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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Bebês censurados

Compartilhamos para reflexão coluna de Eliane Brum, da Revista Época, publicada no site da revista em 16/05/2011.


"É perigoso quando a internet confunde banho de criança ou amamentação com atos de pedofilia"

Eliane Brum



Em abril, um pai levou sua filha à cidade onde viveu boa parte da vida para apresentá-la aos amigos mais queridos. Para receber sua família, foi preparado um jantar caprichado na casa da madrinha do bebê. Como o aniversário do pai aconteceria dias mais tarde, os amigos decidiram lhe dar um álbum de fotos desse acontecimento tão especial e planejado desde que a criança nasceu. E assim, a fotógrafa do grupo a qual também pertenço, dedicou-se a registrar todos os momentos.

Tão logo minha amiga editou as fotos, colocou-as num álbum do Hotmail que pudesse ser compartilhado pelo número restrito de pessoas que haviam participado da festa. Algum tempo depois, ela recebeu um aviso enorme da Microsoft, em inglês, que, resumidamente, dizia o seguinte: “Nós encontramos imagens envolvendo nudez de crianças em sua conta. Se você não retirá-las em 48 horas, seremos obrigados a cancelar esta e outras contas. Esta política busca reduzir os riscos na comunidade online. A Microsoft leva a sério a segurança das crianças. As violações incluem nudez, nudez parcial, pornografia, assédio, comportamento ilegal ou ofensivo”.

Minha amiga demorou alguns bons minutos para encontrar alguma pista sobre o crime do qual estava sendo acusada ao fotografar episódio tão amoroso. Então descobriu: havia pelo menos duas fotos dos pais com o bebê durante o banho. E ninguém ali tinha uma mente tão perversa a ponto de pensar que aquele momento inocente pudesse ser remotamente confundido com algum tipo de pornografia ou ato pedófilo que exigisse providenciar o impossível: um banho de roupa no bebê.

Assustadíssima, minha amiga tirou o álbum inteiro da rede. A situação me pareceu surreal. Mais ainda porque, entre as muitas ironias, está o fato de que a suspeita é uma jornalista que se especializou e se dedicou à proteção da infância e da adolescência nos últimos 20 anos. Por sua atuação nessa área é convidada a dar palestras e oficinas no Brasil e fora dele. E já ganhou prêmios por seu trabalho em Direitos Humanos. De fato, não haveria ninguém mais improvável do que ela de cometer algum ato de pedofilia contra um bebê ou disseminar pornografia infantil na internet.


Na semana passada, a imprensa noticiou que a jornalista Kalu Brum foi censurada na mais poderosa rede social do planeta, o Facebook, após postar uma foto amamentando seu filho. Em 10 de maio, Kalu recebeu a seguinte mensagem: “Olá. Você carregou uma foto que viola nossos Termos de uso e ela foi removida. O Facebook não permite a publicação de fotos que ofendam um indivíduo ou grupo, ou que possuam nudez, drogas, violência ou outras violações de nossos Termos de Uso. Essas políticas são desenvolvidas para garantir que o Facebook continue a ser um ambiente seguro e confiável para todos os usuários, incluindo as crianças que usam o site”.

O caso foi divulgado e debatido no blog Mamíferas. E depois de a foto ter sido retirada do ar, Kalu lançou o “Mamaço no Facebook” – um protesto que incentiva as mulheres, até 20 de maio, a trocar as fotos de seus perfis por imagens em que estejam amamentando, e os homens a trocá-las por fotos das mães de seus filhos nesse mesmo ato saudável.


Os dois casos da internet – que com toda certeza não são os únicos, muito pelo contrário –, fazem soar uma sirene na nossa cabeça. E eu acho que precisamos escutá-la antes que o mundo fique estranho demais. Tanto a Microsoft quanto o Facebook estão agindo “em nome do bem”. E, assim como outras corporações poderosas da rede, têm sido pressionados a responder pelos conteúdos veiculados em seu ambiente virtual pela Justiça de diferentes países. Obviamente as mensagens que Kalu e minha amiga – e muitos outros – receberam são automáticas, geradas sempre que o programa detecta algum tipo de ameaça. Uma proporção maior de pele nua, talvez. Só o Facebook e a Microsoft podem nos explicar os mecanismos utilizados em seu sistema para detectar supostas violações.

