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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Creche com turno noturno

Reproduzimos abaixo notícia da revista Nova Escola que deveria servir de inspiração para que outras experiências surjam no Brasil. O texto é de Rodrigo Ratier. Boa leitura!

O relógio marca 8 e 15 da noite e os pequenos da turma de pré-escola do CMEI Vila Parolin estão animadíssimos. Reunidos em roda, cantam e seguem a coreografia criada coletivamente. Quinze minutos depois, já aconchegados num cantinho, ouvem com atenção a professora Janicler Delmar Neves Alves ler a obra Tudo Bem! Ou Não?, de Tatiana Belinky. No recinto dos menorzinhos, o entusiasmo é o mesmo: bebês de até 2 anos exploram diversos materiais artísticos: tinta, isopor e papelão (incluindo - para o desespero das educadoras - tentativas de degustação acidental das "obras"). É verdade que, de quando em quando, se ouve um bocejo de criança (se alguma delas dormir, o sono na sala ao lado estará garantido). Mas a maioria está com as baterias carregadas para seguir com a rotina de atividades até o momento da saída, às 11 da noite.

O centro Vila Parolin é um dos quatro de Curitiba com turno noturno, das 2 da tarde às 11 da noite. São, ao todo, 30 crianças atendidas à noite. Outras 18 estão na fila de espera. Pelos dados mais recentes do Ministério da Educação (MEC), apenas 655 crianças - 0,01% do total de matriculados na Educação Infantil - estudam no turno noturno.

Inicialmente o horário especial foi criado para contemplar o grande número de catadores de papéis que moravam nas redondezas - por rodar o dia inteiro com seus carrinhos, eles só podiam buscar as crianças noite adentro. Hoje, porém, a clientela é mais diversificada: predominam filhos de trabalhadores noturnos (de balconistas a seguranças) e de mães adolescentes. "Muitas jovens podem continuar estudando graças ao atendimento da creche", comemora a diretora, Vera Lucia de Oliveira Aleixo.

Para ficar aberta de 7 da manhã às 11 da noite, a creche conta com dois times de funcionários e educadores, que cumprem jornadas de oito horas cada um. Durante o dia, a meninada fica dividida em cinco turmas distintas, de acordo com a faixa etária. O período mais complicado vai das 2 às 6 da tarde, quando os dois turnos se sobrepõem. Conforme vão chegando, os matriculados no noturno vão sendo alocados em uma das cinco salas. Nessa hora, a classe mais lotada, a de 3 e 4 anos, fica com 34 crianças. Às 6 da tarde, é hora de nova organização: as cinco turmas viram duas - berçário e pré-escola, com dois educadores em cada uma - e seguem assim até o fim da noite.

A experiência de oferecer Educação Infantil noturna exigiu algumas mudanças. Por causa das condições climáticas (Curitiba é a capital mais fria do Brasil), as áreas externas só são usadas no verão. E a hora da sesta, o descanso após o almoço, ocorre um pouco mais tarde: a partir das 5 e meia para que os pequenos permaneçam despertos até a hora em que os pais chegam. "A princípio, atrasar esse repouso não traz danos", afirma Fernando Louzada, pesquisador na área de cronobiologia e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O problema, segundo ele, é se as crianças continuarem acordando cedo e não dormirem de dez a 13 horas, período considerado adequado para a faixa etária de 2 a 5 anos. "É preciso ficar atento para evitar a privação do sono, que provoca alterações de humor e comportamento." Os educadores da creche fazem coro para a recomendação do especialista e a repetem como conselho aos pais.

Adaptar o relógio biológico dos pequenos não foi o maior desafio dos profissionais da Vila Parolin, e sim superar a visão assistencialista associada a esse tipo de serviço. "Muitos pais e até alguns professores achavam que já estava bom se a criança ficasse aqui à noite apenas para jantar, brincar e assistir TV. Mas nossa função vai muito além do cuidado", explica Vera. O salto de qualidade veio há dois anos com a contratação de uma pedagoga para orientar o trabalho dos professores no turno noturno. "Hoje, a rotina abrange atividades para desenvolver as múltiplas capacidades dos pequenos." A ideia é que eles possam começar a explorar o mundo, adquirir os primeiros conhecimentos e, claro, viver experiências prazerosas. Em outras palavras, que tenham uma Educação Infantil de qualidade - mesmo quando o Sol se põe.

