Segundo relatório divulgado nesta terça-feira (13) pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), no Brasil, ter curso superior eleva o rendimento salarial em 156%. É o mais alto índice entre todos os 30 países pesquisados onde, em média, um indivíduo que concluiu a educação superior recebe pelo menos 50% a mais do que uma pessoa com ensino médio concluído. De acordo com a OCDE, no Brasil, 68,2% dos indivíduos que completaram a universidade ou um programa avançado de pesquisa ganham duas vezes mais que a média de um trabalhador. O estudo aponta, ainda, que 30,1% dos brasileiros entre 15 e 19 anos não estão estudando e que, desses, 16,1% estão empregados, 4,3% estão desempregados e 9,7% não estão na força de trabalho. A população brasileira de 15 a 29 anos e com mais estudo é a que tem menor probabilidade de estar desempregada. Entre a população dessa faixa etária que está fora do sistema educacional, 6,2% dos graduados da educação superior estão desempregados. Na mesma situação, estão 10,2% dos jovens que concluíram o ensino médio e 5,58% dos que não concluíram esse nível de ensino. A falta de qualificação de nível médio é, de acordo com o estudo, "um sério impedimento para encontrar emprego". Jovens que não concluem o ensino médio e que não estão estudando estão 21 pontos percentuais menos propensos a encontrar um emprego. A OCDE avalia que há um "alto nível de vulnerabilidade" na educação brasileira, principalmente entre os estudantes com 15 anos de idade. Cerca de 50% deles apresenta baixa pontuação em leitura. Entre os países que participaram do estudo, a média é 19%. Além disso, o risco de obter essa pontuação baixa é uma vez e meia maior para estudantes com desvantagem de origem socioeconômica; 1,3 para os meninos em relação às meninas; e 1,3 para estudantes cujos pais têm baixo nível de escolaridade. No Brasil, o percentual do PIB (Produto Interno Bruto) destinado à educação cresceu 1,8 ponto percentual, passando de 3,5%, em 2000, para 5,3%, em 2008. A média da OCDE ficou em 5,9% em 2008. Para Haddad, se o país mantiver "o passo dos investimentos", conseguirá alcançar o percentual dos países ricos. Fonte: R7 14/09/2011 |
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Curso superior resulta em salário 156% maior no Brasil, aponta pesquisa
Opinião: Qualidade do tempo escolar
''Está na hora de pensarmos na qualidade do tempo que dispensamos à aprendizagem antes de pensarmos em aumentar dias letivos'', diz Adriana Roese
* Adriana Roese
Ao ler, ontem, a matéria no jornal ZH na qual o MEC sugere aumentar em 20 dias a jornada escolar, ficou claro o quanto ainda estamos perdidos em relação ao que pensamos sobre a Educação e o tempo destinado à mesma.
Ao ler, ontem, a matéria no jornal ZH na qual o MEC sugere aumentar em 20 dias a jornada escolar, ficou claro o quanto ainda estamos perdidos em relação ao que pensamos sobre a Educação e o tempo destinado à mesma.
Acredito que, antes de discutirmos o aumento dos dias letivos, deveríamos discutir o que estamos fazendo com o tempo que hoje destinamos à aprendizagem. É de conhecimento de todos que trabalham com Educação que as quatro horas/aula ou 800 horas/ano não têm sido de fato bem aproveitadas pela maioria.
A escola, como também é de conhecimento de todos, precisa a cada ano absorver demandas que não seriam sua “função” primordial, que é ensinar conteúdos historicamente reconhecidos e relacioná-los aos dias atuais. Hoje, passamos muito tempo dando conta de outros afazeres, seja porque a sociedade não deu conta, ou porque a família não cumpre com seu papel.
Hoje, das quatro horas destinadas à aprendizagem, no mínimo 15 minutos são ocupados para merenda escolar, banheiro, lavar as mãos, merenda, beber água, escovar os dentes... sim, escovar os dentes, porque alguns municípios aderem a programas que transferem esta tarefa para a escola. E não estou aqui questionando o ato de o professor ensinar a higiene bucal, mas sim o tempo escolar.
Após esta primeira maratona, volta-se à sala de aula, no meio do turno, aproximadamente, mais 15 minutos de recreio, que em muitas escolas se divide em dois momentos devido ao número de alunos. Enquanto um grupo do primeiro recreio está no pátio, os que estão em sala aguardando seu recreio tentam continuar a lição...
