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sexta-feira, 30 de julho de 2010

II Encontro Brasileiro de Educomunicação

Entre os dias 23 e 24 de agosto de 2010, a USP promove, no Auditório Freitas Nobre, na Escola de Comunicações e Artes, o II Encontro Brasileiro de Educomunicação. O evento que terá como objetivo promover um diálogo entre a Sociedade e a Universidade sobre o perfil do profissional a ser formado pelo próximo curso de Licenciatura em Educomuncação, reunirá representantes da UNESCO, de órgãos públicos, da mídia, do terceiro setor e do campo educacional.

Nesse sentido, o II Encontro Brasileiro de Educomunicação dá continuidade às trocas de experiências ocorridas ao longo dos últimos dez anos e que permitiram identificar e legitimar o conceito da Educomunicação, presente em experiências como as desenvolvidas por emissoras de rádio e TV de caráter educativo e cultural, redes públicas de escola, assim como organizações com atividades que relacionam mídia e juventude.

O evento trabalhará a partir de cinco sub-temas, a saber:
Educomunicação no espaço das políticas públicas
Mídia e Tecnologia no espaço educativo: a perspectiva da Educomunicação
A interface comunicação e educação na universidade: pesquisa e extensão
O profissional da Educomunicação
Licenciatura em Educomunicação

No painel de abertura, o diretor da área de comunicação da UNESCO, Guilherme Canela, falará sobre o esforço da ONU no sentido de promover políticas públicas em favor da convivência entre civilizações a partir de programas de educação para a mídia, em todo mundo. Já o educomunicador Alexandre Sayad, do Colégio Bandeirantes e secretário executivo da Rede CEP, associação de ONGs que trabalha com o conceito, explicará os motivos que levaram 3.900 escolas do ensino médio a optar pela prática educomunicativa no contexto do programa Mais Educação do MEC.

No campo da mediação tecnológica, Sonia Sette, da UFPE, coordenadora do programa Mídias na Educação, da Secretaria de Educação a Distância do MEC demonstrará como vem se implementando em todo o país a formação de professores para o uso das linguagens da comunicação em sala de aula a partir da perspectiva da educomunicação. O tema da educação a distância será também objeto da palestra de José Augusto de Melo Neto, do Centro de Mídias na Educação do Estado do Amazonas, responsável por um dos mais premiados programas brasileiro de formação a atingir o interior da floresta amazônica levando o ensino médio a comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas através o uso das tecnologias digitais.

O perfil do educomunicador ficará por conta de apresentações e debates sobre a atuação do profissional no espaço da mídia, tendo como referência a ação educomunicativa do Canal Futura, bem como o trabalho desenvolvido no âmbito do terceiro setor, como ocorre na Viração, revista, site e movimento social e na ONG Cidade Escola Aprendiz. O trabalho educomunicativo na universidade contemplará a produção da revista Comunicação & Educação (USP/PAULINAS). O evento finalizará suas atividades com a apresentação da proposta do novo curso, seus fundamentos, estrutura e carga horária.

Informações e inscrições: www.cca.eca.usp.br

II Encontro Brasileiro de Educomunicação
Diálogo entre sociedade civil e universidade
São Paulo, 23-24 de agosto de 2010
Auditório Freitas Nobre, ECA/USP
Promoção:Licenciatura em Educomunicação – CCA-ECA-USP
Núcleo de Comunicação e Educação – NCE-USP
Revista Comunicação & EducaçãoApoio:Edições Paulinas

Programa
23 de agosto0
8h00 – Recepção dos participantes
09h00 – 10h30 – Sessão de Abertura
Coordenação: Ismar de Oliveira Soares, Chefe do CCA-ECA-USP
Saudação: Prof. Dr. Mauro Wilton de Sousa, diretor da ECA-USP
Entrega do Prêmio Mariazinha Fusari de Educomunicação

