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terça-feira, 10 de maio de 2011

Atividades burocráticas consomem 34% das aulas brasileiras

No Brasil, em média, 34% do tempo de aula é utilizado em tarefas burocráticas, como a realização da chamada de presença ou a distribuição de deveres de casa. Ou seja, o aproveitamento da aula para ensino efetivo não ultrapassa os 66%. Segundo estudo do Banco Mundial, essa média fica bastante aquém da dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em que 85% do tempo é usado para o aprendizado.

Em termos práticos, se considerarmos o período de uma hora-aula de 50 minutos (duração corrente de uma aula no Brasil), a média de tempo de aprendizagem no País é de 33 minutos. Já a da OCDE é de 42 minutos e 30 segundos. O estudo foi realizado nas redes estaduais de Pernambuco e Minas Gerais, e na rede municipal do Rio de Janeiro.

No País, também há os casos extremos de maior e menor utilização do tempo para atividades letivas: a pesquisa constatou que os professores que usam mais tempo ensinando, aplicam nessa tarefa 40 minutos e 30 segundos de uma hora aula (o que corresponde a 81% do período) – proporção mais próxima da média da OCDE.

Por outro lado, há docentes que utilizam apenas 37% do tempo das aulas ensinando, o que corresponde a 18 minutos e 30 segundos (em 50 minutos). Em alguns casos, o professor fica até mesmo fora da classe durante o tempo de aula.

Os alunos com mais tempo para aprender durante a aula, na prática, estudam cerca de 88 dias letivos a mais do que os colegas que assistem às aulas com menores aproveitamentos.

Metodologia
O estudo, coordenado por Barbara Bruns, economista principal do Banco Mundial para Educação na America Latina, utiliza uma nova metodologia para a observação de sala de aula chamada de "Stallings". "Esse método tem variáveis, como o uso do tempo, o uso de livros, do quadro-negro, de tecnologias da informação, se o professor está fazendo atividades de perguntas e respostas", explica Barbara.

Um observador treinado recebe uma ficha e, em dez observações de 15 segundos (espaçadas durante 50 minutos), codifica o tempo que o professor usa em atividades acadêmicas, de administração da sala ou fora de aula. Também são codificados os materiais empregados e se a turma inteira está envolvida ou se apenas uma parte mantém a atenção.

No País, estão em andamento pesquisas nas redes estaduais de Pernambuco e Minas Gerais e na rede municipal do Rio de Janeiro. Na América Latina, o estudo já começou no México, na Jamaica, na Colômbia, na Guatemala e no Paraguai. O Banco Mundial pretende estender a metodologia para El Salvador, Chile, Peru e Guiana.

Acesse o sumário executivo aqui! E a íntegra do estudo aqui!

Fonte:Todos pela Educação/ Simone Harnik 09/05/2011

Smartphone é usado na alfabetização de adultos

Celulares do tipo smartphone estão sendo testados no apoio à alfabetização em três cidades do interior de São Paulo. Cerca de 80 alunos receberam o aparelho com um aplicativo que complementa os exercícios feitos em salas de aula da EJA (Educação de Jovens e Adultos).

O celular vem com chip e créditos para envio de mensagens. Ao receber o aparelho, os alunos fazem um teste que informa a uma central seu nível de aprendizagem. Em dezembro, após uma avaliação, os alunos que apresentarem progresso no curso ganharão o celular.

O Programa de Alfabetização na Língua Materna é uma parceria entre a empresa de tecnologia educacional Ies2 e as prefeituras de Campinas, Itatiba e Pirassununga.

Segundo o professor José Luiz Poli, idealizador do projeto, a possibilidade de fazer os exercícios no trajeto para o trabalho e a motivação de dominar um aparelho moderno ajudam a manter o interesse e a fixar o conteúdo aprendido.

A primeira fase do projeto é voltada para analfabetos plenos. No início das aulas, eles fazem avaliações, exercícios e jogos educativos.

"Quando tem que completar a palavra, lembro a letra mais rápido com o celular", conta o estudante de Campinas Cláudio Oliveira, 38.

Para Edicelmo Costa, diretor educacional da Fumec (Fundação Municipal para Educação Comunitária), responsável pelo programa em Campinas, desde o início do projeto, há cerca de um mês, a frequência aumentou.

Até agora, o programa incluiu estudantes de 15 a 50 anos. "Um dos maiores motivos de abandono das aulas é a vergonha de ser analfabeto. Com o celular, o aluno usa fones e faz o exercício sem ninguém saber o que é", diz uma das responsáveis pelo aplicativo, Ana Lúcia Barduchi.

