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quinta-feira, 24 de março de 2011

Educador quer redes sociais no currículo escolar

As redes sociais, como o Twitter, o YouTube e o Flickr, podem – e devem – entrar nas salas de aulas como ferramentas de uso pedagógico, na avaliação do pesquisador do Núcleo de Informática Aplicada à Educação (Nied) da Unicamp, José Armando Valente. Nesta sexta-feira, o professor vai participar do congresso People.Net in Education, no auditório da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, que vai discutir a aplicação das redes sociais à educação.

Ao iG, Valente adiantou o foco de sua palestra e a preocupação de que as ferramentas não sejam usadas apenas como um apêndice das aulas, mas que haja uma orientação sobre o conteúdo consumido e gerado para a rede dentro das escolas: “Se não tiver alguém orientando, não é pedagógico. A ideia de que na rede um ajuda o outro, é romântica. O que acaba acontecendo é que um cego conduz outro cego”, diz. Para o professor, atualmente, nenhum país consegue fazer isso de forma sistemática, apenas através de iniciativas pontuais.

Confira a entrevista concedida por telefone pelo pesquisador, que é também professor do Departamento de Multimeios, Mídia e Comunicação do Instituto de Artes da Unicamp e pesquisador colaborador do Programa de Pós-Graduação em Educação: Currículo, da PUC-SP.

iG: As redes sociais já são usadas nas escolas como ferramenta para desenvolver o aprendizado dos alunos?
José Armando Valente: Tem professores – pontualmente – usando blogs e outros recursos de rede sociais em aula, mas isso só ocorre por interesse particular de alguns profissionais. Não existe uma prática incentivada por grupos, escolas, redes de ensino. Mesmo assim, o que eles fazem, na maioria dos casos, é usar blogs para divulgar algum conteúdo que não deu tempo de passar em aula, receber material de aluno. Essa prática não inova em nada, é apenas uma outra forma de transmitir informação. Poderia ser usado um email, por exemplo.

iG: E como seria o uso de forma inovadora?
José Armando Valente: As ferramentas de redes sociais devem ser usadas como práticas pedagógicas, de forma integrada ao currículo. Não adianta só acessar a rede dentro da escola, sem uma proposta. Tem que ter alguém olhando e orientando, verificando se os alunos estão gerando conteúdo de fundamento, se tem um conceito sendo trabalhado. Isso é o que quero falar na palestra (no congresso Congresso People.Net in Education): “Se não tiver alguém orientando, não é pedagógico. A ideia de que na rede um ajuda o outro, é romântica. O que acaba acontecendo é que um cego conduz outro cego”.

iG: O senhor poderia citar exemplos práticos?
José Armando Valente: Brincar no Twitter gera um conteúdo de síntese muito grande. O professor de português poderia usar essa atividade para treinar o resumo de ideias com os alunos. Mas não é o que ocorre. Os jovens usam a ferramenta, mas o professor não intervém, não questiona o que eles fazem. Outro caso que tomei conhecimento é o de uma escola que propôs que os alunos organizassem um
flash mob (mobilização instantânea em local público, geralmente organizada por email ou redes sociais). Deu certo, mas os professores de matemática perderam a oportunidade de trabalhar vários conceitos em relação ao evento, como estratégia e logística, que são conteúdos da aula de matemática. A escola fez a atividade, mas não usou como prática pedagógica. Aí nas aulas mantém o método tradicional de transmissão de conhecimento, que se torna uma chatice para os alunos.

iG: Quais as dificuldades para tornar esse uso das atividades em rede como prática pedagógica uma realidade?
José Armando Valente: É muito difícil, é mais fácil usar recurso para transmitir informação, do jeito que sempre foi. Mesmo quando os professores têm interesse e vontade, não têm apoio da gestão da escola, das redes de ensino para aplicar outros tipos de aula. É complicado usar de forma isolada, tem que estar no currículo. Hoje, as redes sociais são usadas só como apêndices, atividades fora da rotina.

