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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Brasília sedia III Congresso de Compreensão Leitora

Brasília sediará de 12 a 15 de outubro, na UnB, o III Congresso de Compreensão Leitora - Ler para produzir mais cultura.

O Congresso de Compreensão Leitora é uma iniciativa original do Centro de Altos Estudios y Promoción Cultural Jaime Cerrón Palomino (Peru), que abrigou o primeiro evento. A segunda edição ocorreu em Neuquén, na Patagônia, sob os auspícios da Fundación Lecturas del Sur del Mundo e da “Organización Latinoamericana de asistencia en las problemáticas lectoras” (Argentina). E teve a participação do Grupo de Pesquisa LER: leitura, ensino e recepção, credenciado pela Universidade de Brasília (Distrito Federal, Brasil).

É justamente o Grupo de Pesquisa Ler que traz para o Brasil o III Congresso de Compreensão Leitora Ler. A ideia da terceira edição decorre da consciência de que a população latino-americana, em grande maioria, tem dificuldade durante os processos da compreensão leitora e da produção de textos. Acredita-se que uma das causas seja porque se propõem métodos, técnicas e estratégias tradicionais que não correspondem a este tempo de mudanças vertiginosas.

Comitê Organizador
(Brasil)
Drª. Hilda Orquídea Hartmann Lontra (coordenadora geral)

Drª. Clara Etiene de Souza(Vice-líder do Grupo de Pesquisa LER)
Mestra Cleide de Oliveira Lemos(assessora da coordenação)
Mestra Rosa Amélia Pereira da Silva(secretária geral)

(Peru)
Drª. Bertha López Rojas

Dr. Waldemar José Cerrón Rojas
Drª. Miriam Velázques

(Argentina)
Etherline Mikëska

Drª. Lili Muñóz

(Venezuela)
Drª. Zandra Santiago

Comitê científico e editorial

(Cuba): Drª. Emilia Gallego Alfonso
(Peru): Drª. Bertha López Rojas
(Brasil): Drª. Elga Pérez-Laborde, Dr. Wilson Taveira e Dda. Adriana Levino da Silva

Informações e inscrições: http://leituras.literaturas.pro.br/

Opinião de alguns dos convidados que estarão no COMLER:

'Tenho a mais completa convicção de que é um dever de todo brasileiro letrado, mais ainda daqueles que tiveram a oportunidade de concluir uma pós-graduação, empenhar-se com todo o vigor para que os índices vergonhosos de analfabetismo funcional venham a diminuir, num futuro próximo'. (Stella Maris Bortoni)


"Parece-me que os professores precisam desenvolver uma intimidade com os textos utilizados junto a seus alunos e possuir justificativas claras para a sua adoção. E mais: precisam conhecer a sua origem histórica e situá-los dentro de uma tipologia. Essa intimidade e esse conhecimento exigem que os professores se situem na condição de leitores, pois sem o testemunho vivo de convivência com os textos ao nível da docência não existe como alimentar a leitura junto aos alunos". (Ezequiel Theodoro da Silva)

"A idéia de que crianças e adolescentes têm direitos – inclusive à felicidade, ao prazer e a uma vida digna – alterou a forma como elas se viam e o modo como eram encaradas pelos adultos. Isso gerou profundos debates e intensa mobilização social: governos, organizações da sociedade civil, empresas, indivíduos e meios de comunicação de massa passaram a discutir a implementação da lei. Assim, o tema ingressou de vez na agenda política do País". (Cleide de Oliveira Ramos)




ANDI lança pesquisa “Mídia e promoção da leitura literária para crianças e adolescentes”

A Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), o Movimento por um Brasil literário e o Instituto C&A lançam o documento “Mídia e Promoção da Leitura Literária para Crianças e Adolescentes – Uma Análise da Cobertura Realizada por 40 Jornais Brasileiros”. O lançamento foi realizado no último dia 6, como parte da programação da Casa Brasil Literário, durante a Festa Literária Internacional de Paraty, no Rio de Janeiro.

A pesquisa tem como foco traçar o perfil quantitativo e as principais tendências qualitativas da cobertura de temas relativos à leitura literária voltada ao público infanto-juvenil. Com o objetivo de contribuir para a qualificação da abordagem jornalística, foram analisados 1.489 textos dos principais jornais brasileiros entre os anos de 2008 e 2009. Além da análise inédita sobre a temática, serão realizadas ações de diálogo com as redações buscando ampliar a diversidade de informações e fontes à disposição dos jornalistas.