O fato é que o programa não tem como avaliar subjetividades. E então imagens de uma mãe amamentando ou um bebê tomando banho sob o olhar embevecido de seus pais são imediatamente censuradas em termos ameaçadores. No mundo virtual, o rotineiro banho do bebê cujas fotos circulam entre amigos e parentes passa a ter o mesmo potencial criminoso do rotineiro banho do bebê que circula entre as redes de pedofilia. Porque, a rigor, a nudez do bebê é a mesma. O que muda é o olhar do espectador. E o uso das imagens.


Embora existam quadrilhas que escravizam ou pagam por fotos de meninas em posições eróticas ou atos sexuais, um pedófilo se excitaria, e um criminoso poderia vender a foto de uma criança de biquíni na praia, construindo um inocente castelo de areia, para uso ilegal. Porque, de novo, o que caracteriza a ilegalidade neste caso são o olhar e o uso.

A saída deveria ser voltarmos a uma espécie de era vitoriana e obrigarmos nossos filhos a tomar banho de mar vestidos porque existem pessoas doentes e outras criminosas no mundo em que vivemos? Ou amamentarmos trancadas em quartos, com vergonha de nossa natureza? Ou dar banho no bebê de portas fechadas, escondidos de todos como se fosse algo feio ou proibido? Acredito que lutamos muito para lidar melhor com nossos corpos e nossas vidas para tal retrocesso.

Mas é algo semelhante o que está acontecendo na internet – um mundo no qual vivemos durante boa parte do nosso dia e pelo qual nos comunicamos com amigos, parentes, parceiros de trabalho e desconhecidos. Um mundo virtual – mas bem real.

Na rede, tudo virou a mesma coisa – e confundi-las me parece muito perigoso. Porque, se começarmos a tratar da mesma maneira uma mulher amamentando seu bebê e um ato de pedofilia, logo não saberemos mais a diferença. E, se não soubermos mais a diferença, não haverá mesmo como prevenir e punir o crime.

O outro ponto que deve fazer a sirene da nossa cabeça tocar ruidosamente diz respeito à Lei. Para criar ou alterar uma lei em um país democrático, é necessário antes que o texto seja discutido e aprovado pelo Legislativo. E, ultimamente no Brasil, pelo vazio e pela indigência desta instância, algumas questões cruciais têm sido debatidas e decididas pelo Supremo Tribunal Federal. No processo democrático, o debate se estabelece na imprensa e nas ruas, as opiniões se digladiam, e o cidadão influencia nas decisões seja pelo seu voto, seja pelo seu poder de manifestação. Do mesmo modo, a polícia precisa de autorização judicial para grampear alguém dentro da lei.


Na internet, não. Há uma espécie de polícia virtual, transnacional e privada atuando em nossas vidas como bem entende. Porque, para esta “polícia”, não somos cidadãos – mas clientes (ou “customers”, já que a comunicação, em geral, é em inglês. Quantos de nós, no mundo inteiro, têm seu cotidiano ligado a marcas como Microsoft, Google, Apple, Facebook, Twitter, etc? Me parece que não temos percebido que vivemos sob suas leis. E uma delas nos diz que o banho de nossos bebês ou o momento da amamentação é pedofilia.

A partir do momento em que vasculham nossos arquivos e recebemos o aviso de que estamos violando sua política de uso, nossa escolha é aceitar o veredicto e retirar as imagens do ar, quando não as eliminam por sua própria conta – ou sermos banidos desse mundo.
Supostamente seria uma escolha estar ou não na rede, usar ou não a mercadoria que oferecem. De fato, cada vez mais deixa de ser uma escolha, já que boa parte da população do planeta não pode mais conceber sua vida pessoal e profissional sem estar em alguns desses conglomerados virtuais.

Como disse Kalu Brum para esta coluna: “Tive de concordar que li e aceitei os termos de uso do Facebook de que a foto feria as regras. Fiquei indignada e por isso pensei em sair da rede. Vejo tantas fotos com pessoas de decote, shorts minúsculos, por que uma foto de amamentação, em que o mamilo nem aparecia, estava sendo retirada? Imediatamente pensei que poderia usar a própria rede social para mobilizar mulheres a trocarem suas fotos do perfil”.

