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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Educomunicador estimula a circulação da informação

O educomunicador é o responsável pela gestão de projetos que unem comunicação eEducação. Ele pode trabalhar em escolas, no terceiro setor, em empresas de mídia e com pesquisa.

Você já ouviu falar em um educomunicador? Se a resposta é "não", fique tranquilo. O profissional ainda é desconhecido também pelas empresas.

O educomunicador é o responsável pela gestão de projetos que unem comunicação e Educação. Ele pode trabalhar em Escolas, no terceiro setor, em empresas de mídia e com pesquisa.

Na TV USP, o programa "Quarto Mundo" é um exemplo de projeto educomunicativo, em que estudantes do ensino médio e profissionais de comunicação atuam juntos. Os alunos fazem desde a pauta até a edição do programa de TV.

"A comunicação passa a ser um elemento de todo mundo, ela dá voz ao aluno e aoeducador", diz Carlos Alberto Mendes. Ele preside o comitê que implementa uma lei municipal que institui a educomunicação nas Escolas públicas de São Paulo.

A partir da lei, foi criado o programa Educomunicação pelas Ondas do Rádio, que estimula a produção de programas de rádio e TV, blogs e jornais comunitários, entre outras formas de mídia, nas Escolas municipais.

Para João Alegria, 46, gerente de programação, jornalismo e engenharia do Canal Futura, o fato de o mercado de atuação do educomunicador estar em construção não é um empecilho para a formação dos novos profissionais também nas empresas.

Ana Paula Chinelli, 30, diretora de jornalismo da TV USP, diz que, como esse é um campo novo, é preciso "criar conceitos do zero".

A USP criou o curso de licenciatura na área neste ano e passará a oferecer vagas já para 2011. "O professor de comunicação é uma demanda [nas unidades educacionais]", diz Ismar Soares,
coordenador do curso.

Mas a universidade paulista não foi a pioneira. Neste ano, a UFCG (Universidade Federal de Campina Grande, na Paraíba) iniciou as atividades do curso de bacharelado em educomunicação.
A aluna Ana Caroline Araújo, 19, conta que, por ser um curso recente, existem dificuldades. "Tudo o que é novo sofre preconceito", diz.

Fonte: Folha de S.Paulo (SP)/ Texto: Ana Paula Anjos

Comportamento virtual das crianças brasileiras

Os alunos brasileiros passam, em média, quatro horas por dia conectados à internet – 80% em sites de relacionamentos e 72% em programas de comunicação instantânea. Os dados são de pesquisa realizada pela ONG SaferNet Brasil feita em escolas públicas e particulares.

O problema, para a gerente de projetos sociais da ONG Terra dos Homens, Valéria Brahim, é que as famílias e as escolas não estão preparadas para lidar com esse comportamento virtual das crianças e dos adolescentes. Para ela, o fato provoca um duplo debate: é preciso mostrar aos educadores que a internet é uma ferramenta de pesquisa, mas também de crimes.

Outro levantamento da SaferNet mostra que 63% dos pais não colocam limites para os filhos navegarem na rede. Oito entre dez jovens pesquisados têm pelo menos um amigo que conheceu virtualmente, mas 36% das famílias não sabem disso.

Conversando com outros educadores sobre o tema, muitas afirmam que não gostam da internet, que não sabem o que fazer com a rede e que não têm tempo para navegar ou aprender, que a escola não os incentiva para trabalharem com a ferramenta e que não se interessam por ela.

Fonte: Correio do Povo (RS)/ O POVO Educação

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Como a tecnologia e o ensino a distância podem revolucionar a educação

Com o tema “Como a tecnologia e o ensino a distância podem revolucionar a educação”, Luciana Allan, Diretora Técnica do Instituto Crescer (www.institutocrescer.org.br), participou de um debate no progama Urban View, na allTV (www.alltv.com.br), que transitou sobre as possíveis inovações e contribuições que as tecnologias podem proporcionar ao setor da educação.

