Veja como a professora Michele Martini, do 2º ano da EMEB Frade, que fica em Vargem Alta/ES, criou uma atividade com os alunos a partir do jornal A Gazeta/ES. Michele, que faz parte do projeto A Gazeta na Sala de Aula, trabalhou a produção de classificados com a garotada.
Você também pode usar o jornal de sua cidade e fazer atividades em sua escola. Depois, é só mandar que a gente publica aqui no blog. Mas lembre-se: antes de realizar qualquer trabalho com os alunos, é importante ter bem claro os seus objetivos.
Objetivos:
• Explorar o jornal A GAZETA e suas características.
• Perceber a importância de preservar o meio ambiente.
• Observar e fazer uso das características estruturais e lingüísticas próprias de um classificado.
• Utilizar o jornal como instrumento de ensino-aprendizagem na sala de aula.
Desenvolvimento:
• Distribuição do jornal A GAZETA para apreciação.
• Utilização do jornal como apoio pedagógico, com foco nos classificados.
• Apresentação do livro “Aves do Sertão” de Istvan major e Arlene Holanda.
• Estímulo à reflexão dos alunos sobre preservação.
• Discussão sobre por que vale a pena preservar.
• Sensibilização sobre o tema trabalhando por meio de roda de conversa.
• Produção de classificados sobre animais ameaçados de extinção.
Comentário:
“A turma se mostrou dinâmica e interessada. As atividades desenvolvidas valorizaram a realidade dos alunos e despertou o interesse pela preservação”.
Professora: Michele Martini de Backer Fachim
Escola: EMEB Frade
Série: 2º ano
Município: Vargem Alta/ES
segunda-feira, 11 de julho de 2011
A evolução da cultura digital na Educação
Compartilhamos infográfico do Instituto Claro sobre a evolução da cultura digital na Educação!
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Empresa ensina até português a pessoal
Petrobras, Sinduscon e empreiteiras organizam cursos de português e matemática para qualificar mão de obra; na construção civil, cerca de 40% dos trabalhadores formais não terminaram o Fundamental.
O país enfrenta um grande obstáculo na corrida para evitar um apagão de mão de obra: a falta de formação básica, que atrapalha a qualificação dos trabalhadores. Três setores com o problema tiveram de agir para enfrentá-lo.
O Prominp (Programa de Mobilização da Indústria Nacional do Petróleo), criado para ajudar na formação de mão de obra para o setor, começou a recorrer a cursos de reforço Escolar para os candidatos. Em anos anteriores houve dificuldade no preenchimento das vagas devido a falhas na Educação básica dos candidatos.
O assessor de petróleo e gás da diretoria de relações com o mercado da Firjan (federação das indústrias do Rio), Ziney Dias Marques, relata que muitos dos alunos inscritos nos cursos de formação da área não conseguem acompanhar as aulas.
"O maior problema é a formação básica. Boa parte dos alunos deixa a desejar em português e matemática." O setor de telemarketing e de relacionamento ao cliente pediu ajuda ao governo para enfrentar o problema. Os empresários sugerem desoneração da folha para que possam intensificar cursos de Educação básica.
Em uma sondagem da CNI (Confederação Nacional da Indústria) com construtoras, a baixaEscolaridade foi apontada como a segunda barreira para a capacitação, atrás da rotatividade de emprego.
As construtoras Andrade Gutierrez e Even contrataram uma consultoria pedagógica para oferecer formação básica aos funcionários. "A gente não conseguia fazer com que eles completassem a qualificação", diz Camila Del Guercio, gerente da Andrade Gutierrez, que ofereceu os cursos na obra do Rodoanel.
Cerca de 40% dos trabalhadores formais do setor -quase 1 milhão de operários- não completaram o ensino fundamental, segundo levantamento da Cbic (Câmera Brasileira da Indústria da Construção Civil).
O presidente do Sinduscon-SP (sindicato patronal da construção), Sérgio Watanabe, vê dificuldades também em funcionários com fundamental completo. "Identificam as palavras, mas há problemas de entendimento.
"O sindicato encomendou uma didática de reforço em português e matemática ao Sesi (Serviço Social da Indústria) para que os empresários pudessem oferecer aos trabalhadores nos canteiros.Integrante de uma turma, Floresvaldo Silva, 43, espera não precisar mais pedir ajuda a colegas para cálculos e leitura de instruções nas obras. "A gente que não saber ler é como se fosse cego".