11h00 – 12h30 – Painel I – Educomunicação no espaço das políticas públicas
Guilherme Canela, Coordenador da área da Comunicação da UNESCO/Brasil.
Tema: Educomunicação: a perspectiva internacional a partir do mandato do Fórum das Nações Unidas sobre a Aliança das Civilizações.
Alexandre Sayad, Secretário da Rede CEP. - Comunicação, Educação Participação.
Tema: Contexto nacional: “a Educomunicação no programa Ensino Médio Inovador do MEC”
Carlos Lima, Coordenador do Programa de Educomunicação da Prefeitura de são Paulo.
Tema: O Programa de formação de Educomunicadores no Projeto nas Ondas do Rádio, no Município de São Paulo
Sandro Ilídio da Silva, Coordenador do Centro de Referência em Educomunicação e Meio Ambiente da Fundação Hélio Augusto de Souza, da Prefeitura de São José dos Campos.
Tema: O programa de formação em Educomunicação da FUNDHAS

14h30 - 17h00 - Painel II – Mídia e Tecnologia no espaço educativo: a perspectiva da Educomunicação
Sonia Schechtman Sette, Coordenadora de Educação a Distância da UFPE.
Tema: A importância do Programa Mídias na Educação para a melhoria da qualidade do Ensino Público no Brasil
Patrícia Horta, Coordenadora de implantação do curso a distância “Mídias na Educação” no Estado de São Paulo (parceria entre MEC, UFPE e NCE-USP).
Tema: O caráter educomunicativo do programa Mídias na Educação
José Augusto de Melo Neto, do Centro de Mídias na Educação do Estado do AM - Seduc-AM. Tema: A especificidade educomunicativa do programa “Ensino Médio Presencial mediado por Tecnologias”
Luiz Fernando Santoro, ECA/USP.
Tema: Potencial aberto ao educomunicador pela convergência midiática

18h00 – Lançamentos:
Revista Comunicação e Educação (ECA/USP – Edições Paulinas)
Livro “Do MEC a WEB” - Coord. Nelson Pretto e Sandra Tosta.

24 de agosto
09h00 – 10h30
Painel III– A interface comunicação e educação, na universidade: pesquisa e extensão
Coordenação: Sandra Pereira Tosta, Faculdade de Educação, PUC/MG.
Tema: Pesquisa e extensão sobre a interface Comunicação e Educação no âmbito da Educação
Maria da Graça Setton, FE-USP
Tema: A pesquisa em torno da interface Comunicação e Educação na Faculdade de Educação da USP
Maria Aparecida Baccega, Professora do Programa de Pós-Graduação da SPM.
Tema: Pesquisa e extensão desde a Comunicação: o papel da revista Comunicação & Educação da ECA/USP
Ana Julia Campos – pós-graduanda no ILCE – Instituto Latino-americano de Comunicación Educativa, no México.
Tema: A experiência de pesquisa em educomunicação no México

11h00 – 12h30
Painel IV – O profissional da Educomunicação
Coordenação: Vivian Romão, Editora da Viração, revista, site e movimento social.
Tema: O papel e as funções dos profissionais da Educomunicação: a experiência da revista Viração
João Alegria, Gerente de Programação e Jornalismo do Canal Futura.
Tema: O caráter educomunicativo da programação do Canal Futura
Marina Rosenfeld, Coordenadora do núcleo de tecnologias em educomunicação da Associação Cidade Escola Aprendiz.
Tema: O profissional da educomunicação nos espaços da educação não formal
Maria Cristina Costa – Coordenadora do Curso de Especialização em Gestão da Comunicação. Tema: O gestor da comunicação: projetos voltados para a educomunicação.

