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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Roger Chatier, o especialista em história da leitura

Pesquisador francês estuda os significados sociais dados aos textos pelo autor e pelo leitor

A história da cultura e dos livros tem uma longa tradição, mas só há pouco tempo ela ampliou seu âmbito para compreender também a trajetória da leitura e da escrita como práticas sociais. Um dos responsáveis por isso é o francês Roger Chartier. "Ele fez uma revolução ao demonstrar que é possível estudar a humanidade pela evolução do escrito", diz Mary Del Priore, sócia honorária do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. "Se a história cultural sempre foi baseada em dados estatísticos ou sociológicos, Chartier a direcionou para as significações sociais dos textos."

Para o campo do ensino da leitura e da escrita, a obra do pesquisador traz grandes contribuições, na medida em que ilumina os diferentes interesses e usos que aproximam leitores, autores, missivistas, escribas etc. de gêneros e formatos de textos também variados. A atenção a essas questões contribuiu muito para dar apoio à base teórica dos trabalhos de educadores como as argentinas Emilia Ferreiro e Delia Lerner, em particular à noção de que a leitura implica uma elaboração de significados que não estão apenas nas palavras escritas, mas precisam ser construídos pelo leitor. Não por acaso, os primeiros estudos de Chartier - em parceria com o historiador francês Dominique Julia - foram sobre a história da Educação, com enfoque principal nas comunidades de estudantes e nas instituições. Essa reflexão levou Chartier a questionar o papel da circulação e apropriação dos textos.

Na história da leitura, Chartier enfatiza a distância entre o sentido atribuído pelo autor e por seus leitores. Para o historiador, o mesmo material escrito, encenado ou lido não tem significado coincidente para as diferentes pessoas que dele se apropriam. Uma só obra tem inúmeras possibilidades de interpretação, dependendo, entre outras coisas, do suporte, da época e da comunidade em que circula. "Chartier escolheu concentrar-se nos estudos das práticas culturais, sem postular a existência de uma 'cultura' geral", diz Mary Del Priore (leia mais no último quadro).

O historiador se detém em realidades as mais inesperadas e específicas em torno dos livros, da leitura e da escrita ao longo dos tempos. Vai das variações tipográficas às formas primitivas de comércio, das primeiras bibliotecas itinerantes às omissões, traduções e acréscimos sofridos por obras famosas - e dá especial atenção ao aspecto gestual da leitura.

Por isso, considera que a primeira grande revolução da história do livro foi o salto do rolo de papel para o códice, ou seja, o volume encadernado, com páginas e capítulos. Maior ainda, segundo ele, está sendo o salto para o suporte eletrônico, no qual é a mesma superfície (uma tela) que exibe todos os tipos de obra já escritos. Essa é, na opinião dele, a mais radical transformação na técnica de produção e reprodução de textos e na forma como são disponibilizados. As mudanças de relação entre o leitor e o material escrito determinadas pela tecnologia alteram também o próprio modo de significação - antes do códice, por exemplo, era impossível ler e escrever num mesmo momento porque as duas mãos estavam ocupadas em segurar e mover o rolo.

As formas de apresentação do texto interferem no sentido

"Chartier compreendeu que um texto não é uma simples abstração e que ele só existe graças à maneira como é transmitido", afirma Mary Del Priore. O pesquisador francês costuma combater a ideia do material escrito como um objeto fixo, impossível de ser modificado e alterado pelas pessoas que o utilizam e interagem com ele. As novas tecnologias lhe dão razão - a leitura na internet costuma ser descontínua e fragmentária, e o leitor raramente percebe o sentido do todo e da contiguidade, que, por exemplo, o simples manuseio de um jornal já gera.

Essa diferença fundamental, que torna a leitura dos livros mais profunda e duradoura, faz com que ele preveja a sobrevivência do formato impresso, apesar da disseminação dos meios eletrônicos. "O trabalho que fazemos como historiadores do livro é mostrar que o sentido de um texto depende também da forma material como ele se apresentou a seus leitores originais e por seu autor", diz Chartier. "Por meio dela, podemos compreender como e por que foi editado, a maneira como foi manuseado, lido e interpretado por aqueles de seu tempo." O suporte, portanto, influencia o sentido do texto construído pelo leitor.