Fonte: Revista Nova Escola/ Edição 235, Setembro 2010, com o título Turno noturno
Contato: CMEI Vila Parolin, tel. (41) 3332-8687

Por um melhor jornalismo educacional

Por Gabriel Perissé

Educação como tema recorrente, insistente, inevitável. Irá exigir um jornalismo educacional que supere a mera informação ou o simples noticiar de problemas constantes versus soluções esporádicas.

A carta-compromisso lançada por várias instituições no final do passado mês de agosto, tendo à frente o
Movimento Todos pela Educação, apresenta metas inegociáveis para o Brasil nos próximos 10 anos: inclusão de todas as crianças e adolescentes de 4 a 17 anos na escola; universalização do atendimento da demanda por creche; superação do analfabetismo; aprendizagem ao longo da vida para todos; redução dos níveis de desigualdade na educação e ampliação do ensino profissionalizante e superior.

As entidades que assinaram essa carta propõem aos que vão governar o país na próxima década que ampliem o financiamento da educação pública, valorizem os professores de modo real e cabal, promovam a gestão democrática nas escolas e aperfeiçoem políticas de avaliação e regulação.

Encontramos nessas justas reivindicações um roteiro para analisar as iniciativas do MEC e das secretarias de Educação estaduais e municipais, mas também um critério para verificar o quanto a mídia colaborará nesta luta pela qualidade educacional.

Em artigo recente na revista Veja (ed. 2181), o economista Gustavo Ioschpe mostra-se em sintonia com uma das preocupações explicitadas pelo Todos pela Educação. O título da matéria é longo: "Uma meta para o próximo presidente: todo aluno sai da escola alfabetizado". Pensando em termos de crescimento econômico, Ioschpe compara os números brasileiros com os de outros países, e constata que "estamos falhando barbaramente", que o nosso setor universitário é "mirrado", que o insucesso do esforço para alfabetizar é "uma verdadeira chaga coletiva", "uma vergonha nacional", que o Brasil, em suma, "vai muito mal" no campo da educação.

Ioschpe, no entanto, esqueceu de dizer que não chegamos a esse estado de coisas de repente. Nossas atuais dificuldades para superar tantos problemas educacionais se devem, em boa medida, a que presidentes e demais governantes do país, sobretudo a partir da década de 1970, não estiveram à altura de uma situação já calamitosa, como denunciava, em 1962, o então ministro da Educação, Darcy Ribeiro.

Caminho certo para o fracasso
Durante meio século, muito do que se deveria fazer não se fez, ou se começou a fazer muito tarde. Muito do que se fez não era para se fazer. Muito do que se quer fazer de bom não conta com a compreensão e união de todos. Concretamente, assistimos ao longo das décadas à imoral desvalorização da profissão docente. O professor, elemento fundamental do sistema escolar, está fragilizado, vulnerável, embora a população continue acreditando que as crianças e os jovens devem confiar em seus mestres. O magistério precisa – está mais do que claro, mas é preciso repetir, repetir – de melhores salários, de melhores condições de trabalho.


O economista Ioschpe também não comentou que nesses últimos 40 anos o Brasil continuou adotando uma arquitetura escolar de tipo prisional, que corresponde a uma mentalidade ultrapassada do que é ensinar e aprender. Os alunos da escola pública frequentam um espaço que tolhe e desmotiva. Também os professores se sentem meros instrutores e vigias da impossível disciplina. Faltam à escola pública condições materiais em que o aluno goste de estudar e o professor se sinta realizado como profissional do ensinar. Faltam, em sua grande maioria, áreas verdes, salas de aula com um número menor de alunos (25 é o ideal), salas de teatro, de arte, de ginástica, salas de vídeo, de música, biblioteca, tecnologia etc.

No que tange à tecnologia, não se pode mais adiar ou impedir o ingresso pleno da escola pública na Idade Mídia. Um projeto-piloto do MEC, conforme
matéria da Folha de S.Paulo de domingo (05/09/2010) assinada por Guilherme Voitch, demonstra que os alunos de uma escola municipal de São Paulo aproveitam muito mais as aulas quando podem dispor, cada um deles, de um laptop, com o qual desempenham tarefas que fogem ao repetitivo, à decoreba, à ausência de sentido. Não importa o quanto custe sair da era do mimeógrafo. Economizar em educação é caminho certo para o fracasso.

