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terça-feira, 29 de junho de 2010

Seminário discute inclusão digital e cibercultura

Entre os dias 14 e 16 de julho acontece o V Seminário Nacional O Professor e a Leitura de Jornal - Educação, Mídia e Formação Docente, na Unicamp. O evento é uma promoção da Associação de Leitura do Brasil (ALB), Associação Nacional de Jornal/Programa Jornal e Educação (ANJ/PJE), Faculdade de Educação da Unicamp e Rede Anhanguera de Comunicação (RAC).

Durante o seminário haverá conferências, mesas-redondas, oficinas e comunicações que discutirão as muitas interfaces da relação mídia e educação. Entre os palestrantes está Marco Silva (foto), sociólogo e doutor em Educação. Professor-pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estácio de Sá (RJ). Professor-pesquisador da Faculdade de Educação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e autor de artigos para várias publicações (em destaque). Veja abaixo entrevista realizada pelo Programa Jornal e Educação (Cristiane Parente e Wendel Freire).

Na “era digital”, temos os inforricos e os infopobres. Você também destaca o infoanalfabeto, dando a entender que não basta ter acesso às tecnologias digitais online para ser um alfabetizado digital. Qual o perfil do infoanalfabeto?

Paulo Freire tem um entendimento muito profundo sobre o que seja o analfabeto. Para ele, o analfabeto não é meramente aquele que não sabe operar com os códigos da leitura e da escrita. Mais do que isso, é alguém que não sabe lidar com os códigos necessários para se posicionar e interferir criticamente no mundo. Pego carona nesse entendimento para situar o infoanalfabeto ou o excluído digital. Não é meramente aquele que não tem acesso ao computador e à internet, mas aquele que não sabe operá-los para se posicionar e interferir criticamente no espaço e no ciberespaço. Ou seja, quem apenas divulga fragmentos do seu cotidiano no Twitter, Facebook e Orkut, envia e-mails e sua declaração de imposto de renda não é necessariamente alfabetizado ou incluído digital. Caberá à escola e a universidade o trabalho sofisticado e profundo que vai além do acesso, que considero ser um primeiro degrau sine qua non. O desafio de “ir além do acesso” é grande, tendo em vista que os professores, muitas vezes, não têm acesso e, de resto, são infoanalfabetos e até resistentes. Faltam investimentos significativos na formação de professores para uso das tecnologias digitais de informação e comunicação. Uma formação capaz de potencializar o projeto político pedagógico da escola, a docência e a aprendizagem. Dessa formação dependerá a educação para a cidadania em nosso tempo. As escolas, as universidades e os governos estão muito atrasados nisso.

A escola tem contribuído para a redução dos infoanalfabetos? Se não, como poderia proporcionar essa nova alfabetização?

Vejo com bons olhos a política pública que disponibiliza um computador por aluno. No dia 14/06/2010 foi divulgada no Diário Oficial da União a resolução que estabelece as normas e diretrizes para que municípios, estados e o Distrito Federal se habilitem ao Prouca (Programa Um Computador por Aluno), para 2010 e 2011. Esse programa permitirá a aquisição de computadores portáteis novos com conteúdos pedagógicos pelas redes públicas de educação básica. Essa tardia resolução é maravilhosa! Entretanto, não há implementação da formação continuada dos professores para uso dos laptops (inclusão ou alfabetização digital integrada ao currículo) capaz de vencer resistências e potencializar a docência e a aprendizagem em nosso tempo, que é entendido como era digital, cibercultura ou sociedade da informação. Para além da distribuição do acesso, a escola e a universidade poderão proporcionar e promover a nova alfabetização. Para isso, precisarão investir no uso do computador e da internet integrados aos conteúdos de aprendizagem, ao ofício dos professores e ao trabalho dos aprendizes. Esse investimento deverá ser capaz de contemplar participação, colaboração e cocriação dos professores e estudantes em redes off-line e online de informação, comunicação e conhecimento.

“Era digital”, “cibercultura”, “sociedade da informação” são palavras/expressões que ouvimos constantemente relacionadas ao nosso contexto atual. Como você definiria esse momento?

