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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

El Mundo dá AULA quando se fala em projetos de jornal e educação

“Quem quer se manter no futuro tem que trabalhar com crianças e adolescentes. Se não se trabalha com eles, se não há projetos para eles, não há futuro.” A frase de Miguel Gómez Vázquez (foto abaixo), redator-chefe do jornal espanhol El Mundo e responsável pelo projeto de Jornal e Educação, AULA, dá a dimensão da importância que esse público tem para o grupo.

O AULA começou a ser desenhado em 1999, quando o diretor Pedro J. Ramirez resolveu dar um passo ousado para contornar o cenário ruim de leitura de jornais na Espanha. Enquanto a Finlândia tinha 436 leitores de jornal por 1000, a Espanha tinha apenas 102. Diante daquela realidade, a direção do jornal resolveu criar um programa que estimulasse a formação de jovens leitores. Um grupo buscou sindicatos, colégios e ministérios e por seis meses estudou o mercado e como poderia unir as demandas da educação às suas possibilidades.

Em 2001 o programa começou já grande e impressionou até mesmo a Associação Mundial de Jornais – WAN, de quem recebeu um prêmio anos depois em reconhecimento à sua ousadia. Unicef e SND também premiaram AULA por sua contribuição à educação e a qualidade de seus infográficos. Vários jornais do mundo buscaram e até hoje buscam El Mundo para conhecer melhor o projeto, cujo público é composto de adolescentes de 14 a 18 anos.

Para Miguel Gómez Vázquez quando se investe num programa de Jornal e Educação se consegue não apenas novos leitores, mas leitores fiéis, cidadãos mais informados e uma cidade com melhores índices de leitura. O erro pra ele, no caso da Espanha, é que cada jornal trabalhe de forma individual. “Se os maiores jornais espanhóis se unissem, poderíamos ter o mesmo programa, distribuindo jornais para todas as escolas do país e ainda possibilitando que os jovens pudessem fazer comparações entre os jornais, aprimorando sua leitura crítica e percebendo até mesmo as diferenças de posições políticas de cada veículo. Teríamos muito mais ganhos”, afirma.

Custos e Operacionalização
O projeto AULA custa cerca de 1,5 milhões de euros/ano, bancados por patrocinadores locais e nacionais como banco Santander, Banesto, Unicaja, Iberdrola, Caixa Galicia, entre outros. Cabe ao jornal manter a equipe composta por cerca de seis pessoas, entre jornalistas e designers, para criar o conteúdo do suplemento e do site.

A conta é simples. O exemplar da banca custa 1,20 euros e o do programa, 0,60. Soma-se o que os patrocinadores dão por ano, divide-se por 0,60 e sabe-se quanto jornal poderá ser distribuído nas escolas. Se um patrocinador local sai do programa, as escolas daquela província deixam de receber o jornal.

Além do exemplar do El Mundo distribuído diariamente (segunda a sexta) nas escolas, numa proporção de um exemplar para cada grupo de cinco alunos, o jornal também distribuía diariamente o Suplemento AULA, com oito páginas, sendo que havia um tema para cada dia da semana (até 2008).

Fonte: Jornal ANJ/ Cristiane Parente - Dezembro 2010

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Guia GIFE de Investimento Social Privado em Educação

Compartilhamos o Guia GIFE de Investimento Social Privado em Educação, publicado em 2003. Apesar de já ter sete anos, acreditamos que a publicação pode ser interessante para gerar reflexões tanto em quem tem um projeto de educação e precisa de investimentos, como para quem pretende investir em um projeto de educação.

Veja abaixo o resumo do guia, publicado no site do GIFE - Grupo de Institutos, Fundações e Empresas:

O Guia GIFE de Investimento Social Privado em Educação é uma publicação para empresas que pretendem investir em projeto sociais na área educacional ou para as que já investem e querem aperfeiçoar sua atuação.

Em suas páginas, o Guia traz informações para que os projetos em educação sejam elaborados de forma a permitir a transformação da realidade das comunidades a que se destinam. A idéia que permeia a publicação é a de que um investimento social privado em educação deve ser planejado, sistemático, monitorado e ter seu impacto avaliado.

