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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Acumular informações ou fazer a síntese dos conhecimentos?

Compartilhamos entrevista com a educadora Madalena Freire sobre avaliação, publicada no Cmais Educação!

Muitas escolas e educadores em algum momento enfrentam o dilema: o que e como deve ser uma avaliação? Para contribuir com o debate sobre esse tema, o Cmais Educação conversou com a educadora Madalena Freire.

A pedagoga é uma das fundadoras da Escola da Vila, do centro de formação Espaço Pedagógico e autora de diversas publicações sobre educação, dentre as quais estão os estudos "Sala de Aula - Que Espaço é Esse?" (Papirus, 1986) e "A Paixão de Conhecer o Mundo" (Paz e Terra, 1982). Madalena Freire acredita que a avaliação não só é parte fundamental do processo de aprendizagem, como também é um instrumento que deve servir à tomada de consciência e ao empoderamento dos educandos.

A seguir, confira a entrevista.

Cmais Educação - O que é avaliação? Quais os tipos de avaliação? E qual você entende ser o melhor modo de lidar com a avaliação escolar?

Madalena Freire - O educador, qualquer que seja a função que exerça, sempre tem o dever de trazer o conhecimento. Portanto esse educador ensina o tempo inteiro e o faz seja qual for o espaço: no recreio, no almoço, na sala de aula. Se a gente concebe esse educador dentro desse parâmetro, para ensinar ele sempre deve contar com o planejamento, o desenvolvimento das atividades e propostas planejadas, para que o conhecimento seja operacionalizado, e com a avaliação. Ele não pode viver sem a avaliação, como também não pode viver sem o planejamento. Nada disso está desconectado. Ele avalia porque planejou antes, e essa avaliação no final remete-se mais uma vez ao que foi planejado. Portanto a avaliação é peça fundamental do ensinar e é inerente às propostas de atividades na para a transmissão de um conteúdo.

O grande dilema é: se não existe educador sem avaliação e sem planejamento então em que momentos e que tipos de avaliação ele deve fazer? Na minha concepção, que busca uma interação com o conhecimento – mas tendo o educando como sujeito desse conhecimento, em que ele não é uma mero reprodutor – essa avaliação é cotidiana, porque o ensinar é cotidiano, é processual, acontece aula a aula. Numa concepção que tem o aluno como autor da sua aprendizagem, ele tem que tomar consciência do que está aprendendo o tempo inteiro. A ferramenta para essa tomada de consciência é a avaliação, que está a favor dele, não contra, como se vive numa concepção autoritária, em que a avaliação é para penalizar o aluno que não aprendeu. Uma avaliação que entende o sujeito como autor do conhecimento trabalha para que ele volte e retome os passos que por ventura não tenha feito durante o processo de aprendizagem.

Todo o fim de aula tem de ter uma avaliação em relação aos conteúdos da aula, que meça qual foi o entendimento desse conteúdo. Os alunos têm de exercitar essa avaliação juntamente com o professor que também faz sua avaliação. E que faça por escrito e que socialize com o grupo todo. Outra coisa que a avaliação deve suscitar ao aluno é a ponderação de como foi o seu posicionamento diante do novo, diante desse desafio de aprender: "Eu resisti? Eu me fechei? Eu busquei? Enfrentei? Ousei? Concentrei-me?" Ou seja, fazer pensar qual foi o seu posicionamento em relação ao processo de aprendizagem. Isso porque ninguém aprende por ninguém. É função do educador forçar essa abertura para o aprendizado.

Mas isso não basta. A avaliação, para ser processual e para ser gestada nesse cotidiano, tem de ter uma sistematização quinzenal ou mensal ou bimestral, ou em todos esses tempos, pois o professor lida sempre com a síntese.

C+ - A avaliação então deve cobrar a síntese e não o acúmulo...

MF - Sim. A síntese do entendimento. Ter o entendimento de que está aprendendo porque está decorando, porque tem um acúmulo de informação é equivocado. Isso não é aprendizagem. É o que diz Edgar Morin quando questiona: "de que vale uma cabeça bem cheia?" O que vale é uma cabeça que pensa, que consegue determinar o que vai buscar e continuará buscando em seu processo de aprendizagem. O que é verdadeiramente transformador é saber o que muda em mim a partir do conhecimento de determinada informação. Como me transformo a partir desse conhecimento apreendido?

A avaliação deve estar sempre diagnosticando o que falta. Faz também o educador pensar, pois ele está trabalhando a favor do aluno, não a seu favor.