“Era digital” é a nossa atualidade sociotécnica, informacional e comunicacional, definida pela “codificação digital” (bits), isto é, pela digitalização, que garante o caráter plástico, fluido, hipertextual, interativo e tratável em tempo real do conteúdo, da mensagem. A codificação digital permite manipulação de documentos, criação e estruturação de elementos de informação, simulações, formatações evolutivas nos ambientes ou estações de trabalho do tipo Macintosh, Linux e Windows, concebidas para criar, gerir, organizar, fazer movimentar uma documentação completa com base em textos, grafismos, imagens, vídeos. Digital significa existência imaterial de tudo isso na memória hipertextual do computador que permite múltiplas formatações, intervenções, navegações da parte do usuário. “Cibercultura” diz respeito à condição cultural contemporânea emergente no cenário da “era digital”, a partir das relações entre sociedade e tecnologias digitais, principalmente o computador, o celular e a internet. É caracterizada por práticas, atitudes, modos de pensamento e de valores engendrados a partir de princípios formulados pelo pesquisador brasileiro André Lemos como “liberação da emissão”, “conexão e conversação mundial” e “reconfiguração do sistema infocomunicacional global”. Para este autor, os dois primeiros princípios criam a “paisagem comunicacional” do “sistema pós-massivo” em que se manifesta a reconfiguração do contexto analógico e unidirecional dos meios de massa, por novas práticas comunicacionais (e-mails, listas, weblogs, jornalismo online, redes sociais, mundos virtuais, etc.) e novos empreendimentos que aglutinam grupos de interesse (cibercidades, games, software livre, ciberativismo, arte eletrônica, MP3, cibersexo, etc.). E “sociedade da informação” é a expressão formulada por D. Bell para exprimir o novo contexto sócio-econômico-tecnológico engendrado a partir do início da década de 1980, cuja característica geral não está mais na centralidade da produção fabril ou da mídia de massa, mas na informação digitalizada como nova infraestrutura básica, como novo modo de produção.

Quais os desafios específicos que este novo cenário social e tecnológico traz para a educação?

Nosso contexto sociotécnico expresso pelas palavras/expressões “era digital”, “cibercultura”, “sociedade da informação” traz um enorme desafio comunicacional para o currículo escolar e para a mediação docente. Os alunos imersos nesse cenário, chamados de “nativos digitais” ou “geração net”, se distanciam do espectador típico dos meios unidirecionais da cultura de massa. Aprenderam com o controle remoto da tv e agora aprendem com o mouse e com a disposição hipertextual, imersiva e interativa da tela digital. Eles migram da tela da tv para a tela do computador conectado à internet e são mais resistentes às tentativas de programá-los. Evitam acompanhar argumentos lineares que não permitem a sua interferência. E lidam facilmente com o hipertexto e com a experiência comunicacional que lhe permite interferir, modificar, produzir, partilhar e colaborar. Essa atitude menos passiva diante da mensagem é sua exigência de uma sala de aula sustentada em nova postura comunicacional do professor. No lugar da pedagogia da transmissão baseada em lições-padrão e no falar-ditar do mestre, ele precisará propor a construção do conhecimento, em uma arena presencial ou online, baseada em iniciativas capazes de garantir a materialidade da comunicação efetiva. Cito, por exemplo: disponibilizar múltiplas experimentações, múltiplas expressões; promover uma montagem de conexões em rede que permita múltiplas ocorrências; provocar situações de inquietação criadora; arquitetar percursos hipertextuais na proposição dos conteúdos de aprendizagem; e mobilizar a experiência da construção colaborativa do conhecimento. São autorias do professor que venho pesquisando com muito interesse, porque contemplam a dinâmica da cultura digital e, ao mesmo tempo, princípios essenciais da mediação da aprendizagem na educação autêntica. Da autoria do professor dependerá a comunicação com a geração digital e sua inclusão à cibercidadania.

Célestin Freinet e Paulo Freire já propuseram e realizaram educação dialógica muito antes da internet popularizar o termo “interatividade”. O que há de vital no ambiente multimídia que não estava presente em Freinet ou Freire?