Ele gosta de enfatizar duas outras mudanças importantes nos padrões predominantes de leitura. A primeira: feita em voz alta à frente de plateias, foi para a silenciosa na Idade Média. A segunda: da leitura intensiva para a extensiva, no século 18 - quando os hábitos de retorno sistemático às mesmas e poucas obras escolhidas como essenciais foram substituídos por uma relação mais informativa e ampla com o material escrito.

Os caminhos de Chartier Por uma história cultural dos indivíduos

Roger Chartier pertence à geração de historiadores que rompeu, nos anos 1980, com a tradição hegemônica francesa, constituída desde 1929 por nomes como March Bloch (1886-1944) em torno da revista Annales d'Histoire Économique et Sociale. Mesmo assim, ele concorda com postulados básicos dos antecessores, como a multiplicação das fontes de pesquisa. Para ele, o trabalho com fontes primárias é fundamental.Por outro lado, sua trajetória se forjou sob o impacto da obra do filósofo francês Michel Foucault (1926-1984), que, segundo Mary Del Priore, "recusa uma história 'global'". Nasceu assim a Nova História Cultural, que se preocupa com a singularidade dos objetos. "Para Chartier, o movimento representa o estudo não das continuidades, como para a primeira geração dos Annales, que analisava os fenômenos em sua longa duração, mas das diferenças e descontinuidades", explica ela.

Biografia

Intelectual de grande influência no Brasil Roger Chartier nasceu em 1945, em Lyon, a terceira cidade da França, filho de uma família operária. Formou-se professor e historiador simultaneamente pela Escola Normal Superior de Saint Cloud, nos arredores de Paris, e pela Universidade Sorbonne, na capital francesa. Em 1978, tornou-se mestre conferencista da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais e, depois, diretor de pesquisas da instituição. Em 2006, foi nomeado professor-titular de Escrita e Cultura da Europa Moderna do Collège de France. É membro do Centro de Estudos Europeus da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e recebeu o título de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras do governo francês. Também leciona na Universidade da Pensilvânia, nos EUA, e viaja pelo mundo proferindo palestras. Veio várias vezes ao Brasil, onde é, depois do antropólogo Claude Lévi Strauss, o intelectual francês contemporâneo que mais influencia estudantes de ciências humanas.

Quer saber mais?

  • Formas e Sentido – Cultura Escrita: Entre Distinção e Apropriação, Roger Chartier, 168 págs., Ed. Mercado de Letras, tel. (19) 3241-7514, 24 reais
  • Inscrever & Apagar, Roger Chartier, 336 págs., Ed. Unesp, tel. (11) 3242-7171, 37 reais
  • Leituras e Leitores na França do Antigo Regime, Roger Chartier, 395 págs., Ed. Unesp, 46 reais
  • Práticas da Leitura, Roger Chartier, 268 págs., Ed. Estação Liberdade, tel. (11) 3661-2881 (edição esgotada)

Fonte: Revista Nova Escola/ Texto: Márcio Ferrari

Educação Inclusiva

Reproduzimos abaixo entrevista publicada no blog A Tarde Educação em 28/09/2010, com Carlos Roberto Jamil Cury. Ele é Presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação e Coordenador da Pós-Graduação da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Foi um dos elaboradores das Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica e autor do Parecer 4/2002, que trata da Educação Inclusiva.

>> O que significa inclusão?
JC>>
Eu só posso falar em inclusão se considerar o seu oposto, que é a exclusão. É preciso perguntar quem é excluído e do que é excluído – afinal, às vezes é bom ser excluído de algumas coisas, como da doença ou da miséria. No caso da Educação, que obviamente é uma coisa boa, é bom que se inclua. Trata-se de incluir todos dentro de um espaço considerado imprescindível para o desenvolvimento pessoal e da cidadania.