Fonte: Folha de São Paulo/ Cirilo Júnior (Do Rio), Gabriel Baldocchi (colaboração para a Folha) 08/07/2011
O país enfrenta um grande obstáculo na corrida para evitar um apagão de mão de obra: a falta de formação básica, que atrapalha a qualificação dos trabalhadores. Três setores com o problema tiveram de agir para enfrentá-lo.
O Prominp (Programa de Mobilização da Indústria Nacional do Petróleo), criado para ajudar na formação de mão de obra para o setor, começou a recorrer a cursos de reforço Escolar para os candidatos. Em anos anteriores houve dificuldade no preenchimento das vagas devido a falhas na Educação básica dos candidatos.
O assessor de petróleo e gás da diretoria de relações com o mercado da Firjan (federação das indústrias do Rio), Ziney Dias Marques, relata que muitos dos alunos inscritos nos cursos de formação da área não conseguem acompanhar as aulas.
"O maior problema é a formação básica. Boa parte dos alunos deixa a desejar em português e matemática." O setor de telemarketing e de relacionamento ao cliente pediu ajuda ao governo para enfrentar o problema. Os empresários sugerem desoneração da folha para que possam intensificar cursos de Educação básica.
Em uma sondagem da CNI (Confederação Nacional da Indústria) com construtoras, a baixaEscolaridade foi apontada como a segunda barreira para a capacitação, atrás da rotatividade de emprego.
As construtoras Andrade Gutierrez e Even contrataram uma consultoria pedagógica para oferecer formação básica aos funcionários. "A gente não conseguia fazer com que eles completassem a qualificação", diz Camila Del Guercio, gerente da Andrade Gutierrez, que ofereceu os cursos na obra do Rodoanel.
Cerca de 40% dos trabalhadores formais do setor -quase 1 milhão de operários- não completaram o ensino fundamental, segundo levantamento da Cbic (Câmera Brasileira da Indústria da Construção Civil).
O presidente do Sinduscon-SP (sindicato patronal da construção), Sérgio Watanabe, vê dificuldades também em funcionários com fundamental completo. "Identificam as palavras, mas há problemas de entendimento.
"O sindicato encomendou uma didática de reforço em português e matemática ao Sesi (Serviço Social da Indústria) para que os empresários pudessem oferecer aos trabalhadores nos canteiros.Integrante de uma turma, Floresvaldo Silva, 43, espera não precisar mais pedir ajuda a colegas para cálculos e leitura de instruções nas obras. "A gente que não saber ler é como se fosse cego".
Fonte: Folha de São Paulo/ Cirilo Júnior (Do Rio), Gabriel Baldocchi (colaboração para a Folha) 08/07/2011
Conselho Nacional de Educação define que creches devem fechar nas férias
Parecer vai contra decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que ordenou, em março, que a Prefeitura mantivesse creches e pré-escolas abertas durante o recesso para ajudar os pais que trabalham
O Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou ontem um parecer que orienta creches de todo o País a não oferecer atendimento durante as férias.
O órgão, ligado ao Ministério da Educação (MEC), refutou a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que, em março, determinou que a Prefeitura mantivesse creches e pré-escolas abertas durante esse período. O parecer segue para homologação do ministro Fernando Haddad.
A discussão, que reuniu entidades nacionais, estaduais e municipais, foi suscitada por uma consulta da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo ao CNE, após a decisão da Justiça. De acordo com o parecer, que foi aprovado por unanimidade, as creches não devem ser vistas como unidades assistencialistas, mas sim educativas.
"A criança tem direito a uma convivência intensiva e extensiva com a sua família", afirma Cesar Callegari, membro do CNE e relator do parecer. "As crianças com necessidade de maior atenção devem ser atendidas, sim, mas pela assistência social e não pela Educação.
"Segundo ele, a Secretaria de Educação Básica do MEC emitiu uma nota técnica que apoia o parecer. Após a homologação, o documento será enviado aos conselhos e secretarias de Educação e órgãos de Justiça de todo o País.
Para a Defensoria Pública do Estado, mesmo com o parecer, a oferta de creche continua sendo um serviço público essencial e, portanto, não deve ter recessos. "É uma decisão (do CNE) de caráter administrativo, que não foi elaborada pelo Legislativo", argumenta o defensor Bruno Napolitano, um dos autores da decisão que suspendeu as férias.
A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo se diz satisfeita com a decisão do órgão. "A aprovação por unanimidade mostra que o CNE vai na mesma direção que São Paulo na concepção de Educação infantil, que deve ter caráter educativo", diz o secretário Alexandre Schneider. "A assistência social deve ser prestada, mas não por intermédio da Educação infantil.
