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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Crianças visitam o jornal Agora

Acompanhadas por jornalistas, elas conheceram as etapas da produção de notícias

Ricardo Welbert

Com o fim das férias escolares, o jornal Agora retoma seu programa pedagógico que incentiva o uso do jornal nas escolas da cidade. Na quarta-feira (1º/8), três professoras e 22 alunos do Centro Municipal de Educação Infantil Anália Nogueira Silva, do bairro Icaraí, visitaram a sede da empresa. Como presente, elas trouxeram dois cartazes que produziram usando recortes do jornal. 

Um dos cartazes traz frases das crianças sobre o jornal (foto: Ricardo Welbert)
Na chegada, cada criança ganhou um exemplar. Curiosas, elas folhearam as páginas e aprenderam que “caderno” também é o nome dado a cada uma das partes que compõem o jornal. Na Redação, conversaram com os repórteres e fizeram perguntas sobre a produção de reportagens e fotografias. A meninada também acompanhou a explicação de um design gráfico sobre a montagem das páginas no computador.  


O design gráfico Márdem Nogueira mostra processo de montagem das páginas às crianças (foto: Ricardo Welbert)
A diretora da escola, Vivina Nogueira Michelini, diz que a visita ao jornal permitiu que as crianças, de apenas cinco e seis anos, vivenciassem a confecção de um material que elas já conhecem. 

- Já usamos o jornal com nossos alunos. Eles vêem as notícias e fazem comentários interessantes sobre os fatos, o que estimula o desenvolvimento intelectual - resume a diretora. 

A professora Magna Lopes Miranda Silva ressalta que alguns alunos já chegam à escola sabendo dos principais assuntos do dia.  

- Eles sabem dos assuntos porque também escutaram nos rádio, assistiram na televisão ou escutaram dos pais ou amigos. A leitura do jornal proporciona uma releitura, mais aprofundada, dos assuntos cotidianos - ela diz. 

A diretora de Redação, Sonia Terra, agradece pela visita e elogia os cartazes produzidos pelos alunos. 

- Os trabalhos ficaram lindos. Ficamos lisonjeados com o carinho – diz.

Diretora de Redação, Sonia Terra segura cartazes feitos pelos pequenos (foto: Ricardo Welbert)
O programa 

O programa Jornal na Escola incentiva o uso de jornais nas salas de aulas com o objetivo de formar novos leitores e cidadãos mais críticos, contribuir para a reversão dos baixos índices de leitura entre os jovens e democratizar o acesso à informação. Para isto, busca aproximar a empresa jornalística das escolas por meio da doação de exemplares e planos de assinaturas diferenciados, de forma que todas as escolas consigam receber o produto diariamente. Diretores e professores interessados em participar devem agendar a visita pelo 37-3301-8442.