Melhorar ou... melhorar
Torna-se cada vez mais patente o consenso de que o ensino público deve melhorar... ou melhorar! Caberá ao jornalismo educacional acompanhar o que se faz a favor ou contra essa melhoria. E os motivos que há para se trabalhar contra! E quem são, afinal, os que trabalham contra ou a favor da educação.


Trata-se de denunciar, entre outras situações intoleráveis, o uso sistemático da educação para fins eleitoreiros. Pois uma coisa é mencionar a educação como prioridade, e outra é agir em consequência. Pensemos no caso da educação paulista em seu âmbito estadual. Vejamos 10 dos muitos problemas reais, cotidianos (comentados à boca pequena nas redes sociais, em que professores temerosos  usam perfis falsos para desabafar), problemas que a imprensa do estado mais rico da nação ignora, não sabe avaliar ou simplesmente abafa:
** Lentidão deliberada ou deliberada recusa a investir na infraestrutura das escolas.
** Delonga para informatizar a educação.
** Bibliotecas e laboratórios de informática fechados.
** Boicote a programas do governo federal, como é o caso da coleção
DVD Escola, pouco usada.
** Professores que trabalham em escolas mais degradadas ou com problemas de segurança deveriam ganhar mais.
** Ausência de programas de formação docente continuada mais arrojados. Por exemplo, enviar professores de inglês para estágio no exterior. Veja-se, em contrapartida, uma
iniciativa nesse sentido.
** Boicote ao piso nacional do professor.
** Demora para estruturar sistema disciplinar estadual, tendo em vista questões de segurança e outras, que acabam "sobrando" para os professores.
** Carga de 33 aulas. Como realizar trabalho de excelência com tantas aulas?
** Milhares de professores temporários, não concursados, em situação precária, o que resulta em insuficiente envolvimento com a escola e os alunos, acentuando defasagens e contribuindo para a sensação de que tudo é meio esculhambado mesmo.
T

ais problemas são conhecidos quando entramos no âmbito da educação em sua realidade, que é a realidade dos professores e alunos, das famílias. O jornalismo educacional implica uma investigação sem receio de encontrar, mais do que um diagnóstico numérico do nosso atraso, os obstáculos que geram esses números. E, além dos obstáculos em si, que tipo de concepção de política e de sociedade gera esses obstáculos.

Mais ainda. Investigar quem constrói esses obstáculos. E quem é conivente. E quem se esconde atrás desses obstáculos. E quem, depois, vem queixar-se da inexistência de mão de obra qualificada no Brasil, queixar-se do analfabetismo funcional, escolhendo como bode expiatório o professor, aquele mesmo professor que não tem tempo para ler os jornais.

Fonte: Observatório da Imprensa 07/09/2010

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Universidade Estácio de Sá promove 8º Encontro de Educação e Tecnologias da Informação e Comunicação (E-TIC)

O Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estácio de Sá (UNESA) promove a 8ª edição do Encontro de Educação e Tecnologias da Informação e Comunicação (E-TIC) entre os dias 16 e 18 de novembro. O tema é "Mundos Virtuais e Web 2.0: perspectivas para a Educação". O evento vai acontecer na Universidade Estácio de Sá.

Há oito anos consecutivos o Programa de Pós-Graduação em Educação vem promovendo, sob a responsabilidade de sua linha de pesquisa Tecnologias da Informação e Comunicação nos Processos Educacionais (TICPE), o Encontro de Educação e Tecnologias da Informação e Comunicação (E-TIC). O objetivo principal é divulgar e discutir trabalhos de alunos de cursos de pós-graduação stricto-sensu (PPG) e de mestres e doutores em educação e comunicação recém-titulados.

Confira abaixo a programação
16 de Novembro
9h – Abertura
Profª Drª Alda Mazzotti (Coordenadora do PPG em Educação)
Prof. Dr. Marco Silva (Coordenador da Linha TICPE)
Prof. Dr. Paulo Rogério (Diretor-Geral do IF Sudeste MG – Campus Juiz de Fora)
9h30 – 12h

Conferência de Abertura: “Mundo virtual e Web 2: perspectiva para a educação”
Profª Drª Léa Fagundes (UFRGS)
Moderador: Prof. Dr. Alberto Tornaghi (UNESA)

13h30 – 17h
Comunicação de trabalhos de alunos
Coordenação: Profª Drª Lúcia Vilarinho (UNESA)
17h – 18h
Apresentação de Pôsteres
Coordenação: Profª Drª Lina Nunes(UNESA)