Acho ótimo que alguém tenha decidido reagir e torço para que o “mamaço” organizado por Kalu surta algum tipo de efeito no Facebook. Mas sabemos o tamanho e o poder desta rede com mais de 600 milhões de usuários no planeta – e como é difícil atingi-la ou influenciá-la. Não é por acaso que a manifestação contrária à política da rede social aconteça dentro da rede social, sem que o Facebook perca um único usuário. E é sobre isso que também precisamos refletir.

Assim como Kalu, minha amiga também retirou o álbum de fotos, chocada, e seguiu sob o império da Microsoft. E, possivelmente, se me acontecesse algo semelhante, eu faria o mesmo. Porque preciso usar as redes e não tenho escolha. De fato, sem nenhum direito de defesa ou julgamento, se não acatarmos que o banho do bebê ou a amamentação é pedofilia – porque é isso que aceitamos como verdade quando retiramos as imagens da rede ou continuamos lá depois que são retiradas –, somos banidos do mundo. Como párias.


E é assim que chegamos a resultados concretos como estes: uma das jornalistas mais atuantes na área da proteção dos direitos da infância e da adolescência é obrigada a eliminar um álbum virtual de acesso restrito porque há nele a foto de pais dando banho em seu bebê; uma mãe amorosa tem a foto em que amamenta seu filho retirada da rede social da qual participa. Tudo em nome do bem. E, claro, como muito do que nos tem sido impingido nos últimos anos, com a melhor das intenções.

Até o final do século XX, esta era uma realidade que só havíamos vislumbrado pela ficção. Agora, o futuro chegou. Não há respostas nem soluções fáceis para as questões apresentadas pelo novo mundo. Mas acho que é preciso ouvir a sirene e acordar.

(Eliane Brum escreve às segundas-feiras.)

Manual sobre medición del uso de las TIC en educación

El documento “Medición del Uso de las Tecnologías de la Información y la Comunicación (TIC) en Educación- Manual del Usuario” representa una iniciativa innovadora tendiente a poner en práctica conceptos internacionales normalizados y especificaciones de los indicadores de medición que garanticen el uso e interpretación consistentes de estadísticas de TIC en educación.

El manual fue redactado por el Instituto de Estadística de la UNESCO (IEU) que es la oficina de estadística de la UNESCO y el depositario de la ONU en materia de estadísticas mundiales en los campos de la educación, la ciencia y la tecnología, la cultura y la comunicación.

Creado en 1999, su objetivo es mejorar el programa estadístico de la UNESCO y desarrollar y suministrar estadísticas fieles, oportunas y políticamente relevantes, requeridas en un contexto social, político y económico cada vez más complejo y en constante y vertiginosa evolución. La Sede del IEU se encuentra en Montreal, Canadá.

Para Hendrik van der Pol, Director del Instituto de Estadistica de la UNESCO; “este manual presenta un conjunto más completo de indicadores internacionales comparables sobre el uso de las TIC en la educación, junto con la definición estandarizada de los conceptos fundamentales, preceptos de medición detallada y una guia práctica en la interpretación adecuada de los indicadores”. Agrega, además, que “el conjunto de nuevos indicadores propuestos abarca una gama más amplia de los dominios conceptuales, que responde a las necesidades políticas, tanto a nivel nacional como internacional (por ejemplo, la CMSI, los Objetivos de Desarrollo del Milenio y la Educación para Todos). Los indicadores proporcionan múltiples ángulos de evaluación sobre la penetración de las TIC en los sistemas de educación en una perspectiva comparativa”.

Este documento está diseñado para ayudar a los Estados Miembros en el desarrollo de su capacidad y monitoreo de las metas nacionales en este ámbito. Su objetivo es también el establecimiento de normas en un campo de rápida evolución en el cual las tecnologías incitan a la utilización de nuevos dispositivos, normas y procedimientos diferentes para la enseñanza y el aprendizaje. Por tanto, el ISU producirá revisiones sistemáticas continuas de esta guía a fin de reflejar avances tecnológicos”.

Acceder al manual

Fuente: RELPE. Red Latinoamericana portales educativos

Boa semana com boas notícias!!!!

