: gostar de barulho, de gente curiosa, de choro de adolescente, de administrar conflitos. Tudo isto vem junto com o ofício de professor. Também deve gostar de estudar, de ler de tudo: jornais, revistas, gibis, literatura, teoria.
Deve ser pontual, porque deixar 30 ou 40 crianças ou adolescentes esperando não dá! Deve ser motivado com a dificuldade do seu aluno e fazer desta dificuldade, a sua motivação profissional: descobrir porque ele não aprendeu e o que pode fazer para que ele aprenda (e não vale reprovar...).
O bom professor tem de aprender a trabalhar coletivamente, pois o trabalho na Educação Básica é sempre em grupo. Precisa ouvir seus colegas, as críticas inclusive, sem levar para o lado pessoal. Deve gostar dos alunos, elogiar os trabalhos, conhecer a história de vida de cada um deles.
E para que ele seja um ótimo professor, precisa de condições para exercer a docência: dedicação exclusiva a uma escola, tempo para estudar, tempo para se reunir com seus colegas (sem que seja no tempo dos alunos), salário compatível com a sua formação.
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco)
Wagner Santana, oficial de projetos do setor de Educação da Unesco no Brasil
Para ser professor é necessário muito mais do que vocação, uma condição importante e necessária, mas não suficiente. É importante que os professores desenvolvam competências racionais e técnicas específicas de seu ofício, que se referem à responsabilidade com o seu trabalho e ao compromisso com a aprendizagem dos estudantes.
Há duas grandes dimensões que estão na base da identidade profissional docente, conforme mencionado na publicação “Educação de qualidade para todos: um assunto de direitos humanos", uma das referências da Unesco sobre professores. A primeira delas diz respeito a um conjunto de atividades relativas a “aprender a ensinar” e “ensinar a aprender”. É um aprendizado que requer “competências cognitivas - conhecer, manipular informação e continuar aprendendo acerca do que é próprio da disciplina - e competências pedagógicas - saber como ensinar a disciplina, como trabalhar em ambientes diversos, como gerar condições adequadas para a aprendizagem em contextos de dificuldade e com grupos heterogêneos e utilizar criativamente os recursos didáticos disponíveis”.
A segunda dimensão refere-se ao cumprimento responsável da missão atribuída pela sociedade aos docentes: “garantir o desenvolvimento integral dos alunos por meio de aprendizagens relevantes e pertinentes para todos”. Essa dimensão pressupõe competências éticas que “habilitem o docente a cumprir com o compromisso social de garantir o desenvolvimento integral dos alunos por meio de aprendizagens relevantes e pertinentes para todos”, e competências sociais, que são aquelas que criam as condições para “satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem; adaptar-se e responder à permanente mudança do conhecimento; trabalhar em redes; promover diálogos e consensos; em suma, exercer sua responsabilidade e direito de cidadão nas decisões relacionadas com a educação, a escola e sua própria prática”.
Além disso, é preciso destacar que para exercer bem a profissão, o professor deve ter boas condições de trabalho, salário digno e oportunidades de aprimoramento profissional continuado.
Todos Pela Educação
Priscila Cruz, diretora-executiva
Um bom professor é aquele que não deixa nenhum aluno para trás. Os países que têm os melhores desempenhos nas avaliações internacionais são aqueles que têm baixíssima desigualdade educacional. Isso significa que não apenas a média é boa, mas a distribuição em torno dela é pequena, ou seja, não há muita diferença entre os alunos com menor e maior desempenho. Essa dimensão é muito importante, pois cada um dos alunos tem direito de aprender. E, assim, o bom professor é aquele que não desiste de nenhum aluno por maiores que sejam suas dificuldades.
Um bom professor é aquele que sabe o conteúdo a ser ensinado e a maneira de ensiná-lo. Ter domínio do conteúdo e saber gerenciar a sala de aula, ensinar e motivar os alunos são características presentes nos bons docentes.
O compromisso com o trabalho e com os estudantes também é fundamental. O bom professor não falta desnecessariamente, respeita os alunos, é parceiro das famílias. E, principalmente, é altamente comprometido com a aprendizagem de seus alunos, motivando-os a aprender cada vez mais.