Para ter acesso à pesquisa basta clicar aqui!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Google não entende os livros, diz historiador Robert Darnton

O historiador norte-americano Robert Darnton não apenas é um apaixonado por livros, mas também um dos maiores defensores de bibliotecas do mundo. Diretor do gigantesco acervo da Universidade de Harvard (EUA), o pesquisador fez carreira estudando o universo literário do Iluminismo e do Antigo Regime. Atualmente, ele está à frente de um ambicioso projeto de digitalização de acervos. “O ideal é colocar os livros gratuitamente na internet. E pensar nos pesquisadores, não apenas os do presente, mas os que virão”, explica Darnton.

“Vai falar de novo sobre livros, querido? Prefiro esperar no saguão”, afirma a esposa do historiador, no saguão do hotel em São Paulo. E sobre livros Darnton falou por mais de uma hora: tratou do futuro das publicações, da ameaça do monopólio do Google e os problemas decorrentes das leis de direito autoral. Também comentou a nova pesquisa, as baladas revolucionárias cantadas na França iluminista. “Será meu próximo livro, sairá em formato convencional, mas as músicas estarão disponíveis no site da editora”.

O pesquisador terá jornada dupla na Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, que começou ontem (4/8): ele participará de duas mesas que tratam do futuro do livro. Antes de viajar a cidade fluminense, ele conversou com Opera Mundi.

Na introdução de A questão do livro, o senhor fala que se trata de um livro sobre livros e uma apologia à palavra impressa. Então, qual seria o lugar do livro no ambiente digital?
Os livros sempre existirão, seja ao lado de versões impressas, seja em versões digitais. O que provavelmente acontecerá é que conviveremos com os e-books e com os livros tradicionais por um bom tempo ainda, talvez para sempre. Os livros digitais podem nos trazer novas formas de ler e fazer livros, mas a verdadeira revolução acontecerá não apenas com os leitores digitais, mas está acontecendo agora, no momento em que falamos, com bibliotecas inteiras sendo digitalizadas, transformadas em arqivo pdf e tornando-se disponíveis para leitores e pesquisadores. A internet é a verdadeira mudança e nós, em Harvard, estamos trabalhando para que isso aconteça. No entanto, é um processo caro e trabalhoso, que depende bastante de investimentos.

O senhor diz que esta é uma época de transição de tecnologia. Estariam os leitores de livros eletrônicos fadados a desaparecer diante da internet?
Já tivemos este problema antes. Ou seja, já tivemos problemas ligados à tecnologia de preservação do livro antes – e continuamos tendo agora. Nos anos 1960, o microfilme parecia ser capaz de resolver todos os problemas das bibliotecárias. E sabemos que elas em geral estão sempre preocupadas com a falta de verba e a falta de espaço para armazenar os livros. Logo, o microfilme parecia uma solução genial, poderíamos armazenar quantidades imensas de livros ou jornais velhos em poucas prateleiras.

Hoje, pouco mais de 50 anos depois, vemos que os microfilmes mofam, estragam com facilidade. Frequentemente são mal filmados e estão fora de foco. Também são péssimos de trabalhar. Tenho um amigo que pesquisava com um saco antienjôo de aviões ao lado. Além disso, eles são caros. Estima-se que nas últimas décadas as bibliotecas norte-americanas “livraram-se” de 975 mil livros a um preço de 39 milhões de dólares. Os livros descartados foram comprados por livreiros-antiquários por migalhas e revendidos a colecionadores por preços exorbitantes. Os microfilmes estão se estragando.

Muito já foi perdido com programas de computador que mudam com uma velocidade impressionante. Quem hoje tem um disquete? Os CDs já se tornaram quase obsoletos. Os livros, que diziam que iriam se esfarelar ou pegar fogo com o tempo ainda estão aí, mesmo os impressos em papéis ruins, como os da Biblioteca Azul da França. Por isso, às vezes é melhor deixar os livros em paz. Ainda assim, acho que a tecnologia pode resolver o problema da volatilidade de programas em breve. O pdf é uma prova disso.

