quinta-feira, 17 de junho de 2010
Escolas buscam alternativas para afastar violência
Educação, Cybercultura e Multimídia é um dos temas do V Seminário Nacional O Professor e a Leitura de Jornal, em Campinas
De 14 a 16 de julho acontece em Campinas, no auditório da UNICAMP, o V Seminário Nacional O Professor e a Leitura de Jornal: Educação, Mídia e Formação Docente. Edméa Santos (foto) é uma das palestrantes da mesa "Educação, Cybercultura e Multimídia" do evento. Ela é Doutora em Educação pela UFBA, professora do PROPED da Faculdade de Educação da UERJ. Atua com a disciplina Informática na Educação nos cursos de Pedagogia presencial e a distância. Orienta projetos de pesquisa nas áreas da Informática na Educação, Educação e Cibercultura, Pesquisa-formação. É também organizadora dos livros "Cartografia cognitiva" e "Avaliação da aprendizagem em educação online".
O Programa Jornal e Educação da ANJ, um dos organizadores do evento, entrevistou a professora Edméa. Confira abaixo.
Programa Jornal e Educação - Você descreve em seu artigo no livro Ensino-Aprendizagem Comunicação (WAK Editora) que uma primeira fase da informática na educação foi muito instrucionista, quando as técnicas são mais valorizadas que os processos educacionais. Você ainda vê esse instrucionismo nas escolas? O que seria preciso fazer para superar essa fase?
Edméa Santos - Num primeiro momento não tínhamos no Brasil pesquisa e práticas pedagógicas específicas sobre o uso do computador integrado ao Currículo escolar. O ensino era pautado no uso do computador como ferramenta de automação de processos de gestão ou programação. O professor geralmente era um técnico e a Informática uma mera disciplina extracurricular. Infelizmente ainda temos práticas instrucionistas. O instrucionismo não se define apenas pelo uso técnico da máquina e nem pelo ensino da Informática como área de conhecimento específico. A Pedagogia instrucionista ainda é uma realidade, inclusive em tempos de mídias e redes sociais na e da Internet. Nossas pesquisas constatam esta realidade no estado do RJ e cada vez mais defendemos a tese que é preciso investir em políticas de formação continuada para professores. Avançamos no acesso ao computador e a internet por parte dos professores. Contudo, a formação de professores e gestores ainda é um desafio. Para saber mais sobre nossas pesquisas, acessem nosso site e do nosso grupo de pesquisa (GPDOC- Grupo de Pesquisa Docência e Cibercultura) em WWW.docenciaonline.pro.br
PJE - Como a escola e os ambientes educativos diversos podem aproveitar os recursos que a informática oferece?
ES - A Informática é uma área de conhecimento transversal e deve ser utilizada de forma interdisciplinar nos espaços multirreferenciais de aprendizagem. Inicialmente a escola utilizava, e algumas ainda utilizam, a Informática para a potencialização de competências lógico-matemáticas e para o desenvolvimento do auto-estudo. Concordamos com a prof. Maria Teresa Freitas (UFJF) que o computador e a Internet são instrumentos culturais do nosso tempo. Além de potencializar atividades mentais próprias do seres humanos (processamento, memória, simulação) essas tecnologias potencializam a nossa capacidade de produzir e compartilhar em rede sentidos e significados. Podemos ler e escrever em vários gêneros textuais e com várias linguagens e mídias devido a sua capacidade de fazer convergência de mídias (sons, textos, imagens, gráficos, redes sociais). O trabalho docente deve investir em letramentos digitais variados, inserindo os sujeitos na Cibercultura, que é a cultura contemporânea mediada pelas tecnologias digitais em rede no ciberespaço e nas cidades.
PJE - Você defende a utilização de jogos nos processos educativos?
ES - Sim. Os jogos em geral potencializam a capacidade de lidar com diversas situações de aprendizagem. Os jogos de estratégias e que possuem variados desdobramentos em sua narrativa incentivam a autoria e o protagonismo do sujeito que co-cria a narrativa enquanto joga. No Brasil temos pesquisadores que investem no tema não só como pesquisa e prática pedagógica, como também, no desenvolvimento de jogos educativos gratuitos e livres, que podem ser utilizados pelos professores em geral. Gostaria de destacar o trabalho de alguns professores que trabalham diretamente com o tema dos jogos na educação:
Professora Dra. Lynn Alves da UNEB (WWW.lynn.pro.br).
Professora Dra. Filomena Moita (UEJP) http://www.filomenamoita.pro.br
Professora Dr. João Mattar http://blog.joaomattar.com/
PJE - Os softwares de autoria marcaram uma segunda fase da informática na escola. Quais foram (e ainda são) os benefícios de seu uso? Que experiências podem ser destacadas?
ES - O que chamamos de “fase 2” da Informática na escola é a fase que migra do uso instrumental e dos softwares comerciais para o uso dos “softwares educativos”. Vale ressaltar que o que torna um software educativo não é o software sem si, e sim as mediações que fazemos com estes. Um software comercial pode ser utilizado para a produção de projetos interdisciplinares e autorias. Um editor de texto pode ser utilizado para o desenvolvimento de um projeto de autoria por exemplo. Infelizmente, muitas práticas não avançam para o desenvolvimento de letramentos variados e se restringem ao uso instrumental do software. Em vez de ensinar apenas recursos técnicos temos que ensinar os alunos a lerem e escreverem com estes recursos. Os “softwares de autoria”, agregam recursos para o trabalho com multimídia. No início dos anos 90 do século passado eram caros e pouco utilizados nas escolas públicas. Com avanço dos softwares comerciais e da própria Internet, estes softwares foram praticamente deixados de lado. Hoje encontramos na rede uma infinidade de interfaces que nos permitem criar em rede e colaborativamente textos, imagens (estáticas e dinâmicas), sons. Podemos hipertextualizar nossas autorias e compartilhá-las em redes sociais da e na Internet.