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Agenda de Atividades de Educação para os Media

Conheça a publicação "25 + UM - Agenda de Atividades de Educação p/os Media", organizado por Sara Pereira, Luis Pereira e Vitor Tomé http://migre.me/4woJM


Compartilhamos abaixo, uma das atividades sugeridas pela agenda, usando o jornal. Lembramos que a publicação está escrita em português de Portugal, daí o uso de algumas palavras que não são muito correntes no português do Brasil e a ortografia diferente.




Na redacção de um jornal

"Esta actividade pretende simular a redacção de um jornal diário de informação geral, mais especificamente, uma reunião de última hora para decidir sobre um assunto que não é consensual.


Para iniciar, os alunos assumem, individualmente ou em grupo, diferentes papéis deprofissionais ligados à produção de um jornal, por exemplo, director, editores de secção, jornalistas, repórteres fotográficos. Para este caso, vamos convocar também o director de marketing e publicidade e o provedor do leitor.


Depois de atribuídos os papéis e de cada um saber exactamente aposição que vai tomar, dá-se início à reunião.


O ‘director’ comunica aos presentes que esta reunião de última hora deve-se ao facto denão haver concordância quanto à publicação de fotografias de uma situação de bullying ocorrida numa escola entre duas raparigas. As fotografias são chocantes e mostram claramente a rapariga agredida e a rapariga agressora.


O jornal tem de ir para impressão, é urgente fazer o fecho da edição, há que tomaruma decisão quanto à publicação, ou não, das fotos. Cada um vai apresentar os seusargumentos.Há que decidir!


O professor orienta a actividade e promove a discussão final, levando a reflectir sobre osargumentos apresentados pelas várias partes. Será importante convocar os princípios daresponsabilidade social dos media.


Para animar o debate, é importante que na atribuição dos papéis e na especificaçãoprévias das posições a tomar sejam considerados argumentos contra, pró e outros maismoderados. Caberá ao director a decisão final.


O caso aqui sugerido é apenas um exemplo, podendo recorrer-se a outras situações ouacontecimentos, podendo-se mesmo ter por base casos da actualidade".

Tablet vira mania entre adultos e crianças e motivo de briga

É quando a mãe de Beatriz Guardabassi, 9, chega em casa que a brincadeira começa. No iPad da mãe, a menina brinca de trocar a roupa da Barbie, faz a boneca virar confeiteira e ensina a mãe a jogar xadrez. O brinquedinho vira até motivo de briga: "Tem vezes que a minha mãe quer usar e o meu tio também, e vira uma confusão", conta.



O tablet funciona como um computador. Nele, dá para brincar com games, pintar, desenhar e ler livros. Não precisa ligar na tomada nem usar mouse ou teclado. Basta o toque dos dedos para acionar a tela. iPad é um dos modelos.

Manuela Werneck, 11, fala do aparelho como quem entende do assunto: "O tablet é'touch' [sensível ao toque, em inglês] e não trava como o computador". A menina, assim como suas irmãs gêmeas Maria e Caroline, 6, adora brincar com jogos como quebra-cabeça.


Na casa delas, o tablet é também disputado com o pai. Como resolver a questão? O jeito foi fazer sorteio.


Para não ter briga, Guilherme Mendes, 9, ganhou um iPad só para ele. Mas nem assim ficou livre de confusão: "Meu iPad tem capacidade maior que o do meu irmão, de 14 anos. Ele pega o meu e a gente briga".


O especialista em tecnologia Alexandre Momma diz que é legal o tablet ser usado pela família toda.


"A ideia das redes sociais veio para ficar mesmo. O tablet também veio para ser compartilhado", afirma.



AMIGOS OU INIMIGOS?


Uma pesquisa da fundação Kaiser Family de 2010 apontou que crianças e jovens americanos de 8 a 18 anos passam mais de sete horas mexendo com computador, celular e outros eletrônicos. Mas é preciso ter cuidado com o excesso


A luz dos tablets, por exemplo, pode fazer mal para a visão. E é importante ter cuidado com quem se fala pelo tablet e por outros aparelhos, para garantir a segurança na internet. O ideal é dosar bem as atividades nos eletrônicos com outras brincadeiras, principalmente ao ar livre.



DO PAPEL À TELA
Conheça o caminho que as histórias escritas percorreram:
Papiro

É uma planta que começou a ser usada entre 2500 e 4000 antes de Cristo, no Egito, para criar uma espécie de papel. Na mistura do papiro, tinha também cola, farinha ou miolo de pão cozido.