Para Luciana, especialista em tecnologia aplicada a educação, as novas tecnologias, como iPad, redes sociais e plataformas para educação a distância, têm um considerável potencial para contribuir com a ampliação do acesso e o aumento da qualidade de ensino e aprendizagem no Brasil.

No debate, ela salientou a complexidade de se discutir sobre a contribuição de tecnologias para educação em um país onde ainda há falta de infraestrutura básica nas escolas, com grande número de unidades ainda não informatizadas, deficiência na formação de professores e uma grande parcela de instituições que dificultam o uso de seus computadores pelos alunos.

“É muito complicado falar em novas tecnologias na educação em um país onde não se consegue ainda suprir sequer necessidades básicas. Sem uma política pública efetiva de inclusão tecnológica e social é praticamente impossível avançar nesta área”, explica Luciana Allan.

Veja o vídeo da entrevista:

Luciana Maria Allan - 18/08/2010 - Urban View from Urban Systems on Vimeo.

Atividade com jornal: Expectativa de Vida

Veja como a professora Shirley Aggi Moura, da Escola Mul. Profª Shirley Aggi Moura, de Ponta Grossa/PR, trabalhou com seus alunos de 2º ano do 2º Ciclo o tema expectativa de vida dos paranaenses. Ela faz parte do Projeto Cultural Vamos Ler, do Jornal da Manhã, de Ponta Grossa/PR. Boa leitura!

Escola Mul. Profª Shirley Aggi Moura
Professora: Lucila Eurich da Silva
Série: 2º ano do 2º Ciclo
Programa: Projeto Cultural Vamos Ler (Jornal da Manhã – Ponta Grossa-PR)
Coordenação: Talita Moretto

Objetivos
· Desenvolver habilidades para interpretar, analisar e relacionar informações;
· Refletir acerca da importância de apresentar informações verdadeiras durante o censo;
· Oportunizar a realização de uma aprendizagem significativa, levando o aluno a se defrontar com situações que exijam investigação e trabalho;
· Coletar, comparar dados e tirar conclusões a partir deles;
· Representar dados em tabelas;
· Formar equipes de trabalho e estipular papéis diferenciados;
· Calcular médias aritméticas;
· Efetuar cálculos aproximados e estimativas em situações significativas;
· Valorizar atitudes relacionadas à alimentação e à saúde;
· Valorizar atitudes que promovam a manutenção do bem-estar pessoal e coletivo;
· Apontar e descrever algumas das infrações cometidas no trânsito;
· Reconhecer os comportamentos de risco no trânsito;
· Assumir responsabilidades sobre seu comportamento para preservar sua segurança no trânsito.

Desenvolvimento da atividade:

Os alunos, ao estudarem a população do Paraná, observaram que a expectativa de vida dos paranaenses para o ano de 2010, segundo o IBGE, seria a idade média de 71,83. Surgiu então a curiosidade de saber se aqui, em nossa cidade, a média de vida dos habitantes se encaixava nessa estimativa.
Para verificação, como amostragem, foram guardados dados do obituário a cada jornal recebido no decorrer de quatro semanas.
A turma foi dividida em quatro equipes, sendo que cada uma ficou responsável em fazer o levantamento dos óbitos e registrá-lo inicialmente em uma tabela. Após, fez-se a soma das idades dos falecidos e em seguida apurado uma média.
Cada equipe apresentou e levantou situações que podem diminuir ou aumentar o tempo de vida de um ser humano.

Resultados alcançados:

Foi constatado que a expectativa de vida dos habitantes da cidade está próximo a que foi prevista para o nosso Estado.
Os alunos chegaram as seguintes conclusões: o ritmo de vida agitado, a má alimentação, falta de atividades físicas, desrespeito as normas de trânsito e envolvimento com drogas e álcool, além de outros descasos com a saúde podem apressar a morte de uma pessoa.

