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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Instituto Carlos Lindenberg, da Rede Gazeta, inicia as atividades

Promover a capacitação profissional, atividades culturais e campanhas para professores, jovens e adultos, tendo como instrumento as mídias e a informação, visando à cidadania e à inclusão social no Espírito Santo. Essa é a missão do Instituto Carlos Lindenberg (ICL), da Rede Gazeta, que iniciou suas atividades, oficialmente, no mês de agosto.


O instituto é uma instituição sem fins econômicos de caráter educacional e cultural, que pretende conciliar o desenvolvimento sociocultural, a inclusão social e a cidadania capixaba, por meio de ações, eventos, programas e projetos.


Todas as ações do ICL serão balizadas em três pilares: Educação, Cidadania e Cultura. O Instituto Carlos Lindenberg também está responsável por todas as ações de Responsabilidade Social da Rede Gazeta.


A coordenação geral é do diretor executivo José Carlos Corrêa, que fará a negociação e captação de recursos e a fidelização dos parceiros. A elaboração dos projetos está sob a batuta da gerente de projetos Cristina Barbiero Moraes. A equipe ainda conta com dois assistentes e um estagiário.

Todas as ações do Instituto foram mapeadas em um evento de Planejamento Estratégico, realizado em maio deste ano, e já começam a sair do papel. “O planejamento foi muito bem estruturado e, neste momento, o nosso trabalho é fazer com que as propostas sejam bem praticadas”, disse o diretor executivo do ICL, José Carlos Corrêa.


Um dos mais entusiasmados com a criação do ICL é Cariê Lindenberg, filho do ex-governador Carlos Lindenberg. “As pessoas que conviveram com o meu pai sabem da importância dele e de suas ações”, lembra.

Cariê disse que as memórias dessa grande personalidade não podem ficar resumidas em livros ou pequenos artigos, pois não mostram todo o conjunto de sua obra. “A ideia do instituto é, também, revigorar a figura humana e política de Carlos Lindenberg e todos os conceitos que ele preconizava”.

Frentes de trabalho do ICL já iniciadas
Educação
Com a criação do Instituto Carlos Lindenberg, o Programa A Gazeta na Sala de Aula passa a ser a ação já consolidada da instituição. Em 16 anos, já capacitou 14.965 professores de 7.052 escolas do Espírito Santo, em sua maioria públicas e municipais, que utilizam os veículos de comunicação da Rede Gazeta com o objetivo de formar cidadãos críticos. O programa acaba de receber a Comenda da Categoria Jornal e Educação do Prêmio Mundial de Jovens Leitores, da Associação Mundial de Jornais (WAN).

Cidadania
Campanhas
Entre as ações do Instituto já em andamento nessa área, está a realização de uma campanha social. A primeira será de prevenção ao uso e combate ao crack, a ser realizada junto aos veículos de comunicação da Rede.

Cultura
Acervo Carlos Lindenberg
Organização, sistematização e disponibilização em meio digital do acervo de Carlos Lindenberg, que dá nome ao Instituto. O objetivo é resgatar a história de vida (pessoal e profissional) de Carlos Lindenberg e contribuir para a preservação de sua memória. A ideia inicial é criar um espaço virtual com o acervo e propor programas de trabalho para sistematização e socialização de seu acervo histórico.


Responsabilidade Social
Doação de mídia
O Instituto apoia causas de instituições do terceiro setor, que podem pleitear doação de mídia. Há uma política definida para esse fim. Tanto o conteúdo da política quanto o formulário para candidatar-se à doação de mídia estão no endereço www.redegazeta.com.br. Os objetivos da política de doação de mídia são: mobilizar a sociedade a debater temas relevantes para a coletividade; despertar atitudes positivas na sociedade; gerar soluções concretas envolvendo a rede social através do seu poder de mobilização e articulação; promover e incorporar práticas de gestão socialmente responsável em todas as áreas da Rede Gazeta e seus parceiros.


Indicadores Ethos
Permitem à empresa se autoavaliar em relação à sustentabilidade, comparando-se com as melhores práticas na área e com o banco de dados do Instituto Ethos.


Projetos Globo
Gestão das ações realizadas nas áreas cobertas pelas emissoras da Rede Gazeta nos projetos Amigos da Escola, Esporte e Cidadania, Ação Global e Criança Esperança.