"A União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação tem a mesma posição. "As redes precisam de manutenção e os funcionários, de descanso", afirma a presidente Cleuza Repulho.
Rotina
Educadores também apoiam a decisão do conselho. "Sem férias, somos obrigados a fazer escalas de funcionários, o que pode deixar o serviço precário", afirma Vivian Conte, diretora de creche. "Além disso, a criança tem direito ao descanso.
"Eles ressaltam que abrir nas férias é um retrocesso. "Foi uma luta de muitos anos para que a creche fosse vista como Educação", diz Sílvia de Carvalho, coordenadora executiva do Instituto Avisa Lá, organização educativa sem fins lucrativos.
Mas há quem discorde. Silvia Colello, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), pensa que é um erro ignorar a função social da escola. "Muitas mães ficam desamparadas sem esse serviço", diz.
Para a maioria dos pais, fechar as creches nas férias prejudica a rotina. "Ele tira férias, mas eu não", conta Tania da Silva, de 38 anos, mãe de Everton, de 4, que está na pré-escola.
Vanessa de Sousa, de 18 anos, mãe de Lidiane Vitoria, de 3, concorda. "Quando ela está na creche, eu posso resolver minhas coisas, cuidar dos meus compromissos e ajudar a minha mãe, que olha as crianças de alguns vizinhos e parentes."
Demanda
- 190.691 crianças estão matriculadas em creches municipais em São Paulo
- 186.162 frequentam a pré-escola no município de São Paulo
- 127.651 crianças estão na fila por uma vagas nas creches públicas paulistanas
- 411 crianças foi a frequência diária máxima que a secretaria de São Paulo registrou em janeiro deste ano - número que, segundo a pasta, não enche três creches.
Fonte: O Estado de São Paulo (SP) 08/07/2011
O Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou ontem um parecer que orienta creches de todo o País a não oferecer atendimento durante as férias.
O órgão, ligado ao Ministério da Educação (MEC), refutou a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que, em março, determinou que a Prefeitura mantivesse creches e pré-escolas abertas durante esse período. O parecer segue para homologação do ministro Fernando Haddad.
A discussão, que reuniu entidades nacionais, estaduais e municipais, foi suscitada por uma consulta da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo ao CNE, após a decisão da Justiça. De acordo com o parecer, que foi aprovado por unanimidade, as creches não devem ser vistas como unidades assistencialistas, mas sim educativas.
"A criança tem direito a uma convivência intensiva e extensiva com a sua família", afirma Cesar Callegari, membro do CNE e relator do parecer. "As crianças com necessidade de maior atenção devem ser atendidas, sim, mas pela assistência social e não pela Educação.
"Segundo ele, a Secretaria de Educação Básica do MEC emitiu uma nota técnica que apoia o parecer. Após a homologação, o documento será enviado aos conselhos e secretarias de Educação e órgãos de Justiça de todo o País.
Para a Defensoria Pública do Estado, mesmo com o parecer, a oferta de creche continua sendo um serviço público essencial e, portanto, não deve ter recessos. "É uma decisão (do CNE) de caráter administrativo, que não foi elaborada pelo Legislativo", argumenta o defensor Bruno Napolitano, um dos autores da decisão que suspendeu as férias.
A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo se diz satisfeita com a decisão do órgão. "A aprovação por unanimidade mostra que o CNE vai na mesma direção que São Paulo na concepção de Educação infantil, que deve ter caráter educativo", diz o secretário Alexandre Schneider. "A assistência social deve ser prestada, mas não por intermédio da Educação infantil.
"A União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação tem a mesma posição. "As redes precisam de manutenção e os funcionários, de descanso", afirma a presidente Cleuza Repulho.
Rotina
Educadores também apoiam a decisão do conselho. "Sem férias, somos obrigados a fazer escalas de funcionários, o que pode deixar o serviço precário", afirma Vivian Conte, diretora de creche. "Além disso, a criança tem direito ao descanso.
"Eles ressaltam que abrir nas férias é um retrocesso. "Foi uma luta de muitos anos para que a creche fosse vista como Educação", diz Sílvia de Carvalho, coordenadora executiva do Instituto Avisa Lá, organização educativa sem fins lucrativos.
Mas há quem discorde. Silvia Colello, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), pensa que é um erro ignorar a função social da escola. "Muitas mães ficam desamparadas sem esse serviço", diz.
