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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Coleira para crianças - Adereço novo, questão antiga

Cristiane Paulon com a filha Sofia: "ela se sente à vontade e eu fico despreocupada"

Compartilhamos para reflexão matéria publicada na Revista Educação, nº 171!

Uso de coleira em crianças evoca discussão sobre os limites da autonomia e do controle na educação familiar; usuários apostam no artefato pela segurança

De um lado, a fita resistente presa a um peitoral. A outra ponta fica nas mãos de um adulto, que puxa o encoleirado por uma praça. A cena seria considerada corriqueira, caso o utensílio estivesse sendo empregado para o controle de um animal doméstico e não de uma criança. Usada há décadas em países como EUA e Japão, a coleira chegou ao Brasil há cerca de dois anos e é motivo de polêmica entre pais e educadores. De um lado estão os adeptos da ideia, que evocam a segurança, a praticidade e a liberdade controlada. Do outro, aqueles que abominam a iniciativa, e fazem críticas diretas aos adultos que passeiam com seus filhos encoleirados.

É importante lembrar que coleira não é mais a mesma: evoluiu do modelo usado anteriormente, preso ao pescoço e ao pulso das crianças, para um jeitão de brinquedo, na forma de mochilas e bichos de pelúcia que são atados ao tronco dos filhos. Mas, mesmo com visual lúdico e renovado, ela é capaz de chocar, pois evoca, de um lado, controle absoluto e, de outro, submissão à força, valores que não desfrutam de boa reputação entre educadores e psicólogos. Para eles, é como se a controvertida coleira fosse uma espécie de apoio, uma muleta para o adulto que não assume a responsabilidade de conduzir a criança, por insegurança, medo da responsabilidade ou simplesmente preguiça. “Trata-se de uma facilidade para os pais e não para os filhos. Não vejo nada de positivo nisso”, dispara a psicóloga e educadora Rosely Sayão.

Nesses termos, o que entra em discussão é a falta de preparo da família para lidar com a esperteza, lucidez e agilidade dos filhos, que têm sede de informação e de experimentação das coisas que surgem ao seu redor. E inibir este ímpeto, segundo os especialistas, ainda mais de forma brusca, puxando o menor por uma fita, é podar uma oportunidade de desenvolvimento ou tirar de quem está conhecendo o mundo a oportunidade de aprender com seus próprios erros. Na visão de alguns educadores, o uso da coleira faz com que a criança deixe de experimentar e aprender com as consequências de suas ações e de seus movimentos. Ausência que pode ser problemática no futuro: como elas enfrentarão o mundo real quando adultas?

Os adeptos
Entre aqueles que não enxergam problemas com a coleira está Ana Merzel, coordenadora de psicologia do Hospital Israelita Albert Einstein. Para ela, a guia pode ser comparada a um andador, recurso recomendado antigamente para antecipar os primeiros passos das crianças. Ela afirma não ser contra o uso do acessório. “Todos recomendavam o andador e depois descobriram que não era bom. Agora é a vez da coleirinha. Em qualquer situação é preciso avaliar o uso, ter bom senso e respeitar a opinião da criança, que tem de entender a função do acessório”, explica.


Para os usuários, o artefato se configura como um meio de proteção eficiente. “Eu uso e recomendo”, diz Cristiane Paulon, mãe de Sofia, 18 meses de idade, que afirma ter nos sequestros em shoppings, atropelamentos e outros acidentes com crianças uma motivação para adotar a coleira esporadicamente nos passeios em família. Segundo ela, a filha adora correr e odeia ficar com as mãos dadas, por isso atá-la à mochila de sapinho em lugares cheios foi a solução encontrada. “Ela se sente à vontade e eu fico despreocupada”, defende.

“Se a criança corre, é porque está sem um adulto para contê-la”, opina Roseli Sayão. Para a psicóloga, os pais não devem limitar os movimentos da criança, mas acompanhar os passos dos filhos para entender as dúvidas e encantamentos da criança, fazendo prevalecer a autoridade do adulto quando necessário. Com essa atitude, o pai pode criar explicações didáticas sobre as consequências de ações indesejáveis ou arriscadas. Poderá explicar, por exemplo, o motivo de pedir que a criança não corra sozinha ou coloque as mãos em uma vitrine, derrube produtos nas lojas, mexa no lixo, bata nos vidros, entre outras ações que podem ser perigosas ou incômodas a ela e às outras pessoas em volta.

