Aqui você encontrará notícias, dicas de sites, cursos, músicas, eventos e atividades que estejam ligadas a projetos de Jornal e Educação e Jovens Leitores.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Inscrições para o Concurso Aprender e Ensinar Tecnologia Social prorrogadas até 16 de agosto

Educadores de todo o país ainda terão chances de participar do segundo Concurso Aprender e Ensinar Tecnologia Social, promovido pela Revista Fórum e pela Fundação Banco do Brasil. As inscrições para o concurso foram prorrogadas até 16 de agosto.

Serão cinco professores vencedores do concurso. Cada um receberá uma passagem para o Fórum Social Mundial de 2011, em Dacar, no Senegal, onde participarão de uma atividade para apresentar suas propostas. Os vencedores ainda receberão um troféu e terão suas iniciativas registradas em um banco de propostas para discutir tecnologias sociais na escola. Os inscritos terão direito a uma assinatura da revista Fórum até outubro de 2010 e um exemplar do livro "Geração de trabalho e renda" (Editora Publisher).

O objetivo do concurso é ampliar a divulgação e o conhecimento sobre tecnologias a favor do desenvolvimento sustentável das comunidades por meio do debate com professores, alunos do ensino fundamental e pessoas da comunidade. As tecnologias sociais tem mudado modos de vida de muitas cidades com produtos e mecanismos simples, aproveitando muitos dos saberes locais.
"É um orgulho para a revista Fórum poder realizar este concurso com a Fundação Banco do Brasil. No ano passado ele mobilizou cerca de 3 mil participantes, com professores do país todo. Neste ano queremos no mínimo repetir esse alcançe", afirma Renato Rovai, editor da Revista Fórum.

Para Claiton Mello, da Comunicação e Mobilização Social da Fundação Banco do Brasil, "a tecnologia social é uma ideia que está colocada como alternativa para diversas comunidades resolverem seus problemas nos âmbitos social, econômico e ambiental. Ela pode trazer uma solução com baixo custo, com envolvimento comunitário e processo de aprendizagem sobre seus problemas e soluções para eles". "Queremos que os professores da rede publica de ensino fundamental discutam isso no âmbito da escola e da própria comunidade", conclui.

Inscrições - Serão cinco professores vencedores do concurso. Cada um receberá uma passagem para o Fórum Social Mundial de 2011, em Dacar, no Senegal, onde participarão de uma atividade para apresentar suas propostas. Para se inscrever, o professor deve acessar o site www.revistaforum.com.br/ts até 24 de maio e relatar uma proposta de atividade de difusão de tecnologias sociais. Um comitê vai avaliar as propostas e selecionar dez educadores por região do país como finalistas. Eles participarão de um seminário em Brasília sobre o assunto no mês de julho e depois poderão elaborar um projeto detalhado de atividade. Os trabalhos serão julgados pela comissão e os vencedores serão anunciados no fim do ano.

Fonte: Fundação Banco do Brasil

Como melhorar a comunicação dentro da escola

DIVISÃO POR GRUPO Mari Fantoni, de Camboriú, e os murais para os professores e para as merendeiras. Foto: Sérgio Vignes

Certa vez, a diretora Firmina Viterbo Azevêdo, da EE Edvaldo Brandão Correia, na periferia de Salvador, resolveu colocar em um dos murais da escola um comunicado com o título Agenda do Diretor. A ideia era fazer com que todos soubessem o que ela estava fazendo nos vários horários - uma maneira de dar um pouco mais de transparência à sua gestão. No começo, alguns estranharam e queriam saber se teriam de participar de alguma das atividades ou se haveria mudanças na rotina escolar por causa delas. A boa iniciativa pegou todos de surpresa porque faltava à instituição uma cultura de comunicação interna, em que as várias equipes trocam informações com o objetivo de valorizar o diálogo e fortalecer o espírito de grupo. Um bom termômetro de que há ruído na comunicação é quando frases como "ninguém me avisou dessa reunião" se tornam comuns por parte dos funcionários e "eles não se interessam em ler o que divulgamos" vira uma queixa frequente dos membros da equipe gestora. Para criar uma cultura favorável à comunicação, o gestor deve fazer da troca de informações uma rotina, mostrando às pessoas que com ele trabalham que o conhecimento sobre as diversas atividades que acontecem na escola favorece a criação de um bom clima institucional. E isso só se consegue com trabalho permanente (leia o passo a passo no projeto institucional). Uma maneira de iniciar esse processo é contar com a ajuda de representantes de cada segmento (um dos servidores administrativos, outro das merendeiras, um ou dois dos docentes etc.). Eles terão a função de levar as informações aos pares e também trazer tudo o que acontece por lá para ser disseminado na escola. "A gestão sai ganhando muito quando cada setor tem uma pessoa responsável pelo fluxo dos informes. Isso porque há mais chances de entender um assunto quando ele é transmitido por alguém mais próximo", explica Marlene Marchiori, professora do Departamento de Comunicação da Universidade Estadual de Londrina (UEL).


O objetivo da mensagem determina a escolha do veículo
Ao iniciar o projeto de comunicação interna, um primeiro ponto a observar é o veículo utilizado. De nada adianta divulgar em conversas de corredor uma reunião cuja presença é obrigatória. A importância do que se vai comunicar é que determina o meio. A diretora Mari Inês Fantoni, do CAIC Jovem Ailor Loterio, em Camboriú, a 85 quilômetros de Florianópolis, conta que, quando o assunto é importante, ela passa uma lista com o comunicado e pede que todos assinem, confirmando a leitura. Foi o que ela fez recentemente para divulgar um encontro que não estava na agenda e no qual seria discutida a concessão de um espaço físico na escola para o centro comunitário. "Alguns professores eram contra e outros a favor. Todos precisavam ser avisados para garantir que as várias posições fossem defendidas. Ninguém poderia dizer que não foi avisado", lembra Mari. Um dos recursos mais utilizados pela escola para divulgar notícias e trabalhos realizados é o mural, que deve ter seu conteúdo renovado periodicamente. É aconselhável determinar uma frequência para sua atualização - pode ser todo dia ou uma vez por semana. Assim, as pessoas criam o hábito da leitura daquele espaço. Mas isso não impede que, quando haja a necessidade, se coloquem uma nova mensagem e um aviso maior chamando a atenção para a novidade. Mari Inês Fantoni, de Camboriú, usa fotos ou recortes e divide o mural por setores - um para o pessoal de serviços de apoio, outro para os professores etc. - e os coloca em pontos estratégicos - o das merendeiras ao lado da cozinha, por exemplo. Esses procedimentos ajudam o leitor a localizar os temas de seu interesse.