Cmais - Essa "concepção autoritária" de avaliação

da qual você fala é muitas vezes a que encontramos na escola tradicional atualmente, não?


MF - Em muitas realidades isso já começa a mudar visivelmente. A discussão entre os educadores sobre avaliação está em pauta. Isso está mudando, mas não é "pra segunda-feira" [risos]. É uma visão que começa a ser gestada e germinada, mas que se efetivará apenas no decorrer da vida escolar. Os educadores precisam de lucidez e entender que ninguém faz milagre, que não é porque você leu num livro e vai adotar [aquilo que leu] na sala de aula que a mudança vai acontecer. A mudança é uma opção também individual. Não é decretada. Tem de ser discutida, tem que ser pensada pelo corpo dos educadores, pelo grupo. Quando essa mudança não é exercitada no dia a dia torna-se algo oco.

C+ - É possível pensar uma avaliação que seja desenvolvida e aplicada não só pelo corpo docente, mas também pelos estudantes?

MF - Sem dúvida. O corpo da escola tem vários atores. Ele tem o professor, o diretor, o coordenador, os alunos, os auxiliares, o corpo administrativo e as famílias. Todos esses atores necessitam praticar e viver o processo avaliativo. Do ponto de vista do professor, ele tem de avaliar-se cotidianamente sobre como foi a comunicação dos conteúdos, tentando perceber o que entrou em sintonia com os alunos. Porque só aprendemos o que tem significado pra gente. Se uma informação nova chega e ela não nos toca, porque não estabelece nenhuma relação com o que fazemos, ela não tem sentido, não acontece nada.

Outro foco é: como o grupo trabalhou com o professor neste ensinar? Os alunos participaram, ou não? Trabalharam em grupo? O professor deixou alguém se destacar mais que os outros? Como reagiu a tudo isso? São aspectos que fazem parte da autoavaliação do professor.

Mas alunos também têm seus pontos de avaliação em relação ao professor: ele ofereceu espaço e liberdade para eu me posicionar? Ele sabe meu nome? São às vezes coisas banais. Numa escola autoritária, tradicional, a pessoa de cada um se dilui na massa. Os alunos são agrupados segundo estereótipos, são fracos, médios ou fortes. Eles têm números! São identificados por um número de chamada. Nessa concepção, esse sujeito autor não está no foco. Ele é coisa, ele é número.

Numa visão democrática, toda a aula é avaliada pelos alunos e pelo professor, toda a rede que constitui a escola está aberta para o diálogo. No fundo o grande dilema de uma educação democrática é a construção desse espaço de diálogo.

C+ - Dentro desse entendimento democrático de avaliação, existem métodos menos ou mais apropriados para avaliar?

MF - Aí temos que fazer uma diferenciação que é a seguinte: toda a concepção de educação lida com uma pedagogia, que é a ciência do como fazer. Toda a pedagogia tem que ter um método de trabalho, entendido como uma sistematização de encaminhamentos, propostas, modos de ensinar. O método é a maneira como eu organizo o ensinar. Não é somente uma questão de optar porMontessori ou Freinet. Esses pensadores têm seu método, mas qualquer um de nós tem método. É por aí que quebramos a prática de reprodução. Método, aqui, não é apenas a cristalização da prática de um outro que visto como máscara e reproduzo, mas sim a sistematização de espaços de ensino.

Todo o método lida com instrumentos. Numa concepção democrática, que entende todo o sujeito como autor da própria consciência e da história, preza-se pela metodologia do pensar. Para ser dono da própria consciência, para transformar a realidade esse sujeito precisa parar para pensar. É preciso fazer o registro reflexivo. Parar para pensar é a coisa mais difícil de fazer atualmente, pois vivemos uma invasão absoluta de informação, um mundo repleto de perda de sentido, alienação, falta de privacidade e ao mesmo tempo de intimidade nas relações.

Essa metodologia do pensar é marca humana. Gente não é bicho, gente pensa. Bicho grunhe e reproduz pegadas. Gente tem a consciência. E porque pensa, já está em outro patamar. A reflexão obriga a lapidar o pensar e essa lapidação se dá via registro, mais especificamente, via escrita. Um instrumento importante dessa metodologia, focando na avaliação, é o registro reflexivo. Essa modalidade nos obriga a pensar sobre os conteúdos transmitidos durante a aula, sobre a interação com os alunos, a reação do grupo, medir se demos conta de toda a informação prevista.