PJE - Como você acha que a informática deve ser trabalhada na escola? Como uma disciplina autônoma? Como apoio e suporte a outras disciplinas do currículo?
ES - Sou contra a disciplinaridade de forma geral. A Informática é um saber transversal e utilizada de forma interdisciplinar. Todos os professores regentes devem lançar mão da Informática em suas práticas. O laboratório de Informática não pode ser mais um ambiente “gélido” e centrado na figura de um informata ou professor específico. Deve ser um espaço de múltiplas linguagens. Defendo a idéia de que o computador conectado esteja na sala de aula comum, na biblioteca e nos demais espaços da escola. O professor ou profissional de Informática deve trabalhar colaborativamente com os demais professores integrando os saberes científicos com os saberes dos cotidianos.
PJE - Em que momento vivemos hoje (de forma generalizada) em relação à informática? Como a WEB 2.0 influencia esse contexto?
ES - Nossas pesquisas revelam que encontramos situações variadas. Convivemos com todas as fases da informática. Ainda temos uso instrumental, trabalhos com softwares e sem conexão, uso da Internet como repositório ou mero saqueamento de informações digitalizadas. Ainda temos escolas que nunca utilizaram a informática em suas práticas. Por outro lado, encontramos também, usos mais autorais e que utilizam os potenciais da interatividade, do hipertexto, da simulação, da convergência de mídias e mais recentemente da mobilidade dos dispositivos móveis. No portal do professor (MEC) temos uma mostra dessa variedade de possibilidades. Vale a pena navegar e conhecer projetos e objetos de aprendizagem desenvolvidos por professores e instituições variadas. No Brasil destacamos grupos de pesquisa que desenvolvem projetos de formação continuada que avançam em relação ao uso instrumental e conteudista das tecnologias. Vale a pena conhecer:
Grupo GPDOC – www.docenciaonline.pro.br
Grupo GEC - http://www.gec.faced.ufba.br
Grupo LIC - http://www.ufjf.br/grupolic/
Grupo Comunidades Virtais de Aprendizagem - http://www.comunidadesvirtuais.pro.br/
Sala de Aula interativa – WWW.saladeaulainterativa.pro.br
PJE - As políticas públicas brasileiras estão dando conta de preparar alunos e professores para os tempos de cibercultura que vivemos? O que falta?
ES - No Brasil temos constantes avanços e retrocessos em relação às políticas publicas. É preciso mais parcerias entre os governos (federais, estaduais e municipais), as universidades e as escolas. Infelizmente grande parte dos projetos governamentais investem no uso “escolar” das tecnologias e não na questão cultural propriamente dita. Os professores, muitas vezes, são meros consumidores de projetos construídos por empresas de consultorias, grupos e instituições produtoras de conteúdo. Defendo a autoria do professor. A Cibercultura só existe porque seus praticantes são autores de tecnologias. Tecnologias não são apenas artefatos e objetos técnicos, são também e, sobretudo, modos e usos. Cada pessoa ou grupo pode desenvolver usos únicos e contextualizado para as tecnologias na educação. Estes usos podem ser compartilhados e resignificados por outros praticantes ou grupos. Em nossa linha de pesquisa no PROPED (Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ) pesquisamos os usos que os praticantes criam em seus cotidianos. Vale a pena navegar pelo nosso site e pelos jornais científicos e conhecer algumas dessas produções.
Site do PROPED: www.proped.pro.br
Site do Laboratório de Imagem: http://www.lab-eduimagem.pro.br/
Site do Jornal Eletrônica Educação e Imagem: http://www.lab-eduimagem.pro.br/JORNAL/
SERVIÇO
V Seminário Nacional O Professor e a Leitura de Jornal
Data: 14 a 16 de Julho
Local: UNICAMP - Campinas/SP
Informações: http://www.alb.com.br/portal/5seminario/
Instituto C&A abre edital de seleção do programa Educação Infantil
O Instituto C&A abre edital de seleção do programa Educação Infantil para Secretarias Municipais de Educação de cidades com população entre 200 mil e 1 milhão de habitantes, da região Nordeste.O programa Educação Infantil é uma frente de trabalho do Instituto C&A que busca contribuir para o acesso à educação de qualidade de crianças de 0 a 5 anos. Os municípios selecionados integrarão o projeto Paralapracá, ação do programa Educação Infantil que visa contribuir para a melhoria da qualificação dos profissionais nessa primeira etapa da educação básica.
O projeto Paralapracá atua por meio de duas linhas de ação complementares e articuladas: a formação continuada de professores e o acesso a materiais educativos de qualidade para crianças e educadores.
O que será disponibilizado
Os municípios selecionados contarão com 18 meses de formação continuada nos eixos brincadeira, música, arte, histórias, exploração do mundo e organização do ambiente. Para cada um dos eixos, foram elaborados materiais específicos como vídeos, cadernos de orientação, pasta de registro, além de uma metodologia de formação que respeita as necessidades e peculiaridades de cada município.