Em primeiro lugar, “interatividade” não é um termo específico de ambiente multimídia ou informatizado. É um conceito de teoria da comunicação. Portanto, pode-se realizar interatividade em ambientes infopobres. Para um entendimento inicial desse conceito, podemos dizer que é a articulação intencional da emissão e da recepção para cocriação da mensagem. Sabemos que, nos meios impressos, radiofônicos e televisivos, a interatividade é inviabilizada, porque são tecnologias unidirecionais em sua natureza analógica. Nesses meios a emissão está separada da recepção. Neles somente a emissão tem o controle sobre a produção da mensagem, não há bidirecionalidade, não há participação ou autoria efetiva da recepção, portanto, não há dialógica. Em suma, não há comunicação. O que há é informação de A para B ou de A sobre B, mas não comunicação de A com B, o que deixa claro o equívoco de se chamar jornal, rádio e tv de “meios de comunicação”. São na verdade meios de informação de massa. Lamentavelmente, a sala de aula, com raras exceções, está baseada na “pedagogia da transmissão” – seja a presencial, seja a online –, quando são subutilizadas as potencialidades interativas ou dialógicas do computador e da internet. Isso ocorre quando os sistemas de ensino estão no mesmo paradigma dos meios de informação de massa. Para haver educação autêntica é preciso que haja dialógica, ou seja, é necessário haver a construção colaborativa da comunicação e do conhecimento. Freinet, Freire e também Vygotsky apostaram nisso. Se estivessem vivos hoje, fariam bom proveito dos ambientes multimídia que articulam computador e internet para potencializar a pedagogia dialógica e socioconstrutivista. Tais ambientes têm em sua natureza digital a disposição para multidirecionalidade, para o conversacional, para a cocriação da mensagem e do conhecimento. Entretanto, podem ser subutilizados quando prevalece a lógica da transmissão unidirecional, quando os professores são excluídos digitais, infoanalfabetos. No livro Sala de aula interativa procuro fazer o tratamento complexo do termo “interatividade” em sintonia com esses autores e com as disposições e potencialidades comunicacionais e colaborativas do computador e internet que eles não conheceram. Se pudessem vivenciar a cultura digital, muito provavelmente esses educadores basilares se dariam conta de que o computador e a internet não são meios unidirecionais um-todos, ao contrário, são tecnologias de comunicação e colaboração todos-todos muito favoráveis às suas teorias e práticas educacionais e também à formação da cibercidadania.

O que significa para você cibercidadania? Como a cibercidadania pode potencializar uma educação de qualidade?

Inverto a pergunta: como a educação pode potencializar a formação da cibercidadania. Sabemos que a finalidade da educação é formar para a cidadania. Entretanto, na “era digital”, “cibercultura”, “sociedade da informação” é preciso formar o cibercidadão. Formar para cibercidadania é colocar os grupos sociais e indivíduos em sinergia, utilizando o potencial de comunicação e colaboração do ciberespaço como vetor de agregação social, sociabilidade e participação na cidade, na cibercidade e no mundo. Cibercidadania é mais do que ter acesso à conectividade, é mais do que poder consumir online. É atuar no ciberespaço com perspectiva comunitária e política. As escolas precisam formar as novas gerações para atuação na cibercidade, nas redes sociais reconfiguradas pelas tecnologias digitais e pela internet: participação online de cunho ambiental, político ou social, ciberativismo, “jornalismo cidadão”, museu virtual, fóruns de discussão, formação, trabalho e colaboração online. Esse engajamento dos professores e do currículo escolar pode cumprir o papel social da educação em nosso tempo. A propósito, sugiro uma leitura interessante que introduz oportunamente este tema. Refiro-me ao livro O futuro da internet – em direção à ciberdemocracia planetária, escrito em dupla pelos estudiosos da cibercultura André Lemos e Pierre Lévy. Eles não tocam no tema educação, lamentavelmente, mas oferecem reflexões preciosas para quem quiser situá-la frente ao desafio de formar para cibercidadania.
O documentário “Periferia.com” revela a proliferação de lan houses e o uso que crianças e jovens fazem delas. De modo geral, esses espaços não diferem dos antigos fliperamas. Como incluir verdadeiramente a criança e o jovem na cultura digital?

