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segunda-feira, 5 de julho de 2010

1º Concurso Câmara de Fotografia

Em comemoração aos 50 anos de inauguração da capital federal, a Câmara dos Deputados realizará o 1º Concurso Câmara de Fotografia com o tema "50 anos da Câmara em Brasília". Serão selecionadas 40 fotografias para compor exposição em setembro. Os três primeiros colocados receberão, respectivamente, 10 mil, 6 mil e 3 mil reais.

Poderão participar fotógrafos profissionais ou amadores, brasileiros ou estrangeiros radicados no Brasil e menores de 18 anos com autorização do responsável. Cada participante deverá apresentar até 2 fotografias, com tamanho de 20 X 30, coloridas ou preto e branco e que nunca tenham sido publicadas em qualquer meio de comunicação impresso ou eletrônico.

Os participantes cedem definitivamente à Câmara os direitos patrimoniais sobre o trabalho apresentado no concurso e autorizam o uso de suas obras, direta ou indiretamente, total ou parcialmente, em qualquer mídia ou meio físico, visual ou sonoro, inclusive eletrônico. As inscrições serão realizadas de 14 de junho até 28 de julho de 2010. Maiores informações pelos telefones (61) 3215-8080 ou (61) 3215-8092.

Leia o regulamento completo no site: http://www2.camara.gov.br/a-camara/conheca/espaco-cultural/.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A arte de fazer revista

Revista CULT e faculdade Cásper Líbero promovem o curso "A arte de fazer revista", nos dias 20 e 21 de agosto. veja abaixo mais informações.

Conceito
Criar uma revista e mantê-la em circulação exige conhecimento, técnica e atualização. Uma publicação é o resultado de um trabalho realizado por uma equipe competente e afinada. O objetivo do curso é explicar as várias etapas da produção de uma revista e as técnicas fundamentais para um bom resultado. Ministrado por alguns dos mais importantes "revisteiros" do país, aborda a elaboração e pauta, apuração, pesquisa, texto e linguagem, edição. As seções e as várias editorias que compõem uma revista. A opinião e a análise. O "espelho", os prazos de "fechamento". A briga pelo leitor e pela notícia exclusiva.

20 agosto, sexta-feira
Como produzir uma publicação voltada ao público de alto poder aquisitivo
Palestrante: Daniela Falcão, diretora de redação da revista Vogue.

21 agosto, sábado (9:00 às 11 horas)
Uma revista semanal de interesse geral
Palestrante: Sérgio Lírio, redator-chefe da revista Carta Capital. Trabalhou na editora Três e na Folha de S. Paulo.

21 agosto, sábado (11:00 às 13 horas)
Uma revista dirigida ao público masculino. Como manter a fidelidade do leitor? Como selecionar os fotógrafos, as capas e administrar o borderô?
Palestrante: Edson Aran, diretor de redação da revista Playboy e autor de vários livros.

21 agosto, sábado (14:00 às 16 horas)
A direção de arte de uma revista
Palestrante: Elohim Barros, diretor de arte da revista Trip.

21 agosto, sábado (16:00 às 18:00)
Publicação mensal de interesse geral
Palestrante: Sergio Gwermann, diretor de redação da revista Superinteressante. Trabalhou na TV Bandeirantes e no Portal Terra.

21 agosto, sábado (18:00 às 20:00)
O departamento comercial
Palestrante: Raphael Jessourou, diretor comercial da revista Piauí. Trabalhou como diretor comercial da revista Caras.
Serviço:
Carga horária: 12 horas
Sexta e sábado (20 e 21 de agosto)
Investimento: R$ 360
Informações: Tel: (11) 3385-3385 Horário: Das 10hs às 19hs
E-mail: marketing@revistacult.com.br

CERTIFICADOS DE PARTICIPAÇÃO EMITIDOS PELA FACULDADE CÁSPER LÍBERO

Portal reúne informações sobre cursos em vários países

Está procurando um curso técnico, uma graduação ou mesmo pós-graduações no Brasil ou no exterior? Uma dica é o portal Educaedu Brasil www.educaedu-brasil.com, um projeto que reúne todas essas informações em um só lugar.
Há dicas de cursos na Itália, França, Argentina, Austrália; em Portugal, Chile, EUA, entre outros países.