As instituições de educação infantil participantes do projeto também receberão a Mala Paralapracá, com acervo diversificado de literatura infantil, CDs de música, fantoches, o Almanaque Paralapracá de cultura infantil e livros técnicos para os professores.
Inscrições
As inscrições podem ser realizadas até 22/06/2010, por meio de formulário disponível no site http://www.institutocea.org.br/instituto/site/content/acoes/edital-paralapraca.aspx.
Dúvidas
Em caso de dúvidas, escreva para instituto.rio@cea.com.br
Dinâmicas com jornal
O projeto Jornal Escola do jornal Comércio da Franca (SP), disponibilizou para seus educadores dicas de dinâmicas para serem feitas com jornal em língua portuguesa. Compartilhamos abaixo:1)Dinâmica: As várias formas de noticiar
Objetivos:
- Treinar o vocabulário dos alunos
- Instigar a imaginação das crianças
- Apresentar as várias formas de se abordar um fato
- Treinar o vocabulário dos alunos
- Instigar a imaginação das crianças
- Apresentar as várias formas de se abordar um fato
Passos:
a)Dividir a turma em dois grupos.
b)Apresentar uma manchete e pedir para que os grupos a contem de formas diferentes.Os grupos competirão entre si como se fosse uma brincadeira de “batata quente”
c)Quem não conseguir mais formar frases, perde o jogo.
a)Dividir a turma em dois grupos.
b)Apresentar uma manchete e pedir para que os grupos a contem de formas diferentes.Os grupos competirão entre si como se fosse uma brincadeira de “batata quente”
c)Quem não conseguir mais formar frases, perde o jogo.
Exemplo:
Notícia dada pelo professor: Juiz Nicolau é preso novamente
Grupo A
Juiz Nicolau é preso outra vez
Grupo B
Mais uma vez a polícia prende o juiz Nicolau
Grupo A
Polícia prende o juiz Nicolau de novo
Grupo B
Juiz Nicolau vai outra vez para a cadeia
Grupo A
Juiz Nicolau está novamente atrás das grades
Grupo B
Não consegue mais formar frases e perde a brincadeira
Notícia dada pelo professor: Juiz Nicolau é preso novamente
Grupo A
Juiz Nicolau é preso outra vez
Grupo B
Mais uma vez a polícia prende o juiz Nicolau
Grupo A
Polícia prende o juiz Nicolau de novo
Grupo B
Juiz Nicolau vai outra vez para a cadeia
Grupo A
Juiz Nicolau está novamente atrás das grades
Grupo B
Não consegue mais formar frases e perde a brincadeira
2)Dinâmica: Trabalhando com notícias e propagandas
Objetivos:
- Trabalhar a imaginação do aluno
- Apresentar as diferenças entre reportagens e propagandas
- Trabalhar a linguagem escrita e falada
- Trabalhar a capacidade de registrar fatos relatados
- Trabalhar a imaginação do aluno
- Apresentar as diferenças entre reportagens e propagandas
- Trabalhar a linguagem escrita e falada
- Trabalhar a capacidade de registrar fatos relatados
Passos:
a)Professora começa uma história e a turma continua.
b)Depois da história pronta,a professora divide a turma em grupos e cada um produz ou uma notícia,ou uma propaganda sobre a historinha.
a)Professora começa uma história e a turma continua.
b)Depois da história pronta,a professora divide a turma em grupos e cada um produz ou uma notícia,ou uma propaganda sobre a historinha.
Exemplo:
Professora: Era uma vez um menino que tinha medo do escuro
Aluno 1
Um dia ele resolveu dormir de luz apagada
Aluno 2
E a porta se abriu
Aluno 3
Ele ficou com medo
Aluno 4
E um alarme disparou
Aluno 5
E quando a luz se acendeu, o menino havia desaparecido…
Professora: Era uma vez um menino que tinha medo do escuro
Aluno 1
Um dia ele resolveu dormir de luz apagada
Aluno 2
E a porta se abriu
Aluno 3
Ele ficou com medo
Aluno 4
E um alarme disparou
Aluno 5
E quando a luz se acendeu, o menino havia desaparecido…
A partir desta história formada um grupo pode fazer uma propaganda sobre alarmes e o outro uma reportagem sobre um menino que desaparece misteriosamente no escuro.
3)Dinâmica:Trabalhando com os diferentes tipos de caderno
Objetivos:
- Diferenciar os diversos tipos de caderno do jornal
- Trabalhar a capacidade criativa da criança
- Incentivar a interação do aluno com o jornalismo impresso
- Conduzir a criança à leitura
- Trabalhar a capacidade de escrita
- Diferenciar os diversos tipos de caderno do jornal
- Trabalhar a capacidade criativa da criança
- Incentivar a interação do aluno com o jornalismo impresso
- Conduzir a criança à leitura
- Trabalhar a capacidade de escrita
Passos
a)Distribuir reportagens para os alunos
b)Os alunos que receberem reportagens do caderno “Artes” formarão um grupo.Os que receberam matérias do caderno “Brasil” formarão outro grupo e assim sucessivamente.Cabe aos estudantes reconhecerem o caderno do qual provém a notícia para que possam procurar os integrantes da sua “turma”.
c)Após discutirem as matérias no grupo,cada um destes escolherá a mais interessante das notícias para relatarem para o restante da sala.
