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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Amamentação salva!

Veja abaixo matéria sobre a importância da amamentação e dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Que tal juntar sua turma e fazer uma campanha em prol da amamentação na escola? Você pode estimular a criação de cartazes publicitários e o conteúdo pode ser trabalhado por professores de ciências, português e artes!

A amamentação exclusiva até os 6 meses de idade e complementar até os 2 anos poderia salvar a vida de 1,5 milhão de crianças anualmente em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A estimativa é que apenas 35% das crianças com até 6 meses de vida recebam exclusivamente o leite materno.

Na Semana Mundial da Amamentação, o órgão divulgou que mais de dois terços das 8,8 milhões de mortes anuais de crianças menores de 5 anos são provocadas pela subnutrição. A doença está associada, inclusive, a práticas de alimentação inadequadas, como a mamadeira, nos primeiros cinco meses de vida.

De acordo com a OMS, aumentar os índices de aleitamento materno é a chave para melhorar a nutrição de crianças em todo o mundo. Os hospitais que receberam o título de Amigos da Criança, segundo o órgão, têm o potencial de oferecer a milhões de bebês um início de vida mais saudável.

No Brasil, uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde revela que os bebês nascidos nessas instituições mamam por um período maior do que as crianças nascidas em outras maternidades. Atualmente, 335 hospitais brasileiros têm o título, conferido pela OMS em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O leite materno é considerado pela OMS como o alimento ideal para recém-nascidos e crianças pequenas. Ele é seguro e oferece ao bebê todos os nutrientes que precisa para um desenvolvimento saudável, além de conter anticorpos que protegem as crianças de doenças comuns na infância.

De acordo com o órgão, a falta de orientação e de apoio por parte de profissionais de saúde é uma das razões que levam mães a interromperem a amamentação poucas semanas após darem à luz.

Fonte: Agência Brasil/ Texto: Paula Laboissière/ Edição: Lílian Beraldo - 03/08/2010

ECA na escola

Para atender a Lei 11.525/07 – que inclui no currículo do ensino fundamental conteúdos sobre direitos das crianças e dos adolescentes – e disseminar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA - Lei 8069/90) entre estudantes e professores, o Portal Pró-Menino (gerenciado pelo CEATS, da FIA), a Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH/PR) e o Ministério da Educação (MEC) estão oferecendo o curso online de formação sobre Direitos e Deveres do público infanto-juvenil para professores do ensino fundamental.

O curso inclui seis módulos de formação, sendo o último módulo reservado para o desenvolvimento de um plano de ação que incorpore, nas atividades escolares, questões ligadas à discussão, reflexão e disseminação dos Direitos e Deveres do público infanto-juvenil e do Estatuto.
Módulo 1 - Introdução ao ECA e ao Sistema de Garantia de Direitos
Módulo 2 - Atores do Sistema de Garantia de Direitos
Módulo 3 - Crianças e adolescentes com direitos ameaçados e violados e a escola
Módulo 4 - O adolescente em conflito com a lei e a escola
Módulo 5 - Participação e protagonismo
Módulo 6 - Projeto de Aplicação Prática

Fique de olho nas próximas turmas. Basta acessar: http://www.promenino.org.br

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Escolas lançam revistas especializadas para pais e alunos

O cotidiano da escola transformado em páginas ilustradas e cheias de informação. Cada vez mais os estabelecimentos de ensino particulares investem na criação de revistas especializadas em educação, que têm como público-alvo os alunos e pais.

“Para saber o que está acontecendo na rotina do colégio do meu filho, basta abrir a revista. A escola se preocupa em mostrar o que está realizando e eu me sinto mais segura em confiar meu filho a ela”, conta a desenhista industrial Silvia Massaia Francisco, de 49 anos, mãe do menino Nicholas, de 10 anos, aluno do Colégio Franciscano Pio XII, que envia aos pais a revista EspalhaFato, com assuntos relativos à convivência na escola.

As pautas das revistas escolares normalmente são definidas em reuniões com a diretoria da instituição - em alguns colégios, também há a participação dos pais e dos alunos na definição dos conteúdos.