Deixo para os leitores quantificar o tempo de “fato” que sobra para aprendizagem, lembrando que, a cada quebra de atividade, necessita-se de mais um tempo para buscar a concentração dos alunos novamente.
Somam-se a esse tempo os vários eventos e atividades que cada município inclui em seu calendário anual – semana do trânsito, semana da pátria, desfile, semana farroupilha, semana da inclusão, semana da consciên- cia negra...
Além dessas questões, precisaríamos discutir a indisciplina, que constantemente interrompe as horas destinadas ao aprender, e a infrequência dos alunosda qual, mesmo com a interferência dos conselhos tutelares, pouco tem sido resolvido.
Deveríamos falar da qualidade do trabalho dos professores, que sabemos nem sempre são dedicados ou não sobra tempo para aperfeiçoar seu trabalho, ou não têm formação adequada, entre tantas outras questões.
Mais uma vez, digo que não estou aqui questionando a validade de trabalhar determinados conteúdos, mesmo porque fazem parte dos planos de estudos das escolas, mas que está na hora de pensarmos na qualidade do tempo que dispensamos à aprendizagem antes de pensarmos em aumentar dias letivos.
* Diretora de escola
A escola, como também é de conhecimento de todos, precisa a cada ano absorver demandas que não seriam sua “função” primordial, que é ensinar conteúdos historicamente reconhecidos e relacioná-los aos dias atuais. Hoje, passamos muito tempo dando conta de outros afazeres, seja porque a sociedade não deu conta, ou porque a família não cumpre com seu papel.
Hoje, das quatro horas destinadas à aprendizagem, no mínimo 15 minutos são ocupados para merenda escolar, banheiro, lavar as mãos, merenda, beber água, escovar os dentes... sim, escovar os dentes, porque alguns municípios aderem a programas que transferem esta tarefa para a escola. E não estou aqui questionando o ato de o professor ensinar a higiene bucal, mas sim o tempo escolar.
Após esta primeira maratona, volta-se à sala de aula, no meio do turno, aproximadamente, mais 15 minutos de recreio, que em muitas escolas se divide em dois momentos devido ao número de alunos. Enquanto um grupo do primeiro recreio está no pátio, os que estão em sala aguardando seu recreio tentam continuar a lição...
Deixo para os leitores quantificar o tempo de “fato” que sobra para aprendizagem, lembrando que, a cada quebra de atividade, necessita-se de mais um tempo para buscar a concentração dos alunos novamente.
Somam-se a esse tempo os vários eventos e atividades que cada município inclui em seu calendário anual – semana do trânsito, semana da pátria, desfile, semana farroupilha, semana da inclusão, semana da consciên- cia negra...
Além dessas questões, precisaríamos discutir a indisciplina, que constantemente interrompe as horas destinadas ao aprender, e a infrequência dos alunosda qual, mesmo com a interferência dos conselhos tutelares, pouco tem sido resolvido.
Deveríamos falar da qualidade do trabalho dos professores, que sabemos nem sempre são dedicados ou não sobra tempo para aperfeiçoar seu trabalho, ou não têm formação adequada, entre tantas outras questões.
Mais uma vez, digo que não estou aqui questionando a validade de trabalhar determinados conteúdos, mesmo porque fazem parte dos planos de estudos das escolas, mas que está na hora de pensarmos na qualidade do tempo que dispensamos à aprendizagem antes de pensarmos em aumentar dias letivos.
* Diretora de escola
Fonte: Zero Hora/ 15/09/2011
Série exibe bons modelos de ensino
Uma série do Canal Futura vai mostrar como funciona o sistema educacional em países que obtiveram boa colocação no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), que qualifica o ensino pelo desempenho dos estudantes.
As experiências de Coreia do Sul, Canadá, Chile, Finlândia e da província de Xangai, na China, serão reveladas cada uma em um episódio de "Destino: Educação".
O canal também vai abordar a situação do Brasil - que, apesar de ter progredido nos últimos anos, amarga a 53ª posição na avaliação, que teve participação de 65 países. O programa foi lançado ontem em Brasília e vai ao ar em outubro.
O programa levou em conta o último ranking do Pisa, de 2009, para escolher os locais visitados. Cada um dos sete episódios será dedicado a um país, e o último será uma espécie de retomada da série, para discutir os pontos mais marcantes de cada experiência. A ideia não é transpor um modelo para o Brasil, mas trazer à tona modelos que possam servir de inspiração.