>> Gostaria que o senhor descrevesse brevemente a evolução da Educação Inclusiva no Brasil e no mundo.
JC>>
A questão da deficiência nem sempre foi tratada no mundo como é hoje. Ela já percorreu caminhos bastante rudes, bárbaros até. Sabemos de comunidades primitivas e modernas que praticaram a chamada limpeza étnica, em que matavam crianças que nascessem com determinados defeitos. Foi só no final do século XIX que a forma de ver o deficiente começou a mudar, quando os trabalhos de Freud mostraram que todos nós temos limitações e quando a Biologia trouxe conclusões similares, afirmando que todos nós temos necessidades e deficiências, apesar de umas serem mais visíveis do que outras. As duas guerras mundiais, quando um enorme número de pessoas que, então sadias, voltaram para casa com algum tipo de mutilação, também contribuíram para aumentar a consciência de que os portadores de necessidades especiais são titulares de direitos como quaisquer outros.

Hoje, considero que estamos vivendo um momento de transição de uma cultura discriminatória com relação ao diferente para uma cultura de inclusão, em que o diferente é aceito não por ser diverso, mas porque o diverso enriquece. É esse o grande desafio atual: construir uma nova cultura de inclusão, na qual o acolhimento da diferença se faça no reconhecimento do outro como igual, como parceiro, como par. Na Educação, isso implica a consciência de que, desde o ato educativo mais simples da pré-escola, é preciso garantir aos portadores de necessidades educacionais especiais um lugar garantido nas salas comuns das classes comuns.

>> Quais os obstáculos que teremos de superar para construir essa nova cultura nas nossas escolas?
JC>>
A criação de uma nova cultura é um processo lento, que inclui uma série de desafios. Um deles diz respeito às mudanças físicas e estruturais, que são necessárias para permitir a inserção de alunos com necessidades especiais nas salas e escolas regulares. Outra questão é sensibilizar as crianças dessas escolas para a questão da inclusão. Um menino que é manco, cego ou tem algum outro tipo de deficiência, pode ser objeto de chacota ou discriminação pelos colegas. O terceiro desafio, e o mais importante deles, refere-se à qualificação dos professores. Não adianta você colocar um surdo numa sala onde o professor, por mais boa vontade que tenha, não está preparado para dominar a linguagem de sinais. E ainda são raros os que estão. Temos que pensar numa preparação consciente, conseqüente, e rápida ao mesmo tempo, dos educadores.

>> Como o professor pode obter esse preparo?
JC>>
Isso deveria ser uma tarefa das escolas de Educação. A Universidade tem por obrigação dominar o que existe de mais avançado sobre esse assunto e, com isso, criar uma geração de professores preparados. Além disso, as Secretarias Estaduais e o
MEC têm a obrigação de propiciar aos professores que já estão em exercício uma atualização. Trata-se de um trabalho sofisticado, difícil, mas muito estimulante e desafiador.

>> Quais os instrumentos legais que existem hoje no país voltados à Educação Inclusiva?
JC>>
Citarei os mais importantes. O primeiro é a
Constituição Federal, artigo 208, inciso terceiro, que postula que crianças com necessidades especiais sejam atendidas preferencialmente por escolas regulares. Depois, temos a Lei de Diretrizes e Bases, que tipifica melhor o princípio genérico da Constituição, o Plano Nacional de Educação e a Declaração da Guatemala (aprovado em 2001, o texto da “Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência”, cujas recomendações se tornaram lei de caráter nacional no Brasil. Temos, ainda, a interpretação a esses quatro instrumentos legais de grande porte dada pelo Conselho Nacional de Educação através de dois Pareceres – o 17/2001 e o 4/2002 – e de uma Resolução – a 2/2001. São estes últimos que chegam mais próximos das escolas, já que traduzem os quatro grandes equipamentos legais.

>> Qual a vantagem da Educação Inclusiva em relação à Educação em salas ou escolas especiais?
JC>>
A riqueza da diversidade. Eu tive uma parente com Síndrome de Down. Ela era o pivô da família em termos de afetividade, de sensibilidade, de emotividade, de memória. Com a diversidade, um grupo ganha novos valores. Há um jogo, que ainda não sabemos fazer muito bem, mas temos de aprender, que é conviver com a diferença. Mais do que tolerar, que é muito pouco, ele implica a aceitação do diferente como algo que agrega.

>> Quais os efeitos negativos que podem existir quando um aluno com necessidades especiais é incluído numa sala de aula regular sem ser efetivamente integrado?
JC>>
O risco que existe aí é termos uma exclusão sofisticada com capa de inclusão. Isso significaria legitimar a exclusão camuflando-a atrás do conceito de inclusão. Dessa forma, exclui-se duplamente, somando à exclusão uma versão mais sofisticada dela mesma.