Renata Waksman, secretária do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria, vai além e qualifica o argumento da segurança usado pelos pais como uma “ilusão”. “É uma falsa sensação de segurança”, argumenta. Segundo ela, as crianças pequenas se sentem presas, podem cair e se machucar com a guia. Em vez de optar pela coleira, os pais poderiam escolher locais seguros e adequados para levar os filhos. Se houver aglomeração, talvez o lugar não seja adequado para os pequenos. “Se for necessário ir a um local com muita gente, a melhor opção são os carrinhos dobráveis”, complementa a secretária. “São fáceis de carregar, têm cinto de segurança e são muito mais confortáveis para as crianças.”

Impactos no futuro
Outro ponto importante levantado pelos especialistas diz respeito à insegurança causada pelo uso frequente da coleira, já que as crianças podem associar o desenvolvimento de determinadas tarefas ao fato de estarem presas a um adulto. Mas há quem garanta que a experiência não gera nenhum tipo de dano psicológico. “Eu usei e vou colocar nos meus filhos”, afirma a jornalista Marina Valle, que não sofreu nenhum trauma por ter usado a coleira. “Muito pelo contrário: eu me sentia protegida, principalmente em locais com muita gente desconhecida em volta”, reforça. Mesmo apoiando uso do acessório, a jornalista contou uma cena significativa para quem acredita que a coleira é um recurso inaceitável: “uma família entrou na locadora e a mãe tinha uma coleira no filho, que não parava de gritar e mexer nas coisas, e ao lado o cachorro andava solto e obedecia a todos os comandos da dona”. Uma inversão de papéis que justifica discussões mais amplas e complexas, que tratem dos limites da educação e das regras de convivência social.

Para Roseli Caldas, coordenadora da Representação Paulista da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, a situação descrita remete à ideia de autonomia dos filhos, que é tão almejada pelos pais. Para alcançá-la, diz a coordenadora, as regras devem ser discutidas, contestadas e, então, assimiladas, de modo que não seja mais necessário o controle externo – muito menos o físico. Nesse processo educacional, estão presentes a argumentação, bem como a importância de que, às vezes, mesmo sem compreender totalmente, a criança atenda à voz de comando dos que a educam como recurso de proteção. “Nesse sentido, precisar de uma coleirinha para que a criança respeite o limite parece ser bastante questionável”, comenta.

Limites e possibilidades
A questão da coleira infantil também traz à tona a hora de indicar os limites e possibilidades de aprendizado para as crianças. Trata-se de um desafio diário a ser buscado nas oportunidades que surgem da convivência com eles. “Isso não pode ser desperdiçado pela praticidade do uso de uma coleira, que prescinde do diálogo humano”, teoriza Roseli Caldas. “Se o espaço para conversa e elaboração dos limites não tiver sido construído e solidificado durante a infância, não haverá coleira que possa conter essas crianças no futuro.”

Diálogo foi justamente o que a advogada Paola Otero Russo usou com a filha Carolina, de quatro anos, para convencê-la a não correr para a rua no retorno da escola quando estava sob os cuidados da babá. Expansiva, Carolina é o tipo de criança que conversa com estranhos e parece não ter medo de nada. “Ela se expõe demais”, avalia a mãe. Para conter a filha, Paola explicou os perigos aos quais se expunha com este comportamento e sugeriu o uso da coleira no retorno da aula. A resposta da menina demonstrou incômodo: “É como coleira de cachorro? Não quero usar. Tenho vergonha”. Diante da recusa, Paola, que apóia o uso do acessório e já colocou em sua filha em outras ocasiões, recorreu à conversa e resolveu a questão.

Paola fez o certo, segundo os especialistas. Se os pais decidem usar a coleirinha, devem explicar abertamente isso para os filhos. Mesmo que o recurso seja adotado com boa intenção, é preciso levar em conta que a coleira tem um impacto visual negativo, já que é associada aos animais, e isso pode causar reações ruins. “É importante esclarecer por que optaram pelo uso”, pondera Roseli. Em sua pesquisa sobre o assunto, a professora de psicologia ressalta que a coleira pode até aparecer como vilã, mas atua, na verdade, como um termômetro dos relacionamentos no mundo contemporâneo. Ela explica que as relações atuais se dão por meio de “objetos concretos e virtuais”, em que seres humanos são conectados uns aos outros pela mediação de coisas. “Se a coleira substitui o diálogo, o impacto é negativo. Na medida em que se usa a conversa com a criança, cria-se uma humanização”, finaliza.
Fonte: Fabiana Macedo (Revista Educação – Edição 171)

ONU diz que 67 milhões de crianças não têm acesso à Educação

Ao menos 67 milhões de crianças no mundo não têm acesso à educação, especialmente em países com taxa de natalidade elevada e alvos de conflitos armados. A informação consta no relatório "A crise oculta: Conflitos Armados e Educação", do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (Ecosoc), que realiza nesta segunda-feira em Genebra o encontro anual com a educação como tema central. Durante a sessão inaugural, o presidente da Assembleia Geral da ONU, Joseph Deiss, insistiu na importância da educação para alcançar a felicidade individual e a prosperidade econômica, além de melhorias sociais como a autonomia das mulheres e a redução da pobreza.