d)Além da apresentação,cada grupo deverá escrever um texto jornalístico sobre o que apresentou.
e)Ao final,o professor deverá recolher todos estes textos e montar um pequeno jornal da turma,com secções diversificadas como um jornal de verdade.
a)Distribuir reportagens para os alunos
b)Os alunos que receberem reportagens do caderno “Artes” formarão um grupo.Os que receberam matérias do caderno “Brasil” formarão outro grupo e assim sucessivamente.Cabe aos estudantes reconhecerem o caderno do qual provém a notícia para que possam procurar os integrantes da sua “turma”.
c)Após discutirem as matérias no grupo,cada um destes escolherá a mais interessante das notícias para relatarem para o restante da sala.
d)Além da apresentação,cada grupo deverá escrever um texto jornalístico sobre o que apresentou.
e)Ao final,o professor deverá recolher todos estes textos e montar um pequeno jornal da turma,com secções diversificadas como um jornal de verdade.
Nelson Pretto: Educação não é uma coisa fechada
O Jornal A Tarde publicou uma entrevista com o professor e pesquisador Nelson De Luca Pretto. Compartilhamos abaixo com os lieotres do blog.Olhando assim, é como se Nelson De Luca Pretto, 55, já tivesse chegado ao horizonte que criou, em que educação, cultura, ciência e tecnologia viram uma coisa só. Como a engenhosidade de um dado redondo, que encontrou na Inglaterra enquanto fazia o mais recente dos seus pós-doutorados. Ainda falta muito, mas isso não o desestimula. Seu lema é pensar grande e depois fazer o que der. Professor há 36 anos, começou ensinando geografia e física,em que se graduou.“Quando comecei a dar aula, era muito menos preparado, mais rígido, porque tinha uma ideia de que a educação era salvacionista, tinha que consertar.E a educação não tem que consertar nada,tem é que atrapalhar“.Tornou-semestre em educação pela Ufba e doutor em ciências da comunicação pela USP. No dia 1º, Pretto lançou o livro Do MEB à Web: A Rádio na Educação, organizado em parceria com a professora Sandra Pereira Tosta, da PUC de Minas. Ele também está envolvido com a Ripe–Rede de Intercâmbio de Produção Educativa,que incentiva professores e alunos de cinco escolas baianas a produzir em conteúdos “culturais e científicos“. O professor, por duas vezes diretor da Faculdadede Educação da Ufba, onde hoje ensina, espera agora seu “auxílio pé na cova”. “Eu já estou com tempo de aposentadoria, mas não vou deixar de ser um ativista“.
Numa época de múltiplos recursos, por que se voltar para o rádio?
A gente anda para frente sempre olhando para trás. Esse é o ponto fundamental. O rádio vem resistindo e ganhando um espaço enorme a partir da presença das chamadas tecnologias digitais, de comunicação e informação, porque trabalha com aquilo que o ser humano sempre teve uma grande intimidade, que é a oralidade.O paralelo que eu faço é muito esse: você alfabetiza pela oralidade, como hoje você pode alfabetizar pela inserção do jovem e do idoso na internet, compreendida como um processo de comunicação.Quando se fala em rádio na web, a gente também está falando de imagem, blog, chat, twitter, é tudo isso, mas sem perder a característica de rádio.
Em que pé está a Rede de Intercâmbio de Produção Educativa (Ripe), cuja missão é transformar professores e alunos em produtores de conhecimento?
A Ripe é um projeto de pesquisa em parceria com a Universidade Federal da Paraíba. A ideia é trazer todas essas concepções mais contemporâneas de produção de documentos culturais e científicos. A gente criou uma plataforma, ala YouTube, para colocar vídeos produzidos pela própria escola,em que haja um diálogo entre os saberes da comunidade, professores e alunos, e o saber estabelecido.Um aluno pode gravar um vídeo de cinco minutos com um pescador, e aí no Rio Grande do Norte uma outra escola grava uma entrevista com outro pescador e isso vai sendo misturado, a la tecnobrega, de forma a criar um círculo virtuoso de produção de cultura e conhecimento.O projeto funciona há dois anos e foi encerrado agora, no final de maio. Tô numa peregrinação, conversando com o Ministério e a Secretaria de Educação, para a gente ver como incorporar isso.
O projeto funciona em quais cidades?
Salvador, São Félix e Irecê. A plataforma que desenvolvemos, em software livre, está agora indo para a Plataforma de Cultura Digital, do MinC, e para o Portal do Software Livre, de forma a criar uma comunidade em torno disso.O trabalho nas escolas é financiado pela Fapesb. Nós colocamos uma espécie de kit multimídia para estimular professores e estudantes a produzirem. E aí, claro, a dificuldade é fenomenal. É professor brigando com diretor, diretor brigando com professor, aluno querendo entrar… Quando a gente estava em Irecê, o coordenador da escola disse que estavam chegando computadores, e a excitação desses professores era uma coisa fascinante. E aí os meninos dizendo: ‘Pró, que dia a gente vai começar a bulir?‘. E morrendo de medo de não poder bulir.Esse é nosso esforço, mostrar que a rádio, os vídeos, a informática têm que ser disponibilizados para os meninos se inserirem na cibercultura, como os filhos dos ricos fazem em casa.Não dá para ir ao infocentro para aprender planilha. Aí não adianta, porque é proibido Orkut, a Fazendinha, Skype, tudo…
As lan houses acabaram com isso, não?