- Nenhum dos modelos que vimos pode ser aplicado aqui diretamente, mas há princípios inspiradores - diz a gerente do Canal Futura, Lúcia Araújo.
Ela cita como exemplo a filosofia do sistema finlandês, em que os melhores professores ficam responsáveis pelos alunos com pior desempenho.
- É a qualidade com igualdade. Ao contrário da Coreia do Sul, onde há competição a todo o custo - observa.
A série traz entrevistas com estudantes, educadores e gestores e vai à casa dos alunos mostrar a rotina de estudos e conversar com os pais.
Entre as questões abordadas estão o grau de preocupação dos governos com o ensino; a articulação entre as políticas macro e as práticas do dia a dia escolar; formas de valorizar o professor; e o papel da família naEducação.
O primeiro episódio é sobre Xangai, o primeiro lugar no Pisa mais recente. A série mostra alunos excelentes rodeados de pais exigentes e professores qualificados.
A dedicação ao ensino é tão alta que o governo baixou uma lei limitando as horas de estudo em casa. Em seguida, vem a Finlândia, onde o professor, para lecionar, precisa ter mestrado, no mínimo. O país incentiva a autonomia dos alunos - que, no ensino médio, podem escolher o que querem aprender.
O Chile, país mais bem colocado no Pisa entre os latino-americanos, aparece no terceiro episódio. Em seguida, o programa vai à Coreia do Sul para mostrar rotina escolar de oito horas e rigorosa disciplina em sala de aula - que, até bem pouco tempo, incluía castigos físicos.
O episódio sobre o Brasil revela que o país ainda está longe de um sistema satisfatório. O programa mostra os altos índices de repetência e evasão escolar, os baixos salários dos professores, a pouca formação dos profissionais e as poucas horas dos alunos na escola.
A série foi realizada em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi) e com consultorias da socióloga e educadora Maria Helena Guimarães de Castro, do Todos pela Educação e da Comunidade Educativa.
Fonte: O Globo 15/09/2011
As experiências de Coreia do Sul, Canadá, Chile, Finlândia e da província de Xangai, na China, serão reveladas cada uma em um episódio de "Destino: Educação".
O canal também vai abordar a situação do Brasil - que, apesar de ter progredido nos últimos anos, amarga a 53ª posição na avaliação, que teve participação de 65 países. O programa foi lançado ontem em Brasília e vai ao ar em outubro.
O programa levou em conta o último ranking do Pisa, de 2009, para escolher os locais visitados. Cada um dos sete episódios será dedicado a um país, e o último será uma espécie de retomada da série, para discutir os pontos mais marcantes de cada experiência. A ideia não é transpor um modelo para o Brasil, mas trazer à tona modelos que possam servir de inspiração.
- Nenhum dos modelos que vimos pode ser aplicado aqui diretamente, mas há princípios inspiradores - diz a gerente do Canal Futura, Lúcia Araújo.
Ela cita como exemplo a filosofia do sistema finlandês, em que os melhores professores ficam responsáveis pelos alunos com pior desempenho.
- É a qualidade com igualdade. Ao contrário da Coreia do Sul, onde há competição a todo o custo - observa.
A série traz entrevistas com estudantes, educadores e gestores e vai à casa dos alunos mostrar a rotina de estudos e conversar com os pais.
Entre as questões abordadas estão o grau de preocupação dos governos com o ensino; a articulação entre as políticas macro e as práticas do dia a dia escolar; formas de valorizar o professor; e o papel da família naEducação.
O primeiro episódio é sobre Xangai, o primeiro lugar no Pisa mais recente. A série mostra alunos excelentes rodeados de pais exigentes e professores qualificados.
A dedicação ao ensino é tão alta que o governo baixou uma lei limitando as horas de estudo em casa. Em seguida, vem a Finlândia, onde o professor, para lecionar, precisa ter mestrado, no mínimo. O país incentiva a autonomia dos alunos - que, no ensino médio, podem escolher o que querem aprender.
O Chile, país mais bem colocado no Pisa entre os latino-americanos, aparece no terceiro episódio. Em seguida, o programa vai à Coreia do Sul para mostrar rotina escolar de oito horas e rigorosa disciplina em sala de aula - que, até bem pouco tempo, incluía castigos físicos.