Pelo relatório do Ecosoc, entre 1999 e 2008, ao menos 52 milhões de crianças foram matriculadas na educação primária, o que representou aumento de um terço com relação à década anterior. No entanto, apesar do avanço, em regiões como a África Subsaariana, 10 milhões de crianças abandonaram o colégio por ano, por isso que em 2008 havia ainda 67 milhões de crianças no mundo sem acesso à educação básica.

A isso soma-se que, nos países menos desenvolvidos, 195 milhões de crianças com menos de cinco anos – uma em cada três – sofre de desnutrição, o que causa danos irreversíveis ao desenvolvimento cognitivo.

Mulheres menos escolarizadas
As crianças não são as únicas afetadas pelos problemas de acesso à educação, já que cerca de 796 milhões de pessoas, 17% dos adultos de todo o mundo, são analfabetas, e deste percentual dois terços são mulheres. Essa diferença de gênero é ainda notada na atualidade entre as crianças. Conforme o Ecosoc, se a paridade de gênero tivesse sido alcançada em 2008, 3,6 milhões de meninas mais teriam ido à escola. Deiss destacou a importância de atingir a meta da educação universal para cinco anos, como indicam os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas, pelo qual são necessários mais de 1,9 milhão de professores. O cumprimento deste objetivo foi afetado pela crise, especialmente nos países mais pobres, já que sete dos 18 países de baixas receitas analisados pelo Ecosoc cortaram seus orçamentos para educação e juntos somaram 3,7 milhões de crianças sem escolarizar.

Conflitos atrapalham educação
No entanto, os países mais pobres aumentaram em conjunto a despesa em educação, passando de 2,9% de seus orçamentos em 1999 para 3,8% em 2008. O relatório analisa a maneira na qual as guerras afetam à escolarização das crianças, já que na última década 35 países sofreram com conflitos armados com duração média – nos países mais pobres – de 12 anos.

Nesse período, 28 milhões de crianças – 42% do total – foram obrigadas a abandonar a escola primária por causa dos conflitos, responsáveis pela destruição das instituições de ensino e que transformam em muito perigosos os caminhos até elas. Por exemplo, no Afeganistão foram registrados ao menos 613 ataques a escolas em 2009; na Tailândia 63 estudantes e 24 professores foram assassinados ou feridos entre 2008 e 2009, e, na República Democrática do Congo, um terço das violações ocorreu contra meninas, das quais 13% são menores de dez anos. Além disso, nestes países afetados por conflitos armados, 79% dos jovens são analfabetos, explica o relatório. O Ecosoc lembra a responsabilidade dos países ricos, já que no conjunto das 21 economias mais desenvolvidas investem mais recursos em armamento do que na construção das escolas. Se 10% dessa despesa militar se desviasse a educação, haveria 9,5 milhões mais de crianças escolarizadas.
Fonte: iG 04/07/2011

Rede estadual vai integrar Ensino Médio a técnico

Na tentativa de melhorar tanto a mão de obra no Estado quanto o ensino médio, o governo de SP decidiu integrar aulas regulares de suas escolas a cursos técnicos.

A rede oferecerá duas opções: currículo médio básico totalmente integrado a cursos públicos profissionalizantes; ou cursos técnicos fora do horário de aula, em instituições credenciadas.

Em ambos casos os jovens que optarem pelo modelo receberão diploma de ensino médio e técnico, em áreas como eletrônica, telecomunicações ou gestão, entre outros.

A Folha teve acesso ao teor do programa, que será apresentado nos próximos dias e começará em outubro. Serão 30 mil vagas na opção de cursos fora do horário de aula. O início da modalidade integrada deve ser em 2012.

A meta do governo Geraldo Alckmin (PSDB) é que, até 2014, tenham ensino técnico 30% dos 1,3 milhão de alunos do seu ensino médio.

Responsável por mais de 85% das matrículas do Estado, a rede enfrenta dificuldades nessa etapa. No último Saresp (exame estadual), a nota dos alunos caiu. Além disso, só 62% dos jovens que ingressam no ensino médio se formam."O estudante tem baixa autoestima e muitas vezes nem presta vestibular. Se ele não vir possibilidade de inserção no mercado de trabalho, vai desistir da escola", disse o secretário de Educação, Herman Voorwald.

Para fazer o curso técnico, o jovem precisará estar matriculado na escola estadual. A secretaria aposta ainda na possibilidade de as aulas na rede melhorarem. "Os alunos passarão a trazer questões do mundo profissional para a escola", afirma a assessora técnica da pasta Lúcia Lodi, uma das responsáveis pelo programa.