Fonte: A Gazeta

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Um mundo bom...


"Bom seria se tivéssemos um bom dia e um mundo bom onde todas as pessoas fossem felizes e não apenas algumas".


Natália Silva Ferreira, 8 anos, Guararema (SP)
"Inventário do que podia ser bem melhor e será" - Livro resultante do 6º Concurso Cultural Ler e Escrever e Preciso - Instituto Ecofuturo

Confira todos os vencedores do Prêmio Mundial Jovens Leitores da Associação Mundial de Jornais, que teve três brasileiros entre os 24 vencedores



Conheça os vencedores do Prêmio Mundial Jovens Leitores 2011 da Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias no link: http://www.wan-ifra.org/articles/2011/08/17/the-2011-world-young-reader-prizes-about-the-winners

Entre os 24 ganhadores há 3 brasileiros que fazem parte do Programa Jornal e Educação da Associação Nacional de Jornais:
  • Programa Ler e Pensar - Jornal Gazeta do Povo/PR
1º Lugar na Categoria Newspaper in Education (Jornal e Educação)
  • Programa A Gazeta na Sala de Aula - Jornal A Gazeta/ES
Commend na Categoria Newspaper in Education (Jornal e Educação)
  • Programa Vamos Ler (Jornal da Manhã/PR)
Menção Especial na categoria Mobile (Celular)

Cultura visual-instrumento de cidadania


Por Profª Ivone Boechat

Na Antiguidade, o profeta Habacuque, que viveu 600 anos antes de Cristo, previu o valor da mensagem escrita em tábuas, como ele mesmo recomendou que se fizesse, ”para que lesse aquele que correndo passasse por ali”. É, sem dúvida, a contribuição do cientista prevendo a ditadura da pressa e o poder da arte objetiva na comunicação de um outdoor.
Confúcio (551-479 a.C), sabendo que a arte explica a filosofia através de símbolos e mitos, ensina que “a educação do homem deve começar pela poesia, ser fortificada pela conduta justa e consumar-se na música”.

Ao longo dos anos, com a evolução científica, o valor das artes na educação se confirmou com tanta veemência que permite ao educador a interpretação de poesias, músicas e metáforas e inseri-las na sua rotina pedagógica para enriquecer e estimular a descoberta.

Michelangelo (1475-1564) afirmava: “Em cada bloco de mármore vejo uma estátua; vejo-a tão claramente como se estivesse na minha frente, moldada e perfeita na pose e no efeito. Tenho apenas de desbastar as paredes brutas que aprisionam a adorável aparição para revelá-la a outros olhos como os meus já a veem”. Ao terminar de esculpir sua obra Moisés, disse: “Eu apenas o libertei da pedra. Não faço esculturas; na verdade, elas sempre estiveram lá. Eu apenas retiro os excessos”.

O educador vê muito além das marcas deixadas pela herança genética, das tendências e dos traumas. Ele vai se preparando para buscar todos os recursos que possam ajudar a restaurar o homem, a burilar seu caráter, a reproduzi-lo. As artes têm um manancial de opções para aperfeiçoar o homem, ampliar sua visão e torná-lo capaz de tecer uma nova perspectiva de vida.

Kant (1724-1804) revela que “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”.
A humanidade muitas vezes é pressionada por avisos, banners, propagandas, fotos, pichações, ilustrações, slides, tatuagens, comerciais, filmes, roupas personalizadas capazes até de convencer o que é moda, o que é chique, o que é moral. O processo de coerção, antes lento, sem imagens, se escancarou aos olhos do mundo, ao vivo, em tempo real, sem autoria, anônimo. É aí que se sente a falta do educador, orientando, selecionando, criticando. É preciso ensinar a ver!  Essa postura se torna uma emergência, porque os analfabetismos se atropelam na estrada do avanço tecnológico da informação. Que se implante a cultura visual.

Como está na revista Nova Escola, “A Cultura visual – nome desse novo campo de estudo – propõe que as atividades ligadas à arte passem a ir além de pinturas e esculturas, incorporando publicidade, objetos de uso cotidiano, moda, arquitetura, videoclipes e tantas representações visuais quantas o homem é capaz de produzir. Trata-se de levar o cotidiano para a sala de aula, explorando a experiência dos estudantes e sua realidade”.

