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quinta-feira, 15 de julho de 2010

Mídias na sala de aula transformam aprendizagem

Marcela Pastor

Os jornais e revistas fazem parte da vida de muitos brasileiros, mas seu uso ainda não é uma rotina em grande parte das salas de aula. Entre outros assuntos, este é um dos mais discutidos no 5° Seminário Nacional – O Professor e a Leitura do Jornal, que começou ontem e termina amanhã, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Fátima Picconi, formada em pedagogia e mestre em educação, partilha dessa discussão. “O jovem não gosta de ler jornal se ele tiver isso como obrigação”, comenta. Para ela, é preciso trabalhar assuntos da atualidade utilizando jornal impresso e on-line dentro da sala de aula, pois com isso ele terá um senso crítico aguçado e o mundo dos alunos é trazido para dentro da sala de aula. É o que também conta Ayne Regina Gonçalves, jornalista e professora. “Hoje não é possível mais lecionar estaticamente. Então, com muito critério, é preciso usar textos de jornais. Além disso, eles ajudam a tornar as aulas mais dinâmicas”, explica.

Além de ser uma ferramenta adicional nas salas de aula, os jornais e mídias ainda ajudam o jovem a ser um formador de opinião. “A escola deve ser vinculada com todos os assuntos do cotidiano e os jornais devem fazer parte disso”, explica Tânia Regina, da Secretaria de Educação de Indaiatuba.

Mesa-redonda discute jornalismo literário e científico

Marcelo Casagrande

O segundo dia de atividades do 5º Seminário Nacional “O Professor e a Leitura de Jornal”, que ocorre até amanhã na Universidade Estadual Campinas (Unicamp), foi marcado por três mesas-redondas. Entre os temas abordados, estiveram o Jornalismo Literário, Jornalismo Científico e o livro-reportagem. Participaram do evento Edvaldo Pereira Lima, da Escola de Comunicação e Artes (ECA), da Universidade de São Paulo (USP), e fundador da Academia Brasileira de Jornalismo Literário (ABJL), e Susana Oliveira Dias do Laboratório de Estudos de Jornalismo (Labjor), da Unicamp. A atividade foi mediada pelo jornalista e professor da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) Fabiano Ormaneze.

“O jornalismo literário busca contar histórias humanas com dignidade, qualidade estética e sabor”, define Pereira Lima. O autor do livro “Páginas Ampliadas: O livro-reportagem como extensão do jornalismo e da literatura” explica que a modalidade de livro-reportagem está em pleno crescimento. Esse sucesso pode ser associado ao texto atraente e sensorial que permite o leitor mergulhar em histórias reais.

Susana defendeu que a literatura pode ser um meio eficiente para tornar as ciências mais agradáveis aos leitores. Ela afirma que os temas ligados à biotecnologia, por exemplo, são distantes da realidade de muitas pessoas. “Nós temos acesso a um conjunto de sonhos, de imaginação que são jogados para gente em qualquer momento”, reflete. A profissional complementa dizendo que um assunto pode ser fiel aos conceitos técnicos, mas se apresentado de forma acessível à massa.

A aproximação de conteúdos jornalísticos literários das salas de aula desperta o interesse dos jovens pela leitura. Para Cida Sepulveda, escritora e professora da rede pública de Campinas, a opção por textos jornalísticos favorece o trabalho, já que aproximam as informações da realidade dos alunos. “Trabalho em uma escola do Parque Oziel e meus alunos conseguem ver o próprio cotidiano retratado nas matérias do jornal”, conta a professora que acredita que o interesse pela leitura é maior neste tipo texto.

Amanhã, último dia do Seminário, a programação contará com mesas redondas e uma conferência de encerramento com a psicóloga Rosely Sayão. As atividades começam às 9h e a cobertura completa pode ser acompanhada no blog Programa Jornal da Educação, da ANJ.