"O ensino médio integrado ao profissionalizante é uma boa iniciativa, mas as aulas precisam ser na mesma escola", afirma Celso Ferreti, pesquisador do Centro de Estudos Educação e Sociedade. "Dificilmente funcionará um currículo em instituições diferentes, com histórias e procedimentos diferentes.

"O especialista defende que as aulas sejam concentradas em um período do dia. "Duvido que eles optem por estudar em dois períodos." A união de ensino regular e técnico também é incentivada pelo governo federal, nas gestões Lula e Dilma.
Fonte: Folha de São Paulo/ Fábio Takahashi 04/07/2011

A TARDE Educação iniciará novo ciclo com educação a distância



Notebooks, ipads, tablets, acesso livre à Internet. Esses são dispositivos tecnológicos que a cada dia mais se fazem presentes nas salas de aula. Tais elementos são responsáveis por uma visível transformação das metodologias da educação atual. Atualizado em relação a todos estes avanços, o Programa A TARDE Educação inovou mais uma vez, iniciando em 2011 um novo ciclo em sua história. A inovação está presente nas oficinas, que antes eram feitas presencialmente, agora serão realizadas por meio de um método de ensino a cada dia mais crescente: a educação a distância (EAD).


No novo modelo trazido pelo Programa A TARDE Educação, os alvos serão diretores,coordenadores e educadores, que serão semeadores de conhecimento. O curso EAD do programa será ministrado pelos nossos tutores e técnicos distribuído em três blocos temáticos com as seguintes cargas horárias: curso 1, com 50 h/aula; curso 2, com 40 h/aula; e curso 3, com 30 h/aula.


A implementação desta nova metodologia será feita em duas etapas. A primeira delas diz respeito à mobilização dos municípios parceiros. Nesta primeira etapa, que já foi realizada, o programa promoveu um encontro com coordenadores, responsáveis pela realização do programa em seus municípios, com o objetivo de apresentação do programa edeste novo modelo EAD. A segunda etapa é a de realização do curso EAD.


Segundo a coordenadora do A TARDE Educação, Luciane Alcântara, este novo ciclo do programa possibilitará maior interação com os municípios atendidos pelo mesmo. “A metodologia dos cursos que iremos oferecer, irá conduzir os educadores a partir da sua própria prática, a ter acesso a novos conhecimentos e retornar à prática com o conhecimento inicial reformulado”, afirma Luciane. Ela ainda destaca que este método oferecerá aos educadores uma ferramenta de aprendizado subjetiva: “É prática, conhecimento, prática, o que possibilita um maior engajamento subjetivo do educador no decorrer do curso”, ressalta.



Início dos cursos

Os cursos EAD do Programa A TARDE Educação tiveram início no dia 14 de junho. O primeiro dele teve carga horário de 30 h/aula e aconteceu até o dia 20 de junho. Desenvolvido em quatro aulas, o curso disponibilizoui o conteúdo no site do programa, voltado para as oficinas de formação de educadores.


Para este primeiro curso, um número de 153 professores foi inscrito, mostrando a grande adesão à nova metodologia do programa. É o caso de Geanny Leite, Diretora Pedagógica da Secretaria da Educação de São Francisco do Conde, localizada na região metropolitana de Salvador. Para ela, os alunos terão grande ganho com os novos cursos EAD, pois os professores utilizarão jornal como ferramenta pedagógica de maneira mais eficiente. “A educação a distância incentiva o educador para que se atualize por conta própria, que busque mais informações, que amplie sua visão de mundo. Assim,chegará à sala de aula mais preparado para a tarefa de educar seus alunos”, relata. Ela ainda ressalta que o curso de formação à distância propiciará que maior número de professores participem das oficinas. “É difícil tirar o professor da sala de aula para fazer a formação. Com o curso à distância, ele poderão ter acesso aos conteúdos das oficinas em casa, e poderão buscar outros, ampliando assim seu conhecimento”, afirma empolgada a diretora pedagógica.



Sobre a educação a distância (EAD)

Desmistificar os preconceitos sobre a educação a distância (EAD). Com este objetivo o Programa A TARDE Educação está implantando em sua metodologia de formação de educadores o método EAD.


Segundo a legislação educacional brasileira, educação a distância é uma forma de ensino que possibilita a auto-aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação,utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicação.


Dados do Censo EAD.br de 2009 da Associação Brasileira de Educação a Distância(Abed) mostram que esta modalidade de ensino cresce a cada dia mais. Neste censo, foi apresentado um número em que 23% dos cursos no Brasil são exclusivamente EAD,enquanto que 77% são cursos presenciais e EAD. Além disso, este mesmo censo mostrou que quase cem mil alunos foram formados em cursos a distância, sendo que 85% deles diretamente em instituições e o restante a partir de convênios, parcerias e acordos.


