terça-feira, 3 de agosto de 2010
Gêneros Textuais na Sala de Aula
Consultora-Pedagógica de Língua Portuguesa do Planeta Educação.
Professora de Língua Portuguesa e Espanhol pela Universidade Metodista de São Paulo. Articulista sobre assuntos de língua portuguesa e família.
Editora do Portal Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br).
Entre as metodologias de trabalho em sala de aula, principalmente nas aulas de língua portuguesa, a abordagem dos gêneros textuais como pano de fundo é sempre muito bem-vinda.
Como sabemos, gêneros textuais são as funções de cada texto, podendo ser o telefonema, o e-mail, a carta, a bula de remédio, a lista de compras, a resenha, a conferência, o cardápio de restaurante, o outdoor, a propaganda, a charge, a aula virtual, as notícias...
Não há comunicação que não esteja devidamente caracterizada em algum gênero e há tipos textuais que estruturam cada manifestação de gênero.
Isto pode ser de fácil compreensão, pois há grandes e nítidas diferenças, por exemplo, na forma como um livro didático é estruturado e na forma como elaboramos uma receita culinária.
Estes tipos textuais são, pelo menos, cinco: narração, argumentação, instrução, exposição e descrição.
Contudo, o que todo professor precisa considerar antes de abordar os gêneros textuais é o fato que muito mais importante do que estudar as características de cada gênero e sua estrutura, é fazer com que o aluno vivencie a prática de cada gênero textual, de acordo, principalmente, com a sua realidade.
Neste ponto, é interessante o professor colocar à disposição na sala de aula o maior número possível de gêneros, pois desta forma o aluno vai perceber, na prática, qual a funcionalidade de cada um, o que certamente facilitará a construção de seu conhecimento.
Ao dispor jornais, revistas, exemplos de conversa em chats online, charge, propaganda, entre outros, o professor terá muito menos trabalho para fazer com que o aluno compreenda que a fala precisará passar por processo de adequação em todos os momentos.
Esta adequação não é apenas estrutural, mas também contextual, ou seja, todo aquele que pretende ser aceito em sua forma de falar, seja por meio de propagandas, notícias, artigos, e-mail, telefonemas e muitos outros, precisará compreender qual o contexto que envolve a comunicação e adequar sua fala a ele.
Desta maneira, o fato de a estrutura de uma comunicação em chat online ser mais desprovida de regras gramaticais e ortográficas, não é adequado que assim se proceda em conversações mais formais, mesmo que esta seja no mesmo chat que é usado, em outros momentos, informalmente.
De acordo com determinados contextos, é perfeitamente possível e correto que se use abreviações e uma linguagem mais informal. É o que ocorre com os chats.
Contudo, se o chat for usado para se conversar com alguma pessoa com um grau social/profissional superior ao do outro falante envolvido, as abreviações e a informalidade deverão ser evitadas.
Sendo assim, não é o veículo em si que deve ser foco de trabalho do professor, mas o contexto que envolve não somente o chat, mas todos os demais gêneros textuais que se desejar abordar.
O aluno precisa vivenciar a prática dos gêneros para compreender com mais eficácia a razão de sabermos dar diferentes formas às nossas falas nas mais diferentes ocasiões.
É importante compreendermos, como pais e professores, que o fato de o aluno usar abreviações ao se comunicar na internet, não faz que ele as use em outros contextos, desde que, evidentemente, ele tenha acesso às orientações sobre como adaptar sua fala em diversos gêneros e contextos.
O aluno que é bem-orientado por seu professor a respeito dos gêneros textuais e suas estruturas saberá, por exemplo, que não é conveniente escrever numa prova escrita na escola da mesma maneira que ele escreve ao mandar um e-mail para um amigo, convidando-o para uma festa, por exemplo.
Se nós introduzirmos em nossas aulas os gêneros textuais de maneira que eles consigam perceber a funcionalidade prática da língua, certamente nossos alunos conseguirão adquirir as competências necessárias para adequar a fala para o objetivo que desejar atingir, cumprindo, assim, seu papel como cidadão que fala e é ouvido dentro de seus pontos de vistas.