Política pública é palco de debate

Mídia e educação foram principais assuntos da mesa redonda

Marcela Pastor

Chega ao seu segundo dia o 5° Seminário Nacional – O Professor e a Leitura de Jornal e, com ele uma discussão sobre as perspectivas de políticas públicas no cenário da mídia e da educação. Formando a mesa redonda estavam presentes Alexandra Bujokas de Siqueira que trabalha com comunicação e educação, Regina de Assis que é consultora em Educação e Mídia e a mediadora da mesa Cristiane Parente.

Entre os principais assuntos discutidos estavam como deve ser trabalhada a política pública para que exista uma base sólida tanto na educação quanto na mídia do país. Para Regina de Assis é preciso transformações. “O Brasil precisa de transformações e, para isso, as políticas públicas devem ser repensadas”, diz a consultora. Outro ponto bastante comentado foi a necessidade de infra-estrutura nas escolas tanto públicas como particulares para que as mídias (jornais, revistas, internet e televisão) possam fazer parte do currículo do aluno. Para isso, é necessário recursos para que os professores possam trabalhar com os alunos.

A capacidade de leitura em diferentes mídias é praticamente a mesma, o que difere entre jornais, revistas e internet é o suporte e os códigos, já que sua existência e localização no contexto social permanecem. O aluno consegue encontrar determinado assunto na mídia impressa e online, mas sua capacidade de discernimento e interpretação do texto depende dele mesmo. É exatamente nesse ponto que Alexandra trabalha, para que os alunos tenham uma leitura crítica daquilo que a mídia mostra. “É preciso formar um leitor crítico que entenda os meandros da produção da mídia”, complementa. Alexandra que também já lecionou para o curso de Jornalismo destaca que a mídia tem mais poder que o público, pois essas instituições exercem todas as formas de poder, gerando assim desigualdade.

Ambas acreditam que a primeira transformação deve se dar a partir da política pública e que isso deve ser cobrado dos políticos. “Quem entende de comunicação e mídia deve cobrar. Cabe a cada unidade escolar ter orientações e olhar para seus alunos”, finaliza Regina.

A agenda de seminários continua até o dia 16 de julho, mas as inscrições já estão encerradas. Para quem quiser saber mais sobre o evento continue acompanhando as matérias da equipe de reportagem pelo blog.

Mesa redonda discute Cibercultura e Multimídia como desafios para formação educacional

Por Alessandro Azevedo

Em função de uma sociedade cada vez mais acostumada as reorganizações sociais causadas pelas tecnologias, os professores são convidados a repensar a maneira que atuam nas escolas diante do ciberespaço que permeia as relações pessoais e escolares.

Os professores Wendel Freire da Faculdades Souza Marques, Marco Silva e Edméa Santos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, estiveram presentes em uma mesa redonda no 5º Seminário Nacional – O Professor e a Leitura do Jornal, para discutir o tema, “Educação, Cibercultura e Multimídia”.

De acordo com a literatura, o ciberespaço corresponde as hiperpotências, hipercapitalismo, hipertexto e hiperlink, que se relacionam com as apresentações e representações dos modos atuais de expressão da sociedade moderna.

Para o professor Marco Silva da UERJ, o conceito de ensino ainda é relacionado ao modelo de repetição e memorização, entretanto, as novas gerações que emergem com a cibercultura exigem uma mudança na postura dos professores, “é importante discutir a docência e a formação de professores capazes de educar nestes tempos de cibercultura, quando os alunos que aprendem diante da televisão, internet estão cada vez menos passivos perante as informações recebidas”.

Diante da cibercultura que tem como conceito principal um emissor que envia uma mensagem aberta, modificável, a todos os leitores que podem interferir no que é enviado, não agindo passivamente, mas sim, convidado a interagir e intervir no que é dito, pode-se concluir que as novas tecnologias, internet e blogs permitem uma maior liberdade de pensamento e ações.

É importante que os educadores compreendam a necessidade de autoria, a importância de utilizar o computador e as novas tecnologias como instrumento cultural de aprendizagem.