Para divulgar assuntos importantes, vale organizar reuniões
A reunião em si é uma ferramenta fundamental na comunicacão interna. Bastante eficiente para difundir assuntos importantes, ela permite que todos os presentes debatam, exponham suas opiniões e se posicionem. "Algumas podem ser colocadas na rotina da escola - como as de formação e as de equipe -, o que faz com que as pessoas saibam que naquele dia e horário têm um compromisso", afirma Alice Happ Botler, professora do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Além disso, é preciso haver uma condução eficiente dos trabalhos, garantindo uma linguagem clara nas exposições, a participação dos presentes, a conclusão e o registro do que foi discutido e o encaminhamento das ações seguintes para que a reunião não acabe no vazio. Outro ponto a receber atenção é o texto utilizado nos comunicados. Uma mensagem bem feita é aquela que é entendida pelo público-alvo. E, por mais simples que possa parecer, um texto de fácil compreensão é difícil de fazer. Uma linguagem confusa e rebuscada só provoca ruídos na comunicação. O grau de formalidade do texto vai depender do assunto - a convocação feita pela direção da escola para que os professores compareçam a uma reunião com representantes da Secretaria de Educação tende a ser mais sóbria do que o convite para o jogo final de um campeonato interno, por exemplo. Se a escola tiver computadores com acesso à internet, o e-mail é um meio prático e rápido para divulgar informações. Firmina Azevêdo, de Salvador, seguiu os passos para instalar uma comunicação interna eficiente e agora, quando não avisa onde está e o que está fazendo, é cobrada: "Outro dia, uma colega me ligou no domingo perguntando por que eu ainda não havia enviado a agenda da semana". No início do ano, ela criou um grupo de e-mail com os 86 docentes da instituição e agora manda tudo pela internet, inclusive a Agenda do Diretor. Ela ainda coloca mensagens nos murais e afirma que já percebeu que um dos efeitos de uma gestão mais transparente é a participação: "Agora, professores e funcionários sabem de tudo que acontece na escola".
Fonte: Revista Nova Escola- Ed.008-Junho/julho de 2010/Texto: Verônica Fraidenraich

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Falta de referência

De todos as temáticas relacionadas ao uso de tecnologia na educação, há uma que tem preocupado mais expressivamente os principais teóricos da área: a ausência de avaliações que indiquem os impactos das chamadas tecnologias da informação e comunicação (TICs) na sala de aula. A angústia não é só nacional. Os especialistas estrangeiros presentes na Conferência Internacional "O impacto das TICs na Educação", realizada pela Unesco em Brasília, no mês de abril, compartilharam o esforço pela busca de metodologias capazes de responder à seguinte pergunta: afinal, a tecnologia pode ou não ter impacto positivo na aprendizagem do aluno?

As tentativas se espalham mundo afora. Um documento produzido em 2006 pela Comissão Europeia em TICs avalia que há três tipos de estudos sendo conduzidos naquele continente. O primeiro, dedicado à avaliação em termos de infraestrutura e acesso, concentra-se na disponibilidade de computadores, número de computadores por escolas e nível de conectividade, entre outros. O segundo, considerado um nível acima do anterior, busca identificar e medir o uso da tecnologia no ambiente escolar e também seu uso doméstico, ambos com fins educacionais. Por último, há poucos que estudam se há ou não uma relação de causa e efeito entre tecnologia e educação. Para justificar a falta de produção nessa área específica, o documento cita a dificuldade encontrada pelos pesquisadores para isolar a tecnologia de todas as outras variáveis que incidem sobre a aprendizagem do aluno.

"Se a tecnologia está dentro de um conjunto de fatores que afetam o desempenho, como posso dizer que ela faz diferença?", questiona Ocimar Alavarse, professor da Feusp. Como fatores que moldam a aprendizagem, Ocimar cita o nível socioeconômico das famílias (e, consequentemente, do aluno) e o trabalho do professor. Para ele, além da tarefa de isolar a tecnologia como variável, é também preciso definir o tipo de uso que está sendo feito do computador. Por exemplo: há uma proposta pedagógica por trás da ferramenta? "O pesquisador precisa ir à escola para entender isso. Apenas um dia de estudo não dará essa resposta. Para a interferência externa ser diminuída, é preciso ficar no mínimo duas semanas ali", avalia.

A professora Leila Iannone, consultora da Unesco, acrescenta outros elementos que dificultariam o trabalho dos pesquisadores. A grande flutuação do corpo docente no sistema público é o primeiro deles. Muitos professores pedem afastamento, remoção ou licença das escolas onde trabalham. "Se você começa um projeto piloto, provavelmente na segunda etapa uma parte do corpo docente será perdida", explica. Outro problema é que, como a cultura avaliativa é recente nessa área, muitos apostam na avaliação ao final do processo e não do processo em si. "No Brasil, ainda é novo avaliar o passo a passo", diz.

Tentativa
Durante o Congresso, Miguel Nussbaum e Patricio Rodríguez, da Escola de Engenharia da Pontifícia Universidade Católica do Chile, apresentaram os resultados de um estudo que realizaram com mais de 200 alunos de nível socioeconômico baixo, provenientes de escolas públicas espalhadas pelo país. A dupla estudou a inserção do Eduinnova nos colégios. O programa é comandado por Nussbaum na PUC desde 2005 e aposta no trabalho colaborativo em grupos pequenos de alunos através de computadores interconectados. O objetivo era avaliar a eficácia do modelo pedagógico, a efetividade da intervenção e a eficiência do programa (no que diz respeito à fidelidade da intervenção, ao custo e ao impacto na aprendizagem dos alunos).