>> Alunos com deficiência severa devem ser incluídos em salas regulares?
JC>>
Como disse há pouco, a Constituição fala que as crianças com necessidades educacionais especiais devem ser atendidos preferencialmente nas escolas regulares. A palavra preferencialmente está aí exatamente porque considera os casos de portadores de síndromes múltiplas e profundas. Nestes casos, há a possibilidade de haver o que eu chamo de “momentos especiais”, em salas especiais, e Escolas Especiais para um atendimento mais cuidadoso para aqueles que requerem atenção mais específica. Meu filho teve dificuldades em Matemática e teve de fazer uma recuperação paralela. Eu não me senti ofendido porque a escola propiciou a ele um “momento especial” de recuperação separado dos colegas. Esse momento de recuperação serve para colocá-lo em pé de igualdade com os outros, não para mantê-lo na diferença. O mesmo acontece com os portadores de alguma deficiência. Quando houver uma situação evidente que justifique um momento de separação, ele deve ser feito sim, com todos os cuidados. Mas deverá ser visto sempre como algo complementar, e não como uma situação permanente.

>> O senhor poderia dar algumas sugestões para professores, diretores e pais de como avançar no processo de inclusão?
JC>>
A primeira dica que eu considero fundamental é que os professores, sentindo dificuldade para lidar com alunos com necessidades especiais, organizem-se para demandar às autoridades competentes – aos Conselhos e Secretarias Municipais e Estaduais – iniciativas para suprir a lacuna formativa que tiveram. Em segundo lugar, aconselho que os colegiados estreitem os laços com as famílias, a fim de que elas, que têm todo o interesse numa inclusão, participem do processo. Quanto aos pais, que antes ficavam muito constrangidos porque não havia um equipamento jurídico que os apoiasse, sugiro que, como os professores, reúnam seus esforços e ajam coletivamente para fazer suas reivindicações. Agora uma sugestão às Secretarias: existem hoje muitos filmes que tratam dessa temática, de forma mais ampla ou mais específica. Poderia ser interessante fazer uma lista desses filmes e sugerir, com base neles, atividades extra-escolares para despertar a sensibilização.


Fonte: Blog A Tarde Educação

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Escolas em extremos opostos apontam desafios da educação no Brasil

O Colégio Estadual Madre Paulina, no Itaim Paulista, no extremo leste de São Paulo, fica a cerca de 40 quilômetros do Colégio Vértice, no bairro de classe média do Campo Belo. Mas, em termos de qualidade da educação que os alunos recebem, estas duas escolas estão em dois planetas diferentes.

Raquel, 16 anos de idade, cursa o último ano do ensino médio no Colégio Vértice, o primeiro colocado nacional no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) com uma pontuação média de 749,7. Famílias de classe média, como a de Raquel, precisam fazer um esforço para pagar as mensalidades de R$ 2,7 mil.

Apesar do valor alto, mais de cinco vezes o do salário mínimo, há uma longa lista de espera de pais dispostos a pagar pela melhor educação possível para os filhos."Os alunos aqui querem mesmo aprender. Temos o objetivo de entrar nas melhores universidades e isso nos motiva a estudar", diz Raquel. "Eu sei muito bem das oportunidades que tenho e que grande parte da população do Brasil e do mundo não tem."

'Ambiente agradável'
O conjunto de sobrados que forma a escola não tem luxos, mas é um ambiente agradável e com ar de casa do interior, cheio de flores coloridas e pequenas árvores.

"Todas as salas de aula levam a pequenos jardins. Faz diferença estudar num ambiente agradável", diz Walkiria Ribeiro, que fundou a escola em 1976 e hoje é sua diretora geral.

“Acho que o que fizemos de mais importante aqui foi pensar num método de ensino que funcionasse bem no Brasil e para nossos alunos, em vez de ficar adotando fórmulas e modelos prontos que existem por aí”, diz a educadora.

Na Escola Estadual Madre Paulina, Eric - também 16 anos de idade e no último ano do ensino médio – vive numa realidade bem diferente.