Belidson Dias diz que “Arte-educação passa por uma mudança radical em direção à educação da cultura visual ao desenvolver novas práticas, epistemologias, identidades, subjetividades, agências e entendimentos do cotidiano. Sugere que a inclusão da educação em cultura visual possa dar visibilidade e efetivamente auxiliar a compreensão das representações visuais de gêneros e sexualidades na sociedade”.

Nas depressões sociais, a arte se apresenta como válvula social para amenizar as pressões. 
Goethe (1749-1832) afirmou que “Não existe meio mais seguro para fugir do mundo do que a arte e não há forma mais segura de se unir a ele do que a arte”.

A educação está desafiada a acelerar seu ritmo na olimpíada pedagógica, chegar primeiro e, competentemente, preparar as emoções da sociedade, ajudando-a a tomar posse das conquistas, decifrar mistérios e prosseguir.

Partindo do pressuposto de que educar é provocar, a educação tem como objetivo sensibilizar o homem para despertar e mobilizar suas potencialidades. Jamais um projeto será pedagógico se ele reprimir, discriminar, bloquear a criatividade. Picasso (1881-1973) advertiu: “Toda criança é um artista, a educação deve mantê-la artista mesmo depois de crescida”.

A humanidade exige a presença de “alfabetizadores” capazes de ajudá-la a ler e a interpretar não somente o código de redes, sites, Twiter, MSN, e-mail, Facebook, blogs, Orkut, mas sobretudo tornar-se um alfabetizado social, ou seja, um letrado cultural para interpretar a cultura das épocas, e, principalmente, produzir ciência para transcender, como concluiu Nietzsche: ”Temos a arte para não morrer da verdade”.

As críticas de Nietzsche (1844-1900) ao sistema educativo de massas tal como estava a despontar no seu tempo justificavam-se porque ele via no Estado-educador e na generalização da educação estatal os principais instrumentos da vitória da moral de escravos. Para não se desviar do caminho da educação, Nietzsche adverte que “A educação pública estatal visava criar rebanhos dóceis, conformistas e ignorantes”.

Estes grandes mestres das artes plásticas deixaram estilos, pistas e marcas capazes de romper as fronteiras do tempo e do espaço: Edgar Degas (1834-1917), o fascínio pelo balé; Edouard Manet (1840-1926), o impressionismo; Renoir (1841-1919) a sensualidade; Salvador Dali (1904-1989), o surrealismo.

A educação que aponta para o ensino e a pesquisa das artes ajuda a construir uma vida significativa numa perspectiva social mais ampla e mais profunda. De conhecedor de artistas e estilos, o aluno passa a leitor, intérprete e crítico de todas as imagens presentes no seu cotidiano.

"O professor tem que despertar o olhar curioso, para o aluno desvendar, interrogar e produzir alternativas frente às representações do universo visual", afirma Fernando Hernández, professor da Faculdade de Belas Artes de Barcelona, na Espanha.

A educação deve contribuir para que o homem desta era da metainformação e da interface selecione sites, se interesse pela diversidade cultural, saiba apreciar um som e identificá-lo, compartilhe ritmos, tenha ouvidos para apreciar uma ópera, identifique o diretor do filme, se interesse pela literatura universal, reconheça a música popular brasileira de todos os tempos, sem classificá-la como velha ou atual.

Imagens em movimento (televisão, videoclipe, videogame, internet, cinema etc.) são chamadas de "efêmeras". Por isso devem ser trabalhadas de maneira especial na educação. O educador tem o dever de orientar através de diversas atividades planejadas, estimulando a seleção e a crítica.

Segundo Jean Piaget (1896-1980), "A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, descobridores. A segunda meta da educação é formar mentes que estejam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo que a elas se propõe".