Veja mais fotos da visita










Fonte: Jornal Agora/ Agosto de 2012

Uso consciente de água é debatido na sala de aula

Credito:Colegio Estadual Eurico Batista Rosas (Carambeí)Credito:Colegio Estadual Eurico Batista Rosas (Carambeí)
Jovens utilizam notícias sobre problemas ambientais e urbanos para compreender melhor o conteúdo
A matéria ‘Sanepar vai aplicar R$ 1,4 milhão na rede de esgoto de Reserva’, publicada dia 01 de junho no Jornal da Manhã, deu início a uma discussão sobre o uso consciente da água e a importância das estações de tratamento (de água e esgoto). A repercussão do assunto aconteceu nas turmas de ensino médio no Colegio Estadual Eurico Batista Rosas, em Carambeí.
Nas aulas de Química, a professora Eliéte Mendes Vaz abordou o assunto a partir daquela e de outras notícias sobre a falta de água em Ponta Grossa (episódio também ocorrido em junho), que foram relacionadas aos conteúdos da disciplina. “Falei sobre o processo de tratamento da água que é distribuída na cidade, bem como o tratamento do esgoto produzido pela população. Destaquei também a importância do uso consciente da água que recebemos em nossas casas, buscando estimular ações que minimizem o mau uso, o desperdício e a contaminação”, explica Eliéte.
Depois dessa reflexão inicial, a professora de Artes, Iraci dos Santos, conduziu um trabalho de criação de charges relacionadas com o tema sustentabilidade. Além disso, os estudantes produziram cartazes destacando a preservação e o uso correto da água. O trabalho serviu para conscientizar os jovens sobre a necessidade de se preservar as fontes de água que existem para que elas não se esgotem. 
Sala de Recursos
Jornal auxilia alunos com dificuldade
A professora da Sala de Recursos do Colégio Eurico Batista, Iara Mellem, utiliza o jornal nas aulas de Língua Portuguesa com alunos do sexto ano. “Eu gosto de despertar o interesse pela leitura e dar a eles segurança, aumentando a autoestima desses jovens”, esclarece. Além disso, Iara trabalha a pontuação através da leitura oral. Ela montou uma bancada na sala de aula onde organiza a apresentação de jornal falado. Todos participam da dinâmica. Iara revela que já houve avanços em qualidade e quantidade de leitura. “Ler deixou de ser uma obrigação e passou a ser um momento de lazer, conhecimento e troca de experiências. Eles estão muito interessados no jornal e, principalmente, por buscar notícias sobre a sua cidade, e estão perdendo a timidez”, afirma.
Fonte: Jornal da Manhã/ Ponta Grossa/PR 10/08/2012

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Concurso Jornalista por um dia: última chamada para participar. Os trabalhos podem ser enviados até o dia 10 de setembro

O concurso de redações e desenhos do Programa DM na Sala de Aula, do jornal Diário da Manhã, que envolvem alunos da educação infantil ao ensino médio será voltado para o XI Festival Internacional de Folclore, que acontece em Passo Fundo entre os dias 17 ae 25 de agosto.

As categorias são: educação infantil (até 5 anos) com desenhos; ensino fundamental I (1º ano até o 4º ano) com desenhos e textos; ensino fundamental II (5º ano até o 9º ano) com textos, entrevistas/pesquisas; e ensino médio contextos, entrevistas/pesquisas.


(Grupo da Rússia / FOTO / DIVULGAÇÃO)

O festival contará com exposições de fotos, apresentações diversas, oficinas de conversação, desfile de rua, missas folclóricas, programação para escolas além da programação geral. 

Irão participar grupos folclóricos de diversos lugares, tanto do Brasil quanto de outros países: Argentina, Turquia, Mato Grosso, Espírito Santo, China, Bolívia, Equador, Itália, Rússia, Costa Rica, Cuba, Panamá, Pará, Paraíba e Chile. O prazo final par ao envio dos trabalhos é o dia 10 de setembro. 


(Grupo do Espírito Santo / FOTO / DIVULGAÇÃO)


Contatos
E-mail

educação@diariodamanha.net
liliana@diariodamanha.net
fabiola@diariodamanha.net
sara@diariodamanha.net
sirlei@diariodamanha.net
criscastejon_1@hotmail.com
Telefone: (54) 3316-4800

Grupo de coordenadores do Programa Jornal e Educação reúne-se em Campinas

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Imagens do professor na mídia


Será lançado, no próximo dia 11 de agosto, às 16h, na Bienal Internacional do livro de São Paulo, o livro "Educomunicação - Imagens do professor na mídia", organizado pelo Prof. Dr. Adilson Citelli, da ECA/USP.

O livro traça um panorama acerca dos modos como os meios de comunicação apresentam os professores do Ensino Básico brasileiro. Para aprofundar tal questão, oito pesquisadores entres mestrandos e doutorandos da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, sob a orientação do professor Adilson Citelli, observaram ao longo de mais de um ano as mensagens que circularam em variadas mídias, incluindo jornal, rádio, televisão, publicidade e cinema, intentando apreender como neles se dá o processo de representação dos docentes.