iG: Em algum país é diferente e as redes já são integradas ao currículo?
José Armando Valente: Ninguém faz isso no mundo inteiro. Mesmo a Coréia do Sul e a Dinamarca, países tecnologicamente avançados e com
bons resultados nas avaliações educacionais, não conseguiram. A Inglaterra tem um grupo que está trabalhando o conceito há algum tempo, tem consciência da necessidade dessa mudança, mas só aplicou a prática em escolas pontuais.

iG: Por que as mudanças tecnológicas demoram mais a ser incorporadas no ambiente escolar que em outros meios. As escolas continuam muito parecidas com as de décadas atrás...
José Armando Valente: O ensino tem uma estrutura hierarquizada, difícil de ser transformada. Uma das atividades da educação é perpetuar o status quo. E essa manutenção tem um valor. Mas essa mudança que estamos falando, das atividades da era do lápis e papel para a era digital, é necessária. Um gráfico que era desenhado no papel agora rapidamente ganha recursos e formas através da tecnologia. O estudo dele muda, não basta só entender o gráfico, mas é preciso interpretá-lo, dar novas funções e movimentos a ele. E isso tem que entrar no currículo.

iG: Muitas vezes, os alunos já têm mais facilidade com a tecnologia do que os professores. Isso não atrapalha a relação professor-aluno? Como os docentes devem se preparar para lidar com essa diferença de experiência e conquistar o respeito dos alunos?
José Armando Valente: O professor tem que ser esperto, usar os conhecimentos do aluno, pedir ajuda no que os jovens conhecem mais, organizar uma dinâmica na sala de aula que dê voz a quem sabe. O professor precisa sair do pedestal e entender que tem gente que sabe mais que ele. A grande dificuldade está em querer que o professor saiba tudo, enquanto a molecada toma conta. É preciso fazer uma parceria com o aluno.

Fonte: iG/ Tatiana Klix, iG São Paulo 24/03/2011

Películas y comics en tus trabajos

El profesor os encarga un trabajo sobre las guerras de Napoleón, o sobre la crisis en Libia, o sobre el atentado de las Torres Gemelas... y vosotros, en lugar de presentar un montón de papeles con varias grapas, presentáis un vídeo en Youtube contando la historia con personajes y diálogos mostrando lo que muchas veces el texto no consigue.

Ser original es algo cada vez más necesario en un mundo saturado de información. Los trabajos académicos (y profesionales) son cada vez más parecidos unos a otros, destacándose únicamente los más creativos.

Como anécdota quiero explicaros lo que ocurrió hace ya más de 10 años, cuando presenté mi proyecto de fin de carrera en la UPC (Universidad Politécnica de Catalunya).

Después de ver que la mayoría de los proyectos eran presentados con aburridas presentaciones en PowerPoint (aunque los temas podían ser mucho más interesantes que el mío), decidí conquistar al jurado con una animación hecha en Flash (que, por aquel entonces, era relativamente nuevo). El tema de mi proyecto tenía un enorme contenido matemático, si lo hubiera presentado de la forma tradicional, habría mostrado muchas fórmulas matemáticas que aburrirían a la mayoría; con una animación conseguí atraer la atención de griegos y troyanos, mostrando la parte técnica en el trabajo en papel y dejando en la presentación únicamente la parte "divertida".

Fue un éxito, y nos lo pasamos bien.

Hoy existen muchos recursos que nos pueden ayudar a destacar de esa forma, haciendo más divertido y productivo el trabajo. En Youtube, por ejemplo, acaban de publicar
www.youtube.com/create, donde muestran tres herramientas bastante conocidas para que cualquiera pueda crear animaciones sin necesidad de muchos recursos.

Stupeflix Video Maker
Podemos mezclar fotos, vídeos, mapas, textos y música para generar de forma automática un vídeo con el resultado, siendo ideal para introducciones para cualquier trabajo académico.

Xtranormal Movie Maker

Mi preferido, donde podemos crear animaciones en 3D con diálogos de personajes comentando cualquier tema, aunque ni todos los escenarios ni todos los personales son gratuitos.

GoAnimate

Para crear animaciones en formato de cómic, de forma sencilla y gratuita.

En realidad hay muchas más opciones, incluso existe la posibilidad de que grabéis un vídeo en el que vosotros mismos seáis los actores de una mini-obra de teatro.