Fonte: Planeta Educação
O poder miraculoso das tecnologias informacionais”: novos desafios para a velha educação
Artigo de Caroline Duarte Lopes de Borborema para o Jornal Eletrônico Educação & Imagem
http://www.lab-eduimagem.pro.br/JORNAL/
A palavra charge vem do francês charger, que significa carga, exagero, isto é, a charge exagera traços de algo ou alguém, utilizando o humor e a ironia, com a finalidade de suscitar uma reflexão político-social. Assim, optei por utilizar uma charge de Gaturro para trazer alguns elementos de diálogo sobre o currículo escolar e as tecnologias da informação e da comunicação (TIC).
Um dos aspectos que trago para reflexão é o poder que as tecnologias podem exercer sobre a educação, a escola e os sujeitos que nela circulam com diferentes papéis sociais. Tanto aqueles que aparecem observando a aula, como a professora, e os alunos acreditam neste poder e fortalecem um “imaginário tecnológico” na medida em que o uso da tecnologia passa a ser entendido como solução para os problemas da educação. E mais, na situação satirizada essa “solução” traz resultados, visto que, seguindo os moldes da educação tradicional, todos os “chicos” estão sentados e prestando atenção na professora. A educação vive um momento que parece investido, nas palavras de Mattelart, de “crenças no poder miraculoso das tecnologias informacionais”.
Outro elemento que nos faz pensar seria justamente esse modelo de educação, que parece estar falido, na medida em que contrasta brutalmente com os desafios que a sociedade pós-moderna impõe à educação. Não se trata da defesa de uma educação que se adeque às necessidades dessa sociedade, mas sim que questione essa sociedade e forme cidadãos capazes de refletir sobre tais desafios.
Como terceiro elemento, destaco o quanto o professor tem sido visto como um profissional obsoleto, que depende das novas TIC para reestruturar sua formação e seu trabalho. Para se reinventar a professora da charge vestiu uma capa de modernidade, parecendo estar dentro da televisão, tentando causar a impressão de uma aula interessante. Na perspectiva da globalização, a educação de um modo geral, incluindo principalmente o trabalho docente, precisam ser reconfigurados. Nesse contexto, as TIC começam a fazer parte de um novo discurso pedagógico, sendo evidenciadas como elemento definidor dessa reconfiguração. Assim, as TIC podem dar uma nova aparência às tradicionais concepções de ensino e aprendizagem (Barreto, 2004).
Podemos dizer que todos esses elementos permeiam o currículo escolar. O currículo muitas vezes é entendido como um objeto definido e estável, que se concretiza numa listagem de conteúdos e suas disciplinas. No entanto, acredito que o currículo é dinâmico, é experiência e, portanto, permite compreender as bases culturais em que se apoia a escola. É evidente que a charge de Gaturro apresenta uma crítica ao modelo de escola tradicional, que tenta se reinventar, mas não consegue escapar das suas próprias amarras. Assim, como também evidencia que a atual tentativa de se reinventar passa pela valorização das TIC como tábua de salvação. Temos um currículo escolar que privilegia o ensinar em detrimento do aprender, o transmitir em detrimento do refletir, a informação em detrimento da formação... Tudo isso ganhando um reforço extra da “inovação”. A forma de incorporação das TIC pela educação passa pela concepção de currículo que a escola privilegia na formação de sua cultura escolar. E acredito que, na atribuição de sentidos ao currículo escolar, o docente possui um importante papel na medida em que através de sua prática e seu discurso ele poderá ressignificá-lo.
REFERÊNCIAS
– BARRETO, R. G. Tecnologia e educação: trabalho e formação docente. Educação e Sociedade, Campinas, vol. 25, n. 89, p. 1181-1201, set./dez. 2004.
– MATTELART, A. História da sociedade da informação. São Paulo: Loyola, 2002.
Mobilização conta com nova cartilha para o trabalho com as famílias
O Blog da Mobilização Social pela Educação tornou disponível desde o dia 27 de julho (2010), o arquivo digital da cartilha "Famílias, acompanhem a vida escolar dos seus filhos". O material poderá ser utilizado por mobilizadores de todo o país em atividades direcionadas à conscientização dos pais sobre a importância da participação na trajetória de formação dos alunos das escolas públicas e os reflexos desse comportamento para a garantia do aprendizado.O arquivo é disponibilizado em baixa resolução, de modo a facilitar a exibição de seu conteúdo em apresentações de slides, em exposições que reúnam famílias, profissionais da educação, membros da comunidade escolar, representantes de segmentos organizados da sociedade que atuem em prol da qualidade da educação, além de gestores e integrantes de órgãos públicos que lidem com temas relacionados à educação.