Inscrições para o Concurso Aprender e Ensinar Tecnologia Social prorrogadas até 16 de agosto

Educadores de todo o país ainda terão chances de participar do segundo Concurso Aprender e Ensinar Tecnologia Social, promovido pela Revista Fórum e pela Fundação Banco do Brasil. As inscrições para o concurso foram prorrogadas até 16 de agosto.

Serão cinco professores vencedores do concurso. Cada um receberá uma passagem para o Fórum Social Mundial de 2011, em Dacar, no Senegal, onde participarão de uma atividade para apresentar suas propostas. Os vencedores ainda receberão um troféu e terão suas iniciativas registradas em um banco de propostas para discutir tecnologias sociais na escola. Os inscritos terão direito a uma assinatura da revista Fórum até outubro de 2010 e um exemplar do livro "Geração de trabalho e renda" (Editora Publisher).

O objetivo do concurso é ampliar a divulgação e o conhecimento sobre tecnologias a favor do desenvolvimento sustentável das comunidades por meio do debate com professores, alunos do ensino fundamental e pessoas da comunidade. As tecnologias sociais tem mudado modos de vida de muitas cidades com produtos e mecanismos simples, aproveitando muitos dos saberes locais.
"É um orgulho para a revista Fórum poder realizar este concurso com a Fundação Banco do Brasil. No ano passado ele mobilizou cerca de 3 mil participantes, com professores do país todo. Neste ano queremos no mínimo repetir esse alcançe", afirma Renato Rovai, editor da Revista Fórum.

Para Claiton Mello, da Comunicação e Mobilização Social da Fundação Banco do Brasil, "a tecnologia social é uma ideia que está colocada como alternativa para diversas comunidades resolverem seus problemas nos âmbitos social, econômico e ambiental. Ela pode trazer uma solução com baixo custo, com envolvimento comunitário e processo de aprendizagem sobre seus problemas e soluções para eles". "Queremos que os professores da rede publica de ensino fundamental discutam isso no âmbito da escola e da própria comunidade", conclui.

Inscrições - Serão cinco professores vencedores do concurso. Cada um receberá uma passagem para o Fórum Social Mundial de 2011, em Dacar, no Senegal, onde participarão de uma atividade para apresentar suas propostas. Para se inscrever, o professor deve acessar o site www.revistaforum.com.br/ts até 24 de maio e relatar uma proposta de atividade de difusão de tecnologias sociais. Um comitê vai avaliar as propostas e selecionar dez educadores por região do país como finalistas. Eles participarão de um seminário em Brasília sobre o assunto no mês de julho e depois poderão elaborar um projeto detalhado de atividade. Os trabalhos serão julgados pela comissão e os vencedores serão anunciados no fim do ano.

Fonte: Fundação Banco do Brasil

Como melhorar a comunicação dentro da escola

DIVISÃO POR GRUPO Mari Fantoni, de Camboriú, e os murais para os professores e para as merendeiras. Foto: Sérgio Vignes

Certa vez, a diretora Firmina Viterbo Azevêdo, da EE Edvaldo Brandão Correia, na periferia de Salvador, resolveu colocar em um dos murais da escola um comunicado com o título Agenda do Diretor. A ideia era fazer com que todos soubessem o que ela estava fazendo nos vários horários - uma maneira de dar um pouco mais de transparência à sua gestão. No começo, alguns estranharam e queriam saber se teriam de participar de alguma das atividades ou se haveria mudanças na rotina escolar por causa delas. A boa iniciativa pegou todos de surpresa porque faltava à instituição uma cultura de comunicação interna, em que as várias equipes trocam informações com o objetivo de valorizar o diálogo e fortalecer o espírito de grupo. Um bom termômetro de que há ruído na comunicação é quando frases como "ninguém me avisou dessa reunião" se tornam comuns por parte dos funcionários e "eles não se interessam em ler o que divulgamos" vira uma queixa frequente dos membros da equipe gestora. Para criar uma cultura favorável à comunicação, o gestor deve fazer da troca de informações uma rotina, mostrando às pessoas que com ele trabalham que o conhecimento sobre as diversas atividades que acontecem na escola favorece a criação de um bom clima institucional. E isso só se consegue com trabalho permanente (leia o passo a passo no projeto institucional). Uma maneira de iniciar esse processo é contar com a ajuda de representantes de cada segmento (um dos servidores administrativos, outro das merendeiras, um ou dois dos docentes etc.). Eles terão a função de levar as informações aos pares e também trazer tudo o que acontece por lá para ser disseminado na escola. "A gestão sai ganhando muito quando cada setor tem uma pessoa responsável pelo fluxo dos informes. Isso porque há mais chances de entender um assunto quando ele é transmitido por alguém mais próximo", explica Marlene Marchiori, professora do Departamento de Comunicação da Universidade Estadual de Londrina (UEL).