17 de Novembro
9h30 – 12h
Conferência: “Mundos virtuais e educação online.”
Prof. Dr. Leonel Morgado (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro – Portugal) via Second Life.
Debatedora: Profª Drª Edméa Santos (UERJ)
Moderadora: Profª Drª Estrella Bohadana (UNESA/UERJ)

13h30- 17h
Comunicação de trabalhos de alunos
Coordenação: Profª Drª Lina Nunes (UNESA)
17h – 18h
Apresentação de Pôsteres
Coordenação: Profª Drª Lúcia Vilarinho (UNESA)

18 de Novembro
9h30 – 12h
Mesa Redonda: “Second Life e games na educação”
Profª Drª Eliane Schlemmer (UNISINOS) e Prof. Dr. João Mattar (Universidade Anhembi Morumbi) Moderador: Prof. Dr. Marco Silva (UNESA/UERJ)

Serviço:
8º Encontro de Educação e Tecnologias da Informação e Comunicação (E-TIC)
16 a 18/11/2010
Informações: http://etic2010.wordpress.com/programacao/
Universidade Estácio de Sá
Campus I – Centro
Avenida Presidente Vargas, 642 – esquina com a Rua Uruguaiana
Rio de Janeiro, RJ

MidiaEducação

O colégio Medianeira, de Curitiba/PR, resolveu unir vários setores e criar o MídiaEducação, que também é um blog. Para conhecer mais sobre esse projeto acesse: http://midiaeducacao.com.br/


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Todos Pela Educação lança campanha ´Eu Voto na Educação´ nas redes sociais

O Todos Pela Educação lança hoje (8/9), a campanha ´Eu Voto na Educação´ para as redes sociais. A iniciativa faz parte da mobilização ´Eu Você, Todos Pela Educação´ e tem como objetivo chamar a atenção dos brasileiros para a necessidade de um ensino de qualidade para todas as crianças e jovens.

Acessando
www.euvotonaeducacao.org.br, com três cliques, o internauta registra que a Educação é sua prioridade. Podem participar da campanha todos os que possuem conta em pelo menos uma destas três redes sociais: Orkut, Twitter ou Facebook. Cada participante só poderá votar uma vez em cada uma das redes.

Quando entra na página, o internauta decide por qual rede social vai votar, digita seu login e senha, e confirma no botão ´Eu Voto na Educação´. Na sequência, sua foto ficará registrada em nossa página.

Para o Twitter, foi criado ainda um Twibbon, que acrescenta à foto dos usuários das redes sociais a mensagem ´Eu Voto na Educação´. Ao inserir o Twibbon em seu avatar, o internauta ajuda a colocar o tema Educação na pauta das eleições e incentiva a sociedade a acompanhar as propostas dos candidatos.

Além desta ação, a campanha ´Eu Voto na Educação´, assinada pela DM9DDB, conta com filmes para TV com depoimentos dos atores Paulo Goulart e Dira Paes e o jornalista Heródoto Barbeiro, jingle com Toni Garrido (produzido pela Amics Aúdio, cantor e compositores Bino Farias, Da Gama, Lazão e a editora Sony/ATV Brasil cederem todos os direitos autorais da obra ao movimento), e anúncios para jornais, revistas e internet.

O Todos Pela Educação é um movimento apartidário e não apoia nenhum candidato.

´Eu, Você, Todos Pela Educação´

O ´Eu, Você, Todos Pela Educação´ é uma mobilização nacional que tem como objetivo sensibilizar todo o País para a importância da Educação como um direito, e promover o engajamento dos brasileiros na conquista de uma Educação Básica de qualidade para todos. Este trabalho é realizado por meio de ações de articulação político-institucional e de comunicação planejadas para o próximo quadriênio (2010-2014).

´Eu Voto na Educação´ é a segunda fase desta mobilização, sendo que a primeira, no ar de novembro de 2009 à julho de 2010, visava estimular e ampliar a participação da família na Educação dos filhos. A estratégia foi veicular depoimentos reais ao longo destes meses em rede nacional na TV Globo e em diversos canais de TV a cabo. Os atores Thiago Lacerda, Alexandre Borges, Cláudia Abreu, Letícia Spiller, Mariana Ximenes, Milton e Mauricio Gonçalves, a empregada doméstica Cilene Oliveira e a apresentadora Ana Maria Braga foram os protagonistas. Esta etapa da campanha também contou com spots de rádio, anúncios para revista e jornal, ações nas redes sociais e uma parceria com o clube dos 13 durante os jogos do Campeonato Bra sileiro.