Lo importante es innovar, diferenciarse para presentar un trabajo agradable sin olvidar la calidad del contenido.


Fonte: Juan Diego Polo

12 tesis para el cambio educativo


Dica de livro de Rosa María Torres:

Rosa María Torres
Justicia educativa y justicia económica: 12 tesis para el cambio educativo
Estudio continental encargado por el
Movimiento Internacional 'Fe y Alegría'/ Entreculturas, Madrid, 2005.

Para fazer o download do livro clique aqui!

1. Del ALIVIO DE LA POBREZA al DESARROLLO

2. De la educación como POLITICA SECTORIAL a la educación como POLITICA TRANSECTORIAL

3. Del predominio de los CRITERIOS ECONOMICOS a una VISION INTEGRAL de la cuestión educativa

4. De la AYUDA INTERNACIONAL a una auténtica CO-OPERACIÓN INTERNACIONAL

5. De la ESCUELA a la EDUCACION

6. Del derecho a la EDUCACION al derecho a la BUENA EDUCACION

7. Del derecho al ACCESO al derecho al APRENDIZAJE

8. Del derecho al APRENDIZAJE al derecho al APRENDIZAJE A LO LARGO DE TODA LA VIDA
9. De la ESCUELA a la COMUNIDAD DE APRENDIZAJE

10. De la CAPACITACION DOCENTE a la CUESTION DOCENTE

11. De la EDUCACION BASICA COMO EDUCACION ESCOLAR a la EDUCACION BASICA COMO EDUCACION CIUDADANA

12. De ADECUARSE AL CAMBIO a INCIDIR SOBRE EL CAMBIO

Fonte: Otra Educación

Instituto Akatu lança portal de consumo consciente para crianças

O Instituto Akatu pelo Consumo Consciente lança na próxima segunda-feira (28) o portal Akatu Mirim (www.akatumirim.org.br), um portal inédito sobre consumo consciente voltado para crianças, criado e desenvolvido pela agência digital Tribo Interactive e patrocinado pelo refresco em pó Tang, da Kraft Foods Brasil.

O lançamento do Akatu Mirim faz parte das comemorações do aniversário do Instituto Akatu, que completou no último dia 15 dez anos de trabalhos pelo consumo consciente, em parcerias com a iniciativa privada e o poder público. Com o novo portal, o Instituto espera motivar também as crianças para o consumo consciente, por meio de conteúdo lúdico e pedagógico. O Akatu Mirim apresenta ainda áreas voltadas para pais e educadores, como dicas e planos de aula.

Com vasta experiência no relacionamento responsável para o público infantil, a Tribo Interactive criou para o Akatu um portal divertido e repleto de atividades que visam inserir por meio de jogos, brincadeiras, animações e interatividade as crianças no universo de consumo consciente, tratando de temas presentes em seu dia a dia. As ilustrações apresentam de forma leve e descontraída o conceito “De onde vem? Pra onde vai?”, para que as crianças comecem a descobrir que os bens e serviços vêm de uma cadeia produtiva e causam impactos – desde a origem até o descarte.

Entre os temas abordados, o primeiro será petróleo. As crianças são convidadas a descobrir em que objetos de seu cotidiano está presente o minério. Os próximos serão sacola plástica, garrafa d’água, celular e bala.

Jogos
O portal oferece jogos on-line, nos quais as crianças conhecem mais do produto específico jogando. No jogo “Descobrindo Petróleo!”, elas encontram petróleo em diversos objetos, como brinquedos, vestuário e utensílios de casa.

Atividades
Há sugestões também de atividades para serem feitas fora do computador, sozinha ou em grupo. A criança baixa as instruções do site e desenvolve as atividades. Por que ir sozinho para a escola? Que tal juntar os amiguinhos e irem todos em um só carro? Papais e mamães podem se revezar levando a criança e menos carros estarão circulando, assim o trânsito melhora e jogamos menos gás carbônico na atmosfera, reduzindo o efeito estufa.

E por que não aproveitar a ida à padaria para uma caminhada exploratória? O “Diário de um Pedestre” é atividade que estimula deixar o carro em casa, assim a criança se conscientiza e ajuda a mobilizar a família.