Edgar Morin (1921-) diz que “O professor precisa ser muito mais do que um conselheiro, deve ser uma ponte entre a informação e o entendimento, um estimulador de curiosidade para que o aluno viaje sozinho no conhecimento obtido nos livros e nas redes de computador”.
Ivone Boechat
PhD

Referências

BUORO, Anamelia Bueno. Olhos Que Pintam - A Leitura da Imagem e o Ensino da Arte. São Paulo: Cortez.
BOECHAT, Boechat. Nós da educação. Rio de Janeiro: Reproart.
DIAS, Belidson. O I/Mundo da Educação em Cultura visual-UnB. Brasília: FAC-Cultura.
FRANZ, Teresinha Sueli. Educação para uma compreensão crítica da arte. São Paulo: Letras Contemporâneas.
HERNÁNDEZ, Fernando. Cultura visual, mudança educativa e projeto de trabalho. Porto Alegre: Artmed.
MARTINS, Mirian Celeste; PICOSQUE, Gisa; GUERRA, M. Terezinha Telles. A língua do mundo - poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo: FTD

Escolas ligadas ao programa DC na Sala de Aula, desenvolvido pelo jornal Diário Catarinense, estão entre os finalistas do Prêmio de Jornalismo Unimed SC

O Prêmio de Jornalismo Unimed SC completa 10 anos e a preocupação com as novas gerações é um dos destaques da edição de 2011 do evento. Em comemoração a uma década de história, o Prêmio criou categorias especiais, e uma delas é a “Novo Repórter”.

Destinada a estudantes do ensino médio e fundamental de escolas públicas e particulares de Santa Catarina, esta categoria reuniu 29 trabalhos de diversas regiões catarinenses, que tratam de temas como alimentação, qualidade de vida, doação de órgãos, prevenção às doenças, entre outros.

Para mostrar que a Unimed SC está em sintonia com os jovens os trabalhos serão avaliados por meio de uma ferramenta que tem tudo a ver com esse público: a internet. Essa é outra grande novidade desta edição - a interatividade. As produções inscritas, desde o início foram sendo expostas no site do evento.

Uma primeira fase definiu o vídeo mais popular (o mais votado pelos internautas). O vencedor já garantiu uma câmera fotográfica digital. Agora, um júri técnico vai definir os finalistas, representantes de cada região do estado. Mas o vencedor final quem escolhe é o público em geral. Os vídeos finalistas ficarão disponíveis no site http://www.premiodejornalismo.com.br/ a partir do dia 1º de setembro e, até às 10 horas do dia 30, todos podem votar e ajudar a escolher o “Novo Repórter”.

O vencedor leva um Netbook, e a escola na qual ele estiver matriculado ganha R$ 1.000,00 em doações de equipamentos a serem definidos em comum acordo com a Unimed SC.
Para saber mais sobre o Prêmio de Jornalismo Unimed SC, acesse o site e também acompanhe nas redes sociais.

Abaixo, as escolas ligadas ao Programa DC na Sala de Aula, que estão concorrendo na fase final do concurso

EEB Itajubá (Descanso/SC)
Aluno: Tiago Brugnerotto (1 vídeo)
2ª colocação

EEB Prof Eugênio Marcheti (Herval D'Oeste/SC)
Alunas: Izabela Christina Enderle ; Débora Motta e Andressa Massocco (3 vídeos)
4ª, 13ª e 16ª colocação

EEB Almirante Barroso (Canoinhas/SC)
Aluna: Thainá Carolina Mathias (1 vídeo)
18ª colocação

EEB Vereador Guilherme Zuege (Joinville/SC)
Aluno: Carlos Roberto Paiva Neto e Allison Piske (1 vídeo)
21ª colocação

EEB Barão de Antonina (Mafra/SC)
Aluna: ANA MARTA SCHAFASCHEK (1 vídeo)
24ª colocação

EEB Santos Dumont (Blumenau)
Aluna: Michele de Oliveira da Silva e Lara Sabrina Augsburger (2 vídeos)
25ª e 27ª colocação

EEB Prof Adelina Regis (Videira/SC)
Aluno: Leonardo Biava Borjas (1 vídeo)
26ª colocação

Cineasta e educadora defende o curta-metragem como o melhor formato para levar audiovisual aos jovens, que devem intervir criticamente nas produções

Moira Toledo diz que oficinas de audiovisual devem acontecer em circuitos estimulantes e desafiadores


Ver ruírem preconceitos e estereótipos é algo especial para a doutora em cinema Moira Toledo, e ela afirma se sentir uma privilegiada por presenciar isso constantemente nas oficinas e aulas que conduz em ambientes formais ou não formais de aprendizagem, com alunos de diferentes classes sociais. Não cabe em si de satisfação quando percebe que um aluno tímido passou a se expressar; que alguém considerado “mau aluno” tornou-se líder do grupo ou quando se depara com o garoto fortão e popular da turma chorando de emoção em uma entrevista com uma velhinha. Desde os 21 anos, quando decidiu que seria também educadora audiovisual, ela presenciou muitas dessas situações e viu algumas resultarem em transformações profundas na vida dos alunos ou na realidade de comunidades.