Para a Assistente de Projetos Sociais do Grupo A TARDE e pedagoga Georgia Oliveira a educação à distância propicia aprendizagem mais autônoma e segura. “O processo de aprendizagem passa a ter sua ênfase na ação discente. O cursista tem umpapel preponderante na construção e apropriação do conhecimento, apoiando-se namediação desenvolvida entre o material didático-pedagógico produzido pelo formador”,afirma a pedagoga.


Fonte: A Tarde Educação/ Luan Santos 14/06/2011

Os jovens e as redes sociais



Revelar como jovens de 15 a 24 anos estão conectados e quais são as relações deles com as mídias sociais. A sondagem “Redes Sociais” entra no ar no site NJovem (www.njovem.com.br), desvendando o perfil desse público a partir de uma pesquisa realizada por meio dos sites das quatro marcas do Núcleo Jovem da Abril - CAPRICHO, GUIA DO ESTUDANTE, MUNDO ESTRANHO e SUPERINTERESSANTE.



Os resultados mostram as tendências, o comportamento e os hábitos dos jovens brasileiros quando o assunto são redes sociais:
• Publicidade em promoções e jogos são mais bem vistas dentro das redes sociais do que inserções em mídias tradicionais como banners.
• O Twitter concentra as preferências dos jovens, inclusive para o relacionamento com marcas e empresas.
• O Facebook é mais popular que o Orkut entre os jovens de 19 a 24 anos. Mas o Twitter ainda é a rede social mais popular em todas as faixas etárias.
• 30% dos jovens com mais de 19 anos associam positivamente uma marca a redes sociais, entre os mais jovens esse número é de 23%. Desses, as marcas mais citadas são: Coca-Cola e Apple.
• Quando perguntado sobre a última marca que viram, nenhuma empresa teve grande destaque, mas 80% deles lembraram de algum nome. Entre os mais jovens a Nike possui 9% das citações, e entre os mais velhos citam a Nike e Netshoes com 7%.
• Os usuários costumam utilizar as redes sociais para fazer pesquisas antes de comprar algum produto ou serviço, mas a maioria nunca comprou motivada por propaganda nas redes.


Realizada em parceria com a área de Pesquisa e Inteligência de Mercado da Abril Mídia, a sondagem completa com todos os detalhes sobre a relação dos jovens com as redes sociais está no ar. No www.njovem.com.br também é possível acessar outras sondagens, pesquisas, artigos e colunas especializadas neste público consumidor. Todo o conteúdo do NJovem é aberto, tendo como foco principal revelar o universo da juventude brasileira para os parceiros de mercado.



Mensalmente, o NJovem publica uma nova sondagem sobre diferentes segmentos de mercado e também sobre o comportamento jovem em geral. Já foram apresentadas sondagens sobre o Mercado Financeiro, Meio Ambiente, Refrigerantes, Educação, Automóveis, Celulares e Sapatos e Sandálias e, agora, está no ar a sondagem "Redes Sociais".




Fonte: Njovem - Abril

A lição digital


Poucos segundos depois de bater o sinal que anunciava o início da aula de ciências, os alunos do 6º ano começaram a entrar na classe da professora Leika Procopiak, cada um carregando seu próprio laptop, trazido de casa. Ao se acomodar nas mesas, nenhum deles tirou da mochila um caderno ou um livro. Abriram seus computadores, conectaram-se à internet (sem fio e de alta velocidade) e estavam prontos para aprender a lição do dia: fotossíntese. “Cada dupla decide quais das atividades fará hoje”, disse ela, no início da aula.


Sem usar a lousa e movimentando-se pela sala, Leika passou os 80 minutos seguintes orientando pesquisas em bancos internacionais de dados on-line sobre fontes de energia. Ajudou a fazer simulações gráficas de como variações da luz e da temperatura podem afetar o resultado da fotossíntese. Corrigiu exercícios propostos a partir de vídeos a que os alunos assistiram em sites especializados na web. Depois, cada dupla de alunos produziu um relatório, compartilhado com os colegas e com a professora pelo serviço de arquivos on-line Google Docs. O sinal marcando o fim da aula bateu e nenhum caderno saíra das mochilas.

Essa aula aconteceu na Graded School, uma das melhores escolas de São Paulo. É o tipo de atividade com que sonham pais deslumbrados com a parafernália tecnológica que atualmente é alardeada por colégios particulares. Escolas que muitas vezes cobram mensalidades mais altas por isso. Há mais de 25 anos tenta-se comprovar a eficácia do uso da tecnologia no ensino. Mas depois de tanto tempo, e de tanto marketing, ainda resta a pergunta: usar tecnologia para ensinar faz os alunos aprender mais?