O que se encontra, em geral, é a imagem de um professor mostrado como personagem de narrativas às quais não faltam a constatação da precariedade, a desqualificação, a vitimização, o puro e simples estereótipo. Destas narrativas, a voz obliterada é, paradoxalmente, a do próprio professor. Através do conjunto dos textos buscou-se, ao mesmo tempo, analisar algumas situações concretas envolvendo a relação das mídias com a exposição pública dos docentes e indicar alternativas para alargar a pesquisa no âmbito da educomunicação.

Fonte: Mídias na Educação Eca/USP

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Proposta de oficina pedagógica: trabalhando cidadania no jornal

Segue abaixo a proposta da oficina pedagógica “Trabalhando cidadania no jornal”, que desenvolvemos com crianças dos quartos e quintos anos de instituições que participam do Diário na Escola.
1        – Conteúdo
1.1  Cidadania
1.2  Leitura e escrita
1.3  Objetivos:
a) Verificar os conhecimentos prévios das crianças sobre Cidadania; b) Levar os participantes à compreensão de notícias cidadãs e não cidadãs presentes no jornal; c) Verificar os sentimentos provocados pelas notícias e d) Fazer com que os alunos compreendam e emitam opiniões orais e escritas sobre o conteúdo trabalhado.
2        – Estratégias/procedimentos de ensino
Oficina expositiva, utilizando recursos audiovisuais. Atividades práticas em grupos, inseridos em um contexto dinâmico e interativo entre as crianças e os ministrantes.
Detalhamento: Iniciaremos as oficinas com a apresentação dos vídeos “A menina que odiava livros” (duração 7min20seg) e “Chico Bento vai ao Shopping” (duração 6min58seg). Na sequência será feita discussão para verificar o que as crianças compreenderam sobre os vídeos assistidos, seguidos de questionamentos dos ministrantes para conduzi-las a compreensão inicial do que é Cidadania e o quenão é cidadania. No caso do primeiro vídeo entende-se que Ler é um direito e um ato cidadão; já no segundo, o roubo de um calçado por Chico Bento, mesmo que inconsciente pelo personagem, não é um ato cidadão.
Posteriormente às discussões iniciais, dividiremos o quadro em duas colunas escrito atos cidadãos e atos não cidadãos a fim de verificarmos fatos locais (ocorridos na escola, na família e na comunidade) que são cidadãos e não cidadãos de conhecimento dos participantes. Faremos um levantamento de hipóteses para verificar o que as crianças entendem sobre Cidadania, após as anotações no quadro do que os alunos falaram sobre o assunto em questão, apresentaremos a seguinte definição da Wikipédia: “Cidadania (do latim, civitas, “cidade”) é o conjunto de direitos e deveres ao qual um indivíduo está sujeito em relação à sociedade em que vive.”
Atividades práticas: No segundo momento, as crianças serão divididas em equipes de 4 a 5 alunos. Cada grupo receberá três edições diferentes do jornal O Diário, tesouras, colas, cartolinas e uma tabela digitada. Os ministrantes solicitarão que cada equipe olhe os jornais e escolha um fato que não apresenta atitude cidadã e o outro que apresenta atitude cidadã. Encontrados os alunos irão colar as duas matérias nas cartolinas e anotarão os sentimentos provocados pelas notícias, tais sentimentos serão indicados na tabela. Finalizadas as discussões, cada equipe produzirá um texto coletivo sobre o que compreenderam do que é Cidadania e apresentarão opiniões sobre as matérias escolhidas. Para finalizar, os grupos apresentarão suas conclusões e colarão as cartolinas no quadro ou mural.  Os melhores textos e/ou ilustrações serão publicados em coluna de “O Diário na Escola”.