O Colégio Humboldt, que é bilíngue, conta com pais de alunos no conselho editorial da revistas trimestral Planet Humboldt - a publicação é feita em alemão e em língua portuguesa. Para o professor universitário Gildo dos Santos Filho, de 60 anos, membro do conselho, existem assuntos que só as revistas escolares conseguem levar aos pais. “Tem coisa que acontece dentro da escola que a gente só descobre nas páginas dessas publicações.”

Os assuntos mais comuns das publicações, além do cotidiano da escola, são os eventos culturais, entrevistas com ex-alunos e reportagens que tratam de educação e carreira - inclusive abordando profissionais bem-sucedidos e ex-alunos. A revista Labora, do Colégio Santo Américo, tem seções dedicadas a esses assuntos e a temas como responsabilidade social, vestibulares e formação continuada.

As escolas também abrem espaço para relatos dos alunos, em textos autorais. “Os pais gostam de ler artigos dos filhos”, conta Fátima Trindade, diretora adjunta do Pio XII.
As escolas admitem que as revistas também servem como estratégia de marketing, já que, como a circulação é livre, é fácil um exemplar cair nas mãos de algum pai interessado em matricular o filho.

“A revista é uma extensão do colégio. Ela estreita os laços da instituição com a comunidade. E funciona como um material palpável que mostra a seriedade do nosso trabalho”, afirma Flávia Gouvêa, do departamento de comunicação do Colégio Vértice. A revista Vértices é semestral e surgiu em 2008.

Segundo a escola, os professores costumam colaborar com a produção dos exemplares. O periódico já publicou entrevistas exclusivas com personalidades como Amyr Klink, Cesar Cielo e José Mindlin.

Fonte: Estadao.Com.Br/Edu -09/08/2010

Fim do jornal: uma profecia que não se cumpriu

A morte anunciada dos jornais não deu em nada. Não que tudo tenha voltado a ser como antes. Há mudanças no negócio de se fazer jornal. Mas a catástrofe prevista entrou para o rol das profecias que não se cumprem, na opinião de Ricardo Pedreira, diretor executivo da Associação Nacional dos Jornais (ANJ).

Os sinais estão por toda a parte. No Brasil, assim como nos países emergentes, a leitura e os títulos disponíveis no mercado crescem. Nos Estados Unidos, um dos maiores mercados do mundo, parou de cair. Na Alemanha e no Japão, seguem sendo um bom investimento. Mas a melhor notícia é que há jovens lendo jornais. E no papel.

Da França vem uma das sinalizações mais otimistas. A Editora La Play Bac, dedicada a um público de 6 e 18 anos, mantém três títulos diários para esse faixa etária com 150 mil assinaturas. O Japão, um dos países mais conectados à internet, detém cinco dos dez maiores jornais em circulação no mundo. Vende cerca de 28 milhões de exemplares impressos todos os dias, que não são lidos apenas por senhores.

No Brasil, menos afetado pela crise econômica, o meio jornal ocupa o segundo lugar na preferência de anunciantes, após a televisão aberta, com participação de 21,4% no bolo publicitário.

A circulação de jornais segue em curva ascendente. Houve aumento de 2% no primeiro semestre de 2010, de acordo com o Instituto Verificador de Circulação (IVC). O crescimento foi puxado pelo Estado. Entre as dez maiores publicações, o jornal obteve o melhor resultado no primeiro semestre deste ano, com alta de 7,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Na agência de propaganda Talent, uma pesquisa encomendada para entender o que desperta o interesse de homens de 28 a 35 anos, solteiros, sem filhos e que haviam decidido por comprar um modelo de carro sedan (tido como desejo de tiozinho), revelou que eles cultivam símbolos de maturidade. Entre os hábitos que passam a desenvolver está a leitura de jornais. "Eles apontam que o impresso oferece uma curadoria que lhes dá a segurança de ter as informações que as pessoas com mais experiência têm", explica a responsável pelo estudo, Mari Zampol, diretora de planejamento da agência. "A rede social desse jovem, a dinâmica da busca da informação na web, não necessariamente cumpre esse papel de curadoria das informações."