Para Edméa Santos, professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, o desenvolvimento de cultura e educação são mediados e, portanto, computador e internet permitem que pessoas interajam e produzam conhecimento, “muitas vezes professores são instruídos a apenas reproduzirem um conteúdo, poucas vezes o educador é autorizado a produzir, a pensar seu próprio conteúdo, tornando-o um mero consumidor, e não um produtor”.

Os professores participantes da mesa compartilham a idéia de co-criação, autoria e inteligência artística, baseados no conceito de interatividade em que o professor participa, intervêm, e pressupõe a participação do aluno, através da criação de conteúdo por meio das ferramentas oferecidas pelo avanço tecnológico.

Cinema e educação para produção de conhecimento

Por Alessandro Azevedo

“Existe uma grande diferença entre artefatos tecnológicos e tecnologia”, é com essa frase que o professor Carlos Eduardo Albuquerque Miranda, professor da Faculdade de Educação da Unicamp, iniciou a conferência intitulada “Fazer cinema na educação escolar – a construção de um sonho na formação de professores”, durante 5º Seminário Nacional – O Professor e a Leitura do Jornal - que acontece até o próximo dia 16 de julho em Campinas.

Na oportunidade, o professor defendeu a ideia de uma pedagogia em que o professor assuma o papel de interlocutor e em parceria com os alunos assuma os riscos da produção do conhecimento e pensamento através do domínio de artefatos tecnológicos para a produção de cinema com a finalidade de educar.

“É importante que as pessoas não sejam apenas espectadores críticos, mas sim, que saibam como acontece todo o processo de produção e edição de conteúdo. Não queremos criar professores cineastas, mas sim, produtores de conhecimento”, afirma o professor.

Com o avanço e o maior acesso à tecnologia digital, a educação escolar passa por um dilema entre reprodução e produção, para Albuquerque, é necessário que o professor saiba como utilizar a linguagem audiovisual para trazer conhecimento aos alunos, uma vez que desde os primórdios do cinema, elementos da sociedade e do cotidiano são inseridos durante o processo de produção de imagem, o que diretamente gera conhecimento e, portanto, educação.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Oficinas auxiliam professores no trabalho com mídias

Dez atividades ocorrem simultaneamente durante o 5º Seminário

Marcelo Casagrande

Oficinas para auxiliar professores no uso de diversos tipos de mídia foram desenvolvidas durante o primeiro dia do 5º Seminário Nacional “O Professor e a Leitura de Jornal”. O evento é uma iniciativa da Associação de Leitura do Brasil (ALB), do projeto Correio Escola, do Grupo RAC, e da Associação Nacional de Jornais (ANJ). As atividades, que se estendem até a próxima sexta-feira, reúnem educadores da rede pública e particular de todo o país.

O uso das histórias em quadrinho nas salas de aula ainda desperta dúvidas por parte dos professores. Para isso, a oficina ministrada pelo jornalista DJota Carvalho, do Grupo RAC, apresentou a evolução deste meio de comunicação. “Os quadrinhos, em duas diversas modalidades, influenciam a humanidade. Estamos falando de uma opção multidisciplinar e de boa aceitação por parte dos alunos”, explica. A liberdade de criação, a possibilidade de trabalho em grupo e como aplicar os elementos nas aulas foram alguns dos tópicos abordados. A receptividade da primeira turma foi positiva e a interação entre os participantes foram pontos altos. “O legal da oficina é a possibilidade que os professores tem de dividir experiências”, comenta DJota.

Dulciley Ferreira da Silva é professora infantil da rede pública de Campinas e participou da oficina “Mitos na sociedade contemporânea”. Na atividade oferecida por Maria das Dores Maziero da Universidade São Marcos, foram abordadas as influências dos mitos na formação cultural e os reflexos que os deuses e heróis criam nas artes e na cultura. Dulciley acredita que a proposta foi bem trabalhada e as expectativas foram atingidas. “Já uso esse tema em sala de aula e percebi que ele foi tratado com muita propriedade”, opina a professora.