Não vi esse documentário, mas li a respeito no seu blog sobre o crescimento do uso das lan houses entre as populações que não têm acesso ao computador conectado em suas residências. Inicialmente é preciso ficar claro que uma coisa é fliperama e outra coisa é lan house. O primeiro oferece jogo operativo. O segundo oferece jogo interativo. O que o clássico pinball requer do jogador senão estocadas em uma esfera disparada na direção dos locais de pontuação? A lan house oferece computador, seus periféricos de operatividade e conexão online que permitem imersão, autoria e colaboração no ciberespaço. O jogo aqui ganha potencialidades para além da operatividade. Enquanto o pinball requer do jogador a destreza mecânica para estocar a esfera na direção de limites fixados em um plano inclinado, o computador potencializa extensão do pensamento do jogador. O computador opera como um sistema de organização de informações que funciona de modo semelhante ao sistema de raciocínio humano: associativo, não linear, intuitivo, muito imediato. Permite simulação, criação e colaboração em rede de interatores geograficamente dispersos, em tempo síncrono e assíncrono. Permite games interativos e não somente operativos. Mais do que ultrapassar fases criadas pelos desenvolvedores, os novos games baseados em pontentes inteligências artificiais permitem que os jogadores construam eles mesmos novas fases, armadilhas e cenários para desafiar seus oponentes. O futuro dos avatares em ambientes 3D é ilimitado. O jogo online na tela do computador ou do celular está aberto à expressão ilimitada da inteligência humana e da inteligência artificial. Ao adentrar criativamente este universo, a criança e o jovem se incluem na cultura digital, mas não necessariamente na cibercidadania. Os jogos online poderão ampliar muitas vezes a performance sanguinária e maléfica. Poderão ser simuladores potentes do ciberterrorismo, cyberbullying, roubo e assassinato. Tudo isso também é cultura digital. Assim sendo, para incluir os jogadores na cultura digital, basta oferecer-lhes acesso e deixá-los entregues a si mesmos e às forças subterrâneas da web e se tornarão hábeis “nativos digitais”. Porém, promover a cibercidadania capaz de equipá-los para o posicionamento crítico na cultura digital requer significativo investimento em educação sintonizada com o nosso tempo sociotécnico e firme na sua finalidade de formar o cidadão.

Informações sobre o V Seminário Nacional O Professor e a Leitura de Jornal: Educação, Mìdia e Formação Docente em: http://www.alb.com.br/portal/5seminario/index.html

Os livros Sala de Aula Interativa, de Marco Silva (Ed. Loyola); Ensino-Aprendizagem Comunicação, organizado por Mary Rangel e Wendel Freire (WAK Editora) e Educação Online - Cenário, Formações e Questões Didático-Metodológicas, organizado por Marco Silva, Lucila Pesce e Antônio Zuin (WAK Editora) serão lançados durante o seminário, no dia 15/07, às 11h, no Centro de Convenções da Unicamp.

O uso do rádio na escola

Integrada à Educomunicação, o uso de rádios escolares escola pode proporcionar experiências transformadoras no aprendizado. Leia abaixo matéria do blog Vamos Ler (Jornal da Manhã)sobre o tema.

O rádio possui um alcance ímpar, por ser ágil, rápido e de fácil entendimento e penetração nos lares. Como meio de comunicação, é aquele que mais se aproxima das pessoas. Locutores conseguem fazem uso da linguagem popular e de recursos sonoros capazes de despertar uma agradável recepção nos ouvintes, trabalhando basicamente com quatro elementos - voz, música, ruídos e silêncio - que combinados conseguem criar imagens que estimulam o cérebro humano.

Ele é, atualmente, multimidiático. Sua transmissão digital permite, além de informações textuais, ser acessível em celulares e televisões conectadas a antenas parabólicas. A Web Rádio, que utiliza tecnologia de ‘streaming’, viabilizou a escuta da programação de emissoras tradicionais de rádio por intermédio do computador. Esta nova fase permite uma mudança nas formas de se produzir educação pelo rádio, que ultrapassa o modelo tradicional e acrescenta outras possibilidades educativas, principalmente porque permite a interação do público.Por estar integrada ao conceito de Educomunicação, a linguagem radiofônica pode proporcionar experiências muito significativas e transformadoras no espaço educacional, aproximando-se dos jovens que nasceram na era da cultura audiovisual, ampliando as possibilidades de expressão.

Para o educador, radialista e coordenador do Programa Nas Ondas do Rádio, da Secretaria Municipal de Ensino de São Paulo, e presidente do Comitê Gestor da Lei EDUCOM, Carlos Alberto Mendes de Lima (*), “o rádio na escola é um instrumento que permite a expressão comunicativa dos alunos, o intercâmbio de ideias, a melhoria no espaço de convivência e a integração escola - aluno. São benefícios que promovem a Cultura de Paz. Além disso, contribui para o aprimoramento das competências comunicativas dos participantes, principalmente a oral e a escrita.”

A Rádio Escolar, ampliada para o universo virtual através da publicação em podcast, permite que um leque ainda maior de ideias e projetos sejam expandidos na relação educador-aprendiz, auxiliando no processo ensino – aprendizagem. “O Podcast pode ser trabalho com interface midiática, principalmente com o Blog. Neste sentido, a proposta pode ser uma excelente ferramenta na informática educativa para o desenvolvimento de projetos de produção midiática e publicação de conteúdo”, explica Lima.