Fonte: Folha de São Paulo (SP)/ Marília Rocha 05/05/2011

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O cinema, o vídeo e um olhar crítico

Compartilhamos abaixo matéria do Caderno Escola, do jornal Tribuna do Planalto (GO).

Câmeras, aparelhos de DVD, televisões. Será que equipamentos tão simples podem realmente mudar a realidade de crianças e adolescentes carentes? Tese de doutorado e experiências goianas mostram que sim!

Nos últimos anos tem surgido no Brasil dezenas de programas de organizações não-governamentais (OnGs) e universidades que trabalham com projetos de audiovisual nas escolas.Cerca de 80% deles são desenvolvidos sob a ótica da Educação Audiovisual Popular e chegam como um fôlego a mais para o incentivo ao aprendizado dos jovens que, muitas vezes, são privados do mínimo necessário.

Hoje uma das grandes colaboradoras neste processo de levar o audiovisual às escolas é a cineasta e professora Moira Toledo. Em 2000, ela foi convidada a ministrar uma oficina de vídeo para alunos da periferia do Rio de Janeiro e, de lá para cá, tem se dedicado ao processo de "alfabetizar cinematograficamente" jovens de baixa renda."Com o tempo passei a perceber que o pior aluno da sala para os outros professores, era meu melhor aluno", afirmou a cineasta em uma entrevista à Univest TV.

Moira credita esta particularidade ao fato de que, com o cinema, os jovens têm a chance de utilizar seus diferentes tipos de inteligência, de forma que cada um se destaque em uma área distinta.

E a ideia das oficinas não é simplesmente ensinar cinema, mas trabalhar mecanismos que possibilitem ao estudante aprender uma gama de conhecimentos que possa servir vida afora. "Ao final das oficinas os alunos sempre saem mais tolerantes e com mais capacidade de ouvir", revela.

Isto porque tudo no cinema é feito em conjunto. Tanto diretores, quanto figurinistas, roteiristas e os outros agentes das produções precisam estar numa mesma sintonia e trabalhando juntos para que a obra seja bem sucedida. E trabalhar nesta linha de pensamento é o que tem ajudado na formação dos jovens.

Em Goiás, um grupo de estudantes da Faculdade de Comunicação Social e Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás (UFG) tem se destacado por levar o audiovisual tanto às escolas carentes quanto às comunidades indígenas e a grupos socialmente excluídos."O projeto de extensão Coletivo Magnífica Mundi hoje funciona como um grande núcleo articulador de diálogos e construções que trabalham a comunicação como mobilizadora social", afirma Bruno Fiorese, estudante de Jornalismo e membro do Coletivo.

Visão restrita
Entre as ações que fazem parte do projeto está a realização de oficinas de cinema e vídeo em escolas. Segundo Fiorese, estas oficinas são de grande importância já que possibilitam aos jovens e às crianças contarem suas próprias histórias e serem criadores de conteúdo.

Na opinião dele, os "velhos métodos pedagógicos já não conseguem abarcar toda a possibilidade criativa do jovem e, por isso, ferramentas como o audiovisual devem ser usadas para complementar o cotidiano na sala de aula. Essa é a mudança crucial que a escola deve acolher ao seu planejamento pedagógico", completa o estudante.

No Brasil, a compreensão da importância da Educação Audiovisual ainda é muito restrita. Muitas vezes o professor usa o vídeo apenas para ilustrar algum conteúdo já ensinado ou, o que é pior, a escola recorre a ele apenas como 'tapa-buracos' na ocorrência de algum imprevisto.

Na maioria dos casos, esta ferramenta tão importante e valiosa é subutilizada por falta de formação dos educadores. "Não é suficiente que o professor saiba operar os equipamentos. É necessário que ele tenha acesso às pesquisas e às teorias da didática e da comunicação que podem fornecer elementos que fundamentam a integração dos instrumentos midiáticos à prática pedagógica", afirma a professora do mestrado em Educação da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC), Joana Peixoto.

Imagens que nada dizem
Em Goiás, um projeto que tem contribuído para a qualificação dos professores para o uso do vídeo no âmbito escolar vem sendo realizado pela locadora Cara Vídeo desde 2001. Centenas de educadores já passaram pelas oficinas do Clube do Professor.

Sócio da Cara Vídeo, Sérgio Bernar-doni, destaca que o "vídeo só é interessante quando bem utilizado. De imagens gratuitas, os estudantes já estão cheios", afirma.