Para a maioria dos pais, fechar as creches nas férias prejudica a rotina. "Ele tira férias, mas eu não", conta Tania da Silva, de 38 anos, mãe de Everton, de 4, que está na pré-escola.
Vanessa de Sousa, de 18 anos, mãe de Lidiane Vitoria, de 3, concorda. "Quando ela está na creche, eu posso resolver minhas coisas, cuidar dos meus compromissos e ajudar a minha mãe, que olha as crianças de alguns vizinhos e parentes."
Demanda
- 190.691 crianças estão matriculadas em creches municipais em São Paulo
- 186.162 frequentam a pré-escola no município de São Paulo
- 127.651 crianças estão na fila por uma vagas nas creches públicas paulistanas
- 411 crianças foi a frequência diária máxima que a secretaria de São Paulo registrou em janeiro deste ano - número que, segundo a pasta, não enche três creches.
Fonte: O Estado de São Paulo (SP) 08/07/2011
Concurso Cultural “Ler e Escrever é Preciso com inscrições abertas até 15 de Julho
As inscrições para a 7ª edição do Concurso Cultural “Ler e Escrever é Preciso”, do Instituto Ecofuturo, estão abertas até o dia 15 de julho. Podem participar alunos do Ensino Fundamental I, II e Médio; estudantes das Escolas de Jovens e Adultos (EJA); professores; profissionais de biblioteca e educadores sociais.
O tema do concurso é “Vamos Cuidar da Vida”, e o objetivo é desenvolver o pensamento e o diálogo, a fim de conhecer o que crianças, jovens e adultos pensam sobre cuidar da vida, partindo do pressuposto de que o indivíduo também é responsável pelo que acontece ao seu redor.
Informações: www.ecofuturo.org.br/concursocultural
Novas tecnologias exigem novos conteúdos
Compartilhamos entrevista publicada na Revista Veja em agosto de 2010 e que continua despertando reflexões. Para Ana Teresa Ralston, da Abril Educação, desafio do mercado editorial é criar livro didático 100% multimídia. Boa leitura!
O mercado editorial e as empresas de sistemas de ensino começam a se preparar para uma nova realidade: a do livro didático digital. Com dispositivos como laptops, e-books e iPads, um novo cenário se apresenta para a educação. E também novos desafios. “Novas tecnologias requerem novos conteúdos”, diz Ana Teresa Ralston, diretora da tecnologia de educação e formação de professores da Abril Educação - grupo que reúne editoras e sistemas de ensino e é controlado pela família Civita, que também é dona da editora Abril, que publica VEJA. Convidada a falar sobre o tema em um painel especial da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que se encerra neste domingo, a especialista, diz que ainda é preciso investir tempo e recursos para criar um livro didático 100% digital e multimídia. Confirma a seguir os principais trechos da entrevista.
O futuro do livro é incerto, mas o processo de digitalização já começou, com os e-books, iPads e outros dispositivos. Em relação às obras didáticas, o que é possível constatar?
É possível dizer que temos uma revolução escondida. Uma revolução que já começou, mas que escapa à nossa observação porque acontece no processo de produção do livro didático. Ao produzi-lo, já utilizamos todos os artefatos tecnológicos disponíveis. Porém, o que se analisa agora é quando isso estará presente na versão final do livro, ou seja, quando ele será completamente multimídia e virtual. Muitos estudiosos apontam que a educação levará mais tempo do que outras áreas para incorporar todas essas inovações.
Qual a razão dessa demora?
No meio educacional, as tecnologias demoraram mais a serem incorporadas, em virtude das mudanças que elas imprimem nos padrões, na formação dos educadores, na produção do material de apoio e na infraestrutura das escolas. Novas tecnologias requerem novos conteúdos, e, para isso, é preciso profissionais capacitados, preparados para produzir esse novos conteúdos. Além disso, o professor que irá usar essas ferramentas também precisa ser formado para a essa tarefa.
Então, o que ocorre nesse processo não é a simples digitalização do conteúdo impresso, mas, sim, a criação de novos conteúdos. É importante lembrar que, quando falamos desse processo, abordamos três elementos distintos: o livro didático impresso, o livro didático impresso digitalizado - e isso já fazemos - e o livro 100% virtual. Nesse último, o que ocorre não é a simples transferência do impresso para o digital. É uma outra comunicação, que acontece em outra mídias. E acho que esse é o grande desafio: a maneira como organizamos os conteúdos na mídia impressa é diferente da maneira como o fazemos na mídia digital.