O radialista acredita que a comunicação tira um pouco da tecnicidade do trabalho desenvolvido na informática educativa e agrega valor pela comunicação e a expressão comunicativa, ou seja, usar as TICs a serviço da comunicação. Neste sentido, ele destaca a necessidade de preparar educadores para o desenvolvimento de projetos educomunicativos nas escolas.
*Carlos Mendes de Lima é meu professor de produção de áudio no módulo de educomunicação, na Pós - Graduação em Tecnologias na Aprendizagem pelo Senac de São Paulo*
O rádio escolar no Brasil
No Brasil, o rádio nasceu educativo, pelas mãos de Roquete Pinto (1884-1954), antropólogo, membro da Academia Brasileira de Letras, cujo ideal humanista era levar cultura e educação a todas as partes do país.

Em 20 de abril de 1923, o antropólogo Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. A programação educativa incluía aulas e palestras de variadas disciplinas, como História, Geografia, Literatura, Física e Química, além de outros eventos culturais, como concertos e temporadas líricas.

Essa emissora é considerada por muitos como a pioneira das rádios piratas, que abriu as portas da legalidade para que no Brasil o rádio fosse livre desde os momentos iniciais de sua implantação. Para Roquete Pinto, essa nova tecnologia devia contribuir como instrumento de cidadania e educação.

Surgiram então emissoras que funcionaram como radioescola, por transmitir conhecimentos para escolas e público em geral. A programação educativa tinha o objetivo de instruir a população, em especial os analfabetos.

A legitimidade e os resultados positivos dos projetos educomunicativos que envolviam o rádio na educação deram origem à Lei Educom, lei municipal 13.941, de 28 de dezembro de 2004, regulamentada pelo Decreto 46.211, de 15 de agosto de 2005, intitulado ‘Educomunicação pelas ondas do Rádio’, que tem por objetivo assegurar a continuação da filosofia e das metodologias do projeto EDUCOM.RÁDIO nos espaços culturais e educativos do município de São Paulo.

Fique por dentro
‘Streaming’ é o fluxo de mídia, uma forma de distribuir informação multimídia numa rede através de pacotes [distribuir conteúdo multimídia através da Internet]. Permite que um usuário reproduza mídia protegida por direitos autorais na Internet sem a violação desses direitos, similar ao rádio ou televisão aberta.

‘Podcast’ é o nome dado ao arquivo de áudio digital, geralmente em formato MP3 ou AAC (Codificação de Áudio Avançado), publicado através de podcasting (o processo) na internet e atualizado via RSS. A palavra é uma junção de iPod e broadcast (transmissão de rádio ou televisão). Sistema de disseminação de informação em larga escala.

Fonte: Blog Vamos Ler do Jornal da Manhã/PR -Texto: Talita Moretto

Escola conquista prêmio mundial

As aulas da Escola Municipal Prefeito Dr. Fulton Vitel B. de Macedo tiveram um sabor a mais este mês (junho). A turma do 2º ano do 2º ciclo (na foto com a jornalista Talita Moretto) e a professora Lourdes do Rocio Stafin dos Santos foram surpreendidos com a conquista do Prêmio Mundial para Jornal Escolar sobre o tema Liberdade de Imprensa, da Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias (WAN-IFRA), dentro do Programa Jovens Leitores. A Escola Funton iniciou suas atividades no Projeto Vamos Ler, realizado pelo Jornal da Manhã, no início deste ano.

A categoria é nova, lançada este ano pela WAN-IFRA, com o objetivo de levar para as salas de aula a discussão sobre o tema Liberdade de Imprensa e Expressão, sua importância e fragilidade. Para isso, estimulou escolas a produzirem um jornal que divulgasse o tema, destacando o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, 3 de maio.

O Prêmio foi voltado a estudantes de quaisquer níveis de ensino e de qualquer lugar do mundo. Para participar, as turmas deveriam explorar o dilema de jornalistas exilados, usando o material que a WAN-IFRA disponibilizou. “A Escola Fulton ganhou este prêmio especial pela forma excelente que utilizou o material fornecido por nós e, principalmente, pela criatividade em criar suas próprias charges e textos. Vemos este trabalho como um excelente modelo para o prêmio do próximo ano”, esclarece a diretora executiva do Programa Jovens Leitores – WAN-IFRA, Aralynn McMane.