Já na perspectiva do aluno esse registro deve fazer com que ele reflita se entendeu os conteúdos, se não entendeu tal coisa porque faltou estudar isso ou aquilo etc. Tanto professor quanto aluno têm de sistematizar tempos durante os quais a reflexão é lapidada. Outro instrumento valioso é a observação. Aprender a observar é aprender a desvelar sentidos e significados.

C+ - Parte importante desse instrumental então é resguardar o espaço do registro escrito?

MF - Sem dúvida. Para mim isso é precioso.

C+ - A palavra “avaliação” traz em si o signo do valor. O que isso quer dizer?

MF - O signo do valor aqui pode ser econômico, mas não é só isso. A escola trabalha sobre valores o tempo inteiro, que podem acabar por reproduzir um sistema de opressão, mas ela deve ter por objetivo trabalhar valores humanos e éticos. É preciso levar em conta também que não se trata apenas do valor mercadoria.

Esse valorar é também lutar pelo valor da importância da sua ação, da sua marca nesta ação. Quando falamos nisso, estamos falando em dar-se respeito, que é algo que se perdeu. Na confusão entre uma relação autoritária, uma relação espontaneísta e uma relação democrática isso se perdeu. Todo mundo pede desculpa para ser autoridade, ou se omite na sua função de autoridade. Pai e mãe morrem de medo dos seus filhos, de dizer um não. Crianças acabam se tornando tiranas. O professor também perdeu o sentido de respeito.

Mas não só o professor tem de valorar a sua própria autoridade, como também o aluno tem de aprender a valorar a dele e a do grupo. Essas relações foram esgarçadas. Na sociedade brasileira isso não acontece à toa, é um processo histórico. A partir da ditadura militar, com o golpe de 1964, surge uma geração que confunde o que é assumir sua autoridade com ser autoritário. E assumir autoridade não é mesmo que ser autoritário.

C+ - Nesse sentido, a avaliação é uma ferramenta importante para garantir essa noção democrática de autoridade...

MF - Primordial. Ela é uma ferramenta de tomada de consciência, de resistência contra esse esgarçamento das relações. A avaliação anuncia o que está gasto e pode ser exercitado de outra maneira.

C+ - Mas essa a autoridade também pode ser trabalhada de diferentes formas dependendo da concepção de educação, não?

MF - Como que cada concepção trabalha esse valor vai diferir sim. Onde há centralização as relações se fecham e se transformam em autoritárias. Uma concepção autoritária caracteriza-se na centralização da autoridade ou no pai e na mãe, ou no professor, e não leva em conta a autoridade nem do filho, nem do educando. Mas o avesso disso também é autoritário, quando o educador se omite e dá todo o poder ao educando. Isso pode ser ainda mais grave, pois abandonar uma criança é cometer um pecado mortal, afinal ela não pediu pra nascer, não pediu para ser seu filho, nem seu aluno. Ela está ali cumprindo uma função social que é a de aprender. Quando há omissão frente a essa realidade, comete-se um ato de violência contra aquela criança ou aquele jovem.

Para aprender é preciso rigor, regras, limites, planejamento e avaliação. E numa concepção democrática outra grande dificuldade é o professor assumir a sua autoridade com responsabilidade, pois é ele que deve garantir a autonomia de cada aluno para falar, colocar-se, divergir, perguntar, duvidar. Dessa maneira ele garante também a autoridade do grupo. Ou seja, são três níveis de autoridade que têm de caminhar em sintonia. Esse é um processo que somente com diálogo pode ser construído. E para que esse diálogo possa acontecer, a avaliação é ferramenta mestra.

C+ - Há escolas que segmentam o conjunto de estudantes conforme os resultados de avaliação, conforme suas notas, criando salas e turmas diferentes. Isso pode implodir essa capacidade que a avaliação tem de fazer com que o aluno reconheça as autoridades e inclusive a sua, não?

MF - Sem dúvida. Impede que ele desenvolva a capacidade de se assumir e tomar consciência do que lhe falta, do que ainda tem de estudar, em que aspectos precisa ser mais rigoroso. E isso não significa que numa concepção democrática não existe nota. Existe. Mas a nota é construída com o grupo. Isso quer dizer que, se a avaliação é processual, para cada aula você tem uma nota, um valor em relação à sua produção. A nota é o critério que baliza a produção do aluno e do professor. O desafio é não jogar fora os valores, mas sim resignificá-los. A nota deve servir para localizar o aluno frente aos desafios que ele tem de enfrentar, localizá-lo no curso de seu processo de aprendizagem.