Apaixonada pela profissão que tem, Moira transmite a sua relação intensa com o audiovisual sempre que é estimulada a falar sobre sua experiência na área, como nesta entrevista que segue abaixo ou como pode ser visto dias atrás, no Seminário Claro Curtas, onde foi calorosamente aplaudida após sua palestra. Com a disposição de uma iniciante, ela abraça diferentes iniciativas. Como educadora, acumula projetos como o Perifa, as Oficinas Kinoforum e as Oficinas do Festival do Minuto. Sua respeitada faceta cineasta já esteve na direção de cinco curtas-metragens e seis documentários de média metragem. “Gosto de arte. Arte me inspira”, diz Moira, que defende que inspiração é algo que se desperta através de repertório, novidade, leitura e ócio.

Instituto Claro - Há algum ponto comum entre as propostas pedagógicas que desenvolve para oficinas de vídeo e de cinema para jovens alunos? Algum aspecto, técnico ou mais subjetivo, que considere essencial?

Moira Todelo - 
O principal aspecto é a participação, compreendida como um instrumento transversal. Promover a participação significa criar uma oficina como quem cria uma obra de arte moderna, uma obra/projeto educativo que tem em si um negativo, ou seja, só é plena de fato quando conta com a participação e a intervenção crítica dos alunos. Na prática, busca-se a participação a partir de todo um circuito educativo estimulante e desafiador, em que as atividades possuem objetivos práticos e também subjetivos e que tem como objetivo mais amplo promover nos alunos o desenvolvimento e o aprimoramento de competências que vão muito além do audiovisual.



Como você resumiria a dinâmica deste circuito educativo?

Moira -
 Nas primeiras aulas, os estudantes são surpreendidos por atividades especiais totalmente diferentes de uma sala de aula formal. Quebra-se qualquer expectativa, deixando claro que eles estão em um ambiente diferente. Em seguida, são estimulados a praticar, colocar a mão na massa [na câmera], experimentar e especialmente... errar. Essa é a etapa da curiosidade ingênua, como descrevia Paulo Freire. Em seguida, as experiências são analisadas, e parâmetros, mudados, um de cada vez! E pouco a pouco, aprendendo a mexer na câmera, experimenta-se também o método científico. As aulas que se seguem são voltadas a diversificação e qualificação do repertório cultural-cinematográfico dos alunos. A próxima etapa é o desenvolvimento dos roteiros, momento fundamental de autoria, em que se semeiam as bases para o processo de amadurecimento dos alunos em aspectos intrapessoais, relativos à relação com a própria imagem, autoconfiança e autoestima.

E o quanto este momento influencia a produção coletiva que vem depois?

Moira Toledo -
 Esse momento de amadurecimento ajuda os alunos a confiarem mais em si mesmos e a se tornarem mais seguros. Nesse processo, ocorre também uma das principais conquistas das oficinas: o desenvolvimento de aspectos interpessoais - a capacidade de dialogar, de criticar uns os trabalhos dos outros, permitindo que eles entendam na prática que a crítica é um processo dialético que não coloca em xeque o que eles são, mas apenas uma ideia que eles produziram. Costumo dizer aos alunos que ao longo da oficina eles vão aprender um pouco sobre si mesmos e muito sobre como se relacionar uns com os outros. E eles costumam concordar comigo no final da oficina.

E do processo que vem em seguida, a gravação, o que você destaca?