Com apoio da equipe pedagógica da escola, a professora promoveu discussões, explicando aos alunos a importância do tema, buscando, além do material da WAN-IFRA, outras fontes de informação. “Com base nos textos lidos, cada um se expressou à sua maneira, através depoimentos e desenhos. Os alunos entrevistaram as professoras da escola, os familiares, ouvindo a opinião de todos sobre o assunto”, explica Lourdes.

A diretora da escola, Nerci Fátima Ingês de Lara, e a pedagoga, Márcia Andreia Ianzen, ficaram muito felizes com a conquista, e elogiam o comprometimento da professora com o trabalho. “Isto me fez perceber a capacidade que todos têm. A turma nunca tinha participado de nada, e nunca tinha ganhado nada. Ficaram muito emocionados com o resultado”.

O fato de a primeira escola a ganhar este prêmio ser do Brasil, e fazer parte do grande grupo de educadores e estudantes do Vamos Ler, traduz-se no reconhecimento. Desde 2008 o JM é trabalhado em sala de aula, orientando professores e despertando os alunos para a leitura crítica do mundo. Um projeto novo, se comparado ao restante do mundo, mas que sempre nos trouxe excelentes resultados. O mérito maior desta conquista foi mostrar aos alunos que eles têm sim potencial, e mostrar à comunidade que a leitura pode ser sua maior riqueza.

O nome do jornal? ‘Voz da Liberdade’.

ENVOLVIDOS NA DISCUSSÃO
A UNESCO destaca que o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa constitui a ocasião para relembrar ao mundo quão importante é proteger o direito fundamental da pessoa humana, que é a liberdade de expressão, direito este inscrito no artigo 19º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Considerando que a violência para com os profissionais dos media é hoje uma das principais ameaças à liberdade de expressão.

O Programa Jornal e Educação da ANJ tem estimulado entre os diversos coordenadores, em todas as regiões brasileiras, o debate sobre esse tema, com o apoio e o estímulo da WAN/IFRA, que reconhece o importante papel dos programas de Jornal e Educação no mundo inteiro. “Para nós, que trabalhamos em conjunto com os coordenadores, é uma vitória saber que o Jornal da Manhã foi o primeiro vencedor desse prêmio. E um reconhecimento internacional de que os jornais brasileiros têm feito o seu papel.” Cristiane Parente, Coordenadora Executiva do Programa Jornal e Educação da ANJ e membro do Comitê Internacional de Jornal e Educação e Jovens Leitores da WAN/IFRA.

A Secretaria Municipal de Educação de Ponta Grossa, parceira no desenvolvimento do Projeto Vamos Ler em escolas municipais, reconhece a importância de envolver os alunos no debate das notícias, envolvendo-os na sociedade desde cedo. “Este prêmio é importante, principalmente pelo fato da escola ter feito um trabalho tão bonito a partir da experiência com a leitura do jornal, e esse tipo de experiência altera toda a sua vida, porque a crianca que é estimulada desde cedo à leitura acredita mais no seu potencial, na sua capacidade e tem mais subsídios para opiniar, refletir e participar da sociedade”, acredita a Secretária Municipal de Educação de Ponta Grossa, Zélia Maria Lopes Marochi.

A turma, que se dedicou bastante na criação do jornal, etã muito feliz com o prêmio. “Quando fiquei sabendo que ganhamos o prêmio, eu me senti alegre, feliz e emocionada”, conta a aluna Bruna da Silva Saettone.

Fonte: Blog Vamos Ler/ Texto Talita Moretto

Educação familiar na era virtual

Advogada especialista em Direito Digital e Criminal, Gisele Truzzi, alerta: os pais não sabem o que seus filhos estão fazendo online e podem ser responsabilizados, inclusive criminalmente, pelas infrações digitais de seus filhos.

Segundo ela, a interatividade oferecida pelo ambiente virtual expõe aos mesmos riscos da rua.

Na internet, pode-se ser vítima de roubos, calúnias, pedofilia, entre muitos outros crimes.
Para a advogada, os pais precisam conversar sobre o assunto, deixar claro o que pode ou não fazer online e falar das consequências de, por exemplo, publicar fotos íntimas ou dar detalhes da rotina na internet.
Gisele explica que os pais ou tendem a achar que tecnologia é coisa de jovem, e, de forma geral, não estão preparados para ela.