Livros impressos são pouco pirateados. O que pode acontecer em um ambiente digital?
Por toda a vida toda estudei o problema dos livros piratas, uma das questões que mais me diverte como pesquisador. Em Edição e Sedição (Companhia das Letras, 1992), analiso as edições pirateadas dos iluministas que circulavam na França pré-revolucionária. Rousseau teve livros piratas, Voltaire também, bem como Retif de la Bretonne, Marat ou até mesmo o Marquês de Sade. Era uma prática comum, mas ligada às tentativas de burlar o Antigo Regime. Edições pirateadas, como eram clandestinas, sofriam menos com as perseguições, apreensões e multas dos censores do que os livros impressos oficiais. E o sistema de copyright ainda não estava totalmente organizado, como o conhecemos nos dias de hoje. Então, algumas vezes, essas edições piratas eram as únicas de um determinado livro. Hoje a questão é outra, e as leis de direito autoral também. Então, se por um lado o copyright protege o autor e sua obra e isso é muito positivo, por outro, essas mesmas leis podem tornar sua obra inacessível, principalmente quando temos herdeiros envolvidos em disputas judiciais.

O senhor acredita que as leis que regulam o copyright podem atrapalhar o acesso ao conhecimento e educação? Não teriam essas leis se desviado da função de preservar a obra e o autor, para servirem a grandes corporações?
Sem dúvida. Nos Estados Unidos estão em jogo os lucros de Hollywood e Disney – indústrias poderosas. O copyright foi criando em 1710, na Grã-Bretanha, por meio do Estatuto de Anne. O objetivo era refrear as práticas monopolistas da London Stationer's Company, que reunia livreiros e editores. Na época, foi estabelecido pelo Parlamento que o copyright deveria durar 14 anos – um ano mais tarde, esse prazo pôde ser estendido. Eram 28 anos no total, com apenas uma prorrogação. As coisas foram mudando com o tempo e os prazos aumentando até que, em 1998, tivemos a Sonny Bono Copyright Term Extention Act, também conhecida como a Lei de Proteção a Mickey Mouse, porque o Mickey estava prestes a cair em domínio público e significaria um prejuízo de milhões de dólares à Disney. Então foi prorrogado o prazo dos direitos de copyright por mais 20 anos somando 70 anos após a morte do autor.Na prática isso significa cerca de um século para uma obra entrar em domínio público. Se direcionarmos a sociologia do conhecimento para o presente, como fez Pierre Bourdieu, veríamos que vivemos num mundo criado por Mickey Mouse; selvagem e inóspito. Eu prefiro viver numa sociedade regida pelos princípios iluministas, em que o bem público estaria acima do lucro privado. Tentamos mudar as coisas, mas há um longo caminho. Por isso, acho saudável a discussão que o Brasil está tendo sobre os direitos autorais. Os brasileiros, em temas importantes, como é o caso da discussão do copyright, estão mais avançados que nós, norte-americanos.

Não gosto de pensar em sociedades sem livros … lembra-me, estranhamente, de uma cena do filme Fahrenheit 451, dirigido por François Trauffaut e baseado na obra de Ray Bradbury, em que o bombeiro Montag lia quadrinhos sem palavras na cama. A edição e publicação de livros impressos reúnem elementos proibitivos, têm a força de derrubar governos e fazer revoluções. Teriam os livros digitais o mesmo poder?
A internet tem um força incrível. Consegue espalhar informações para os quatro cantos do mundo, sem que a força de fronteiras detenha o poder avassalador da palavra escrita. Mas não estou tão certo quanto a projetos como o Google Book Search. Quantos livros o Google conseguirá digitilizar? Cinquenta porcento do que é publicado, ou mais? Ainda assim, o que ficará de fora? Obras importantes e raras, que serão inevitavelmente esquecidas por não terem sido digitalizadas? Sei que o Google emprega muitos engenheiros em suas unidades empresariais, mas entre seus quadros de funcionários não existe nenhum bibliófilo ou historiador de livros. Nada sugere que os algoritmos criados pelos engenheiros para organizar as edições digitalizadas funcionem, pois apenas os padrões ditados pelos pesquisadores, como qual é a melhor edição de determinado livro, ou qual foi a última edição que Voltaire, um autor conhecido por mexer sempre em suas edições (um pesadelo para os editores, sem dúvida) é a que ele considerava a melhor etc.