Intangível. O reconhecimento do valor do jornal impresso e a sua resistência acima dos prognósticos iniciais, na opinião de Pedreira, da ANJ, tornam evidentes que o seu poder é muito maior do que se imaginava. "Trata-se de algo intangível, que fica claro na necessidade dos leitores por contextualização, edição e pela linha editorial. Ouço pessoas falarem dos seus jornais como se fossem um amigo e companheiro diário, com quem gostam de compartilhar o dia", diz Pedreira.

Júlio Ribeiro, presidente do Grupo Talent, insiste que a experiência física proporcionada pelo jornal não é substituível, nem mesmo por um iPad. "Nós vivemos de sensações e folhear o jornal é uma delas", diz Ribeiro. Reconhecido frasista, o publicitário Nizan Guanaes, sócio do Grupo ABC, resume a atual fase de ressurreição do veículo: "Jornal é como uma instituição bancária. O que está em jogo é crédito. O anúncio publicado no jornal ganha credibilidade. E isso não vai acabar."

Os apocalípticos estipularam datas para o fim dos impressos. Há duas semanas, a revista The Economist se redimiu em relação a uma matéria veiculada em 2006, reconhecendo que se precipitou. O negócio tem mais saúde do que tinha avaliado. A revista diz, entretanto, que a sobrevivência de longo prazo não está garantida, já que fortes ajustes foram feitos nos últimos três anos, como, por exemplo, a extinção de 13,5 mil empregos na área só nos EUA.

O professor Rosental Calmon Alves, diretor do Knight Center de Jornalismo e professor da Universidade do Texas, acha mesmo que o jornal impresso vai resistir por muito tempo. "Trata-se de uma ótima interface, portátil, flexível. Algum dia, no entanto, ela poderá se tornar obsoleta. Mas não é pra já", diz.

Fonte: Estado de São Paulo/ Texto: Marili Ribeiro 09/08/2010

Brasília sedia III Congresso de Compreensão Leitora

Brasília sediará de 12 a 15 de outubro, na UnB, o III Congresso de Compreensão Leitora - Ler para produzir mais cultura.

O Congresso de Compreensão Leitora é uma iniciativa original do Centro de Altos Estudios y Promoción Cultural Jaime Cerrón Palomino (Peru), que abrigou o primeiro evento. A segunda edição ocorreu em Neuquén, na Patagônia, sob os auspícios da Fundación Lecturas del Sur del Mundo e da “Organización Latinoamericana de asistencia en las problemáticas lectoras” (Argentina). E teve a participação do Grupo de Pesquisa LER: leitura, ensino e recepção, credenciado pela Universidade de Brasília (Distrito Federal, Brasil).

É justamente o Grupo de Pesquisa Ler que traz para o Brasil o III Congresso de Compreensão Leitora Ler. A ideia da terceira edição decorre da consciência de que a população latino-americana, em grande maioria, tem dificuldade durante os processos da compreensão leitora e da produção de textos. Acredita-se que uma das causas seja porque se propõem métodos, técnicas e estratégias tradicionais que não correspondem a este tempo de mudanças vertiginosas.

Comitê Organizador
(Brasil)
Drª. Hilda Orquídea Hartmann Lontra (coordenadora geral)

Drª. Clara Etiene de Souza(Vice-líder do Grupo de Pesquisa LER)
Mestra Cleide de Oliveira Lemos(assessora da coordenação)
Mestra Rosa Amélia Pereira da Silva(secretária geral)

(Peru)
Drª. Bertha López Rojas

Dr. Waldemar José Cerrón Rojas
Drª. Miriam Velázques

(Argentina)
Etherline Mikëska

Drª. Lili Muñóz

(Venezuela)
Drª. Zandra Santiago

Comitê científico e editorial

(Cuba): Drª. Emilia Gallego Alfonso
(Peru): Drª. Bertha López Rojas
(Brasil): Drª. Elga Pérez-Laborde, Dr. Wilson Taveira e Dda. Adriana Levino da Silva