Antes de sair pra escola, ele toma café da manhã sozinho, porque a mãe tem que sair às 5h de casa para chegar a tempo na fábrica em que trabalha.

Eric vive num conjunto habitacional ao lado de uma favela e, nos dez minutos de caminhada pelas ruas do bairro até a escola, vê com frequência traficantes em plena atividade, tendo como clientes seus colegas de colégio."

Às vezes, vejo no caminho amigos que não querem vir para a aula, e eu tento convencê-los a vir comigo pra escola. Mas tem muitos que dizem que não adianta porque nós não aprendemos nada ", conta Eric.

'Destruição'
A escola Madre Paulina fica num prédio grande e um tanto quanto sombrio, coberto de pichações e com lixo espalhado pela grama. Dentro, há mais pichações e muitas portas, janelas e móveis quebrados.


Eric admite que os alunos têm a sua parcela de culpa na destruição, mas vê motivos para esse comportamento. "Muitos fazem isso porque não estão motivados, então eles vêm para a escola e fazem pichação e quebram tudo. É até uma maneira de eles se expressarem,” diz o estudante.

Os alunos do Colégio Madre Paulina tiveram nota média de 465,75 no Enem, o que colocou a escola entre as 20 piores de São Paulo. Os alunos com notas mais baixas no Brasil (249,25) foram os da Escola Indígena Dom Pedro 1º, na pequena cidade de Santo Antonio do Iça, no Amazonas.

"Ninguém aqui está motivado, nem mesmo os professores. Como é que pode isso? Esses professores são as pessoas que têm de preparar os médicos e engenheiros do futuro", diz Eric.

Durante os governos dos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil conseguiu colocar virtualmente todos os seus jovens na educação básica, mas melhorar a qualidade do ensino será o grande desafio para o próximo governo ou, mais provavelmente, para os próximos governos.

"Melhorar a educação é maior desafio que temos para continuar crescendo. Educação demanda tempo, competência e muito cuidado e atenção às crianças e adolescentes, e o sistema educacional no Brasil é carente de todas essas virtudes", diz o professor de relações industriais da Universidade de São Paulo, José Pastore.

"A evolução ao longo dos últimos anos é real e rápida, mas as conquistas ainda são muita pequenas. Apenas cerca de um terço da população no Brasil tem o ensino secundário, enquanto, nos países ricos, este valor atinge 75% a 80%. "

Pastore observa que os trabalhadores brasileiros têm uma média de 7 anos de estudo contra 11 anos na África do Sul, 12 anos nos Estados Unidos e até 13 anos em partes da Europa. "E eles vão para as boas escolas, enquanto os brasileiros vão a escolas ruins."

Corrida desigual
Tanto Raquel como Eric são estudantes esforçados, com boas notas e grandes planos para seus futuros e o do país, mas eles sabem que estão entrando na corrida em condições bastante diferentes.


No Colégio Vértice, há um professor para cada dez alunos e 30% dos educadores têm mestrado. Os salários são em torno de R$ 7 mil por mês.

Raquel passa a maior parte do dia na escola com aulas regulares até a hora do almoço e aulas de reforço a tarde. "Eu costumava fazer muito esporte, como aulas de natação e judô, mas agora a vida é só estudar para me preparar para o vestibular."

Raquel ainda não decidiu se quer estudar Biologia ou Relações Internacionais. "O que é importante para mim é encontrar alguma coisa na minha profissão que me permita ajudar outras pessoas", diz ela.

Eric não tem dúvidas sobre o que ele quer fazer do seu futuro: "Quero ser engenheiro para explorar a imensa riqueza do pré-sal."

Mas isso não é tarefa fácil para os alunos de uma escola como a Madre Paulina, onde os professores têm uma média de 50 alunos e um salário de R$ 900. "Como posso me tornar um engenheiro com o tipo de educação que recebo?"

Mas Eric não desiste. Ao contrário: ele entrou na União Municipal de Estudantes Secundaristas (Umes) e se tornou vice-presidente para Zona Leste de São Paulo na entidade estudantil. "Meu sonho é que outros também possam realizar seus sonhos", diz ele.

Mudanças
O Ministério da Educação admite que o país ainda está muito longe de onde deveria estar, mas diz que mudanças importantes aconteceram durante o período Lula.