Fonte: Todos pela Educação

O jornal na sala de aula

O jornal carioca O Dia promove no dia 16 de setembro o Encontro Nacional Mídia e Formação do Leitor. O evento faz parte do projeto O Dia na Sala de Aula, que existe há 14 anos. Voltado para as escolas públicas do município do Rio, o programa visa à constituição de um leitor crítico e antenado com as mudanças do mundo de hoje.

“Cada escola costuma enviar um ou dois educadores aos nossos encontros. Em seguida, visitamos as escolas e fazemos oficinas de midiaeducação, gêneros textuais, hemeroteca, entre outros temas, com o corpo docente inteiro”, explica Wendel Freire, coordenador do projeto.

Em entrevista à revistapontocom, Wendel conta mais detalhes e antecipa que as inscrições do programa para o próximo ano estarão abertas a partir de outubro.

Acompanhe:

revistapontocom – No que consiste o projeto O Dia na sala de aula? Quais são os objetivos? Existe há quanto tempo? Que tipo de trabalho é realizado?
Wendel Freire - O Dia na Sala de Aula é um Programa de Jornal e Educação que, há 14 anos, trabalha colaborativamente com escolas públicas do Município do Rio de Janeiro. Além de levar a mídia impressa às salas de aula, com o trabalho focado na formação de um leitor múltiplo, o programa oferece oficinas de capacitação para educadores e eventos educacionais em torno de temas relevantes para a prática pedagógica. Entre mesas, oficinas e palestras, o diálogo entre Educação e Comunicação acontece tendo sempre em vista a construção de um espaço escolar não só repleto de leitores, ouvintes e espectadores críticos, mas também de produtivos emissores de textos diversos. Para tanto, trabalhamos na perspectiva da midiaeducação com o incentivo ao uso da mídia na dinamização de conteúdos curriculares, mas, também, à problematização da produção midiática e à produção de mídias escolares – sejam jornal mimeografado, jornal-mural, blog, rádio com microfone e caixa de som ou podcasting.

revistapontocom – De que forma as escolas participam?
Wendel Freire - Cada escola costuma enviar um ou dois educadores aos nossos encontros, que acontecem, geralmente, no auditório do jornal O Dia. Visitamos as escolas e fazemos oficinas (midiaeducação, gêneros textuais, hemeroteca, entre outros temas) com o corpo docente inteiro. Quanto aos resultados, podemos citar o aumento do repertório temático e linguístico, do poder de síntese e de argumentação dos estudantes de classes que desenvolvem projetos com mídia. Eleva-se, igualmente, o protagonismo dos alunos que passam a produzir textos não para a gaveta do professor, mas para comunicação com outras turmas e até outras escolas. Há comunidades escolares que procuram dar vida ao seu cotidiano desenvolvendo projetos próprios – algo perfeitamente legítimo e possível – e outras que buscam unir a energia alheia às suas. O que não podemos é deixar o cotidiano escolar entregue a esmo.

revistapontocom – Qual é o papel do jornal na constituição de conhecimentos e valores de crianças e jovens?
Wendel Freire – Crianças e jovens não precisam de uma formação para usar quaisquer dispositivos de comunicação, isto acontece de maneira empírica. Eles têm o manuseio dos multimeios bastante naturalizado. O que precisam é de uma orientação para a desnaturalização do processo comunicacional, afinal tal processo não se dá como fruta no pé. O jornalismo, e a sociedade como um todo, só tem a ganhar com o fomento ao acesso informativo, com a formação de leitores críticos, em plenas condições de exercer sua cidadania. A despeito da novidade que há no poder de emissão, possível com a mídia pós-massiva, pensar as transformações informacionais e comunicacionais que se desenrolam com a cultura digital é papel, também, do jornal impresso. O movimento de influências se dá tanto do meio digital (nova mídia) para o meio analógico (mídia tradicional) quanto o contrário.

revistapontocom – O projeto mantém então um diálogo direto com a redação do jornal O Dia? Existe um canal de comunicação?
Wendel Freire - Abrimos negociações importantes. Já tivemos participações de jornalistas em nossos encontros e, certamente, iremos perpetuar este encontro. O que ainda não temos, mas estamos buscando, seja impresso, seja online, é um espaço para falar de bem-sucedidas experiências midiaeducativas em ambientes escolares e dar voz a crianças e jovens da classe popular.