Observações feitas pelos alunos:

“Eu entendi que idade média não quer dizer que todas as pessoas viverão até essa idade e sim é uma estimativa.” - Mariane Balhuk – 10 anos
“Fiquei preocupado, pois tenho lido nos jornais ,notícias de muitos acidentes no trânsito em nossa cidade,envolvendo jovens.” - Jackson Swami Lima Florenski -13 anos.

“Quase sempre leio nos jornais notícias sobre doenças , como se prevenir, onde se vacinar e descobertas da medicina.” - Gabrielle Moleta de Paula- 10 anos

“Como a população está vivendo cada vez mais, os governantes devem se preparar para isso.” - Jaine Marinho – 10 anos

“Não sabia que influenciava na economia as pessoas viverem mais.” - Ivan Dias de Lima – 10 anos.


Fonte:Projeto Cultural Vamos Ler/ Jornal da Manhã (Ponta Grossa/PR)

Sugestão de atividade com jornal:“Corpo audiovisual”

A partir de uma matéria sobre cultura afro no jornal A Tarde, a equipe do programa A Tarde Educação sugere uma atividade que pode ser desenvolvida pelos professores com seus alunos. Você também pode selecionar uma notícia de algum jornal do seu estado e fazer algo parecido.

Atividade com jornal

Assunto: “Cultura afro – brasileira”
Temas Transversais: Ética e Pluralidade Cultural
Áreas do Conhecimento: Língua Portuguesa, História, Ciências, Educação Artística e Informática
Matéria sugerida: “Corpo audiovisual”

Propostas:
Sensibilização: levar a imagem da matéria sugerida para os alunos e questionar sobre o que eles percebem na imagem.
Sugerir a visita da turma ao projeto Cinema de Artista realizado pelo Museu de Arte Moderna da Bahia, com entrada gratuita.
Realizar uma feira interdisciplinar que pode levar o título: Cultura afro- brasileira

O projeto poderá ser realizado em quatro momentos:
1º) O primeiro pode ser uma pesquisa sobre a Cultura afro- brasileira no cotidiano. Partindo da realidade de casa, da escola, dos hábitos alimentares e da comunidade dos próprios alunos. Por exemplo, muitas famílias têm pratos que fazem parte de sua tradição africana.
2º) O segundo momento pode ser uma pesquisa histórica sobre como a cultura africana se incorporou no Brasil. Essa pesquisa pode ser realizada na biblioteca da escola, no laboratório de informática e em obras.
3º O terceiro momento pode ser um debate sobre o reflexo dessa cultura no Brasil.
4º) O quarto momento pode ser a montagem de barracas, cada uma dedicada a um aspecto da cultura africana. Por exemplo: Dança, Música, Culinária, etc.

Questões Norteadoras para debate:
-A cultura afrodescendente é legitimada em nosso cotidiano?
-A população se percebe como afrodescendente?
-Existe preconceito e discriminação com afrodescendentes?
-O brasil precisa de ações afirmativas para os afrodescendentes?
-O brasileiro é responsável pela preservação da cultura afrodescendente ?

Dicas
O docente poderá ampliar essa discussão proposta, dependo do assunto trabalho em sala. Bem como, utilizar outras matérias publicadas no jornal envolvendo o tema.

Fonte: Jornal A Tarde, 15 de setembro de 2010. Segundo Caderno, p.1. Salvador/BA.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Congresso possui mais de 250 projetos que criam disciplinas obrigatórias nas escolas

Cerca de um quarto dos projetos de lei na área da educação que tramitam no Congresso atualmente propõe a criação de novas disciplinas ou mudanças no conteúdo do currículo escolar. Um levantamento feito pelo Observatório da Educação contabiliza mais de 250 propostas dessa natureza, entre projetos da Câmara e do Senado.

As proposições dos parlamentares dizem respeito à criação de disciplinas sobre temas diversos como ecologia e educação no trânsito, passando por outros curiosos e específicos como o ensino de esperanto e direitos do consumidor.

A maioria dos projetos que incluem novas disciplinas no currículo escolar é voltada para as áreas do meio ambiente e da cultura de paz. Cerca de quinze membros do legislativo federal possuem propostas sobre pelo menos um desses dois temas.