14h30 - 17h00
Painel V – A Licenciatura em Educomunicação
Coordenação: Ismar de Oliveira Soares, CCA-ECA-USP.
Tema: Razões da opção pela Licenciatura, perspectiva a partir da comunicação
Adilson Odair Citelli, CCA-ECA-USP.
Tema: Razões da opção pela Licenciatura: perspectiva a partir da Educação
Roseli Fígaro, Comissão de Graduação do CCA-ECA-USP.
Tema: Estrutura curricular da Licenciatura

Fonte: ECA/USP/ Mídias na Educação/

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Educação: como as avaliações podem contribuir efetivamente para melhorar a qualidade de ensino

A divulgação de resultados do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) traz à tona uma série de questionamentos envolvendo não só a qualidade do ensino brasileiro, mas também a importância e as deficiências das avaliações nacionais.

Em meio a esse debate, o Unicef, a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) lançou na última semana a publicação "Caminhos do Direito de Aprender", que retrata experiências de 26 municípios que conseguiram melhorar de maneira considerável o seu Ideb entre 2005 e 2007.

Realizada entre outubro de 2008 e março de 2009, o estudo abrangeu municípios de diferentes portes - de 3.814 (Pejuçara/RS) a 720.070 habitantes (Campo Grande/MS) - , contemplando todos os estados da federação. Foram entrevistados dirigentes municipais de educação, professores, alunos, pais, funcionários, coordenadores pedagógicos e parceiros das redes, tendo como questão central os fatores responsáveis pela melhoria do Ideb no município.

A parte inicial do livro destaca que "os pesquisadores identificaram um processo ativo de trabalho conjunto, de persistência e de determinação realizado de forma articulada por diversos atores que compõem a comunidade escolar".

A publicação enfatiza ainda que a divulgação do Ideb foi decisiva para transformação da realidade da educação na cidade. "Nos 26 municípios visitados pelos pesquisadores, o Ideb apareceu como fator conscientizador, agregador e impulsionador, que desencadeou uma mobilização geral da comunidade e chamou todos à responsabilidade de garantir um ensino de qualidade".

Essa mobilização e responsabilização de cada um dos atores envolvidos no processo de aprendizagem permitiram que diversos fatores fossem trabalhados concomitantemente, propiciando avanços nos indicadores.

Dentre esses fatores, destaca-se a formação dos professores, mencionada por 24 dos 26 municípios como fundamental para melhoria dos resultados. Os municípios com melhores resultados no Ideb, acima de 6,0, apresentam taxas superiores a 80% de professores graduados. A média nacional, de acordo com o Censo Escolar 2007, é de 68,4%.

Uma outra conclusão da pesquisa foi a importância da relação escola e comunidade na garantia do direito a aprendizagem. Foi recorrente na fala dos entrevistados os ganhos obtidos em termos de qualidade do ensino quando é feita a gestão democrática das políticas de educação - o que vai desde a participação dos pais nas decisões até a oferta de atividades culturais e esportivas para a comunidade nos finais de semana e no contraturno.

Debate

Diversas questões mencionadas na publicação do Unicef foram discutidas também no debate promovido pela revista Época na terça (20/07). Compuseram a mesa os especialistas Reynaldo Fernandes, ex-presidente do Inep, Maria Helena Guimarães Castro, ex-secretária estadual de Educação de São Paulo, e José Marcelino Rezende, professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto e especialista em financiamento da educação.

Para Fernandes, "estamos vivendo no Brasil uma mobilização pró-qualidade da educação e isso teve impacto nos resultados do Ideb". Maria Helena também se mostrou otimista em relação aos dados: "Há um quadro de melhora tendencial".

Ela atribuiu os avanços no índice ao combate à cultura da repetência, fortemente defendida nas escolas até a década de 90. "O fluxo escolar tem efeito real sobre aprendizagem", analisou.

A ex-secretária de educação ponderou ainda a necessidade de se realizar análises mais rigorosas e detalhadas dessas avaliações. "Faltam relatórios pedagógicos dos resultados que ensinem as escolas sobre como utilizar os resultados para melhorar a qualidade do ensino", destacou Maria Helena, mencionando São Paulo, Minas Gerais, Ceará e Acre como estados que tem elaborado bons relatórios.