Um pouco, mas o nosso medo é que, na tentativa de regulamentar as lan houses,o Congresso venha com propostas caretas.O grande problema é que as políticas não se falam. Então cada ministério faz uma coisa, um concorre com o outro.Vale o mesmo para as secretarias. Muito por conta das articulações políticas, dos apoios, da governabilidade. Isso é um problema para nós da educação, porque educação não é uma coisa fechada. Essa foi a minha luta a vida inteira. É importante o universo da educação conversar com o universo da cultura, trabalhar de forma colaborativa.Dou uma disciplina na pós-graduação chamada “Ética hacker e educação“. O hacker não espera a ideia ficar pronta para submeter à comunidade.Quando ele se expõe, todo mundo contribui, não há uma lógica de julgamento. E isso, para nós, da educação, é super importante.Se você for pensar, a escola funciona numa lógica oposta à ética hacker, que é a lógica mercadológica. A educação virou mercadoria.Esse é o grande problema. A gente tem exemplos típicos disso. Os meninos não chegam à escola com os deveres errados. Isso é um absurdo. O dever errado é a melhor forma de aprender. Nem entrando no mérito se deve ou não ter dever. Mas você desenvolver uma coisa e errar, não tem nada mais lindo e rico que isso. Essa escola fake, artificial, nem os alunos nem os professores aguentam. Vira um cabo-de-guerra.
A adoção do Enem em substituição ao vestibular não tende a tornar o ensino menos robótico?
Pode,mas o Enem também pode ser apropriado por essa lógica de mercado. Ela é poderosa. Repare, eu não sou tão velho assim, mas na minha escola nunca ouvi falar em produtividade, ranking, desempenho. E hoje converse com um educador.Em cinco minutos sou capaz de apostar que ele vai falar nisso. É uma loucura, porque você traz para dentro da escola uma lógica de competição que destrói tudo. É aquilo que o filósofo espanhol José Antonio Marina fala, da necessidade de resgatar a ética dos náufragos. Ele diz: “A atual ética é míope porque pensa como único valor a vida, e não o direito à vida“. A metáfora do náufrago é ótima, porque na hora que o bicho tá pegando é que você vê quem tem ética. Se for a ética a vida, vou salvar a minha. Se for a ética do direito à vida, todos têm. Lembro o professor Felipe Serpa dizendo que a gente tem que se inspirar na lógica indígena de que, quando um tem fome, isso é um problema de todos. Na sociedade capitalista atual, a lógica é “farinha pouca, meu pirão primeiro“. Acho que a gente tem que substituir por “farinha pouca, um pouco para cada um“.
O senhor falava em rankings. Acha importante a criação do Ideb peloMECpara medir a qualidade do ensino público?
O governo precisa ter indicadores, é fundamental terdados.Mas a gente tem que cuidar muito para saber como eles são coletados e analisados. Muitas vezes esses dados escondem realidades particulares que precisam ser consideradas. Nós estamos trabalhando com a ideia de falarem educações, e não em educação.Quando a gente fala da Ripe, da rádioweb, a ideia é fortalecer as comunidades. As redes digitais possibilitam que esse diálogo entre a cultura local e o conhecimento estabelecido se dê de forma intensa. Com isso a escola muda de papel, porque deixa de ser uma distribuidora de informações e passa a ser um espaço da convivência e de enaltecimento das diferenças.
Hoje ninguém diz que não respeita as diferenças. Mas respeita como?
Como o pitoresco, o folclórico. E o que é pior, respeita na entrada…No fundo, a escola é uma máquina que vai afunilando para, na saída, saírem todos iguais. E os índices têm esse poder,ajudam na formatação. Lembro de uma frase que Carlos Rodrigues Brandão reproduziu no livro Questões Políticas da Educação Popular. Ele entrevista um lavrador e pergunta: ’O que é educação?’.E o homem responde:‘O senhor me faz a pergunta, mas acho que já sabe a resposta. A educação do senhor é a sua, e a nossa é a sua’.Enquanto a educação do outro for a minha, não tem solução.
Como o senhor avalia a gestão Wagner?
Sempre tivemos no governo Lula e Wagner uma expectativa fenomenal, que não foi correspondida.Acho que houve avanços significativos no campo da Cultura. No campo da Ciência e Tecnologia, avançamos muito pouco, e no campo da Educação, em função do gigantismo do sistema, também.
E essa política da Secretaria de Educação de fechar escolas?