O episódio sobre o Brasil revela que o país ainda está longe de um sistema satisfatório. O programa mostra os altos índices de repetência e evasão escolar, os baixos salários dos professores, a pouca formação dos profissionais e as poucas horas dos alunos na escola.
A série foi realizada em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi) e com consultorias da socióloga e educadora Maria Helena Guimarães de Castro, do Todos pela Educação e da Comunidade Educativa.
Fonte: O Globo 15/09/2011
MEC estuda ampliar tempo de aluno na escola
O Ministério da Educação (MEC) estuda aumentar o número de horas que os alunos passam na escola, com a ampliação gradativa do ano letivo de 200 para 220 dias, ao longo de quatro anos, e/ou com o aumento da quantidade de horas dentro da escola.
Segundo o ministro Fernando Haddad, a proposta é discutida com União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, Conselho Nacional de Secretários de Educação e Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação. A declaração foi feita na abertura de um congresso internacional promovido em Brasília pelo movimento Todos Pela Educação.
A ideia surgiu com base em estudo coordenado pelo secretário de Ações Estratégicas da Presidência, Ricardo Paes de Barros, que mostra que o aprendizado se relaciona com a exposição ao conhecimento.
"No Brasil essa exposição é baixa, seja porque a carga horária diária é baixa, seja porque o número de dias letivos é inferior ao de outros países", disse Haddad.
Uma das possibilidades consideradas é a antecipação das metas do Programa MaisEducação, do governo federal, que prioriza a Educação integral. Segundo Haddad, há 15 mil escolas no programa, com carga de sete horas por dia. A meta para 2014 é de alcançar 32 mil, objetivo que pode ser antecipado pela presidente Dilma Rousseff, para 2013.
Outra proposta é aumentar o número de dias letivos, principalmente por causa da falta de estrutura física das escolas, o que seria realizado por um projeto de lei. "Não aprovaremos um projeto de lei sem haver consenso. Não vamos encaminhar sem antes receber o aval daqueles que vão executar isso", afirmou.
Haddad diz que as propostas não são excludentes e há orçamento para a ampliação. "Estamos prevendo aumentar o investimento de 7% do PIB."
Para o deputado federal Gastão Vieira, presidente da Comissão Especial do Plano Nacional deEducação, a iniciativa é positiva. "Tudo que deixar o aluno dentro da escola, criando condições para ele efetivamente aproveitar esse tempo, é bem-vindo", disse.
O Consed afirma que vai conversar com os Estados sobre a proposta. "Esse aumento vai ter de ser muito debatido com os professores, por conta da redução das férias, e com os municípios, que negociam o transporte com os Estados, por exemplo", disse a presidente Maria Nilene da Costa.
A Undime também diz que dialogará com as seccionais. "Mas, a princípio, nós não somos contra", disse a presidente da entidade, Cleuza Repulho.
Enem
Questionado sobre a lentidão da evolução das escolas públicas nos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), Haddad afirma que o progresso está se dando no ritmo previsto pelo plano de metas.
"Vamos vagarosamente incutindo essa cultura de metas. Não dá para mudar da noite para o dia um sistema educacional que foi por décadas maltratado."
Fonte: Estado de São Paulo 14/09/2011
Segundo o ministro Fernando Haddad, a proposta é discutida com União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, Conselho Nacional de Secretários de Educação e Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação. A declaração foi feita na abertura de um congresso internacional promovido em Brasília pelo movimento Todos Pela Educação.
A ideia surgiu com base em estudo coordenado pelo secretário de Ações Estratégicas da Presidência, Ricardo Paes de Barros, que mostra que o aprendizado se relaciona com a exposição ao conhecimento.
"No Brasil essa exposição é baixa, seja porque a carga horária diária é baixa, seja porque o número de dias letivos é inferior ao de outros países", disse Haddad.
Uma das possibilidades consideradas é a antecipação das metas do Programa MaisEducação, do governo federal, que prioriza a Educação integral. Segundo Haddad, há 15 mil escolas no programa, com carga de sete horas por dia. A meta para 2014 é de alcançar 32 mil, objetivo que pode ser antecipado pela presidente Dilma Rousseff, para 2013.
Outra proposta é aumentar o número de dias letivos, principalmente por causa da falta de estrutura física das escolas, o que seria realizado por um projeto de lei. "Não aprovaremos um projeto de lei sem haver consenso. Não vamos encaminhar sem antes receber o aval daqueles que vão executar isso", afirmou.