Já Rezende fez uma série de críticas ao indicador. Inicialmente, traçou um histórico da criação no Brasil das políticas de avaliação, mencionando desde o desmonte do Inep - instituição ligada ao MEC responsável pelo desenvolvimento das pesquisas educacionais - até o pressuposto inicial a partir do qual foram elaboradas: a de que o investimento destinado à educação era suficiente.
"As condições objetivas [de oferta da educação] eram tomadas como adequadas", lembrou.

"Hoje, o Fundeb destina R$ 120 por mês por aluno, enquanto o valor médio da mensalidade de uma escola particular é de R$ 500", comparou.

Na visão do professor, a política de avaliação atual leva em consideração apenas o "produto" - o aluno - quando, na verdade, é preciso monitorar todo o processo. Por essa razão, também considera um erro a divulgação de rankings das escolas, sem haver qualquer ponderação nas notas do nível socioeconômico dos alunos. "A nota diz muito sobre o capital cultural do aluno, mas diz muito pouco sobre a escola", destacou.

Outro problema do Ideb apontado por Rezende está na sua composição. "A taxa de aprovação [um dos indicadores que compõem o índice] sinaliza pouco. Pode se alterar sem que isso signifique uma melhoria do aprendizado". Nesse sentido, defende a inclusão de indicadores que mensurem as condições de oferta do ensino, como, por exemplo, o nível de formação dos professores e a infraestrutura da escola. "Qualidade está ligada a insumos", salienta.

Vale lembrar que Rezende é um dos idealizadores do CAQ, o Custo Aluno Qualidade, que define o valor mínimo que deve ser investido por aluno para a oferta de um ensino de qualidade.

Fonte: CENPEC

Educação: a equação do futuro

A educação do amanhã substitui a padronização pela criatividade e troca o foco no currículo pela atenção ao aprendiz
(Entrevista concedida ao jornal O Estado de S.Paulo, publicada na edição de 25 de julho de 2010)

Flávia Tavares, de O Estado de S. Paulo

Ano após ano, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) reprova o Brasil no quesito igualdade. O ranking das escolas com melhor desempenho reproduz o abismo da diferença entre a qualidade do ensino oferecido em instituições públicas e privadas. Assim, distancia ainda mais os alunos com a garantia de um futuro bem-sucedido nas universidades dos que engordarão a massa de trabalhadores com escolaridade limitada. O teste final que as avaliações da educação brasileira propõe é como resolver um problema antigo com soluções diferentes e inovadoras.

Para Andreas Schleicher, diretor de Programas de Análise e Indicadores em Educação da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e responsável pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), os dados de verificações como o Enem podem sugerir alguns caminhos. Mas a resposta está mesmo na formulação de um novo modelo de educação, "menos centrado no currículo e mais no aprendiz". "Precisamos entender que a aprendizagem não é um lugar, é uma atividade. Sistemas educacionais precisam reconhecer que os indivíduos aprendem de formas diferentes", diz o físico alemão.

Em entrevista por e-mail, Schleicher defende que, quanto mais autonomia a escola e os professores tiverem, maior será sua interação com os alunos. Além disso, os educadores terão de reinventar suas ferramentas para formar jovens preparados para problemas que nem sequer surgiram ainda. "No passado, professores sabiam que o que eles ensinassem duraria por toda a vida do aluno. Nos dias de hoje, a escola precisa preparar os estudantes para profissões que não foram criadas e tecnologias que não foram inventadas." Schleicher faz ainda um alerta aos gestores de educação: "As nações que não têm bons fundamentos nunca pagaram um preço tão alto por essa deficiência".

Quais as razões para avaliarmos tanto os estudantes, com exames ao fim de cada nível de escolaridade? É para filtrar quem deve chegar ou não ao ensino superior?