O objetivo da mensagem determina a escolha do veículo
Ao iniciar o projeto de comunicação interna, um primeiro ponto a observar é o veículo utilizado. De nada adianta divulgar em conversas de corredor uma reunião cuja presença é obrigatória. A importância do que se vai comunicar é que determina o meio. A diretora Mari Inês Fantoni, do CAIC Jovem Ailor Loterio, em Camboriú, a 85 quilômetros de Florianópolis, conta que, quando o assunto é importante, ela passa uma lista com o comunicado e pede que todos assinem, confirmando a leitura. Foi o que ela fez recentemente para divulgar um encontro que não estava na agenda e no qual seria discutida a concessão de um espaço físico na escola para o centro comunitário. "Alguns professores eram contra e outros a favor. Todos precisavam ser avisados para garantir que as várias posições fossem defendidas. Ninguém poderia dizer que não foi avisado", lembra Mari. Um dos recursos mais utilizados pela escola para divulgar notícias e trabalhos realizados é o mural, que deve ter seu conteúdo renovado periodicamente. É aconselhável determinar uma frequência para sua atualização - pode ser todo dia ou uma vez por semana. Assim, as pessoas criam o hábito da leitura daquele espaço. Mas isso não impede que, quando haja a necessidade, se coloquem uma nova mensagem e um aviso maior chamando a atenção para a novidade. Mari Inês Fantoni, de Camboriú, usa fotos ou recortes e divide o mural por setores - um para o pessoal de serviços de apoio, outro para os professores etc. - e os coloca em pontos estratégicos - o das merendeiras ao lado da cozinha, por exemplo. Esses procedimentos ajudam o leitor a localizar os temas de seu interesse.


Para divulgar assuntos importantes, vale organizar reuniões
A reunião em si é uma ferramenta fundamental na comunicacão interna. Bastante eficiente para difundir assuntos importantes, ela permite que todos os presentes debatam, exponham suas opiniões e se posicionem. "Algumas podem ser colocadas na rotina da escola - como as de formação e as de equipe -, o que faz com que as pessoas saibam que naquele dia e horário têm um compromisso", afirma Alice Happ Botler, professora do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Além disso, é preciso haver uma condução eficiente dos trabalhos, garantindo uma linguagem clara nas exposições, a participação dos presentes, a conclusão e o registro do que foi discutido e o encaminhamento das ações seguintes para que a reunião não acabe no vazio. Outro ponto a receber atenção é o texto utilizado nos comunicados. Uma mensagem bem feita é aquela que é entendida pelo público-alvo. E, por mais simples que possa parecer, um texto de fácil compreensão é difícil de fazer. Uma linguagem confusa e rebuscada só provoca ruídos na comunicação. O grau de formalidade do texto vai depender do assunto - a convocação feita pela direção da escola para que os professores compareçam a uma reunião com representantes da Secretaria de Educação tende a ser mais sóbria do que o convite para o jogo final de um campeonato interno, por exemplo. Se a escola tiver computadores com acesso à internet, o e-mail é um meio prático e rápido para divulgar informações. Firmina Azevêdo, de Salvador, seguiu os passos para instalar uma comunicação interna eficiente e agora, quando não avisa onde está e o que está fazendo, é cobrada: "Outro dia, uma colega me ligou no domingo perguntando por que eu ainda não havia enviado a agenda da semana". No início do ano, ela criou um grupo de e-mail com os 86 docentes da instituição e agora manda tudo pela internet, inclusive a Agenda do Diretor. Ela ainda coloca mensagens nos murais e afirma que já percebeu que um dos efeitos de uma gestão mais transparente é a participação: "Agora, professores e funcionários sabem de tudo que acontece na escola".
Fonte: Revista Nova Escola- Ed.008-Junho/julho de 2010/Texto: Verônica Fraidenraich

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Falta de referência

De todos as temáticas relacionadas ao uso de tecnologia na educação, há uma que tem preocupado mais expressivamente os principais teóricos da área: a ausência de avaliações que indiquem os impactos das chamadas tecnologias da informação e comunicação (TICs) na sala de aula. A angústia não é só nacional. Os especialistas estrangeiros presentes na Conferência Internacional "O impacto das TICs na Educação", realizada pela Unesco em Brasília, no mês de abril, compartilharam o esforço pela busca de metodologias capazes de responder à seguinte pergunta: afinal, a tecnologia pode ou não ter impacto positivo na aprendizagem do aluno?