Pergaminho

Era feito com pele de animais como o carneiro. Os pergaminhos mais antigos que os cientistas encontraram são do século 3 e estão na Biblioteca Vaticana, na Itália.
PapelOs livros começaram a ser feitos na China, por volta do ano 213 antes de Cristo, com folhas de seda. Elas eram bem caras. Por isso criaram um papel com cascas de plantas. Hoje, o papel é feito com madeira.


Prensa

No século 15, um homem chamado Gutenberg começou a usar tipos móveis (espécie de carimbo) para produzir livros. Assim, foi possível imprimir livros em vez de escrevê-los à mão.
TelaSurgiu na TV e no computador. Nos anos 80, cientistas começaram a estudar telas sensíveis ao toque dos dedos. Elas ficaram famosas com o iPhone, o celular da Apple, e estão nos tablets.





LER É OUTRA AVENTURA

O tablet é mais do que um brinquedo. Os especialistas contam que ele deve entrar até nas escolas. Já imaginou os seus livros escolares dentro dele? Com certeza, a mochila ficaria bem mais leve.


Mas algumas histórias já estão sendo contadas para crianças nesses aparelhos. Em "A Menina do Nariz Arrebitado" (ed. Globo), de Monteiro Lobato, peixes nadam na página e, com os dedos, você brinca de desembaralhar letrinhas.



Outra editora pioneira é a Manati. Ela lança neste mês "Chapeuzinho Vermelho" e "Os Três Porquinhos" para iPad. Com ilustrações de Mariana Massarani, eles têm opções divertidas, como gravar a voz de quem brinca.

Os tablets também são cheios de notícias. A revista "Timbuktu", feita na Itália, conta o que ocorre no mundo para as crianças (em inglês).



Por causa do interesse das crianças, fabricantes anunciaram que vão produzir tablets especiais para elas até o fim do ano. Os aparelhos devem ter tela mais resistente e bordas emborrachadas, para não estragar facilmente.


Fonte: Folhinha/ Folha de São Paulo-Martha Lopes Fotos: Zé Carlos Barretta(1), Rafael Andrade (2) e Apu Gomes (3)

Fontes: Alexandre Momma (diretor de atendimento da área de tecnologia da TNS Research International); Eduardo Chaves (consultor da Microsoft e diretor de gestão educacional da Lego Education no Brasil); Guilherme Werneck (CallNet); Marcos Maltempi (professor do Departamento de Estatística, Matemática Aplicada e Computação da Unesp de Rio Claro) e Sônia Petitto (professora do Departamento de Educação da Unesp de Marília).

Alunos da José Herculano estão fazendo um jornal



Os alunos do 5° ano da Emef José Herculano de Araújo Ordine, de Araçatuba/SP, estão descobrindo uma nova forma de entrar em contato com a leitura. Os estudantes estão montando um jornal dentro da sala de aula. O objetivo é descobrir os acontecimentos da cidade e região, além de conquistar uma nova visão do mundo.


Segundo a professora Ana Carolina Sousa, coordenadora do projeto, o contato com a leitura e a descoberta do jornal começou no início de 2010 quando o jornal Folha da Região foi levado para dentro da sala de aula. A professora explica que a intenção inicial era mostrar aos alunos o que existe além dos portões da escola.



"A ideia do jornal partiu da própria classe, que queria se inteirar sobre os acontecimentos atuais e, também, usá-lo como um meio de fazer reivindicações escolares”, conta a educadora.



CONQUISTAS

Para a aluna Vitória Lilian JesusFerreira, de 9 anos, “está sendomuito legal fazer o jornal”. Deacordo com ela, a turma vai ficarmuito feliz quando ele ficar completamentepronto, “Percebi queminha leitura melhorou muito e estouem dia com as informações,"ressaltou.



A professora Ana Carolina explicaque os assuntos escolhidos parao jornal dos estudantes são referentesaos acontecimentos da escola."Eles estão fazendo reportagenssobre o ambiente escolar, contam‘polêmicas’ que surgem entre os alunos, falam sobre o material escolar e a importância do uso do uniforme,"adianta. No informativo ainda foi reservado espaço para uma agenda de festas, dicas de leitura, histórias em quadrinhos eum espaço onde os alunos podem expressar opiniões.