"O ensino público tem avançado muito no governo Lula, porque passamos a investir, adotamos uma abordagem sistêmica da educação primária até a universidade e começamos a preparar melhor nossos professores", diz a secretária de Educação do MEC, Márcia Pilar.

Pilar explica que, em 2005, um estudo feito pelo Ministério da Educação avaliou escolas públicas brasileiras com uma nota média de 3,8, numa escala de zero a dez.

"Nosso plano é chegar a 2022, o bicentenário da independência do Brasil, com nota 6, o que seria já perto da qualidade de alguns países da OCDE", diz Pilar.

"Nenhum país jamais conseguiu reformar o seu sistema de ensino em menos de uma geração, mas temos tomado medidas que já têm um impacto importante, como o aumento do número de estudantes nas universidades."

Mas as empresas brasileiras – com a oportunidade de crescimento que o Brasil tem agora – podem não conseguir esperar por uma geração. Para atender às necessidades urgentes da indústria, governo e setor privado têm investido fortemente nas escolas técnicas.

Torneiro mecânico
Nas escolas do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), quase 90% dos jovens se formam com empregos já garantidos. É ótimo para eles, mas mostra a carência do Brasil de trabalhadores qualificados.

"Há uma grande demanda por trabalhadores qualificados, sobretudo em mais áreas de alta tecnologia, como informática e mecatrônica", diz o diretor do sistema Senai no Estado de São Paulo, Walter Vincioni.

"Mas um problema sério é que as tecnologias com que trabalhamos são muito sofisticadas e aprender a usá-las requer uma boa formação básica que muitos dos alunos que recebemos aqui não têm, infelizmente. "

No primeiro andar do Senai Roberto Simonsen, no bairro Paulistano do Brás, está um antigo torno cuidadosamente restaurado, que o adolescente Luiz Inácio da Silva usou no início das anos 60 para aprender o ofício de torneiro mecânico.

Embora tenha apenas completado a educação fundamental no ensino regular, o curso profissionalizante lhe abriu caminho para se tornar uma metalúrgico, um líder estudantil e, finalmente, o presidente Lula. Entretanto, a história é a exceção que confirma a regra: não é fácil de quebrar as barreiras das diferenças sociais sem acesso à educação.

"Está provado que, no Brasil, a educação é o caminho mais rápido para a mobilidade social. Temos tal força de trabalho pouco qualificada que qualquer conhecimento adicional, mesmo que pequeno, é suficiente para melhorar bastante de vida", diz o professor Pastore.

Propostas
O professor disse que não ouviu, dos candidatos à Presidência, "nada realmente interessante ou concreto sobre a educação."Em sua opinião, a própria sociedade também precisa ser mais ativa.

"O grande problema é que, em um país onde a educação nunca foi prioridade, muitos pais estão felizes simplesmente porque agora seus filhos vão à escola e, portanto, não exigem mais", diz ele.

"Precisamos encontrar maneiras de unir a sociedade para lutar por mais qualidade na educação. As pessoas no Brasil têm de perceber como isso é importante."

Fonte: UOL 28/09/2010

Prêmio Instituto Claro - Novas formas de Aprender e Empreender

O Instituto Claro lançou a edição de 2010 do Prêmio Instituto Claro – Novas formas de Aprender e Empreender. O objetivo é fomentar o empreendedorismo na educação e no desenvolvimento comunitário, reconhecendo e articulando os agentes, de forma a tornar ainda mais transformadoras as suas ações. Serão R$ 150 mil em prêmios, distribuídos conforme o regulamento, que você ver no site: www.institutoclaro.org.br/instituto-claro/projetos/

Veja abaixo as categorias do prêmio:
Inovar na Aprendizagem
Práticas e oportunidades de aprendizagem inclusiva que criam novas formas de aprender utilizando as tecnologias de informação e comunicação como parte da inovação. Os projetos propostos precisam estar em fase de implementação, aprimoramento ou expansão. São exemplos de temáticas adequadas a gestão educacional, os conteúdos pedagógicos e a formação e capacitação de educadores.