Na primeira etapa da pesquisa, realizada em 2002, os professores avaliaram a eficácia do programa com alunos de 1º e 2º anos do ensino fundamental de uma escola em Santiago. "Em uma aula de matemática, os alunos aprendiam a contar por meio de cartas numeradas. Eles se dispersavam e era difícil para o professor controlar a sala de aula. Quando o computador entra na sala, serve como uma espécie de andaime. O professor pode trabalhar com mais grupos porque eles ficam mais concentrados", explicaram. Na segunda etapa, foram analisadas aulas de física em salas de ensino médio de cinco escolas durante os anos de 2004 e 2005/2006. Nos dois momentos, alunos que usaram a tecnologia e que não usaram tecnologia foram submetidos a avaliações que mediam o quanto haviam aprendido. A partir do cruzamento desses dados, os pesquisadores chegaram aos resultados ("tamanhos do efeito"). Uma das conclusões é que os alunos de professores com alto nível de adoção do Eduinnova produzem melhores resultados de aprendizagem em relação àqueles que têm um nível menor - o tamanho do efeito passa de 0,41 para 0,56 (a escala usada pelos pesquisadores foi de 0,2 a 0,8). Em outras palavras, um mínimo de 13,09% e um máximo de 19% do total de alunos desses grupos ficaram acima da média nas notas dos testes aplicados pelos pesquisadores. "Também pudemos perceber nesse momento que o papel do professor é fundamental, já que aqueles que não se apropriaram adequadamente da tecnologia não tiveram bons resultados", explicam.

A primeira coisa que chama a atenção de Ocimar Alavarse é a falta de familiaridade que esses alunos poderiam ter com a tecnologia. Como o nível socioeconômico é mais baixo, o uso do computador pode ter sido uma novidade para eles. "Se a pesquisa tivesse sido feita com alunos que conhecessem mais a ferramenta, será que a concentração teria sido tão grande?", pergunta. Para Alavarse, o papel do professor como mediador do uso da ferramenta mostra que a tecnologia em si mesmo não resolve o problema da aprendizagem. "Precisamos potencializar o que o computador pode fazer e, para isso, a presença do professor é fundamental. Isso vale para o livro também: é o docente que organiza o uso", afirma.

ENTREVISTA
Um dos especialistas presentes na Conferência da Unesco era Hugo Nervi, da Faculdade de Educação da Universidade das Américas, no Chile. Durante os anos de 2005 e 2009, ele trabalhou na área de competências em TIC e desenvolvimento curricular no Centro de Educação e Tecnologia do Ministério de Educação (Enlaces). A instituição é responsável, entre outras coisas, pelo aumento do acesso à internet nas escolas, política sobre a qual Nervi fala na entrevista abaixo.

No Chile, a tecnologia tem grande alcance nas escolas. Como se configura o uso das ferramentas?
HN - Houve uma inversão muito grande nos últimos quatro anos. Aumentou-se em três vezes a presença da tecnologia nas escolas. De uma relação de 27 alunos por computador, hoje temos 8 alunos por computador. Você tem acesso ilimitado, com a presença de lousas digitais e projetores. Contudo, toda essa infraestrutura corre o risco de não ser usada. Se não existir um plano de uso e de liderança para o emprego da tecnologia na escola, e uma formação docente adequada, a tecnologia não será empregada.

Mas a tecnologia foi incorporada ao currículo da formação dos professores?
HN -A tecnologia entrou na formação inicial dos professores no sentido de orientar, por exemplo, o desenvolvimento de habilidades instrumentais e proporcionar o conhecimento das ferramentas de processamento de textos e de planilhas. O que não falta hoje no Chile é a investigação da inovação pela inovação. Por exemplo: um projeto que elabore o uso de vídeos e jogos no desenvolvimento da leitura em crianças de 8 e 9 anos. Não é isso que buscamos na formação inicial docente. Não queremos professores investigadores de tecnologia. Queremos professores que se apropriem dela como ferramenta de trabalho. Nesse sentido, a integração curricular deveria acontecer em todas as áreas de sua formação. Na formação geral, nas suas especialidades e na formação prática. Assim, os alunos conhecerão a tecnologia com valor pedagógico. A tecnologia tem de formar parte da trama do currículo de formação docente. Em que momento estamos hoje? Há projetos locais em que a inovação é produto de iniciativas pontuais.

E como a escola pode fazer um plano para o uso da tecnologia?

HN - Quando o Ministério da Educação optou por aumentar o acesso, não pretendia entregar a tecnologia irresponsavelmente, como uma medida social. A ideia era apoiar o uso das ferramentas na aprendizagem. A escola recebe tecnologia apenas se justifica seu uso em um projeto educativo. É preciso dizer como e em que ela vai ser utilizada, além estabelecer maneiras para medir seu impacto. Uma coisa está atrelada à outra. Há um formulário on-line que deve ser enviado ao Ministério. É um acordo de uso.

Como podemos explicar a aposta em tecnologia dos governos latino-americanos, se não havia avaliações de impacto amplas?
HN - Há muitas saídas para avaliar o impacto hoje em dia. Pode-se avaliar para medir o impacto na aprendizagem, verificar o uso, medir a apropriação das ferramentas pelos professores. São avaliações distintas. As políticas de cada país têm metas específicas. São elas, as metas específicas, que devem ser avaliadas. Não podemos dizer que não há, em toda a América Latina, resultados de impacto na aprendizagem. Sim, há. Há resultados a partir de projetos locais. O que falta é uma reflexão sobre que tipo de pedagogia a tecnologia gera, para dizer que há uma mudança na aprendizagem.

Fonte: Revista Educação - Edição 158/ Texto: Beatriz Rey

Livros perdem para a internet

Exceção à regra, a aluna Carolina Maciel, de 16 anos, consulta primeiro os livros...