Material teórico sobre o uso do jornal e a formação cidadã

Os profissionais da educação, participantes do Diário na Escola, recebem capacitações frequentes da equipe do programa e de convidados das áreas de Educação e Comunicação, a fim de maximizar a utilização do jornal como recurso auxiliar ao processo de ensino e aprendizagem. Abaixo compartilhamos o manual elaborado pela professora e jornalista Ms. Mariana Ferreira Lopes para a oficina “O uso do jornal como práxis para formação cidadã”, ministrada no primeiro semestre deste ano. Vale a pena conferir!
  1. 1.       Quando os meios de comunicação chegam à escola …
Midiaeducação, educomunicação, educação para a comunicação, comunicação educativa …. muitas são as nomenclaturas utilizadas para tratar de uma área emergente – e cada vez mais importante – dos campos da Comunicação e Educação[1].  Apesar da diversidade terminológica, o objetivo da maioria destas práxis é contribuir para a formação ativa, crítica e criativa dos sujeitos diante dos meios de comunicação.  Segundo o Manual Latino Americano de Educação para a Comunicação (CENECA, 1992),
A Educação para os Meios de Comunicação representa um processo que tende a problematizar tanto o conteúdo quanto a relação estabelecida pelo sujeito receptor com os meios de comunicação, confrontando a proposta cultural dos meios (como parte da sociedade) com a sua própria, esclarecendo as suas divergências e convergências (CENECA, 1992, p.20).
A primeira menção ao termo midiaeducação pela UNESCO ocorreu em 1973, que conceituou midiaeducação inicialmente como capacidade de ensinar os meios de comunicação especificamente no âmbito escolar. Porém, em 1979, houve uma redefinição do conceito estendendo sua competência para espaços além da escola (FANTIN, 2006; BELLONI, 2001). Segundo o pesquisador italiano Pier Cesare Rivoltella, a midiaeducação possui três objetivos:
O primeiro é proporcionar às crianças e aos jovens a alfabetização técnica dos meios de comunicação, visando a formação de uma plena consciência de seus códigos e de suas linguagens. O segundo é fazer com que eles possam avaliar criticamente os conteúdos midiáticos para o desenvolvimento do pensamento crítico, para que pensem com autonomia. O terceiro objetivo é que eles saibam se expressar através da mídia, sendo esta a dimensão mais produtiva e criativa da Mídia-Educação (RIVOLTELLA, 2010, p.03).
O pesquisador italiano apresenta uma sistematização sobre como as práticas midiaeducativas vem sendo pensadas e realizadas. Em sua categorização, Rivoltella (FANTIN, 2006) propõe três contextos de atuação/reflexão
  • Contexto metodológico: quando os meios de comunicação são utilizados como recursos didáticos;
  • Contexto crítico: quando os meios de comunicação são objetos de estudo;
  • Contexto produtivo: quando os meios de comunicação são utilizados como forma de expressão e linguagem



Um pouco de história ….
A relação entre Comunicação e Educação vem sendo pensada e praticada desde as primeiras décadas do século XX. Diferentes correntes de pensamentos sustentaram as ações e reflexões sobre o uso dos diversos meios de comunicação no âmbito escolar. A pesquisadora brasileira Monica Fantin (2006) apresenta uma breve cronologia desta articulação, sintetizada da seguinte forma:
  • Fase inoculatória: Entre as décadas de 1930 e1960, profissionais ligados à educação, muito influenciados pelos teóricos da Escola de Frankfurt e pelos estudos sobre a Indústria Cultural, costumavam combater ou até meso proibir a interação entre meios de comunicação e alunos;
  • Fase crítica: Teve início a partir da década de 1960. Sustentados pelas análises da semiótica, buscava-se dar aos alunos ferramentas para que eles pudessem realizar uma leitura crítica das mensagens midiáticas;
  • Fase ideológica: O combate aos regimes ditatoriais na América Latina fez emergir uma nova articulação entre Comunicação e Educação. Na década de 1970, surgiram movimentos ideológicos que, amparados pela semiótica e pelas leituras de Gramsci, tinham por objetivo discutir a não transparência dos meios de comunicação e seu papel de aparelho ideológico do Estado;
  • Fase sociológica: A corrente dos Estudos Culturais, e seus desdobramentos na América Latina, transferiram os estudos e práticas da relação entre Comunicação e Educação para o estudo das audiências.
Tais fases não são estanques no temporalmente. Até hoje, por exemplo, muitos professores ainda se recusam a trabalhar os meios de comunicação no ambiente da educação formal e não formal.