revistapontocom – O projeto realizará o Encontro Nacional Mídia e Formação do Leitor. É o primeiro encontro neste sentido? Qual é a intenção?
Wendel Freire – Ao longo de sua existência, o projeto realizou 14 edições da Jornada de Educação, um formato que atravessava diversos temas abordados em palestras, oficinas e exposições. Há quatro anos, passamos a promover um espaço para a discussão de cada tema, sem abandonar a complexidade, sem compartimentar saberes, mas dando um tempo maior para as discussões. A Jornada de Educação Inclusiva, por exemplo, abriu um espaço significativo para a reflexão sobre uma rede complexa de questões e se mostrou uma oportunidade preciosa de capacitação dos educadores para a prática includente. No mesmo período, passamos a convidar autores, educadores e pesquisadores para outros momentos, outros encontros, onde são abordados Alfabetização, Avaliação, Gestão Democrática e outros pontos fundamentais do âmbito pedagógico, eleitos em comum acordo entre o nós e os professores. O Encontro Nacional Mídia e Formação do Leitor [inscrições pelo e-mail iac@odianet.com.br] é o primeiro de uma série (confira a programação). Minha expectativa é que os educadores reunidos nesse evento tragam contribuições para o universo escolar em questões como: Quanto e quando “interatividade”, “dialogicidade” e “hipertextualidade” ultrapassam a mera pronúncia dos termos, tornando-se realidade, através de práticas, como interpretação e avaliação crítica de textos e sua produção? Espero que, futuramente, o Encontro se realize em uma franca parceria entre O Dia na Sala de Aula e outros tantos projetos com preocupações semelhantes às nossas. Trabalharei para isso.

revistapontocom - As escolas que tiverem interesse de participar do projeto O Dia na Sala de Aula …
Wendel Freire – Àquelas unidades escolares que desejarem participar do programa, em 2011, deixo nosso contato [telefones (21) 2222.8197 (21) 0800.218.218]. Abriremos as inscrições no mês de outubro. Lembro que o Programa atende somente a escolas da rede pública.

Fonte: revistapontocom/ Texto e entrevista de Marcus Tavares

Educação nutricional nos parâmetros curriculares nacionais para o ensino fundamental

Compartilhamos abaixo resumo do artigo “Educação nutricional nos parâmetros curriculares nacionais para o ensino fundamental", de Maria Letícia Galluzzi Bizzo (I) e Lídia Leder (II). Ele pode ser interessante para leitura e debate entre educadores. Abaixo, você encontra endereço para acessar o artigo completo. A dica do artigo foi do programa A Tarde Educação!

RESUMO:
A promoção de saúde entre crianças maiores de cinco anos de idade habitualmente não é prioridade nas políticas de saúde oficiais, em particular no ambiente escolar, não obstante requeiram intensivas ações nesse sentido, incluindo programas educativos em nutrição. O presente trabalho constitui uma reflexão acerca da inserção da educação nutricional como Tema Transversal nos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental. Além de recomendar premissas pedagógicas, enfoca alguns dos principais requisitos técnico-científicos para tal implementação: a formação diferenciada do nutricionista, a compreensão da construção e mudança dos hábitos alimentares de escolares, a modelagem no contexto alimentar da escola e a integração com outras ações e intervenções. O trabalho que deu origem a este artigo motivou dois projetos de lei, ambos estabelecendo princípios e diretrizes para a educação nutricional e a segurança alimentar e nutricional de escolares, um deles tramitando na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e o outro no Congresso Nacional.


Termos de indexação: educação em saúde, educação nutricional, escolares, nutrição, promoção de saúde.

Para ver artigo na íntegra acessar: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-52732005000500009&lng=en&nrm=iso&tlng=pt

I - Departamento de Nutrição Social e Aplicada, Instituto de Nutrição, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Av. Brigadeiro Trompowsky, s/n, bloco J, sala 10, 21941-590, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

II- Nutricionista, Curso de Especialização em Intervenções Nutricionais em Saúde Coletiva, Departamento de Nutrição Social e Aplicada, Instituto de Nutrição, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, RJ, Brasil*galluzzi@acd.ufrj.br>