... e só depois, quando precisa complementar a pesquisa, recorre à internet

Não faz muito tempo que o jeito de fazer pesquisa na escola mudou. Se há pouco mais de cinco anos os estudantes se reuniam para ir até uma biblioteca ou lançavam mão da enciclopédia na hora de fazer um trabalho de escola, agora eles dão prioridade à internet. De dez estudantes do ensino fundamental e médio ouvidos pela reportagem em Curitiba, oito iniciam suas pesquisaspor sites da web e vão à biblioteca só em último caso.

A mudança no comportamento dos estudantes não chega a ser um problema na opinião do professor de Física Paulo Roberto Fiatte Carvalho, do Colégio Dom Bosco. De acordo com ele, a internet proporciona agilidade e é importante que crianças e adolescentes saibam usar essa ferramenta. “O aluno tem facilidade para encontrar tudo na internet. Vai do professor direcionar e orientar. Como o número de informações é maior, também aumentou a quantidade de fontes que não são muito confiáveis”, ressalta. Da mesma opinião compartilha o superintendente de informática e orientador educacional do Colégio Positivo, Celso Hartmann. “Oriento os meus alunos a buscar informações em locais de qualidade. E também usar várias fontes, inclusive o livro”, diz.

Porém o livro tem sido cada vez menos usado em trabalhos escolares. O estudante do 2.º ano do ensino médio do Dom Bosco Jean Michel Costa, 16 anos, conta que ia mais à biblioteca quando era mais novo, na época em que cursava a 5.ª série do ensino fundamental, e ainda não se tinha tanto acesso à internet. Hoje, como grande parte dos estudantes que usam o computador, Jean inicia sua pesquisa colocando o tema num site de busca. A partir daí passa a escolher os sites onde poderá encontrar informações que vão embasar o seu trabalho. O estudante costuma usar artigos científicos e também faz entrevistas via e-mail com autores que lhe interessam. “Hoje em dia praticamente não uso livro. Mas tomo muito cuidado para não fazer frases exatamente iguais às que eu li”, diz.

A internet também é o ponto de partida das colegas Manoela Laffite Bueno, 15 anos, e Rafaella Keppen, 14 anos, do 1.º ano do ensino médio do Colégio Positivo. Porém as duas começam pelo site do grupo, o Educacional, onde há dicas de páginas da web de acordo com a etapa de ensino. No caso de Manoela, quando o que encontra na internet não satisfaz o tema pesquisado, ela recorre às enciclopédias colecionadas pela avó. “Não faço apenas pesquisas para os trabalhos pedidos pela escola. Também busco respostas para as minhas dúvidas com relação às matérias que estou aprendendo”, afirma.

Livro é prioridade
Para alguns estudantes e seus pais, o livro é prioridade nas pesquisas escolares. O professor universitário Marcos José Za­­blonsky, 47 anos, incentiva o uso do material pelos seus filhos Aline Cor­reia, 12 anos, e Arthur, 8 anos. “A primeira fonte de consulta são os livros. Partimos para a internet depois. Os livros são fontes de in­­formações mais seguras”, afirma.

Aline e Arthur estudam no Colégio Nossa Senhora do Sion, onde há uma preocupação em integrar o uso da internet com o da biblioteca. A professora de informática Alexandra Roeder, 37 anos, tem trabalhado dessa forma com alunos da 4.ª série do ensino fundamental. “O que as crianças precisam entender é que a internet é muito boa mas tem suas pegadinhas. Esse direcionamento precisa ser dado pelo professor”, diz. Além de usarem a internet e os livros para fazer os trabalhos escolares, os alunos também estão estudando metodologias de pesquisa. A intenção da professora é fazer com que as crianças usem as informações coletadas nas diversas fontes para elaborar a versão final do trabalho.

A lição foi levada tão a sério pela estudante do 2.º ano do magistério do mesmo colégio Carolina Sare Maciel, 16 anos, que atualmente ela prioriza a pesquisa por livros. “Sempre gostei muito da internet por ser ágil mas, no meu caso, não ajuda muito. Nos trabalhos específicos sobre Edu­cação encontro tudo o que preciso de forma mais rápida na biblioteca da escola. Na internet, as informações são muito misturadas”, diz.


Fonte: A Gazeta do Povo/ Foto: Antonio More/ Texto: Tatiana Duarte

terça-feira, 29 de junho de 2010

Seminário discute inclusão digital e cibercultura

Entre os dias 14 e 16 de julho acontece o V Seminário Nacional O Professor e a Leitura de Jornal - Educação, Mídia e Formação Docente, na Unicamp. O evento é uma promoção da Associação de Leitura do Brasil (ALB), Associação Nacional de Jornal/Programa Jornal e Educação (ANJ/PJE), Faculdade de Educação da Unicamp e Rede Anhanguera de Comunicação (RAC).

Durante o seminário haverá conferências, mesas-redondas, oficinas e comunicações que discutirão as muitas interfaces da relação mídia e educação. Entre os palestrantes está Marco Silva (foto), sociólogo e doutor em Educação. Professor-pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estácio de Sá (RJ). Professor-pesquisador da Faculdade de Educação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e autor de artigos para várias publicações (em destaque). Veja abaixo entrevista realizada pelo Programa Jornal e Educação (Cristiane Parente e Wendel Freire).

Na “era digital”, temos os inforricos e os infopobres. Você também destaca o infoanalfabeto, dando a entender que não basta ter acesso às tecnologias digitais online para ser um alfabetizado digital. Qual o perfil do infoanalfabeto?