As tentativas se espalham mundo afora. Um documento produzido em 2006 pela Comissão Europeia em TICs avalia que há três tipos de estudos sendo conduzidos naquele continente. O primeiro, dedicado à avaliação em termos de infraestrutura e acesso, concentra-se na disponibilidade de computadores, número de computadores por escolas e nível de conectividade, entre outros. O segundo, considerado um nível acima do anterior, busca identificar e medir o uso da tecnologia no ambiente escolar e também seu uso doméstico, ambos com fins educacionais. Por último, há poucos que estudam se há ou não uma relação de causa e efeito entre tecnologia e educação. Para justificar a falta de produção nessa área específica, o documento cita a dificuldade encontrada pelos pesquisadores para isolar a tecnologia de todas as outras variáveis que incidem sobre a aprendizagem do aluno.

"Se a tecnologia está dentro de um conjunto de fatores que afetam o desempenho, como posso dizer que ela faz diferença?", questiona Ocimar Alavarse, professor da Feusp. Como fatores que moldam a aprendizagem, Ocimar cita o nível socioeconômico das famílias (e, consequentemente, do aluno) e o trabalho do professor. Para ele, além da tarefa de isolar a tecnologia como variável, é também preciso definir o tipo de uso que está sendo feito do computador. Por exemplo: há uma proposta pedagógica por trás da ferramenta? "O pesquisador precisa ir à escola para entender isso. Apenas um dia de estudo não dará essa resposta. Para a interferência externa ser diminuída, é preciso ficar no mínimo duas semanas ali", avalia.

A professora Leila Iannone, consultora da Unesco, acrescenta outros elementos que dificultariam o trabalho dos pesquisadores. A grande flutuação do corpo docente no sistema público é o primeiro deles. Muitos professores pedem afastamento, remoção ou licença das escolas onde trabalham. "Se você começa um projeto piloto, provavelmente na segunda etapa uma parte do corpo docente será perdida", explica. Outro problema é que, como a cultura avaliativa é recente nessa área, muitos apostam na avaliação ao final do processo e não do processo em si. "No Brasil, ainda é novo avaliar o passo a passo", diz.

Tentativa
Durante o Congresso, Miguel Nussbaum e Patricio Rodríguez, da Escola de Engenharia da Pontifícia Universidade Católica do Chile, apresentaram os resultados de um estudo que realizaram com mais de 200 alunos de nível socioeconômico baixo, provenientes de escolas públicas espalhadas pelo país. A dupla estudou a inserção do Eduinnova nos colégios. O programa é comandado por Nussbaum na PUC desde 2005 e aposta no trabalho colaborativo em grupos pequenos de alunos através de computadores interconectados. O objetivo era avaliar a eficácia do modelo pedagógico, a efetividade da intervenção e a eficiência do programa (no que diz respeito à fidelidade da intervenção, ao custo e ao impacto na aprendizagem dos alunos).

Na primeira etapa da pesquisa, realizada em 2002, os professores avaliaram a eficácia do programa com alunos de 1º e 2º anos do ensino fundamental de uma escola em Santiago. "Em uma aula de matemática, os alunos aprendiam a contar por meio de cartas numeradas. Eles se dispersavam e era difícil para o professor controlar a sala de aula. Quando o computador entra na sala, serve como uma espécie de andaime. O professor pode trabalhar com mais grupos porque eles ficam mais concentrados", explicaram. Na segunda etapa, foram analisadas aulas de física em salas de ensino médio de cinco escolas durante os anos de 2004 e 2005/2006. Nos dois momentos, alunos que usaram a tecnologia e que não usaram tecnologia foram submetidos a avaliações que mediam o quanto haviam aprendido. A partir do cruzamento desses dados, os pesquisadores chegaram aos resultados ("tamanhos do efeito"). Uma das conclusões é que os alunos de professores com alto nível de adoção do Eduinnova produzem melhores resultados de aprendizagem em relação àqueles que têm um nível menor - o tamanho do efeito passa de 0,41 para 0,56 (a escala usada pelos pesquisadores foi de 0,2 a 0,8). Em outras palavras, um mínimo de 13,09% e um máximo de 19% do total de alunos desses grupos ficaram acima da média nas notas dos testes aplicados pelos pesquisadores. "Também pudemos perceber nesse momento que o papel do professor é fundamental, já que aqueles que não se apropriaram adequadamente da tecnologia não tiveram bons resultados", explicam.