Então, o que ocorre nesse processo não é a simples digitalização do conteúdo impresso, mas, sim, a criação de novos conteúdos. É importante lembrar que, quando falamos desse processo, abordamos três elementos distintos: o livro didático impresso, o livro didático impresso digitalizado - e isso já fazemos - e o livro 100% virtual. Nesse último, o que ocorre não é a simples transferência do impresso para o digital. É uma outra comunicação, que acontece em outra mídias. E acho que esse é o grande desafio: a maneira como organizamos os conteúdos na mídia impressa é diferente da maneira como o fazemos na mídia digital.
Esse novo tipo de conteúdo, mais familiar aos alunos que já utilizam as tecnologias fora da sala de aula, pode alimentar o interesse dos estudantes pelo que se ensina nas escolas?
Quando trabalhamos com soluções digitais, procuramos entrar em sintonia com a linguagem do aluno. Mas essas soluções precisam ser utilizadas com orientação pedagógica para que sejam significativas. Caso contrário, viram só distração.
Como evitar que o livro didático digital seja uma armadilha?
Eu costumo dizer que o meio digital evidencia uma aula mal dada. Às vezes, temos uma aula que não foi a ideal, mas não há registros dela. Já com a tecnologia digital tudo fica registrado. Então, é preciso usá-la para enfatizar boas práticas, para ilustrar situações que não seriam possíveis de outra forma. A tecnologia é um recurso poderoso, viável e possível e não deve ser usado como enfeite. Para isso, é importante pensar quais recursos são relevantes para esse novo ambiente. Caso contrário, retira-se essa relação afetiva que temos com o papel e com a leitura sem adicionar nenhum ganho.
Quais podem ser os ganhos da adoção da tecnologia na educação?
São as possibilidades de interação, de animação, de ilustração, de relacionar os conteúdos e fazer pesquisas. Em disciplinas como química, física e biologia, por exemplo, é possível simular situações. O professor pode ainda trabalhar infográficos de tempos históricos e evoluções geológicas. Pode trabalhar com pesquisas imediatas dos assuntos que estão sendo trabalhados naquele momento. É possível estimular o aluno para a possibilidade de troca, de colaboração, de construção do conteúdo em conjunto. Esse tipo de habilidade e competência é uma demanda do mercado de trabalho. E se o aluno começar a vivenciar isso no mundo da escola, ele vai poder ter essa habilidade como algo natural no mundo do trabalho.
Quais as dificuldades envolvidas na criação de um livro didático multimídia?
Precisamos conceber um produto diferente, não apenas digitalizar o que já existe. Além disso, precisamos viabilizar o acesso a todas as escolas brasileiras, nos mais remotos lugares. Aí, temos o desafio da entrega – e também da produção. Hoje, apenas começamos a trabalhar com alguns componentes agregados, ou seja, a pensar conteúdos de forma integrada.
As empresas de sistemas de ensino já estão se preparando para essa nova realidade?
Já. A digitalização de livros e apostilas já existe. O que começamos a fazer agora é desenvolver o material integrado: o meio impresso e o meio digital. O esforço é na produção de conteúdos virtuais, cada vez mais relevantes, integrados e efetivos. Ainda não pensamos em um produto 100% digital porque pensamos antes no material impresso, e depois partimos para o virtual.
Acredito que pensar a totalidade do produto no ambiente virtual seja o nosso próximo passo.
Alguns especialistas pregam o fim do livro tal como nós o conhecemos, enquanto outros defendem que, apesar dos avanços tecnológicos, ele jamais deixará de existir.
Alguns especialistas pregam o fim do livro tal como nós o conhecemos, enquanto outros defendem que, apesar dos avanços tecnológicos, ele jamais deixará de existir.
Quais são suas previsões?
Acho que ainda é cedo para previsões. Contudo, é hora de pensar nas evoluções da integração das mídias e se preparar para elas. Particularmente, não acredito que teremos uma mídia só. Aposto em uma segmentação. Nós pensaremos sobre qual a melhor forma de transmitir cada conteúdo. Ainda temos gerações que possuem uma relação muito próxima com o livro e alguns conteúdos seguirão sendo consumidos na mídia impressa. O que talvez tenha mudado é que hoje avaliamos o conteúdo antes de consumi-lo. Então, baixamos um livro no Kindle, por exemplo, e, se gostamos da leitura, compramos a versão impressa.
Fonte: Revista Veja/ Nathalia Goulart 08/2010 (http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/novas-tecnologias-exigem-novos-conteudos)
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