A resposta é sim. Dois estudos inéditos demonstram como a tecnologia ajudou a melhorar as notas de alunos da rede pública. A Fundação Carlos Chagas (FCC) acaba de concluir uma avaliação dos alunos de todas as escolas públicas do município de José de Freitas, no interior do Piauí, que desde o início de 2009 estudam com o apoio de lousas interativas, laptops individuais e softwares educativos. De acordo com o estudo, esses alunos melhoraram sua média de matemática em 8,3 pontos, enquanto os que não usaram a tecnologia avançaram apenas 0,2 ponto. O segundo estudo, da Unesco, braço das Nações Unidas para a educação, avaliou o desempenho de alunos de escolas públicas de Hortolândia, em São Paulo, que usaram salas de aula com lousa digital e um computador por aluno. O avanço foi de duas a sete vezes em relação aos colegas em salas de aula comuns.


O sucesso, porém, depende de como a tecnologia é usada. Não adianta trocar o caderno por notebook ou tablet sem ter estratégias e conteúdo para usá-los. Isso ficou claro em alguns fracassos no uso dos computadores. O Banco Mundial divulgou, no fim do ano passado, a avaliação de um programa do governo colombiano que distribuiu máquinas para 2 milhões de alunos. O impacto nas notas de espanhol e matemática foi próximo de zero. Em alguns casos, as notas até pioram depois da chegada dos aparelhos. Em 2007, uma pesquisa do Ministério da Educação do Brasil mostrou que alunos que estudaram, por três anos, em escolas com computador estavam pelo menos seis meses atrasados no aprendizado em relação aos outros. Em ambos os casos, os pesquisadores se limitaram a contar se havia computador na escola. Não avaliaram se as máquinas eram usadas para dar algum conteúdo, além dos cursos de processadores de texto e planilhas.


É por isso que, nos países mais adiantados na implantação de tecnologia, a discussão hoje é como usar a tecnologia da melhor forma. Nos países ricos, a questão do acesso às máquinas foi superada. Cerca de 97% da rede pública americana tem um computador por aluno. Na Alemanha, mais de 30 mil escolas estão equipadas desde 2001. Mas, depois de tanto tempo usando computador na sala de aula, as estatísticas de aprendizado nacionais não melhoraram significativamente. A pergunta é como usar a tecnologia de um jeito diferente. A Inglaterra criou um departamento só para pesquisar e avaliar o uso inovador da tecnologia em sala de aula. Na Coreia do Sul, o governo percebeu que, sem um conteúdo curricular fortemente relacionado à tecnologia, ela teria pouco efeito. Começou a produzir novos materiais didáticos para os computadores. “Ainda tendemos a conceber o papel da tecnologia como algo a que basta o aluno ter acesso que as coisas vão melhorar”, afirma o americano Mark Weston, estrategista educacional da fábrica de computadores Dell. “Essa era a ideia há 30 anos, mas agora sabemos que também é preciso ter boas práticas de ensino.” (
Leia a entrevista com Weston) A seguir, cinco práticas que ajudam a tecnologia a ensinar.



1. Saber para que usar a tecnologia

A tecnologia precisa ser usada com um propósito. A professora Leika, da Graded School, planejou a aula descrita no começo desta reportagem porque queria que os alunos aprendessem na prática a teoria que ela tinha ensinado, do jeito tradicional, na aula anterior. “Planejei em casa e pesquisei as melhores fontes para que isso acontecesse”, diz. Na sala de aula, quem domina a estratégia é o professor, mas também é decisão da escola, ou até de uma rede inteira, como usar determinada tecnologia. Em segundo lugar, o conteúdo tecnológico deve ser complementar ao transmitido da forma tradicional. “Não adianta dar para o aluno ler no computador o mesmo texto que ele leria no livro didático ou na apostila. Isso não o fará aprender mais ou melhor”, afirma Marcos Telles, diretor da Dynamic Lab, uma empresa de tecnologia de educação. Essa integração entre a tecnologia e o conteúdo das aulas é o maior desafio das escolas. As escolas municipais de Matinhos, no Paraná, tinham uma demanda específica: melhorar as notas de português e matemática de todos os 3 mil alunos da rede, com equidade. Foram atrás de um software educacional feito sob medida para isso. No computador, o aluno faz atividades interativas e evolui para as mais difíceis, de acordo com seu ritmo de aprendizado. “Alunos aprendem de jeitos diferentes e, no ensino tradicional, os que estão para trás acabam fadados ao fracasso por não receber acompanhamento adequado”, afirma Betina von Staa, pesquisadora da Positivo Informática, que faz os softwares educativos. Marcos Vinicyus de Oliveira, de 7 anos, poderia ter sido um deles. Em 2010, estava no 2º ano e ainda não conseguia ler nem cumprir tarefas mais simples, como copiar a lição da lousa. “Agora consigo juntar as letras no computador”, diz. Marcos aprendeu a ler e a escrever depois de começar a usar o programa.