Informações e inscrições: http://leituras.literaturas.pro.br/

Opinião de alguns dos convidados que estarão no COMLER:

'Tenho a mais completa convicção de que é um dever de todo brasileiro letrado, mais ainda daqueles que tiveram a oportunidade de concluir uma pós-graduação, empenhar-se com todo o vigor para que os índices vergonhosos de analfabetismo funcional venham a diminuir, num futuro próximo'. (Stella Maris Bortoni)


"Parece-me que os professores precisam desenvolver uma intimidade com os textos utilizados junto a seus alunos e possuir justificativas claras para a sua adoção. E mais: precisam conhecer a sua origem histórica e situá-los dentro de uma tipologia. Essa intimidade e esse conhecimento exigem que os professores se situem na condição de leitores, pois sem o testemunho vivo de convivência com os textos ao nível da docência não existe como alimentar a leitura junto aos alunos". (Ezequiel Theodoro da Silva)

"A idéia de que crianças e adolescentes têm direitos – inclusive à felicidade, ao prazer e a uma vida digna – alterou a forma como elas se viam e o modo como eram encaradas pelos adultos. Isso gerou profundos debates e intensa mobilização social: governos, organizações da sociedade civil, empresas, indivíduos e meios de comunicação de massa passaram a discutir a implementação da lei. Assim, o tema ingressou de vez na agenda política do País". (Cleide de Oliveira Ramos)




ANDI lança pesquisa “Mídia e promoção da leitura literária para crianças e adolescentes”

A Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), o Movimento por um Brasil literário e o Instituto C&A lançam o documento “Mídia e Promoção da Leitura Literária para Crianças e Adolescentes – Uma Análise da Cobertura Realizada por 40 Jornais Brasileiros”. O lançamento foi realizado no último dia 6, como parte da programação da Casa Brasil Literário, durante a Festa Literária Internacional de Paraty, no Rio de Janeiro.

A pesquisa tem como foco traçar o perfil quantitativo e as principais tendências qualitativas da cobertura de temas relativos à leitura literária voltada ao público infanto-juvenil. Com o objetivo de contribuir para a qualificação da abordagem jornalística, foram analisados 1.489 textos dos principais jornais brasileiros entre os anos de 2008 e 2009. Além da análise inédita sobre a temática, serão realizadas ações de diálogo com as redações buscando ampliar a diversidade de informações e fontes à disposição dos jornalistas.

Para ter acesso à pesquisa basta clicar aqui!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Google não entende os livros, diz historiador Robert Darnton

O historiador norte-americano Robert Darnton não apenas é um apaixonado por livros, mas também um dos maiores defensores de bibliotecas do mundo. Diretor do gigantesco acervo da Universidade de Harvard (EUA), o pesquisador fez carreira estudando o universo literário do Iluminismo e do Antigo Regime. Atualmente, ele está à frente de um ambicioso projeto de digitalização de acervos. “O ideal é colocar os livros gratuitamente na internet. E pensar nos pesquisadores, não apenas os do presente, mas os que virão”, explica Darnton.

“Vai falar de novo sobre livros, querido? Prefiro esperar no saguão”, afirma a esposa do historiador, no saguão do hotel em São Paulo. E sobre livros Darnton falou por mais de uma hora: tratou do futuro das publicações, da ameaça do monopólio do Google e os problemas decorrentes das leis de direito autoral. Também comentou a nova pesquisa, as baladas revolucionárias cantadas na França iluminista. “Será meu próximo livro, sairá em formato convencional, mas as músicas estarão disponíveis no site da editora”.

O pesquisador terá jornada dupla na Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, que começou ontem (4/8): ele participará de duas mesas que tratam do futuro do livro. Antes de viajar a cidade fluminense, ele conversou com Opera Mundi.