Qual a importância de práticas midiaeducativas na sociedade atual?
Figura 1: Tira da personagem Mafalda
Fonte: QUINO. Toda Mafalda. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2003.
A personagem de histórias em quadrinhos, Mafalda, ilustra a intensa relação a que nós, de forma geral, temos com os meios de comunicação. Diversos estudos e análises apontam sobre as mudanças que tal interação possui na vida do ser humano, como as alterações espaço-temporais e o culto ao consumo são alguns dos exemplos[2]. Nos nativos digitais, tais mudanças já são intrínsecas à sua natureza e os afetam diretamente.
Segundo a análise da Eurodata TV Worldwild[3] divulgada em 2005, as crianças brasileiras passam em média três horas e 31 minutos em frente à TV, o que as coloca no topo do ranking mundial (BELLONI, 2010, p.65). Assim, a televisão ocupa no cotidiano do público infantojuvenil brasileiro quase a mesma parcela de tempo passada na escola. E qual a consequência de tal exposição? As crianças e jovens já possuem uma nova forma de pensar e se relacionar com o mundo e chegam aos bancos escolares impregnados de cultura midiática.
Os meios de comunicação tornam-se um espaço informal de educação, pelo qual muitas visões de mundo são construídas. Contudo, tais visões são apresentadas como fragmentos de uma realidade, editada, sobretudo, pelos interesses políticos e econômicos dos grandes conglomerados midiáticos.  E é justamente na atribuição de sentido às mensagens midiáticas feitas pelos alunos que a escola é convidada a intervir.
É feito um convite aos profissionais da educação para que eles se posicionem como mediadores da relação entre mídia e alunos, a fim de que sejam formados sujeitos mais críticos, ativos e criativos. Neste contexto, as práticas midiaeducativas são uma das formas de atingir tal objetivo. Trata-se de um trabalho de ressiginificação e produção cultural que visa à formação cidadã dos envolvidos.
  1. Jornal e Educação
A midiaeducação pode trabalhar com todos os meios de comunicação de forma separada ou em conjunto. Um blog, por exemplo, pode ser alimentado por vídeos e programas de rádio. Nosso foco, no entanto, será o jornal impresso, considerado a fonte primária da produção jornalística.  Apesar de ser erroneamente considerado por muitos um meio de comunicação ultrapassado ou pouco atrativo, são grandes as vantagens de se trabalhar o jornal em sala de aula. A pesquisadora Maria Alice Faria (2009) nos aponta algumas delas:
  • Os jornais são mediadores da relação entre mundo e escola;
  • Os jornais são uma fonte primária de informação;
  • Os jornais contribuem para a formação cidadã dos alunos;
  • Os jornais oferecem uma norma padrão de escrita;
  • Os jornais oferecem um contato direto com o texto escrito autêntico;
  • Os jornais ajudam os alunos a relacionarem seus conhecimentos prévios e suas experiências subjetivas com aquilo que é publicado;
  • Os jornais são registros da história
Em 2008, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) realizou uma pesquisa com 14 grupos de alunos e professores participantes do Programa Jornal Educação (PJN/ANJ) das cinco regiões brasileiras. Os resultados mostraram que usar o jornal em sala de aula contribui para o desenvolvimento e interesse pela  leitura, a ampliação do vocabulário, favorecer a leitura crítica da realidade, propiciar o trabalho em grupo; facilita o acesso ao jornal e à informação, entre outros pontos (ANJ, 2009)
Um exemplo bem sucedido de uso do jornal na Educação vem da experiência do pedagogo francês Celéstin Freinet (1896-1966). Freinet desenvolveu um método de ensino centrado no emprego da imprensa na escola, ainda na primeira metade do século XX. Seu trabalho consistiu em utilizar o jornal em sala de aula, excluindo os manuais escolares. Por meio da imprensa, os alunos aprendiam gramática, matemática, além de outros conteúdos.