O Guia também reforça a importância da atuação conjunta entre os investidores sociais privados e as organizações da sociedade civil, os centros de pesquisa, as universidades e os órgãos públicos. A publicação traz ainda informações sobre a estrutura educacional brasileira, que evoluiu nos últimos anos, mas ainda está aquém das necessidades brasileiras. D

Durante a elaboração da publicação, foram feitas pesquisas e consultas com especialistas, instituições referenciais no setor e associados do GIFE.

Fonte: GIFE/ Blog Mídia e Educação (www.culturamidiaeducacao.blogspot.com)

I SIELP - Simpósio Internacional de Ensino de Língua Portuguesa


A Universidade Federal de Uberlândia, através do Instituto de Letras e Linguística e do Programa de Pós Graduação em Estudos Linguísticos, sediará o I SIELP - Simpósio Internacional de Ensino de Língua Portuguesa nos dias 16 e 17 de junho de 2011, em Uberlândia/MG.

Período de inscrição e submissão de trabalhos:
a) De 01/12/2010 até 10/01/2011- para coordenação de Grupo Temático.
b) De 15/01/2011 até 15/02/2011 – para comunicação em Grupo Temático.
c) O coordenador de GT deverá entregar o número de resumo aprovados até 28/02/2011.
d) A organização do evento divulgará os GTs e seus participantes em 15/03/2011.
e) De 15/01/2011 até 15/03/2011 – para painéis.

Mais informações no site: www.ileel.ufu.br/sielp

1º Fórum Acreano do Livro, Leitura e Literatura

Entre os dias 7 e 9 de dezembro acontece o 1º Fórum Acreano do Livro, Leitura e Literatura, que irá discutir com a sociedade as diretrizes para os Planos Municipal e Estadual do Livro e Leitura.

O evento é uma parceria entre a Câmara Temática de Literatura / CMPC (financiada pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura - 2010) e o Governo do Estado do Acre (através do Departamento Estadual de Bibliotecas Públicas).

Programa Vamos Ler, de Ponta Grossa/PR, premia alunos e professores

O 1º Concurso Cultural Vamos Ler do Jornal da Manhã, de Ponta Grossa/PR já tem os vencedores.

Na Categoria Professores - Como utilizar o jornal na educação os vencedores foram:
1º Lugar: Professora Elza Beatriz Gelinski Escola Estadual Profº Edison Pietrobelli Ponta Grossa
2º Lugar: Professora Patrícia Regina Kloster Colégio Estadual Padre Arnaldo Jansen Ponta Grossa
3º Lugar: Professora Simone de Fátima Colman Martins Colégio Sagrada Família Ponta Grossa


Conheça as atividades vencedoras clicando aqui: ConcursoCultural_Ganhadores_CategoriaProfessores

Na categoria Alunos - Como está o meio ambiente, os vencedores foram:
1º Lugar: Lucas Daniel Oliveira da Silva 5ª série Colégio Estadual Padre Arnaldo Jansen Ponta Grossa
2º Lugar: Giulia Bowens 4ª série Colégio Sagrada Família (Sede Centro) Ponta Grossa
3º Lugar: Francielle Nocêra Viechineski 5ª série Colégio Sagrada Família (Sede Uvaranas) Ponta Grossa


Conheça os textos vencedores clicando aqui:
ConcursoCultural_Ganhadores_CategoriaAlunos

Educação continua concentrando investimento social privado brasileiro

A educação é a área social em que os empresários mais investiram em 2010. Dos 102 associados do Grupo de Institutos Fundações e Empresas (Gife), 82% têm o ensino como foco principal de suas ações. O dado faz parte do Censo 2009-2010, mapeamento bienal sobre o investimento social privado dos associados do grupo. O documento foi divulgado pela instituição na última semana.

“A questão temática da educação é histórica. Além de ser efetivamente uma área fundamental para a sociedade, a escolha pelo setor se deve, em parte, pela predominância de investidores empresariais em um campo que já está consolidado. É mais difícil empresas investirem em temas controversos”, explica o gerente de conhecimento do Gife, André Degenszajn.

Além da educação, juventude (60%) e cultura (60%) também recebem o maior número de investidores. Os dados não são por valor investido, mas por investidor.

Com um investimento estimado em cerca de R$ 2 bilhões, em 2010, as organizações que compõem a Rede Gife beneficiaram aproximadamente 24 milhões de brasileiros. Com relação aos beneficiados, o número corresponde às respostas de apenas 84 organizações do conjunto, não das 102. Esses 84 investidores são responsáveis por 66% do valor total investido pela rede.