Ele ressalta ainda que não é fácil convencer os professores de que o audiovisual é uma boa alternativa porque muitos deles têm cargas horárias pesadas e o processo de preparar uma aula com vídeos é trabalhoso.Dentro da proposta do Clube do Professor estão reuniões mensais que auxiliam o professor a perceber as oportunidades de reflexão, de estudo e de criatividade que um filme pode oferecer.

Filmes de graça
Por meio da iniciativa, o educador entra em contato com as novas possibilidades e as apresenta a seus alunos. E como incentivo, pode contar com o acesso gratuito aos mais de 700 títulos que compõem o acervo da locadora. Basta ser membro do Clube.

E os estudantes, a partir de filmes bem selecionados e de discussões bem conduzidas, acabam por enriquecer sua visão de mundo e compreender melhor os temas teóricos.Sob o ponto de vista da coordenadora pedagógica do Centro Cultural Cara Vídeo, professora Vera Bergerot, "o mais importante é desenvolver o olhar crítico do estudante, hoje tão sufocado pela opinião massificada".

Com o intuito de buscar alternativas educacionais que interessassem e motivassem as crianças, a coordenadora do Centro Municipal de Educação Infantil Sara e Rebeca (CMEI), Iza Karla de Oliveira Martins, procurou o Clube do Professor.

A coordenadora e algumas funcionárias da instituição passaram pelo curso de formação e, após as aulas, a equipe do CMEI montou uma programação semanal de filmes para cada sala de aula.

Segundo a coordenadora, agora ela é capaz de identificar a maneira mais eficaz na escolha de um vídeo, o tempo ideal para assistirem, eventuais cortes e as possíveis discussões que a obra pode gerar.E as crianças têm aproveitado bastante esta nova atividade. "O trabalho ganhou melhor significação no contexto das atividades, pois passamos a utilizar os filmes da forma correta. E já agendamos outro curso no Clube", completa.

Mais de 3 mil produções jovens
No ano passado, Moira Toledo defendeu a tese de doutorado Educação Audiovisual Popular no Brasil: Panorama, 1990-2009. De acordo com o estudo, existem 113 entidades no Brasil que desenvolvem projetos audiovisuais: 76,5% na região Sudeste e 33,5% nas demais regiões.

Nos últimos 20 anos foram realizadas ao menos 3.300 produções audiovisuais de curta e média-metragem, a maior parte, por jovens da periferia.

Tela Brasil
Já existem na internet sites criados com o objetivo de ajudar o professor a desenvolver o senso crítico com relação aos filmes. Alguns deles sugerem títulos para cada faixa etária e destrincham tudo da obra, desde a ficha técnica até aos temas da atualidade que poderão ser abordados com os alunos.

O portal Tela Brasil oferece aos educadores, inclusive, oficinas virtuais de direção, documentário, entre outras.

Fonte: Tribuna do Planalto/ Núbia Rodrigues

Comunique-se :: A Voz das Comunidades. Estudante lança site sobre as favelas do Rio de Janeiro

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Programa Mais Educação conta com adesão de 15 mil escolas

Este ano, 15.018 escolas públicas do país passam a oferecer educação integral, por meio do programa Mais Educação, do Ministério da Educação. Do total, 5.256 participam do programa pela primeira vez. Todas as novas escolas são de ensino fundamental.

Desde a criação do Mais Educação, o número de estudantes atendidos em tempo integral em escolas públicas é crescente. Passou de 386 mil, em 2008, para 2,2 milhões, em 2010; este ano, 3 milhões de alunos poderão estudar em escolas de educação integral. A estimativa de recursos aplicados é de R$ 574 milhões.

O principal objetivo do programa é oferecer mais espaços e oportunidades de aprendizado aos estudantes da educação básica. As atividades fomentadas pelo Mais Educação foram organizadas em dez macrocampos: acompanhamento pedagógico; educação ambiental; esporte e lazer; direitos humanos em educação; cultura e artes; cultura digital; promoção da saúde; comunicação e uso de mídias; investigação no campo das ciências da natureza, e educação econômica.

Funcionamento – Para participar, as escolas elaboram um plano de atendimento e recebem recursos do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE-Escola) para desenvolver atividades com os estudantes. O dinheiro é depositado na conta da escola, em cota única, para aquisição de materiais, custeio de atividades e pagamento de transporte e alimentação dos monitores.

Em média, cada escola recebe R$ 37 mil, para aplicar nos 10 meses letivos. O cadastro dos alunos é que determina o valor do repasse. A inclusão de dados é feita no Sistema de Informações Integradas de Planejamento, Orçamento e Finanças do MEC (Simec). Após a avaliação, pelo ministério, de cada plano de atendimento das escolas, os gestores devem acessar o Simec para gerar o plano geral consolidado de seu município e ou estado e enviar para a coordenação do Mais Educação, via correios, o documento devidamente assinado.