O propósito das avaliações não é prioritariamente o de definir caminhos de entrada ou saída para os estudantes, mas sim o de identificar necessidades e melhorias no processo de ensino. Bons sistemas de avaliação reconhecem que um aprendizado de excelência abrange tanto o processo quanto seu conteúdo. O resultado dessas avaliações não produz apenas notas para as escolas, mas tenta fornecer uma compreensão abrangente sobre os estudantes e as estratégias conceituais que eles usam para resolver problemas.

O que mais se aproveita do resultado desses exames?

As verificações melhoram o aprendizado de alunos, professores, administradores de escolas e formuladores de políticas públicas. A partir delas, pode-se construir um quadro claro para atribuição de responsabilidades. Isso significa gerar informação que pode ser transformada em ação. Boas avaliações deixam professores mais conscientes de suas deficiências e isso normalmente resulta numa mudança de comportamento. Em vez de simplesmente selecionar e filtrar aqueles que parecem ser os alunos mais talentosos, escolas e professores competentes usam esses dados para distinguir os alunos extraordinários dos medianos, para estimular a capacidade individual.

Qual a importância desse estímulo?

É simples: as oportunidades para aqueles bem educados nunca foram tantas, mas também os indivíduos - e as nações - que não têm bons fundamentos nunca pagaram tão caro for essa deficiência. Na verdade, o preço econômico e social que as sociedades pagam por não educar bem a totalidade de suas crianças é muito mais alto do que seria o investimento na própria educação.

Números do Enem mostram que o Brasil ainda sustenta uma enorme diferença entre o ensino particular e o privado. Estamos investindo pouco em educação?

É importante analisar o contexto dos dados do Enem. Essa é outra lição que bons sistemas de avaliação nos dão: a comparação deve ser feita entre diferentes períodos da mesma escola, para se analisar quanto ela melhorou. O mesmo parâmetro é verdadeiro quando comparamos países. Não é possível comparar substancialmente países como Finlândia e Japão com o Brasil sem levar em conta o contexto socioeconômico. Na verdade, quando se considera esse pano de fundo, o Brasil está entre os mais bem-sucedidos em melhorar seu desempenho educacional e a igualdade. Sistemas educacionais sempre falam de igualdade e agora nós conseguimos medir seu sucesso nisso, na forma como as escolas conseguem moderar o impacto que o background social tem na educação.

O que países como Finlândia e Japão têm a nos ensinar?

Educação de alta qualidade existe em todo o mundo. Na América do Norte, o exemplo é o Canadá. Na Europa, a Finlândia. Na Ásia, temos Japão, Coreia do Sul e Cingapura. Eles são diferentes entre si, mas têm pontos em comum relevantes. Primeiramente, onde estudantes atuam num ambiente caracterizado pelas expectativas de um bom desempenho a relação com os professores melhora e o moral dos educadores aumenta. Muitos países mudaram suas prioridades, saindo do simples controle dos recursos e do currículo para um foco maior nos resultados do processo educacional. Isso tem direcionado esforços no sentido de uma articulação das expectativas que a sociedade tem e a tradução dessas expectativas em parâmetros e objetivos.

O que esses parâmetros determinam?

Eles ajudam a estabelecer conteúdos rigorosos e coerentes em todos os níveis de escolaridade; reduzem as diferenças de currículos entre esses níveis; diminuem a variação desses currículos de classe para classe; facilitam a coordenação de formuladores de políticas públicas; reduzem a desigualdade de currículos entre diferentes grupos socioeconômicos. Muitos sistemas somaram o desenvolvimento desses parâmetros a uma maior atribuição de responsabilidades à linha de frente do ensino, encorajando escolas a dar respostas assertivas aos problemas locais e ajudando escolas e professores a fazer isso de forma significativa.

Como dar essa autonomia a escolas e professores?