No setor educacional, a pesquisa mostrou que a capacitação de professores é a principal linha de ação dos institutos e fundações, com 70% dos investimentos. Em seguida estão as oficinas de arte-educação, com 46%, e a instalação de bibliotecas e laboratórios, com 45% das ações.

Sobre o público-alvo, o destaque ficou para o ensino fundamental. Os projetos das organizações voltadas para a faixa etária dos 7 aos 14 anos atingem 83%. Em segundo lugar, o ensino médio (15 a 17 anos) com 75%, e depois o ensino profissionalizante, para o qual as ações do Gife somam 39%.“Hoje, na educação, há uma tendência a aumentar o investimento das empresas no ensino médio, pois números mostram que representa uma parte problemática na área do ensino”, afirma Degenszajn.

Investimento em cultura
Um dossiê especial sobre o investimento da Rede Gife em cultura também faz parte do Censo 2009-2010. Por meio do estudo, foi constatado que apenas quatro instituições afirmam que a área de cultura é o seu principal foco de atuação. Para 37 organizações, é apenas mais uma das áreas das quais desenvolvem ações, sendo que para 25 delas, recebe apenas investimentos esporádicos.

“Podemos concluir que há uma fragilidade na área da cultura de forma específica”, analisa o gerente de conhecimento do Gife. “Muitas vezes a cultura aparece como elemento instrumental, por exemplo, quando são desenvolvidas oficinas de arte-educação. Então, funciona como meio para alcançar objetivos educacionais, não como finalidade da promoção da cultura ou produção de bens culturais”.

Segundo a instituição, também áreas como defesa de direitos e comunicação ainda recebem pouca atenção da Rede Gife.

Para o grupo, as informações sobre o perfil das organizações revelam os desafios para a atuação de empresas no terceiro setor. Um deles é a ampliação não apenas da diversidade de investidores, mas a abrangência temática e geográfica para além do eixo Sudeste-Sul, de acordo com as conclusões do estudo.

Aprimorar os sistemas de gestão e criar indicadores de governança também foram pontos citados como metas para os próximos dez anos.

Fonte: Portal Educação/ Desirèe Luíse - 03/12/2010

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Comunicadores debatem a cobertura jornalística sobre educação

Depois de alguns meses de inscrição e seleção dos trabalhos, chegou ao fim mais uma edição do Prêmio Comunicador Parceiro da Educação. Como reconhecimento, os oito vencedores ganharam uma viagem à cidade de São Paulo para participarem de uma oficina com especialistas em educação e comunicação.

O evento foi realizado nos dias 29 e 30 de novembro e contou com a presença de Daniel Oliveira, da ANDI, Daniela Arbex, do jornal Tribuna de Minas, Cristiane Parente, da ANJ (Associação Nacional de Jornais) e Fernando Rossetti, do GIFE (Grupo de Institutos Fundações e Empresas). Além destes especialistas, esteve presente no encontro parte da equipe do Instituto Votorantim, contanto um pouco da experiência do Projeto Parceria Votorantim pela Educação.

Quem abriu os trabalhos do dia 29 foi o gerente de pesquisa e desenvolvimento do Instituto Votorantim, Rafael Gioielli (foto acima), parabenizando os oito jornalistas presentes, vencedores da edição 2010 do prêmio. Rafael apresentou os objetivos da oficina e, junto com Amanda Aragão, coordenadora do Projeto Parceria Votorantim pela Educação, falou sobre os desafios e os principais avanços da iniciativa em 2010. “Com este prêmio, buscamos estimular a qualificação da cobertura da educação nos municípios do projeto. Hoje é uma oportunidade ímpar para troca de experiências e discussão sobre propostas o práticas para a cobertura da temática educação”, disse o gerente.

As matérias premiadas foram divulgadas aqui no Blog Educação, e mostram o esforço de jornalistas engajados na questão educacional para colocar o assunto na pauta da imprensa. “O prêmio provocou a necessidade de produzir matérias como nos velhos tempos, como manda o bom jornalismo, com apuração profunda de pautas, entrevistas por e-mail, por telefone e pessoalmente. Espero que essa semente plantada germine bons frutos. Foi uma experiência fantástica” comentou Paulo Giovani Araújo, do Jornal Correio do Sul, de Arroio Grande (RS).