Pesquisadores sérios precisam estudar e cotejar muitas edições em suas versões originais e não em reproduções digitalizadas que o Google organizará de acordo com critérios que provavelmente não terão relação alguma com o saber bibliográfico. Mas, ainda que isso consiga ser feito, a materialidade dos livros ainda é fundamental. De acordo com uma pesquisa recente entre os estudantes franceses, 43% consideravam o cheiro como uma das características mais importantes de um livro impresso. Assim como o tato, tamanho. Faz diferença um livro impresso em tamanho grande, ou num pequeno duodécimo, projetado para ser segurado com facilidade. Os leitores digitais e pdfs colocam tudo num mesmo tamanho padronizado.

Na verdade, o argumento mais forte afavor do livro impresso é a eficácia com os leitores comuns. Graças ao Google, pesquisadores podem fazer buscas, navegar, garimpar, colher, minerar, acessar deep links e realizar crawls (os termos variam conforme a tecnologia) em milhões de websites. Ao mesmo tempo, qualquer pessoa em busca de uma boa leitura pode pegar um volume impresso e folheá-lo sem dificuldade, saboreando a magia das palavras na forma de tinta sobre papel. Talvez, algum dia, um texto numa tela portátil será tão agradável aos olhos quanto uma página de um códice produzido há dois mil anos. Enquanto isso não acontece, digo: protejam as bibliotecas.

Fonte: OperaMundi

2º Prêmio Ecofuturo de Educação para a Sustentabilidade

O Instituto Ecofuturo lançou o 2º prêmio Ecofuturo de Educação para a Sustentabilidade, aberto a todos os professores de todas as disciplinas e níveis da educação, de instituições educacionais públicas ou privadas.

Para participar, os professores podem inscrever um projeto, um plano de aula ou uma sequência didática. Para apoiá-lo a escrever suas ideias para o 2.º Prêmio Ecofuturo de Educação para a Sustentabilidade, registramos alguns caminhos para aquecer sua mente e entusiasmar seu coração.
Acesse Transformando Ideias.

As propostas devem ter temas transversais como eixo unificador e incluir interdisciplinaridade.
Acesse o Roteiro do Professor com dicas para escrever seu projeto.

Podem ser ações planejadas e também ações que já foram executadas, desde que apresentadas conforme estabelece o
Regulamento.

• TEMA
Respeitar e cuidar é o eixo que fundamenta o tema Saber cuidar, proposto pelo 2º. Prêmio Ecofuturo de Educação para a Sustentabilidade.

• CRITÉRIOS DE SELEÇÃO
.Criatividade, originalidade e ineditismo;.adequação da proposta ao público visado;.eixo em tema transversal;.potencial multidisciplinar;.coerência com o Tema e base de referência sugerida pelo Instituto Ecofuturo.identificação dos diferentes processos envolvidos: comunicar, interagir/relacionar-se, perceber/captar o mundo, conhecer, tomar decisões, organizar/sistematizar, criar, atribuir valor.

• PRÊMIOS
Publicação dos projetos em livro que será enviado para todos os professores participantesProfessores: R$ 3.000,00 + coleção de livros de literatura + Certificado Escolas: Computador com impressora + coleção de livros de literatura e Certificado.

• REGULAMENTO
Clique aqui para acessar o Regulamento Resumido.

Fonte: Ecofuturo

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Gêneros Textuais na Sala de Aula

Artigo de Erika de Souza Bueno
Consultora-Pedagógica de Língua Portuguesa do Planeta Educação.
Professora de Língua Portuguesa e Espanhol pela Universidade Metodista de São Paulo. Articulista sobre assuntos de língua portuguesa e família.
Editora do Portal Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br).

Entre as metodologias de trabalho em sala de aula, principalmente nas aulas de língua portuguesa, a abordagem dos gêneros textuais como pano de fundo é sempre muito bem-vinda.

Como sabemos, gêneros textuais são as funções de cada texto, podendo ser o telefonema, o e-mail, a carta, a bula de remédio, a lista de compras, a resenha, a conferência, o cardápio de restaurante, o outdoor, a propaganda, a charge, a aula virtual, as notícias...

Não há comunicação que não esteja devidamente caracterizada em algum gênero e há tipos textuais que estruturam cada manifestação de gênero.