A primeira coisa que chama a atenção de Ocimar Alavarse é a falta de familiaridade que esses alunos poderiam ter com a tecnologia. Como o nível socioeconômico é mais baixo, o uso do computador pode ter sido uma novidade para eles. "Se a pesquisa tivesse sido feita com alunos que conhecessem mais a ferramenta, será que a concentração teria sido tão grande?", pergunta. Para Alavarse, o papel do professor como mediador do uso da ferramenta mostra que a tecnologia em si mesmo não resolve o problema da aprendizagem. "Precisamos potencializar o que o computador pode fazer e, para isso, a presença do professor é fundamental. Isso vale para o livro também: é o docente que organiza o uso", afirma.

ENTREVISTA
Um dos especialistas presentes na Conferência da Unesco era Hugo Nervi, da Faculdade de Educação da Universidade das Américas, no Chile. Durante os anos de 2005 e 2009, ele trabalhou na área de competências em TIC e desenvolvimento curricular no Centro de Educação e Tecnologia do Ministério de Educação (Enlaces). A instituição é responsável, entre outras coisas, pelo aumento do acesso à internet nas escolas, política sobre a qual Nervi fala na entrevista abaixo.

No Chile, a tecnologia tem grande alcance nas escolas. Como se configura o uso das ferramentas?
HN - Houve uma inversão muito grande nos últimos quatro anos. Aumentou-se em três vezes a presença da tecnologia nas escolas. De uma relação de 27 alunos por computador, hoje temos 8 alunos por computador. Você tem acesso ilimitado, com a presença de lousas digitais e projetores. Contudo, toda essa infraestrutura corre o risco de não ser usada. Se não existir um plano de uso e de liderança para o emprego da tecnologia na escola, e uma formação docente adequada, a tecnologia não será empregada.

Mas a tecnologia foi incorporada ao currículo da formação dos professores?
HN -A tecnologia entrou na formação inicial dos professores no sentido de orientar, por exemplo, o desenvolvimento de habilidades instrumentais e proporcionar o conhecimento das ferramentas de processamento de textos e de planilhas. O que não falta hoje no Chile é a investigação da inovação pela inovação. Por exemplo: um projeto que elabore o uso de vídeos e jogos no desenvolvimento da leitura em crianças de 8 e 9 anos. Não é isso que buscamos na formação inicial docente. Não queremos professores investigadores de tecnologia. Queremos professores que se apropriem dela como ferramenta de trabalho. Nesse sentido, a integração curricular deveria acontecer em todas as áreas de sua formação. Na formação geral, nas suas especialidades e na formação prática. Assim, os alunos conhecerão a tecnologia com valor pedagógico. A tecnologia tem de formar parte da trama do currículo de formação docente. Em que momento estamos hoje? Há projetos locais em que a inovação é produto de iniciativas pontuais.

E como a escola pode fazer um plano para o uso da tecnologia?

HN - Quando o Ministério da Educação optou por aumentar o acesso, não pretendia entregar a tecnologia irresponsavelmente, como uma medida social. A ideia era apoiar o uso das ferramentas na aprendizagem. A escola recebe tecnologia apenas se justifica seu uso em um projeto educativo. É preciso dizer como e em que ela vai ser utilizada, além estabelecer maneiras para medir seu impacto. Uma coisa está atrelada à outra. Há um formulário on-line que deve ser enviado ao Ministério. É um acordo de uso.

Como podemos explicar a aposta em tecnologia dos governos latino-americanos, se não havia avaliações de impacto amplas?
HN - Há muitas saídas para avaliar o impacto hoje em dia. Pode-se avaliar para medir o impacto na aprendizagem, verificar o uso, medir a apropriação das ferramentas pelos professores. São avaliações distintas. As políticas de cada país têm metas específicas. São elas, as metas específicas, que devem ser avaliadas. Não podemos dizer que não há, em toda a América Latina, resultados de impacto na aprendizagem. Sim, há. Há resultados a partir de projetos locais. O que falta é uma reflexão sobre que tipo de pedagogia a tecnologia gera, para dizer que há uma mudança na aprendizagem.