Os vencedores

O Prêmio Comunicador Parceiro da Educação é uma das únicas iniciativas no Brasil que visam premiar jornalistas que atuam na cobertura da educação em municípios de pequeno e médio porte. A realidade das redações, muito diferente da encontrada nos veículos da grande imprensa, muitas vezes é um dificultador para a produção de reportagens aprofundadas, com riqueza de fontes, personagens e análises de especialistas.

Segundo uma das vencedoras, Paula Maria Almeida Ferreira, da TV Atividade de Muriaé (MG), a rotina é agitada, mas o tema educação sempre está em pauta. “Temos uma equipe muito enxuta na redação. Somos apenas dois repórteres para produzir tudo. Educação é um assunto que exploramos bem, mesmo com toda a correria do trabalho. É a segunda vez que ganho este prêmio, um reconhecimento motivador, que afeta toda a equipe da tevê.”

De acordo com o relato dos próprios jornalistas, existe muita demanda pelo assunto. Lílian de Souza, da TV Paracatu, contou que resolveu trabalhar em uma matéria os avanços da cidade e das escolas no IDEB 2009. Segundo a repórter, a população local tem interesse nato pelo assunto. “A comunidade de Paracatu cobra muito da imprensa uma abordagem qualificada sobre a educação municipal”.

O papel dos mobilizadores também foi lembrado pelos jornalistas premiados. “O projeto Parceria Votorantim pela Educação trouxe uma situação nova para nós da região de Arroio Grande. Motivado pelo mobilizador do projeto, Reges Echer, acabei me inscrevendo no prêmio e me sagrei vencedor” comentou Sérgio Correa, da Rádio Difusora Fronteira de Arroio Grande (RS), e concluiu: “Muito pouco se produz sobre o tema educação nas rádios. Desde que comecei a trabalhar neste tipo de veículo, tinha vontade de fazer algo sobre o tema. Com o projeto, isso virou realidade. Aos poucos, na cobertura e apuração de pautas, fomos descobrindo experiências incríveis.”



Estudo aponta pontos fortes e fracos na cobertura da educação

Apresentado em primeira mão para os jornalistas presentes, um estudo desenvolvido pela ANDI (Agência de Notícias dos Direitos da Infância) mostrou as características de abordagem, recorrência, abrangência e diversidades de temas na cobertura da infância. Encomendada pelo Instituto Votorantim, a análise fez um recorte considerando os quatro estados que tiveram jornalistas reconhecidos pelo Prêmio Comunicador Parceiro da Educação – São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio Grande do Sul.

A pesquisa considerou os veículos já monitorados pela ANDI e mostrou que os estados selecionados estão entre os que mais – e melhor – realizam a cobertura do tema educação. Contudo, Daniel Oliveira, da ANDI, apontou alguns desafios a serem enfrentados. “Precisamos avançar na qualificação da cobertura jornalística. Os veículos de comunicação são potenciais sensibilizadores e mobilizadores da sociedade”.

De acordo com o estudo, os principais desafios para o Brasil avançar na qualificação da cobertura jornalística são: aumentar a citação à legislação e às políticas públicas ligadas à infância, utilizar mais dados estatísticos nas matérias, diversificar fontes em reportagens e ouvir mais as famílias e os conselhos municipais ligados às causas da infância e educação.

Troca de experiências

Reconhecida como Jornalista Amiga da Criança, coube à Daniela Arbex, repórter especial do jornal Tribuna de Minas, fortalecer o debate sobre como desenvolver uma cobertura qualificada sobre educação em veículos de pequeno e médio porte. Longe das grandes redações, Daniela atua na cidade mineira de Juiz de Fora e é referência na produção de matérias investigativas sobre a realidade do ensino público. “Eu mostro o lado ruim, mas sempre busco apontar soluções”, comentou a jornalista.

Daniela contou aos presentes no evento como foi sua trajetória como repórter de educação. “Conquistei um espaço no jornal aos poucos. Os reconhecimentos que já recebi ajudaram, inclusive, a mudar um pouco da cultura do jornal. Hoje, existe um cuidado redobrado ao falar de infância e educação, mesmo nas outras editorias.”