Parâmetros claros e específicos permitem acesso às melhores práticas profissionais nas escolas e ajuda os professores a expandir seu repertório de estratégias pedagógicas para personalizar o ensino para todos os alunos e adotar abordagens inovadoras. Os melhores sistemas educacionais do mundo escolhem as pessoas certas para se tornarem professores porque sabem que a qualidade de educação será proporcional à qualidade do corpo docente e porque a escolha errada desses profissionais pode resultar em 40 anos de ensino fraco. Países como a Finlândia e a Coreia do Sul recrutam seus professores entre os 10% dos que se formaram nos primeiros lugares.

E com relação às escolas?

Na maioria dos países exemplares as escolas se tornaram um ponto chave na reforma educacional, e elas são responsáveis pelos resultados que apresentam. Na Finlândia, por exemplo, o planejamento estratégico acontece em todos os níveis do sistema. Cada escola discute a visão nacional do assunto e, paralelamente, o que essa estratégia representam para ela. O mais impressionante nos ótimos resultados de países como Finlândia e Canadá não são apenas as altas médias de desempenho, mas o fato de eles conseguirem que todos os estudantes e as escolas alcancem essa média. A eventual intervenção e apoio nas escolas não é a aplicação de ideias pré-concebidas - ao contrário, trata-se de diagnosticar problemas em cada escola e desenvolver soluções personalizadas. Também se trata de garantir que as escolas que encaram os maiores desafios tenham acesso aos professores e diretores mais talentosos.

Ou seja, profissionais do ensino têm mais responsabilidades.

Exato. Em todos os países que se saíram bem no Pisa, é responsabilidade das escolas e dos professores se engajar na diversidade de interesses dos estudantes, em suas capacidades diferenciadas e em seus diversos contextos socioeconômicos, sem a alternativa de fazer o aluno repetir de ano ou se transferir para uma escola menos exigente - atalhos normalmente usados em países com desempenhos ruins, onde os diretores de escola e professores podem enganar a si próprios dizendo que fizeram a coisa certa, mas têm os alunos errados.

Como a tecnologia está transformando os antigos modelos de ensino?

Uma palavra-chave para o uso da tecnologia na educação costumava ser o aprendizado "interativo". Agora, ele precisa ser "participativo". E, embora a educação a distância seja uma peça importante da educação no futuro, o ensino permanecerá uma experiência humana. Nas gerações passadas, professores sabiam que o que eles ensinassem duraria por toda a vida do aluno. Hoje, a escola precisa preparar os estudantes para mudanças econômicas e sociais mais rápidas do que nunca, para profissões e tecnologias que não foram inventadas e problemas que ainda não sabemos se surgirão. Como podemos criar uma cultura de educação para a vida inteira e para todas as áreas da vida que atinja a todos? O dilema dos educadores é que as habilidades cognitivas rotineiras, aquelas fáceis de ensinar e de avaliar, são também as mais facilmente digitalizadas, automatizadas e terceirizadas. O sucesso em educação não é mais a reprodução de conteúdo e conhecimento, mas é a capacidade de aplicar esse conhecimento em situações inéditas.

Dê um exemplo.

A questão não é se o ensino da matemática deveria ser mais ou menos rigoroso. O desafio é garantir que a matemática não se restrinja a um mundo de equações e teoremas, mas se transforme numa linguagem que permita aos alunos descrever, estruturar e compreender o mundo. O caminho até esse ponto é desafiador.

Estamos nos preparando para esse desafio? Qual seria o modelo de ensino ideal para o século 21?

Num sistema educacional antigo e burocrático, professores eram deixados sozinhos nas classes com uma receita do que ensinar. O modelo moderno estabelecerá objetivos ambiciosos, será mais claro sobre o que os estudantes devem se tornar capazes de fazer, atribuirá responsabilidades e arregimentará professores com ferramentas para ensinar seus alunos individualmente. A educação do passado se resumia a um conhecimento despejado, a do futuro é um conhecimento gerado por professores e estudantes. No passado, alunos diferentes eram ensinados da mesma forma. Hoje, o desafio é incluir a diversidade no ensino. O objetivo do passado era a padronização. Agora, é a criatividade, a personalização das experiências. O passado era centrado no currículo, o futuro é no aprendiz. Nós também precisamos entender que a aprendizagem não é um lugar, é uma atividade. Sistemas educacionais precisam reconhecer que indivíduos aprendem de formas diferentes - inclusive, de formas diferentes ao longo de suas vidas.