Outra versão do arquivo da cartilha possibilita a impressão da publicação. Assim, os mobilizadores podem buscar parcerias junto a órgãos públicos como secretarias municipais de educação, além de empresas, organizações religiosas e não governamentais, com o objetivo de que custeiem a reprodução em gráfica da cartilha, de modo que possa ser utilizada em ações junto às famílias.
Na última página da cartilha, o arquivo para impressão também oferece espaço para inserção da logomarca do parceiro patrocinador da reprodução da publicação.
Acesse no link http://familiaeducadora.blogspot.com o arquivo da cartilha Famílias, acompanhem a vida escolar dos seus filhos.
Novo curso da USP forma profissional capaz de levar comunicação à escola
A ideia de oferecer o curso, que terá 30 vagas no período noturno e duração de 8 semestres, surgiu a partir de pesquisas desenvolvidas pela Escola de Comunicação e Artes (ECA). As disciplinas pedagógicas serão feitas na Faculdade de Educação.
O curso é a primeira licenciatura na área do Brasil. A Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) oferece um bacharelado em educomunicação a partir deste semestre.
Segundo o chefe do Departamento de Comunicações e Artes da ECA e coordenador da implantação do curso na USP, Ismar de Oliveira Soares, a palavra educomunicação já era usada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para definir a educação para crítica de mídia. “Demos um novo sentido à palavra, que, para nós, é um conjunto de ações na interface entre educação e comunicação”, disse.
O profissional pode atuar na gestão da comunicação em espaços educativos, na expressão comunicativa através das artes, no uso e gestão do uso de tecnologias, como TV, rádio e internet, dentro da escola e em projetos do terceiro setor, que trabalham mídia e educação. Atualmente, as ONGs já promovem esse diálogo, segundo Soares.
De acordo com o coordenador, o formado em educomunicação poderá ainda lecionar comunicação para turmas do ensino médio, como prevê a Lei de Diretrizes e Bases (LDB).
“Nesse momento, o MEC faz uma revisão do ensino médio devido à evasão dos estudantes, que muitas vezes é motivada pela falta de interesse. Um dos motivos disso é o conteúdo das aulas, que tem um ensino não adequado à realidade”, disse Soares.
A presença de um comunicador na escola deverá propiciar a aproximação desse espaço com o mundo da produção cultural e fará com que os estudantes se expressem melhor, na opinião de Soares.
Com relação aos equipamentos, o professor explica que já faz parte de projetos do governo federal equipar com rádio, TV e vídeo as escolas do país e que o educomunicador será o profissional preparado para trabalhar com esse material. “Será uma forma de transformar a escola em espaço de expressão, de ‘dizer o mundo’, como defendia o educador Paulo Freire”, disse Soares.
O professor afirma que, mais do que um computador por aluno, como quer o governo federal, é preciso haver um laboratório por escola. “Esse espaço pode ser usado coletivamente, de forma democrática. Fica mais barato e não é tão individualista”, afirmou.
Apesar de noturno, o curso exigirá dedicação do estudante durante o dia, principalmente em leitura e nas 420 horas de estágio exigidas, segundo Soares.
Fonte: G1/ Texto: Fernanda Nogueira - 03/08/2010
Múltiplas aprendizagens
Veja a dica de site da Valeska Andrade, do programa O POVO na Educação (do Jornal O POVO/CE). Se você tiver uma dica de site legal também, manda pra gente, pro e-mail: programajornaleeducacao@gmail.comO site Multi-Trilhas auxilia crianças surdas na aprendizagem do portugês escrito; traz alguns vocábulos sobre a língua dos sinais (Libras) para quem estiver se alfabetizando ou para quem quiser aprender um pouco mais; é interativo e voltado para toda a família, com áreas de Arte e Jogos diversos.
O site foi elaborado por um grupo de pesquisa do Laboratório de Pedagogia do Design (LPD) a partir de uma parceria entre o Departamento de Artes & Design da PUC-Rio e o Instituto Nacional de Educação de Surdos do Rio de Janeiro (Ines). O endereço é: http://www.multi-trilhas.com
Educação inclusiva em debate
"Sabe esses achados magníficos que a gente faz na internet? Pois bem. Eu encontrei um desses". Foi assim que a Valeska Andrade, coordenadora do programa O POVO na Educação, do jornal O POVO (CE) se referiu ao texto Diferenças: como lidar com elas em sala de aula?, da autora Tatiana Serra. O texto foi publicado na Revista Educação Pública dia 27/07/2010 e está disponível no site http://www.educacaopublica.rj.gov.br. Mas você pode ler um trechinho do texto aqui, no blog do Programa Jornal e Educação. Boa Leitura!!!