Moira Toledo - 
O processo de gravação é o momento da emancipação estética, em que os alunos integram todas as referências, ideias originais, diálogos criativos e imprimem isso esteticamente no vídeo. É o grande momento, na cabeça dos alunos, que ainda não imaginam o que será a exibição final... É quando toda a percepção sobre o método científico é colocada em prática, e os alunos experimentam de maneira rigorosa, já com escolhas claras e muitas decisões tomadas. O processo de edição é o momento de plenitude estética, que alça os alunos a um novo patamar de percepção, despertando ou aprofundando novas camadas de raciocínio abstrato, com a construção de um discurso audiovisual através da multiplicação de sentidos, como propunha Eisenstein [Serguei Eisenstein]. Conceitos que começam a ser facilmente absorvido por alunos de quaisquer idades. Depois do filme pronto, há ainda um longo processo de avaliação feito por alunos e educadores. 

Confira vídeo em que a cineasta fala a educadores sobre a "nova sala de aula"






Existe um gênero que você prefira trabalhar em oficinas com jovens? Alguma narrativa que considere mais efetiva no primeiro contato quando a intenção é fazê-los entender a produção audiovisual?

Moira Toledo -
 Sem dúvida, o formato é o curta-metragem. Em geral entre 3 e 10 minutos de duração. Mesmo em processos longos como a universidade, é quase impossível trabalhar com um longa-metragem, por uma questão logística mesmo. E, em oficinas, o formato curto é absolutamente perfeito. Uma tendência recente é a dos vídeos curtíssimos, como do Festival Claro Curtas e do Projeto Laboratório, e também o vídeo de minuto, como o Festival do Minuto, que tem tudo a ver com as novas tecnologias e são formatos legais e mais viáveis, pois ficam interessantes se feitos com celular ou câmera fotográfica.



Fonte: Instituto Claro 01/09/2011

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Pré-escola de qualidade tem impacto positivo no aprendizado no Ensino Fundamental




Carolina Vilaverde
Da Redação do Todos Pela Educação



O ensino pré-escolar, oferecido às crianças de 4 a 6 anos, tem impacto positivo no aprendizado no Ensino Fundamental, afirma o consultor da Fundação Cesgranrio e membro da Comissão Técnica do Todos Pela Educação, Ruben Klein. “A Educação Infantil pode ter uma influência muito grande. Se tivermos uma boa Pré-escola, podemos desenvolver muita coisa. Por isso, precisamos pensar nesse grande esforço de estimular as crianças para que elas entrem na Pré-escola e cheguem ao Fundamental com um nível adequado. Quanto melhor for a Pré-escola, mais preparado o aluno entra no 1º ano para ser alfabetizado”, disse na última semana, durante a divulgação dos resultados da Prova ABC (Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização).


“Como a Educação é um processo acumulativo, a etapa seguinte depende da anterior. Se conseguirmos dar um foco maior à Educação Infantil, teremos, por consequência, um resultado muito melhor lá na frente”, concordou Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos Pela Educação. “O direito à Educação é o mesmo para todas as crianças do País. Garantir o direito de aprender logo nos anos iniciais é uma plataforma importante para  assegurar este direito em  todas as séries seguintes”, complementa.
Para isso, é fundamental que a Pré-escola tenha qualidade e não seja “apenas um local para deixar as crianças”, diz Klein. “Se a família não tem condições de dar os estímulos necessários, a escola teria que, de alguma maneira, fazer um pouco desse papel”.

Desigualdade educacional
A Prova ABC é uma avaliação inédita desenvolvida pelo Todos Pela Educação e por parceiros, e foi aplicada em 250 escolas das capitais do País no início deste ano. Os resultados mostram que 56,1% dos estudantes aprenderam o que era esperado em leitura, e 42,8% em matemática.



A avaliação apresentou também grande variação nos resultados entre as regiões do País e entre as redes de ensino pública e privada. Em matemática, por exemplo, entre o melhor e o pior desempenho das regiões há uma diferença de 33 pontos - a região Sul tem a melhor média, com 185,6 pontos, e a média mais baixa fica com a região Norte, com 152,6 pontos.


Para Priscila, é preciso pensar na Pré-escola como uma forma de diminuir a desigualdade educacional, já que umaboa Educação Infantil nivela as diferenças logo de partida.  “Uma das funções da Educação é ser uma política compensatória e fazer com que todos tenham oportunidades. Nós precisamos enfrentar o desafio de diminuir as desigualdades educacionais, que já começam nos anos inicias do Fundamental. Se não conseguirmos corrigir essas distorções no início, dificilmente vamos conseguir mais pra frente“, opina.


Fonte: Todos pela Educação