Fonte: Revista Educação - Edição 158/ Texto: Beatriz Rey

Livros perdem para a internet

Exceção à regra, a aluna Carolina Maciel, de 16 anos, consulta primeiro os livros...

... e só depois, quando precisa complementar a pesquisa, recorre à internet

Não faz muito tempo que o jeito de fazer pesquisa na escola mudou. Se há pouco mais de cinco anos os estudantes se reuniam para ir até uma biblioteca ou lançavam mão da enciclopédia na hora de fazer um trabalho de escola, agora eles dão prioridade à internet. De dez estudantes do ensino fundamental e médio ouvidos pela reportagem em Curitiba, oito iniciam suas pesquisaspor sites da web e vão à biblioteca só em último caso.

A mudança no comportamento dos estudantes não chega a ser um problema na opinião do professor de Física Paulo Roberto Fiatte Carvalho, do Colégio Dom Bosco. De acordo com ele, a internet proporciona agilidade e é importante que crianças e adolescentes saibam usar essa ferramenta. “O aluno tem facilidade para encontrar tudo na internet. Vai do professor direcionar e orientar. Como o número de informações é maior, também aumentou a quantidade de fontes que não são muito confiáveis”, ressalta. Da mesma opinião compartilha o superintendente de informática e orientador educacional do Colégio Positivo, Celso Hartmann. “Oriento os meus alunos a buscar informações em locais de qualidade. E também usar várias fontes, inclusive o livro”, diz.

Porém o livro tem sido cada vez menos usado em trabalhos escolares. O estudante do 2.º ano do ensino médio do Dom Bosco Jean Michel Costa, 16 anos, conta que ia mais à biblioteca quando era mais novo, na época em que cursava a 5.ª série do ensino fundamental, e ainda não se tinha tanto acesso à internet. Hoje, como grande parte dos estudantes que usam o computador, Jean inicia sua pesquisa colocando o tema num site de busca. A partir daí passa a escolher os sites onde poderá encontrar informações que vão embasar o seu trabalho. O estudante costuma usar artigos científicos e também faz entrevistas via e-mail com autores que lhe interessam. “Hoje em dia praticamente não uso livro. Mas tomo muito cuidado para não fazer frases exatamente iguais às que eu li”, diz.

A internet também é o ponto de partida das colegas Manoela Laffite Bueno, 15 anos, e Rafaella Keppen, 14 anos, do 1.º ano do ensino médio do Colégio Positivo. Porém as duas começam pelo site do grupo, o Educacional, onde há dicas de páginas da web de acordo com a etapa de ensino. No caso de Manoela, quando o que encontra na internet não satisfaz o tema pesquisado, ela recorre às enciclopédias colecionadas pela avó. “Não faço apenas pesquisas para os trabalhos pedidos pela escola. Também busco respostas para as minhas dúvidas com relação às matérias que estou aprendendo”, afirma.

Livro é prioridade
Para alguns estudantes e seus pais, o livro é prioridade nas pesquisas escolares. O professor universitário Marcos José Za­­blonsky, 47 anos, incentiva o uso do material pelos seus filhos Aline Cor­reia, 12 anos, e Arthur, 8 anos. “A primeira fonte de consulta são os livros. Partimos para a internet depois. Os livros são fontes de in­­formações mais seguras”, afirma.

Aline e Arthur estudam no Colégio Nossa Senhora do Sion, onde há uma preocupação em integrar o uso da internet com o da biblioteca. A professora de informática Alexandra Roeder, 37 anos, tem trabalhado dessa forma com alunos da 4.ª série do ensino fundamental. “O que as crianças precisam entender é que a internet é muito boa mas tem suas pegadinhas. Esse direcionamento precisa ser dado pelo professor”, diz. Além de usarem a internet e os livros para fazer os trabalhos escolares, os alunos também estão estudando metodologias de pesquisa. A intenção da professora é fazer com que as crianças usem as informações coletadas nas diversas fontes para elaborar a versão final do trabalho.

A lição foi levada tão a sério pela estudante do 2.º ano do magistério do mesmo colégio Carolina Sare Maciel, 16 anos, que atualmente ela prioriza a pesquisa por livros. “Sempre gostei muito da internet por ser ágil mas, no meu caso, não ajuda muito. Nos trabalhos específicos sobre Edu­cação encontro tudo o que preciso de forma mais rápida na biblioteca da escola. Na internet, as informações são muito misturadas”, diz.


Fonte: A Gazeta do Povo/ Foto: Antonio More/ Texto: Tatiana Duarte