Paulo Freire tem um entendimento muito profundo sobre o que seja o analfabeto. Para ele, o analfabeto não é meramente aquele que não sabe operar com os códigos da leitura e da escrita. Mais do que isso, é alguém que não sabe lidar com os códigos necessários para se posicionar e interferir criticamente no mundo. Pego carona nesse entendimento para situar o infoanalfabeto ou o excluído digital. Não é meramente aquele que não tem acesso ao computador e à internet, mas aquele que não sabe operá-los para se posicionar e interferir criticamente no espaço e no ciberespaço. Ou seja, quem apenas divulga fragmentos do seu cotidiano no Twitter, Facebook e Orkut, envia e-mails e sua declaração de imposto de renda não é necessariamente alfabetizado ou incluído digital. Caberá à escola e a universidade o trabalho sofisticado e profundo que vai além do acesso, que considero ser um primeiro degrau sine qua non. O desafio de “ir além do acesso” é grande, tendo em vista que os professores, muitas vezes, não têm acesso e, de resto, são infoanalfabetos e até resistentes. Faltam investimentos significativos na formação de professores para uso das tecnologias digitais de informação e comunicação. Uma formação capaz de potencializar o projeto político pedagógico da escola, a docência e a aprendizagem. Dessa formação dependerá a educação para a cidadania em nosso tempo. As escolas, as universidades e os governos estão muito atrasados nisso.

A escola tem contribuído para a redução dos infoanalfabetos? Se não, como poderia proporcionar essa nova alfabetização?

Vejo com bons olhos a política pública que disponibiliza um computador por aluno. No dia 14/06/2010 foi divulgada no Diário Oficial da União a resolução que estabelece as normas e diretrizes para que municípios, estados e o Distrito Federal se habilitem ao Prouca (Programa Um Computador por Aluno), para 2010 e 2011. Esse programa permitirá a aquisição de computadores portáteis novos com conteúdos pedagógicos pelas redes públicas de educação básica. Essa tardia resolução é maravilhosa! Entretanto, não há implementação da formação continuada dos professores para uso dos laptops (inclusão ou alfabetização digital integrada ao currículo) capaz de vencer resistências e potencializar a docência e a aprendizagem em nosso tempo, que é entendido como era digital, cibercultura ou sociedade da informação. Para além da distribuição do acesso, a escola e a universidade poderão proporcionar e promover a nova alfabetização. Para isso, precisarão investir no uso do computador e da internet integrados aos conteúdos de aprendizagem, ao ofício dos professores e ao trabalho dos aprendizes. Esse investimento deverá ser capaz de contemplar participação, colaboração e cocriação dos professores e estudantes em redes off-line e online de informação, comunicação e conhecimento.

“Era digital”, “cibercultura”, “sociedade da informação” são palavras/expressões que ouvimos constantemente relacionadas ao nosso contexto atual. Como você definiria esse momento?

“Era digital” é a nossa atualidade sociotécnica, informacional e comunicacional, definida pela “codificação digital” (bits), isto é, pela digitalização, que garante o caráter plástico, fluido, hipertextual, interativo e tratável em tempo real do conteúdo, da mensagem. A codificação digital permite manipulação de documentos, criação e estruturação de elementos de informação, simulações, formatações evolutivas nos ambientes ou estações de trabalho do tipo Macintosh, Linux e Windows, concebidas para criar, gerir, organizar, fazer movimentar uma documentação completa com base em textos, grafismos, imagens, vídeos. Digital significa existência imaterial de tudo isso na memória hipertextual do computador que permite múltiplas formatações, intervenções, navegações da parte do usuário. “Cibercultura” diz respeito à condição cultural contemporânea emergente no cenário da “era digital”, a partir das relações entre sociedade e tecnologias digitais, principalmente o computador, o celular e a internet. É caracterizada por práticas, atitudes, modos de pensamento e de valores engendrados a partir de princípios formulados pelo pesquisador brasileiro André Lemos como “liberação da emissão”, “conexão e conversação mundial” e “reconfiguração do sistema infocomunicacional global”. Para este autor, os dois primeiros princípios criam a “paisagem comunicacional” do “sistema pós-massivo” em que se manifesta a reconfiguração do contexto analógico e unidirecional dos meios de massa, por novas práticas comunicacionais (e-mails, listas, weblogs, jornalismo online, redes sociais, mundos virtuais, etc.) e novos empreendimentos que aglutinam grupos de interesse (cibercidades, games, software livre, ciberativismo, arte eletrônica, MP3, cibersexo, etc.). E “sociedade da informação” é a expressão formulada por D. Bell para exprimir o novo contexto sócio-econômico-tecnológico engendrado a partir do início da década de 1980, cuja característica geral não está mais na centralidade da produção fabril ou da mídia de massa, mas na informação digitalizada como nova infraestrutura básica, como novo modo de produção.

Quais os desafios específicos que este novo cenário social e tecnológico traz para a educação?

Nosso contexto sociotécnico expresso pelas palavras/expressões “era digital”, “cibercultura”, “sociedade da informação” traz um enorme desafio comunicacional para o currículo escolar e para a mediação docente. Os alunos imersos nesse cenário, chamados de “nativos digitais” ou “geração net”, se distanciam do espectador típico dos meios unidirecionais da cultura de massa. Aprenderam com o controle remoto da tv e agora aprendem com o mouse e com a disposição hipertextual, imersiva e interativa da tela digital. Eles migram da tela da tv para a tela do computador conectado à internet e são mais resistentes às tentativas de programá-los. Evitam acompanhar argumentos lineares que não permitem a sua interferência. E lidam facilmente com o hipertexto e com a experiência comunicacional que lhe permite interferir, modificar, produzir, partilhar e colaborar. Essa atitude menos passiva diante da mensagem é sua exigência de uma sala de aula sustentada em nova postura comunicacional do professor. No lugar da pedagogia da transmissão baseada em lições-padrão e no falar-ditar do mestre, ele precisará propor a construção do conhecimento, em uma arena presencial ou online, baseada em iniciativas capazes de garantir a materialidade da comunicação efetiva. Cito, por exemplo: disponibilizar múltiplas experimentações, múltiplas expressões; promover uma montagem de conexões em rede que permita múltiplas ocorrências; provocar situações de inquietação criadora; arquitetar percursos hipertextuais na proposição dos conteúdos de aprendizagem; e mobilizar a experiência da construção colaborativa do conhecimento. São autorias do professor que venho pesquisando com muito interesse, porque contemplam a dinâmica da cultura digital e, ao mesmo tempo, princípios essenciais da mediação da aprendizagem na educação autêntica. Da autoria do professor dependerá a comunicação com a geração digital e sua inclusão à cibercidadania.