Fonte: C+/ Jaqueline Nikiforos 04/07/2011

terça-feira, 5 de julho de 2011

Sim, a tecnologia é uma grande aliada para transformar a educação



Referência em pesquisas sobre o impacto da tecnologia educacional nos processos e ambientes de ensino e aprendizagem, Betina Von Staa, doutora em linguística aplicada e estudos da linguagem, estava de malas prontas para a Pensilvânia quando conversou com o Instituto Claro dias atrás. Contou que o item mais importante da bagagem que seguiria para o ISTE 2011, conferência anual promovida nos Estados Unidos pela Sociedade Internacional para a Tecnologia na Educação, realizada entre 26 e 29 de junho, era um estudo recém-finalizado que apresentava o caso da cidade piauiense de José de Freitas.

Iniciado em 2009, o estudo, financiado pela Positivo, reforça o que educadores e instituições inovadoras vêm ecoando a partir de experiências próprias e o que pesquisas começam a afirmar com certa convicção: a tecnologia impacta positivamente na educação. “Avaliamos resultados em 11 municípios e, em todos eles, constatamos os benefícios da tecnologia para a aprendizagem.


Mas, nas escolas de José de Freitas, até então muito carentes de tecnologia e listadas entre as que apresentam Ideb baixo, uma avaliação detalhada mostrou como o dia a dia da aprendizagem foi modificado”, relata Betina. “A gente pôde observar isso porque partimos realmente do início: ensinamos os educadores a usar o mouse”, destaca.

O processo

Do mouse para a lousa digital. Da lousa digital para a coordenação de atividades em sala de aula com um laptop para cada aluno. Das atividades nos laptops já programadas em softwares disponibilizados até aquelas criadas pelos próprios educadores. Foi assim que, em dois anos, a tecnologia se espalhou pelas escolas estaduais do município piauiense e, atrelada ao currículo das instituições, ampliou - e impactou - as possibilidades de aprendizagem.


“Posso dizer, sem medo, que a nossa escola sofreu uma transformação. Não tínhamos computador nem na diretoria. Tudo o que fazíamos era na LAN house. Hoje não apenas temos recursos tecnológicos educacionais como os nossos educadores estão capacitados para lidar com essa tecnologia, e o resultado disso é que deixamos de ser vistos como escola ultrapassada, velha, com resultados defasados, e passamos a receber transferências de alunos que nos procuram por sermos uma das melhores da região”, comemora Maria do Perpétuo Socorro, diretora da Unidade Escolar Padre Sampaio. Além da “revolução”, ela acredita que a tecnologia promoveu um resgate da instituição, incluindo os professores, que voltaram a atuar com entusiasmo. As médias de português e de matemática já subiram nas séries do ensino fundamental da escola.

Sem capacitação, impacto é reduzido

As duas sessões de 40 horas de treinamento para uso dos recursos tecnológicos recebidos pelos professores de José de Freitas foram decisivas, avalia Betina. A tecnologia, por si só, não transforma. E a resistência da qual muito se fala nas escolas quando a tecnologia chega se deve ao fato de os professores não terem domínio sobre a mesma. Sem capacitação e apoio, como os professores podem fazer um planejamento de aula que inclua aqueles recursos? Estarão sempre no desconfortável papel de tentar lidar com uma ferramenta que os alunos geralmente já dominam ou estão mais próximos de dominar.


Isso porque, como afirmou a diretora Maria Perpétuo, foi possível observar que os estudantes não têm qualquer medo de acessar, manusear, mesmo quando recebem um recurso pela primeira vez. “Eles vão explorando, descobrindo, entusiasmam-se, mas não têm um foco. Esse precisa ser o papel do professor: direcionar o foco, e foi o que conseguimos”, afirma a diretora.


Do Nordeste ao Sul


Em outra realidade, o município de Matinhos, no Paraná, também observou mudanças significativas com a chegada da tecnologia educacional no primeiro semestre de 2010. Aldamara Correa, secretária municipal de Educação da cidade, diz que o investimento em tecnologia foi fruto da necessidade de ir além das aulas de informática nas escolas. “Sabíamos que seria positivo, mas não podíamos imaginar que seria tanto.” Aldamara conta que, nas oito escolas beneficiadas, é possível perceber mudança no perfil de educadores e educandos. “Cerca de 80% dos nossos docentes eram desprovidos de competências digitais, e hoje estão capacitados e atuando com a tecnologia em sala de aula”, afirma. Os alunos, por sua vez, estão mais protagonistas. Criam conteúdos para serem apresentados em formatos digitais nas aulas e se envolvem mais na escola e fora dela com os conteúdos curriculares. Tudo isso em uma nova dinâmica: “Hoje não temos laboratório de informática, temos a tecnologia nas salas, inseridas nas atividades do dia a dia dos professores”, explica, para deleite dos educadores inovadores que defendem que a tecnologia precisa fazer parte da escola de forma transversal, e não estar trancafiada em alguma sala empoeirada.