Fonte: O Estado de São Paulo - 25/07/2010

Educação exige participação de todos os atores

Muitos são os fatores que medem o desempenho escolar. Indicadores devem ser vistos com olhar crítico

Por Salvatore Carrozzo

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2009, divulgado no início do mês,apontou que o ensino na Bahia está mal das pernas. Apuarema, no sul do Estado, ocupa o último lugar da lista, com nota 0,5. A nota vai de zero a dez; a Bahia obteve média 3,4. A meta para o Brasil é seis para o ano de 2022.

Entretanto, há casos que fogem à regra. Muitos são os fatores que levam uma escola pública localizada em um bairro pobre e com altos índices de violência a obter uma nota dez vezes maior que a de Apuarema.

A escola municipal Recanto dos Coqueiros, espremida entre casas sem planejamento urbano em Pituaçu, não conta com professores de artes, informática ou educação física (o único lugar onde as crianças podem correr é um corredor). Nesse cenário, a nota5,2 destoa da maioria das escolas da capital baiana. Na primeira edição do índice,em 2005, a nota foi 1,4, uma das piores de Salvador.

Para Norma Baião, diretora da unidade desde 2005, o segredo está no empenho daqueles que trabalham com educação (“do porteiro à direção”, ressalta). Na opinião de Norma, os baixos salários não devem servir de desculpas para a falta de empenho.

“Quem entra na rede pública sabe como as coisas são”, acredita.

Liberdade apertada
Outra escola com bom desempenho no último Ideb é a Maria Bonfim. Funcionando precariamente em um imóvel alugado na Liberdade e com pouco mais de cinco metros de largura (na parte de cima funciona um escritório de advocacia), a escola teve nota 5,3 no último Ideb (quatro anos antes, obteve 2.8).

“Aqui,quando aluno começa a faltar, ligo logo para saber o que está acontecendo”,pontua a diretora Iracema Nery.

Coordenador de um grupo de pesquisa em gestão educacional na Uneb, o professor Eduardo Novaes é enfático em relação ao engajamento dos educadores no dia a dia da escola. “Se o profissional é desinteressado, o ensino não funciona, mesmo que a estrutura seja excelente”, diz.

Para Novaes, índices como o Ideb e o Enem são, a princípio, válidos. Entretanto, acredita, é preciso manter sempre o debate e questionar o que é uma “boa escola” para definir quais os indicadores.

Poucos alunos Um ponto em comum entre as duas escolas é a média de alunos por sala (vinte estudantes).

“Isso favorece o ensino. Dessa forma, conseguimos lidar com eles de maneira individualizada”, afirma Iracema.

A professora Cleide Marques, da Recanto dos Coqueiros, já passou por outras escolas da rede. “Nelas, o comportamento dos alunos era pior”, afirma.

Na rede municipal,amédia é de 25 a 30 alunos por turma (número 25% a 50% maior que das escola em Pituaçu e na Liberdade), afirma Manoel Calazans, coordenador de ensino e apoio pedagógico da Secretaria Municipal de Educação.

“O antigo modelo, de grandes escolas, começa a ser repensado entre os gestores”, opina. Sobre as metas soteropolitanas impostas para 2021 (passar de 3,7 a 5,1 no 5º ano e de 2,8 a 4,5 no 9º ano), Calazans resume: “é um desafio muito grande”.

O professor da Faculdade de Educação da Ufba José Albertino Lordelo defende o período integral de atividades aos estudantes como forma de melhorar o ensino. “A educação pública, de fato, é um horror”, diz Lordelo, que pesquisou a gestão escolar na Bahia durante doutorado.