Célestin Freinet e Paulo Freire já propuseram e realizaram educação dialógica muito antes da internet popularizar o termo “interatividade”. O que há de vital no ambiente multimídia que não estava presente em Freinet ou Freire?

Em primeiro lugar, “interatividade” não é um termo específico de ambiente multimídia ou informatizado. É um conceito de teoria da comunicação. Portanto, pode-se realizar interatividade em ambientes infopobres. Para um entendimento inicial desse conceito, podemos dizer que é a articulação intencional da emissão e da recepção para cocriação da mensagem. Sabemos que, nos meios impressos, radiofônicos e televisivos, a interatividade é inviabilizada, porque são tecnologias unidirecionais em sua natureza analógica. Nesses meios a emissão está separada da recepção. Neles somente a emissão tem o controle sobre a produção da mensagem, não há bidirecionalidade, não há participação ou autoria efetiva da recepção, portanto, não há dialógica. Em suma, não há comunicação. O que há é informação de A para B ou de A sobre B, mas não comunicação de A com B, o que deixa claro o equívoco de se chamar jornal, rádio e tv de “meios de comunicação”. São na verdade meios de informação de massa. Lamentavelmente, a sala de aula, com raras exceções, está baseada na “pedagogia da transmissão” – seja a presencial, seja a online –, quando são subutilizadas as potencialidades interativas ou dialógicas do computador e da internet. Isso ocorre quando os sistemas de ensino estão no mesmo paradigma dos meios de informação de massa. Para haver educação autêntica é preciso que haja dialógica, ou seja, é necessário haver a construção colaborativa da comunicação e do conhecimento. Freinet, Freire e também Vygotsky apostaram nisso. Se estivessem vivos hoje, fariam bom proveito dos ambientes multimídia que articulam computador e internet para potencializar a pedagogia dialógica e socioconstrutivista. Tais ambientes têm em sua natureza digital a disposição para multidirecionalidade, para o conversacional, para a cocriação da mensagem e do conhecimento. Entretanto, podem ser subutilizados quando prevalece a lógica da transmissão unidirecional, quando os professores são excluídos digitais, infoanalfabetos. No livro Sala de aula interativa procuro fazer o tratamento complexo do termo “interatividade” em sintonia com esses autores e com as disposições e potencialidades comunicacionais e colaborativas do computador e internet que eles não conheceram. Se pudessem vivenciar a cultura digital, muito provavelmente esses educadores basilares se dariam conta de que o computador e a internet não são meios unidirecionais um-todos, ao contrário, são tecnologias de comunicação e colaboração todos-todos muito favoráveis às suas teorias e práticas educacionais e também à formação da cibercidadania.

O que significa para você cibercidadania? Como a cibercidadania pode potencializar uma educação de qualidade?

Inverto a pergunta: como a educação pode potencializar a formação da cibercidadania. Sabemos que a finalidade da educação é formar para a cidadania. Entretanto, na “era digital”, “cibercultura”, “sociedade da informação” é preciso formar o cibercidadão. Formar para cibercidadania é colocar os grupos sociais e indivíduos em sinergia, utilizando o potencial de comunicação e colaboração do ciberespaço como vetor de agregação social, sociabilidade e participação na cidade, na cibercidade e no mundo. Cibercidadania é mais do que ter acesso à conectividade, é mais do que poder consumir online. É atuar no ciberespaço com perspectiva comunitária e política. As escolas precisam formar as novas gerações para atuação na cibercidade, nas redes sociais reconfiguradas pelas tecnologias digitais e pela internet: participação online de cunho ambiental, político ou social, ciberativismo, “jornalismo cidadão”, museu virtual, fóruns de discussão, formação, trabalho e colaboração online. Esse engajamento dos professores e do currículo escolar pode cumprir o papel social da educação em nosso tempo. A propósito, sugiro uma leitura interessante que introduz oportunamente este tema. Refiro-me ao livro O futuro da internet – em direção à ciberdemocracia planetária, escrito em dupla pelos estudiosos da cibercultura André Lemos e Pierre Lévy. Eles não tocam no tema educação, lamentavelmente, mas oferecem reflexões preciosas para quem quiser situá-la frente ao desafio de formar para cibercidadania.
O documentário “Periferia.com” revela a proliferação de lan houses e o uso que crianças e jovens fazem delas. De modo geral, esses espaços não diferem dos antigos fliperamas. Como incluir verdadeiramente a criança e o jovem na cultura digital?

Não vi esse documentário, mas li a respeito no seu blog sobre o crescimento do uso das lan houses entre as populações que não têm acesso ao computador conectado em suas residências. Inicialmente é preciso ficar claro que uma coisa é fliperama e outra coisa é lan house. O primeiro oferece jogo operativo. O segundo oferece jogo interativo. O que o clássico pinball requer do jogador senão estocadas em uma esfera disparada na direção dos locais de pontuação? A lan house oferece computador, seus periféricos de operatividade e conexão online que permitem imersão, autoria e colaboração no ciberespaço. O jogo aqui ganha potencialidades para além da operatividade. Enquanto o pinball requer do jogador a destreza mecânica para estocar a esfera na direção de limites fixados em um plano inclinado, o computador potencializa extensão do pensamento do jogador. O computador opera como um sistema de organização de informações que funciona de modo semelhante ao sistema de raciocínio humano: associativo, não linear, intuitivo, muito imediato. Permite simulação, criação e colaboração em rede de interatores geograficamente dispersos, em tempo síncrono e assíncrono. Permite games interativos e não somente operativos. Mais do que ultrapassar fases criadas pelos desenvolvedores, os novos games baseados em pontentes inteligências artificiais permitem que os jogadores construam eles mesmos novas fases, armadilhas e cenários para desafiar seus oponentes. O futuro dos avatares em ambientes 3D é ilimitado. O jogo online na tela do computador ou do celular está aberto à expressão ilimitada da inteligência humana e da inteligência artificial. Ao adentrar criativamente este universo, a criança e o jovem se incluem na cultura digital, mas não necessariamente na cibercidadania. Os jogos online poderão ampliar muitas vezes a performance sanguinária e maléfica. Poderão ser simuladores potentes do ciberterrorismo, cyberbullying, roubo e assassinato. Tudo isso também é cultura digital. Assim sendo, para incluir os jogadores na cultura digital, basta oferecer-lhes acesso e deixá-los entregues a si mesmos e às forças subterrâneas da web e se tornarão hábeis “nativos digitais”. Porém, promover a cibercidadania capaz de equipá-los para o posicionamento crítico na cultura digital requer significativo investimento em educação sintonizada com o nosso tempo sociotécnico e firme na sua finalidade de formar o cidadão.