2. Transformar o jeito de dar aula

Para usar qualquer tecnologia, da câmera digital ao computador, é preciso abandonar a geografia tradicional da sala de aula, aquela que coloca o professor na frente do quadro e os alunos enfileirados anotando tudo. Uma das tecnologias mais antigas em prática nas escolas brasileiras e que dá certo é a robótica. Ela reforça a ideia de ensinar de forma diferente: são aulas em que os alunos, sempre em grupo, precisam executar um projeto: programar e montar um robô. “Aprendi a trabalhar em equipe e a prestar atenção em pequenos detalhes”, diz César Henrique Braga. Ele acabara de terminar seu primeiro robô, um jipe lunar, com outros três colegas do 6º ano do colégio COC Vila Yara, em Osasco, São Paulo. “O aluno precisa aprender a usar o conhecimento para criar”, diz Paulo Blikstein, professor da Escola de Educação da Universidade Stanford. Blikstein ensina professores da rede pública dos Estados Unidos a ensinar em ambientes com tecnologia. Para ele, a vocação da tecnologia é ajudar no ensino por projetos. Essa estratégia parte dos conteúdos do currículo tradicional, como escrita e matemática, para desafiar os alunos a executar tarefas criativas, como fazer um filme. E essas habilidades dificilmente são ensinadas nas aulas tradicionais.



3. Mudar a relação entre professor e aluno

Segundo Blikstein, um dos maiores desafios na hora de usar tecnologia é mudar a prática e a mentalidade dos professores. Isso aconteceu no início do projeto em Hortolândia, estudado pela Unesco. Ele foi elaborado e executado por especialistas em educação da fabricante de computadores Dell e da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo. O objetivo era melhorar o aprendizado de português e matemática de 5.500 alunos do 6º e 7º ano do ensino fundamental e 1º e 2º ano do ensino médio, de 23 escolas estaduais. As salas de aula ganharam um computador por aluno e lousa digital, com material didático digital desenvolvido por educadores da Universidade de São Paulo (USP). Foi preciso um ajuste de cara. As aulas não estavam durando o tempo planejado. O material fora criado para aulas de 50 minutos. Mas elas acabavam em apenas 20. Isso porque os professores usavam a lousa digital como se fosse um quadro-negro tradicional. “Eles não davam espaço para os alunos interagirem com a lousa”, diz Ricardo Menezes, diretor da área de educação da Dell para o Brasil. A prática do professor também está ligada a sua relação com o aluno e a seu domínio sobre a classe. A concentração dos alunos na aula é um dos fatores mais determinantes para que eles de fato aprendam. Várias pesquisas e estudos já foram feitos sobre isso, mas não existe uma fórmula mágica que garanta que garotos se interessem mais por cálculos de raiz quadrada do que por bater papo com um colega. Mas alguns especialistas dizem e pesquisas demonstram que, usada da maneira correta, a tecnologia pode sim ajudar a prender a atenção. “Como é uma linguagem que o aluno conhece, o professor se aproxima com mais facilidade”, diz Maria Elizabeth Almeida, professora do programa de pós-graduação em educação curricular da PUC de São Paulo.





Fonte: Revista Época/ Camila Guimarães. Com Letícia Sorg

Aprender com os jovens

Compartilhamos artigo de Mary Grace, publicado no dia 1º de julho no blog das editoras Ática e Scipione.




Ainda que as crianças e jovens com menos de dezoito anos não sejam oficialmente autorizados a participar da maior parte das redes sociais, conforme as regras e particularidades previstas por cada uma delas, todos nós sabemos o quanto eles estão presentes em canais como Twitter, Orkut e Facebook.

Alguns são incentivados pelos próprios familiares, enquanto outros descobrem os caminhos por conta própria e administram suas contas da mesma forma: sem que os pais saibam ao certo quantas e quais interações seus filhos produzem.
Há cada vez mais escolas preocupadas com este fato. Não é de hoje que educadores decidem aderir às redes sociais e acabam se deparando com comunidades ora homenageando sua didática, ora criticando…

Os mais “antenados” buscam aproveitar o clima de descontração dessas redes, aproximam-se dos alunos e fazem delas uma ferramenta para conhecê-los melhor. Já outros questionam a falta de privacidade e se sentem pouco à vontade em compartilhar passagens de sua vida. Os jovens costumam se expor mesmo, mas os adultos deveriam, em tese, ter maior controle a respeito disto.
O fato é que os alunos estão cada vez mais presentes nesses ambientes virtuais. Por isto, é preciso lembrar que, embora não saibam tudo a respeito de como lidar com a exposição da intimidade, cyberbullying e questões afins, temos muito o que aprender com eles, sobretudo se observarmos seu comportamento em rede.