Por isto, os pais têm que se preparar para educar seus filhos também para a vida digital.
Fonte: A Gazeta (ES) e O POVO Educação

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Ecofuturo lança 2ª edição do Prêmio de Educação para a Sustentabilidade

”Quase tudo o que existe pode ser modificado pelo homem, mas o que realmente precisa ser modificado é a maneira de agir, de pensar, de cuidar”. É assim, sob o olhar de um garoto como Joelmir Tailon de Araújo Ferraz, 15, de Formosa do Rio Preto, na Bahia, que fica evidente a importância de aprender a tecer uma rede de cuidados para criar a grande rede da sustentabilidade. É com esta percepção que, no ano internacional da biodiversidade, o Instituto Ecofuturo lança o 2º Prêmio Ecofuturo de Educação para a Sustentabilidade e convida professores de todo o País a compartilharem suas idéias sobre como trabalhar o tema do cuidado pela vida de forma multidisciplinar e transversal em sala de aula.

O Prêmio abre um canal de comunicação com os educadores para que escrevam projetos ou planos de aula que demonstrem como ensinar, na prática, algo que deveria fazer parte da base de toda experimentação e todo aprendizado, que envolve, essencialmente, o cuidado com o outro, com si próprio e com todas as formas de vida no planeta. O projeto está aberto a professores das redes pública e privada de todo o Brasil, da educação infantil, ensino fundamental e médio, e EJA, bem como de outras instituições onde se realizem atividades educacionais. As inscrições estão abertas de 25 de junho a 25 de agosto e devem ser realizadas pelo hotsite www.ecofuturo.org.br/premio.

O diferencial desta edição é a proposta aos professores de acessar também uma bibliografia literária, seja para sua reflexão ou para o trabalho em sala de aula, por se tratar de um recurso relevante para ativar outros canais de percepção e apropriação de sentidos. Por isso, O Ecofuturo preparou e disponibilizou no hotsite do Prêmio um material de referência, composto por textos do escritor e jornalista Daniel Piza e pelo poeta Bartolomeu Campo de Queirós, visando incrementar a base de pesquisa e auxiliar os educadores na missão de pensar projetos que ajudem a propiciar aos seus alunos aprendizados sobre o tema central do Prêmio: Saber cuidar.
A premiação contemplará os dez melhores autores com a publicação de seus projetos em livro, R$ 3 mil em dinheiro e uma coleção de títulos de literatura e ecologia. As escolas onde estes educadores lecionam ganharão uma coleção de livros de literatura e ecologia e um computador com impressora.

“A partir da nossa experiência de dez anos na realização de concursos de redação em nível nacional, para alunos e professores de toda a grade curricular, percebemos a importância de criar um canal de comunicação e troca com os educadores, visando conhecer, reconhecer e compartilhar ideias sobre projetos de educação para a sustentabilidade. Assim, acreditamos que podemos contribuir, à distância, com a ampliação de repertórios de qualidade para que o educador se sinta mais preparado para tratar o tema com seus alunos em sala de aula, de modo que estes aprendam como podemos ser mais cuidadores e cuidadosos com a vida, argumentando com gosto e competência”, conta Christine Fontelles, diretora de Educação e Cultura do Instituto Ecofuturo.

Com a realização do 1º Prêmio Ecofuturo de Educação para a Sustentabilidade, que recebeu cerca de 400 projetos de 250 cidades espalhadas pelos 27 Estados brasileiros, o Ecofuturo percebeu a adequação de intercalar a realização do Prêmio com a dos concursos de redação e, assim, criar uma forma de primeiro refletir com os educadores os mesmos temas que serão tratados, a seguir, nos Concursos. Dessa maneira, a segunda edição do Prêmio será uma preparação dos professores com o tema Saber Cuidar, ampliando e amadurecendo a base de repertório para que orientem seus alunos durante o 7º Concurso Cultural Ler e Escrever é Preciso, que será realizado em 2011, de modo que desenvolvam compreensão e argumentação sobre o tema, imprescindíveis para que conduzam a produção das redações.

Para a realização desta segunda edição do Prêmio, que tem a chancela do Ministério do Meio Ambiente, o Instituto Ecofuturo conta com o patrocínio da Suzano, o apoio da System Marketing Consulting e da MDS Consultores de Seguros e Riscos, além da parceria da Organização dos Estados Ibero-Americanos, da ANJ, da Fundação SM e da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.