A técnica Freinet surgiu a partir da insatisfação com a pedagogia tradicional, que na visão de seu fundador, não atendia às necessidades dos alunos. Freinet utilizava como princípio o texto livre, ou seja, “um texto que a criança escreve livremente, quando tem o desejo de o fazer, em conformidade com o tema que a inspira” (FREINET, 1974,p.60). Como suporte para essa nova metodologia baseada igualmente na observação e na experiência, é que o pedagogo desenvolve o jornal escolar, que reúne textos livres realizados diariamente pelos alunos e agrupados mensalmente. As vantagens do jornal escolar são elencadas pelo pedagogo francês no âmbito pedagógico, psicológico e social, tendo em vista a educação pelas experiências vividas.
Por meio do texto livre, da imprensa e do jornal, vamos buscar, não aos livros mas à vida e ao trabalho dos homens, os próprios fundamentos da cultura a promover; falemos a linguagem do meio, aproveitemos a experiência tão rica hoje de um mundo cujo o ritmo pelo menos devemos seguir se não soubermos preceder (FREINET, 1974, p.87).
  1. Três caminhos de uso do jornal como práxis para a formação cidadã:
Não existe uma receita ou metodologia pronta para realizar ações de midiaeducação na linguagem do jornal. Porém, alguns caminhos podem ser sugeridos para a concretização de tais práticas. Antes de começar os trabalhos com jornal em sala de aula, alguns pontos devem ser observados:
  • O perfil dos alunos, sobretudo em relação à idade;
  • A relação dos alunos com o jornal e sua visão sobre este meio de comunicação;
  • As possibilidades oferecidas pela escola para o desenvolvimento das atividades.
A proposta de uso do jornal como práxis para a formação cidadã compreende três etapas complementares de reflexão e ação: a alfabetização na linguagem e códigos específicos do jornal impresso, leitura crítica e produção de jornal.
Alfabetização na linguagem e códigos específicos do jornal impresso:
A primeira fase da prática midiaeducativa sobre o jornal consiste na aproximação e consequente alfabetização dos alunos neste meio de comunicação. Ao dominar e entender a história do jornal, como ele é produzido, suas particularidades de linguagem e apresentação, os alunos passam a ter um repertório cultural que possibilita tanto ler criticamente o produto jornalístico quanto criar seu próprio jornal. As atividades desta etapa podem abranger os seguintes pontos:
  • Reconhecimento inicial de um jornal;
  • Entender o motivo pelo qual as pessoas leem jornal;
  • A história do jornal no Brasil e no mundo;
  • A estrutura de um jornal;
  • A linguagem jornalística;
  • Os diferentes tipos de textos jornalísticos;
  • As funções exercidas nas redações jornalísticas;
  • Visita a um jornal
Algumas atividades são interessantes de serem realizadas com os alunos, tais como: entrevistas com pessoas para saberem o que as levam a ler jornais; elaboração de fichas de identificação de jornais para comparar sua estrutura; identificação dos elementos presentes nas primeiras páginas dos jornais; identificação dos diferentes textos presentes nos jornais (reportagens, notícias, colunas, publicidade, serviço); estudar como é estruturada uma matéria jornalística (questão do lide); a relação entre texto e fotografia no jornal; identificação dos diferentes cadernos de jornais e sua periodicidade; conhecer as diferentes funções exercidas para elaborar um jornal. Para que esses trabalhos sejam desenvolvidos da maneira mais produtiva possível, é necessário que o professor também conheça deste universo.