Com a voz levemente embargada e os olhos marejados, Daniela dividiu com seus colegas de profissão algumas experiências marcantes em sua carreira. “Não é um trabalho fácil, mas é recompensador”, explicou.

Uma das matérias da repórter chamou a atenção da sociedade para a realidade de uma escola que marginalizava alguns alunos. Jogados na famosa “turma D” da escola, estudantes estigmatizados como “menos capazes” foram protagonistas de uma reportagem no ano de 2001 que mostrava os efeitos nocivos do sistema de separação por rendimento à vida um jovem.
Cinco anos depois, a jornalista conversou novamente com os estudantes e a realidade foi alarmante. Dos 27 jovens da sala, apenas dois tinham acessado o ensino médio. “Um deles, inclusive, estava na mesma série há cinco anos, colecionando repetições de ano”, lembra Daniela. Com esta segunda reportagem, o assunto ganhou destaque no município e a Superintendência Regional de Ensino pediu um estudo sobre as práticas pedagógicas locais. Era o fim da era da “turma D”.


Educomunicação em debate

Cristiane Parente, coordenadora executiva do Programa Jornal e Educação da ANJ (Associação Nacional de Jornais), e Fernando Rossetti, secretário-geral do GIFE (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), trouxeram para o encontro um pouco do conceito de educomunicação, uma linha de trabalho relativamente nova que se volta para interconexões de áreas como comunicação e educação.

Cristiane falou sobre o trabalho que vem desenvolvendo à frente da ANJ com o programa Jornal e Educação. O trabalho estimula a aproximação da escola com as ferramentas de produção de informação. Assim como estimula os veículos de imprensa a desenvolverem ações em parceria com estudantes. “Temos diversas frentes de ação. O trabalho tem dado muito certo”, contou a jornalista.

“A ideia é que os jovens sejam mais usados como personagens e, também, como produtores e parceiros da atividade jornalística”, explica. Segundo Cristiane, essa aproximação ajuda a mudar a cultura do meio jornalístico de ver a infância e juventude, além de levar ganhos pedagógicos para as salas de aula.

Fernando Rossetti (foto acima) começou sua participação contextualizando a cobertura da educação no Brasil. Falou de sua trajetória e da experiência na Folha de São Paulo, Canal Futura e no terceiro setor. O secretário-geral do GIFE falou sobre os desafios da cobertura da educação na atual realidade da imprensa brasileira. “Educação é um tema essencialmente frio. É processo, vai além do factual. O tempo da educação se mede em gerações. Para um jornalista, isso é um dificultador, já que a lógica da imprensa atual muitas vezes é buscar furos e se pautar por resultados imediatos.”

Para Rossetti, o maior desafio da sociedade é cobrar e estimular a criação de espaços fixos e dedicados à cobertura da educação nos veículos de massa. “O que mais impacta a realidade não é uma matéria pontual de duas páginas, e sim, a constância do tema nas páginas do jornal”, analisa.
Jornalistas visitam Editora Abril e fábrica de papel
Como parte das atividades previstas para a oficina, os vencedores do Prêmio Comunicador Parceiro da Educação puderam conhecer a redação de um dos maiores conglomerados de comunicação do Brasil, a Editora Abril.
Na sede da empresa, foram recebidos pelo redator-chefe do portal Educar para Crescer, Kadu Palhano, e sua equipe. O jornalista explicou todas as frentes de trabalho do projeto e contou como a iniciativa tem influenciado outras publicações da editora. “Aumentamos em 270% o número de matérias sobre educação na editora”, explicou. O jornalista parabenizou os participantes e elogiou a qualidade das matérias produzidas e a profundidade das pautas.
No período da tarde, os premiados foram para Piracicaba (SP) conhecer o processo produtivo de papel na Fibria, empresa controlada pelo Grupo Votorantim. Depois de circularem pelas instalações da fábrica, os jornalistas fizeram uma avaliação da oficina e se mostraram satisfeitos com os dois dias de trabalho.
“Com certeza o que vi nessa oficina irá impactar meu trabalho diário na redação. Quero produzir pautas mais qualificadas sobre educação”, contou Lilian, da TV Paracatu. “Esse prêmio nos motiva a continuar. Espero poder estar aqui ano que vem, novamente, trocando novas experiências”.

Por Rodrigo Bueno / Blog Educação