Haddad diz que as propostas não são excludentes e há orçamento para a ampliação. "Estamos prevendo aumentar o investimento de 7% do PIB."
Para o deputado federal Gastão Vieira, presidente da Comissão Especial do Plano Nacional deEducação, a iniciativa é positiva. "Tudo que deixar o aluno dentro da escola, criando condições para ele efetivamente aproveitar esse tempo, é bem-vindo", disse.
O Consed afirma que vai conversar com os Estados sobre a proposta. "Esse aumento vai ter de ser muito debatido com os professores, por conta da redução das férias, e com os municípios, que negociam o transporte com os Estados, por exemplo", disse a presidente Maria Nilene da Costa.
A Undime também diz que dialogará com as seccionais. "Mas, a princípio, nós não somos contra", disse a presidente da entidade, Cleuza Repulho.
Enem
Questionado sobre a lentidão da evolução das escolas públicas nos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), Haddad afirma que o progresso está se dando no ritmo previsto pelo plano de metas.
"Vamos vagarosamente incutindo essa cultura de metas. Não dá para mudar da noite para o dia um sistema educacional que foi por décadas maltratado."
Fonte: Estado de São Paulo 14/09/2011
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Primeiro dia do Congresso Internacional Educação - Uma Agenda Urgente
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| Maria do Rosário e Fernando Haddad |
Por Cristiane Parente (Texto e Fotos)
Começou hoje, 13/09, em Brasília, o Congresso Internacional Educação – Uma Agenda Urgente, promovido pelo Movimento Todos pela Educação com os parceiros Instituto Gerdau, BID, Fundação Lemman, Fundação Itaú Social, Fundação Educar Dpaschoal, Instituto Natura, Instituto Unibanco e Itaú BBA. O evento prossegue até o dia 16.
Na abertura, que aconteceu no Hotel Brasília Palace, os destaques foram as falas do ministro da Educação, Fernando Haddad, e Maria do Rosário, da Secretaria Especial de Direitos Humanos. Haddad ressaltou alguns pontos positivos na educação brasileira e lembrou aqueles que precisam ser melhorados, como o fato de ainda haver 500 mil brasileiros fora da sala de aula; a maioria deles com deficiência.
Ele citou que o Brasil na última década assumiu a liderança no incremento em anos de estudo/escolaridade, segundo o Banco Mundial. E que foi o país que mais avançou do ponto de vista do financiamento da educação básica pública, em relação a todos os países da OCDE. “Ainda estamos longe da meta de investimento da OCDE, mas duplicamos o investimento por aluno da educação básica e mantivemos o investimento no aluno de educação superior”, falou.
Em relação ao Ensino Superior, Haddad comemorou o fato do Brasil ter passado de 300 mil brasileiros formando-se em nível superior, em 2000, para um milhão, hoje. Também destacou o trabalho que o Ceará está fazendo para ter todas as crianças com 8 anos alfabetizadas e a possibilidade de estender o período letivo brasileiro de 200 para 220 dias e/ou aumentar o tempo de horas por dia das crianças na escola. Como já ocorre com as escolas do Mais Educação.
Já Maria do Rosário destacou que a Educação é o Direito Humano que abre as portas e oferece as chaves para todos os demais direitos. Que não é possível pensar a afirmação dos direitos humanos sem uma sociedade ativa, presente na vida do Brasil e que os avanços da educação são frutos de vontade política, mas também da mobilização social. Para Maria do Rosário, os jovens que saem cedo da escola são os mesmos que estão marcados pela violência ou pela drogadição e exploração do trabalho infantil. Por fim, alertou: “Não há mais tempo. A agenda da educação de qualidade é a agenda atual”.
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| César Callegari foi moderador da sessão" Justiça pela qualidade da Educação" |
Justiça pela Qualidade da Educação
A tarde começou, na sede do Consed, com uma grande mesa com 22 debatedores em torno da Justiça pela Qualidade da Educação, um tema e, ao mesmo tempo, um programa do Todos pela Educação, ABMP (Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e Juventude) e parceiros. A ideia era fazer uma roda de debates em torno de algumas perguntas como: Quais os principais desafios do sistema jurídico para assegurar a qualidade da educação?