Isto pode ser de fácil compreensão, pois há grandes e nítidas diferenças, por exemplo, na forma como um livro didático é estruturado e na forma como elaboramos uma receita culinária.
Estes tipos textuais são, pelo menos, cinco: narração, argumentação, instrução, exposição e descrição.


Contudo, o que todo professor precisa considerar antes de abordar os gêneros textuais é o fato que muito mais importante do que estudar as características de cada gênero e sua estrutura, é fazer com que o aluno vivencie a prática de cada gênero textual, de acordo, principalmente, com a sua realidade.

Neste ponto, é interessante o professor colocar à disposição na sala de aula o maior número possível de gêneros, pois desta forma o aluno vai perceber, na prática, qual a funcionalidade de cada um, o que certamente facilitará a construção de seu conhecimento.

Ao dispor jornais, revistas, exemplos de conversa em chats online, charge, propaganda, entre outros, o professor terá muito menos trabalho para fazer com que o aluno compreenda que a fala precisará passar por processo de adequação em todos os momentos.

Esta adequação não é apenas estrutural, mas também contextual, ou seja, todo aquele que pretende ser aceito em sua forma de falar, seja por meio de propagandas, notícias, artigos, e-mail, telefonemas e muitos outros, precisará compreender qual o contexto que envolve a comunicação e adequar sua fala a ele.

Desta maneira, o fato de a estrutura de uma comunicação em chat online ser mais desprovida de regras gramaticais e ortográficas, não é adequado que assim se proceda em conversações mais formais, mesmo que esta seja no mesmo chat que é usado, em outros momentos, informalmente.
De acordo com determinados contextos, é perfeitamente possível e correto que se use abreviações e uma linguagem mais informal. É o que ocorre com os chats.


Contudo, se o chat for usado para se conversar com alguma pessoa com um grau social/profissional superior ao do outro falante envolvido, as abreviações e a informalidade deverão ser evitadas.

Sendo assim, não é o veículo em si que deve ser foco de trabalho do professor, mas o contexto que envolve não somente o chat, mas todos os demais gêneros textuais que se desejar abordar.

O aluno precisa vivenciar a prática dos gêneros para compreender com mais eficácia a razão de sabermos dar diferentes formas às nossas falas nas mais diferentes ocasiões.

É importante compreendermos, como pais e professores, que o fato de o aluno usar abreviações ao se comunicar na internet, não faz que ele as use em outros contextos, desde que, evidentemente, ele tenha acesso às orientações sobre como adaptar sua fala em diversos gêneros e contextos.

O aluno que é bem-orientado por seu professor a respeito dos gêneros textuais e suas estruturas saberá, por exemplo, que não é conveniente escrever numa prova escrita na escola da mesma maneira que ele escreve ao mandar um e-mail para um amigo, convidando-o para uma festa, por exemplo.

Se nós introduzirmos em nossas aulas os gêneros textuais de maneira que eles consigam perceber a funcionalidade prática da língua, certamente nossos alunos conseguirão adquirir as competências necessárias para adequar a fala para o objetivo que desejar atingir, cumprindo, assim, seu papel como cidadão que fala e é ouvido dentro de seus pontos de vistas.

Fonte: Planeta Educação

O poder miraculoso das tecnologias informacionais”: novos desafios para a velha educação

“O poder miraculoso das tecnologias informacionais”: novos desafios para a velha educação.
Artigo de Caroline Duarte Lopes de Borborema
para o Jornal Eletrônico Educação & Imagem
http://www.lab-eduimagem.pro.br/JORNAL/

A palavra charge vem do francês charger, que significa carga, exagero, isto é, a charge exagera traços de algo ou alguém, utilizando o humor e a ironia, com a finalidade de suscitar uma reflexão político-social. Assim, optei por utilizar uma charge de Gaturro para trazer alguns elementos de diálogo sobre o currículo escolar e as tecnologias da informação e da comunicação (TIC).

Um dos aspectos que trago para reflexão é o poder que as tecnologias podem exercer sobre a educação, a escola e os sujeitos que nela circulam com diferentes papéis sociais. Tanto aqueles que aparecem observando a aula, como a professora, e os alunos acreditam neste poder e fortalecem um “imaginário tecnológico” na medida em que o uso da tecnologia passa a ser entendido como solução para os problemas da educação. E mais, na situação satirizada essa “solução” traz resultados, visto que, seguindo os moldes da educação tradicional, todos os “chicos” estão sentados e prestando atenção na professora. A educação vive um momento que parece investido, nas palavras de Mattelart, de “crenças no poder miraculoso das tecnologias informacionais”.