"Que as diferenças existem todos nós sabemos, assim como o fato de que elas ajudam a nos definir dentro de um grupo. Mas fazer da diferença motivo para discriminar (no pior sentido da palavra) ou fazer dela sinônimo de desigualdade, talvez seja um dos maiores erros da humanidade. E não adianta tentar justificar dizendo que até no dicionário as palavras diferente e desigual são sinônimas, porque a questão está no que o uso da palavra carrega: atitudes repletas de preconceito e exclusão são alguns dos exemplos.
No fórum Discutindo perguntamos: “Quem tem interesse em transformar as pessoas de diferentes em desiguais?” E, para refletir sobre como os professores lidam com as diferenças em sala de aula, consultamos algumas especialistas em educação inclusiva para falar a respeito.
Se pensarmos que vivemos em um país que tem um dos maiores níveis de desigualdade social do mundo, “nos conscientizamos de que já evidenciamos uma realidade em que o diferente é enfaticamente considerado desigual. Portanto, é mais que necessário que repensemos nossas ações e até que ponto estamos valorizando os diferentes” é o que aconselha Sonia do Nascimento Santos.
Diferentes todos nós somos (e viva a diversidade!); mesmo assim, não deixamos de julgar e ultrapassar a individualidade dos outros. É aí, então, que a diferença passa a ser considerada negativa. Mas, na opinião de muitos, diferenças e semelhanças podem ser trabalhadas desde cedo, seja em casa, seja na escola. “A minha luta é essa. Gostaria que todas as pessoas, independente da cor, raça, sexo, pudessem ser vistas como seres humanos. Acho que temos que trabalhar em sala de aula para que isso se torne realidade. Os profissionais da educação devem estar preparados para dar sua contribuição para o desenvolvimento da humanidade”, diz Dearlinda Mendes de Souza.
E, apesar de as definições de diferente e desigual serem semelhantes no papel, é importante enfatizar as distinções entre elas – o que pouco se vê na prática. Oswaldo Oliveira destaca como boa parte da sociedade lida com diferenças e desigualdades: “ser diferente merece tratamento diferente; e pior, ser desigual significa ser inferior. Um homem é diferente de uma mulher, mas ele não é pior nem melhor – nem ela. Ser desigual significa que existe desnível entre os dois, o que não é verdade. Os alunos são diferentes, merecem atenção diferente, mas não são melhores ou piores uns que os outros”. (...) Tatiana Serra
Congresso Educador 2010 acontece de 2 a 5 de setembro em Fortaleza
Estão abertas, até 8 de agosto, as inscrições para o Congresso Educador 2010 Brasil, que ocorrerá de 2 a 5 de setembro, em Fortaleza.Professores e pesquisadores da Universidade Federal do Ceará estão entre os conferencistas do evento, que reunirá profissionais da educação e estudantes de todo o País.
Com o tema “Da teoria à prática – de olho no futuro”, a quinta edição do Congresso conta com a participação da Presidente da Coordenadoria de Concursos da UFC (CCV), Profª Maria de Jesus de Sá Correia, que proferirá palestra sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) como processo seletivo nas universidades.O Chefe do Departamento de Literatura da UFC, Prof. Roberto Pontes, fará duas conferências ao longo da programação: “A Literatura como instrumento de construção do mundo” e “ O ensino da Literatura africana em países de língua portuguesa”.
Profissionais reconhecidos nacional e internacionalmente também participam do evento, como os escritores Rubem Alves, que proferirá a conferência de abertura (“Os problemas que se colocam ao educador 2010 e suas possíveis soluções”) e Ariano Suassuna, responsável pelo encerramento do Congresso com a palestra “O papel do educador para a preservação e para a divulgação da cultura popular”.
O congresso incluirá também apresentações artísticas de Zélia Duncan, Guilherme Arantes e Oswaldo Montenegro, além de oficinas de artesanato, recitais de poesia e shows de humor.
Mais informações sobre inscrições, investimento, seleção e apresentação dos trabalhos, além da programação detalhada, estão disponíveis no site do evento – www.cbraex.com.br/congressoeducadorbrasil2010/index.html.
Fonte: Organização do Congresso Educador 2010 Brasil – (Fone: 85 3491 2831)