Leitura crítica sobre o jornal:
Após a alfabetização na linguagem e nos códigos específicos do jornal, os alunos já estão ambientados com tal universo. Neste momento, as atividades centram na segunda fase da prática midiaeducativa: a leitura crítica. Dentre os caminhos possíveis de serem adotados para esta finalidade dois serão apresentados: a quebra do mito da objetividade e da imparcialidade e a forma pela qual o jornal reconstrói a realidade do aluno.
Há em torno do jornalismo um falso mito sobre a objetividade e a imparcialidade sobre o conteúdo publicado pelos veículos de comunicação, tidos como uma reprodução fiel da realidade e dos fatos retratados. Contudo, este mito é debatido pela questão em torno da diferenciação entre fato e versão. A notícia é entendida como uma versão dos fatos, que teve o jornalista como um primeiro filtro, precedendo a linha editorial do veículo. Segundo Maria Alice Faria (2000;2009), basta comparar diferentes jornais para perceber as diversas versões que um mesmo fato pode abordar. Neste sentido, atividades que visam desconstruir o discurso da notícia estão compreendidas dentro do processo de leitura crítica.
Outro ponto interessante de ser abordado consiste em problematizar com os alunos sobre como a comunidade a qual pertencem é retratada pelo jornal e se tal abordagem condiz com a realidade. Os alunos podem ser incitados a pensar sobre o que escreveriam a respeito de sua comunidade e o porquê determinados assuntos não são noticiados. Tal debate se encaminha para a questão da democratização do acesso à comunicação.
Produção de jornal:
A última etapa da prática midiaeducativa consiste em estimular os alunos a produzirem seu próprio jornal, utilizando o conhecimento adquirido até então. Uma opção de trabalho é dividir a sala em grupos, sendo cada um deles responsáveis por executar uma determinada função na produção do material. Para isso, algumas sugestões de encaminhamento são:
  • Escolha dos temas das matérias pelos alunos;
  • Produção de pauta;
  • Estudo do tema da matéria;
  • Realização de entrevistas;
  • Redação das matérias;
  • Organização/diagramação do jornal
Os jornais não precisam necessariamente seguir o padrão comercial. Existe a possibilidade de trabalhar com o jornal mural e com o fanzine.
Referências bibliográficas:
BELLONI, Maria Luiza. Crianças e mídias no Brasil: cenários de mudançaCampinas-SP: Papirus, 2010.
CENECA. Manual Latino Americano de Educação para a Comunicação. Unesco/CENECA, 1992.
FANTIN, Monica. Míidia-Educação, conceitos, experiências diálogos Brasil- Itália. Florianópolis/SC.: Cidade futura, 2006.
FARIA, Ma. Alice. O Jornal na Sala de Aula.. São Paulo: Contexto, 2000
______________, Como usar o jornal na sala de aula. 10ª. edição, 2ª. reimpressão. São Paulo: Contexto, 2009.
FREINET, Celéstin.  O Jornal Escolar. Lisboa: Editora Estampa, 1974.
QUINO. Toda Mafalda. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2003.
RIVOLTELLA, Píer Cesare. Jovens estão perdendo capacidade de refletir. Londrina,
Folha de Londrina, 11/novembro de 2010, p. 3
Sugestões de leituras em livros:
Bibliografia sobre midiaeducação
ASSUMPÇÃO, Zeneida. Radioescola: uma proposta para o ensino de primeiro grau. SP: Anablume, 1999.
BACCEGA, Maria Aparecida. Meios de Comunicação na Escola. In: Comunicação & Educação . ECA/USP.no. 25 set/dez 2002.  SP., Salesiana, 2002.
BARBERO, Jesus Martin. América Latina e os anos recentes: Estudo da Recepção em Comunicação Social. In: SOUZA, Mauro Wilton de. (org). Sujeito, o lado oculto do Receptor. São Paulo: Brasiliense, 1995.
BELLONI, Maria Luiza.  O Que é Mídia-Educação? Campinas, SP: Autores associados, 2001.