Animações
Você sabia que tem petróleo na goma de mascar, no asfalto, na garrafinha d'água, no batom, no tênis, na sacola plástica do supermercado? Questões como estas estão presentes nos vídeos animados, que apresentam a descoberta da matéria-prima, o primeiro uso em grande escala, até onde podemos encontrá-lo no dia a dia, sua importância para o ser humano e o mais importante: trata-se de uma fonte finita que precisa ser consumida conscientemente.

Mural
O tema ainda pode ser discutido no Mural, com enquetes e perguntas ao Akatu Mirim, personagem que vai interagir com as crianças sobre como consumir com responsabilidade e tirar dúvidas sobre o conteúdo do site.

“O Akatu Mirim surge como uma ferramenta de conscientização sobre o consumo consciente para as crianças, despertando o interesse pelo tema por meio da diversão e aproveitando a curiosidade natural para mobilizar o público infantil para consumir com responsabilidade. Assim, desde pequenos, eles descobrem que nossos atos causam impactos em nós mesmos, na nossa cidade e no planeta. De maneira divertida, as crianças percebem que pequenos atos repetidos ao longo da vida e por muitas pessoas podem fazer um planeta melhor”, afirma Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu.

“A Tribo Interactive sabe falar com o público infantil e respeita esse público. Estamos aliando o nosso conhecimento ao do Instituto Akatu para produzir um Portal extremamente útil e divertido para as crianças. Um portal que possui uma responsabilidade muito grande de tratar temas importantes da atualidade”, afirma Raul Orfão, sócio-diretor da Tribo Interactive.

Sobre o Instituto Akatu
O Instituto Akatu é uma organização não governamental e sem fins lucrativos que vê o ato de consumo como um instrumento fundamental de transformação do mundo.
O Akatu completou 10 anos no dia 15 de março e trabalha para contribuir na conscientização e na mobilização dos cidadãos para consumir sustentavelmente – de modo a tornar o mundo mais justo e sustentável hoje e a deixar um mundo melhor para as próximas gerações – e consumir solidariamente, fazendo escolhas de consumo aumentar os impactos positivos e diminuir os impactos negativos.


O consumo não é apenas um ato pontual, mas um processo que começa antes da compra e termina depois do uso, envolvendo escolhas como: por que comprar, de quem comprar, o que comprar, como comprar, como usar e como descartar?

Consumir conscientemente não é não consumir. É consumir menos e diferente, tendo no consumo um instrumento para o bem-estar e não um fim em si mesmo.
Basicamente, o Akatu investe em duas frentes de trabalho: comunicação e educação.

Para saber mais, acesse: www.akatu.org.br ou, no Facebook, http://www.facebook.com/institutoakatu ou siga no Twitter www.twitter.com/institutoakatu.

Fonte: Instituto Akatu - Ass. de Imprensa

Arranca la tercera edición de “Aprendamos a entender los medios de comunicación social”

Desde o dia 10 de março até primeiro de maio acontecerão cerca de 40 sessões de uma hora e meia da oficina "Aprendamos a entender os meios de comunicação", realizada

En esta tercera edición, está previsto que participen en el proyecto más de 1.300 alumnos de 4º de la ESO, pertenecientes a veinte colegios e institutos madrileños, fomentando el espíritu de respeto al pluralismo, así como el conocimiento del contenido multidisciplinar que generan dichos medios. Esta ampliación de colegios desde los doce de la edición anterior llevará los Talleres de la Obra Social La Caixa a municipios de la Comunidad de Madrid como Alcalá de Henares, Alcobendas-San Sebastian de los Reyes y Móstoles-Alcorcón. Los conferenciantes son periodistas socios de la Asociación de la Prensa de Madrid (APM) con amplia experiencia profesional y docente.

Del 10 de marzo a primeros de mayo se realizarán 40 sesiones de hora y media (dos sesiones por centro). La jornada inaugural de esta edición se celebrará en las próximas semanas en un colegio aún por determinar y está previsto que asistan representantes de Obra Social La Caixa y de la APM.