Outro elemento que nos faz pensar seria justamente esse modelo de educação, que parece estar falido, na medida em que contrasta brutalmente com os desafios que a sociedade pós-moderna impõe à educação. Não se trata da defesa de uma educação que se adeque às necessidades dessa sociedade, mas sim que questione essa sociedade e forme cidadãos capazes de refletir sobre tais desafios.

Como terceiro elemento, destaco o quanto o professor tem sido visto como um profissional obsoleto, que depende das novas TIC para reestruturar sua formação e seu trabalho. Para se reinventar a professora da charge vestiu uma capa de modernidade, parecendo estar dentro da televisão, tentando causar a impressão de uma aula interessante. Na perspectiva da globalização, a educação de um modo geral, incluindo principalmente o trabalho docente, precisam ser reconfigurados. Nesse contexto, as TIC começam a fazer parte de um novo discurso pedagógico, sendo evidenciadas como elemento definidor dessa reconfiguração. Assim, as TIC podem dar uma nova aparência às tradicionais concepções de ensino e aprendizagem (Barreto, 2004).

Podemos dizer que todos esses elementos permeiam o currículo escolar. O currículo muitas vezes é entendido como um objeto definido e estável, que se concretiza numa listagem de conteúdos e suas disciplinas. No entanto, acredito que o currículo é dinâmico, é experiência e, portanto, permite compreender as bases culturais em que se apoia a escola. É evidente que a charge de Gaturro apresenta uma crítica ao modelo de escola tradicional, que tenta se reinventar, mas não consegue escapar das suas próprias amarras. Assim, como também evidencia que a atual tentativa de se reinventar passa pela valorização das TIC como tábua de salvação. Temos um currículo escolar que privilegia o ensinar em detrimento do aprender, o transmitir em detrimento do refletir, a informação em detrimento da formação... Tudo isso ganhando um reforço extra da “inovação”. A forma de incorporação das TIC pela educação passa pela concepção de currículo que a escola privilegia na formação de sua cultura escolar. E acredito que, na atribuição de sentidos ao currículo escolar, o docente possui um importante papel na medida em que através de sua prática e seu discurso ele poderá ressignificá-lo.

REFERÊNCIAS
– BARRETO, R. G. Tecnologia e educação: trabalho e formação docente. Educação e Sociedade, Campinas, vol. 25, n. 89, p. 1181-1201, set./dez. 2004.
– MATTELART, A. História da sociedade da informação. São Paulo: Loyola, 2002.

Mobilização conta com nova cartilha para o trabalho com as famílias

O Blog da Mobilização Social pela Educação tornou disponível desde o dia 27 de julho (2010), o arquivo digital da cartilha "Famílias, acompanhem a vida escolar dos seus filhos". O material poderá ser utilizado por mobilizadores de todo o país em atividades direcionadas à conscientização dos pais sobre a importância da participação na trajetória de formação dos alunos das escolas públicas e os reflexos desse comportamento para a garantia do aprendizado.

O arquivo é disponibilizado em baixa resolução, de modo a facilitar a exibição de seu conteúdo em apresentações de slides, em exposições que reúnam famílias, profissionais da educação, membros da comunidade escolar, representantes de segmentos organizados da sociedade que atuem em prol da qualidade da educação, além de gestores e integrantes de órgãos públicos que lidem com temas relacionados à educação.

Outra versão do arquivo da cartilha possibilita a impressão da publicação. Assim, os mobilizadores podem buscar parcerias junto a órgãos públicos como secretarias municipais de educação, além de empresas, organizações religiosas e não governamentais, com o objetivo de que custeiem a reprodução em gráfica da cartilha, de modo que possa ser utilizada em ações junto às famílias.

Na última página da cartilha, o arquivo para impressão também oferece espaço para inserção da logomarca do parceiro patrocinador da reprodução da publicação.

Acesse no link http://familiaeducadora.blogspot.com o arquivo da cartilha Famílias, acompanhem a vida escolar dos seus filhos.