A moderação coube a César Callegari, membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), presidente do Instituto Brasileiro de Sociologia Aplicada (IBSA), diretor de Operações do Serviço Social da Indústria (SESI) e membro do Conselho de Governança do Todos pela Educação.
Luis Ferreira, da ABMP, ressaltou o fato de não se poder pensar em um Brasil melhor sem pensar na educação e citou artigos da Constituição Federal, como o 1º e o 3º nos quais a Educação tem influência direta. Ele também destacou o papel dos magistrados na área da Infância e Adolescência, mas cobrou um consenso em torno do que é qualidade na educação, para que a lei possa ser aplicada. “O que é qualidade? Como integrar a justiça na busca por essa qualidade?” questionou.
A secretária Maria do Pilar Lacerda, da Secretaria de Educação Básica do MEC, afirmou que quando pensava no que é preciso para se ter justiça na Educação, partia do princípio de que vivemos numa sociedade radicalmente injusta, e que é preciso mudar essa realidade. “A discussão do Enem oculta essa injustiça. A injustiça das crianças que não dormem direito porque têm medo de rato no local em que vivem; das que não dormem porque têm fome; das que são exploradas sexualmente, abusadas, etc Essas são questões que estão ligadas ao sistema de justiça e têm impacto muito forte na não-aprendizagem”, afirmou Pilar, que ainda disse que pensar a justiça na educação é pensar que há injustiça na distribuição de renda, no salário do professor, nas condições de trabalho. “É pensar um país que naturalizou a desigualdade e a injustiça e que hipocritamente faz uma discussão como se todas as crianças e jovens tivessem as mesmas condições”.
Para finalizar, Pilar ressaltou que a qualidade da educação não se resolve apenas na escola, mas numa sociedade que torne essas desigualdades menores.
A presidente do Instituto Ayrton Senna, Viviane Senna, estava entre os debatedores, e destacou que a justiça tem um papel estratégico e pode fazer muito na garantia dos direitos e da educação. Porém, mais do que criar novas leis e trazer aperfeiçoamento, a grande contribuição do mundo da justiça é fazer valer os instrumentos legais que já existem no país, cuja execução possibilitariam fatores estratégicos para garantir a aprendizagem.
Ela citou a pesquisa Caminhos para Melhorar o Aprendizado, feita em parceira com o Todos pela Educação, que mostrou que o calendário escolar, a falta de professor, o tamanho da sala de aula, a falta do aluno, etc, são fatores que têm um enorme impacto na possibilidade da criança aprender. Garantir esses fatores da forma correta é garantir a aprendizagem.
O assessor parlamentar Ricardo Martins defendeu uma melhor definição, operacionalização do conceito de qualidade da educação. Para isso, é necessário fazer alguns questionamentos: O que queremos que nossas crianças aprendam? Quando queremos de fato que nossas crianças estejam alfabetizadas? O que elas devem ter aprendido numa determinada idade? “Padrões mínimos de qualidade devem ser definidos para que saibamos que tipo de investimento precisamos fazer. Isso supõe disponibilidade de recursos e também pensar nos mecanismos de distribuições desses recursos”, afirmou.
O professor e pesquisador da FGV, Oscar Vilhena, lembrou que nesses 20 anos houve uma enorme evolução no papel do judiciário na causa da educação. Ele ressaltou que devemos ficar de olho nos sucessos, mas também nos insucessos dessa relação Justiça e Educação e afirmou que as escolas de Direito poderiam dar uma contribuição: tentar mapear quais ações do Ministério Público e Judiciário efetivamente provocaram mudanças no sentido de qualificar a educação.
Segundo Célio Cunha, professor e pesquisador da UNB, há três grandes desafios na Educação: a gestão federativa, o desafio do financiamento (houve aumento, mas longe daquele ideal para o desenvolvimento pleno da criança e do adolescente) e o desafio do magistério (não podemos nos contentar com os baixos salários pagos aos professores). Para ele, é preciso garantir o que está na Constituição Federal em termos de qualidade e qualidade está ligada a cidadania, direitos.
Para Richard Pae Kim, da ABMP, as pessoas precisam primeiro conhecer o marco normativo da Educação brasileira, depois conhecer os indicadores da Educação e buscar a garantia dos direitos. “Temos sair do dever ser e partir para o ser. O brasileiro já aprendeu a fazer leis, agora é tirá-las do papel”, concluiu.