Inovar na Comunidade
Iniciativas que, por meio do uso inovador das tecnologias da informação e comunicação, melhoram as condições de vida da comunidade nos planos social, ambiental e esportivo, entre outros. As ações devem estar em fase de implementação, aprimoramento ou expansão e serem construídas dentro e fora da comunidade, enfocando áreas como promoção de cidadania, ajuda humanitária e geração de renda.

Los jóvenes y el diario en la era de las pantallas

Compartilhamos abaixo artigo de Roxana Morduchowicz, Diretora do Programa Escola e Meios do Ministério da Educação da Argentina, publicado no jornal Página 12, de Buenos Aires, no dia 24 de setembro. Ela participou como conferencista do Congresso da Associação Mundial de Jornais, realizado en Londres, na semana anterior e comentou o que viu por lá. Boa leitura!

Por Roxana Morduchowicz
Unos 200 diarios de todo el mundo se reunieron la semana pasada en un congreso en Londres para analizar su futuro. Más allá de las realidades y los contextos, todos parecen coincidir en los mismos interrogantes: ¿cuál es el lugar que ocupará el diario impreso en este nuevo universo de pantallas? ¿Cómo hacer más atractivo el periódico digital para un público que está abandonando el papel por su versión “on line”?

Ningún editor cree que el diario tradicional vaya a desaparecer por completo. Siempre habrá un público que, aunque minoritario, le será fiel. Sin embargo, la tendencia, en los próximos diez años, es que la gran mayoría de la gente, en todo el mundo, lea el periódico por Internet.

Según los expertos que se dieron cita en Londres, en los próximos cinco años, más gente accederá a Internet por el celular que por la computadora. Y si esto es así, los usuarios elegirán leer la información en la pantalla del móvil, mientras viajan en colectivo o en subte, cuando caminan por la calle o mientras esperan en la cola, por un trámite.

Tan seguros están los diarios de que su futuro está en la web, que muchos de ellos ya cuentan con departamentos especiales que exploran cómo presentar la información, según la plataforma que quiera consultar el lector. Es que el diario ahora, puede leerse en la computadora, en el celular o en el ipad... La información en cada soporte tendrá pronto su propia identidad y perfil, para hacer más atractiva la lectura según la plataforma elegida.

¿Y qué sucederá con los jóvenes? ¿Qué elegirán leer? Aun cuando todos vivimos en un mundo de pantallas, las nuevas generaciones son quienes más rápidamente se apropian de las tecnologías. Efectivamente, los jóvenes están acostumbrados a tener “todo ya, en simultáneo y gratis”. Descargan juegos, bajan música, ven películas y buscan información en la pantalla de su celular o en la de la computadora, al instante, todo al mismo tiempo y sin pagar...

En ellos piensan también los editores de los diarios más importantes del mundo, cuando analizan el futuro de los diarios.

Los jóvenes de hoy son la generación multimedia: mientras ven televisión, navegan por Internet, hablan por celular, escuchan música y hacen la tarea. Todo al mismo tiempo, en múltiples plataformas y de manera fragmentada. De hecho, el “zapping” dejó de ser para ellos una conducta frente al televisor, para ser una actitud ante la vida. Los chicos “zappean”, abren y cierran ventanas todo el tiempo, sin ningún inconveniente.

Por esta fragmentación en la que todos vivimos, es precisamente que el diario británico The Independent incorporó en su página 2 una sección fija que –aludiendo a Twitter– sintetiza las noticias del día en 140 caracteres cada una.

Una de las más grandes atracciones del congreso fue escuchar al dueño y editor del prestigioso diario norteamericano The New York Times, Arthur Sulzberger, quien confirmó que, a partir del 1º de enero, comenzarán a cobrar la edición on line del diario. Nadie tiene certeza sobre lo que harán los lectores que hoy eligen leer The New York Times en Internet. Pero, ¿qué sucederá con los jóvenes, una generación acostumbrada a hacer todo en la pantalla, pero gratis?

El editor del diario neoyorquino e incluso su colega del Washington Post están convencidos de que si se les ofrece un servicio diferente y atractivo, los jóvenes también querrán pagarlo. De hecho, sostienen, ya pagan por algunos juegos que no pueden bajar gratis y pagan también cuando quieren escuchar música con buena calidad de sonido (en sitios pagos).