Outra opção de oficina é a “Jornal na escola”, apresentada por Ana Gabriela Borges do Instituto RPC e Editora Gazeta do Povo de Curitiba/PR. “Muita gente acha que o jornal está ultrapassado, mas isso não é verdade. É um veiculo atraente, viável e acessível para a grande maioria de salas de aula”, afirma. A profissional conta que as maiores queixas são pelo desconhecimento da estrutura do jornal e a falta de tempo para o trabalho com o veículo. Os participantes tiveram atividades práticas e teóricas o que otimizou a dinâmica.

O mundo dos blogs e a eficiência da ferramenta para alunos e professores foram conferidos na oficina ministrada por três profissionais do Colégio Notre-Dame, em Campinas. Como estimular o uso desta ferramenta educacional como complemento aos componentes curriculares e relacionar os blogs ao incentivo colaborativo, criativo e a critico foram debatidos. As atividades ocorrem em uma sala de informática o que permitiu a aplicação prática dos conceitos adquiridos.

Outras seis oficinas ocorrem simultaneamente: Leitura de diferentes mídias e o uso de celular na sala de aula, Edição digital e não linear na produção audiovisual, Estudo de leitura de textos na mídia, Vídeo na escola, Rádio na escola, Vídeo-documentário. As atividades se repetem nesta quinta-feira, das 14h30 às 17h30. Outras notícias podem ser acompanhadas no blog Programa Jornal e Educação, da ANJ, que continua com a cobertura completa do 5º Seminário.

Conferência sobre “Ética e multimídia” reúne professores em Campinas

Educador Mário Sérgio Cortella marca a abertura de Seminário Nacional

Por Marcelo Casagrande

Que o uso da tecnologia no ambiente pedagógico está se tornando uma realidade cada vez mais próxima, ninguém tem dúvida. Mas afinal, será se o Brasil está realmente preparado para essa mudança de cultura? Reflexões como essa foram levantadas na Conferência de abertura do 5º Seminário Nacional – O Professor e a Leitura do Jornal - que acontece até o próximo dia 16 de julho em Campinas. Na oportunidade, o filósofo e educador da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC São Paulo) Mário Sérgio Cortella apresentou prós e contras da relação do uso de meios multimídia e o ambiente pedagógico.

O conferencista acredita que a mentalidade pedagógica moderna não pode recusar a tecnologia, mas para isso o docente deve ter claro onde deseja chegar. “A aula independe dos recursos utilizados. A multimídia não é só tecnologia, mas também o corpo docente”, completa Cortella. Os desafios da educação são muitos e mudam a cada dia. Com a velocidade da informação e a ampliação de opções apresentadas, os profissionais da educação devem estar preparados para aprender e ensinar todos os dias sempre levando em consideração os princípios éticos. “A ética nos obriga a tomar posições. Temos que tomar cuidado com o óbvio para que ele não dificulte o trabalho na área de educação”, reflete o educador.

Apesar das constantes investidas na “alfabetização digital”, Cortella lembrou que a educação no país ainda precisa evoluir e se desenvolver. “No momento em que discutimos a digitalização, temos 15 milhões de homens e mulheres que não conseguem ler o lema da própria bandeira. Isso é ordem? Isso é progresso?”, comenta.

Ao longo da conferência, o educador relacionou o tema com exemplos filosóficos, casos históricos, filmes e artes. E foi a dinâmica adotada que chamou a atenção da estudante de pedagogia da Unifesp Mariana Taba. “O Cortella é didático e soube conduzir muito bem. Ele atingiu todos os presentes e conseguiu fazer com que refletíssemos muito sobre o assunto”, opina a universitária.

Para a professora da Escola Estadual Newton Pimenta Neves, em Campinas, Iolanda Soldatti, o evento foi enriquecedor. “Pude perceber que estou no caminho certo. Quando temos um objetivo traçado, conseguimos aproveitar o que a tecnologia pode oferecer”, conta a educadora que, para aproximar os alunos e ampliar a leitura de texto jornalísticos, criou um blog, o Blog da Dona.