Para Francisco Cordão a Educação ainda não é prioridade para muitos de nós e de nossos políticos. Segundo ele, mais do que escolas sendo inauguradas, é preciso ter professores ensinando e alunos efetivamente aprendendo. “A maior prova de que não levamos a educação a sério neste país é uma taxa de analfabetismo de 9,6%. Carregamos uma enorme dívida social”, lamentou.
Por fim, André Lázaro, Professor da UERJ, destacou que nosso país ainda não incorporou os direitos humanos como agenda e a educação enquanto direito humano. Falou ainda que não é possível haver educação de qualidade com iniqüidade e lembrou do papel da juventude. “Nada disso será efetivo se não houver a participação da juventude, se a política, a justiça não estiver sendo debatida na escola”.
Coube à Diretora do Todos pela Educação, Priscila Cruz, encerrar a primeira mesa da tarde, que teve também as falas de representantes da Undime, Unesco, Unicef, PNUD, FAAP, Conselho Estadual de Educação de São Paulo, Ministério da Justiça, Universidade Católica de Brasília e Defensoria Pública de São Paulo, entre outros.
Regime de Colaboração
A segunda sessão da tarde, realizada em parceria com o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e com a União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), foi sobre Regime de Colaboração e contou com a presença da argentina Aída Aranjo, que mostrou exemplos de países federados no mundo e como organizam-se em termos de políticas educacionais e divisão de responsabilidades. De 193 países na ONU, só 28 são federados, mas concentram 40% da população mundial.
Segundo Aída, o caso do Brasil, que possui instância federal, nacional e municipal de educação, é único. Ela também ressaltou que há muita diversidade entre as regiões que integram um país federado. No Brasil, por exemplo, a diferença entre o PIB de uma região mais rica em relação a uma mais pobre chega a ser de 5,5 vezes. Na Argentina chega a ser 8 vezes maior. Já no Canadá a diferença é de menos de 2 vezes. Isso opera muito fortemente nos sistemas compensatórios. "Quanto maior a diversidade entre as regiões, mais críticos o manejo dos sistemas compensatórios", disse.
Falaram ainda nessa sessão, Priscila Cruz, do Todos pela Educação; Fernando Abruccio, da FGV e Paulo Speller, do CNE, entre outro convidados.
A segunda sessão da tarde, realizada em parceria com o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e com a União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), foi sobre Regime de Colaboração e contou com a presença da argentina Aída Aranjo, que mostrou exemplos de países federados no mundo e como organizam-se em termos de políticas educacionais e divisão de responsabilidades. De 193 países na ONU, só 28 são federados, mas concentram 40% da população mundial.
Segundo Aída, o caso do Brasil, que possui instância federal, nacional e municipal de educação, é único. Ela também ressaltou que há muita diversidade entre as regiões que integram um país federado. No Brasil, por exemplo, a diferença entre o PIB de uma região mais rica em relação a uma mais pobre chega a ser de 5,5 vezes. Na Argentina chega a ser 8 vezes maior. Já no Canadá a diferença é de menos de 2 vezes. Isso opera muito fortemente nos sistemas compensatórios. "Quanto maior a diversidade entre as regiões, mais críticos o manejo dos sistemas compensatórios", disse.
Falaram ainda nessa sessão, Priscila Cruz, do Todos pela Educação; Fernando Abruccio, da FGV e Paulo Speller, do CNE, entre outro convidados.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Los diários en la escuela!!!
Compartilhamos vídeo que fala sobre o trabalho de jornais nas escolas e que vai além de encontrar letras e palavras. Especialmente após o retorno da Democracia em países como Argentina, por exemplo.
Columna de Educación de Mirta Goldberg, sobre si queremos que los chicos tengan formación social. Emitido por Visión Siete, noticiero de la TV Pública argentina, el jueves 12 de mayo de 2011. http://www.tvpublica.com.ar
Columna de Educación de Mirta Goldberg, sobre si queremos que los chicos tengan formación social. Emitido por Visión Siete, noticiero de la TV Pública argentina, el jueves 12 de mayo de 2011. http://www.tvpublica.com.ar
Programa Prensa Escuela do jornal El Colombiano promove encontro
O Prensa Escuela do jornal El Colombiano faz parte do Prensa Escuela Andiarios e os dois são nossos parceiros.
Já estivemos em Medellín compartilhando experiências de nossos programas brasileiros com os educadores colombianos e foi o máximo!
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