(O secretário) Osvaldo Barreto teve uma frase muito feliz quando disse que era preciso fortalecer a escola.Cheguei a mandar um e-mail para ele elogiando a frase, o foco,e dizendo que não poderia esquecer de fortalecer o professor. Acho que o professor tem que ser um ativista, uma liderança comunitária. Infelizmente a gente está perdendo isso, com essa massificação do trabalho docente. E infelizmente com essa política e fecha mentd e escolas,enturmação, desestímulo… Quando uma escola está vazia, é preciso concentrar todos os esforços para saber por que ela está assim e como é que eu boto essa juventude lá. Precisamos das escolas abertas, cheias. Tem horas que olho os índices de evasão e, brincando, digo: que bom que eles não estão lá, não estão aceitando… Claro que me apavora. Tenho alunos que são professores e contam que começam a dar aula com 30, 35 estudantes, e no final frequentam oito, e não são os mesmos! Então, em vez de reduzir, a gente tinha que transformar cada escola pública num Ponto de Cultura.Você tem que ver a vibração desses meninos em Irecê, no nosso Ponto de Cultura, o Ciberparque Anísio Teixeira. Lá tem rádioweb, os tabuleiros digitais,um programa de formação de professores, tudo integrado. Dos 50 jovens bolsistas,49 saíram empregados. Já disse para todos os secretários de Ciência e Tecnologia que quiseram me ouvir que isso é uma política de emprego. Se você consegue articular Cultura, Educação, Ciência e Tecnologia, nós avançamos do ponto de vista de construir uma nação.Etemos que parar de dizer que a gente faz trabalho com a juventude, com hip hop, capoeira, para tirar o menino da marginalidade. Ele tem que aprender porque é fundamental para a formação. Se de quebra sair da rua, do crime, do crack, ótimo. Veja, para o menino ir para a ONG, no outro turno ele tem de passar pelo purgatório, que é a escola. Não podia tudo ser escola? Dessa turma de Irecê, dois ou três montaram uma empresa de software livre e venderam um serviço para a Câmara Municipal de transmitir pela web as sessões da Câmara e deixar o áudio lá.Olha, para a democracia, que coisa maravilhosa. Isso tinha que ser uma política de governo, todas as câmaras terem. Mas aí os novos vereadores tiraram a rádio do ar e a empresa quebrou.
O que faz a Bahia ter índices tão trágicos em educação?
Se você pensar que nos governos anteriores a política de educação se chamava “Educar para vencer“ e as escolas se chamavam “escola-modelo“…Essas duas expressões são incompatíveis com educação. Isso não muda em quatro, oito anos. Em educação, aliás, todas as mudanças são de longo prazo. Falo que tem que fortalecer o professor, mas não tenho crença de que se hoje você triplicar o salário, vai resolver. Pegue por exemplo a questão das escolas, que viraram espaços sem espaço. Aí você volta na década de 1960 e olha a Escola Parque. A centralidade da escola é um campo de futebol.Veja a genialidade. Tem lá teatro, biblioteca, os galpões de trabalhos técnicos com painéis magníficos de Carybé e Mario Cravo. A Escola Parque é a materialização de uma política de ciência e tecnologia, emprego, cultura, educação, tudo ali. Quando fui conhecê la, o vigia chorava falando de lá. Hoje você entra numa escola dessas e o vigia não te dá nem bom-dia.E se você dá o bom-dia, ele nem responde. Tá passando dos limites essa falta de educação na Bahia. O cara abre o carro, bota o som na maior altura e aí vem alguém e diz que isso é da cultura da Bahia. Não é, é falta de educação. Meu filho emprestado tem uma frase fantástica. A pró dele fazia transporte escolar, levava-o para a escola. Ele tinha uns 6 anos e me contou: ‘Minha pró estava tomando iogurte e jogou pela janela. Você acredita? Imagine, uma pró!’
O senhor se candidatou ao reitorado em 2006, foi o segundo mais votado. Não quis tentar novamente este ano?
Não, a gente faz maluquice uma vez só. A atual gestão tem muitos méritos, mas tem enormes problemas na forma como compreende a universidade. Veja como a correta política de ampliação foi feita, na base do rolo-compressor. Tivemos uma eleição muito pobre do ponto de vista do debate, muito porque a universidade hoje vive um produtivismo alucinado. Isso tem a ver com a gestão atual da reitoria e também com as políticas planetárias. Vivemos atrás de financiamento, falamos em ‘capacidade de captação de recursos‘. Isso é uma excrescência do que é ser professor de uma universidade. E aí o que acontece? No fundo, a gente está apagando incêndio. Parece que essa concepção de universidade e de sociedade está dada e nos cabe apenas fazer a gestão, para funcionar melhor. Tenho minhas dúvidas se botar para funcionar não é pior do que deixar assim. Porque dessa forma há mais espaço para a transgressão…Nós estamos pensando pequeno, e pensar tem que ser sempre grande. Fazer é que vai ser sempre pequeno, porque as condições não deixam fazer o grande. «
Fonte: Revista Muito, do Jornal A Tarde, de 13 de junho de 2010
Texto: Tatiana Mendonça tmendonca@grupoatarde.com.br
Fotos Marco Aurélio Martins mamartins@grupoatarde.com.br
terça-feira, 15 de junho de 2010
Pesquisa sugere utilização do celular como ferramenta pedagógica na sala de aula
Pesquisa revela que celular pode ser um grande aliado na educação. Veja matéria publicada no jornal Zero Hora (PR).
Condenado pelos incômodos gerados no ambiente escolar, o telefone celular está prestes a se transformar em um aliado no processo de aprendizagem, segundo um estudo de um grupo de pesquisadores internacionais. O relatório Horizon 2010, que identifica tecnologias que podem ter forte impacto na educação nos próximos anos, aponta o celular como uma das ferramentas pedagógicas do futuro.
Resultado da troca de informações entre especialistas de mais de 300 universidades ao redor do mundo, o relatório coordenado pelas organizações New Media Consortium e Educause bate de frente com a visão dos gaúchos quanto à presença do aparelho nas escolas. Por desviar o foco da atenção do aluno para ligações e mensagens de texto em vez do professor, o celular está banido por lei das salas de aula de escolas e universidades do Estado desde 2008.