Na introdução de A questão do livro, o senhor fala que se trata de um livro sobre livros e uma apologia à palavra impressa. Então, qual seria o lugar do livro no ambiente digital?
Os livros sempre existirão, seja ao lado de versões impressas, seja em versões digitais. O que provavelmente acontecerá é que conviveremos com os e-books e com os livros tradicionais por um bom tempo ainda, talvez para sempre. Os livros digitais podem nos trazer novas formas de ler e fazer livros, mas a verdadeira revolução acontecerá não apenas com os leitores digitais, mas está acontecendo agora, no momento em que falamos, com bibliotecas inteiras sendo digitalizadas, transformadas em arqivo pdf e tornando-se disponíveis para leitores e pesquisadores. A internet é a verdadeira mudança e nós, em Harvard, estamos trabalhando para que isso aconteça. No entanto, é um processo caro e trabalhoso, que depende bastante de investimentos.

O senhor diz que esta é uma época de transição de tecnologia. Estariam os leitores de livros eletrônicos fadados a desaparecer diante da internet?
Já tivemos este problema antes. Ou seja, já tivemos problemas ligados à tecnologia de preservação do livro antes – e continuamos tendo agora. Nos anos 1960, o microfilme parecia ser capaz de resolver todos os problemas das bibliotecárias. E sabemos que elas em geral estão sempre preocupadas com a falta de verba e a falta de espaço para armazenar os livros. Logo, o microfilme parecia uma solução genial, poderíamos armazenar quantidades imensas de livros ou jornais velhos em poucas prateleiras.

Hoje, pouco mais de 50 anos depois, vemos que os microfilmes mofam, estragam com facilidade. Frequentemente são mal filmados e estão fora de foco. Também são péssimos de trabalhar. Tenho um amigo que pesquisava com um saco antienjôo de aviões ao lado. Além disso, eles são caros. Estima-se que nas últimas décadas as bibliotecas norte-americanas “livraram-se” de 975 mil livros a um preço de 39 milhões de dólares. Os livros descartados foram comprados por livreiros-antiquários por migalhas e revendidos a colecionadores por preços exorbitantes. Os microfilmes estão se estragando.

Muito já foi perdido com programas de computador que mudam com uma velocidade impressionante. Quem hoje tem um disquete? Os CDs já se tornaram quase obsoletos. Os livros, que diziam que iriam se esfarelar ou pegar fogo com o tempo ainda estão aí, mesmo os impressos em papéis ruins, como os da Biblioteca Azul da França. Por isso, às vezes é melhor deixar os livros em paz. Ainda assim, acho que a tecnologia pode resolver o problema da volatilidade de programas em breve. O pdf é uma prova disso.

Livros impressos são pouco pirateados. O que pode acontecer em um ambiente digital?
Por toda a vida toda estudei o problema dos livros piratas, uma das questões que mais me diverte como pesquisador. Em Edição e Sedição (Companhia das Letras, 1992), analiso as edições pirateadas dos iluministas que circulavam na França pré-revolucionária. Rousseau teve livros piratas, Voltaire também, bem como Retif de la Bretonne, Marat ou até mesmo o Marquês de Sade. Era uma prática comum, mas ligada às tentativas de burlar o Antigo Regime. Edições pirateadas, como eram clandestinas, sofriam menos com as perseguições, apreensões e multas dos censores do que os livros impressos oficiais. E o sistema de copyright ainda não estava totalmente organizado, como o conhecemos nos dias de hoje. Então, algumas vezes, essas edições piratas eram as únicas de um determinado livro. Hoje a questão é outra, e as leis de direito autoral também. Então, se por um lado o copyright protege o autor e sua obra e isso é muito positivo, por outro, essas mesmas leis podem tornar sua obra inacessível, principalmente quando temos herdeiros envolvidos em disputas judiciais.