Sobre o Instituto Ecofuturo
O Instituto Ecofuturo é uma organização social de interesse público criada e mantida pela Suzano desde 1999, cuja missão é pesquisar e disseminar conteúdos e práticas focadas na construção de uma cultura individual e coletiva de sustentabilidade. Para o Ecofuturo, a palavra é a ponte para a sustentabilidade, por isso, investe no Programa Ler é Preciso, por meio do qual promove meios para o desenvolvimento das competências de ler e escrever entre crianças, jovens e adultos em nível nacional. Também realiza projetos que promovem o desenvolvimento de práticas de gestão sustentável em reservas naturais e centros urbanos, como o Parque das Neblinas e o Programa Investimento Reciclável.

Alunos participam de atividades sobre a sétima arte

Começaram no dia 8 de junho as sessões de cinema oferecidas às escolas que participam do Projeto Vamos Ler, do Jornal da Manhã, de Ponta Grossa/PR. Elas acontecem anualmente com o objetivo de discutir temas importantes através de curtas-metragens nacionais.

Cada turma participa uma vez ao ano, e as sessões acontecem em junho e em setembro para as escolas de Ponta Grossa.

Após a exibição de cada filme (quatro no total) o ator e contador de histórias, Antônio Nildo, faz um bate-papo descontraído com as crianças, ressaltando as mensagem de cada curta, estimulando que participem do debate, contando o que puderam observar e entender.

A coordenadora do Vamos Ler em Ponta Grossa é a jornalista Talita Moretto. Para mais informações sobre o projeto: www.jmnews.com.br/index.php?SETOR=BLOG&BID=4681

Curso ensina professor a usar nova tecnologia

Educadores do projeto Correio Escola, de Campinas, dão curso para professores do colégio Notre Dame sobre novas tecnologias. Veja na matéria abaixo, do jornalista Fabiano Ormaneze, que faz parte do projeto.


Uma parceria entre o projeto Correio Escola, do Grupo RAC (Campinas/SP), e o Colégio Notre Dame de Campinas possibilitou que os professores envolvidos no curso de extensão cultural que prepara para a utilização diária do jornal na sala de aula tivessem treinamento sobre novas tecnologias aplicadas à educação.


Durante o último encontro do semestre, realizado segunda-feira (21/06), nas salas do colégio, os 70 educadores aprenderam como utilizar ferramentas como a lousa digital, blogs e até mesmo o celular na sala de aula. “Nosso objetivo é mostrar ao professor que é possível incorporar as mais diversas tecnologias na sala de aula e, assim, aproximar o conteúdo da realidade dos alunos”, explicou a coordenadora do Correio Escola, Cecília Pavani.


A coordenadora de informática do Notre Dame, Eliane Almstaden Moller, falou aos professores sobre como a internet pode ser um recurso para todos. “Mesmo para quem não tem grande domínio de informática, é possível montar um blog e interagir com os alunos, postando textos, tarefas e resultados de atividades”, disse.


Uma experiência positiva na área foi contada pela professora Iolanda Soldatti, da Escola Estadual Newton Pimenta Neves. Ela, que participa do Correio Escola, montou a sua página virtual, o Blog da Dona, no ano passado. “Ele surgiu da cobrança dos alunos por interação e também para que eu pudesse estar mais próxima da realidade deles. Como muitos me chamam de dona, acabei usando o apelido para dar nome ao blog. O resultado tem sido muito bom, com a participação de todos”, disse.


Na segunda parte da aula, as professoras Ângela Junquer e Elizena Cortez, da equipe pedagógica do Correio Escola, demonstraram como a lousa digital — uma mistura de tela de computador e o antigo quadro à frente das salas de aula — pode ser utilizada. “Para quem não tem essa tecnologia, vale a pena olhar ao seu redor e utilizar tudo aquilo que é de domínio dos alunos”, lembrou Elizena. Um exemplo dado por ela é o celular. “Hoje, os aparelhos vêm equipados com uma ferramenta que permite consultar o horário no mundo inteiro. Isso pode ser aproveitado para ensinar fuso horário”, explicou. Ângela tem outra dica: “Mesmo em português, o professor pode usar as gírias utilizadas nas mensagens para ensinar as diferenças em relação à norma culta e explicar aos alunos a importância de conhecer todos os registros linguísticos.”


Fonte: Correio Popular/ Foto: Elcio Alves