Fonte: Instituto Claro / Giulliana Bianconi Fotos: Positivo 01/07/2011

Opinião: Na hora do recreio

''Não é falta de Educação perguntar a idade a um professor, e sim seu salário. O magistério não é uma carreira, é uma mesada do Estado'', afirma o escritor Fabrício Carpinejar

* FABRÍCIO CARPINEJAR
Não é falta de Educação perguntar a idade a um professor, e sim seu salário. Questionar o vencimento a um educador municipal ou estadual é uma afronta, um constrangimento perante os outros. Melhor evitar; manter a amizade silenciosa, o respeito telepático, a pose compreensiva.


Mas não perguntar não significa que não sei quanto ele recebe. Acabo descobrindo. É impossível não saber.

Eu vejo cada centavo, cada real de seu contracheque. Toda vez que entro numa sala deprofessores testemunho um deles comercializando roupas, lingerie ou uma série inédita de produtos da Avon ou da Natura.

Varais preenchem as cadeiras de fórmica: uma festa junina de etiquetas, desafiando a procura pelas térmicas da água quente e do café. As mesas estarão ocupadas de embalagens sendo abertas e reviradas pela ansiedade do recreio.O salário aparece nítido no desespero da muamba.

A sala de convivência é casa de penhor, comércio ambulante, camelô.

O professor tornou-se uma formalidade cheia de informalidades. Coleciona rifas além do seu trabalho, senão não sustenta a família, não aguenta o tranco do final do mês, não tem como fazer rancho aos filhos. É humilhante pensar que aquele que ensina não ganha o suficiente apenas para ensinar.

O magistério é total ausência de exclusividade. Não é uma carreira, é uma mesada do Estado. O professor vive eternamente como um estagiário, aguardando ser efetivado e abandonar a miragem salarial.

Professor usa o intervalo para completar seu orçamento. Acumula tarefas, sobrevive de reforços da receita, não respira à toa, não tem margem para incrementar seu currículo com cursos e especializações. Professor não conhece férias, mas greve. Não conhece promoção, mas reajuste.

São extras e extras e extras sem fim. Bicos e bicos e bicos infinitos. É uma comissão aqui, uma porcentagem acolá. Tudo é dinheiro contadinho para as passagens.

Escola é rodoviária. Nosso professor chega com uma malinha pesada. Não são livros, não são cadernos de estudo, são novidades imperdíveis e baratas para serem revendidas.

Ele espalha os pertences pelo sofá e não descansa um minuto tentando convencer seus colegas a levar um dos itens.

Pena que nenhum pode comprar. Porque também são professores.

Fonte: Zero Hora 05/07/2011

Jornal ou mural?! Os dois.

Núcleo de Comunicação Maré Alta faz formação em escolas públicas; objetivo é estimular alunos a produzir conteúdo sobre o dia a dia.

“Jornalismo é o ato de contar a uma parte da sociedade o que a outra parte está fazendo”. A frase, atribuída a Heródoto Barbeiro, um dos mais importantes comunicadores do Brasil, ilustra perfeitamente a função social da mídia dentro da sociedade. E do jornalista, mais especificamente. Mas hoje vamos falar de uma comunidade um pouco menor, mas tão agitada quanto a nossa. E onde essa regra se aplica; desde que você troque “uma parte” por “uma sala”.

O Núcleo de Comunicação Maré Alta, iniciativa apoiada pelo Fumcad e que oferece formação de jovens em Jornalismo, Vídeo e Criação Gráfica, está expandindo as fronteiras do conhecimento produzido entre seus educadores e turmas. Na segunda e terça-feira (27 e 28/06), o Núcleo esteve na Escola Municipal Fagundes Varella, no Jardim Iracema, para dois dias especiais com turmas da sétima e oitava série. Unilson Mangine Junior, educador do Maré, é quem começa a contar essa história.

“A gente sempre quis fazer com que o conhecimento produzido aqui dentro pelos educadores, pelos jovens, durante as oficinas, circulasse, ganhasse vida. Conversamos e achamos que a escola seria a melhor forma disso acontecer”, conta Unilson.