Los jóvenes, con edades comprendidas entre los 15 y los 16 años, tendrán ocasión de comparar de qué forma se ofrece una misma noticia en los distintos medios informativos. Asimismo, manejarán los periódicos del día y tendrán ocasión de analizar por grupos los contenidos de la prensa.

Durante los próximos días podrán hacer sus primeros “deberes periodísticos”, consistentes en la realización de ejercicios de carácter elemental como la titulación de noticias, elaboración de pies de fotos, reordenación de los párrafos de crónicas conforme al tradicional esquema de la pirámide invertida y otros. Cada alumno recibirá además una colección de portadas de periódicos con noticias históricas.

Sin embargo, el proyecto “Aprendamos a entender los medios de comunicación social” no busca despertar vocaciones periodísticas, sino imbuir en los jóvenes la necesidad de estar informados para que sean ciudadanos conscientes de sus derechos y de sus obligaciones. Y la mejor forma de estimular la necesidad de información es, sin duda, enseñarles desde el principio a entender el funcionamiento de los medios.

El director del proyecto es el periodista y profesor universitario Manuel de Ramón. El pasado curso 2009-10 se realizó en doce institutos y colegios de la Comunidad de Madrid y participaron en él más de 800 alumnos. El resultado positivo de la experiencia animó a sus promotores a extenderla al presente curso a veinte centros.

La iniciativa es coordinada por el Departamento de Formación y Empleo de la APM ( formacionyempleo@apmadrid.es)

Vídeo da primeira edição da oficina:http://www.youtube.com/watch?v=oGgDgpTvGZo


Vídeo da segunda edição da oficina: http://www.youtube.com/watch?v=89yGDWEAiPY


Fonte: APM

quarta-feira, 23 de março de 2011

Justiça proíbe Google de criar maior biblioteca de livros virtuais do mundo

A justiça dos Estados Unidos vetou o acordo que permitiria ao Google criar a maior biblioteca de livros digitais do mundo. As empresas contrárias ao projeto, entre as quais a Amazon, alegavam que o mesmo violava as leis de direitos autorais.

O acordo em questão começou a ser negociado em 2005 pelas associações que representam autores e editoras de livros dos Estados Unidos e o Google. Ele previa que o gigante de buscas divulgasse as obras literárias na internet, em troca do pagamento de US$ 125 milhões pelos direitos autorais.

O juiz responsável por analisar o caso e que emitiu o parecer contrário ao acordo, Denny Chin, afirma que, apesar de a criação de uma biblioteca de livros virtuais favorecer muitas pessoas, ela poderia “ir longe demais”, dando uma vantagem muito grande para o Google em relação a outros competidores.

De acordo com a agência de notícias Reuters, o Departamento de Justiça norte-americano ainda destacou que o acordo pode violar as leis de direito autoral e de livre competição.

O Google já tinha transformado cerca de 12 milhões de livros para o formato digital.
Fonte: Olhar Digital

Tsunami e jornais escritos à mão

Ninguém se comunica pelo Twitter, blogs ou e-mail. As pessoas também não usam telefone. Sem eletricidade, gasolina e gás a cidade traumatizada pelo tsunami está fazendo as coisas realmente amaneira antiga: usando papel e caneta.

Incapaz de operar sua impressora do século 20–os computadores, então, nem pensar–, website ou celulares 3G, os jornalistas do único jornal de Ishinomaki, o Hibi Shimbun, escrevem seus artigos à mão com canetas hidrográficas em grandes folhas de papel branco.

Ao contrário do que ocorre com a mídia moderna, o método tem funcionado.

“As pessoas que sofrem uma tragédia como essa precisam de alimentos, água, mas também de informação”, disse Hiroyuki Takeuchi, chefe de reportagem do Hibi Shimbun. “ Elas estavam habituadas a se informar pela TV e pela internet, mas, quando não há eletricidade, a única coisa que têm é o nosso jornal.”

Embora a recente agitação política que toma conta do mundo árabe tenha realçado o poder das novas mídias, a miséria no Japão, um dos países mais conectados do mundo, fez a comunicação retroceder no tempo.