Informações sobre o V Seminário Nacional O Professor e a Leitura de Jornal: Educação, Mìdia e Formação Docente em: http://www.alb.com.br/portal/5seminario/index.html

Os livros Sala de Aula Interativa, de Marco Silva (Ed. Loyola); Ensino-Aprendizagem Comunicação, organizado por Mary Rangel e Wendel Freire (WAK Editora) e Educação Online - Cenário, Formações e Questões Didático-Metodológicas, organizado por Marco Silva, Lucila Pesce e Antônio Zuin (WAK Editora) serão lançados durante o seminário, no dia 15/07, às 11h, no Centro de Convenções da Unicamp.

O uso do rádio na escola

Integrada à Educomunicação, o uso de rádios escolares escola pode proporcionar experiências transformadoras no aprendizado. Leia abaixo matéria do blog Vamos Ler (Jornal da Manhã)sobre o tema.

O rádio possui um alcance ímpar, por ser ágil, rápido e de fácil entendimento e penetração nos lares. Como meio de comunicação, é aquele que mais se aproxima das pessoas. Locutores conseguem fazem uso da linguagem popular e de recursos sonoros capazes de despertar uma agradável recepção nos ouvintes, trabalhando basicamente com quatro elementos - voz, música, ruídos e silêncio - que combinados conseguem criar imagens que estimulam o cérebro humano.

Ele é, atualmente, multimidiático. Sua transmissão digital permite, além de informações textuais, ser acessível em celulares e televisões conectadas a antenas parabólicas. A Web Rádio, que utiliza tecnologia de ‘streaming’, viabilizou a escuta da programação de emissoras tradicionais de rádio por intermédio do computador. Esta nova fase permite uma mudança nas formas de se produzir educação pelo rádio, que ultrapassa o modelo tradicional e acrescenta outras possibilidades educativas, principalmente porque permite a interação do público.Por estar integrada ao conceito de Educomunicação, a linguagem radiofônica pode proporcionar experiências muito significativas e transformadoras no espaço educacional, aproximando-se dos jovens que nasceram na era da cultura audiovisual, ampliando as possibilidades de expressão.

Para o educador, radialista e coordenador do Programa Nas Ondas do Rádio, da Secretaria Municipal de Ensino de São Paulo, e presidente do Comitê Gestor da Lei EDUCOM, Carlos Alberto Mendes de Lima (*), “o rádio na escola é um instrumento que permite a expressão comunicativa dos alunos, o intercâmbio de ideias, a melhoria no espaço de convivência e a integração escola - aluno. São benefícios que promovem a Cultura de Paz. Além disso, contribui para o aprimoramento das competências comunicativas dos participantes, principalmente a oral e a escrita.”

A Rádio Escolar, ampliada para o universo virtual através da publicação em podcast, permite que um leque ainda maior de ideias e projetos sejam expandidos na relação educador-aprendiz, auxiliando no processo ensino – aprendizagem. “O Podcast pode ser trabalho com interface midiática, principalmente com o Blog. Neste sentido, a proposta pode ser uma excelente ferramenta na informática educativa para o desenvolvimento de projetos de produção midiática e publicação de conteúdo”, explica Lima.

O radialista acredita que a comunicação tira um pouco da tecnicidade do trabalho desenvolvido na informática educativa e agrega valor pela comunicação e a expressão comunicativa, ou seja, usar as TICs a serviço da comunicação. Neste sentido, ele destaca a necessidade de preparar educadores para o desenvolvimento de projetos educomunicativos nas escolas.
*Carlos Mendes de Lima é meu professor de produção de áudio no módulo de educomunicação, na Pós - Graduação em Tecnologias na Aprendizagem pelo Senac de São Paulo*
O rádio escolar no Brasil
No Brasil, o rádio nasceu educativo, pelas mãos de Roquete Pinto (1884-1954), antropólogo, membro da Academia Brasileira de Letras, cujo ideal humanista era levar cultura e educação a todas as partes do país.

Em 20 de abril de 1923, o antropólogo Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. A programação educativa incluía aulas e palestras de variadas disciplinas, como História, Geografia, Literatura, Física e Química, além de outros eventos culturais, como concertos e temporadas líricas.

Essa emissora é considerada por muitos como a pioneira das rádios piratas, que abriu as portas da legalidade para que no Brasil o rádio fosse livre desde os momentos iniciais de sua implantação. Para Roquete Pinto, essa nova tecnologia devia contribuir como instrumento de cidadania e educação.

Surgiram então emissoras que funcionaram como radioescola, por transmitir conhecimentos para escolas e público em geral. A programação educativa tinha o objetivo de instruir a população, em especial os analfabetos.

A legitimidade e os resultados positivos dos projetos educomunicativos que envolviam o rádio na educação deram origem à Lei Educom, lei municipal 13.941, de 28 de dezembro de 2004, regulamentada pelo Decreto 46.211, de 15 de agosto de 2005, intitulado ‘Educomunicação pelas ondas do Rádio’, que tem por objetivo assegurar a continuação da filosofia e das metodologias do projeto EDUCOM.RÁDIO nos espaços culturais e educativos do município de São Paulo.