A idéia é simples e a execução bem divertida. Junto com Amanda e Gabriela, jovens das oficinas do Maré Alta, Unilson fez uma série de atividades que mostrou como os alunos do Fagundes Varella poderiam pensar pautas e produzir matérias a partir do processo de entrevistar personagens. “Quando fomos visitar a escola e conversar com a coordenação descobrimos que eles já tinham um jornal mural, bem diferente da nossa proposta. Então começamos a tentar buscar no modelo deles o que a gente achava que estava faltando, em que poderíamos ajudar. Foi quando percebemos que era muito informativo, mas não tinha entrevistas”, diz o educador.


Mesclando conteúdos teóricos e práticos, Unilson e suas super ajudantes botaram a mão na massa, no mural, e viram ótimos frutos crescerem durante os dois dias.

“É muito gratificamente, muito bom ver os próprios alunos do Maré Alta passando conteúdo para outros jovens. Galera da mesma idade. Eu praticamente não precisei falar. Elas explicaram tudo, mostraram tudo. Isso é muito legal, pois a gente percebe que o conteúdo que estamos passando para essa galera aqui no Projeto Arrastão realmente é bacana, faz sentido”, lembra o educador, que complementa. “Quando as meninas começam a usar o que elas aprenderam com tanta segurança, como fizeram, isso significa que o que eles viram, leram, assistiram, virou conhecimento. Ela está usando de forma prática, então é conhecimento produzido”.


Fonte: Projeto Arrastão (http://www.arrastao.org.br) 01/07/2011

Para combater a obesidade em crianças, nada de TV no quarto


Retirar os aparelhos de TV dos quartos das crianças; ensiná-las a comer apenas quando têm fome; não privá-las das brincadeiras como castigo. São recomendações de um novo relatório da ONG americana Institute of Medicine (IOM), um dos primeiros estudos abrangentes sobre o que deve ser feito para prevenir obesidade em menores de 5 anos.

“A obesidade epidêmica não poupou as crianças menores”, diz Leann Birch, presidente do comitê do IOM que fez o relatório e dirige o Centro de Pesquisa da Obesidade Infantil da Universidade Estadual da Pensilvânia.

Cerca de 20% das crianças dos EUA estão acima do peso ou são obesas antes de ir para o jardim da infância, com taxas mais elevadas entre as crianças de baixa renda de origem afro-americana e hispânica, ressalta o estudo. Dados do governo mostram que 30% das crianças em idade escolar estão acima do peso ou obesas.

O relatório pretende alertar os órgãos de assistência à criança, as creches e os educadores do jardim da infância, mas em grande parte as recomendações podem se aplicar também aos pais.
Segundo o texto, as crianças devem ter atividades físicas o dia todo e o sono deve ser estimulado conforme a idade. Dados estabelecem uma relação entre a breve duração do sono e o excesso de peso, segundo Leann.

Os adultos devem criar ambientes que garantam um sono repousante para as crianças, por exemplo, não permitindo a presença de aparelhos dotados de tela nos quartos de dormir. Atualmente, cerca de 40% das crianças entre os 4 e os 6 anos nos EUA têm TV no quarto.
Outra dica é limitar o tempo e a exposição ao marketing de comidas e bebidas. As creches também deveriam limitar o período em que as crianças ficam na frente da TV, assim como o uso de computadores, celulares e outras tecnologias digitais para menos de duas horas ao dia para crianças de 2 a 5 anos. Controlar o peso e a altura segundo tabelas de crescimento, do nascimento aos 5 anos, a cada ida ao médico, também é recomendado.

Fonte: Nanci Hellmich – The New York Times (tradução de Anna Capovilla – O Estado de S. Paulo) 05/07/2011

Facebook, Twitter e YouTube: eles podem ser os melhores amigos dos seus estudos

Se você considera Facebook, Twitter e YouTube companheiros só para a hora do lazer, está na hora de pensar diferente. Ferramentas como essas podem ser seus melhores amigos nos estudos, dizem especialistas de tecnologias da educação.

Quer escrever melhor? Conte com a ajuda de Twitter, Wikipédia e um blog. Treinar línguas estrangeiras? O Facebook pode dar uma bela mão. Entender melhor a reprodução das plantas gimnospermas? Talvez a resposta esteja lá no YouTube, entre todos aqueles vídeos de palhaçadas. São usos como esses e
muitos outros que estão fazendo das ferramentas aliadas do aprendizado.

As novas tecnologias nos tornaram consumidores vorazes de informação. Ao mesmo tempo, nos deram instrumentos poderosos para nos comunicar com quantas pessoas quisermos. “Nesse processo, podemos aprender muito mais sobre nós mesmos e o mundo”, diz Will Richardson, em seu livro Blogs, wikis, podcasts and other powerful Web tools for classrooms (Ed. Corwin, sem tradução para o português).