Durante alguns dias, pelo menos, a palavra escrita à mão e impressa atingiu o auge. Depois de escrever e editar os artigos. Takeuchi e outros da equipe copiam suas matérias à mão em folhas de papel para distribuí-las em centros de ajuda de emergência que acolhem os sobreviventes do pior terremoto sofrido pelo país e do tsunami que se seguiu.

“Eles estavam desesperados por informações”, disse Takeuchi, que durante dez dias após o tsunami dormiu na redação do jornal, uma vez que as águas inundaram o andar térreo de sua casa. Com a eletricidade de volta para um terço dos 160 mil moradores da cidade, o jornal deixou de lado a caneta e voltou a ser impresso.

O acesso à internet, porém, ainda não está disponível. Na segunda-feira, a capa do jornal elogiava um “resgate milagroso”, a história de uma senhora de 80 anos e de seu neto de 16, retirados de sua casa destroçada.

Na costa,em Sendai, uma cidade antes próspera de mais de 1 milhão de habitantes, a irresistível força digital também ficou interrompida.“Em condições como essas, nada tem o poder do papel”, disse MasahikoIchiriki, presidente e dono do Kahoku Shimpo, principal jornal da cidade.

Edição especial. Com muitas lojas fechadas, as pessoas não conseguem comprar baterias para seus rádios. O colapso do sistema elétrico provocou o desligamento de computadores e aparelhos de TV , mas o jornal continua sendo publicado o tempo todo. Chegou até a trazer uma edição especial , de uma página, na noite do tsunami. “Os moradores, famintos por informação dependem do nosso jornal como um salva-vidas”, disse. O Kahoku Shimpo fornece não apenas notícias sobre a catástrofe, mas também informações vitais sobre que lojas têm alimentos, quais estradas já estão transitáveis, que bancos têm dinheiro em caixa e quais filiais de uma conhecida loja de bebidas foram reabertas.

Em Ishinomaki, cidade menor do que Sendai, porém mais destruída, o Hibi Shimbun não foi publicado por dois dias após o tsunami. Um dos seis jornalistas foi arrastado dentro do carro pelas águas quando voltava de um compromisso. Ele sobreviveu e, depois de alguns dias no hospital, voltou ao trabalho.

Hiroyuki Takeuchiestava em seu escritório na hora do terremoto, às 14h46n do dia 11 de março. Ele tinha acabado de concluir a edição do dia, que trazia um artigo de capa sobre os “encantos ocultos” de Ishinomaki e as promessas das autoridades para a reformadohospital e outras instalações. O terremoto sacudiu de maneira tão forte os dois andares do prédio do jornal que as lâmpadas fluorescentes caíram do teto e os armários tombaram no chão.

A primeira edição escrita à mão, preparada no dia 13 de março, trouxe como manchete a promessa de “tentar e obter informações mais precisas possíveis sobre a tragédia”.

E informou sobre a chegada de equipes de socorro de todo o Japão e sobre a extensão da devastação. Casas e empresas situadas à beira-mar foram destruídas. Mais de 30 mil pessoas procuraram refúgio em abrigos. “Agora, conhecemos a extensão total dos danos”, era um dos títulos da edição. No dia seguinte,o jornal trouxe o nome e a idade de 34 moradores da área cujos corpos haviam sido identificados. Informou também sobre um roubo em um supermercado, um sinal do desespero da cidade. “Os jornalistas, porém, procuraram levantar o ânimo da população”, disse Takeuchi.“ Procuramos coisas que dessem esperança. Essa é a nossa filosofia.”.

Segundo ele, o jornal deixou de publicar nomes de pessoas mortas porque o número de vítimas continuou crescendo. Mais de 1,3 mil corpos foram encontrados. Todo o esforço ajudou a preencher o vazio deixado pela ausência da mídia eletrônica.

“Viver sem eletricidade ou água e pouca comida é muito duro”, disse Yutaka Iwasava, de 25 anos,morador de Ishinomaki. “Mas o pior é não ter nenhuma informação.”

Iwasava disse que, desde o tsunami não conseguiu mais acessar seu e-mail e nem navegar na internet.

Fonte: O Estado de S.Paulo – Visão Global – 23/03/2011 – Pág. A16/ Por Andrew Higgins