O projeto de lei que inclui o ensino do esperanto no currículo do ensino médio, de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), está sendo analisado pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados. Criado com o objetivo de se tornar uma língua usada por todos os povos, o esperanto é falado por menos de 0,1% da população mundial, segundo as estatísticas mais otimistas dos sites sobre a língua.

Outro projeto, do deputado federal Lobbe Neto (PSDB-SP), visa criar a disciplina de educação financeira para os currículos de 5ª a 8ª séries do ensino fundamental e do ensino médio. Aprovado no ano passado pela Câmara, o texto foi apensado a outros que abordavam a mesma temática no Senado.

Além de novas disciplinas, também há propostas de incluir matérias que já existem nos currículos escolares, como o projeto de lei do deputado Gilmar Machado (PT-MG), que torna obrigatório o ensino da Geografia em todas as séries do ensino médio. Como essa, há várias outras propostas, sendo a maioria para a disciplina de História.

Nas assembleias legislativas estaduais, as propostas de criação de disciplinas também são recorrentes: somente na Assembleia Legislativa de São Paulo, tramitam mais de 30 proposições desse tipo, que tratam desde “iniciação ao turismo” até o retorno da educação moral e cívica (leia mais
aqui).

“A maioria não vinga”

De acordo com Dermeval Saviani, professor emérito da Unicamp, as medidas que criam disciplinas e conteúdos pelos parlamentares são “exóticas”, e não poderiam ser definidas nesse nível. “É no âmbito das escolas que as normas gerais fixadas pelo Congresso Nacional, pelas Assembleias e pelos Conselhos, devem ser traduzidas na sua composição curricular”, explica.
Ouça a entrevista com Saviani na íntegra.

Para o pesquisador, os parlamentares apresentam projetos relacionados com educação para “mostrar serviço”, e a maioria nem chega a ser aprovada. “E, nos casos em que vingam, essas leias aparecem como distorções, porque vão na contramão da educação na forma de um sistema articulado”, afirma.

Saviani ressalta que as representações dos educadores devem estar atentas ainda à função de monitoramento dos parlamentares. “Devem cobrar não somente a criação de leis que respondam às necessidades do país, mas também uma avaliação da política educacional, para que se aprovem medidas para corrigir eventuais distorções da execução de políticas públicas, como o cumprimento da LDB e o Plano Nacional de Educação.

A atuação dos parlamentares no campo da educação é assunto de mais um debate da série Desafios da Conjuntura, promovido pelo Observatório da Educação da Ação Educativa no dia 21 de setembro, em São Paulo. O objetivo é refletir sobre o papel dos parlamentares na formulação e monitoramento das políticas educacionais, já que o tema é pouco debatido – mesmo no período pré-eleições.



Desafios da Conjuntura: O Parlamento e a educação

Para refletir sobre a responsabilidade do Legislativo na formulação e monitoramento das políticas educacionais, o Observatório da Educação da Ação Educativa realiza mais um debate da série Desafios da Conjuntura: O Parlamento e a educação, no dia 21 de setembro. Para se inscrever, clique aqui.

O debate será transmitido ao vivo com interpretação em LIBRAS e os internautas poderão participar enviando perguntas e comentários em um bate-papo simultâneo, além do twitter
@obseducacao.

Programação:

- "O papel do parlamento na política educacional" – Rubens Barbosa de Camargo – professor da FE-USP

- "O processo legislativo" - Paulo de Senna Martins – consultor legislativo da Câmara Federal
- "Atribuições das diferentes instituições" – Regina Gracindo – membro do Conselho Nacional de Educação
- "Balanço da atuação parlamentar" – Marcos Verlaine da Silva Pinto – assessor parlamentar do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap)
- "Acesso à informação no legislativo" – Cristina Coghi – repórter da Rádio CBN

Desafios da Conjuntura – O parlamento e a educação

Data: terça-feira, 21 de setembro
Horário: de 9h30 às 12h30
Local: auditório da Ação Educativa
Rua General Jardim, 660 São Paulo – SP
Evento gratuito

Fonte/ Informações: http://www.observatoriodaeducacao.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=954:inscricoes-abertas-para-o-desafios-da-conjuntura-sobre-o-legislativo-e-a-educacao&catid=48:sugestoes-de-pautas&Itemid=98.