Así, si se les ofrece chatear con su deportista o su artista favorito o si reciben actualización
personalizada sobre un tema tecnológico que les interesa, información privilegiada sobre una película que esperan, o datos sobre el recital musical “del momento”, seguramente –piensan los editores– pagarían el servicio.

Nadie puede asegurarlo. Con cambios tecnológicos tan dinámicos y constantes, nadie se anima a garantizar nada. Los adolescentes de hoy están en la mira de todos los editores. Los diarios necesitan pensar cómo llegar mejor a ellos.

Porque es una generación que nació con Internet. Porque ya no usan un medio a la vez. Porque viven entre pantallas. Y porque las usan casi con exclusividad.
Ellos son los lectores de mañana. Y en ellos piensan los editores hoy.

* Directora del Programa Escuela y Medios en el Ministerio de Educación de la Nación. Participó como conferencista invitada del Congreso de la Asociación Mundial de Diarios, realizado en Londres.
Fonte: www.pagina12.com.ar/diario/sociedad/3-153729-2010-09-24.html

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Lei obriga escolas a terem cadeiras para obesos

Instituições de ensino públicas e particulares, de escolas a universidades, precisarão ter cadeiras especiais para obesos, sob pena de serem multadas em R$44.670 (22.132 Ufirs). A determinação deverá ser observada também em locais onde são realizadas provas de concursos. A lei estabelecendo a medida entrou em vigor no dia 23/09.

- É uma medida positiva. Os estudantes passam a maior parte do tempo sentados durante a aula e é preciso que tenham o mínimo de conforto. Só não sei avaliar se isso vai se tornar mais uma forma de discriminação. Temos reivindicado que o mesmo ocorra nos ônibus. Nos Estados Unidos, por exemplo, isso já é comum - disse a endocrinologista Rosana Radominski, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

As novas cadeiras terão que seguir determinações do Instituto de Pesos e Medidas do Rio (Ipem-RJ). Nas escolas estaduais, no entanto, as cadeiras ainda não estão disponíveis. A Secretaria estadual de Educação ainda estuda como implantar a medida.

Fonte: O Globo (RJ)/ Texto: Rafael D"Angelo

“Ensino Noturno” livro descreve projetos diferenciados

O ensino noturno é uma realidade brasileira de longa data, e estava na hora desta prática educativa ser pauta entre alunos, professores e outros especialistas.

Por isso a obra
“Ensino Noturno”, de Laurinda Ramalho de Almeida desempenha um importante papel na educação: a função de repensar métodos de aula que despertem nos alunos a vontade de aprender e nos professores a vontade de ensinar.
A validez da proposta se deve às aplicações do Projeto Noturno, iniciativa que contou com a participação de 152 escolas do Ensino Médio da rede pública do Estado de São Paulo, com a característica delas próprias criarem e executarem propostas originais baseadas nos problemas encontrados dentro de seus muros escolares. A autora acompanhou de perto o trabalho desenvolvido em seis escolas no ano de 1986.
Retomar os dados coletados em entrevistas com alunos, educadores e seus coordenadores para a produção do livro se deve à revalorização do tema cada vez mais atual, e também pelas “vozes entusiasmadas, às vezes embargadas pela emoção, dos diretores, coordenadores, professores e alunos que participaram do Projeto e me concederam seu tempo e suas ideias, acreditando que o seu falar faria alguma diferença para a melhoria do ensino noturno”, relata Almeida.

Entre as propostas sugeridas e aplicadas pelas diferentes escolas, percebe-se em comum a vontade em construir uma ligação de mais respeito e afeto com o aluno. Por isso, houve a preocupação em oferecer merendas fartas, tolerância e adequação de horários para alunos com compromissos (como trabalho), incentivo da própria sala de aula ser um local de estudo para as provas, plantões, debates e palestras, entre outros.

“Ensino Noturno” é repleto de depoimentos de todos os envolvidos, o que constitui e constrói uma visão muito particular e democrática das aplicações das aulas e seus resultados.

“Ensino Noturno”
Autora: Laurinda Ramalho de Almeida
Editora: Edições Loyola
Páginas: 112
Quanto: R$ 18
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/802442-ensino-noturno-descreve-projetos-diferenciados-para-melhoria-da-educacao.shtml