O senhor acredita que as leis que regulam o copyright podem atrapalhar o acesso ao conhecimento e educação? Não teriam essas leis se desviado da função de preservar a obra e o autor, para servirem a grandes corporações?
Sem dúvida. Nos Estados Unidos estão em jogo os lucros de Hollywood e Disney – indústrias poderosas. O copyright foi criando em 1710, na Grã-Bretanha, por meio do Estatuto de Anne. O objetivo era refrear as práticas monopolistas da London Stationer's Company, que reunia livreiros e editores. Na época, foi estabelecido pelo Parlamento que o copyright deveria durar 14 anos – um ano mais tarde, esse prazo pôde ser estendido. Eram 28 anos no total, com apenas uma prorrogação. As coisas foram mudando com o tempo e os prazos aumentando até que, em 1998, tivemos a Sonny Bono Copyright Term Extention Act, também conhecida como a Lei de Proteção a Mickey Mouse, porque o Mickey estava prestes a cair em domínio público e significaria um prejuízo de milhões de dólares à Disney. Então foi prorrogado o prazo dos direitos de copyright por mais 20 anos somando 70 anos após a morte do autor.Na prática isso significa cerca de um século para uma obra entrar em domínio público. Se direcionarmos a sociologia do conhecimento para o presente, como fez Pierre Bourdieu, veríamos que vivemos num mundo criado por Mickey Mouse; selvagem e inóspito. Eu prefiro viver numa sociedade regida pelos princípios iluministas, em que o bem público estaria acima do lucro privado. Tentamos mudar as coisas, mas há um longo caminho. Por isso, acho saudável a discussão que o Brasil está tendo sobre os direitos autorais. Os brasileiros, em temas importantes, como é o caso da discussão do copyright, estão mais avançados que nós, norte-americanos.

Não gosto de pensar em sociedades sem livros … lembra-me, estranhamente, de uma cena do filme Fahrenheit 451, dirigido por François Trauffaut e baseado na obra de Ray Bradbury, em que o bombeiro Montag lia quadrinhos sem palavras na cama. A edição e publicação de livros impressos reúnem elementos proibitivos, têm a força de derrubar governos e fazer revoluções. Teriam os livros digitais o mesmo poder?
A internet tem um força incrível. Consegue espalhar informações para os quatro cantos do mundo, sem que a força de fronteiras detenha o poder avassalador da palavra escrita. Mas não estou tão certo quanto a projetos como o Google Book Search. Quantos livros o Google conseguirá digitilizar? Cinquenta porcento do que é publicado, ou mais? Ainda assim, o que ficará de fora? Obras importantes e raras, que serão inevitavelmente esquecidas por não terem sido digitalizadas? Sei que o Google emprega muitos engenheiros em suas unidades empresariais, mas entre seus quadros de funcionários não existe nenhum bibliófilo ou historiador de livros. Nada sugere que os algoritmos criados pelos engenheiros para organizar as edições digitalizadas funcionem, pois apenas os padrões ditados pelos pesquisadores, como qual é a melhor edição de determinado livro, ou qual foi a última edição que Voltaire, um autor conhecido por mexer sempre em suas edições (um pesadelo para os editores, sem dúvida) é a que ele considerava a melhor etc.

Pesquisadores sérios precisam estudar e cotejar muitas edições em suas versões originais e não em reproduções digitalizadas que o Google organizará de acordo com critérios que provavelmente não terão relação alguma com o saber bibliográfico. Mas, ainda que isso consiga ser feito, a materialidade dos livros ainda é fundamental. De acordo com uma pesquisa recente entre os estudantes franceses, 43% consideravam o cheiro como uma das características mais importantes de um livro impresso. Assim como o tato, tamanho. Faz diferença um livro impresso em tamanho grande, ou num pequeno duodécimo, projetado para ser segurado com facilidade. Os leitores digitais e pdfs colocam tudo num mesmo tamanho padronizado.

Na verdade, o argumento mais forte afavor do livro impresso é a eficácia com os leitores comuns. Graças ao Google, pesquisadores podem fazer buscas, navegar, garimpar, colher, minerar, acessar deep links e realizar crawls (os termos variam conforme a tecnologia) em milhões de websites. Ao mesmo tempo, qualquer pessoa em busca de uma boa leitura pode pegar um volume impresso e folheá-lo sem dificuldade, saboreando a magia das palavras na forma de tinta sobre papel. Talvez, algum dia, um texto numa tela portátil será tão agradável aos olhos quanto uma página de um códice produzido há dois mil anos. Enquanto isso não acontece, digo: protejam as bibliotecas.

Fonte: OperaMundi