''Escolas precisam oferecer formação política'', diz especialista

Leia a entrevista de Pedro Bottino, do Todos pela Educação, com a coordenadora do Movimento Voto Consciente, Celina Marrone.

A Educação política vai além de entender o processo democrático, conhecer as atribuições dos representantes eleitos e acompanhar suas ações. Para Celina Marrone, coordenadora do Movimento Voto Consciente, Educação política é, sobretudo, uma forma de o cidadão garantir sua liberdade de escolha. “A liberdade está ligada ao conhecimento, à capacidade de interpretar e de avaliar”, afirma.


Em entrevista por ao Todos Pela Educação, Celina explicou como se comporta o eleitorado brasileiro, comentou a importância da formação política nas escolas e apontou caminhos para a consolidação do processo de participação política.

O Voto Consciente é uma entidade da sociedade civil apartidária e formada por voluntários. Desde 1987, desenvolve ações educativas em comunidades e acompanha o desempenho de vereadores e deputados nas Câmaras Municipais e na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. Veja a íntegra da entrevista:

Todos Pela Educação: A principal bandeira do Movimento Voto Consciente é a Educação política. O que é Educação política e como ela pode melhorar a vida das pessoas?
Celina Marrone:
A Educação política tem vários aspectos, mas o principal é a informação. Alguém que não tem informação não pode ter critério de avaliação. Nós pedimos que as pessoas votem com consciência, e ter consciência significa ter ciência, ter saber, conhecer. Pensando nisso, começamos uma grande batalha para informar em todos os níveis de capacidade intelectual e de formação cultural. Dessa forma, o eleitorado que tem pouca informação pode entender perfeitamente o processo político e fazer suas escolhas.


Todos Pela Educação: No Brasil, é comum ouvir as pessoas dizerem que não gostam de política. Qual é o efeito disso no processo eleitoral e na democracia de um país?
Celina Marrone:
As pessoas não definem muito bem o que é isso. Dizer que não gosta de política, nesse caso, é dizer que não gosta das coisas como estão. As pessoas não gostam da política que está aí, sendo feita pelos políticos que elas votaram e pela qual elas são responsáveis diretas. Meio responsáveis, eu diria, porque sem informação elas não são responsáveis. Essa consciência é que levamos às pessoas.


Todos Pela Educação: A senhora nota um desejo de participação política nas pessoas?
Celina Marrone:
Tenho certeza que há. Caminho pelos bairros mais humildes e vejo que, quando as pessoas abrem o coração, são realmente tocadas pela política. É um absurdo que, até hoje, não se tenha percebido que é preciso uma formação política nas escolas. Não uma formação de política partidária, mas que explique como funciona a nossa democracia, o que é esse sistema e quais são as obrigações daqueles que escolhemos para governar. É simples.


Todos Pela Educação: O eleitor brasileiro ainda vende seu voto?
Celina Marrone:
A população não vota em quem sabe que é corrupto. O eleitor já percebeu que não vale a pena votar em candidato que distribui R$ 100 por cabeça, porque a garantia das necessidades básicas é bem mais cara do que o benefício recebido. Um voto comprado não é só um voto perdido, mas uma desgraça na vida de quem vende.


Todos Pela Educação: Então, já foi superado o tempo em que as pessoas aceitavam que um governante roubasse se tivesse realizações?
Celina Marrone:
Superado, não. O Brasil é muito grande. Nas eleições municipais, principalmente nas cidades pequenas, o trabalho de Educação política prospera rapidamente. Mas em um país enorme como o nosso ainda existem muitos com essa mentalidade.