Fique por dentro
‘Streaming’ é o fluxo de mídia, uma forma de distribuir informação multimídia numa rede através de pacotes [distribuir conteúdo multimídia através da Internet]. Permite que um usuário reproduza mídia protegida por direitos autorais na Internet sem a violação desses direitos, similar ao rádio ou televisão aberta.

‘Podcast’ é o nome dado ao arquivo de áudio digital, geralmente em formato MP3 ou AAC (Codificação de Áudio Avançado), publicado através de podcasting (o processo) na internet e atualizado via RSS. A palavra é uma junção de iPod e broadcast (transmissão de rádio ou televisão). Sistema de disseminação de informação em larga escala.

Fonte: Blog Vamos Ler do Jornal da Manhã/PR -Texto: Talita Moretto

Escola conquista prêmio mundial

As aulas da Escola Municipal Prefeito Dr. Fulton Vitel B. de Macedo tiveram um sabor a mais este mês (junho). A turma do 2º ano do 2º ciclo (na foto com a jornalista Talita Moretto) e a professora Lourdes do Rocio Stafin dos Santos foram surpreendidos com a conquista do Prêmio Mundial para Jornal Escolar sobre o tema Liberdade de Imprensa, da Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias (WAN-IFRA), dentro do Programa Jovens Leitores. A Escola Funton iniciou suas atividades no Projeto Vamos Ler, realizado pelo Jornal da Manhã, no início deste ano.

A categoria é nova, lançada este ano pela WAN-IFRA, com o objetivo de levar para as salas de aula a discussão sobre o tema Liberdade de Imprensa e Expressão, sua importância e fragilidade. Para isso, estimulou escolas a produzirem um jornal que divulgasse o tema, destacando o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, 3 de maio.

O Prêmio foi voltado a estudantes de quaisquer níveis de ensino e de qualquer lugar do mundo. Para participar, as turmas deveriam explorar o dilema de jornalistas exilados, usando o material que a WAN-IFRA disponibilizou. “A Escola Fulton ganhou este prêmio especial pela forma excelente que utilizou o material fornecido por nós e, principalmente, pela criatividade em criar suas próprias charges e textos. Vemos este trabalho como um excelente modelo para o prêmio do próximo ano”, esclarece a diretora executiva do Programa Jovens Leitores – WAN-IFRA, Aralynn McMane.

Com apoio da equipe pedagógica da escola, a professora promoveu discussões, explicando aos alunos a importância do tema, buscando, além do material da WAN-IFRA, outras fontes de informação. “Com base nos textos lidos, cada um se expressou à sua maneira, através depoimentos e desenhos. Os alunos entrevistaram as professoras da escola, os familiares, ouvindo a opinião de todos sobre o assunto”, explica Lourdes.

A diretora da escola, Nerci Fátima Ingês de Lara, e a pedagoga, Márcia Andreia Ianzen, ficaram muito felizes com a conquista, e elogiam o comprometimento da professora com o trabalho. “Isto me fez perceber a capacidade que todos têm. A turma nunca tinha participado de nada, e nunca tinha ganhado nada. Ficaram muito emocionados com o resultado”.

O fato de a primeira escola a ganhar este prêmio ser do Brasil, e fazer parte do grande grupo de educadores e estudantes do Vamos Ler, traduz-se no reconhecimento. Desde 2008 o JM é trabalhado em sala de aula, orientando professores e despertando os alunos para a leitura crítica do mundo. Um projeto novo, se comparado ao restante do mundo, mas que sempre nos trouxe excelentes resultados. O mérito maior desta conquista foi mostrar aos alunos que eles têm sim potencial, e mostrar à comunidade que a leitura pode ser sua maior riqueza.

O nome do jornal? ‘Voz da Liberdade’.

ENVOLVIDOS NA DISCUSSÃO
A UNESCO destaca que o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa constitui a ocasião para relembrar ao mundo quão importante é proteger o direito fundamental da pessoa humana, que é a liberdade de expressão, direito este inscrito no artigo 19º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Considerando que a violência para com os profissionais dos media é hoje uma das principais ameaças à liberdade de expressão.

O Programa Jornal e Educação da ANJ tem estimulado entre os diversos coordenadores, em todas as regiões brasileiras, o debate sobre esse tema, com o apoio e o estímulo da WAN/IFRA, que reconhece o importante papel dos programas de Jornal e Educação no mundo inteiro. “Para nós, que trabalhamos em conjunto com os coordenadores, é uma vitória saber que o Jornal da Manhã foi o primeiro vencedor desse prêmio. E um reconhecimento internacional de que os jornais brasileiros têm feito o seu papel.” Cristiane Parente, Coordenadora Executiva do Programa Jornal e Educação da ANJ e membro do Comitê Internacional de Jornal e Educação e Jovens Leitores da WAN/IFRA.

A Secretaria Municipal de Educação de Ponta Grossa, parceira no desenvolvimento do Projeto Vamos Ler em escolas municipais, reconhece a importância de envolver os alunos no debate das notícias, envolvendo-os na sociedade desde cedo. “Este prêmio é importante, principalmente pelo fato da escola ter feito um trabalho tão bonito a partir da experiência com a leitura do jornal, e esse tipo de experiência altera toda a sua vida, porque a crianca que é estimulada desde cedo à leitura acredita mais no seu potencial, na sua capacidade e tem mais subsídios para opiniar, refletir e participar da sociedade”, acredita a Secretária Municipal de Educação de Ponta Grossa, Zélia Maria Lopes Marochi.

A turma, que se dedicou bastante na criação do jornal, etã muito feliz com o prêmio. “Quando fiquei sabendo que ganhamos o prêmio, eu me senti alegre, feliz e emocionada”, conta a aluna Bruna da Silva Saettone.

Fonte: Blog Vamos Ler/ Texto Talita Moretto