Recentemente, o jornal Folha de São Paulo publicou uma
reportagem em que relatava que algumas escolas estão acompanhando e até fiscalizando o que os alunos realizam na rede. Na prática, além das questões relacionadas ao bullying, a maior preocupação de algumas delas é a sua própria imagem institucional, ou seja, se o que os alunos publicam a respeito do dia a dia escolar e de seus professores arranha a visão da instituição perante os outros.
Porém, se a preocupação for apenas essa, o máximo que a escola conseguirá fazer é punir os alunos a cada vez que houver um comentário que desagrade à gestão, sem efetivamente resolver o problema. Cabe analisar se estes alunos estão se sentindo à vontade para fazer críticas ou para serem “ouvidos” apenas nas redes sociais. Se isto acontece, teremos indícios de que provavelmente faltam na escola outras oportunidades de compreensão sobre como os alunos pensam e as razões pelas quais agem de determinada maneira.

A nova geração percebe cada vez mais a agilidade de participação e mobilização dos canais virtuais. Assim, ao invés de acompanharmos as redes sociais apenas com a intenção de “encontrar coisa errada”, cabe observarmos o comportamento desses jovens, como e o que comunicam, para de fato desenvolvermos projetos que explorem mais as suas potencialidades.


Quer um exemplo?
Em 2007, a escritora britânica J. K. Rowling, autora de Harry Potter, anunciou que a tradução para o português de um dos títulos da série levaria três meses para ser lançado. Uma garota de quatorze anos, indignada com a demora e ansiosa para ler a história e para compartilhá-la com os amigos,
liderou uma comunidade no Orkut que traduziu o livro em menos de dez dias.
Parte da imprensa questionou a garota e seus pais pelo fato de ela ter realizado uma ação “ilegal”, mas os jovens do grupo não entendiam como poderia ser ilegal a intenção de compartilhar uma leitura com milhares de outros interessados, considerando que todos comprariam o livro original – inclusive para comparar a tradução.


Na comunidade virtual, eles questionavam também como poderiam ser criticados por disseminar a leitura, já que os adultos vivem dizendo que os jovens não gostam de ler. Fora isso, lamentavam as críticas dos jornais que questionavam erros de tradução, sendo que havia realmente jovens que estavam aprendendo inglês durante o processo e isso era muito bacana para o grupo. Diziam, ainda, que não concordavam com todas as traduções oficiais.

Na época, participei dessa comunidade ativamente para entender a motivação daqueles jovens em traduzir um livro. Fiquei realmente surpresa com a capacidade de colaboração e mobilização deles. Lembro-me que planejavam desenvolver uma versão em áudio, voltada para pessoas com deficiência visual, e discutiam para tanto como o personagem teria a mesma voz do início ao fim – algo muito mais trabalhoso se comparado ao processo de tradução realizado anteriormente. Esta experiência e muitas outras – como a dos alunos que compartilhavam os resultados de exercícios pela internet – nos ajudam a perceber como pensa essa geração.

Ainda que a tendência seja olhar sempre o que está errado, está mais do que na hora de pensarmos em como mudar as propostas que apresentamos aos alunos. É preciso realmente aproveitar sua vontade natural de colaborar, interagir e produzir algo significativo. Não faz mais sentido que continuem produzindo apenas atividades para serem entregues e corrigidas por um professor, ou atividades iguais para todos os alunos, de modo que se sintam apenas mais um número em sala de aula.

É preciso promover projetos que realmente tenham sentido social para ele, que tenham orgulho de mostrar e compartilhar com os amigos, como a produção de um vídeo, uma paródia, um programa de rádio ou audiocast, um jornal a ser lido por outros alunos, um blog… Enfim, tudo aquilo que costuma acontecer fora da escola.

Pensando assim, as escolas não precisarão vigiar os alunos, buscando o que eles deverão apagar ou pensando em formas de puni-los. O trabalho será garimpar o que existe de mais interessante para tornar a educação mais significativa. Cada vez melhor divulgada, ela ampliará as possibilidades de outras escolas.

Obs: Em tempo: Deixo uma dica: professores e pais interessados em promover uma discussão sobre uso seguro da internet agora podem contar com o
game Galáxia Internet, disponível aqui.
Fonte: Blogs da Ática e Scipione 01/07/2011