Para Guilherme Adrian Francelino de Jesus, de 10 anos, a leiturado jornal e a preparação dasmatérias estão sendo muito importantes."Cada dia aprendo algonovo e o mais legal é que o jornal está virando uma leituragostosa. É muito bom aprenderdesse jeito", afirma.



APRENDIZADO

Para o estudante Felipe Diasde Oliveira, o conhecimento de novaspalavras e o aprendizado da língua portuguesa estão sendo muito importantes. "Existem muitas palavrasdiferentes. Quando não entendoa palavra, é bem provável quenão entenderei a matéria. Então, as palavras que não conheço, vou buscar no dicionário. Assim, consigo sempre melhorar meu vocabulário e a gramática", acredita.



O jornal que está sendo preparado pelos estudantes será bimestral. Segundo a professora, os alunos têm liberdade para escrever o que desejam. Todas as atividades são guardadas para a data do fechamento, que ficará a critério dos próprios estudantes.



SALDO POSITIVO
A professora Ana Carolina afirma que o trabalho de fazer um jornal na sala de aula já rendeu
muitos frutos positivos. Segundo ela, os estudantes tiveram melhorias em diversas áreas, como leitura, interpretação de textos e também na produção textual.


Além disso, a professora explica que, por meio da leitura periódica do jornal, as crianças estão adquirindo senso crítico e se posicionando ativamente sobre os assuntos abordados, especialmente os mais polêmicos.


O trabalho de levar o jornal na sala de aula começou em 2010 quando os alunos estavam na 4° série. Com os resultados positivos obtidos, a escola José Herculano de Araújo Ordine quis aprimorar o trabalho, agora com o apoio do Programa Ler para Crescer, que ajuda professores e distribui gratuitamente os exemplares dos jornais.



Fonte: Folha da Região - Programa Ler para Crescer (3 de Maio/2011)

Alunos criam charge a partir de notícia de jornal


Notícia sobre operação na Assembleia Legislativa do Paraná resultou em um estudo crítico envolvendo História, Artes, Língua Portuguesa e informação.

Como manifestar o senso crítico em jovens estudantes? Foi essa a indagação das professoras Ana Paula Serafim (História), Rosana Malanski (Artes) e Salete Franczak (Língua Portuguesa), da Escola Estadual Pio XII, em Irati, ao perceber que não apenas a leitura de notícias e outros textos publicados em jornal eram capazes de promover a crítica em seus alunos. Elas utilizaram como ponto de partida a charge, por acreditar que o senso crítico pode ser desenvolvido não somenste com a leitura de textos jornalísticos, mas também através do estímulo à criatividade e humor. “A análise de charges de um jornal permite a percepção do humor crítico e das ideias implícitas no discurso do texto”, acreditam as educadoras. O trabalho foi desenvolvido na turma do 9º Ano ‘C.’




O que mais motivou a participação coletiva na produção das charges foi a notícia divulgada dia 27 de abril no Jornal da Manhã: Assembleia Legislativa é alvo de operação da Receita. Um assunto que teve grande repercussão na mídia.


Aproveitando a informação, a professora de História, Ana Paula, envolveu o conteúdo dos ‘Desafios Educacionais Contemporâneos’ (Diretrizes Curriculares do Estado do Paraná). Ela explica que o tema deve ser abordado em conjunto com as temáticas planejadas pelos docentes durante o ano letivo e que diz respeito à fiscalização e controle do dinheiro público por parte de cada cidadão brasileiro. “Cabe aqui destacar a educação fiscal, já que a mesma envolve fraude e corrupção com relação ao desvio do dinheiro público. Neste contexto, foram esclarecidos alguns termos específicos, tais como ‘laranja’, ‘operação’ e ‘tubarão’, para que os alunos compreendessem melhor o texto”, explica.

As educadoras comentam que todos demonstraram interesse e repúdio pelo teor da notícia, questionaram questões políticas, como corrupção, e recursos destinados à educação e saúde. Elas perceberam uma preocupação social e política através das imagens e textos que eles usaram para criar as charges.


Fonte: Programa Vamos Ler/Jornal da Manhã-PR Maio/2011