União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime)
Um bom professor é aquela pessoa que detém (in)formação adequada e que desenvolve técnicas coerentes às múltiplas situações de ensino. Formação, informação e didática são premissas que compõem o perfil de um bom professor.
Contudo, não são suficientes. É necessário, ainda, o desenvolvimento da capacidade de olhar e de agir. Saramago nos ensina: "Se puderes olhar, vê; se puderes ver, repara". Compreendemos, então, que bons professores desenvolvem cotidianamente o (re)conhecimento "do outro" com suas alegrias e dores; e são capazes de criar a pergunta que afeta e mobiliza.
Em um mundo cada vez mais desigual o sentido de se colocar no lugar do outro, e, consequentemente, de agir, é fundamental. Dessa forma, podemos dizer que bons professores são aqueles que fazem opções políticas claras em prol de um mundo melhor, justo e solidário. Os bons professores olham, veem, reparam e agem.
União Nacional dos Estudantes (UNE)
Um bom professor é, acima de tudo, um professor que gosta de ensinar. É um professor que se dedica a provocar a curiosidade e a crítica em seus estudantes e que percebe a importância de seu trabalho no contexto da sociedade e do país em que ele vive. Que percebe que não é dono da razão e que seu aprendiz não é um aluno, ou seja, um "sem luz", como se fosse uma caixa vazia na qual devem ser depositados os conhecimentos.
Deve perceber, não só sua prática docente, mas a vida de seus estudantes à luz das contradições sociais e econômicas que condicionam seu desenvolvimento como cidadãos. É aquele que reflete sobre sua didática e sua proposta pedagógica e sobre os efeitos que elas têm sobre o aprendizado dos estudantes e sobre o debate de concepções e políticas educacionais implementadas atualmente.
E, sobretudo, é o professor que tem boas condições de trabalho, que devem ser proporcionadas, por sua vez, pelo poder público, por meio de salários dignos, planos de carreira, formação continuada e gestão democrática, responsabilizando-se, assim, não só o professor como sujeito, mas toda a sociedade pela formação de bons professores.
É, portanto, o professor que tem consciência da importância fundamental de seu trabalho para o desenvolvimento das vidas de seus estudantes e de um país cujo povo seja mais educado, crítico e consciente de suas possibilidades e direitos.
Fonte: Todos pela Educação
segunda-feira, 21 de março de 2011
Universidade Federal Fluminense oferece curso gratuito de Mídia e Educação a professores da rede pública
Com aulas teóricas e práticas, é promovido pelo Instituto de Arte e Comunicação Social (IACS) da UFF, sempre às quartas-feiras, das 18h às 22h.Sob a coordenação da professora Cláudia Regina Ribeiro, o curso tem carga horária total de 70 horas, e as aulas serão ministradas no IACS, Rua Professor Lara Vilela, 126, São Domingos, Niterói.
A metodologia será a de videoprocesso, com produção de vídeo utilizada como ferramenta pedagógica. O objetivo é incentivar e possibilitar a pesquisa e a discussão dos temas propostos para o vídeo, estimular a sociabilidade, tolerância, capacidade de discussão, crítica, criatividade e o aprendizado de técnicas audiovisuais, além de formar docentes em produção audiovisual.
Interessados devem solicitar sua inscrição exclusivamente pelo e-mail midiaeduca@vm.uff.br, informando nome completo e inserção profissional. Serão fornecidos certificados emitidos pela Pró-Reitoria de Extensão.
Canção deveria ser usada nas escolas para abordar conteúdo de modo criativo
Após três anos lecionando para alunos de ensino fundamental e médio, a professora de geografia Júlia Pinheiro de Andrade percebeu que poderia abordar a temática da cidade de maneira mais criativa: passou a utilizar canções em salas de aula. “Por meio da arte, trabalhamos diferentes percepções juntamente com conceitos. O aprendizado será eficaz quanto mais associarmos diferentes linguagens”, afirma.