Fonte: Portal MEC/Maria Filha

IV Encontro Nacional de Hipertexto e Tecnologias Educacionais: Hipercomunidade, Escola e Tenologias Digitais

O IV Encontro Nacional de Hipertexto e Tecnologias Educacionais: hipercomunidade, escola e tecnologias digitais: entre o não ainda e o já passou será realizado nas dependências da Uniso – Universidade de Sorocaba (SP), campus Cidade Universitária, nos dias 26 e 27 de setembro de 2011.

O IV Hipertexto oferece aos inscritos a possibilidade de participar de Conferências, Mesas Redondas, Grupos de Discussão, minicursos e sessão de paineis, em seus dias de programação.

O evento dará continuidade aos estudos sobre redes sociais e educação, que foi o tema central do III Simpósio sobre Hipertexto e Tecnologias na Educação, realizado nos dias 2 e 3 de dezembro de 2010, na UFPE.

Confira abaixo os Eixos temáticos:
Eixo 1: Pesquisa sobre tecnologias digitais, ambientes virtuais e práticas pedagógicas
Eixo 2: Pesquisa sobre tecnologias digitais, comunidades e movimentos sociais
Eixo 3: Pesquisa sobre tecnologias digitais, comunicação e arte
Eixo 4: Pesquisa sobre procedimentos metodológicos de investigação científica em ambiente virtual
Eixo 5: Pesquisa sobre redes sociais e teorias de aprendizagem
Eixo 6: Pesquisa sobre hipertexto e EaD em ambiente escolar e empresarial
Eixo 7: Pesquisa sobre apropriações tecnológicas e os novos letramentos
Eixo 8: Pesquisa sobre globalização e inter/multi/transculturalismo na aprendizagem em rede
Eixo 9: Pesquisa sobre gêneros digitais em ambientes virtuais

Fonte: http://perdigital.wordpress.com/2011/05/05/iv-encontro-nacional-de-hipertexto-e-tecnologias-educacionais-hipercomunidade-escola-e-tenologias-digitais/

Concurso premia projetos educacionais inovadores

Estão abertas as inscrições para a terceira edição do concurso World Innovation Summit for Education (WISE) Awards 2011. Os candidatos podem apresentar projetos educacionais inovadores desenvolvidos em qualquer região do mundo e de qualquer setor da educação. As inscrições devem ser feitas no site www.wise-qatar.org até o dia 31 de maio de 2011.

Esta terceira edição do WISE Awards tem como tema Transformar a Educação: Investimentos, Inovação e Inclusão. Os seis projetos selecionados por oferecerem mais benefícios para a educação e a sociedade serão apresentados e recompensados durante a WISE 2011 (Cúpula Mundial de Inovação para a Educação), que se reunirá em Doha, Catar, de 1º a 3 de novembro deste ano.

Os projetos vencedores receberão o reconhecimento de um júri formado por eminentes especialistas e um prêmio no valor de US$ 20.000. Além disso, a cobertura que terão na mídia contribuirá para promover o trabalho desenvolvido no âmbito desses projetos e para criar laços com a comunidade global. Entre os membros do júri do WISE Awards 2011 está o brasileiro Rodrigo Baggio, fundador e diretor-executivo do Centro de Inclusão Digital (CDI).

Um dos projetos vencedores do WISE Awards de 2009 foi o modelo Escola Autossuficiente lançado por Martin Burt da Fundación Paraguaya. Esse modelo foi adotado com sucesso por 27 países da América Latina e da África. Em 2010, Tove Wang, da organização Save The Children, foi um dos premiados com o projeto Reescrever o Futuro. Para ele, o prêmio conferiu “maior credibilidade quanto à capacidade da organização de oferecer atendimento adequado às crianças. Além disso, nos deu acesso a arenas políticas importantes, no âmbito das quais existe um debate sobre a educação em regiões afetadas por conflitos".

As edições do WISE Awards já premiaram 12 projetos de um total de 900 candidaturas apresentadas, originárias de 110 países. Essas iniciativas concretas estão progressivamente construindo uma comunidade global de profissionais inovadores no setor de educação. Para obter mais informações sobre o WISE Awards, visite o site ( www.wise-qatar.org ) e o blog (http://awardsblog.wise-qatar.org/) da organização.

Fonte: World Innovation Summit for Education (WISE) e Onda Jovem