Pelo estudo, o celular pode ser útil para pesquisas durante a aula, para gravar trechos de explicações do professor e até para compartilhar com a turma, por meio de redes sociais como o Twitter e blogs, dados de saídas a campo. Única brasileira a participar da edição mais recente do relatório internacional, Cristiana Assumpção defende que educadores brasileiros repensem a postura quanto ao uso da comunicação móvel na escola. Publicado todos os anos, o relatório busca identificar tecnologias que ajudarão na aprendizagem nos anos seguintes.
– O celular é uma ferramenta que está na mão de todos, não importa a classe social. Não se pode tapar uma coisa que está vindo como um rolo compressor. Com a proibição, os alunos logo encontram uma forma de contornar isso, fazendo às escondidas. O pensamento deveria ser: já que estão usando, como podemos fazer para usar melhor? – afirma a especialista em tecnologia da educação, coordenadora dessa área no Colégio Bandeirantes, de São Paulo.
SEC tem restrições ao uso de telefones
De olho na evolução tecnológica no ensino, o secretário estadual da Educação, Ervino Deon, informa que o governo aposta hoje nos computadores como ferramenta tecnológica. Além de tentar dotar todas as escolas públicas com espaços informatizados até o fim de de 2010, o esforço dos próximos anos será oferecer notebooks aos estudantes.
O celular na sala de aula ainda é visto com ressalva pelo secretário, mas ele admite mudar a posição no futuro:
– Se lá na frente a tecnologia colocar novas funcionalidades aos celulares, é evidente que precisaremos rever a legislação (que hoje proíbe o uso na sala de aula).
No Colégio Dom Bosco, na Capital, a maioria dos alunos tem telefone, mas o uso só é permitido no pátio ou no intervalo das aulas.
– O celular é uma ferramenta que atrapalha a aula. Se o aluno manda uma mensagem, o conhecimento daquele momento vai embora – exemplifica o vice-diretor do colégio, Oswaldo Dalpiaz.
E é justamente o uso não pedagógico que faz do celular um vilão do ensino atualmente. Para a professora Rosane Aragón de Nevado, especialista em aprendizagem em ambientes digitais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o desafio dos educadores para os próximos anos será aproveitar adequadamente os recursos dos aparelhos:
– Os professores têm de aproveitar a familiaridade dos jovens com o celular para reverter isso em conhecimento útil na sala de aula. Isso ainda não ocorre adequadamente com os computadores, que já usamos há mais tempo.
“O segredo não é banir o celular, mas utilizá-lo”
Diretor executivo do New Media Consortium e um dos coordenadores do estudo, o norte-americano Larry Johnson defende que professores precisam adaptar o uso dos celulares para torná-lo produtivo nas salas de aula. Ele concedeu entrevista por e-mail a Zero Hora:
Zero Hora – Como os celulares podem ser úteis nas salas de aula?
Larry Johnson – Os telefones celulares, mesmo os mais simples e baratos, são pequenos dispositivos de captura multimídia essenciais. Fotografam, filmam, enviam mensagens e, obviamente, permitem ligações. São uma maneira fácil de criar um blog que possa receber entradas de telefones (textos, torpedos, vídeos e áudios). Então, um computador localizado em qualquer lugar pode expor aquela informação produzida para o mundo. Os aparelhos também têm calculadoras, o que possibilita que os alunos façam cálculos simples e analisem dados.
ZH – No Estado, professores têm problemas com os celulares, pois os alunos perdem a concentração. Então, o uso de celulares foi proibido. Como vê isso?
Johnson – Esse tipo de preocupação é baseada na questão de que os telefones podem ser utilizados para diversas atividades – e crianças deixadas à vontade se dispersam algumas vezes. O segredo não é banir o celular, mas utilizá-lo. A longo prazo, os aparelhos serão cada vez mais capacitados. O melhor de todos os modelos, por seu poder, já pode servir como um substituto dos laptops. As escolas devem procurar maneiras de usar os celulares e buscar compreender como transformá-los em ferramentas.
ZH – Como os professores podem fazer o uso educacional dos celulares? Como convencer os estudantes para isso?
Johnson – Os professores precisam reconhecer que os estudantes usam seus telefones como forma de aprendizagem o tempo todo – apenas não para os tipos de aprendizagem que os professores ordenam. Precisamos entender estes padrões naturais de uso e adaptá-los para ajudar as escolas a criar comunidades de estudos onde os alunos frequentemente mandem mensagens uns aos outros como forma de ajuda– e isto ser visto como uma boa atitude.
ZH – No Estado, apenas a minoria dos estudantes tem telefones celulares com acesso à internet. Isso é um limite?
Johnson – Inicialmente é, mas em todo o mundo metade das pessoas que se conectam à internet o fazem por conexões via celulares, não por conexões sem fios ou com fios. Em dois anos, 75% das pessoas irão utilizar seus telefones para se conectarem à internet. Redes de celulares estão substituindo a internet como a conhecemos.
Fonte: Zero Hora/ Texto: Juliana Bublitz (15/06/2010)
Condenado pelos incômodos gerados no ambiente escolar, o telefone celular está prestes a se transformar em um aliado no processo de aprendizagem, segundo um estudo de um grupo de pesquisadores internacionais. O relatório Horizon 2010, que identifica tecnologias que podem ter forte impacto na educação nos próximos anos, aponta o celular como uma das ferramentas pedagógicas do futuro.