Todos Pela Educação: O que é mais importante saber sobre os candidatos antes das eleições?
Celina Marrone:
Na hora de escolher o candidato, o eleitor deve observar o partido. É importante saber, por exemplo, se o partido tem muita gente com a “ficha suja”. O Ficha Limpa foi importante para isso, mas não está tudo peneirado. Além disso, os condenados estão recorrendo e, enquanto eles puderem recorrer, mesmo que sejam criminosos, não podem ser excluídos da corrida eleitoral. O povo precisa ficar esperto: tem muita gente que já foi condenada fazendo propaganda eleitoral.


Todos Pela Educação: Onde o eleitor pode se informar sobre isso?
Celina Marrone:
Há o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), ao qual o Movimento Voto Consciente é irmanado. No
site do movimento, existem muitos artigos sobre isso. O Voto Consciente também lançou um site chamado Ficha Pública.

Todos Pela Educação: O que um candidato não pode prometer antes das eleições?
Celina Marrone:
O candidato que é eleito para legislar e fiscalizar não pode prometer que vai gastar dinheiro, que vai construir. O que ele pode fazer é autorizar ou não. Os "fazedores" são os executivos, mas esses precisam ser autorizados. Nem o presidente da República pode fazer alguma coisa se não for autorizado. Essa noção começa a ficar no inconsciente do eleitor e o ajuda a direcionar suas escolhas. Muitos não se lembram em quem votaram nas últimas eleições

porque não escolhem, ouvem palpite. E aí é como palpite de qual cavalo que vai ganhar a corrida.

Todos Pela Educação: A senhora acha que as eleições no Brasil são personalistas?
Celina Marrone:
Hoje em dia, os partidos realmente não têm programa de governo. Vemos por esses tais "puxadores de voto". O que os partidos querem é que esses candidatos tenham uma baciada de votos, para que eles ajudem a eleger os de sempre. Esses são os que têm muito dinheiro de campanha e que têm dono. Eu digo sempre para as pessoas nas palestras do Movimento: “Preste atenção, porque se o candidato tem dinheiro de mais, tem dono. Veja quem é o dono dele, pode ser um dono bom ou um dono ruim”. É por isso que a reforma política é urgente. Acho que a lista fechada seria uma enorme vitória. Precisamos criar uma cultura de filiação partidária e de participação das pessoas na construção dos programas dos partidos.


Todos Pela Educação: É possível garantir participação política depois das eleições?
Celina Marrone:
O trabalho que estamos fazendo tem de continuar. Acho, então, que vamos formar o cidadão não só para que ele vote com consciência, mas para que também opine no levantamento de necessidades dos bairros, que passe a cobrar soluções dos secretários, que exija dos prefeitos que façam audiências públicas verdadeiras. Esse é um mecanismo que traz à população uma consciência. Aí, o povo começa realmente a ter voz e a participação política começa a ser legítima. No fim, o que os candidatos querem é voto. E se o povo tem voz, os políticos começam a obedecer ao povo. É claro que isso é um processo que não acontece do dia pra noite e que, de vez em quando, dá um pouco de aflição porque o Brasil é muito grande. Mas não dá para desesperar.


Todos Pela Educação: A Educação formal pode ajudar o eleitor a votar melhor? Eleitores mais escolarizados tendem a votar com mais consciência?
Celina Marrone:
A Educação desaperta a consciência. Mas eu não diria que o nível de Educação formal, que depende de fatores sociais e econômicos, esteja relacionado a esta consciência. Pelo contrário, pessoas que têm um nível econômico-social elevado podem ser displicentes e não se incomodar com políticas públicas de base. Isso afeta mais os pobres, que realmente precisam de atendimento. Agora, o que eu tenho certeza é que a Educação é necessária de qualquer forma. Se a pessoa é semialfabetizada, não consegue ler uma notícia, tem de perguntar para alguém, tem de confiar em alguém e, então, já não é livre. A liberdade de escolha está ligada ao conhecimento, não à alta escolaridade. À capacidade de interpretar e de avaliar.

Fonte: Todos pela Educação