O especialista aponta ainda altos índices de evasão escolar como outro ponto negativo – e aluno fora de sala é premissa básica para queda nos indicadores. Educacionais e sociais.

Fonte: Jornal A Tarde de 26 de julho de 2010

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Projeto Ler e Pensar e a evolução do IDEB

No dia 15 de julho, durante o 5º Seminário Nacional sobre o professor e a leitura de jornal, a pedagoga Mary Natsue Ogawa, da Secretaria Municipal de Educação de Curitiba, apresentou os resultados de pesquisa sobre o desenvolvimento das escolas cadastradas no Projeto Ler e Pensar, do Instituto RPC, e as contribuições do jornal para a aprendizagem escolar. Ogawa mostrou que o projeto contribui para o aumento do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica - IDEB.

Para apresentar os resultados, o estudo contou com um acompanhamento desde o conhecimento do planejamento dos professores e cadernos dos alunos, passando pelas capacitações oferecidas pelo Instituto RPC e conferência dos índices avaliados pelo MEC.

Para a pedagoga, “o acompanhamento dos trabalhos desenvolvidos nas escolas dessa Rede Ensino aponta para uma significativa melhora na produção textual, indicando ampliação do vocabulário, aperfeiçoamento quanto à utilização da gramática e ortografia, e textos mais críticos dos estudantes das unidades de ensino pesquisadas”. Uma das escolas pesquisadas apontou evolução no IDEB de 4.6, em 2007, para 5.7, em 2009.

Sem desconsiderar os outros fatores que compõe o Índice, Ogawa foi categórica ao dizer que o Projeto Ler e Pensar contribuiu para o aumento do IDEB em Curitiba ao estimular o exercício de uma leitura crítica e atual. “O jornal é mais do que um material didático, é um elemento midiático que permite estimular a criticidade”, afirmou. Para ela, a participação e o interesse do aluno no projeto se devem ao fato de o jornal ser um veículo contextualizado, que faz parte da vida dos estudantes.

O Ler e Pensar atua no município de Curitiba desde 1999 e está presente, atualmente, em mais de 70 escolas. Trata-se do único projeto que pode acontecer no horário das aulas, já que possui interação com a grade curricular e contribui para a efetivação do planejamento do professor.

Fonte: A Gazeta do Povo/ Ler e Pensar

Coordenadores de programas Jornal e Educação do Brasil participam de seminário em Campinas

Cerca de 35 coordenadores de Programa Jornal e Educação no Brasil participaram do V Seminário Nacional O Porfessor e a Leitura de Jornal: Educação, Mídia e Formação Docente, na UNICAMP, entre 14 e 16 de julho. Além de reuniões do grupo, que se reúne a cada ano para discutir novas estratégias de ação, troca de experiências e apresentações.

O seminário foi uma realização da Associação de leitura do Brasil (ALB), Rede Anhaguera de Comunicação (RAC), Programa Jornal e Educação da Associação Nacional de Jornais (PJE/ANJ), Faculdade de Educação da UNICAMP e grupo de pesquisa Alfabetização, Leitura e Escrita, da FE/Unicamp.

Abaixo, fotos dos coordenadores:



Criatividade em sala de aula

O período de férias está terminando. Daqui há pouco os educadores voltarão para as escolas e começarão a preparar o planejamento pedagógico para o segundo semestre.

Pensando nisso, o Blog de Educação trás duas dicas para que os educadores voltem a exercitar sua criatividade em sala de aula e incluam em seus planejamentos essa ação motivadora.

A educadora Maria Luiza Kraemer, autora de vários livros publicados, dá cinco dicas super bacanas no Portal da Educação sobre jogos educativos no ambiente escolar.

Acesse o Portal da Educação.

Tem ainda o Portal Cultura Infância, onde você encontra um estudo que auxilia na identificação de fatores que contribuem para a expressão da criatividade em sala de aula.

Bom retorno para sua escola!

Fonte: Valeska Andrade/O Povo na Educação