BRAGA, José Luis e CALAZANS, Regina. Comunicação e Educação: questões delicadas na Interface.SP.Hacker Editores, 2001.
BUCKINGHAM, David. Crescer na era das mídias eletrônicas. SP : Loyola, 2000
BACCEGA, Ma. Apa..,Comunicação/Educação: Um campo em ação. Actas do III SOPCOM, VI LUSOCOM e II IBÈRICO – vol. IV. P. 383-393.
FANTIN, Monica.Perspectivas teórico-metodológicos da mídia-educação. XXX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, INTERCOM, 2007
FANTIN, Monica. Míidia-Educação, conceitos, experiências diálogos Brasil- Itália. Florianópolis/SC.: Cidade futura, 2006.
FANTI,M. e GIRARDELLO, G. (orgs). Liga, Roda e  Clica. Estudos em mídia, cultura e infância.Campinas: Papirus.  2008
GUARESCHIi, Pedrinho A. E BIZ, Osvaldo. Mídia, Educação e Cidadania. Petrópolis: Vozes, 2005.
JACQUINOT, Geneviéve. O Que é Educomunicador? www.usp.br/nce/aeducomunicacao/saibamais/textos, set./2007.
GOHN, Maria da Glória. Educação Não Formal e o Educador Social. Atuação no desenvolvimento de projetos sociais. São Paulo: Cortez, 2010.
OROFINO, Maria Isabel. Mídias e Mediação Escolar. Pedagogia dos Meios, Participação e Visibilidade. São Paulo: Cortez; Instituto Paulo Freire, 2005. (Guia da Escola cidadã, vol. 12)
OROZCO GÓMEZ, Guilhermo-., Professores e Meios de Comunicação: Desafios e Estereótipos. In: Comunicação & Educação. No. 10, SP., Moderna, 1997
OROZCO Gomes, Guilhermo,  A Televisão e as Crianças., in: Revista Comunicação & Educação. São Paulo, (7) 45 a 55, set/dez, 1996.
OROZCO.GOMEZ Guillermo. História e Imagem no tempo no tempo da TV artesanal. In: Comunicação & Educação, no. 10 SP: Editora Moderna e USP, 1997
—————————————, Comunicação, educação e novas tecnologias: Tríade  do século XXI, in:Revista Comunicação e Educação, SP.,(23) jan/ab.2002.
SILVA, Ezequiel Thedoro d (organizador). O Jornal na vida do professor e no trabalho docente. São Paulo: Global, Campinas: ALB, 2007.
SOARES, Ismar de Oliveira. Comunicação/Educação. A Emergência de um novo campo e o perfil de seus profissionais. In: Contato. Revista Brasileira de Comunicação, Arte e Educação.no. 2, Brasília: Senado Federal, 1999
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PACHECO, Elza Dias. O Pica pau: Herói ou Vilão? SP:Loyola, 1985.
PACHECO, Elza Dias (org). Comunicação educação e arte na cultura infanto juvenil.  São Paulo: Loyola, 1991.
Bibliografia específica de leitura e uso do jornal na educação
CAVALCANTI, Joana. O Jornal como Proposta Pedagógica. São Paulo: Paulus, 1999
FARIA, Ma. Alice. O Jornal na Sala de Aula.. São Paulo: Contexto, 2000
______________, Como usar o jornal na sala de aula. 10ª. edição, 2ª. reimpressão. São Paulo: Contexto, 2009.
______________ ;Z ANCHETTA Jr. Juvenal  . Para Ler e Fazer o Jornal na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2007.
FREINET, Celéstin.  O Jornal Escolar. Lisboa: Editora Estampa, 1974.
FREIRE, Paulo. A Importância do ato de ler em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 1992.
GADOTTI, Moacir. O Jornal na Escola e a formação de leitores. Brasília: Líber livros Editora, 2007.
LOZZA, Carmen. Escritos sobre Jornal e Educação, olhares de longe e de perto. São Paulo: Global, 2009Coleção Leitura e Formação).
SILVA, Ezequiel Thedoro da (organizador). O Jornal na vida do professor e no trabalho docente. São Paulo: Global, Campinas: ALB, 2007.

[1] Neste manual adota-se o termo midiaeducação uma vez que se entende não haver a valorização de uma área de saber em detrimento da outra (FANTIN, 2006).
[2] Conferir os estudos de Roger Silverstone publicados na obra “Por que estudar a mídia?”.
[3] Pesquisa realizada por uma organização não governamental em nove países incluindo Brasil, Alemanha e Estados Unidos.