Resultado da troca de informações entre especialistas de mais de 300 universidades ao redor do mundo, o relatório coordenado pelas organizações New Media Consortium e Educause bate de frente com a visão dos gaúchos quanto à presença do aparelho nas escolas. Por desviar o foco da atenção do aluno para ligações e mensagens de texto em vez do professor, o celular está banido por lei das salas de aula de escolas e universidades do Estado desde 2008.
Pelo estudo, o celular pode ser útil para pesquisas durante a aula, para gravar trechos de explicações do professor e até para compartilhar com a turma, por meio de redes sociais como o Twitter e blogs, dados de saídas a campo. Única brasileira a participar da edição mais recente do relatório internacional, Cristiana Assumpção defende que educadores brasileiros repensem a postura quanto ao uso da comunicação móvel na escola. Publicado todos os anos, o relatório busca identificar tecnologias que ajudarão na aprendizagem nos anos seguintes.
– O celular é uma ferramenta que está na mão de todos, não importa a classe social. Não se pode tapar uma coisa que está vindo como um rolo compressor. Com a proibição, os alunos logo encontram uma forma de contornar isso, fazendo às escondidas. O pensamento deveria ser: já que estão usando, como podemos fazer para usar melhor? – afirma a especialista em tecnologia da educação, coordenadora dessa área no Colégio Bandeirantes, de São Paulo.
SEC tem restrições ao uso de telefones
De olho na evolução tecnológica no ensino, o secretário estadual da Educação, Ervino Deon, informa que o governo aposta hoje nos computadores como ferramenta tecnológica. Além de tentar dotar todas as escolas públicas com espaços informatizados até o fim de de 2010, o esforço dos próximos anos será oferecer notebooks aos estudantes.
O celular na sala de aula ainda é visto com ressalva pelo secretário, mas ele admite mudar a posição no futuro:
– Se lá na frente a tecnologia colocar novas funcionalidades aos celulares, é evidente que precisaremos rever a legislação (que hoje proíbe o uso na sala de aula).
No Colégio Dom Bosco, na Capital, a maioria dos alunos tem telefone, mas o uso só é permitido no pátio ou no intervalo das aulas.
– O celular é uma ferramenta que atrapalha a aula. Se o aluno manda uma mensagem, o conhecimento daquele momento vai embora – exemplifica o vice-diretor do colégio, Oswaldo Dalpiaz.
E é justamente o uso não pedagógico que faz do celular um vilão do ensino atualmente. Para a professora Rosane Aragón de Nevado, especialista em aprendizagem em ambientes digitais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o desafio dos educadores para os próximos anos será aproveitar adequadamente os recursos dos aparelhos:
– Os professores têm de aproveitar a familiaridade dos jovens com o celular para reverter isso em conhecimento útil na sala de aula. Isso ainda não ocorre adequadamente com os computadores, que já usamos há mais tempo.
“O segredo não é banir o celular, mas utilizá-lo”
Diretor executivo do New Media Consortium e um dos coordenadores do estudo, o norte-americano Larry Johnson defende que professores precisam adaptar o uso dos celulares para torná-lo produtivo nas salas de aula. Ele concedeu entrevista por e-mail a Zero Hora:
Zero Hora – Como os celulares podem ser úteis nas salas de aula?
Larry Johnson – Os telefones celulares, mesmo os mais simples e baratos, são pequenos dispositivos de captura multimídia essenciais. Fotografam, filmam, enviam mensagens e, obviamente, permitem ligações. São uma maneira fácil de criar um blog que possa receber entradas de telefones (textos, torpedos, vídeos e áudios). Então, um computador localizado em qualquer lugar pode expor aquela informação produzida para o mundo. Os aparelhos também têm calculadoras, o que possibilita que os alunos façam cálculos simples e analisem dados.
ZH – No Estado, professores têm problemas com os celulares, pois os alunos perdem a concentração. Então, o uso de celulares foi proibido. Como vê isso?
Johnson – Esse tipo de preocupação é baseada na questão de que os telefones podem ser utilizados para diversas atividades – e crianças deixadas à vontade se dispersam algumas vezes. O segredo não é banir o celular, mas utilizá-lo. A longo prazo, os aparelhos serão cada vez mais capacitados. O melhor de todos os modelos, por seu poder, já pode servir como um substituto dos laptops. As escolas devem procurar maneiras de usar os celulares e buscar compreender como transformá-los em ferramentas.
ZH – Como os professores podem fazer o uso educacional dos celulares? Como convencer os estudantes para isso?
Johnson – Os professores precisam reconhecer que os estudantes usam seus telefones como forma de aprendizagem o tempo todo – apenas não para os tipos de aprendizagem que os professores ordenam. Precisamos entender estes padrões naturais de uso e adaptá-los para ajudar as escolas a criar comunidades de estudos onde os alunos frequentemente mandem mensagens uns aos outros como forma de ajuda– e isto ser visto como uma boa atitude.
ZH – No Estado, apenas a minoria dos estudantes tem telefones celulares com acesso à internet. Isso é um limite?
Johnson – Inicialmente é, mas em todo o mundo metade das pessoas que se conectam à internet o fazem por conexões via celulares, não por conexões sem fios ou com fios. Em dois anos, 75% das pessoas irão utilizar seus telefones para se conectarem à internet. Redes de celulares estão substituindo a internet como a conhecemos.
Fonte: Zero Hora/ Texto: Juliana Bublitz (15/06/2010)
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