Não caia em armadilhas
Mas para tirar o melhor proveito da internet sem cair em armadilhas, é preciso responsabilidade e um tanto de cuidado. Isso é verdade principalmente para os mais novos, que em muitos casos aprenderam sozinhos a se virar no mundo virtual sem ter um guia. “A escola precisa ajudá-los nisso, pois tem por função preparar os alunos para a vida. Essa função cabe também aos pais”, diz Marcos Telles, consultor da DynamicLab, empresa especializada no uso da tecnologia no ensino.


É preciso preparo para entender as consequências do que se faz na internet. Também é essencial ter em mente que nem toda informação é confiável. Isso vale para os adultos também, para protegerem a si próprios e desempenharem o papel de mediadores na hora de falar sobre o assunto com os pequenos.

“É um trabalho em parceria. Os jovens sabem mais sobre tecnologia, enquanto os mais velhos têm mais noção sobre os riscos envolvidos”, diz Valdenice Minatel, coordenadora do Departamento de Tecnologia Educacional do Colégio Dante Alighieri, em São Paulo (SP).


Veja dicas de como usar as mídias digitais para estudar

Blogs
O blog é uma ferramenta fácil de mexer -uns poucos cliques bastam para colocar textos, imagens e vídeos no ar- e extremamente motivadora. Postar em um blog, com um público do tamanho do mundo, é diferente de escrever uma redação, que será lida somente pelo professor.
Ao falar sobre um assunto de interesse, como uma banda de rock ou um novo jogo de videogame, você tem de se esforçar para construir um texto lógico, analítico e criativo. Ainda pode combinar com recursos audiovisuais e desenvolver competências extras.


Pode servir como um grande arquivo de trabalhos online. É um jeito fácil de entregar as lições, apesar de invalidar a desculpa do "cachorro comeu minha lição", e torna possível olhar em sequência cronológica tudo o que foi desenvolvido ao longo do ano. Também dá para receber comentários dos colegas de classe e mesmo de pessoas de fora da escola, caso isso esteja em acordo com o propósito da tarefa.

O risco: para ser útil ao aprendizado, os blogs não podem ser simples diários ou reprodutores de links. Invista em textos analíticos, que exercitem a capacidade de emitir opiniões lógicas e bem embasadas.

Facebook
O Facebook -e outras mídias sociais do mesmo tipoajuda a manter contato com pessoas que nem sempre são tão próximas. Isso pode facilitar o intercâmbio de vídeos, fotos e notícias com os alunos de outras classes, que você não conhece muito muito bem, e com os professores.

Também é prático para entrar em contato, por exemplo, com nativos de outras línguas para treinar idiomas em grupos como este.

A recomendação dos especialistas é para que professores criem um perfil somente para seus alunos, a fim de não confundir a vida pessoal com a profissional.

YouTube
Ferramentas de vídeo como o YouTube estão associadas em geral a vídeos engraçados, no ponto certo para o lazer mas pouco interessantes para o aprendizado. Será que é só isso?
Experimente fazer uma busca por vídeos com "reprodução das plantas". Gravações de aulas, programas de televisão e -o melhor de tudo- material multimídia sobre o assunto aparecerão entre os resultados. Se a procura for feita em inglês, o número de ocorrências será ainda maior.
Pesquisas mostram que é mais fácil aprender com a combinação de palavras e imagens que só com um dos dois. Mas nem sempre é simples para a escola produzir materiais multimídia, que custam caro e dão trabalho. Nesse caso, o YouTube pode ser uma ótima fonte.

Como forma de expressão, o YouTube também é uma boa. Hoje em dia, qualquer celular grava vídeos. Com cuidado e responsabilidade, dá para fazer um trabalho, por exemplo, uma língua estrangeira gravando-se a encenação de uma história curta em inglês ou espanhol.
Veja mais dicas aqui (em inglês):
http://www.freetech4teachers.com/2010/09/47-alternatives-to-using-youtube-in.html

Twitter
Escrever de maneira clara, simples e concisa: não tem quem duvide de que o Twitter é um amigão na hora de desenvolver a habilidade de falar muito com poucas palavras.
Se utilizada como um grande fórum de discussão, a ferramenta ajuda a desenvolver também o senso crítico sobre tópicos do momento. O importante é publicar informações relevantes, que outras pessoas gostariam de ler.

Em vez de responder à questão "o que você está fazendo", pense em "o que atrai sua atenção". Não deixe de fazer perguntas quando ler algo que suscite dúvida. E se for falar sobre algo pessoal, tente fazer disso algo útil. Dê conselhos, sugira sites, fotos etc.

Wikipédia
Na hora de fazer pesquisas escolares, a Wikipédia oferece busca rápida e verbetes bem organizados. Não à toa, é a campeã do ?corta e cola?, título que rende a ela a injusta pecha de inimiga do aprendizado.

Para ajudar nos estudos, a Wikipédia requer senso crítico para distinguir a informação confiável daquela que provavelmente merece ser checada. Como qualquer enciclopédia, a Wiki está bem longe de ser a fonte da verdade ? e isso precisa estar sempre claro.
Um jeito simples de trabalhar isso é explorar o outro lado da Wikipédia. Quem são os responsáveis pelas informações que estão ali? Sim, somos nós. Contribuir como produtor de conteúdo, e não só consumidor, é um ótimo jeito de entender os pontos positivos e negativos da enciclopédia.

A versão em português da Wikipédia tem menos entradas que as versões em inglês, alemão ou japonês. Isso significa que uma enxurrada de verbetes está á espera de ser redigida. É uma chance e tanto.
Fonte: UOL Educação/Thiago Minami 04/07/2011

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Curitiba terá evento internacional de educação em agosto

O Grupo Positivo vai realizar em agosto a Sala Mundo Curitiba 2011, um encontro internacional de educação na capital paranaense. O evento foi anunciado no dia 1º de julho no auditório do Grupo Estado, uma das empresas que apoiam a iniciativa.

A ideia é discutir e analisar experiências educacionais. Serão 13 palestras no teatro da Universidade Positivo, nos dias 17 e 18 de agosto, que vão reunir nomes de especialistas em seis grandes temas da área de educação. "As pessoas não vão sair da conferência dizendo: "Foi interessante, mas o que foi mesmo que eu aprendi?"", afirmou o especialista em educação e coordenador da programação do Sala Mundo 2011, Claudio de Moura Castro, que apresentou a programação do encontro em uma palestra.

"A inspiração que pautou toda a história do Grupo inspira também o Sala Mundo", disse o vice-presidente do Grupo Positivo, Lucas Guimarães. O prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, apresentou dados sobre as políticas educacionais do município.

O Grupo Positivo vai realizar em agosto a Sala Mundo Curitiba 2011, um encontro internacional de educação na capital paranaense. O evento foi anunciado ontem no auditório do Grupo Estado, uma das empresas que apoiam a iniciativa.

A ideia é discutir e analisar experiências educacionais. Serão 13 palestras no teatro da Universidade Positivo, nos dias 17 e 18 de agosto, que vão reunir nomes de especialistas em seis grandes temas da área de educação. "As pessoas não vão sair da conferência dizendo: "Foi interessante, mas o que foi mesmo que eu aprendi?"", afirmou o especialista em educação e coordenador da programação do Sala Mundo 2011, Claudio de Moura Castro, que apresentou a programação do encontro em uma palestra.

"A inspiração que pautou toda a história do Grupo inspira também o Sala Mundo", disse o vice-presidente do Grupo Positivo, Lucas Guimarães. O prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, apresentou dados sobre as políticas educacionais do município.

O primeiro dia do Sala Mundo Curitiba 2011 vai debater quatro temas. Sobre o primeiro, a história da educação, pretende-se analisar experiências internacionais para entender a posição do Brasil. Foram convidados Martin Carnoy e Kazuhiro Yoshida, da Universidade de Hiroshima.



As avaliações educacionais serão discutidas por Francisco Soares e o uruguaio Pedro Ravela. O brasileiro Paulo Blikstein, que atua na Universidade de Stanford, e Francesc Pedró, professor da Universidade da Catalunha, vão debater o uso das tecnologias educacionais. O economista Gustavo Ioschpe, ao lado de Martin Carnoy, discutirá a formação dos docentes.

O segundo dia vai contar com Richard Hinckley, Ilona Becskeházy e o próprio Claudio de Moura Castro palestrando sobre a sala de aula. Por fim, experiências revolucionárias na escola serão tratadas por Ricardo Semler, Miguel Nicolelis, Norman Gall e Marcos Magalhães.

O diretor de conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, destacou a importância que o Estado vem dando à educação: "O tema é objeto de interesse em todas as mídias do Grupo Estado", disse.

Mais informações sobre inscrições e sobre o evento no site http://www.salamundo.com.br/

Fonte: Estado de São Paulo 02/07/2011